segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #164

1 - Eu passarinho: Assédio 3x ao dia
Do Primeira Fonte. Sobre a cafonérrima da Danuza Leão falando bobagem por aí, confundindo assédio com flerte, intromissão com consentimento.

2 - Oprah vira arauto de um novo tempo no discurso do Globo de Ouro
Da Lady Bug. Que discurso, que momento!

3 - Seu cérebro não é um computador (ou: como lidar com o excesso de informação no doutorado?)
Da Verônica. Me fez lembrar muito Um estudo em vermelho quando Sherlock explica pro Watson como funciona sua memória. É o que eu penso (fui contaminada pelo Sherlock sim): no excesso, a gente acaba não levando em conta o que é principal.

4 - Os peitos da Bruna Marquezine e porque você não tem nada com isso
Da lindona da Dreisse. Sobre ter peito de publicidade/cinema, sobre ter peito de ser humano mesmo, sobre se amar como se é. Muito bom, Dreisse!

5 - BBB 18, Jéssica e o machismo nosso de cada dia
Outro da Dreisse. Sobre a situação em que duas pessoas se envolveram no BBB, ambas com relacionamentos externos, mas o julgamento cabe apenas à mulher (que, além de ter traído o namorado, "atiçou" um homem noivo). Lamentável, para dizer o mínimo, que só as mulheres recebam essa carga de culpa.

6 - We are building a dystopia just do make people click on ads
Do TEDTalks, sobre como o autoritarismo tem entrado de mansinho nas nossas vidas via internet, seus algoritmos e intenções comerciais. Assustador.


_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 18 de fevereiro de 2018

Citações #224

De Mastigando Humanos:



Se eu fosse narrar meus dias seguintes naquelas profundezas, seria assim, uma descrição sem cessar de abrir e fechar de bocas. Foi isso o que eu fiz, mastiguei. Em meio a gritos e risadas, cantorias e palmas. Considerando essa passagem da minha vida, poderia batizar este livro de Mastigando manos. Eram drogas demais sendo resgatadas pelos meninos no Achados e Perdidos. Eram meninos demais sendo apanhados por mim no meio do caminho. Adolescentes. Filhos do milho. Perdi a conta de quantas camisetas do Ramones tive que cuspir.  

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Desafio Livrada! 2018

Há algum tempo, o Yuri, do Livrada! propõe um desafio literário (o vídeo do desafio de 2018 está aqui) com algumas categorias não convencionais. Todo ano eu faço a minha listinha, coloco no Evernote e vou tentando ler. Nunca consegui completar o desafio. Este ano, vou lá de novo. Desta vez, resolvi trazer pra cá, pra ver se assim eu tomo vergonha na cara e leio mais. Vou comentar minhas escolhas abaixo. E vou tentar seguir à risca, podendo mudar se sentir necessidade.

1. poesia nacional contemporânea:  Eu, poeta, Juliana Machado Cruz
A Ju é minha amiga e uma grande poetisa. Li Eu, poeta antes de ser lançado e depois também, e acho que merece uma relida, porque é lindo demais e eu quero incentivá-la a publicar um novo livro. Poesias pra isso eu sei que ela tem. 

2. distopia: Nós, Zamiatin
A distopia que inspirou a minha distopia favorita. Comprei o livro assim que foi relançado e ainda não tirei da estante. Tá na hora! 

3. abordagem metafísica: A montanha mágica, Thomas Mann
Já estou lendo, desde o início de janeiro. Foi-me indicado por tanta gente... mas a que mais insistiu para que eu lesse foi a Guiomar de Grammont, que foi minha professora e sempre me incentiva a ler, a escrever e a seguir carreira acadêmica. Está sendo uma leitura muito prazerosa. 

4. livro de história: Sapiens, Yuval Harari
Mais um que comprei assim que foi lançado e que não li. Bora tirar da estante! 

5. livro narrado em primeira pessoa: O cemitério de Praga, Umberto Eco
Tenho o livro há tanto tempo na lista dos "por ler" que dá até vergonha. Adoro a prosa do Eco (vivo uma relação de amor e ódio com ele, mas o amor sempre vence, hahahaha). 

6. romance hispano-americano: 2666, Roberto Bolaño
Saulo tem grande influência nesta escolha, só isso que digo. 

7. livro experimental: S, J. J. Abrams
Comecei a ler ano passado e não terminei. Estava gostando muito, mas parei por motivos acadêmicos. 

8. um título impactante: Vida e destino, Vassili Grossman
Foi o livro obrigatório de 2017, que comecei a ler e não terminei. Bom motivo pra finalizar, né?

9. livro ilustrado: Arca de Noé, Vinícius de Moraes
É sempre bom reler essa delícia de livro!

10. livro que se passa em um país sobre o qual você não conhece nada: Os meninos da rua Paulo, Ferenc Molnár / A praça do diamante, Mercé Rodoreda

11. contemporâneo a si mesmo: Americanah, Chimamanda

12. livro lançado no ano em que você nasceu: O buraco da agulha, Ken Follet / O livro do riso e do esquecimento, Milan Kundera
Ainda não me decidi

13. livro sobre música: Ragtime
Livro da TAG de agosto de 2017. Ainda não lido. Pelas críticas que vi, merece muito uma chance. 

14. livro sobre um tema que você acha tabu: Lolita, Nabokov
Pedofilia sempre é tabu, certo? Por outro lado, já ouvi muita gente dizendo que a prosa do Nabokov é excelente. 


15. o obsceno pássaro da noite, josé donoso
Sempre há uma categoria com um livro obrigatório. Em 2018 é este O obsceno pássaro da noite.

Será que dou conta de concluir o desafio?

_______________ 
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 11 de fevereiro de 2018

Citações #223

De Mastigando Humanos:


E dos esgotos do Brasil? Alimentava-me eu. Além da química que circulava dentro de nós, havia toda a química das correntes subterrâneas da qual eu não podia escapar. 
E a química dos produtos industrializados. A química da carne humana. A química do ar que respiramos, da palavra que dizíamos. A vida é uma longa intoxicação até a morte.  


_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 4 de fevereiro de 2018

Citações #222

De Mastigando Humanos:


"E você, não troca de pele de vez em quando?", ele perguntou. Me senti diminuído. Não, aquilo era coisa de outros répteis. Serpentes que deixavam as escamas para trás. Eu, como jacaré, me trocava sutilmente, como os humanos. Como humanos, que trocam de células diariamente, que fazem a barba, cortam o cabelo. Colocam roupa por cima, bonés na cabeça, luvas nas mãos, mas mesmo assim todos percebem. São atraídos pelo design dos decotes e a coloração das meias, espiam por fendas e buracos, comentam como ficou lindo um novo bronzeado. A pele pálida o inverno. Os olhos vermelhos de choro. Os humanos sempre reparam, mesmo com tanta roupa por cima. 

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Livro: O nascimento de Joicy




A primeira vez que ouvi falar em O nascimento de Joicy foi na disciplina de Metodologia do mestrado. Uma das professoras leu o início do livro e foi como tomar um tapa na cara. Fiquei bem a fim de ler, mas estava envolvida com... a própria metodologia da minha pesquisa, que me fez usar três propostas metodológicas diferentes e foi bem estressante.

Pois bem. Em 2017, a autora, Fabiana Moraes, veio para o Ciclo de Jornalismo e Literatura do Fórum das Letras e lá fomos, Luana (essa queridona) e eu para assistir. A mesa foi composta pela Fabiana e pela Daniela Arbex, que escreveu Holocausto brasileiro (livro que ganhei dos queridos Marcelo e Debora e ainda não li), e mediada pela Marta Maia, que foi minha professora no mestrado. Quando mais a Fabiana falava, mais vontade eu tinha de ler o livro e as demais matérias especiais que ela produziu para o Diário do Commércio de Recife/PE. Ao fim da mesa, não havia O nascimento de Joicy para vender (havia os da Daniela Arbex). Luana e eu compramos, então, pela Amazon. O livro chegou e foi devidamente colocado na pilha pra ser lido.

A narrativa é dividida em três partes. A primeira é a série de reportagens que Fabiana fez com Joicy, a próxima a fazer a cirurgia de redesignação sexual. Joicy nasceu João, no sertão de Pernambuco. Enfrentou muito preconceito, até mesmo na fila para a cirurgia. Por não ter corpo e adornos femininos, demorou mais que o tempo determinado na terapia. Não era vista com paciência pelos profissionais da saúde. Joicy tem uma personalidade forte, o que causou problemas com familiares, pessoas de seu convívio e pessoas com quem precisou lidar para conseguir a cirurgia. A história é triste e muito forte. Com ela, Fabiana ganhou o Prêmio Esso, o maior do jornalismo brasileiro.

A segunda parte traz desdobramentos da reportagem, para a jornalista e para Joicy. O que aconteceu após a cirurgia para ambas. Como conviveram, como se comportaram, as implicações do novo corpo para Joicy. Sua vida na pobreza, que continuou. A relação truncada com Fabiana.

A terceira parte tem uma reflexão mais acadêmica sobre ética na profissão do jornalista, em especial na relação com a fonte. É uma verdadeira aula, atualizada. Novos conceitos, novas implicações.

Durante a leitura, marquei alguns pontos interessantes. A cirurgia de redesignação sexual é realizada pelo SUS, após vários anos de tratamento, que envolvem acompanhamento psicológico e psiquiátrico. É uma cirurgia sem volta, então é necessário que paciente e equipe médica tenham muita certeza da decisão. Há uma pesquisa que aponta que o hipotálamo de homens que se reconhecem como mulheres tem glândulas compatíveis com o corpo feminino. Ou seja: o cérebro é programado para um gênero, enquanto o corpo, para outro.

A cirurgia só é oferecida no SUS porque a transexualidade é classificada pela OMS como um transtorno de personalidade. Há, na primeira parte do livro, um ponto em que Fabiana toca na questão do sofrimento, do tamanho do sofrimento. Porque há quem questione que o SUS faça a cirurgia, enquanto poderia investir em outros tipos de atendimento mais básicos. Porém, quem sofre com um corpo que não reconhece sofre mais ou menos? É possível medir?

Outro ponto importante é sobre o gênero. Lembro demais de uma amiga quando me contou que tinha se descoberto transgênera. Até então, enquanto se entendia como homem, ela achava que era gay, pois se sentia atraída por outros homens. Depois de muita terapia, reconheceu que seu gênero era o feminino, enquanto seu corpo era masculino. Assim, foi fácil para ela entender que era hetero. Porém, como acontece no livro, as pessoas ao redor reconheciam um homem gay. Fabiana mostra como Joicy lutava diariamente para ser reconhecida como mulher pela família, pelos vizinhos, pelos amigos. Dado curioso: as crianças do entorno de Joicy tinham mais facilidade em respeitá-la enquanto mulher.

Só tenho a dizer que é um livro maravilhoso e que merece ser lido por todos os estudantes de jornalismo. E pelos jornalistas atuantes também. Muito do que tem no livro - pra não dizer todo ele - é necessário. É uma aula de escrita e narrativa jornalística, de discussão da produção de jornalismo.

E o Stênio, o queridão que foi meu estagiário e hoje brilha no mundo do trabalho profissional do jornalismo, vai receber o livro de presente!


_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 28 de janeiro de 2018

Citações #221

De Mastigando Humanos:


Aquilo era uma ameaça velada. Como eu poderia permitir um sujeitinho desses no poder? Pensando bem, apenas sujeitinhos como esse é que ficam no poder. A vontade de governar, a arrogância de achar que tem a chave para a organização social, a ilusão de que a sociedade pode ser governada, s´ø poderia mesmo vir de um animal assim, com o cérebro espremido dentro de um minúsculo crânio, uma enorme fome espremida dentro de um minúsculo estômago. 

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Livro: 17 grandes polêmicas do futebol brasileiro



Pra quem gosta de discutir futebol, esse livro é uma delícia!

O autor, Sérgio Xavier Filho, foi durante muitos anos editor da revista Placar e fez uma pesquisa bem extensa sobre questões bem polêmicas do futebol brasileiro. A que mais me divertiu foi a dos mil gols de Túlio e de Pelé. Gente, como é que pode??? Tudo inflacionado!

A história dos campeonatos brasileiros também foi bem interessante. Eu não entendia muito o motivo de dizerem que o futebol nacional é muito desorganizado. Só lembrava de problemas de datas de campeonatos, agendas muito cheias e etc. Mas o Sérgio conta a história dos títulos nacionais, como eles foram criados, unificados e polemizados. Muitas coisas podres no futebol. A máfia do apito, que sacudiu o futebol brasileiro em 2005, também está lá.

O livro tem uma pesquisa muito grande, muitos números, muitas lógica, muitos apontamentos. Nem sempre o autor chega a uma conclusão. Em alguns casos, como na pergunta se Tite é maior ou menor que Telê, ele fala que a resposta depende da Copa de 2018. Se o Brasil for campeão (oremos... eu tento não torcer, mas não dou conta), Tite sai vencedor dessa disputa. Nesse capítulo, também é interessante ver a posição do treinador na profissionalização do futebol.

O principal do livro: definitivamente, o Galo é o time mais injustiçado do Brasil. Tá lá, só conferir.

Como não vou ficar com o livro, pensei em ofertar no Twitter, como sempre faço. Mas aí lembrei de um dos meus amigos de Twitter, o Israel Marinho. Ele é jornalista e fanático por futebol. Tem só um probleminha: é cruzeirense. Mas é uma pessoa muito bacana, apesar disso (hahahaha). Daí, o livro vai pra ele!

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 21 de janeiro de 2018

Citações #220

De Mastigando Humanos:


Nessas horas é fácil entender a fuga de todos nós. Garotos afundando no esgoto, crianças beijando sapos, sapos cheirando cola, mendigos bebendo cerveja. Afinal, todos os prazeres são orais... e é possível recorrer a alguns para esquecer os outros, como se entorpecer para esquecer do jantar. Empinar o nariz em outra direção para esquecer as batatas da perna do colega... Perguntar ao pó. 

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Sociável

Quando fiz meu balanço de 2017, comentei que tinha sido um ano muito sociável. Encontrei muitas pessoas, saí muito, viajei bastante, recebi muitas visitas.

Tenho uma percepção, que pode até ser meio torta, mas que faz bastante sentido: as mortes da Vovó, da Tia Ylza me tornaram mais sociável. Isso porque após a ausência delas, eu me permiti sair mais de casa. Sempre me preocupou deixar Vovó sozinha à noite.

Mas Leo tem bicho-carpinteiro e é rueiro pra caramba. Nós tínhamos um acordo de sair juntos uma vez por semana. Em geral, era às quintas-feiras. E era super rápido, pra gente voltar pra casa antes do fim das novela das 21h, que era quando Vovó ia dormir. Ia dando o horário, eu ficava preocupada, querendo ir embora. Era penoso pra mim e pra ele.

Além das quintas, saíamos esporadicamente durante a semana, se fossemos convidados por algum amigo. E várias vezes Leo foi sozinho, porque eu não queria deixar Vovó.

Quando as duas faleceram, já contei aqui que fui inundada de carinho por pessoas de quem eu esperava muito pouco, já que eu não me esforçava tanto por estar por perto. Foi um momento muito triste e muito feliz ao mesmo tempo, porque tornou tudo mais leve. E, daí, comecei a me desgarrar da vida de dentro de casa.

Sim, eu ainda prefiro ficar em casa. Mas saio sempre que posso, agora. Sempre que chamam. E quando não chamam, eu chamo. Ou vamos só Leo e eu mesmo. Temos os nossos lugares favoritos pra ir (um viva à Ouropretana) e acabamos conhecendo muitas pessoas de 2015 pra cá. Além dos amigos de sempre, surgiram os amigos do mestrado e a turma da Ouropretana, com nossos encontros no bar e nas casas dos participantes. Pela primeira vez na vida, em 2016, comemorei meu aniversário em um churrasco com os amigos aqui em casa. Juntamos a galera que faz aniversário em setembro e foi uma comemoração conjunta deliciosa. Tão boa que repetimos em 2017, adicionando mais duas queridas aniversariantes de setembro e o agregado delas. Festa, celebração, encontro.

2018 tá indo pro mesmo caminho. Só pra contabilizar:
- na primeira semana, tivemos um evento na quarta, uma saída na quinta, outra no sábado e outra no domingo;
- na segunda semana, tivemos uma saída na segunda, outra na terça, outra na sexta e outra no domingo.

Ou seja: só nas duas primeiras semanas de 2018, saímos de casa oito vezes. Muito mais do que no segundo semestre de 2014, depois da morte da Tia Ylza, quando o que eu mais queria era aproveitar meu tempo com Vovó.

Tem mais: tem despedida de amigos, tem casamento, tem visita. Só em janeiro. O ano promete.

E antes que alguém fale que eu troquei Tia Ylza e Vovó pelos amigos, eu só posso dizer que não houve troca alguma porque os amigos sempre estiveram por perto, compreendendo o meu momento de estar com elas. Não tenho palavras para pessoas com esse nível de empatia. Só amor.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...