quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Livro: Fahrenheit 451



Fahrenheit 451 é um daqueles livros que estava na minha pilha de leituras há anos. Vai saber o motivo de ter passado tanto tempo lá... Até coloquei ele na mala pra NY, mas ele permaneceu por lá. Quando desfiz a mala foi que pensei em adiantar a leitura. Foi rápido, li em um fim de semana.

A história é bem conhecida. Fahrenheit 451 é a temperatura do fogo para que o papel seja queimado. O autor cria uma distopia em que os livros são proibidos e os bombeiros existem não para combater o fogo - as casas são anti-chamas -, mas para criá-lo. A sirene do Corpo de Bombeiros soa sempre que alguém denuncia que há livros guardados em alguma casa. Assim, os profissionais do fogo vão até o local indicado para queimar todos esses objetos considerados inúteis e, mais que isso, perigosos. O personagem principal, Montag, é um bombeiro.

Há várias formas de entretenimento nessa distopia. Uma delas é a televisão com múltiplas telas, que é configurada para que os atores conversem com as pessoas. Assim, o conteúdo é direcionado para envolver a audiência. Mildred, esposa de Montag, é uma das donas de casa que fica completamente envolvida com essa e com outra forma de entretenimentos: fones de ouvido que tocam música incessantemente. Ela é capaz de ler os lábios do marido e conversar com ele sem retirar os fones. Ela dorme de fones. Talvez esse tipo de situação justifique o que acontece com Mildred logo no início do livro: ela toma muitos remédios para dormir e Montag a encontra quase morta.

O encontro de Montag com Clarice McClellan, a nova vizinha, muda a forma como o bombeiro vê a vida. A família de Clarice - e ela mesma - é considerada subversiva, e há uma grande vigilância sobre eles. Montag gosta da menina e do seu jeito meio petulante, meio sem filtro. A partir da presença e, posteriormente, da ausência de Clarice, Montag vai começar a questionar o mundo em que vive.

É curioso como o livro é uma declaração de amor aos livros, ao mesmo tempo em que foge um pouco das distopias da mesma época (como em Admirável mundo novo), ao ter um final com uma mensagem de esperança. É bonito o fim do livro, muito mesmo, mas me pareceu deslocado do que eu esperava da distopia. Mesmo assim, é um ótimo livro. Mais fácil de ler - talvez até por esse clima mais positivo - do que Admirável mundo novo.

Fahrenheit 451 virou filme, dirigido por François Truffaut em 1966. É um bom filme, a adaptação foi muito bem feita. Vi há muitos anos, mas estou querendo ver de novo.
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 15 de agosto de 2017

Citações #216

De Número Zero:



A questão é que os jornais não são feitos para divulgar, mas para encobrir as notícias. Ocorre o fato X, você não pode deixar de falar dele, mas cria problemas para gente demais, então no mesmo número você põe manchetes de arrepiar o cabelo, mãe degola os quatro filhos, a nossa poupança talvez vire pó, descoberta uma carta de insultos de Garibaldi a Nino Bixio e assim por diante, a sua notícia se afoga no grande mar da informação.  

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Livro: Um amor incômodo



Olha a Elena Ferrante aí de novo...

Em Um amor incômodo, temos Delia às voltas com a morte da mãe, Amalia. Ela morreu, no dia do aniversário da filha, afogada no mar; foi encontrada vestindo apenas um sutiã novo. Esse detalhe chama a atenção de Delia: a mãe só vestia roupas velhas, reformadas e remendadas; até mesmo roupas íntimas. O que levou Amalia, que saiu de Nápoles a caminho de Roma para visitar a filha, a parar em uma praia e ficar dois dias por lá, depois entrar no mar apenas de sutiã e não mais voltar?

Delia está às voltas com a parte burocrática da morte: reconhecimento do corpo, velório e enterro, entrega do apartamento onde a mãe vivia. Ao mesmo tempo, tem que se haver com a própria mãe, com quem tinha uma relação complicada, em que estão presentes a vontade de ser Amalia e a vontade de repeli-la sempre.

Há uma história do passado pulsando: Amalia se comportava de forma diferente longe do pai de Delia. Houve um caso de infidelidade, anos depois veio a separação. O ex-marido continua a seguir Amalia, continua a aterrorizar a ex-mulher. O amante quase morreu, devido à violência quando caso veio à tona. Porém, surge novamente nos últimos dias de Amalia.

A Nápoles de Elena Ferrante é bastante repulsiva. Nela, pulsam a sujeira, a violência, o dialeto forte, as obscenidades. As dores de um passado sempre marcante. Talvez por ter lido a Tetralogia Napolitana antes dos demais livros, me parece que os dois que li depois são um ensaio para essa obra maior. Isso não diminui os livros, de forma alguma.

Neste Um amor incômodo, em especial, é possível ver um horror mais marcante. Tão forte, no desenvolvimento da ação, que, ao terminar, não sabia se tinha gostado ou não. Escrevo ainda sem ter certeza. Porém, esse incômodo é um dos fatores que me leva a gostar de um livro: a história permanecer retumbando na minha mente mesmo após lida. Isso é sinal de que o livro me tirou do lugar. Pra mim, como leitora, isso não tem preço. Então, aposto que o veredito final será positivo.

De toda forma, a narrativa da Elena Ferrante é muito envolvente. Ela sabe narrar, ela enreda a trama e o leitor de uma forma muito especial. Mesmo que a história seja um tanto repulsiva, você fica ali, grudado no livro, esperando para chegar ao final e entender o que um gatilho simples pode gerar. Nesse ponto, ela me lembra muito das crônicas de Laços de família, da Clarice Lispector.

Da Elena Ferrante, ainda não li Frantumaglia e Dias de abandono. O primeiro ainda será lançado em português.

O que já li da autora:
Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
Sobre História do novo sobrenome
Sobre História de quem foge e de quem fica

Sobre Story of the lost child
Sobre A filha perdida

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Citações #215

De Número Zero:


Percebam que hoje, para contra-atacar uma acusação não é necessário provar o contrário, basta deslegitimar o acusador. Portanto, aqui está o nome e o sobrenome do sujeito, e Paratino dá um pulo em Rimini, com um gravador e uma máquina fotográfica. Siga esse íntegro servidor do Estado, ninguém nunca é cem por cento íntegro, mesmo que não seja pedófilo, não tenha matado a avó, nem embolsado proprinas, terá feito alguma coisa estranha. Ou então, se me permitem a expressão, estranhifica-se aquilo que ele faz todos os dias. Palatino, use a imaginação. Entendido? 


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

De volta a NY - Parte 5

Pensa num refrigerante horrível...

Acordamos cedo no sábado. Na sexta, antes de acontecer a zica com meu pé, tínhamos ido à Times Square, aquele inferno de lugar, em busca de presentes pros sobrinhos, na loja da Disney. Estava infernal. Daí, quando voltamos pro hotel, tinha um sujeito distribuindo essas latinhas de Pepsi de canela. Uma pra mim, uma pro Leo. Ele bebeu na hora, eu deixei pra tomar na manhã de sábado, quando voltaríamos pra Times Square, num momento mais vazio da loja da Disney, pra procurar com calma o presente das crianças.

Meu pé continuava inchado e dolorido. Coloquei a pomada anti-inflamatória na bolsa e prometi pra mim que andaria devagar, com bastante cuidado. Até então, estava usando a minha wanna-be-Birkenstock, mas precisei voltar pro tênis, amarrado bem apertado pra dar um suporte melhor pro pé. Loja da Disney, lá fomos nós. Estava frio, bem mais do que nos outros dias.

Sacolinha

A lista de presentes envolvia um Minion pro Lucas, uma Pequena Sereia pra Lara, uma roupinha fofa pro Mateus e uma Moana pra Maria. Não achamos o Minion (será que é porque não é da Disney? - ficaria para outro momento). A roupinha do Mateus foi fácil. A Pequena Sereia da Lara também. A Moana da Maria não foi. A menor não cabia na mala compacta que tínhamos. Acabei escolhendo um grupo de Kakamoras pra ela, morrendo de medo dela odiar.

De lá, passamos no hotel pra deixar as compras e rumamos pra Brooklyn, querendo fazer o mesmo trajeto que tínhamos feito com o Pedro em 2013. Isso incluía uma loja de esportes, onde tínhamos comprado um Camelback pro pai do Leo. Agora estávamos em busca de uma bota de escalada pro Leo mesmo. Foi um pouco difícil achar a loja, porque descemos de metrô desta vez - antes, tínhamos ido à pé - e não sabíamos o nome dela nem a localização exata. Descemos de metrô por motivos de pé-zicado-da-Aline.

Pausa pra falar que no metrô a gente encontra pessoas lendo calhamaços, mesmo em pé. Preciso aprender esse malabarismo.

Olha o tamanho do livro! Ao menos as edições desse tipo são leves. 

Conseguimos achar a Patagon e Leo encontrou a bota que queria. Eu levei um casaco, que fez muito bem pra mim na descida até o Brooklyn, porque estava bem frio.

Nosso plano era almoçar na feirinha de comidas do Brooklyn e depois ir pra cervejaria. Mas a feira estava tão lotada, tudo tão muvucado, que não aguentamos cinco minutos por lá. Não tinha lugar pra sentar, e eu não estava dando conta de ficar muito tempo em pé. Fomos procurar um restaurante ou algo assim e achamos um dinner lindinho (o Brooklyn é uma região muito fofa! Dá até vontade de ficar hospedado por lá, da próxima vez).


Meu almoço absurdamente gostoso!

Saímos de lá e rumamos pra cervejaria Brooklyn, um dos lugares onde Leo mais queria voltar.

Se a ciência diz, a gente acredita!

Diz o mural da Brooklyn...

Chegamos e tinha uma fila considerável na porta. Eles trabalham com uma capacidade de carga que não sei qual. Mas só entra um número X de pessoas. Então, para entrarmos, várias pessoas tinham que sair. Ficamos lá, em pé, esperando. E dá pra imaginar a dor de ficar em pé, né? O pé direito doendo horrores, não dava para servir de apoio. O pé esquerdo era o apoio oficial e já estava pedindo pra sair zero-dois. Foram uns quarenta minutos de fila. Me lembrei muito do Jaime Lannister: as coisas que a gente não faz por amor... Leo, por amo à cerveja, topou pegar a fila, coisa que ele odeia fazer; eu, por amor a ele, estava ali, quase chorando de desespero.

Entramos, finalmente! Arrumei um cantinho perto do banheiro pra sentar, ao lado de um moço bem simpático, que estava sozinho. Leo foi comprar as fichas e pegar a segunda fila do dia, a da escolha dos chopps. Enquanto esperava, tirei o tênis e taquei pomada anti-inflamatória na bola imensa que eu insistia em chamar de pé. Estar sentada era um alívio imenso... podia descansar os dois pés e ser feliz.


Garoto propaganda (olha meu tênis aqui, no canto inferior direito!)

Ficamos um tempo lá, com Leo experimentando os chopps "ao pé da vaca", como ele gosta de dizer. Passamos la lojinha e fizemos a "nossa" feira, além de comprarmos presentes pra Debora e pro Marcelo. Depois, fomos embora, caminhando devagar (a.k.a. pé direito pedindo socorro) pra também fruir o bairro, tão encantador.

NY tem disso, muitas flores nas ruas

Me sentindo local, com o pé direito estragado

Voltamos, pegamos o metrô, voltamos pro hotel. À noite, voltamos pra Penn Station, pro Shake Shack e pro mesmo pedido do dia anterior. Porque adoramos repetir as coisas que gostamos.

Mas ao passarmos na Duane Reade, ao lado do Shake Shack, comprei um suporte pro tornozelo, pra poder seguir a vida a flanar pela cidade.

Suporte e pomada anti-inflamatória a postos. 




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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Livro: A filha perdida


Meu primeiro Elena Ferrante após a Tetralogia Napolitana!

A filha perdida é um daqueles livros que você lê de supetão. Comprei na rodoviária e li na viagem entre BH e Ouro Preto, e voei nas 174 páginas das férias de Leda na praia. Ela é professora universitária e se vê sozinha pela primeira vez, podendo usufruir de férias como quisesse, já que suas duas filhas, Marta e Bianca, mudaram-se para o Canadá, para viver com o pai.

Em meio às férias de professora, cheia de leituras e estudos, ela resolve passar o dia na praia. Escolhe o lugar, a barraca, a espreguiçadeira. Está tranquila, usufruindo a calma longe das filhas e do trabalho. Mas aí aparece uma família napolitana, que desperta em Leda lembranças de um passado que ela gostaria de manter esquecidos. O grupo é grande e, entre os gritos e o jeito espalhafatoso, destaca-se uma moça jovem e sua filhinha. Leda acha a moça graciosa e se diverte vendo a relação de mãe e filha.

Porém, as lembranças das filhas e de suas falhas como mãe também pulam à sua frente e, novamente, incomodam. Finalmente, ela trava contato com os napolitanos. Nina é a moça, mãe de Elena, que sempre carrega uma bonequinha. Rosaria, que está grávida, é irmã do marido de Nina, que só vem nos fins de semana, e é casada com o senhor mais velho. Há mais crianças e adolescentes, que irritam Leda por serem espalhafatosos. Um dia, ao sair da praia, Leda é atingida nas costas por uma pinha seca, ficando uma marca feia no local. Ela tem certeza que foram os napolitanos.

Na sequência, Elena se perde na praia e Leda se mobiliza, junto com a família napolitana, para encontrar a garota. É ela quem encontra a menina, apavorada, chorando muito. Quando leva a criança para os pais, vê o êxtase da família napolitana ao ver que está tudo bem com Elena. Mas, novamente, um conflito se estabelece. Elena perdeu Mina, sua boneca. O choro da menina incomoda a todos. A praia é revirada e nada é encontrado.

O sumiço da boneca desencadeia uma série de acontecimentos que vão levar Leda a rever sua vida, a relação com o ex-marido, com as filhas, com os amantes, com o mundo. A tensão é constante e a escrita da autora é muito envolvente. É fácil entender Leda, da mesma forma que é fácil ficar horrorizada com suas atitudes, passadas e presentes.

Elena Ferrante é uma delícia de ler!

O que já li da autora:
Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
Sobre História do novo sobrenome
Sobre História de quem foge e de quem fica

Sobre Story of the lost child

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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Citações #214

De Número Zero:


- Certo. Os jornais ensinam como se deve pensar - atalhou Simei. 
- Mas os jornais seguem as tendências ou as criam?
- As duas coisas, senhorita Fresia. As pessoas no início não sabem que tendências têm, depois nós lhes dizemos e elas percebem que as tinham. É bom não fazermos filosofia demais e trabalharmos como profissionais.  


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segunda-feira, 31 de julho de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #160

1 - The Handmaid's Tale x Game of Thrones: a diferença entre retratar e banalizar o estupro
Do Conversa Cult. A discussão é sobre como o seriado Game of Thrones banaliza a violência contra a mulher. Tenho alguns problemas em aceitar o argumento da autora, mas de toda forma, acho importante o debate. Como leitora de As crônicas de gelo e fogo, sei que o Martin tem uma motivação diferente dos produtores da série. Ainda não vi The Handmaid's Tale, vou ler o livro antes e comentarei a respeito.

2 - O que o correspondente do 'Guardian' descobriu após 5 anos no Brasil
Do José de Souza Castro no Blog da Kika Castro. Após a leitura, é impossível não pensar como o Brasil cresceu nos últimos tempos e como uma série de decisões voltadas à direita fizeram tudo ir por água abaixo. Ver o país regredir me dói muito.

3 - The ryse of dystopian fiction: from soviet dissidents to 70's Paranoia to Murakami
Do Eletric Literature. Um canal muito bacana sobre literatura. Esse texto, em especial, sobre distopias, tem muitas indicações bacanas de leitura, além de contar como o gênero teve início.

4 - Itabirito
Do Ramon Cota. O texto é muito mais sobre o encontro, o lar de verdade, que pode ser a cidade natal, como é no texto, a família, os amigos, um quintal. Onde o coração fica aquecidinho.

5 - O professor de histeria e a História
Da Agência Spotlight, sobre o jornalista e historiador que anda falando umas bobagens por aí, no microfone de uma rádio paulista. A Agência Spotlight vale muito a pena. Sempre textos excelentes.

6 - Loras Tyrell e a estereotipização de personagens LGBT em Game of Thrones
Do Nó de Oito. Há uma série de críticas para o seriado Game of Thrones no tratamento dos personagens LGBT. Esse texto fala disso. E fala bem.



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sexta-feira, 28 de julho de 2017

De volta a NY - Parte 4

Do alto da High Line

Nosso terceiro dia em Nova York começou cedo. Porque a gente tem os fins de semana dos dias comuns pra levantar tarde. Férias é pra bater perna de cedinho até tardão.

O café da manhã foi na 7Eleven, que tem o melhor donut dessa vida, do qual eu já estava com muitas saudades. Leo não tinha gostado do café da manhã lá da vez anterior, e estava com o pé atrás. Porém, escolheu um sanduíche de atum e ficou bem satisfeito. Tomamos o café Vanilla do Starbucks, na versão gelada e engarrafada, vendida só em delis. Achei melhor que a versão de caramelo, mas inferior ao Caramell Machiato do amor, somente nas Starbucks. Tomamos o café na rua 34, sentados nos bancos de um prédio, vendo o corre-corre da cidade.

Dali, seguimos para a High Line, que queríamos ter visitado na vez anterior, mas não conseguimos. Em teoria, a entrada da High Line é na rua 33 com a 10ª avenida. Estávamos na 34 com a 8ª. Andamos até lá só para descobrir que não é a 33, mas a rua 31. Isso porque havia uma obra enorme na rua 33. Custamos a achar a entrada, mas lá, escondidinha, estava a escadinha que leva à antiga linha de trem que foi ampliada para receber esse lindo parque suspenso.

Uma vez na High Line, foi lindo! Andamos bastante, fizemos várias fotos, foi lindo! Só que estava quente pra dedéu. 33 graus, um calor grudento. Quando chegamos, a linha estava bem vazia. Depois, foi enchendo de gente, de escolas, crianças de jardim de infância e seus cuidadores. As crianças seguravam uma cordinha, levada pelos cuidadores, para não se perderem. Tô pensando em usar a mesma coisa com o Leo, hahahaha.

Algumas partes em reforma

Outras bem ao ar livre

Obras de arte em vários pontos

E também protestos políticos

Descemos da linha uma vez, para comprar água, porque estava difícil viver naquele calor. No café que entramos estava tocando Should I stay or should I go, do The Clash, pra alegria do Leo. Voltamos e andamos até o Chelsea Market, que era nossa opção para o almoço. Ou seja: andamos pra caramba.

Conhecer o Chelsea Market estava na nossa lista de coisas a fazer. Descemos pouco depois do meio dia e o local já estava abarrotado de gente. Tinha várias opções para comer, de italianos a frutos do mar. A proposta do market é reunir produtores de produtos frescos e artesanais, então tinha de tudo, com muita variedade.

Mercado das pulgas muito fofo!

Mil temperos diferentes

Escolhemos, para o almoço, a Dicksons Farmstand, uma charcutaria ou um açougue-boutique, cheio de carnes especiais e sanduíches muito loucos. Foi uma experiência muito interessante. Os dois sanduíches que comemos estavam ótimos.

Brownie de Bacon, que não experimentamos

Depois do almoço, andamos pelo mercado, tentando ver o máximo possível do local. Um bar só de lagostas e frutos do mar estava lotado de asiáticos comendo as ditas. O mercado das pulgas tinha coisas muito interessantes, mas bem carinhas. Tinha uma loja só de chocolates artesanais, muito fofa.

Do Chelsea Market tínhamos duas opções, para usar o City Pass que compramos. Ou era o Intrepid Sea, Air and Space Museaum, um museu sediado em um porta aviões, ou o Memorial e Museu do 11 de setembro. Optamos pelo 11 de setembro, porque museu militar é sempre meio nhé. Descemos de metrô (vou comemorar a vida inteira que chego a qualquer lugar de Nova York com um mapa do metrô na mão!). A viagem até lá, a partir do Chelsea Market, é um pouco longa, mas é isso mesmo: melhor ficar no metrô, porque descer à pé é muito trampo e o dia estava muitíssimo quente.

Primeiro, fomos ao Memorial do 11 de setembro. É bonito e tocante.




O vento fazia a fonte espargir água tanto no nome dos mortos quanto nas pessoas que estavam por lá. Tomamos vários banhos de água, o que foi ótimo, devido ao calor.

O Memorial estava tão cheio e tão quente que a gente nem conseguiu pensar direito no significado daquele monumento. São muitos nomes inscritos na borda da fonte, o que mostra a dimensão do que foi o 11 de setembro. O espaço, aberto, com todos aqueles nomes, faz ficar ainda mais forte a extensão daquele dia. Eu achei que não conseguiria me emocionar, mas chorei igual um bebê enquanto andávamos por lá. Se não estivesse tão tumultuado, imagina o tamanho da experiência...

Nosso City Pass dava direito à entrada no Museu, mas a fila estava enorme e... exposta ao sol escaldante. Ponderamos que era melhor deixar a visita pra depois ou, até mesmo, deixar pra lá. Havia outras possibilidades na lista, além do Museu e do Intrepid. O museu Guggenheim já era parada certa. Faltava só escolher a outra opção.

Para voltar ao hotel, usamos a estação de metrô do Memorial, que é a mais moderna do mundo (pelo menos, foi o que disseram). A linha nos levaria direto para a esquina do hotel.

No metrô, essa propaganda bem a calhar para o momento brasileiro

Descemos na Penn Station e, ao zanzar por lá para achar a nossa saída, vi um Shake Shack, que era, de longe, o lugar onde mais namoramos comer nessa viagem. Guardei bem a localização, pra voltarmos no jantar. Fomos pro quarto tomar banho e descansar, de pés pra cima, pra continuar depois.

Voltamos à Penn Station bem na hora do rush. Milhares de pessoas subindo e descendo escadas, correndo atrás do metrô ou do trem, e a gente lá, no meio do fluxo. Na descida da escada principal, enquanto esperava a multidão à minha frente andar - Leo já estava láááá longe - senti um click no meu pé direito. Fudeu!, pensei na hora. A dor foi imediata. Quando isso aconteceu, eu estava parada no degrau, sem me mexer. Não torci o pé, não caí, não aconteceu nada além do click. Continuei a descer, seguindo o fluxo. Doía só de tocar o chão.

Não falei nada com o Leo. O Shake Shack estava lotado! Pegamos a fila (eu em pé, com o pé direito urrando de dor). Pedimos o Smocked Burger e o shake de baunilha. Foi maravilhoso, como todo mundo já tinha dito. Melhor sanduíche dessa vida.

Só quando estávamos sentados é que contei ao Leo o que tinha acontecido com o meu pé. Pensei que se usasse um creme anti-inflamatório seria lindo e, no dia seguinte, poderia correr pra todos os lados de NYC. Então, saímos do Shake Shack, passamos na Duane Reade, compramos coisas de farmácia e cervejas e voltamos pro hotel. Passei o creme, esfreguei bastante e fomos dormir, pra seguir com a saga de percorrer Nova York.

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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Livro: O Vestido



O Vestido foi um duplo presente. Primeiro, porque me foi dado pela Ju, amiga de longa data desse mundo bloguístico. Foi pra ela que enviei o Vozes de Tchernóbil. No dia que o livro chegou lá no Piauí, O Vestido chegou aqui em casa. Comecei a ler imediatamente.

Ananda Sampaio é cunhada da Ju e escreve com uma delicadeza invejável. O Vestido reúne crônicas de um olhar apurado e sensível, que capta beleza nas coisas mais simples. Como quando ela fala sobre os livros mais velhos ou quando compara a avó a Dona Canô, a mãe do Caetano Veloso e da Maria Bethania. Foi muito emocionante ler sobre a avó, especialmente porque me peguei pensando na minha e na falta que ela me faz.  Chorei muito quando ela conta da morte da avó e assinei embaixo quando ela fala sobre a parceria com o marido, até nas coisas mais simples, como a limpeza da casa.

Outro ponto que me tocou profundamente foi quando ela conta da sua mudança para Brasília e de ter se sentido estrangeira por lá. Lembrei de quanto morei no Maranhão e tive a mesma sensação. No meu caso, ficou o séééssenta e o sééétenta, que ficaram para sempre no meu sotaque. Essa sensação de não pertencimento é muito curiosa, e a Ananda trata com muita delicadeza.

Enfim, o livro foi um presente e tanto! Foi uma delícia conhecer a escrita da Ananda, por intermédio da Ju. Um texto simples, sem academicismos, mas tão intenso que toca, diretamente. Obrigada pelos presentes, Ju!

Uma das coisas que me chamou a atenção foi a diagramação do livro. Amei a forma como ele foi montado. Fiquei pensando em como foi criar o projeto gráfico para a obra. Achei muito bacana.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...