domingo, 8 de novembro de 2009

Saudade de São Luís

Alguns dias começam com cheiro de saudade. Hoje, senti o cheiro da maresia e da brisa de São Luís. Lembrei da varanda do apartamento, de onde a gente avistava o mar aberto - não a praia, não a areia, mas o ir e vir das águas lá de longe.

A gente ia na praia do Caolho, perto do Calhau e dos Olhos D'água. A praia não ficava lotada como Araçagi e São Marcos, que eram as badaladas. Quase todo sábado. Menos quando chovia.

A chuva era engraçada. Calor demais, tudo muito quente. De tarde, a chuva vinha, forte, com pingos grossos. E o ar ficava melado, pesado, a tarde ainda mais quente.

Nos fundos da escola, tinha uma plantação de cajus. Os cajueiros formava aquela massa verdinha, com galhos curtos. Frutas espalhadas pelo chão e todos os alunos proibidos de passar pela cerca e atingir aquele paraíso de cajus. Eu gostaria de ir pro outro lado, mas só pra subir nas árvores. Nunca gostei de caju.

Lá fui apresentada a frutas bem diferentes. Pitonga, siriguela, cajá, graviola, mangaba, bacuri, jussara (que mais tarde "surgiu" como açaí)... gostos e texturas bem características de uma infância que passou e que eu acabei deixando de lado. Um tempo cheio de brincadeiras na Av. da Paz, com toda a galera do condomínio. O único lugar em que morei em que podíamos andar de bicicleta nas ruas, sem medo de carros, atropelamentos e acidentes afins. Uma delícia sentir o vento no rosto todas as tardes, explorando as ruas do bairro.

Hoje, o cheiro de São Luís invadiu minha vida. Um cheiro de saudade irrecuperável. Nem que eu volte lá hoje mesmo, vou conseguir recuperar toda a intensidade que foi aquele ano vivido na ilha do amor.