quinta-feira, 30 de julho de 2009

Luz, câmera, ação

Tenho consciência de que nunca vou escrever sobre cinema como Marina W. Com tanto sentimento e tanta dedicação. Mas ousar é preciso.

Quando eu era pequena, fugia do mundo nas páginas de um livro. Qualquer livro. Tinha meus favoritos, os que lia compulsivamente, duas, três, dez vezes. Construía uma nova história, fazia novos amigos, visitava novos mundos.

A única coisa que me faz viajar como com um livro é o cinema. Em uma hora e meia ou duas horas eu me transporto pra longe. Mergulho mesmo em uma história. Sinto, choro, tenho medo, vibro, me emociono. E crio roteiros. Todos imaginários, todos sem registro, todos eternamente perdidos.

Na minha memória, as lembranças de um filme se fundem a outro, formando uma nova obra. Personagens que pulam de um enredo pra outro. Alguns atores me fascinam. Outros, eu evito.

Enquanto não aprendo a escrever como acho que deve ser, vou lendo a Marina W. De novo. E de novo. E de novo...

terça-feira, 28 de julho de 2009

Mudaram as estações

O inverno em Ouro Preto é rigoroso. Sempre foi. Lembro de, quando pequena, sentia um frio imenso na hora de ir dormir. A minha mãe chegava a passar a cama a ferro, só pra esquentar e facilitar o processo de pegar no sono.

Ano passado, numa certa noite de julho, ao voltar para casa, era difícil até respirar o ar frio.

Neste ano, alguma coisa aconteceu. Para todas as pessoas que vieram, avisei que fazia bastante frio, que trouxessem roupas adequadas. E o frio não veio. Hoje está até bastante calor.

A natureza mudou. O aquecedor ficou mais tempo desligado. As janelas já podem ser abertas durante o dia. E as blusas de frio voltaram pro armário.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Aleatoridades

Presentes - Uma vez eu li que pessoas são presentes. Algumas mais, algumas menos. Ganhei vários presentes na minha vida. Teve gente que chegou de mansinho e logo marcou território. Outros, vieram tão rápido que abalaram as estruturas. Os três irmãos Bo são do coração. Presentes que eu nunca imaginei receber. Pessoas que me receberam com o máximo de carinho e consideração. Adoro!!!!

Livros - Minha avó tinha um caderninho onde anotava os nomes dos livros que lia, o autor e o ano da leitura. Quando eu fiquei sabendo disso, lamentei demais. Queria ter feito o mesmo, mas naquela altura, já nem lembrava mais de alguns livros. Os anos de leitura, então... Mas aí eu descobri o Skoob. Em poucos minutos, consegui levantar mais de 100 livros lidos. Aos pouquinhos, vou recuperar boa parte dos títulos lidos. Já ajuda bastante.

Universidade - Voltar à universidade é tudo de bom. Mas queria voltar pra ficar. Por enquanto, aceito mais convites para as bancas de monografia.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Saudosismo

E então um dia eu achei no Youtube uma série de aberturas de novelas da época em que as aberturas contavam uma história. Foi bacana demais ver que mesmo sem grandes pirotecnias as aberturas eram bacanérrimas. Veja:

Que rei sou eu? - Eu tinha 10 anos quando passou. Foi uma delícia de ver. O texto era bacana, uma crítica muito legal sobre o Brasil. O figurino era lindo e a trilha sonora marcou minha pré-adolescência. A abertura mostrava lutas desde a pré-história.

Vamp - Outra novela que marcou época. Fez um tremendo sucesso com a garotada, por conta da história de vampiros. Ótimos atores e um texto que, se hoje deve ser meio ridículo, na época era um arraso. Inesquecível foi Rita Lee fazendo a vampira roqueira Lita Ree. A abertura misturava a história de Drácula de Bram Stoker e Thriller, do MJ.

Top Model - Mais uma novela que fez sucesso com a garotada. Eu tinha fitas cassete (ainda bem que elas não existem mais) da trilha sonora nacional e internacional. Elas praticamente furaram de tando que eu escutei. Essa abertura não tem uma história, mas é uma daquelas em que a tecnologia começou a despontar.

Ti-ti-ti - Nem me lembro da novela, mas a abertura tem uma música divertida e me lembrava as costuras da minha avó. Na época ela inda desenhava, cortava tecidos, costurava. deu saudade ver de novo.

A Gata Comeu - Além de ter um nome bem original, a novela era ótima. Todo mundo perdido numa ilha nos primeiros capítulos, uma pessoa com amnésia, outro que se fazia de cego, o Cláudio Correa e Castro como Gugu... A abertura conta a história de uma gata "perseguindo" um homem. Uma animação bem cara da década de 80.

Brega & Chique - Não lembro muito da novela, só que eram duas mulheres "casadas" com o mesmo homem. Ele morria e deixava a rica na miséria e a pobre com toda a herança. O melhor da abertura é a música do Ultraje a Rigor!, que eu adoro. Foi polêmica também a bundinha do modelo no final da abertura. Me lembro de uma vez que uma folhinha foi usada pra cobrir a dita bunda.

Bambolê - Essa novela me marcou muito. Eu estava na segunda série quando ela passou. E veio a febre dos bambolês. Nem lembro direito do enredo, só que fiquei no maior bode quando a novela acabou.

Tá bom por hoje, né?

domingo, 12 de julho de 2009

Do lado de lá, do lado de cá

A esquizofrenia está na moda. Por causa da novela das nove. Aliás, o ator está dando um show. Mas não é sobre esquizofrenia que eu quero falar.

Em 2005, fui formalmente apresentada ao transtorno bipolar. Eu já sabia o que era, aquela psicose que antes era conhecida com maníaco-depressiva. Digo que fui apresentada formalmente porque foi a primeira vez em que vi uma pessoa em surto. E desse surto veio o diagnóstico: transtorno bipolar.

Não é dupla personalidade. É uma personalidade que convive com dois estados de espírito: mania e depressão. Na mania, o bipolar acha que pode tudo, que está acima do bem e do mal. Na depressão, não tem forças nem pra sair da cama. Eu tenho mais medo da mania. A maior parte das pessoas que eu conheço têm mais medo da depressão. É difícil conviver com quem é bipolar. Ainda mais no grau em que tem a pessoa que eu conheço: quando o transtorno mostra a sua cara, pode vir até com alucinações visuais e auditivas.

Depois de ler, pesquisar, conversar com psicólogos, descobri que é possível conviver com o transtorno. Ele não tem cura, mas pode ser controlado com remédios e terapia. Um dos maiores exemplos pra mim é da Marina W, uma jornalista que convive com a doença de uma forma muito bacana. Ela lançou o livro Diário de uma bipolar, que foi esclarecedor pra mim. Dos livros que eu vi, foi o mais tocante, o que mais me deu esperanças de que a vida com o transtorno pode ser "normal". O blog da Marina W é muito bacana. Melhor ainda é o blog de cinema que ela mantém. O Caderno de Cinema de Marina W também é um achado.

Ah, normal está entre aspas aí em cima porque minha analista insiste em dizer que não existe normal, mas o que as pessoas acham que é normal. O que é normal pra mim poder não ser pra você, sacou?

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Nova paixão

E então que um dia, em 1994, eu conheci Chico Buarque. Estava numa fossa daquelas e fui pra casa de uma amiga. Ela colocou o LP (é, naquela época estavam começando os CD's, a maior parte das pessoas ainda tinha coleção de LP's) Almanaque eu fui embalada por aquela coisa totalmente nova. Eu ainda não sabia o que era. Mas nascia ali a minha paixão pelo Chico.

No dia seguinte, fui pro shopping e comprei um CD. Eu tinha me apaixonado à primeira escuta pela música Tanto Amar. Vi no CD (uma coletânea) a música Tanto Mar e nem percebi que não era a mesma. Comprei. E fui aumentando a paixão a cada faixa tocada. Lá no final é que eu percebi que tinha trocado as músicas. Mas nem liguei. Chico era o rei, foi chegando sorrateiro e antes que eu disesse "não" se instalou feito um posseiro dentro do meu coração.

Pra mim, nunca teria alguém que tirasse do Chico o lugar. Ele era único e pronto.

Mas aí, 15 anos depois, eis que alguém chegou e balançou as estruturas. Pela primeira vez, alguém me fez abrir uma brechinha.

Foi ele, Vander Lee. Das baladas românticas aos sambinhas divertidos, ele é incrível. Ele pode até nem ser o Tom Jobim (mas eu também não sou a garota de Ipanema). E a louca que ainda me resta corre pra escutar ainda mais.

Dia 17 de julho tem show do Vander Lee no Palácio das Artes. E não tenho como ir. Duas festas pra ir no mesmo dia. Como disse a dona de uma delas, o show eu posso ver em qualquer dia. A formatura dela é uma vez só. Então... deixa pra depois.

Ainda bem que tem espaço de sobra pro Chico e pro Vander Lee. Senão eu rodava a baiana, punha ponto final. E ainda podia parar no hospital.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Aniversário e outra comemoração


Hoje é aniversário de Ouro Preto. Em 1711, a então Vila Rica foi elevada ao posto de cidade. Foi a segunda localidade de Minas Gerais a virar cidade. A primeira foi a vizinha Mariana, também primeira capital e primeiro arcebispado do Estado.

Mariana pode ser isso tudo, mas não tem o charme de Ouro Preto. Sou bairrista, "cidadista" mesmo. Todo dia eu vejo uma coisa nova, ainda mais bonita aqui. Como no dia em que o Leo fez essa foto. A janela é do GLTA. A casa refletida é uma das mais legais do centro.

Nós andávamos muito pela cidade com a antiga Pentax, vários rolos de filme, uma bolsa com um bocado de lentes e um tripé super pesado. Claro que ele levava só a câmera. Eu, como boa assistente, carregava todas as lentes, os filmes e o tripé. Temos um bom banco de fotos de OP, com detalhes muito bacanas de arquitetura, das serras, das cores, da cultura.

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Comemoramos hoje, também, a vitória de uma pessoa muito especial. Ao final, tudo ficou bem. Vamos comemorar com fondue!

terça-feira, 7 de julho de 2009


Em 2003, num dia de outono típico de Ouro Preto, o prof. Dalton Raphael, do Rio, esteve na cidade com uma de suas turmas de futuros arquitetos. Acompanhei a aula na Igreja de São Francisco de Assis. Foi fantástico descobrir uma série de coisas novas na igreja que eu visitava sempre.

Agora, conheci um projeto do Iphan, da Ufop e da Faop que me fez lembrar muito daquele dia com o prof. Dalton. É o Projeto Sentidos Urbanos, com quatro roteiros sensoriais, todos passando pelas casas da FAOP na área tombada de Ouro Preto.

A boa notícia é que o projeto está na programação do Festival de Inverno. É uma ótima pedida para conhecer a cidade de uma forma bem diferente.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Um poço de ansiedade

Quando alguma coisa pode dar errado, eu já começo a ficar mal. Qualquer tipo de coisa, qualquer tipo de errado. Vem um frio na barriga, uma torção no pescoço, até falta de ar. Isso vem desde sempre. Às vezes é incontrolável. Quase sempre basta me desligar do assunto pra conseguir resolver.

Acontece, em geral, quando todo mundo da família resolve pirar (e eles piram em conjunto). Ao mesmo tempo, aparecem vários trabalhos, pela empresa e particulares. Todos com prazo curtíssimo. Aí, alguém me chama pra fazer alguma coisa urgente urgentíssima. O celular não para de tocar e o e-mail traz a cada hora uma novidade. E aí... vêm os sintomas. E uma vontade danada de comer chocolate.

Há alguns anos eu tento controlar a ansiedade. Já tentei muitas coisas, como fazer esportes e exaurir o físico. Dieta específica. Calmantes naturais. Calmantes não tão naturais.

Nada deu tão certo como a combinação de duas coisas: análise e yoga. Uma me ajuda a pensar antes tomar qualquer decisão. Outra, a respirar fundo e seguir em frente. As duas, combinadas, ajudam a manter uma boa postura, elasticidade, flexibilidade, concentração, calma. Com as duas juntas eu não mergulho no poço de ansiedade.

domingo, 5 de julho de 2009

Quase de camarote

Por esses dias, Ouro Preto esteve em polvorosa com o julgamento dos acusados no Caso Aline. A imprensa veio em peso. Curiosos e estudantes de direito fizeram fila para entrar no Fórum e acompanhar o julgamento.

O crime foi bárbaro, disso não há dúvida. Mas não é disso que quero falar aqui.

Não conheci os acusados. Ainda não tinha voltado para Ouro Preto nessa época, mas estava aqui por causa do feriado. No dia em que noticiaram a morte, um colega de trabalho estava com o radinho ligado ouvindo Itatiaia. Portador de deficiência visual, ele ia com dificuldade até o prédio. Eu encontrava com ele na rua e íamos caminhando juntos, ele com a mão no meu braço. Foi só chegar perto dele e dizer "bom dia" que ele foi logo dizendo: "Aline, acabei de escutar que uma moça com seu nome morreu em Ouro Preto. Tive certeza que era você!" Ele passou a me chamar de "A Aline que não morreu". Um ano e pouco depois eu vim pra OP e perdi contato com esse colega.

Agora, a história voltou. Moro perto do Fórum e acompanhei toda a movimentação. Não tive interesse em assistir o julgamento e mas não tive como fugir dele. Estava na rua quando os réus chegaram no primeiro dia. Vi toda a aglomeração da imprensa. Vi os operários da obra em frente ao Fórum pararem para olhar pelas janelas do segundo andar. Da janela do Cartório Eleitoral outras pessoas ficaram a observar. Pessoas encostadas na parede dos Correios, só olhando. Eu mesma, volta e meia, abria a minha janela pra olhar as luzes acesas do Tribunal do Júri.

Não sei se com a absolvição a história vai ter um fim. Não me importo. Pra mim, o melhor disso tudo foi ver os textos da Laura Godoy. Não há melhor.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Um princípio

Escrevo por necessidade. Comecei a ler quase sozinha, juntando letras e descobrindo sons. Escrever foi um caminho natural para inventar estórias, registrar momentos.

Nasci numa cidade maravilhosa, a mais linda de todas. E morei nela até os seis anos de idade. Naquela época, meus pais decidiram que eram melhor nos mudarmos para Belo Horizonte, para ficarmos mais perto do mundo. Uma garotinha de seis anos não tinha opinião naquela época. Não adiantava chorar nem bater o pé. Então, fui embora de Ouro Preto. Voltava só nas férias e feriados pra visitar o resto da família, que era feliz por ainda morar lá.

BH tem muitas coisas que OP não tinha naquela época. Foi bom morar em BH desde cedo. Mas OP nunca saiu de mim. Então, há alguns anos, juntei malas, livros, lembranças e voltei. Não sinto falta de BH. Sinto saudade de pessoas, de lugares, de situações. Gosto do cheiro da entrada de BH, bem diferente do cheiro de OP. Do céu, do clima (não meteorológico).

Mas OP tem muito mais. Da minha janela colonial, vejo um mundo bem colorido. Não tem preço poder andar calmamente, sem ter de correr para atravessar a rua porque os carros vêm naquela velocidade. Tudo é pertinho, logo ali. E, a cada esquina, tem alguma coisa que surpreende: a vista, o verde, um detalhe de arquitetura, uma janela. Tem aquele friozinho gostoso, os raios numa tempestade, o folclore, o cipó de São João, os quintais, as ladeiras, a lua cheia atrás da Igreja do Carmo...

Minha proposta é registrar aqui as impressões que antes ficavam na memória, em e-mails, em papéis espalhados, em cadernos guardados. Sem mais pretensões.