segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Citações 12

De Nicolai Stiepánitc, do conto Uma história enfadonha, do livro O beijo e outras histórias, de Antón Tchékhov:


Ele [o teatro] tira ao país milhares de homens e mulheres jovens, sadios e talentosos, que, se não se devotassem ao teatro, poderiam ser bons médicos, plantadores de trigo, professores, oficiais do exército; ele tira ao público as horas do anoitecer, as melhores para o trabalho intelectual e as conversas amigas. Isso não se falando nos gastos em dinheiro e nos prejuízos morais que sofre o espectador, quando vê no palco o assassínio, o adultério ou a calúnia, tratados imporopriamente.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

No quintal

Lembro de uma goiabeira enorme no quintal aqui de casa. Enorme pra minha idade, eu tinha seis anos quando me mudei pra BH. E quando eu tinha uns 10 anos, resolveram cortar a goiabeira e cimentar o fundo do quintal.

Não sei se fizeram mal feito ou se goiabeiras são muito fortes. O fato é que uns anos depois, sete arbustos nasceram, furando o cimento. Não sei quantas estão lá hoje. Só sei que dá bastante goiaba. Nessa época do ano, é comum aparecerem pessoas aqui em casa pedindo pra pegar goiabas. São todas bem-vindas, a gente nunca negou.

Daí que eu fui lá no fundo do quintal ver as goiabas. Olha só:






Lá no fundo, depois da goiabeira, tem uma tamareira também. Mas depois eu conto a história dela.

Livro: Máquina de Pinball


Escrito em 2001 e publicado no ano seguinte, Máquina de Pinball é o romance e estreia da gaúcha Clara Averbuck.O prefácio foi assinado por Antônio Abujamra e é bastante elogioso ao estilo da autora.

O livro contém a narração de parte da vida de Camila, uma gaúcha que vive em São Paulo, abandonou a faculdade de jornalismo, está desempregada, sem dinheiro, com um namoro recém-acabado e um desejo sexual latente. Entre idas e vindas, ela vai contando suas resoluções para toda vida. A escita é visceral, Camila é intensa, forte, determinada, decidida e indecisa.Um vulcão em erupção, partindo para a vida adulta mas carregando ainda a vivacidade inconsequente da adolescência. Assim, ela consegue sobreviver sem ter um trabalho, sendo sustentada pelos pais, à medida que tenta, desesperadamente, ser independente.

Ácida, Camila também critica quase tudo e quase todos à sua volta. Sua fidelidade é apenas ao gato, Julian, que, segundo ela, salvou sua vida. Entre suas críticas, há uma interessante, apesar de ser um pouco lugar-comum: "Brasileiros também são neuróticos, mas não com incêndios ou bombas ou terroristas ou estrangeiros. A neurose é chegar primeiro, pegar o melhor lugar, ultrapassar a qualquer preço no trânsito, furar a fila, sentar na janela, chegar antes. Neurose de não ser passado pra trás, em todos os sentidos."

A bebida é uma constante e Camila conta que sempre dá tudo errado quando ela bebe. Porque Mariela, a imbecil que mora nela, aflora e coloca muita coisa a perder. Há tantas Marielas por aí, né?

O que me fez sorrir, por causa de um comentário de uma amiga, foi quando Camila diz que sempre levanta a sobrancelha direita quando sente algum tipo de desprezo e sempre levanta a sobrancela esquerda quando está interessada.

O livro é bacaninha, é bem divertido e, por ser visceral, faz a gente grudar. Como ele é pequeno (são cerca de 80 páginas), a leitura é bem rápida. Vale a pena.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Livro: Jardim de Inverno


Este é o terceiro livro da Zélia Gattai que eu leio. É leve, como os outros dois, e traz histórias muito bacanas de sua vida. Ela é uma boa memorialista. O livro se passa após os dois anos de exílio dela de Jorge Amado, com o filho João Jorge, na França. O início é a chegada à então Tchecoslováquia, após serem expulsos da França.

Zélia conta como foram os anos em que ela e Jorge vivem em um castelo, na cidade de Dobris, aprendendo a lidar com os thecos e as tradições locais - por exemplo, o açoite das mulheres na primavera, e também com as questões mais duras dos regimes socialistas - as decisões eram do partido e ela e o marido não concordavam 100% com isso.

O escritor Jorge Amado tinha uma vida social bem movimentada. Zélia mostra como era a vida em meio a tantas pessoas envolvidas com o Movimento Mundial da Paz, tantas personalidades do mundo pós-Segunda Guerra, como o poeta Pablo Neruda. Seu esforço, como ela mesmo afirma, é mostra um pouco dessas personalidades entre amigos.

As partes mais interessantes do livro são quando ela conta dos costumes tanto da Tchecoslováquia quanto dos outros países por onde passou (Rússia, Mongólia e China, principalmente). Porém, este livro não é tão interessante quanto Um chapéu para viagem. No final da narrativa, fiquei um pouco cansada das aventuras do casal em uma viagem pela Ásia, deu vontade de pular páginas. O melhor dela, com certeza, é Anarquistas, graças a Deus. Não sei se tenho mais vontade de ler outros livros dela.

Receitinha de sábado 2

Este foi o segundo sábado sem a nova-moça-que-trabalha-lá-em-casa, a Aline. E eu resolvi voltar a visitar aquele cômodo da casa que tem fogão e geladeira e fazer o almoço. Um nada convenvional, diga-se. Fui fazer cachorro quente. Mas não um convencional. Eu pus a mão na massa... A receita é antiga, de família. Vovó costumava fazer para levar aos encontros da Lareira de Nazaré, um grupo solidário de senhoras aqui de OP. E minha mãe fazia pros lanches de vez em quando. Vamos a ela:

Ingredientes:




1 xícara de leite morno
2 ovos
3 colheres (sopa) de margarina
2 colheres (sopa) de açúcar
um pouco de sal
farinha de trigo até dar o ponto
30 g de fermento biológico


Antes de tudo, que raio de "um pouco de sal" é esse? Que medida é "um pouco"? E que diabo é esse "até dar o ponto"? Enfim... coloquei na receita o tal "um pouco" de sal e descobri qual é o ponto, mostro depois.

A lenda do fermento biológico
Aquí em OP é praticamente impossível achar o fermento biológico. Demos sorte. A Aline conseguiu achar na mercearia do Seu Chico, depois de eu ter ligado pra quase todas as padarias da cidade. Duas delas, a Panini e a Panart vendem o fermento, mas com a quantidade mínima de 500g. E na padaria do Dico vendem a quantidade que o cliente quiser.

Modo de fazer:
O primeiro passo é dissolver o fermento biológico no leite morno.

Fermento no leite. O cheiro é tão bom... lembra tanta coisa boa...
Depois de dissolvido, acrescenta-se os outros ingredientes, exceto a farinha. Eu pulei a parte do açúcar. A farinha é acrescentada aos poucos, até "dar o ponto". O ponto em questão é a massa não grudar mais nas mãos.

Primeira "mão" de farinha de trigo

Massa pronta
Nessa hora, entra a "macumba da cozinha", como diz o Leo. Essa massa precisa ficar uns 30 minutos descansando. Ela vai crescer, porque o fermento vai agir. Um jeito de ver se a massa está boa é separar uma bolinha dela e colocar num copo de água. Quando (e se) a bolinha subir, a massa está no ponto.

Bolinha diz que a massa está no ponto

Já no jeito!
Enquanto a massa cresce, é hora de fazer o molho. A receita diz:  "faça um molho de tomate, acrescente uma colher se maisena dissolvida em um pouco de leite, deixe ferver um pouco e coloque salsichas picadinhas. Não colocar nem muito quente nem muito mole". Anham, Cláudia, senta lá! Receitas da minha família são super sem pé nem cabeça...

Usei uma lata de Tarantela, coloquei a tal maisena dissolvida na água e acrescentei 5 salsichas (Hot Dog Sadia), ferventadas e picadas.

A receita original também diz para fazer paezinhos e rechear com as salsichas. Mas PQP, essa massa é mole demais pra se fazer pão... eu bem que tentei. Daí, resolvi forrar um tabuleiro com a massa e colocar o recheio por cima. Ficou assim:


Pronto pro forno
Colocar em forno pré-aquecido. Na receita não fala por quanto tempo. No meu forno deu 15 minutos. Vi que estava pronto usando a técnica de fincar com o garfo. Se o garfo sair sujo de massa, ainda não está bom. Se sair limpo, tá no ponto.

Alguém tá servido?

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Quase carnaval

Semana que vem é carnaval. Ouro Preto já começou a se preparar pra receber os 30 mil "foliões" previstos este ano. Este ano, a decoração foi feita exclusivamente por pessoas dda cidade, artistas e artesãos, utilizando materiais típicos, como a taquara e fazendo uma homenagem aos bonecos do Zé Pereira. Tem mais informações sobre a decoração aqui.

Ano passado, a decoração ficou muito bacana. Pelo menos, as tiras de tecido colocadas entre as casas. Este ano, as tiras são de plástico. Ficou mais colorido, dá um barulhinho super agradável quando venta e, quando tem sol, faz uma sobra linda no chão. Ainda não foram colocadas as cabeças nem as lanternas de taquara. Mas está muito lindo.

Decoração de 2010, com tecido
Agora, com plástico e num dia ensolarado

Da janela do Passo

Na rua São José

A sombra colorida no chão

Uma coisa ruim no carnaval é que vem tanta gente mais doida que o Batman pra cá que é preciso tomar algumas providências. Uma delas é espalhar banheiros químicos por todo canto, mas isso não adianta muito. Todo mundo faz xixi na rua, um inferno fedorento. E houve um ano em que fui acordada por um barulhão... um bando de malucos tinha virado um banheiro químico e rolava o dito na rua. Suuuuper higiênico. E bem na minha porta!

Outra medida é fechar as pontes da cidade. Porque sim, tem malucos que vêm pra cá e, além de jogar coisas (em especial latas de cerveja) das pontes, resolvem pular ou então jogar outras pessoas. Sério, isso já aconteceu outras vezes. A Prefeitura coloca um alambrado de proteção, forrado com tela de galinheiro. Fica horroroso. E é horrível ter de necessitar disso por causa da loucura alheia.

Ainda sem a tela de galinheiro
Triste ter esse tipo de coisa. Também é triste ver como as pessoas que vêm pra cá não têm o menor cuidado com a cidade. Quando eu volto pra cá, na quarta-feira de cinzas, é difícil até respirar, devido ao cheiro que os "foliões" deixam. Enfim, educação não é mesmo pra qualquer um.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Convergência

A enxaqueca é uma coisa que me acompanha desde criança. Não lembro exatamente da minha primeira dor, mas lembro de como ela era resolvida. Eu ia dormir na cama da minha mãe, no quarto totalmente escuro, usando o travesseiro dela. Quando acordava, a dor tinha passado. Eu associava a "cura" ao travesseiro dela.

Daí que sempre foi uma correria em vários médicos pra descobrir a causa da dor. Nisso, descobri uma leve escoliose e um problema de visão. O oftalmo em questão, que será carinhosamente chamado de Dr. X. Ele disse que eu, então com 8 anos de idade, tinha astigmatismo oblíquo, que este tipo era o mais grave e dava uma dor de cabeça monstra. E lá fui eu usar óculos.

Acabou que o Dr. X. se mudou para outra cidade e eu tive de mudar de oftalmo. A Dra. Y. confirmou o diagnóstico e, ao longo dos oito anos em que fui sua paciente, foi aumentando aos poucos o grau, até chegar ao ponto de eu sentir dor de cabeça ao tirar os óculos. Então ela me recomendou o uso de lentes de contato. Na época, as lentes indicadas pra astigmatismo eram de silicone, duras feito a peste. A adaptação foi difícil, mas depois foi uma maravilha.

Então, na mudança do plano de saúde, troquei a Dra. Y pela Dra. Jaqueline. Foi quando eu descobri que não tinha NADA de errado comigo. Não tinha astigmatismo nenhum, muito menos oblíquo. Não tinha miopia nem hipermetropia, nem presbiopia, nem glaucoma, nem ceratocone. NA-DA. E a dor de cabeça? Era de qualquer coisa, menos da vista (anos depois, descobri que era fibromialgia). Ou seja, durante oito anos eu usei óculos sem precisar.

Mesmo assim, continuo sem enxergar direito. Porque meu músculo ocular é fraco. A Dra. Jaqueline já tinha me dito isso, e agora recebi o mesmo diagnóstico da Dra. Olga. O que fazer para melhorar  de vez ou diminuir o problema? Musculação! Ou exercícios de convergência.

São, basicamente, dois exercícios:

O cartão mais temido
O primeiro é com esse cartão aí de cima. De um lado, as bolinhas são azuis, do outro são vermelhas. Para fazer o exercício, basta colocar o cartão mo meio do nariz, com a bolinha menor mais perto do rosto. E aí, dar uma de zarolha e juntas as bolinhas azuis com as vermelhas, primeiro a grandona, depois a média e por último a pequena. É um saco! Meu cartão fica dentro da agenda e eu quase nunca lembro de usá-lo.

O outro exercício pode ser feito com a ponta de uma caneta ou desenhando com caneta uma bolinha na ponta de um dedo. Posiciona-se o objeto (ou o dedo) um pouco longe do rosto e, ao aproximá-lo, é preciso dar uma de zarolha e enxergar sempre ou uma ponta de caneta ou uma bolinha desenhada no dedo. Também é muito chato.

Dá preguiça fazer os dois exercícios. Dá vergonha não reconhecer os outros. Não sei o que é pior.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Filme: O besouro verde

The green hornet - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Michael Gondry
Roteiro: Seth Rogen, Evan Goldberg
Elenco: Seth Rogen, Jay Chou, Christoph Waltz, Cameron Diaz.

Depois de dois filmes que eu gostei muito (Brilho eterno de uma mente sem lembranças e Rebobine, por favor), criei uma boa expectativa para ver O besouro verde. E foi aí que tudo deu errado. Primeiro porque são raras as obras com super-heróis que eu gosto (exceção para o primeiro Batman e para Batman - O cavaleiro das trevas).

O milionário (sempre um milionário, né?) Britt Reid é filho de um magnata da imprensa de Los Angeles que vive na farra e tem um enorme ressentimento do pai, porque este quebrou seu boneco de super-herói quando Britt ainda era uma criança. Quando o pai morre por uma picada de abelha, Britt precisa tocar o império do pai, puxado pelo jornal Sentinela Diário. Numa crise de criança mimadinha, o rapaz acaba conhecendo Kato, empregado do pai, exímio inventor e especialista em artes marciais.

Na série de TV da década de 1960, Kato era interpretado por Bruce Lee. E o filme faz algumas homenagens ao ator, em especial quando vemos o caderno de projetos de Kato, com o desenho de Lee. Há outras referências no filme, como Robocop, quando Kato identifica, assim como o policial robô, as armas e os perigos que pode enfrentar nos adversários de luta; o próprio Batman, com o carro que lembra o antigo Batmóvel, o veículo de Dick Vigarista e até Ben-hur, na corrida de bigas. Matrix, com suas cenas lentas e cheias de detalhes, também é referência aqui, quando Kato luta com os inimigos.

Britt é caracterizado como o bobão maior, com um ego absurdo e mimado como um bebê de três anos de idade. Enquanto Kato fala com ele que nasceu em Xangai, Britt se anima e diz que adora o Japão! Além de não dar uma dentro, o personagem é muito chato. Sua imbecildade é tanta que ele chega a atirar em seu próprio rosto com a arma criada por Kato. E, ao acordar, 11 dias depois, resolve se vingar e atira no próprio companheiro. Além disso, dimimui Kato o tempo todo. Mesmo assim, dá pra dar um sorrisinho amarelo quando ele diz a Kato que é o patrão, que ele é Simon e Kato é Garfunkel, que ele é Scooby e Kato é Doo. A personagem de Cameron Diaz parece perdida no roteiro. Ela estudou jornalismo e criminologia, mas acaba como secretária substituta. Faz sentido? A atriz que tem feito uma série de filmes nada-a-ver. Este é só mais um para seu currículo.

Kato, com suas habilidades, consegue salvar um pouco do roteiro. Mas só um pouco... inexplicavelmente, Lenore, personagem de Cameron Diaz, aparece já brigada com Britt e Kato, dizendo que odeia suas mentiras. O problema é que ela ainda nem sabe que os dois são o Besouro Verde e seu ajudante. Em outra cena surreal, Kato não pode se mexer porque está com a perna presa em uma parede caída e com a arma do vilão, Chudnofsky, apontada para seu rosto. Dois segundos depois, inexplicavelmente ele consegue sair de debaixo da parede e ainda acertar um chute que desarma o vilão. Ok, histórias de super-heróis são fantasiosas. Mas o espectador não é burro e vai construir uma imagem - ou desculpa - para cada falha do roteiro. Também não faz o menor sentido a conversa em que Britt e Kato decidem que o Besouro Verde será um super-herói, mas se apresentará como uma pessoa má.

Na montagem, a parte que ligaria a cena de ação final às anteriores é feita com a tela sendo dividida em várias pequenas ações. Se a intenção era deixar essa parte dinâmica e fazer referência aos HQ's, não adiantou. A cena ficou lenta e incompreensível, já que dela participam mais figurantes que atores.

Entre um pen-drive em forma de sushi (num restaurante chinês), um carro que vai em cima de uma rotativa (e não danifica a máquina gráfica), entra em um elevador, é cortado ao meio e ainda anda... e Britt passando, milagrosamente, a enxergar os inimigos como Kato, identificando armas e perigos, acredito que nem na Sessão da Tarde o filme renderia alguma coisa. Melhor deixar de lado.

Inicial

Porque tudo tem um início.

Flávia, Válter, Daniela, Ana Paula, eu e Leo

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Meninô!

Ontem eu recebi a notícia: vem um meninão por aí. Adorei! Eu acho meninos muito mais divertidos. Meninas têm a tendência de ser nhem-nhem-nhem e eu não tenho paciência pra frescurinhas.

Fui comentar isso com minha sogra e ela logo me perguntou se eu não tinha sido menininha também. Foi assim que eu lembrei de uma parte bem legal da minha infância.

Não sei o motivo, já comentei aqui antes, mas sempre pendi mais pro lado masculino. Nas roupas, nas brincadeiras, em quase tudo. Minhas amigas da escola, assim como minha irmã e minha vizinha, adoravam brincar de boneca. Eu brincava com elas porque brincar era sempre bom, mas preferia a bicicleta. E a bola.

Eu ainda morava em Ouro Preto e na casa ao lado moravam o Seu Geraldo e a Dona Tita, com um montão de netos. Não me lembro de todos eles, mas brincamos muito juntos. A Laura gostava tanto dos garotos da D. Tita que tinha dois amigos invisíveis, a Viviane e o Marcelo, nomes de dois dos netos dela. E eu era apaixonada pelo Luciano. No bom sentido, claro, porque eu não tinha idade pra me apaixonar de verdade por ninguém.

O Luciano é afilhado da Tia Ylza e sempre esteve próximo. Ele morava em Araxá e vinha para a casa da avó em determinadas épocas do ano. Eu não me lembro, mas acredito que ele deve ter me dado muita atenção. E foi assim que eu fiquei chateadíssima quando ele voltou para a cidade dele. E um jeito de ter ele por perto era brincar com a Tia Leda. Nós brincávamos de Araxá, que era debaixo da cama do Paulo. E eu dizia pra Tia Leda: "Eu sou Luciano. Me-ni-nô!"

Meninos são muito mais legais.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Livro: Moça com brinco de pérola


Em 2005, uma pessoa de quem gosto muito me disse que o filme Moça com brinco de pérola era uma pintura. Fiquei com vontade de ver, mas demorou um tempão pra isso acontecer. E só agora consegui ler o livro. Tracy Chevalier, a autora, é apaixonada pelo pintor Vermeer, autor da pintura homônima e de mais outros 34 quadros.

Tracy traz no romance uma possível história da moça da pintura. Ela é Griet, contratada para ser criada na casa do pintor. Seu pai é um azulejista que ficou cego no trabalho e recebe apoio da guilda, que consegue o emprego para Griet. O salário que ela recebe vai integralmente para o sustento da família.

Entre as roupas que lava, passa e guarda, visitas ao mercado de carnes, costuras e cuidados com as filhas da patroa, Griet tem como tarefa  limpar o ateliê do pintor. Limpar sem tirar nada do lugar. Ela é cuidadosa, desenvolve uma técnica de retirar os objetos e colocá-los exatamente onde estavam. E é assim que passa a admirar o trabalho de Vermeer e também desenvolve uma adoração pelo pintor.

A relação de Griet com Vermeer vai crescendo. Ela passa a ser assistente do pintor, preparando e lavando as tintas. Ao mesmo tempo, também vê sua relação com Pieter, o filho do açougueiro, mudar. Dividida entre os dois, Griet ainda tem de enfrentar Catharina, a esposa ciumenta do pintor, uma das filhas dele, Cornélia, que se diverte em colocar a moça em situações difíceis junto a sua família e van Ruijven, o mecenas de Vermeer, que a assedia constantemente.

O romance é bonitinho mas - ó céus - o filme é melhor.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Receita de sábado

Primeiro sábado sem a moça-que-trabalha-lá-em-casa. Tive bicho-carpinteiro e resolvi fazer um bolo gelado, receita da minha amiga Marília e muito fácil de fazer. Tive a ajuda do Leo, especialmente na hora das claras em necve. Vamos à receita:

Bolo Gelado da Marília


Ingredientes para o bolo
1 ½ xícara (chá) de açúcar - eu coloquei uma só, para não ficar muito doce.
1 xícara (chá) de maizena
1 xícara (chá) de margarina
3 gemas
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 xícara (chá) de leite
3 claras
1 pitada de sal


3 gemas

Maisena, açúcas, farinha de trigo (adoro o cheiro de farinha) e margarina

Fermento - uma tampinha cheia equivale a uma colhar (sopa)

3 claras

Modo de preparo
Bata o açúcar com a margarina. Junte as gemas e bata até ficar cremoso. Acrescente a maizena, a farinha e o fermento, peneirados juntos, alternando com o leite.

Mistura dos ingredientes

Fica assim, um tanto pesadinho

Misture devagar e junte as claras batidas em neve e o sal.

Leo batendo as claras

Quase pronto


Claras em neve misturadas à massa

Fica assim, bem mais levinho
Despeje em um tabuleiro médio, previamente untado e polvilhado.


Tabuleiro untado e polvilhado com farinha de trigo

Massa no tabuleiro

Assar em forno moderado por 25 a 30 minutos. Não desenformar o bolo.


Fica assim, depois do forno

Para a cobertura

1 lata de leite condensado
A mesma medida de leite comum
1 vidro de leite de coco
Coco ralado

Misture o leite condensado, o de coco e o comum. Fure todo o bolo com um garfo, depois de assado.


Furadinho
Despeje a mistura uniformemente sobre todo o bolo, polvilhe com o coco ralado e deixe gelar por três a quatro horas.

Colocando a cobertura no bolo

Fica assim

Daí é só colocar coco ralado em cima e por na geladeira
A parte de esperar 3 a 4 horas é a mais difícil. Eu sou péssima na cozinha, mas a-do-ro fazer essas coisas. E fica muito bom!

Filme: Bravura Indômita

True Grit - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Ethan Coen, Joel Coen
Roteiro: Joel Coen, Ethan Coen, Charles Portis (autor do livro)
Elenco: Jeff Bridges, Hailee Steinfield, Matt Damon, Josh Brolin

Filmes de western vivem em baixa e volta e meia aparece um que resgata o gênero. Em minha vida de amante do cinema, o mais marcante dos resgates foi com Os Imperdoáveis, de Clint Eastwood. É o que também acontece com Bravura Indômita, dos Irmãos Coen. Não é uma refilmagem do clássico com John Wayne, mas uma nova adaptação do livro homômino.

A cores do oeste americano estão presentes. A paleta é composta por tons áridos, cinzas e secos. Mesmo a neve que cai em uma cena é acinzentada, turva. A única cor quente que aparece é o laranja, nos rostos iluminados por fogueiras, mas mesmo assim, com todo o restante da cena envolto em trevas.

Mattie, a protagonista, é uma garota de 14 anos forte, incisiva, insistente e até petulante que busca vingar a morte do pai. Para isso, contrata Rooster Cogburn, um caçador de bandidos e segue com ele e com o Texas Ranger LaBoeuf para capturar o assassino Tom Chaney. A garota dá uma bela volta no comerciante para quem seu pai vendeu pôneis e cavalos. Na conversa, convence Cogburn a perseguir Chaney e corre atrás do "empregado", já que quer acompanhar todo o trabalho. Seu sobretudo e seu chapéu lembram que uma mulher adulta já habita aquele corpo pequeno. E as tranças nos avisam que ali ainda está uma criança.

Cogburn consegue ser irônico, chato, contraditório e adorável ao mesmo tempo. Ao contar sua vida a Mattie, discutir com LaBoeuf e cantar, parece uma pessoa de difícil convivência, irritante. Parece um monólogo com um terapeuta freudiano radical. E é com esse jeito meio irritante que ele consegue criar laços com os dois companheiros de jornada.

O dedo dos Irmãos Coen fica bem visível em algumas cenas, em especial nas que retratam os índios - personagens marginais, maltratados e subjugados no filme. E nas tiradas de Cogburn, por exemplo, quando Mattie reclama um enterro digno para dois bandoleiros: "Se queriam um enterro digno, que morressem no verão", fuzila.

Realmente, mais um bom filme para levantar - outra vez - o western.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Mais um

Tia Ylza não para a produção de roupinhas infantis. Segundo ela, trabalhar com o tricô a faz manter a cabeça ocupada. Sem o trabalho, ela lembra muito da Tia Leda e sofre bastante. É o luto dela, mesmo que durando quase quatro anos, é a forma que ela supera a ausência da irmã.

O casaquinho que aqui estava incompleto já foi finalizado e ganhou sapatinhos. E já tem destino certo: a neta de um amigo do Paulo, que vai nascer em breve.


E já vem mais sapatinhos por aí:

Três novos modelos

Enquanto isso, ela e eu ficamos esperando o ultrasson da Fabi, pra sabermos quais serão os do(a) meu(minha) mais novo(a) sobrinho(a).

Filme: Tropa de Elite 2

Tropa de Elite 2 - O inimigo agora é outro - 2010 (mais informações aqui)
Direção: José Padilha
Roteiro: José Padilha, Bráulio Mantovani e Rodrigo Pimentel
Elenco: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro

Tropa de Elite foi um soco no estômago. Pelo tema, pelo argumento, pelo roteiro, pela direção, pelas atuações. O filme ganhou o Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim, em 2008. A continuação da vida do Capitão Nascimento começa com uma homenagem ao primeiro filme. Nos créditos iniciais são mostradas imagens marcantes do filme anterior.

O contraponto do Capitão Nascimento é Fraga, militante dos direitos humanos e atual marido de Rosane, ex-esposa de Nascimento. E é em uma rebelião em Bangu I que o capitão perde o cargo, devido a uma ação violenta de seus comandados. Ele deixa o batalhão e assume um cargo burocrático na Secretaria de Segurança Pública.

A dificuldade do capitão com a nova função é evidente. Desde a dificuldade em dar o nó na gravata até a postura do ator. No primeiro filme, o capitão estava sempre com a postura reta. Agora, de terno e no escritório, está sempre curvado, a cabeça sempre apontada para baixo. Mesmo assim, foi nesse trabalho atrás de uma mesa que o Coronel conseguiu transformar o Bope numa máquina de guerra, com investimentos, pessoal e equipamentos. Paralelamente, o filme mostra como a nova situação do Bope favoreceu o surgimento das milícias policiais, que passaram a assombrar as comunidades do Rio. "Milícia é máfia. Você paga para ela te proteger dela mesma", explica Nascimento.

A obra é crua e direta ao tratar da corrupção e da violência policial e política. A edição de som contribui para criar a tensão proposta: tiros, respiração ofegante, passos, manuseio de armas. A câmera, especialmente nos momentos de operações, não está fixa. Está inquieta, trazendo o espectador para dentro da ação, para o contexto do filme.  E é ali, dentro da ação que o espectador acompanha  a escalada de violência, o sumiço da ética, o desprezo à vida em um grau que, ao mesmo tempo em que é bem comum para quem acompanha o noticiário nacional, é absurdamente cruel e dolorosa. Como no primeiro filme, os métodos de tortura de traficantes e milicianos é grotesco, brutal.

Se o primeiro filme foi um soco no estômago, Tropa de Elite 2 é um soco no rosto, daqueles que arrancam sangue.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

De longe

Um dia, no meio de 2010, a Wal avisou que ia embora. Veio falar comigo, nós conversamos muito. Ela não se despediu, pra gente não chorar. Eu acho que ela choraria mais do que eu. No começo, eu fiquei preocupada. A Wal é mais velha que eu, mas é tão doidona que eu tenho uma desconfiança de que seria a irmã mais velha dela, de alguma forma.

Ela bateu asas pra Itália. Primeiro, passeou por vários lugares da Europa e me mandou um postal da França, de uma cidadezinha linda. Esta semana chegou um outro postal, desta vez de Verona, a cidade onde ela mora. Verona é aquela eternizada por Shakespeare em Romeu e Julieta e, diz a lenda, que para ser feliz, estando lá, é necessário tocar os peitos da estátua de Julieta. A Wal tem uma foto muito engraçada dela assim, pegando na Julieta. E outras fotos lindas, porque Verona é show.

Desta vez, o postal não foi pra mim, foi pra vovó. Meu nome tá lá (junto com o do Leo e o Paulo), junto a desejos de um ano bom. Nós continuamos conversando muito pelo MSN e ela ligou pra vovó outro dia - vovó ficou numa felicidade sem fim. É bacana ver que, mesmo lá, do outro lado do mundo, a Wal lembra sempre de nós, como aqui lembramos dela. E melhor ainda saber que, em Verona, tem uma casa lindona que um dia vai me receber, com o Leo, para explorar aquela cidade linda.

Bjo, Wal!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Desafio Literário - Fevereiro: Um chapéu para viagem


Um chapéu para viagem foi um presente de Zélia Gattai ao marido, Jorge Amado, por ocasião de seus 70 anos. Ela já havia escrito Anarquistas, graças a Deus, em que conta a história de sua família italiana e seus primeiros anos de vida em São Paulo, em meio ao pensamentos anarquistas. Como acontece com Anarquistas, Um chapéu para viagem é um livro de leitura rápida e agradável.

Ele começa em 1945, quando Zélia e Jorge se mudam de São Paulo para o Rio de Janeiro. Jorge vai assumir a cadeira na Câmara dos Deputados na então capital federal, após a queda do regime do Estado Novo. Zélia conta como conheceu Jorge Amado e como começou o romance dos dois, como foi a mudança, a vida agitada pela política e pela cultura, os amigos e as histórias da família. O destaque é D. Eulália, a Lalu, mãe de Jorge, que adorava pegar no pé de Zélia, mas tinha por ela um enorme carinho.

O estilo de Zélia Gattai é bem leve. Ela narra as histórias como se conversasse com o interlocutor, como se fosse um bom papo na sala de casa. Por isso, a leitura flui rapidamente (eu li o livro em dois dias). A autora é considerada uma boa memorialista, pela sua facilidade em resgatar as histórias vividas e colocá-las no papel de forma tão sutil.

A história termina quando ela embarca, em 1948, para a Europa, levando nos braços o pequeno João Jorge. A história de sua vida com Jorge Amado no exílio continua no livro Jardim de inverno.

A batalha da moça-que-trabalha-lá-em-casa

Esses dias, passamos pela mudança da moça-que-trabalha-lá-em-casa. A Rita, que ficou conosco por quase sete anos, pediu pra sair. E como a vovó não gosta de ficar sem alguém lá, começamos a correr atrás de uma pessoa que, além de trabalho de limpeza, tivesse o dom de cozinhar.

Vovó foi criada em fazenda. Por isso, se acostumou a ter muita comida em casa. O almoço, sempre fresquinho, pães, bolos ou biscoitos também fresquinhos pra oferecer pra visitas. O pavor da vovó é ficar sem alguém na cozinha lá de casa. Como se ela deixasse de ser um boa anfitriã se levar visitantes pra almoçar no melhor restaurante da cidade. É o jeito dela, e a gente não muda o pensamento de alguém com 92 anos e meio de idade.

Por outro lado, há 10 anos eu deixei a casa dos meus pais e passei a me virar sozinha. Meu apartamento em BH era pequeno e era minha responsabilidade. Durante o tempo em que vivi lá, cuidei dele sozinha, sem empregada ou diarista. E curti cada momento. Como eu trabalhava o dia inteiro e ia pra pós-graduação à noite, só me restava o sábado pra arrumar tudo. E em uma manhã eu dava aquela faxina na casa. Não fazia almoço lá, no máximo um miojo na hora em que a fome apertava e a preguiça não me deixava sair pra comer em outro lugar. Foi lá que eu aprendi que não tem trabalho de casa que eu não faça. E faço com gosto. Gosto mesmo de arrumar a casa, colocar tudo em ordem, sentir aquele cheiro de limpeza.

E é por isso que eu não me preocupei muito em correr atrás de uma empregada nova pra vovó. Porque, pra mim, se a gente não achasse ninguém, eu buscaria o almoço no restaurante mais próximo, faria com o Leo alguma coisa pra complementar a comida também e cuidaria da limpeza da casa sozinha, com o auxílio de uma diarista uma vez por semana ou a cada 15 dias. Mas vovó não aceitou essa proposta. E ontem a Aline, a nova moça-que-trabalha-lá-em-casa, chegou. Com uma qualidade que vovó adorou: ela gosta de cozinhar.

O debate sobre uma nova pessoa pra trabalhar lá em casa me fez pensar em tanta gente que tem por aí que tem nojinho de cuidar da casa. Um dia uma pessoa me disse que é humilhante limpar banheiro, que é nojento. Aí eu perguntei se ela ia ao banheiro e contribuía pra deixar ele nojento. E há quem tenha nojo até de varrer, de lavar, de limpar (eu escuto cada absurdo por aí...). Nojo de sujar ninguém tem, né?

Está cheio de mães e pais que não preparam os filhos (não só as filhas) pra enfrentar uma casa. Meus pais fizeram o tradicional: minha irmã e eu aprendemos desde cedo a fazer tarefas domésticas - começamos pequenas arrumando as camas, depois pegamos coisas mais complexas. Eu só não aprendi a cozinhar, que o dom foi todo pra Laura. Meus irmãos não faziam nada. Nem tiravam os pratos e talheres que usavam da mesa pra pia da cozinha. Um deles foi aprender a se virar sozinho quando foi pro exército. O outro, não sei se sabe em que lado da casa fica a cozinha.

O Leo também não foi criado sabendo onde fica a cozinha. Isso me incomodava um pouco nele. Porém, quando ia pro meu apartamento em BH ou pra casa em OP, ele começou a ajudar. Não faz muita coisa, mas aprendeu a arrumar cozinha, lavar e passar roupa, fazer uma arrumação geral na casa. O banheiro ainda é território que ele não arrisca, mas sei que, na necessidade, ele vai se virar. Me anima muito saber que posso sempre contar com ele pra dividir as tarefas de casa. E que ele faz tudo sem reclamar, como um bom companheiro, sem que eu precise pedir.

Daí que hoje encontro dois textos bem legais na net. Um é uma reportagem da Folha de S. Paulo sobre a dificuldade de encontrar aquela empregada tradicional nos grandes centros urbanos e a necessidade da mudança de hábitos das famílias. Acesse aqui. A outra é de um blog feminista e reflete sobre o trabalho doméstico com um pouco mais de profundidade, encarando a questão do subemprego. Acesse aqui.

Em tempo: a Aline tem uma filhinha de seis meses, que fica na creche durante o período de trabalho. Por causa disso, a jornada dela é menor - ela trabalha de segunda a sexta. Sem prejuízo pra ela, pra filha dela e pra vovó. E eu digo "moça-que-trabalha-lá-em-casa" porque não me sinto à vontade para dizer "empregada doméstica" nem "secretária do lar".

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Segundo round

Voltamos ao cinema com a turma do curso de Teoria, Linguagem e Crítica de Cinema. O filme da vez foi Cisne Negro, que concorre a várias categorias no Oscar, no Cineart do Shopping Boulevard. É ótimo, vazio e confortável, apesar do isolamento acústico não ser perfeito. E o bar da vez foi o Bolão, tradicional de BH.


Rafaela e Alex, eu e Leo, Daniel, Fabrício, Bernardo e Emanuel
A terceira sessão já está marcada.

Filme: Cisne Negro

Black Swan - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Mark Heyman, Andres  Heinz
Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel

Pés de bailarinas em ponta são constantes no filme, assim como sapatilhas sendo quebradas, arranhadas no solado, passadas no pó que dará mais atrito com o solo do palco. O mundo das moças magérrimas fazendo aquecimentos em barras e repetindo passos ao som de um piano, com cabelos presos em coques e saiotes de frufrus, aqui, mascara um ambiente extremamente competitivo, que serve ser impulso aos delírios de Nina. A jovem, de 28 anos, é infantilizada pelo corpo, ornado e seco pela dança, e pela mãe, que a trata como uma criança incapaz.

Nina quer ser a estrela de uma companhia que começa a ficar decadente. Assim, participa da seleção para a Rainha Cisne, do ballet O lago dos cisnes. Terá de interpretar dois personagens, o cisne branco, pura candura, e o cisne negro, turbilhão de emoções. Ela tem habilidade com o lado cândido e em dificuldades com o irmão negro.

A vontade de ser a melhor leva Nina a situações complexas. Em todo o tempo de projeção, ela está à volta com espelhos e objetos que refletem sua obsessão. A mãe, uma bailarina que deixou a carreira quando engravidou, parece jogar na cada de Nina que precisa de seu sucesso. Seus cabelos estão constantemente presos em um coque de balé, mesmo já tendo, há muito, deixado de dançar. Usa roupas pretas, sóbrias, mantendo a postura da bailarina que um dia foi. Enquanto isso, Nina tem uma caixinha de música com uma dançarina rodopiante e um bom tanto de bichos de pelúcia espalhados pelo quarto. As portas do banehiro e do quarto de Nina não têm chaves, Mais criança, impossível.

Enquanto briga com a mãe hiper presente e tenta ser a melhor, Nina enfrenta seus fantasmas. São os sussurros, os gritos, as risadas que percebe, as rivais Veronica e Lily, esta sendo seu contraponto, e a antiga primeira bailarina, Beth. Os efeitos especiais pontuam a transformação de Nina ne cisne negro que ela procura libertar. Tudo culmina na entrega da dança, no rufar das asas da ave que termina o segundo ato do ballet. A intérprete de Nina, Natalie Portman, dá um show. Especialmente quando se transforma do doce cisne branco no cisne negro do título. Não parece a mesma intérprete, graças à intensa interpretação da atriz. Muda-se a maquiagem, a postura, as roupas, o gestual, a respiração para compor tanto bailarina frágil quanto seu lado negro.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Filme: Scott Pilgrim contra o mundo

Scott Pilgrim vs. the World - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Edgar Wright
Roteiro:Michael Bacall, Edgar Wright
Elenco: Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Kieran Culkin

Bem vindos a uma produção que tem o mundo dos games como referência. Desde o início da projeção, quando temos a tradicional vinheta do stúdio (neste caso, Universal), já sabemos o que vem por aí. O BG da vinheta é aquele de sempre, mas trabalhado como o som de um Atari. Mil efeitos nas onomatopeias, como em desenhos animados e também os jogos da minha época de adolescente pulam na tela o tempo todo. Não, não fica chato.

Scott Pilgrim, interpretado pelo "cara-de-nada" Michael Cera tem uma vida inexpressiva: levou um fora da ex-namorada, está saindo com uma adolescente histérica e maníaca, mora com o amigo gay, toca numa banda bem ruinzinha. Ele se apaixona por Ramona Flowers, que lembra Kate Winslet em Brilho eterno de uma mente sem lembranças apenas - apenas mesmo - pela mudança constante na cor de seus cabelos. A garota é nova-iorquina, descolada e tem sete ex-namorados do mal, que desafiam Scott para lutas.

O filme é cheio de referências. Além dos games, temos a linguagem dos screenagers, a geração Y, dos quadrinhos, ao filme Febre de juventude. Dos games, a "barra de xixi" de Scott, o ganho de moedas após vencer uma luta (mesmo que não dê nem pro ônibus), as portas que levam a novos mundos ou a outras situações, os golpes de Stree Fighter e jogos correlatos, as disputas do estilo Guitar Hero, as "lifes" ganhas após as boas jogadas. A montagem é muito interessante. Os raccords são utilizados constantemente, com o objetivo de imprimir ainda mais agilidade à narrativa.

Uma das sequências que mais me fez rir foi com o personagem vegano, que diz: "As pessoas usam 10% do cérebro porque os 90% estão cheios de leite". Impossível não se divertir também com a namoradinha adolescente de Scott e sua obsessão por ele; com a luta das garotas e seus acessórios enormes retirados de bolsas minúsculas.

Resumindo, uma ótima diversão para quem cresceu junto com a evolução dos games.

Violência

Assisto o BBB desde a primeira edição. Começou na pós-graduação que eu fazia, na época. O professor de Teoria da Comunicação pediu um pequena monografia sobre o programa, que estava em sua primeira semana. As possibilidades comunicacionais do programa me fascinaram e, de lá pra cá, acompanho sempre. E gosto.

Não vejo todos os dias (só os dias mais tensos, terça, quinta e domingo). Acompanho pela internet, pelo site oficial e pelos blogs. Como ontem eu viajei pela manhã, só quando voltei pro escritório fiquei sabendo da briga entre dois participantes: o gago e a roraimense. Procurei os vídeos e fiquei chocada. Desde o começo, não gosto do garoto, acho que não conseguiria conviver com uma pessoa tão elétrica e tão incisiva. Fui buscar a repercussão da briga na net e encontrei de tudo, quem é a favor dele e quem é a favor dela.

Porém, a reflexão mais lúcida sobre a briga eu achei no blog da Patrícia Daltro.

Primeiro texto aqui.
Segundo texto aqui.

Vale a leitura. E pensar um pouco sobre a situação também.

Como a Patrícia já fez, inspirada pela Lola, um dia também vou tomar coragem de contar aqui a minha história de horror.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Bichos de pano

Conheci a Patrícia Daltro pelo blog da Bel. O texto da Patrícia é muito bacana, sempre com algumas reflexões interessantes. Participamos, juntas do amigo oculto das bogueiras, que foi muito bacana. E foi aí que conheci a Bichos de Pano, onde ela mostra sua arte em tecido. Cada coisa mais linda...

Minha encomenda chegou e já tomou seu lugar.

Tudo da Bichos de Pano
 Tudo começou com a máscara de dormir. Eu tenho sérios problemas pra dormir com qualquer tipo de claridade. A Patrícia faz a máscara com aroma calmante, mas a minha veio sem, por causa da alergia. Daí vieram as outras coisas que compõem o kit: necessaire, estojo, porta-pendrive e o chaveiro de gatinho. Tudo fofo!

Vale visitar.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Zé Pereira

Quando pequena, eu adorava carnaval. Acho que era por causa das fantasias. Dava pra ser de tudo. Eu já fui Mulher Maravilha, índia (americana), turista. Queria muito ter sido fada, mas na época não deu muito certo, um dia eu conto o motivo.

A gente passava o carnaval em Ouro Preto. Na época era divertido. Tinha uma festa grande na rua São José, onde moravam Tia Ylza e Tia Leda. Íamos para lá e dali para a rua pular, brincar, jogar confete e embaralhar serpentina. Era de lá também que víamos o bloco do Caixão passar. Na época, era um bloco pequeno, da república Necrotério. As pessoas saíam de preto, fazendo uma espécie de lamento para o caixão que levavam. Era divertido.

Também passava a Bandalheira, minha preferida. Até hoje é assim: um bando de gente tocando instrumentos. Cada um toca o que quiser, não tem música, melodia, harmonia. Saem andando apressados, passo ensaiado, muito rápido. Cada um leva, na cintura, um rolo de papel higiêncio. Na cabeça, um belo penico branco. Eu me divertia com eles.

E tem o mais tradicional, o Zé Pereira. É o bloco carnavalesco mais famoso do Brasil (vou encontrar meus textos antigos e coloco a história certa deles). O nome oficial é Zé Pereira dos Lacaios, e o fundador era um lacaio do palácio dos governadores. Originalmente, eram três bonecões, um boi-bumbá e os capetinhas (esqueci o nome deles). O som típico deles é "Zé Pereira tum-tum-tum-tum". É fácil detectar quando eles estão vindo; saem do Antônio Dias, descem a rua Direita, seguem a São José e descançam no Largo da Alegria. Depois, fazem o caminho de volta.

Hoje saiu o Zé Pereira infantil. Fui na esquina ver e fotografar (e ficar pê com a câmera, lerda-lerda-lerda). Deu saudade da época em que eu me divertia com o carnaval e esperava o Zé Pereira passar.


Esse é o famoso Zé Pereira. E essa é a foto ruim da câmera lerda.

Esse é o lado bom do carnaval de Ouro Preto.