sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Alineatoridades - Setembro 2016

Bora lá pro que de mais legal rolou por aqui em setembro de 2016.

Livro
Continuamos na luta do mestrado, então a maior parte das leituras foi sobre transmídia e cultura da convergência. Mas também rolaram outras coisas interessantes. Li a biografia do Guga Kuerten e foi muito bacana. Também li Minha metade silenciosa, um livro muito forte. Falo sobre eles mais pra frente. Mas a leitura principal do mês, fora mestrado, foi A imprensa na berlinda - a fonte pergunta, organizado por Norma S. Alcântara, Manuel Carlos Chaparro e Wilson Garcia. O livro é de 2005 e muita coisa mudou de lá pra cá, mas o discurso ético da imprensa permanece. Já a prática... Tenho pensado muito sobre ética na imprensa e surgiu uma proposta de escrever sobre. Vamos ver no que vai dar.


Música
Descobri há pouco tempo que o ator Iwan Rheon, que fez o Ramsay Bolton em Game of Thrones também é cantor. Comprei o último disco dele pelo iTunes e fiquei viciadona. Escuto nas horas loucas de faxina (porque só com música rola essa tortura de passar roupas - as roupas deveriam se passar sozinhas).

Mas voltando ao Iwan: o disco Dinard é ótimo, super calminho. Custei, no começo, pra desvincular a voz do ator/cantor ao do personagem. Agora, morro de amores pelo Iwan e tô fazendo campanha pras músicas dele ficarem mais conhecidas.

O canal do Iwan Rheon no Youtube é este aqui: https://www.youtube.com/user/IwanRheonOfficial.


Série
Não vi nada por motivos de mestrado. Mas pesquei várias coisas do Leo vendo Blindspot. Achei muito "quero ser Prision Break, mas não consigo, nunca vou conseguir". O pouco que vi, achei repetitivo demais. Aí lembrei de How to get away with murder, que eu adoro, e que se repete o tempo todo, mas me envolveu mais.

Louca pra ver a segunda temporada de HTGAWM. E Gilmore Girls, que nunca vi. Mas que, pelo jeito, vai ficar pra depois do mestrado (assim como o resto da vida, hahahaha).


Filme
Que vergonha! Praticamente não estou vendo filmes, e é culpa do mestrado sim. Todas as minhas horas sem trabalhar são dedicadas ao mestrado, ainda mais agora, na reta final, como uma dissertação a ser escrita.

Mas daí que tava vendo o canal da Tati Feltrin e ela falou sobre ...E o vento levou, livro que eu adoro, cheio de nuances, forte. E deu vontade de ver o filme. Leo e eu assistimos em uma tarde de domingo. Scarlet O'Hara é uma personagem bem controversa. E a Scarlet do filme é bem diferente da do livro. Enfim, foi uma delícia rever a história, prestar atenção nos planos, nas cores, na direção de produção, lembrar do livro e ter vontade de ler de novo.


Texto
Tenho lido muito sobre Gordofobia. E o texto do mês foi o da Ana, do blog Hoje vou assim off, sobre a publicidade da C&A. Como tenho amigas lindas que me colocam a par do que acontece no mundo (obrigada, Lelê!), consegui articular uma rede de leitura bem interessante sobre o tema.


Comida
Eita que este foi o mês do churrasco. E eu nem gosto de churrasco... O fato é que ganhei uma churrasqueira tamanho "nave espacial" da minha sogra e Leo fez a festa. Comemoramos o aniversário de quatro pessoas em uma tarde muito bacana lá em casa. Os preparativos foram divertidos, a turma toda empolgada com a tal "nave espacial", só falava nisso. Ok que eu só comi queijo coalho saído dela, pq não sou fã de churrasco mesmo. Mas teve tropeiro também (tava divino!) e bolo floresta negra com brigadeiro.

Curioso é que a comida do mês só habitou, pra mim, o plano da palavra.


Projetos
Não dou conta de ficar parada. Já estou envolvida na organização de um evento acadêmico que vai ser mara! É o mesmo evento em que tomei uma traulitada enorme ano passado. Agora tô mais calejada com essas questões, um pouco mais preparada pra apanhar e pra me posicionar, se for o caso.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Citações #171

De A elegância do ouriço:



Mas acho que a gramática é uma via de acesso à beleza. Quando se fala, lê ou escreve, sente se fez ou leu uma frase bonita. Somos capazes de reconhecer uma bela construção ou um belo estilo. Mas quando sabemos gramática, temos acesso a outra dimensão da beleza da língua. Saber gramática é descascá-la, olhar como ela é feita, vê-la toda nua, de certa forma. E aí é que é maravilhoso. 


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #131

1 - Leave Gregório alooone
Da Marjorie Rodrigues. Sobre o Gregório Duvivier e sobre o texto dele dedicado a Clarice Falcão na Foxlha (é, adotei a grafia do Pablo). Convenhamos:  texto bonitinho foi uma bela duma divulgação pro filme dos dois.

2 - O que não sabemos
Da Simone Miletic, ainda sobre o Gregório, com outro ponto de vista. Porque quase nada no mundo tem um lado só.

3 - Não é preciso ter opinião sobre tudo
Da Gabi. Porque assim como não dá pra saber de tudo, não é preciso ter opinião sobre tudo. Aliás, opinião é uma coisa tão fuén, né? Se bem que estamos numa época em que basta a convicção, mas isso é outra história.

4 - Mulher de cabelo curto não é mulher de verdade
Da Gabi, de novo. Sobre cabelos - eu vivo em guerra com os meus - e sobre as definições loucas que a vida nos impõe. Afinal, diz aí, o que é a verdade?

5 - A genialidade de Vander Lee em 20 canções
Do Cotidiano MPB. Deu até um nó na garganta aqui pensar na perda do Vander Lee.

6 - The imposter
Do Pablo Stanley. Da série: "Como me sinto quando..". No meu caso, o "quando" é o tempo todo.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 25 de setembro de 2016

Mínimo



Daqui.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Citações #170

De A elegância do ouriço:


Aí vai, portanto, meu pensamento profundo do dia: é a primeira vez que encontro alguém que procura as pessoas e que vê além. Isso pode parecer trivial, mas acho, mesmo assim, que é profundo. Nunca vemos além de nossas certezas e, mais grave ainda, renunciamos ao encontro, apenas encontramos a nós mesmos, sem nos reconhecer nesses espelhos permanentes. 


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #130

1 - Sobre o valor da visita
Do Jelson Oliveira. Olha, visita é uma coisa engraçada. Em geral, não gosto de receber, pelo menos quando avisam em cima da hora ou chegam de supetão. Mas durante, eu gosto muito, e fico morrendo de saudade depois que vão embora. O texto é muito bacana!

2 - Bel Pesce e o empreendedorismo de palco: porque a Menina do Vale não vale tanto assim
Do Izzy Nobre, mais um texto em torno da Bel Pesce e do seu currículo cheio de ações, mas que parece não ser assim tão verdadeiro. Um recadinho pra quem trabalha: inflar currículo é feio demais. Ainda mais se vc enche de informações internacionais, achando que ninguém vai lá conferir. Tá cheio de gente aí que passa alguns meses fora apenas estudando a língua e volta dizendo que teve experiências profissionais. Feio, muito feio.

3 - Insegurança pessoal, falta de autoconfiança, o primeiro passo pra inveja e a crueldade. E pra mentira
Da Rosana Hermann. É uma história mais do que conhecida: quem não tem a beleza cultuada no momento, tem que correr atrás de outras coisas. Mas vive na insegurança. E aí, o roteiro parece, até mesmo, aqueles destinos traçados. Vai vendo...

4 - Aula de OSPB
Do Primeira Fonte. Eu tenho bem clara essa memória dos governos Sarney, Collor, Itamar e FHC. Bem clara. Minha memória é bem seletiva, mas isso ela guardou bem.

5 - Pobre polícia, pobre governo: Acham que é possível cegar uma ideia
Do Sakamoto. Começa na estudante que perdeu a visão em um protesto contra o governo que não deveria ter sido. E termina com perguntas cruciais para quem pensa que uma bala cala cabeças pensantes.

6 - Setembro amarelo: falar e ouvir
Do Sanatório Geral. Sobre a campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio. Entendo muito pouco do assunto e não sei se esse tipo de campanha - de se dispor a ouvir apenas uma vez por ano - funciona. Mas, vá lá, é preciso falar sobre o suicídio e desmistificar um monte de coisas.



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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 18 de setembro de 2016

Graça



Daqui.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Citações #169

De A elegância do ouriço:


A sra. Michel tem a elegância do ouriço: por fora é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes. 

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 11 de setembro de 2016

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Livro: Admirável mundo novo


Não lembro exatamente o ano, mas acredito que eu tinha uns 16 ou 17 anos quando li Admirável mundo novo pela primeira vez. Era uma edição da Abril, com capa dura e acabamento dourado na borda das páginas, muito bonita. Emprestei, há uns anos, pra uma pessoa, que não me devolveu até hoje, e eu tô com vergonha de cobrar. Daí, quando rolou o Clube de Leitura de agosto, com esse livro, acabei lendo por esse volume da editora Globo de Bolso. E, olha, tem um prefácio maravilhoso, escrito pelo autor, depois que o livro foi publicado e gerou muitas polêmicas. Ele fala dos erros e acertos e diz que preferiu não modificar o livro. Achei muito bacana, mas penso que o texto ficaria melhor no final, em um posfácio. Enfim... como eu já tinha lido o livro, o prefácio fez sentido. Para quem nunca lei, acho que deve ter sido incompreensível e, talvez, desmotivador. Mas vamos ao livro.

Admirável mundo novo se passa em um futuro distópico, em que a humanidade evoluiu buscando o equilíbrio, de modo que as pessoas ficassem sempre felizes. Para isso, a sociedade foi dividida em castas, cada uma delas nomeada como uma letra grega e destinada a um tipo específico de trabalho. Os alfas estão no topo da pirâmide social. Os betas vêm logo atrás, e também os gamas, os deltas, até terminar nos ípsilons-aleijões, que fazem os piores trabalhos da humanidade. Mas só a separação em castas não basta: é preciso que cada casta ame o seu trabalho e tenha horror a ser de outra "turma", a fazer de outro trabalho. Como se faz isso? Com hipnopédia. As crianças são condicionadas desde o nascimento a amar serem da classe que são, com a repetição de frases gravadas enquanto dormem. Tudo foi estudado para saber quantas vezes cada frase precisa ser repetida, a fim de se entranhar na personalidade da pessoa. Essa "coisa" faz com que as características que devam ser ressaltadas sejam as de grupo, não as de personalidade. Não há personalidade nessa sociedade, não deve haver. Qualquer característica de personalidade que nasça, por algum tipo de erro, é rechaçada.

Outras três coisas importantes:

1) Deus não existe. A sociedade cultua apenas a Ford, o inventor da produção seriada. Os anos são contados como a.F. (antes de Ford) e d.F. (depois de Ford). As cruzes do cristianismo tiveram suas pontas cortadas, para que ficasse como um grande T, o sinal de Ford. Mas Ford não é cultuado como são os deuses; apenas como uma pessoa que fez tão bem para a sociedade que merece ser reverenciada. Não é como os deuses que a sociedade atual presta culto. Não há cerimônias ou fé.

2) não há concepção. O sexo é liberado e incentivado. A máxima é "cada um é de todo mundo". A monogamia é desaconselhada e vista como uma aberração. "Mãe" é um palavrão sem tamanho. As mulheres têm seus óvulos retirados e eles são fecundados in vitro. Por um processo chamado Bokanovskização, os óvulos fecundados são multiplicados, até 188 vezes. Óvulos fecundados que não passam por esse processo são os alfa e os beta. Os outros, passam por esse processo e são gerados um número X de gêmeos, que vão assumir as mesmas funções. Quanto mais gêmeos idênticos de um mesmo óvulo fecundado, mais baixa a casta. Há uma passagem no livro em um hospital, em que dois grupos bokanovisi são os funcionários: um grupo de gêmeos masculino e um grupo de gêmeos femininos. Os processos de fecundação também interferem no condicionamento dos humanos. Produtos químicos são adicionados no processo de "geração" para que cada grupo de pessoas tenha determinada característica. Os mais baixos servem para esta ou aquela função; há os que só se sintam bem quando ficam de cabeça pra baixo, para executar a tarefa Y. Todas as crianças nascem de um bocal e, a partir daí, são cuidadas de acordo com a função que vão exercer na sociedade, ouvindo a hipnopédia e aprendendo a ser parte daquele grupo destinado.

3) Quando algo vai mal, chateia ou aborrece alguém, há o Soma. Um remedinho que deve ser tomado com parcimônia, mas que faz que com todos vejam o lado positivo da vida. Todo mundo tem o seu Soma. Alguns, como os operários e pessoas de classe inferiores, recebem sua dose de Soma ao fim da jornada diária, e vão para casa felizes. Já os alfas e betas controlam sozinhos a quantidade de Soma que ingerem, nunca passando de dois gramas por dia. O Soma é o controle adicional para manter tudo em ordem, tudo em equilíbrio.

É nessa sociedade, em Londres, que mora Bernard Marx, um alfa que pode ter passado por um processo diferente, já que é mais baixo que os outros da sua classe e mais tímido também. Ele quer sair com Lenina, uma jovem alfa muito desejada, mas tem receio de chegar até ela e convidá-la para sair, porque não quer apenas uma noite - mas, ao mesmo tempo, também não quer ser monogâmico, porque isso é absurdo. Bernard é um tanto rebelde e passa alguns dias sem tomar Soma, para se sentir livre. Ele tem um amigo que é tão desviante quanto ele, mas mais discreto. Com esse amigo, Bernard consegue falar sobre o que o atordoa. E Lenina é tema presente. Mas Lenina é uma alfa como deve ser: trabalha, mas vive passeando, cada hora com um acompanhante diferente, tomando Soma e se divertindo. Bernard finalmente convida Lenina para passar uma semana com ele, na América, no Novo México. Lá há uma espécie de zoológico, uma reserva especial onde vivem selvagens: eles vivem em grupo, são monogâmicos, cultual deuses e - horror dos horrores - têm filhos. Bernard está empolgado para conhecer esse mundo; Lenina está apreensiva.

É lá, na reserva dos selvagens, que algo acontece e põe em cheque as convicções de Bernard, a posição de Lenina, a formação da sociedade.

O livro é uma porrada, uma cacetada forte em quem acredita na sociedade tecnológica. É assustador pensar que o que o Huxley temia quase aconteceu, na Europa no século XX, e pode acontecer novamente. É assustador pensar na guinada à direita que anda rolando no mundo todo, neste momento. Por isso, Admirável mundo novo pode ser considerado um clássico: sua história, publicada pela primeira vez em 1932, é tão atual hoje quanto era na época. Aliás, é um livro para ser relido (vale quebrar a minha regra de reler o mínimo possível, porque este aqui merece).

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...