sábado, 29 de janeiro de 2011

A família mais linda do mundo

Volta e meia eu falo que a família do Leo é a mais legal do mundo. E é mesmo. Todos os descendente da D. Lídia são incríveis. Quando todos estão reunidos é uma festa só.

Mas hoje é dia de falar da família da vovó, a mais linda do mundo (sim, eu sou hiperbólica).

A família começou quando meu bisavô, Camillo, passeando a cavalo, encontrou um amigo que ia, animado, pedir a mão da Adelina. Camillo desejou boa sorte, pegou um atalho, chegou lá antes e pediu a mão da donzela. Quando o amigo chegou, mais que depressa pediu desculpas e ofereceu a ele a mão da irmã. Todo mundo ficou bem e da união de Camillo e Adelina a família da vovó começou.

Foram 13 filhos, parte das mulheres com apelidos que as acompanham por toda a vida: Maria da Conceição (Zizinha); Geraldo; Antonina (Tuíca); José Pedro (que depois viria a ser o Padre Mendes); Maria Aparecida (Nazinha); Maria Joana (Zina, a vovó); Antônio; Sebastião; Antonino; Maria das Dores; Jésus; José Raymundo e Maria Terezinha.

Quando eu nasci, as tias Zizinha e Maria Terezinha já tinha morrido. Depois, também morreram os tios Geraldo, Antônio, Padre Mendes (meu padrinho, que eu sempre chamei de Padrinho mesmo), Tuíca e Nazinha. Com ou sem eles, é a família mais linda do mundo.

Sabe um monte de irmãos que nunca brigam? Que se amam acima de tudo? Que passam por cima de qualquer coisa em favor da unidade e da harmonia? Eu só vejo isso na família dela. É tão engraçado que parece que eles nem têm os problemas normais de família. Se têm, deixam em segundo plano para que o amor fique em primeiro. Não é um amor traduzido em beijos, abraços e carinhos - eles são muito econômicos em termos de carícias - mas em atenção extrema, em ouvido atento, em muita compreensão. Eles estão sempre em contato, um se preocupa com o outro, vivem em uma harmonia de dar inveja.


Tio Jésus, Vovó, Tio Zé Raymundo, Tio Antonino e Tia das Dores

A foto acima é um exemplo do amor que une essa família. Foi tirada no dia 4 de setembro de 2007, pelo Leo. Não era um dia feliz. Era o velório da irmã deles, a Tia Tuíca. Certa hora, vieram todos almoçar aqui em casa e resolvemos tirar a foto, já que fazia tempo que eles não se reuniam quase todos (faltam o Tio Sebastião e a Tia Nazinha, que morreria cinco meses depois). A tristeza com a morte da irmã era muito grande, tanto quanto a alegria do reencontro.

Não é a família mais linda do mundo? E eu fico muitíssimo grata por fazer parte dela. Em especial, pelo contato próximo com os dois mais lindos (além da vovó, claro!), os tios Jésus e Maria das Dores. Lindos!

Desafio Literário - Janeiro: O Beijo e outras histórias


Este é o primeiro livro do meu desafio literário. O beijo e outras histórias é de Antón Tchekhóv, escritor russo que trabalhou muito com contos e teatro. O livro é uma coletânea de contos mais longos do autor, que é conhecido pela conscisão e considerado também um mestre na construção de tipos humanos. Acredito que não só humanos. No conto Kaschtanka, a cachorrinha, personagem principal, após sofrer de frio de fome e de abandono, pensa que, "se fosse gente, certamente pensaria: 'Não se pode viver assim! Tenho que me dar um tiro' (...) Mas ela não pensava nada e só chorava".

São seis contos, cada um deles com uma profundidade impressionante. Os que mais me impressionaram foram Uma crise; Uma história enfadonha e Enfermaria nº6.

Uma crise é a história de estudantes que percorrem casas de tolerância durante uma noite. Um deles vai aos bordéis pela primeira vez e se choca com a falta de humanidade desses locais, das mulheres que se submetem a esse trabalho e dos homens que as frequentam.

Uma história enfadonha é a narrativa de um velho médico que passa seus dias entre as aulas na faculdade de medicina e a rotina com sua família. Após tantos anos de vida, ele se sente como um estrangeiro em todo aquele mar de pessoas com seus problemas pequenos: a mulher que se queixa de sua indiferença, os filhos que levam seu dinheiro, o pretendente da filha, os colegas de trabalho e sua pupila, que é a única pessoa que o consola.

Em Enfermaria nº6, um médico revê sua vida e seus valores ao tomar contato com um dos internos da ala psiquiátrica do hospital. É o maior conto do livro e o mais impactante. Vale, ao final da leitura, pensar mais uma vez sobre os valores do mundo, os que aceitamos e reproduzimos e os que parecem já cristalizados. Como quebrar um ciclo de preconceito?

Completam o livro os contos O beijo; Kaschtanka e Viérotchka.

O livro foi uma bela escolha para iniciar o Desafio Literário.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

125 motivos para se crer num mundo melhor

Recebi o link do vídeo e achei fantástico. Pras pessoas que, como eu, acreditam que sempre há algo melhor:

Sobre comentários

A Stella é uma amiga querida que tem pontos de vista muito interessantes sobre tudo. Nossas conversas, desde que nos conhecemos, são super divertidas. Aprendo muito com ela. Agora ela me brinda com um texto super bacana sobre os comentários que as pessoas fazem em determinadas situações. Muito bacana, vale a leitura: Comentários.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Filme: Wood & Stock: sexo, orégano e rock'n'roll

Wood & Stock: sexo, orégano e rock'n'roll - 2006 (mais informações aqui)
Direção: Otto Guerra
Roteiro: Angeli, Rodrigo John

É divertido ver nas telas o que vemos nos quadrinhos brasileiros. Ainda mais quando a dublagem reúne uma galera bem interessante. A cantora Ria Lee faz a voz de Rê Bordosa; Tom Zé é Raulzito, Lobão é Bob Cuspe. Os personagens pararam no tempo, mais especificamente nos anos 1970 e, hoje, tentam conviver com uma sociedade cada vez mais consumista e individualista, enquanto tentam manter as raízes de paz e amor.

Wood está casado com Lady Jane e é pai de Overall, um garoto careta e que morre de vergonha das atitudes dos pais. A mulher resolve se encontrar e vai para o templo de Rallah Rikota, deixando o marido, o filho e o amigo Stock no apartamento. Sentindo-se abandonado, Wood e Stock vão ao Juvenal's Bar beber e pensar em como colocar a vida em ordem. É aí que, bêbado, Wood recebe a visita do mestre Raulzito, diretamente no copo de cerveja: "Faz o que tu queres pois é tudo da lei". E Wood resolve recriar sua antiga banda de rock.

O filme é cheio de tiradas interessantes, como a banda Chiqueiro Elétrico, que tem um porco como vocalista; os produtores sendo os reacionários Nanino e Meiaoito; a banda em pose de Abbey Road e as frases impagáveis de Stock, como "Ducaralho morrer asfixiado no próprio vômito!" e o diálogo sobre Raul Seixas:
Stock: Raul Seixas já morreu.
Wood: Quem te disse uma coisas dessas?
Stock: O John Lennon, ué!

O filme é da Otto Desenhos Animados e é bem divertido.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Yann

O melhor do final de semana foi ver o Yann. Quase toda vez que nos encontramos, eu fico frustrada porque ele não me dá bola. Imaginem um garoto lindo, fofo, sorridente, de quatro anos de idade que conversa com todo mundo, mas não me dá a mínima bola... é o Yann. Pois neste final de semana ele se dignou a conversar comigo.

Ao nos encontrarmos, ele mal falou. Fui perguntando dos irmãos dele - o Rafa é o garoto mais fofo do mundo, vai fazer 11 anos. Quando eu o conheci, ele tinha a idade do Yann e era divertidíssimo conversar com ele. Então o Yann mal falou comigo e foi grudar no pai dele. O Leo estava lá perto e o Yann ficou de olho nas tatuagens. Logo depois, descolou um estojo cheio de canetinhas e pediu pro Leo desenhar um avião e um relógio no braço dele. Em seguida, ele coloriu de canetinha azul os espaços não tatuados do braço direito do Leo. E eu até comentei com a Pat, a mãe dele, que pro Yann me dar bola, eu ia até fazer uma tatuagem.

Devagarzinho, eu pedi pra ele fazer um desenho no meu braço. Ele veio sorrindo e desenhou um balão. Depois me pediu pra fazer um sol no braço dele. E me desenhou no meu braço esquerdo, com braços imensos, uma boca enorme e olhos fechados, porque, segundo ele, "seu olho é pequenininho". Fiz uma carinha de cachorro no outro braço dele.

Mas o melhor ainda estava por vir. Ele queria ouvir uma história. E o Ricardo, pai dele, disse que a Tia Aline sabia contar. E veio o Yann me pedir pra contar a história dos Três Porquinhos. O problema é que a tia não lembrava da história direito. Fui perguntando e ele mesmo me contou que os nomes dos porquinhos eram Palhoça, Palito e Pedrito. Aos poucos, a história saiu. Ele riu, correu, pegou a marionete do lobo mau pra mostrar como é que o personagem soprou as casinhas e ainda me contou o final da história quando eu ainda estava fazendo o lobo soprar a casinha do Pedrito.

Também teve o lance da casa da árvore que ele desenhou no meu braço. A casa caiu em cima de mim, machucou meu braço e minha perna e eu tive de ir correndo pro hospital tomar uma injeção, dada pelo Dr. Yann. Mas não doeu quase nada, foi só uma picadinha de mosquito e logo logo eu já estava boa de novo.

Citações 11

De Lia, personagem de As Meninas, de Lygia Fagundes Teles:

Lorena repete o estribilho marcando o compasso no maior entusiasmo, 'mais, Lião, canta mais!'. Tenta ainda me prender, não quero mesmo almoçar? E que tal uma volta no Corcel? Um sorvete no clube? Saio e bato o portão. Vejo-a como uma prisioneira atrás das grades do seu jardim. Sinto uma certa tristeza e logo tenho vontade de rir. Pontos de vista: para ela a prisioneira não sou eu?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Analisando

A primeira vez em que eu quis fazer terapia foi lá pro meio da minha adolescência. Mas não rolou. O que me pegava naquela época basicamente não mudou e eu só fui, efetivamente, parar num consultório em 2008. A análise fez bem pra mim desde o primeiro dia. Foram litros de lágrimas, muita vergonha de chorar, uma história meio torta e muito alívio.

Entrei por aquela porta com algumas verdades absolutas, que foram solidamente destruídas para serem reconstruídas depois de uma forma mais suave. Tinha medos brutos que foram se dissolvendo com o tempo. Dores cruéis que não deixaram de existir, só mudaram de lugar. Convicções que, aos poucos, tinham outras facetas. Felizmente, não passei incólume por esses três anos. Quem entrou no consultório em 2008 não é a mesma pessoa que está aqui hoje.

Daí que, de repente, posso escolher se continuo indo lá toda semana ou se espaço as nossas conversas. E uma decisão que parece simples está me deixando até com uma leve dor de cabeça. Em teoria, eu deveria estar feliz por ter chegado a um ponto na análise em que posso tentar dar alguns passos sozinha. Mas e o medo que veio junto? Ai...

domingo, 16 de janeiro de 2011

Livro: Sócios no crime


Agatha Christie tem algumas características bem interessantes. Uma delas é a variedade de personagens detetives nos romances. Sócios no crime é o segundo livro em que aparece o divertido casal Tommy e Tuppence Beresford - o primeiro é O inimigo secreto.

O livro se passa seis anos após a primeira aventura. Já casados, Tommy e Tuppence resolvem voltar aos dias de aventura e investigações criminais. O chefe de Tommy oferece a ele uma agência de detetives e, sob o disfarce de Sr. Blunt e Srta. Robinson, o casal inicia suas aventuras.

O melhor do livro é o bom humor do casal, que discute o relacionamento e o trabalho sempre com tiradas bem divertidas e buscando, a cada caso a ser trabalhado, inspiração nos detetives ingleses clássicos, dentre eles Sherlock Holmes, de Sir Arthur Conam Doyle, e Hercule Poirot, o personagem principal da própria Agatha Christie. Cada caso é tratado isoladamente, com ligações bem sutis entre um trabalho e outro.

O casal aparece ainda em três livros: M ou N?, Um presente funesto e Portal do destino. O interessante é que eles envelhecem de um livro para o outro, ao contrário dos outros personagens recorrentes nos livros.

Enfim, diversão rápida e garantida.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Filme: Entrando numa fria maior ainda com a família

Little Fockers - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Paul Weitz
Roteiro: John Hamburg, Larry Stuckey
Elenco: Ben Stiller, Teri Polo, Robert De Niro

Ver esse filme faz parte do meu projeto "perdendo o preconceito com comédias". Mas é um pouco inevitável pensar no que o Robert De Niro está fazendo ali, pela terceira vez.

Não concordo com o humor escatológico e apelativo dos filmes de comédia mais populares, por isso evito vê-los. Acabo terminando a experiência muito mal-humorada. Porém, consegui dar umas boas risadas com o De Niro chamando o Ben Stiller de Godfocker, com a trilha sonora e a transformação do personagem Greg, que chega a beijar o sogro à maneira das famiglias italianas. Ou quando a trama passa a ter um toque de espionagem, com a trilha sonora mais sinistra e a luz mais azulada.

Mas, enfim, meu preoconceito ainda é grande pra conseguir olhar as comédias apenas como o que elas pretender ser. Deixa pra próxima.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Vida de cão

Toda quarta-feira a Cuca tem um compromisso inadiável com o banho. Quando a Karina vem em casa buscá-la, ela faz charminho e chora um pouco. Mas é só a moça dizer "vem, Cuquinha" que ela vai, toda satisfeita, abanando o rabinho.

Ela sempre volta com um par de lacinhos diferente. Coloridíssimos. Já voltou de coroa, em uma véspera de Natal, com chuquinhas enormes e com brocal numa véspera de carnaval e com lacinhos verde e amarelos, na época da Copa do Mundo.

O problema é que ela odeia os lacinhos. Eu já pedi pro petshop não colocar, mas não tem jeito. Daí, toda quarta-feira Leo e eu chegamos em casa do trabalho e vamos logo tirar os lacinhos da Cuca.

Hoje, tirei os dois rapidinho. E foi só então que o Leo viu a novidade. O petshop mandou a Cuca pra casa com mais um adereço.

Olha aí o terceiro olho da Cuca!
Tá, foi engraçadinho. Mas foi pro lixo imediatamente, junto com os lacinhos.

Depois, Leo foi pra cozinha preparar o azeite aromatizado com manjericão que é super gostoso.

Delícia

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Filme: Além da Vida

Hereafter - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Peter Morgan
Elenco: Matt Damon, Cécile De France, Bryce Dallas Howard

Parece que a onda dos filmes nacionais é explorar a experiência religiosa. Foi assim com Chico Xavier, Nosso Lar e, agora, Aparecida, o milagre. Achava que era só por aqui que o fenômeno acontecia. Mas aí veio o Clint Eastwood com este Além da Vida. Dos três nacionais citados acima, só vi Nosso Lar e era algo parecido com ele que eu achei que ia encontrar.

Porém, o que veio não foi o esclarecimento de uma doutrina ou a defesa de uma devoção. Foi suavidade. São três história densas que se revezam na tela, mas todas com uma certa leveza.

Na primeira, a jornalista francesa Marie tenta superar um grande trauma, em que viveu a experiência de morrer por um instante e depois retornar. Na segunda. George é um médium americano que já ganhou dinheiro fazendo contato com pessoas que já morreram e decide não lidar mais com a morte. A terceira traz Marcus, uma criança inglesa de nove anos que perdeu o irmão gêmeo e busca manter contato com ele. É praticamente impossível não se comover com os personagens, especialmente com os olhos tristes de Marcus.

Um dos melhores momentos do filme é quando George, ao tentar fugir do seu dom, entra em uma aula de culinária. Ele faz par com Melanie, uma moça linda que busca esquecer uma desilusão amorosa. O desafio é que um deles, vendado, deve descobrir pelo gosto e pela textura, qual a comida que o parceiro dá a ele. É um jogo de sedução que só foge o olhar do espectador quando ele capta, ao fundo, uma dupla de idosos fazendo algumas trapalhadas com a comida. É aí que fica claro o dom de George: enquanto os outros estão vendados e só contam com outros sentidos, ele consegue ver além e revelar o que está oculto.

Não acho que este seja o melhor filme do Clint Eastwood. Mas é um bom contraponto à onda religiosa que tem tomado conta do cinema nacional.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Cinema e boteco

Após o curso de Teoria, Linguagem e Crítica de Cinema, do Pablo Villaça, a turma marcou uma sessão de cinema. Dia 7 de janeiro, pessoas viajando, pessoas confirmando e desconfirmando, mudança de planos de última hora. Fomos poucos, mas foi divertidíssimo.

Daniel, Rafael, eu, Leo, Alex, Daniel e Fabrício

Consumo da noite

O filme foi Além da Vida, do Clint Eastwood. O que foi mais marcante? O boteco, claro!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Presente

Acho que não tem uma pessoa no mundo que não goste de ganhar presentes. Eu adoro. Especialmente se eles não vierem em datas especiais. Melhor ainda se forem aqueles que vêm com uma dose extra de carinho.

O primeiro presente que vou mostrar aqui não é bem dessa categoria de recebidos com carinho e em datas especiais. Ele foi pedido, solicitado e implorado. Quem me deu foi o Paulo, meu tio. Ele foi dar um pulo no nordeste e eu, que já tinha trazido de Recife quando estive lá, supliquei por um tradicional Bolo de Rolo, típico de Pernambuco e patrimônio imaterial do Estado. Delícia!

Pedacinho de Pernambuco na mesa
 Paulo é o meu tradicional fornecedor do chocolate cubano Aurora, o melhor do mundo. Como meu papo com ele é na insistência, tô solicitando uma nova ida dele a Cuba pra ter os chocolates de novo.

O presente número dois é daquela categoria que eu falei lá no alto. Veio da Lu, prima do Leo. Ela e os irmãos me deram uma clutch linda. Mas ela, em especial, me deu duas fotos nossas. Em uma delas, uma mensagem tão fofa, mas tão fofa que dá vontade de apertar a bochecha da Lu. Aliás, ela é tão gracinha que parece um bibelô.

Fotos: nós duas com o Leo e só nós duas
O terceiro presente é da mesma categoria de carinho. Veio da Eliana, tia do Leo. Foi uma cesta com produtos da Natura. Só que a minha pressa foi tanta que eu desfiz a cesta e já comecei a usar os produtos antes de fotografar.

O melhor de receber esse tipo de presente é o abraço que vem junto.

Cinema: premiações do início do ano

A crítica de cinema Ana Maria Bahiana publicou em seu blog um texto bem bacana sobre o funcionamento dos principais prêmios do cinema no início do ano. Vale ler para conhecer melhor a dinâmica da escolha, quem vota, como vota e as particularidades de cada um: aqui.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Amigo oculto, o DDA e o TOC

A Bel volta e meia fala do DDA, o Distúrbio do Déficit de Atenção. Durante o nosso amigo oculto (aqui e aqui), nas mensagens que trocamos, ela revelou que esqueceu de colocar remetente no presente que enviou. A Patrícia Daltro também fez uma pequena confusão com o livro que enviou. Eu, que sou confusa por natureza, não poderia ficar de fora. Agora é minha vez de contar a história do meu presente.

Eu tirei a Jullyane, do Vermelhas Unhas. Logo de início ela me enviou uma mensagem dizendo que, para facilitar a minha vida, tinha uma lista de livros desejados no Skoob. A esperta aqui foi logo correndo pra lá. Anotei todos os livros da lista de desejos dela e coloquei na agenda, pra comprar. A curiosidade, que matou um gato, me fez visitar a página dela e ver outros livros. No auge da minha viagem, achei um lá e pensei que era muito bacana. Anotei na minha listinha e fui cuidar da vida.

Calhou de estar em BH na semana em que comprei o presente. Comecei com alguns esmaltes vermelhos e um removedor Oceane. Daí, fui pra livraria. Foi quando eu percebi que tinha esquecido a agenda em casa. Mas não tem problema, pensei. Eu lembro do nome do último livro que anotei. Procurei nas prateleiras e não encontrei. Chamei uma vendedora e ela achou o livro lá no estoque, o último. Toda feliz, fui embora satisfeita.

Daí, uma pulga começou a pular na minha orelha. Eu sou a mãe da insegurança e resolvi olhar de novo a lista de desejos da Ju no Skoob. Primeiro sinal de alerta: o livro que eu comprei não estava lá. Procurei na outra lista e eis que acho ele lá, nos livros que ela tinha lido, e não nos desejados. Pânico inicial: comprei o livro errado! Suspiro profundo: eu ainda não tinha enviado o presente. Dava tempo de comprar outro. E lá fui eu de lista na mão procurar outro livro, dessa vez mais insegura ainda. Comprei Dexter no Escuro, que estava na lista e foi conferido por mim exaustivamente.

Exerci a minha porção DDA na escolha do livro, quando não prestei atenção à lista correta da Ju, e a minha versão TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), na verificação do livro no Skoob da Ju. Eu checava umas três vezes por dia se ela marcaria como "tenho".

O que fiz com o livro que comprei errado? Ainda nada. O Leo se apossou dele e só depois ele vem pra minha lista de leituras.

A biografia do Kurt Coubain

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Livro: Os diários secretos de Agatha Christie


Já falei um milhão de vezes que adoro as histórias da Agatha. Uma coisa que sempre me intrigou foi saber como era seu processo criativo. Com esse livro, pude conhecer um pouco mais de sua forma de trabalho.

De início, o livro traz uma inverdade. Os cadernos onde Agatha anotava ideias de enredo e começava a desenvolver seus textos não eram diários e, muito menos, secretos. Eram apenas cadernos aleatórios, alguns de estudos seus e de sua filha. Neles, ela soltava a imaginação, iniciando as tramas, escolhendo os suspeitos e os culpados, os detalhes que faziam suas histórias ferverem.

O autor, John Curran, é um canadense que, apaixonado pela obra de Agatha Christie, iniciou um contato com a família. Foi assim que, na casa onde a autora passou boa parte de sua vida, ele teve acesso aos cadernos, que foram numerados pela filha de Agatha, de forma aleatória. O livro traz, ainda, dois contos inéditos: A Captura de Cérbero, originalmente escrito para Os Trabalhos de Hércules e depois substituído por outro conto com o mesmo título; e O Incidente da Bola do Cachorro, embrião do livro Poirot Perde uma Cliente, o segundo livro dela que eu li.

O mais bacana do livro é poder observar que a autora realmente tinha uma mente criativa. Os vários temas de história listados por ela e que não foram utilizados mostram que, mesmo com a intensa produção que tinha, Agatha tinha poder para muito mais. Outra coisa legal era a forma como ela testava as tramas. Em listas "numeradas" alfabeticamente, ela desenvolvia subtemas, situações e personagens e depois, ao fazer seu texto, descartava o que julgava estar inapropriado e reorganizava as ideias.

Pra quem gosta de Agatha Christie, é ótimo.

Editora Leya
478 páginas

Réveillon

Não vejo muita graça em réveillon. Inicialmente, pelo menos motivo do Natal. Também porque tenho preguiça de algumas convenções sociais, tipo comemorar porque demos mais uma volta ao redor do sol. Acho engraçado que as pessoas em geral se sintam renovadas só porque o ano terminou e outro vai começar. Enfim...

Depois que o vovô morreu, o único réveillon que eu gostei foi o que passei com a família do Leo em Jataí, Goiás, a virada pra 2010. Adoro a família dele e aquela viagem foi perfeita. E lá mesmo ficou marcada a nova festa, dessa vez em BH. E foi ótimo. O segundo réveillon legal que passei.

A decoração, feita em conjunto
O que teve lá:
- uma família linda reunida. Com algumas faltas especiais...;
- muita comida boa durante todos os dias de festa;
- os tradicionais doces da D. Lídia;
- muito balão prateado;
- polichinelo, em homenagem ao Turene;
- criação, desenvolvimento, dissolução e retorno de uma dupla sertaneja de sucesso.

E teve quem:
- chegou mais cedo;
- ficou preso no aeroporto;
- chegou com um dia de atraso;
- largou a festa no meio para ir a um casamento;
- queria ensinar pra galera um jeito novo de chupar uva;
- estourou uma garrafa de champanhe antes da hora;
- pôs a culpa na Dilma;
- usou um colar estranho e ganhou um poder especial;
- abriu o presente alheio;
- levou pro quarto uma garrafa de uísque especial, quase no finzinho;
- fez uma aposta absurda comigo, perdeu e vai ter de mudar de nome.

Também teve o reencontro de gente que se gosta. E, finalmente, uma foto dos cinco mosqueteiros reunidos. Pena que dois deles tenham um enorme mau gosto em termos de futebol.

Leo, Lu, Breno, Bruno e eu.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Filme: A Troca

Changeling - 2008 (mais informações aqui)
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: J. Michael Straczynski
Elenco: Angelina Jolie, Colm Feore, Amy Ryan, John Malkovich

Clint Eastwood se propõe a contar uma história real do final da década de 1920. Para começar, a reconstituição, com os veículos, os hábitos e até mesmo as cores, é muito bonita. Os tons mais presentes são o marrom, o bege e o cinza. A cor marrom está sempre em volta de Christine Collins, especialmente em suas roupas. Ela é uma mãe solteira que, num sábado, ao voltar do trabalho, vê que seu filho desapareceu. Cinco meses depois, a polícia de Los Angeles entrega a ela uma criança e Christine se vê ás voltas com policiais e médicos que a querem convencer de que a criança é mesmo seu fiho.

É curioso notar que os rostos dos personagens principais ficam sempre com algo escondido, escuro. Christine Collins aparece constantemente com o chapéu enterrado na cabeça, tampando seus olhos. Quando sem chapéu, os cabelos cobrem o rosto, ou as sombras da fotografia. Até mesmo a sombra de uma persiana cobre seus olhos, quando conversa com o médico psiquiatra. Quando seus olhos aparecem, a maquiagem contribui para que eles fiquem escondidos, sob a sombra marrom um tanto carregada.

Angelina Jolie compõe uma Christine desesperada. Já que quase não vemos seus olhos, podemos perceber seu desespero pela composição corporal da personagem. Ao estar oprimida, ela se encolhe e seus ombros aparecem, como se ela, ao se fechar em sua concha, se defendesse. Suas mãos, também, ossudas, estão sempre na altura da cabeça nesses momentos. Assim, o espectador conhece o inferno que virou a vida de Christine depois do sumiço de Walter Collins.

É uma prostituta, presa no hospital psiquiátrico, quem revela uma das cruezas da vida: "Todo mundo sabe que as mulheres são frágeis. São só emoção e nenhuma lógica na cabeça (...) Se somos perturbadas, ninguém precisa nos ouvir".

Desejo para todos os anos

Tenho um monte de cds de música infantil. Quase todos do meu tempo: Arca de Noé 1 e 2, Casa de Brinquedos, Plunct-Plact-Zum, Saltimbancos, Saltimbancos Trapalhões, Os Trapalhões e o Mágico de Oróz. Junto, tenho uns mais moderninhos e tão legais quanto: Adriana Partimpim (o disco e o show), Pequeno Cidadão, Palavra Cantada. Escuto volta e meia.

Estava viajando pra BH, pra virada do ano, ouvindo o Saltimbancos, disco do Chico Buarque de 1977 e que é muito bacana. Dentre as músicas, tem A cidade ideal, que é quando os personagens, o Jumento, a Galinha, o Cachorro e a Gata começam a conversar sobre como imaginam que é uma cidade. E é a cidade ideal da música que eu queria pra mim, pra todos os anos. Como se fosse um desejo de ano novo.


A cidade ideal
Enriquez - Bardotti - Chico Buarque/1977
Para o musical infantil Os Saltimbancos 
 Cachorro: A cidade ideal dum cachorro
Tem um poste por metro quadrado
Não tem carro, não corro, não morro
E também nunca fico apertado
 Galinha: A cidade ideal da galinha
Tem as ruas cheias de minhoca
A barriga fica tão quentinha
Que transforma o milho em pipoca
 Crianças: Atenção porque nesta cidade
Corre-se a toda velocidade
E atenção que o negócio está preto
Restaurante assando galeto
 Todos: Mas não, mas não
O sonho é meu e eu sonho que
Deve ter alamedas verdes
A cidade dos meus amores
E, quem dera, os moradores
E o prefeito e os varredores
Fossem somente crianças
Deve ter alamedas verdes
A cidade dos meus amores
E, quem dera, os moradores
E o prefeito e os varredores
E os pintores e os vendedores
Fossem somente crianças
 Gata: A cidade ideal de uma gata
É um prato de tripa fresquinha
Tem sardinha num bonde de lata
Tem alcatra no final da linha
 Jumento: Jumento é velho, velho e sabido
E por isso já está prevenido
A cidade é uma estranha senhora
Que hoje sorri e amanhã te devora
 Crianças: Atenção que o jumento é sabido
É melhor ficar bem prevenido
E olha, gata, que a tua pelica
Vai virar uma bela cuíca
 Todos:Mas não, mas não
O sonho é meu e eu sonho que
Deve ter alamedas verdes
A cidade dos meus amores
E, quem dera, os moradores
E o prefeito e os varredores
Fossem somente crianças
Deve ter alamedas verdes
A cidade dos meus amores
E, quem dera, os moradores
E o prefeito e os varredores
E os pintores e os vendedores
As senhoras e os senhores
E os guardas e os inspetores
Fossem somente crianças



Eu sonho que fôssemos somente crianças.