quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Citações 7

De Meursault, personagem de O Estrangeiro, de Albert Camus:


No início da minha detenção, no entando, o mais duro foi virem-me à cabeça pensamento de homem livre. Por exemplo, sentia de repente desejo de estar numa praia e de correr para o mar. Imaginando o barulho das primeiras ondas sob as plantas dos pés, a entrada do corpo no água, a libertação que era para mim o banho de mar, sentia de repente até que ponto as paredes da prisão me cercavam. Mas isto durou apenas alguns meses. Depois, passei a ter unicamente pensamentos de prisioneiro. Aguardava o passeio cotidiano no pátio ou então a visita do advogado. No resto do tempo, passava menos mal. Nessa altura pensei muitas vezes que, se me obrigassem a viver dentro de um tronco seco de árvore, sem outra ocupação, além de olhar a flor do céu por cima da minha cabeça, ter-me-ia habituado pouco a pouco. Observaria a passagem das aves ou os encontros entre as nuvens, tal como aqui observava as extraordinárias gravatas do advogado e como, num outro mundo, esperava até sábado para apertar nos meus braços o corpo de Maria. Ora, a verdade, afinal de contas, é que eu não estava dentro de um tronco de árvore. Havia pessoas mais infelizes o que eu. Acabamos por nos habituar a tudo, gostava a minha mãe de dizer.


Minha mãe costumava dizer que nunca se é completamente infeliz. Mesmo na prisão continuava a concordar com ela, quando o céu se coloria e um novo dia entrava na minha cela. Porque, logo que ouvisse passos, o meu coração era capaz de rebentar. Mesmo se o mínimo som me atirasse de encontro à porta, mesmo sem, orelha colada à madeira, eu esperasse desvairadamente até ouvir a minha própria respiração, assustado por a achar tão rouca, e se, tal a agonia de um cão, ao fim desse período o meu coração rebentasse, tinha ganho ao menos mais vinte e quatro horas.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A caminho

Uma pessoa que eu gosto muito vai, em breve, ter um bebê.

E como eu não sei fazer nada, mas tenho uma tia que faz cada arte linda com tricô, encomendamos um casaquinho, que está sendo feito com todo carinho. Olha que lindo:

Falta terminar a manga e fazer o acabamento. Fofo demais. 

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Momentos

Bikes prontas pra subirmos pro Parque do Iacolomi (Fabi ao lado)

Com a Cacá no cinema

Pré-almoço de domingo

D. Lídia e Margaret
O famoso penne à gorgonzola do Leo

Comilança
Pós almoço

Bastidores: eu com a faca e o queijo na mão
P.S.: Mais fotos do aniversário da Flavinha no Orkut. 

sábado, 25 de setembro de 2010

Da Ju

Essa semana, a Ju fez um terrorismo danado comigo. Pediu desculpas por uma coisa que fez e que eu não podia saber o que era. Pediu umas informações sigilosas e não me disse o motivo. E volta e meia fazia uma horinha com a minha cara. E eu, que adoro suspense em livros, mas detesto na minha vida, fiquei apreensiva. O que ela estaria aprontando?


Olha o que era:



Mais uma vez, obrigada, Ju! Pelo carinho, pela surpresa, por tudo.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Jasmim

Tenho problemas sérios com perfumes. O cheiro de todos (menos daqueles fraquinhos, tipo água) me deixa com o nariz coçando e com vontade de espirrar. E por não gostar de perfumes, eu sempre tive preconceito com jasmim. Isso porque eu tinha uma tia que às vezes usava um perfume com odor de jasmim e lá ia eu pra mais uma sessão de coceira no nariz e espirros. Só um comentário leve: adivinhe qual foi o primeiro presente que ganhei do meu primeiro namorado??? Pois é...

Tudo isso pra dizer que eu quebrei a cara e o preconceito quando fui apresentada ao jasmineiro que tem lá em casa.

A vovó sempre cuidou muito bem das flores do jardim. Tinha uma variedade enorme, sempre lindas. Aqui perto, na casa da Tia Ylza, também tinha um jardim maravilhoso. Na vovó, eu adorava as margaridas amarelas. Na Tia Ylza, as rosas de Santa Terezinha, os monsenhores e as crisandálias. E um dia a Tia Ylza plantou jasmim e deu uma muda para a vovó.

O dia em que o jasmim floresceu, fiquei encantada com as flores, com o arbusto inteiro, com o cheiro. E fui logo querendo saber que flor era aquela. Quando a vovó falou em jasmim, eu caí pra trás. E hoje cedo e fui ao jardim e vi, de novo, o jarmineiro florido, celebrando a primavera.

O jarmineiro

Detalhe das flores

Flor "não sei qual" fazendo companhia pro jasmim

Flor "não sei qual 2", também fazendo companhia pro jasmim
Com os problemas de joelho, tanto vovó como a Tia Ylza já não cuidam mais tanto dos jardins, o que é uma pena, especialmente pra mim, que não tenho o menor jeito com plantas.

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Agradecimento:
Agradeço a todos que lembraram do meu aniversário, seja aqui no blog, pessoalmente, por e-mail, MSN, Gtalk, Skype, e-mail, Twitter, Orkut, celular, mensagem, telefone lá de casa e Facebook. Especialmente pro Breno, que me mandou um depoimento lindo, lindo lindo.

É por vocês, meus amigos - a família que eu pude escolher - que minha vida fica mais leve, mais bonita. Amo muito cada um de vocês.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A canção que ele fez pra mim

Desde pequena eu conheço o Tunai. Ele estudou em Ouro Preto, foi amigo da minha família, deu aulas de violão pra minha mãe, se casou com uma prima e sempre voltava a OP para apresentações no Grêmio Literário Tristão de Ataíde (GLTA), criado pelo meu tio e padrinho Padre Mendes. Volta e meia o Tunai aparecia lá em casa e Laura - que sempre foi mais atirada - corria pra pular no pescoço dele. Ganhávamos os LPs autografados e íamos aos shows dele, promovidos pelo GLTA.

Foi em 1984. Eu estava pra fazer seis anos e alguém nos avisou que o Tunai apareceria na televisão. Todos nós nos reunimos pra ver uma espécie de clip dele no Fantástico, domingo à noite. Foi quando apareceu uma espécie de clip da música nova dele na época, chamada Frisson.

Só que não era um dia comum pra mim. Era meu aniversário de seis anos. E nessa época eu achava que fazer aniversário era o dia mais importante da vida da gente. Ficava toda orgulhosa e feliz.

E, naquele dia, há 26 anos, sentada na sala de casa, eu entendi que aquela música era pra mim.

O clip é a cara dos anos 80, olha só:



quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Fundamental

Bom humor e esportiva. Quem não tem tá por fora.

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Bons momentos com bons amigos:

Matheus, Lícia, Leo, eu, Fabiano e Adriana. Faltou a Lola, que tirou a foto!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Pra Bel

Um dia, a Bel me mandou um presentão pra minha coleção de marcadores de livros.  Depois foi minha vez de mandar um presetinho pra ela. Foi pouquinho, mas foi com todo carinho.



Update: E num é que ela gostou

domingo, 19 de setembro de 2010

Algumas razões

Porque...

- ela é uma menina linda, com um coração enorme;
- ela é a irmã mais nova que eu não tenho;
- ela é a minha mascotinha;
- temos alguns segredos só nossos, divididos durante nossos papos no MSN;
- ela tem um elefante lindo, com uma foto minha bem pertinho dele;
- nós passamos bons momentos juntas.

Flavinha fez 28 anos e fomos comemorar. Porque pra ela aniversário é o dia mais importante da vida. Queríamos dar a ela um presente que representasse o quão especial Flávia é, pro Leo e pra mim. Porque nós dois sentimos aqui um amor imenso por essa garota linda.

Nosso presente



No começo da festa, Roberta, Luis, Luciano, Ana Carolina e Matheus


Leo, com o segundo garoto mais lindo do mundo, o Yann (o primeiro é o Rafa, irmão dele)


Os amigos: Lauro, Leo, Jean, Gustavo, Tales, Yann e Ricardo


A Pat, deixando um recado pra Flavinha


Fabiana, Patrícia, eu, Analice e Roberta

Flavinha, na hora do parabéns

Mascotinha, mil felicidades pra você!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ainda o inferno astral

Depois de ler o post de ontem, a Ju me chamou no MSN pra me indicar um site que calcula seu inferno e seu paraíso astral. O inferno eu já sabia: de 24 de agosto a 24 de setembro.

O paraíso, pra mim, é novidade. Segundo o site, o meu paraíso astral começa no dia 21 de fevereiro e vai até 23 de março. Em 2010 esse período começou depois do carnaval, o que é coerente. Se o carnaval acontecer no meio desse tempo, eu não sei qual será o nome apropriado. Paraíso é que não é. #odeiocarnacal

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sotaques e inferno astral

Dia desses, estava com o Leo na fila do Seu Chico, o quitandeiro mais famoso de Ouro Preto. Um casal de cariocas estava conversando com um dos atendentes, intrigados com a verdura que comeram no almoço, junto com o frango. Era o famoso Ora-pro-nobis, chamado por aqui de "lobrobrô". A moça ficou repetindo o nome mineiro da planta, querendo de toda forma comprar a verdura. Não tinha lá no Seu Chico, mas ela prometeu que compraria no seu caminho de volta até o Rio.

Também outro dia apareceu um amigo de um amigo que tinha ido passar um tempo no Amazonas. Ele estava contando uma raiva que passou lá ao pedir uma lapiseira para alguém.

Isso me lembrou das palavras diferentes que usamos no país. Lá no Maranhão, onde morei, o que aqui em Minas chamamos de "caneta" é conhecido como "lapiseira"; a nossa lapiseira é chamada de "grafite". "Esquina" lá é "canto", "cabide" é "cruzeta". A nossa "mixirica" é "tangerina" no Rio de Janeiro, "bergamota" no Rio Grande do Sul.

Essa diversidade é tão bacana...

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Mudando de assunto, dizem que um mês antes do seu aniversário começa o inferno astral. Eu não me ligo nisso, mas estou começando a acreditar. É que hoje, em especial, fui visitar um cliente. No caminho da ida, topei com uma criança vomitando. Mais na frente, outra criança vomitando. Reunião ok, tudo certo, vamos voltar. No caminho de volta, mais uma criança vomitando.

Cheguei em casa intrigada com aquilo e fui contar pro Leo e pra vovó. Na hora, a Cuca, minha bolinha branca, também vomitou. Será que eu tô atraindo? Será que é o inferno astral?

Sem contar a cegueira crônica. Já não enxergo mais as pessoas a uma certa distância, isso é fato conhecido. Mas voltando do cliente, depois das crianças e antes da Cuca, fui comprar ameixas. Escolhi bem duas caixinhas, escritas "s/ caroço". E ao chegar em casa é que vi que as duas caixas estavam, com letras garrafais: "c/ caroço". Eu juro que li "sem", juro! Será que é o inferno astral?

sábado, 11 de setembro de 2010

Da imprensa

Morte é um tema bastante complexo. Tem gente que vê com naturalidade, tem gente que se apavora. Como grande parte da minha família é composta de idosos, a morte, sua proximidade, suas consequências são temas frequentes. Dentre as coisas que algumas pessoas da família já deixaram prontas está a Disposição de Última Vontade. Não é um testamento, mas um documento onde se explicita o que quer que seja feito após a morte. Por exemplo, uma tia deixou escrito o que fazer com as roupas dela, as louças, os móveis após o falecimento. Algo como fez a Bel no Meme 30 dias.

Isso tudo pra dizer que é bacana demais ver que lidar com a morte pode ser algo natural, mesmo que ainda fique um medo sobre a forma como se vai morrer e o que virá depois.

Assim, foi inevitável sorrir quando vi a notícia da morte de Antônio Inácio da Silva, conhecido como Moreno, no Estado de Minas de 7 de setembro. Ele morava em Belo Horizonte e foi cangaceiro de Lampião. Fugiu com a mulher após a morte do chefe do bando e, com o objetivo de chegar a São Paulo, acabou parando em Minas, na cidade de Augusto de Lima. Durante muitos anos ele e a mulher mantiveram segredo sobre a vida de cangaceiros. Acho que foi em 2005 que a história veio à tona, com os dois bem velhinhos. A esposa morreu antes. E, na morte de Moreno, os filhos cumpriram o último desejo do pai:

"(...) soltar foguetes para comemorar o fato de Moreno ter sobrevivido a todos os inimigos no sertão e ter conseguido escapar das volantes, que cortavam as cabeças dos cangaceiros que matavam."

De certa maneira, a morte também pode ser uma celebração, uma conquista.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Nariz, nariz

Semana passada tive que cauterizar o nariz. O tempo anda seco e eu tenho histórico de sangramentos desde pequena. Contei para Tia Ylza e ela veio com outra história do tempo dela criança.

Meu bisavô era uma pessoa muito forte, mas tinha alguns probleminhas de saúde. Ele morreu muito novo, com os rins estraçalhados - palavras da Tia Ylza. E sempre teve sangramentos no nariz. Ela se lembra dele sentado, com o rosto coberto de sangue, esperando passar. A Tia Leda, já falecida, era bem pequena e herdou do pai a tendência ao sangramento nasal. Volta e meia estava ela no quintal, brincando, quando começava a sangueira. E minha bisavó vinha para ajudar a parar. Colocava até um raminho de erva - não me lembro qual - no nariz da Tia Leda.

E a Tia Ylza ali, vendo a irmã mais nova toda cheia de cuidados, ficava incomodada. O sonho dela era que seu nariz sangrasse também. Mas isso não acontecia com ela...

Do outro lado, minha bisavô dizia: "triste herança..."

Domingo no parque

Animado pelo Rodrigo e pelo Matheus, Leo comprou uma bicicleta e estava doido pra começar a pedalar. No último domingo, fomos pro Parque do Itacolomi com o Lauro.

Rever o Parque é sempre bom. Enquanto os garotos percorriam trilhas, fiquei caminhando por lá. O resultado foi um dia super agradável, em ótima companhia.

Leo, na chegada ao Parque

Lauro e Leo, no começo do dia

Enquanto eles iam de bike, eu ia à pé mesmo

Lagoa da Curva

Lagoa da Capela

Leo e Lauro voltando de uma trilha

Os dois, cansados e animados pra recomeçar

No meu caminho, a Casa Bandeirista

Telefone nesse paraíso?