terça-feira, 29 de setembro de 2009

Vai deixar saudade

Ouro Preto tem coisas muito peculiares. Uma delas é a forma como se comunica o falecimento das pessoas. A funerária faz anúncios fúnebres em formato A5 e espalha pelas ruas. Além do nome do falecido, vem a forma como ele é conhecido. Por exemplo: José da Silva (Zezim da Farmácia); Francisca de Souza (Chica de Nininha) e por aí vai.

Outra coisa curiosa da cidade é o grande número de figuras populares. Uma das mais famosas foi o Bené da Flauta, que dá nome ao restaurante mais gostoso da cidade. Outro é o Angu, que às vezes dirige o trânsito, outras sai por aí tocando gaita e arrastanto uma pequena multidão e quase sempre sai na Bandalheira e na Banda do Rosário. Uma outra figura interessante é a Ninica.

Ela passa às vezes rápido. Leva uma flauta doce na mão e sempre sopra um som - ela não toca, só sopra mesmo. Fala embolada e muito veloz, com uma voz bem rouca. Anda pelas ruas e não faz mal a ninguém. Outro dia, o Leo estava descendo do carro e ela veio abraçá-lo. A partir daí, ele passou a cumprimentar a Ninica sempre que a via.

E hoje eu vi na rua um anúncio fúnebre, daquele em A5 colado na parede. O nome era comum. O apelido, embaixo, me entristeceu: Ninica do Padre Faria. Eu já imaginava que havia alguma coisa de errado com ela. Emagreceu demais no último ano. Andava sumida. Agora, deve estar fazendo uma boa festa com o Bené da Flauta lá no ceú. Bené deve tocar saxofone e a Ninica deve continuar soprando a sua flautinha. E falando, emboladinho e com a voz grave e rouca.

Ela vai, sim, fazer muita falta...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Descanso

Lendo em um blog sobre andar pela rua sem prestar atenção nas coisas, me lembrei de uma conversa recente como amigos. O tema era as muitas formas de se descansar. Um só descansa tomando cerveja na mesa do bar, outro dormindo 12h por dia, outro quando faz esporte até o extremo. Eu descanso andando.

É bastante curioso. Um dia qualquer, mente pesada, corpo cansado... tudo resolvido depois de um pouco de caminhada. Pode ser 15 minutos. Podem ser algumas horas. É meu tempo de colocar as coisas no lugar certo, rever momentos, pensar, organizar, ter idéias, desistir de planos mirabolantes e aceitar as soluções mais simples para as horas mais malucas.

Um passo depois do outro. Como deveria sem com tudo. Como só é nas minhas horas "tô quase ultrapassando o limite".

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Eu vos declaro...

2009 foi o ano dos casamentos. Acho que nunca fui a tantos casamentos em um único ano. Cada um teve uma coisinha especial. E alguns tiveram aquelas coisinhas que a gente prefere esquecer. Num deles, por exemplo, a noiva estava tão empoada que nem beijou o noivo no final da cerimônia, para o batom não sair.

O último casamento, semana passada, foi o mais especial de todos. Principalmente porque, nos últimos tempos, casamento tem sido apenas uma festa da noiva. É claro que em alguns dá pra notar, aqui e ali, um dedinho do noivo. Este último foi um casamento de casal. Em tudo dava pra ver o jeitinho dele e o jeitinho dela. O noivo entrou ao som de Metallica, a noiva subiu ao altar de mãos dadas com a mãe.

Tinha carinho pelos convidados por todos os lados. Até mesmo na atenção da noiva. Mesmo correndo para todos os lados, ela fez questão de ir ao hotel onde ficamos todos os dias. Estava sempre presente. E olha que éramos convidados do noivo...

Esse conjunto de detalhes me fez ficar emocionada. Foi a primeira vez que chorei em uma cerimônia civil. Mesmo com um juiz de paz igualzinho ao Sílvio Santos.

Daqui a três semanas tem mais um. Pela história de vida do casal, é mais um pra me deixar emocionada.