quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Identidade

Há muitos anos, Leo mandou um um e-mail super bonitinho para mim. Só que ele errou o provedor do e-mail, que foi parar na caixa de entrada de outra Aline Monteiro. Ela respondeu dizendo que não era ela e se descreveu: tinha a minha idade, minha profissão (além do meu nome), mas morava em um Estado bem longe do meu. Nossos e-mails são idênticos. A diferença é só o provedor.

Por isso, vivo recebendo e-mails que seriam para ela. Respondo a todos falando sobre o engano e envio o e-mail correto dela.

Mas ultimamente, surgiram outras Alines Monteiro por aí. Uma delas estava resolvendo com as amigas com que cor de vestido iriam todas num casamento. Recebi um monte de mensagens com as cores: vermelho, vinho, roxo, lilás, champagne, verde... A esses, deu vontade de responder perguntando onde era a festa e confirmando a minha presença.

Hoje recebi uma mensagem dessas, mas diferente das outras. Um adolescente (só eles escrevem AxXiM) me perguntando sobre em que hora eu iria à lan house porque ele queria me ver de novo. Respondi, como sempre, dizendo que ele estava confundindo meu e-mail com o de outra pessoa. O garotinho, não satisfeito, respondeu dizendo que não adiantava enrolar, ele sabia com quem estava falando, insistindo que não tinha erro. E escreveu um monte falando que ele SABIA que eu trabalhava na tal lan house onde ele me conheceu ontem, que ia lá mais tarde me ver, etc e tal.

É a primeira vez que alguém (dos muitos que me mandam mensagens confundindo e-mails) faz uma defesa tão ardorosa sobre a MINHA identidade. Se eu não tivesse tanta certeza, acho que chegaria até a ficar confusa...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Carnaval, desengano

E daí quem um dia inventaram que, uma vez por ano, todo mundo ia se fantasiar e brincar. Porque, logo em seguida, começava um período de penitência. Nessa época, a festa acontecia só na terça-feira. Mas o povo achou que era pouco tempo e começou a festa na segunda, depois emendou o sábado e o domingo. A sexta à noite. Sexta durante todo o dia. Quinta também, né?

Quando eu era pequena, eu adorava o carnaval. Ia pra rua São José fantasiada (já fui índia, havaiana, mulher maravilha e fada) pra ficar pulando na rua, jogando confete e serpentina pro alto. Pra ver o Zé Pereira, que é considerado o bloco mais antigo do Brasil. Pra ver a Bandalheira, que é o bloco mais divertido que tem por aqui. Naquela época, o Bloco do Caixão era só um bando de estudantes levando um caixão, todos vestidos de preto, maquiagem meio macabra. Era divertido.

Aí, o tempo foi passando e eu fiquei meio pê com o carnaval. Não sei o motivo. Já preferia ficar em BH mesmo, escutando, lá de longe, a bateria do bloco Aflitos do Anchieta. Assistia as escolas de samba do Rio pela TV. E aproveitava aqueles dias pra fazer coisas mais agradáveis.

Um dia, voltei a Ouro Preto no carnaval. Achei bacana ter mais blocos, a mudança do Bloco do Caixão, a tradição dos meus queridos Zé Pereira e Bandalheira. Mas a festa tinha mudado demais. O circuito do carnaval já não estava mais na rua São José, mas na porta da minha casa. E o povo que vinha pra cá, ficava na pilha tempo demais. E eu, que tenho alguns problemas pra dormir, não conseguia mais descansar.

Nos dois anos seguintes, eu já tinha voltado a morar em Ouro Preto e estava trabalhando na cobertura do carnaval. Então, nessa época, fiquei quietinha por aqui, prestando atenção em tudo. Fotografei, na época, os muitos que faziam xixi aqui na porta da minha casa; os sem noção que puxavam briga à toa; as marias-sem-vergonha pela rua. Só não consegui fotografar a madrugada em que os foliões vivaram o banheiro químico.

Aí, sem ter mais que cobrir a festa, passei a ficar os dias de carnaval em Belo Horizonte. Eu adoro BH, ainda mais no carnaval, quando vira quase uma cidade fantasma. Dá pra aproveitar com calma cada cantinho bacana da cidade, sem precisar ouvir música ruim 24 horas por dia. Cinema, então... faço a festa no carnaval.

Aqui em Ouro Preto, o carnaval começa na quinta-feira, com o bloco da saúde mental, os Conspirados. Depois tem o tradicional Vermelho i Branco. E vem aquela bela noite sem dormir, porque começa a festa na vizinhança. Aí, na sexta, bem cedo, BH à vista. Só voltamos na quarta-feira. Enquanto isso, Ouro Preto vira só uma lembrança pela tela da TV. Só é triste ter de ouvir o jornalista da Platinada dizer que está ao vivo do Largo da Felicidade (ele estava no Largo do Cinema e o confundiu com o Largo da Alegria).