quarta-feira, 30 de março de 2011

Livro: A mão misteriosa



Mais um Agatha Christie, dessa vez exatamente do jeito que eu gosto.

O livro conta a história de Jerry Burton e sua irmã, Joanna. Depois de sofrer um acidente de avião, Jerry é aconselhado pelo médico a passar um período em uma cidade pequena. Eles escolhem Lymstock, alugam uma casa e passam a se envolver com os pequenos dramas locais. Até que cartas anônimas começam a atormentar a calma cidadezinha.


Quando escolhi esse livro para comprar, li no verso que era uma aventura da Miss Marple, a velhinha gente fina que desvenda crimes tendo como base sua experiência com pessoas em sua vila, St. Mary Mead. A história é envolvente e fui enredada por ela exatamente da maneira como curto. Era praticamente impossível largar o livro.

E foi quando larguei que percebi uma coisa: já passava da página 100 e nada da Miss Marple aparecer... Fiquei encucada, virei o livro e li, de novo, que aquela era uma história dela. Era só uma questão de tempo. Ela aparece na página 168 e é praticamente dispensável. Parece que foi só um acessório para Agatha conseguir chegar à resolução do mistério.

Fora isso, o livro é muito bacana. Desses que se lê super rápido, porque o mistério é envolvente.

Outros 10 anos

Contei aqui como consegui meu primeiro emprego de jornalista graduada, durante o baile de formatura. Comecei a trabalhar e, cerca de um mês e meio depois, vi no jornal a propaganda de um curso de Design Gráfico. Como  meu trabalho era com diagramação de jornais (algo que eu odiava na época, mas que hoje adoro), pedi pra minha chefe, que também é minha amiga, liberação pra fazer o curso. Eu perderia duas horas de trabalho por dia, mas dentro de três meses teria mais conhecimento pra poder trabalhar. E assim, lá fui eu para as aulas Design Gráfico, à tarde, no centro de BH.  Dos três programas que o curso ia tratar, eu já sabia bem demais um, o QuarkXpress. Tanto que ensinei várias coisas pra professora. Os outros dois eu precisaria aprender mesmo. O curso mudou a minha vida. Não porque aprendi coisa mirabolantes de desing. Mas porque foi lá que conheci o Leo.


Há uns 3 anos


A primeira coisa que eu pensei quando olhei pra ele foi que ele era lindo. Mas que devia ser insuportavelmente chato. Só porque ele estava pagando o curso com um cheque do pai dele. E eu, que bancava a minha vida já há 6 anos, fui preconceituosamente pensando que ele devia ser um filhinho de papai mimadinho. Isso eu pensei só de olhar, sem trocar uma palavra com ele.


Mais ou menos na segunda semana de curso, ele veio conversar comigo e me deu um livro muito bacana sobre publicidade. Disse que eu ia gostar. Eu li e adorei. Foi por causa disso que ele pareceu ser, pra mim, outra pessoa, bem diferente daquele que eu tinha desenhado uns dias pra trás. O curso durou três meses. Mas desse dia em diante, eu só tive olhos pra ele.


No Reveillon 2010/2011


O curso acabou e nós engatamos o namoro. Acho que por ter sido extremamente preconceituosa com ele quando o conheci, eu me abri inteira para esse relacionamento. Não imaginava que fosse durar tanto. Aliás, nunca consegui me imaginar por tanto tempo com alguém.


Em 2003, enquanto trabalhávamos no Festival de Jazz, com Alessandra e Rodrigo


O Leo é o cara perfeito pra mim. Primeiro, por causa do humor. Impossível não rir perto dele, com as coisas que ele fala, com a sua espirituosidade e a acidez de alguns comentários. Depois, porque ele esteve do meu lado nos momentos mais punks da minha vida. E se, passando por aquilo tudo, ele não desistiu de mim, é porque a coisa é séria mesmo. O abraço do Leo é o melhor do mundo. Pra confortar ou só pra demonstrar companheirismo. E companheiro ele é, e muito. Ele me aceita do jeito que eu sou, faz alguns sacrifícios alcoólicos por minha causa, me deixa quieta com meu gosto por esportes (e futebol, em especial), me respeita muito. Além disso, ele é mais doido do que eu, mas quando a minha loucura vem à tona, é ele que me puxa de volta pra realidade e me coloca, de pés no chão, no caminho certo. Minha sanidade mental é permanentemente grata ao Leo. 


2006, em Curitiba
Perfeito ele não é. Mas é quem me faz feliz sendo exatamente como é. Ok, ele podia amar menos a cerveja... Tá ótimo do jeito que está. Ele ainda me trouxe, de brinde, uma família nova. Os pais do Leo são fantásticos, sou fã declarada eles. Os irmãos também, a Flavinha é como se fosse minha irmã caçula. E ainda tem os Borges todos, Dona Lídia, seus filhos, netos, bisnetos e agregados.


Brincando de ser chiques, padrinhos de casamento


Com tudo isso, tinha como passar em branco?


Em Gramado, a caminho da Feira de Turismo


Hoje, completamos 10 anos juntos.  É uma vida, que foi construída sobre pilares fortes, em especial o respeito mútuo. Nunca, nesse tempo todo, levantamos a voz um pro outro. Claro que brigamos, pensamos diferente e há discussões. Mas nunca houve uma agressão verbal, um grito. Tudo tem sido resolvido na conversa, muita conversa. Somos, antes de tudo, companheiros. Não somos donos um do outro, estamos caminhando juntos, até quando for possível - e eu espero que seja possível por muito, muito, muito tempo.


Há pouco mais de dois anos, decidimos nos casar. Foi tudo muito rápido. E diferente. Nunca tive cara de quem casaria na igreja, com vestido, véu, flores e música. Nem ele tem. Daí que fizemos tudo do nosso jeito.


Pe. Simões celebando nosso casamento


Pouquíssimas pessoas ficaram sabendo na época, poucas sabem hoje. Sei que tem gente que, ao ler isso aqui, vai querer me matar porque eu não contei. Eu tenho meus motivos pra não ter contado, e posso esclarecer pra quem quiser saber, em PVT. Nesse dia, na cerimônia, só teve uma coisa que me desagradou, mas nem vem ao caso. Uma semana depois, teve um churrasco pra família do Leo e alguns de nossos amigos.


Olha o convite!
O fato é que, com cerimônia ou sem ela, espalhando ou não pro mundo que a gente casou, o Leo é o cara. E é pra ele mesmo que eu digo - e penso - sempre: "estranho seria se eu não me apaixonasse por você".

terça-feira, 29 de março de 2011

Citações 13

Pensamentos de Andriéi Iefímitch, personagem de Enfermaria nº6, do livro O beijo e outras histórias, de Antón Tchékhov:

Mas, se se considera como objetivo da Medicina o alívio do sofrimento, surge, sem que se queira, a pergunta: para que aliviá-lo? Em primeiro lugar, dizem que os sofrimentos conduzem o homem à perfeição e, em segundo, se a humanidade aprender realmente a aliviar seus sofrimentos por meio de gotas e pílulas, há de abandonar completamente a religião e a filosofia, nas quais até agora encontrou não só uma defesa contra todas as desgraças, mas até felicidade. Antes de morrer, Púshkin sofreu dores terríveis, o coitado do Heine passou alguns anos deitado, com paralisia; por que então não deixar sofrer algum Andriéi Iefímitch ou alguma Matriona Sávishna, cuja vida não tem sentido e seria completamente vazia, assemelhando-se à vida de uma ameba, se não fosse o sofrimento?

segunda-feira, 28 de março de 2011

Filme: Último tango em Paris

Ultimo tango a Parigi - 1927 (mais informações aqui)
Direção: Bernardo Bertolucci
Roteiro: Bernardo Bertolucci
Elenco: Marlon Brando, Maria Schneider, Maria Michi

Há quem ache eu Último tango em Paris é apenas uma cena, a da manteiga. Ela ficou famosa sim, gerou não sabemos quantos comentários e até mesmo números de humor, como o dos Trapalhões (o vídeo vai abaixo). Mas é muito mais do que isso.

A história envolve um desiludido homem que acabou de ficar viúvo - sua mulher se matou e uma jovem com casamento próximo. Eles se encontram em um apartamento vazio e dão unício a uma relação pontuada pelo sexo, sem que se revelem seus nomes e suas histórias. A proposta é que os dois esqueçam tudo enquanto estão naquele apartamento vazio: "tudo fora daqui é bobagem". A relação vai se aprofundando até que há um conflito maior, fora dali.

Maria Schneider é Jeanne. A atriz tinah 19 anos quando fez o filme, mas parece ter 13. Nem a maquiagem forte nos olhos consegue disfarçar sua carinha de criança. Inexplicavelmente, ela passa alguns dias com a mesma roupa: um vestido curto amarelo, com um casaco de pele branco e um chapéu preto com flores. Ela é noiva de Tom, um rapaz deslumbrado com o mundo do cinema, com quem tem diálogos vazios, que contrastam com a vida paralela que leva, no apartamento vazio. Brando é Paul, um personagem triste, amargurado, solitário, amassado e descuidado. Em sua "vida real" ele tem que se haver com o suicídio da esposa, o amante dela, a sogra que vem se intrometer, o hotel do qual é dono. Em meio a tudo isso, ele se refugia no apartamento vazio.

Fora dali, Jeanne é personagem de um documentário produzido por Tom e prepara seu casamento. Mas a união de verdade foi com Paul, já que o apartamento vai se tornando um lar para os dois. Ela, no apartamento, é uma criança que se solta; já Tom a chama a assumir seu lado adulta. Paul se despede da esposa, conversando com o corpo, pronto para o velório. A cena é bem interessante, com a luz apenas na cama, onde jaz Rosa, cercada de flores.

Jeanne caminha por Paris quando encontra o apartamento para alugar, e logo abre suas janelas. Com o fim da relação, ela fecha as janelas e percorre o caminho de volta, uma forma bonita de indicar que aquilo tudo acabou. Mas não é aí que a história acaba.

Durante os dias em que dura a relação e Paul e Jeanne, algo me incomodou muito, como espectadora. Fora a cena que ilustra o cartaz do filme, em que Brando e Schneider estão abraçados e nus, não se vê Marlon Brando sem roupa, nem uma breve insinuação disso. Por outro lado, Maria Schneider desfila sua Jeanne nua ou seminua a maior parte da projeção. Talvez seja a feminista que mora em mim tentando dizer que não é justo que em todas essas cenas haja um corpo nu e que ele tenha de ser justamente o feminino. A atriz deu algumas entrevistas sobre o filme, sempre lamentando que, quando o fez, era muito ingênua. Possivelmente seja mesmo a sua ingenuidade que a levou a ser escolhida para o papel.

Resumindo, não acho que o filme mereça o rótulo de clássico. A não ser de clássico do machismo e da opressão feminina. Por isso mesmo, gosto menos desse filme e mais de outros do Bertolucci.

Abaixo, a zoação dos Trapalhões com a famosa cena da manteiga:

domingo, 27 de março de 2011

Livro: O caderno de cinema de Marina W.



Comprei antes da sessão de cinema de Jogo de Poder. Comecei a ler antes do filme, terminei dois dias depois. Marina W. fala de vários filmes, contando curiosidades e dando sua opinião pessoal. É para concordar, discordar e aprender um pouquinho, pra soltar numa conversa leve de mesa de bar. As listas que Marina W. faz são muito divertidas. As receitas são meio over, mas passam.

O ruim é a edição. Passaram erros muito significativos. Um "não" mal colocado, que muda todo o sentido de uma frase. Isso, numa afirmação conhecidíssima da história do cinema. Nomes de filmes abreviados, como devem ter sido escritos no rascunho que originou o livro. Passou batido na revisão. Isso acontece. Mas nessa edição tem errinhos demais. Atrapalha a leitura, gera dúvidas, enfim, não é legal.

Tirando isso, é um livro muito leve para quem quer debutar em livros sobre cinema. Vale ler e guardar pra consultar de vez em quando.

Um livro muito bacana da Marina W. é "Não sou uma só", em que ela conta como descobriu e como lida com o transtorno bipolar. Recomendo.

Uma década depois

Foi divertido. Impressionante com está tudo mundo igual. Senti falta do Caio, da Andréa, da Renata. 10 anos passam rápido demais.



Em pé: Ellen, Luciana, Will, Leo, Guilherme, Fernanda, Pedro e eu.
Sentados: Ana, Priscilla, Marcelo, Daniela, Simone e Cafu.

Teve bom.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Filme: Jogo de Poder

Fair Game - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Doug Liman
Roteiro: Jez butterworth, John-Henry Butterworth
Elenco: Naomi Watts, Sean Penn, Sonya Davison

O mundo pós 11 de setembro de 2001 é algo bizarro. Com o advento das duas guerras estadunidenses contra o Afeganistão e contra o Iraque, uma série de estudos foi realizado. O que eu li e que mais me marcou foi o livro do jornalista Carlos Dorneles Deus é inocente, a imprensa não. Dorneles analisa como a mídia se utilizou de estratégias de manipulação para gerar certo caos na população americana e pressionar pelas guerras, com um discurso único, com indícios de ter sido criado por algum órgão governamental. É mais ou menos isso - mas nada relacionado à imprensa - que vemos em Jogo de Poder.

O filme é baseado nos livros Fair Game, de Valerie Plame, e The Politics of Truth, de Joseph Wilson. Plame e Wilson são os personagens principais do filme, interpretados por Watts e Penn. Ela é uma agente da CIA que, pela natureza de seu trabalho - ela faz contatos com pessoas chave em países onde os Estados Unidos precisam de informações, precisa manter sigilo sobre ele. Joe, seu marido, é ex-embaixador e, por ter contatos em áreas não tão nobres, como o Níger, é chamado a colaborar em uma investigação sobre a venda de urânio ao Iraque.

Enquanto o filme se desenrola, vemos Valerie se envolver com seus contatos e brigar por ele, enquanto deixa um pouco de lado seu casamento. O casal tenta levar uma vida normal, com jantares regados a vinho com amigos. Mas Joe sempre perde o controle com os comentários cheios de achismos e rasos de conhecimento de seus companheiros de jantar e acaba gerando um climão. Quando Valerie é convocada a largar todos os seus projetos para se dedicar exclusivamente ao Iraque, Joe é o primeiro a sentir. Há uma cena linda quando ela vai viajar e ele, de pijamas, senta-se às escadas de casa e a câmera o fixa atrás da balautrada da escada: ele é um homem aprisionado pela vida e pelo trabalho da esposa.

Talvez seja esse o principal motivo que o leva a escrever um artigo desmetindo a afirmação do presidente George W. Bush de que o Níger vendeu o urânio ao Iraque. Quando esteve lá, a pedido da CIA, ele havia constatado - e relatado - o absurdo que era a informação. Como represália, alguém do governo publica no mesmo jornal a identidade da agente Valerie Plame Wilson. Joe, indignado, se lança a uma luta solitária contra a Casa Branca. O que me fez lembrar daquela frase que diz que, "quem nunca tentou mudar o mundo até os 18 anos é um imbecil. Quem tenta mudar depois disso, é um babaca".

O filme é pontuado por imagens reais de depoimentos de George W. Bush e de sua equipe, incluindo Condolezza Rice, que são categóricos ao afirmar que o Iraque estava produzindo armas de destruição em massa. Enquanto isso, as cidades do Oriente Médio e da África são mostradas em tons terrosos, lembrando algo primitivo, ao contrário dos corredores da CIA, sempre acinzentadas, e a casa de Valerie e Joe, com cores mais vivas.

O grande mérito do filme é trazer novamente à baila o lado invisível das decisões políticas. Porque, no fundo, é preciso pensar no papel que nós, que estamos tão longe dessas esferas do poder, temos nas mesmas decisões políticas. É fácil demais sermos manipulados, pelo governo, pela mídia, pelas massas. Porém, o filme é longo, desnecessariamente.

Uma década

Dá pra imaginar o que são dez anos?

Há dez anos e meio a apreensão tomava conta de mim. Era o último período da faculdade e um mundo bem estranho estava se aproximando. Na época eu fazia dois estágios, um remunerado e um voluntário. Tinha poucas aulas porque já estava na fase final do TCC, com meu grupo de trabalho. E tinha o tão temido mercado de trabalho pela frente. Pra terminar o TCC, abri mão do estágio remunerado, que era muito bom mas que não me daria um emprego no futuro e comecei a garimpar outras possibilidades. Uma delas era  mudar de cidade e começar outra faculdade. Outra era juntar grana pra viajar pro exterior. A outra era encarar de frente o mundo lá fora. E esse mundo dava medo...

O desemprego era o medo mais evidente. O outro era de não ter aprendido nada nos quatro anos de faculdade e precisar voltar lá pro primeiro período. Lembro direitinho da tensão que sentia ao pensar no que poderia oferecer a um possível contratante e chegar à conlcusão de que não tinha nada-nada-nada que prestasse.

E foi em meio a isso que, em 30 de novembro de 2000, entrei no auditório da PUC Minas pra colar grau como Bacharel em Comunicação Social, Habilitação Jornalismo. Junto com pessoas com quem dividi quatro anos de expectativas, medos, entregas, trabalhos, correrias, solidariedade, brigas, dores, indiferença e tantas outras coisas. Com algumas delas, houve um relacionamento mais intenso, mais especial. Simone, Renata, Andréa, Leo W., Will, Caio, Fernanda são pessoas por quem tenho um carinho enorme.

E agora, dez anos e meio depois, lá vamos nós juntar não só os que colaram grau naquele dia, mas todos que passaram por aquela turma e que conseguimos "resgatar".

Todo mundo magrinho  e feliz pro convite de formatura

Olhar essa foto me dá saudade. Eu era feliz mais magra. Mas, meu Deus, que cabelo é esse??? Durante meu baile de formatura eu ganhei, de presente, meu primeiro emprego. Comecei três dias depois a aprender o que era, de verdade, o mercado de trabalho.

Dez anos podem demorar muito, se você tiver que esperá-los passar. Mas, quando eu olho pra trás, vejo que parece que foi ontem que fomos todos juntos pros jardins da PUC (que são lindo, por sinal) pra fazer aquela foto ali de cima, que fez parte do nosso convite de formatura.

Na próxima semana, tem mais uma década vencendo na minha vida. Mas isso é assunto pra outro post.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Surpresa

Passei a tarde em uma reunião.

Um dos presentes virou pra mim e disse: "A vida é uma caixinha de surpresas, não é?".

Cá comigo, eu pensei que a vida poderia ser uma caixinha de chocolate Supresa. Ia ser muito mais gostoso.

O chocolate Supresa, produzido pela Nestlé, foi uma febre no Brasil quando eu era criança. Cada chocolate vinha com uma figurinha com a imagem de um animal - é o que eu mais me lembro. E a Nestlé produzia um álbum para que essas figurinhas - que eram grossas, como um papelão - fossem coladas. Para conseguir o álbum bastava madar algumas embalagens vazias do chocolate para a empresa. Outro diferencial é que cada chocolate vinha com uma imagem de bicho diferente em alto relevo. Diz a Wikipédia que o chocolate foi produzido até o ano 2000.

Lembro que eu nunca tive um álbum do Surpresa. Mas tinha vários dos cartões que vinham nas embalagens. Era quase uma coleção que meus irmãos e eu fazíamos. E era bom.

Mas aí a tal pessoa da caixinha de supresas me passou um cronograma e os chocolates Supresa precisaram ser deixados de lado.

Sessão de arremessos

Vi na Jady e fiquei tensa.



#Fail

terça-feira, 22 de março de 2011

Desafio Literário - Março: Elite da Tropa


Lançado em 2006, Elite da Tropa fez muito barulho. Foi escrito por dois ex-policiais do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), André Batista e Rodrigo Pimentel, e pelo antropólogo Luiz Eduardo Soares. São dois relatos muito intensos, baseados na experiência dos dois ex-policiais.

A primeira parte é composta por uma espécie de crônica do cotidiano do BOPE. É um relato duro, que pode vezes dá ânsia de vômito; em outras, dor na consciência. Porque, inevitavelmente, todos nós fazemos parte dessa realidade louca da desigualdade social, da repressão, do crime, das suas motivações. Todas as histórias são narradas pro um oficial do Batalhão, que é incorruptível e segue a lógica de ação que aprendeu no pesado treinamento que nós pudemos ver em Tropa de Elite, filme baseado no livro. Mesmo frio e irônico, o policial é capaz de se sensibilizar ao receber um presente, resultado de uma de suas ações - e olha que contou com a ajuda de um antigo conhecido. Foi uma dar partes mais tocantes do livro, perceber que, por baixo da casca rígida construída pelo BOPE, há também um ser humano que guarda sentimentos.

Na segunda parte, um dos policiais que tem sua história contada na primeira etapa passa a ser protagonista. É uma trama intrincada, que envolve política em seu alto escalão, espionagem, contrainformação, facções criminosas, ilegalidades de todas as formas, violência, torturas. Mais uma vez, dá vontade de largar o livro de lado e fingir que aquilo tudo é só mais uma ficçãozinha. Porém, é impossível. A narrativa é ágil, apesar de dar engulhos. É inevitável ler até o final, para ver até onde vão as voltas e reviravoltas dessa história difícil de digerir.

Vale a leitura. E vale rever os dois filmes baseados nele.

Da insegurança

Volta e meia acontece alguma coisa que me faz trombar de cara com a minha insegurança. Na semana que passou alguma vezes ela bateu na minha porta só pra me provar que está aqui, às vezes bem quietinha, por outras óbvia e ululante. As únicas coisas que não me geram insegurança são meu trabalho e meu relacionamento com o Leo. Já o resto...

Daí que alguém me perguntou se a insegurança melhora com elogios. Não, cara, só piora. Pelo menos no meu caso, elogio só me faz pensar que um dia quem elogia vai descobrir que eu sou uma fraude. É... quando a insegurança bate é assim que me sinto. Como se não soubesse fazer nada direito. Em especial, escrever coisas que não sejam jornalísticas.

Escrever faz parte de mim. E durante anos tudo o que eu escrevi ficou guardado, bem escondido, blindado.  O Janela Colonial faz parte do processo de deixar a insegurança de lado. E já ajudou muito. Os projetos paralelos (Cinema de Buteco e um que será lançado em breve) também estão colaborando, cada um com seu quinhão.

Só que colocar a cara no mundo, com nome e sobrenome, dá um medo quase tão grande quanto a insegurança que vive por aqui me cutucando. Enquanto tem gente que morre para aparecer, eu prefiro ficar bem quietinha, imperceptível, de preferência.

De onde veio isso tudo? Minha analista sabe. Mas duvido que ela conte.

domingo, 20 de março de 2011

Filme: As virgens suicidas

The virgin suicides - 1999 (mais informações aqui)
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Jeffrey Eugenides, Sofia Coppola
Elenco: Kirsten Dunst, Josh Hartnett, James Woods, Kathleen Turner

Comecei, esta semana, a colaborar com o Cinema de Buteco. Meu texto de estreia foi sobre este filme, e pode ser lido aqui.

Há coisas que eu não disse lá.

Uma delas é que me agrada muito a forma como Sofia Coppola usa a trilha sonora dos seus filmes. Já tinha dito isso quando falei sobre Maria Antonieta e preciso rever Encontros e Desencontros para perceber de novo.

Outra é a escolha de Jeffrey Eugenides, autor do livro que inspirou o filme, para o nome da família: Lisbon.  Quando escutei o narrador dizer Lisbon Girls foi possível associar diretamente ao lesbianismo, ou à Ilha de Lesbos, que ficou famosa por um poema da grega Safo, em que ela fala de amor platônico por outras mulheres. No filme, são cinco mulheres, de certa forma, aprisionadas em uma ilha de "retidão" pela mãe tirana, sendo objeto do amor platônico de uma série de garotos da vizinhança e da escola.

No momento em que o Danny DeVito conversa com Cecilia Lisbon e, logo em seguida, com seus pais, um tic-tac fica constantemente buzinando ao fundo. O mesmo tic-tac volta no final do filme, quando o narrador nos conta o que aconteceu com a família Lisbon, com as imagens da casa vazia e azulada. O tom azul está presente em momentos mais idílicos do filme, onde há uma certa ternura envolvida na narrativa. As cores só são mais fortes quando Chase, um dos vizinhos, imagina a viagem que faria de carro com as garotas Lisbon.

E, pra terminar, só quem sabe o que é conviver com pais como os das garotas Lisbon pode ter exata noção do que eu senti vendo o filme. Mas essa é outra história.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Ela é o orgulho da neta

Quarta-feira é dia de ir ao salão fazer as unhas, bem cedo. Vou feliz, porque tem alguém que faça esse trabalho chato por mim. Mas com dor no coração, porque os papos lá raras vezes são divertidos. Às vezes são chatos, outras são desimportantes. Hoje, o papo me gerou um misto de horror e orgulho.

A conversa se iniciou com comentários sobre o final da novela Tititi. E inevitavelmente caiu sobre o casal homossexual que acabou de acertar as pontas na ficção. Uma das participantes falou que em breve veremos um beijo gay numa novela da Globo. Outra disse que fica chocada com certas atitudes dos homossexuais. Essa mesma contou que um dia alguém perguntou como ela reagiria se tivesse um filho gay.

Não sei nem dizer como foi a cara que ela fez. Mas foi como se tivesse dito que isso jamais aconteceria com ela, porque ela saberia educar um filho. Como se ser homo, bi ou trans fosse uma questão de educação. Como se os pais pudessem escolher o destino dos filhos.

Acho louvável que Tititi mostre um casal homossexual com muita normalidade. Porque não é pela orientação sexual que as pessoas se manifestam normais. Uma coisa que sempre me revolta é que os heteros mais radicais não admitem que casais homo possam trocar carinhos na  rua. Como assim? Então eu, que sou hetero, posso sair na rua de mãos dadas com o Leo, trocar um beijo, um abraço com ele e uma outra pessoa não pode fazer o mesmo com o parceiro só por causa da orientação sexual? Igualdade é uma coisa com a qual as pessoas, em geral, não conseguem conviver...

Mas onde a vovó entra nisso?

É que, na segunda-feira, estávamos vendo a novela juntas. Porque a vovó assiste todas as novelas do mundo. E esta é a única hora do dia em que posso ficar perto dela. Então fico lá, às vezes pescando alguma coisa, outras assistindo mesmo. Tititi eu assisto. E foi na segunda que o personagem Tales, aos berros e em público, disse que estava apaixonado pelo Julinho. Aí, perguntei pra vovó o que ela achava daquilo: os dois tinham que terminar juntos ou deviam era ser heterossexuais. E ela, meu orgulho, disse assim: "Eles não se gostam? Têm que ficar juntos mesmo".

Isso me orgulha porque vovó nasceu em 1918! Tem quase 93 anos e nenhuma obrigação de acompanhar as revoluções sociais. Mas ela tem uma cabeça bem moderninha. Tanto que, quando houve a primeira Parada do Orgulho Gay de Ouro Preto, que ia passar pela porta aqui de casa, perguntei a ela se ela queria ver. Porque veria coisas que poderiam deixá-la desconfortável. E ela disse que não tinha problema. Foi pra janela, viu a parada passar, deu tchauzinho pra todo mundo na rua e voltou para dentro, toda faceira, mais humana e corajosa que muita gente N anos mais nova.

Fala sério, não é pra dar orgulho?

Filme: O Vencedor

The Fighter - 2010 (mais informações aqui)
Direção: David O. Russell
Roteiro: Scotto Silver, Paul Tamasy
Elenco: Mark Walhberg, Christian Bale, Amy Adams, Melissa Leo

Os títulos dos filmes em português fazem mais mal do que bem. Pra que traduziram The Fighter como "O Vencedor"? Pra contar o final do filme? Tudo bem que esse tipo de filme tem um final bem óbvio, mas contar no título só piora. Isso é um tema à parte, qualquer dia falo mais sobre isso.

A apresentação dos personagens traz Micky Ward (Walhberg) com uma personalidade apagada, ao lado de Alice (Melissa Leo), sua mãe dominadora, e por Dicky Eklund (Bale), seu irmão que, há 14 anos, venceu um grande nome do boxe. Micky é um lutador mediado que não consegue lidar com a vontade enorme de treinar profissionalmente e com a dominação de sua família irlandesa, grosseira e barraqueira. Suas sete irmãs interferem até mesmo em seu namoro com Charlene (Adams), barista de personalidade forte.

O tempo todo, a família pontua o drama de Micky. Sua falta de personalidade é evidente. Ele prefere romper com seus patrocinadores para ter o irmão ao seu lado, ao mesmo tempo em que busca retomar o apoio do treinador oficial e da namorada. Para ele, mais fácil do que romper com a família maluca é tentar fazer todo mundo se entender, dar as mãos e ser feliz.

Apesar de parecer um pouco insano, é essa postura dele que faz com que Dicky largue as drogas e que a mãe deixe ser ser tão dominadora. E, assim, unindo as duas ponta da história ele consegue, finalmente, ganhar a principal luta de sua vida. Ah, não importo de contar isso não, o título do filme em português já contou.

Christian Bale levou, este ano, o Oscar de melhor ator coadjuvante. É curioso pensar que seu personagem, magro, perdido, iludido e drogado, foi criado pelo mesmo ator que tem vestido a capa do Batman ultimamente. A caracterização, em especial o emagrecimento radical do ator, ficou bem marcante. Nos créditos finais, quando vemos os dois irmãos que foram os inspiradores da história, dá pra notar que Bale fez mesmo um ótimo trabalho.

Melissa Leo, a mãe irlandesa dominadora e prepotente, também venceu o Oscar de atriz coadjuvante. Foi uma boa caracterização sim, mas não acho que o prêmio foi merecido. Hailee Steinfeld, que interpretou Mattie Ross em Bravura Indômita, fez um trabalho mais contundente, para mim.

Resumindo: Bravura Indômita é mais filme. E não levou nenhum Oscar. O roteiro de O Vencedor é previsível e até monótono. Vale mais pelos créditos finais mesmo, apenas pra matar a curiosidade do espectador.

Outra da casa muito engraçada

Ontem, depois de 12 horas de trabalho, cheguei em casa morta de cansaço, querendo só ver um filme light e descansar. Ao subir as escadas, notei que a mesinha com o espelho não estavam lá. Perguntei e vi que estavam no quarto - é a reforma dando sinais...

Hoje de manhã comecei a notar umas marcas alaranjadas no corrimão. Também nas paredes. E no teto! Marcas que a reforma deixou ontem e que eu passei sem ver. Nem aquele cheiro característico de massa corrida e tinta conseguiu despertar a minha atenção para essas mudanças.

A casa está mais engraçada, com muita coisa fora do lugar. E eu estou ficando mais cega a cada dia que passa...

domingo, 13 de março de 2011

A casa muito engraçada

Eu não sabia que uma casa tão grande pode, de repente, ficar tão pequena.

Lembro da casa sempre cheia de gente, e de todo mundo dormindo por aqui. Tinha espaço pra caramba. Todo mundo vinha pra cá. Primos, tios, amigos. De todo mundo. Ao mesmo tempo. E, de uma hora para outra, ficou tudo pequeno. Alguns quartos mudaram. O meu, por exemplo, deixou de ser aquele que eu usava quando pequena e passou a ser a Enfermaria. Esse quarto era chamado assim porque tinha cinco camas e espaço pra mais cinco colchões no chão. Era onde meus amigos ficavam quando vinham pra cá. Tinha também o salão e o quarto lá de baixo, que hoje vivaram a casa do meu tio.

Sendo assim, precisamos ter outra soluções. A principal é receber menos gente. O que é bom, porque aproxima, mas é ruim porque exclui muita gente bacana.

A casa, que era grande, ficou pequena. Mas não deixou de ser engraçada. Neste final de semana vieram as três pessoas que têm estado mais presentes na minha vida atualmente. A Fabi, o Tales e o Lauro. Foram dois bares, um restaurante, várias rodadas de Perfil e risadas infinitas. Que poderiam ser mais frequentes se a casa continuasse sendo grande como antes.

Com Leo e Fabi
Tela de Milton Passos no Bené da Flauta

O céu e Fabi, na janela do Bené da Flauta

Meu prato: folhado de frango com gorgozola e shitaki

O carbonara da Fabi

Escolha do Leo, do Tales e do Lauro: filé ao molho madeira com batata ao murro

Sobremesa: folhado de maçã. Fantástico.



No mirante da Ufop
Eu estava mesmo com saudades de turistar em Ouro Preto com amigos.

sábado, 12 de março de 2011

Dona Benta

Daí que eu ando tentando cozinhar. Não fazer arroz e feijão, mas ter noção pra fazer alguns pratos. E sábado, como já contei, tem sido um dia de experimentar. A Ju me indicou o livro Dona Benta, que comprei na Americanas. Chegou no carnaval, na casa da sogra, e eu fiz tanta coisa bacana no carnaval que não tive a menor vontade de me aprofundar no livro.

Mas hoje veio a dúvida do almoço e resolvemos abrir o Dona Benta. Leo escolheu a receita: macarrão gratinado. Vamos a ela.

O primeiro passo é cozinhar 500g de macarrão, do jeito que se costuma. Como é o Leo quem faz essa parte, não sei dizer exatamente como é. Só que usamos sempre uma massa que é al dente e cozinhamos por cerca de 7 minutos.

Enquanto a água ferve e o macarrão cozinha...

Molho:
Derreter duas colheres de sopa de manteiga ou margarina (como a rebarda dos nossos hóspedes de carnaval estava terrível, usamos manteiga). Quando estiver derretido, misturar com três colheres (sopa) de farinha de trigo e cozinhar até dourar.

Pausa pra dúvida culinária. A mistura manteiga derretida + farinha de trigo já nasce dourada. Então, deixei cozinhando por dois segundos, com medo de queimar. Aí, é preciso acrescentar três xícaras de leite fervido. O leite ferveu e derramou no fogão, o que mostra que eu não estava prestando muita atenção nas coisas. O leite é para ser acrescentado aos poucos. No início, parece que vai dar errado, porque a mistura inicial parece um angu. Aos poucos, o leite vai incorporando e aquilo ali vai virando um molho. Ao final, achei meio grosso e acrescentei mais uma xícara de leite fervido e, desta vez, não derramado. Aí é só acertar o ponto do sal, algo que para mim ainda é incompreensível. Felizmente, Leo colaborou e resolveu essa parte.

Depois dessa parte pronta, é preciso acrescentar três gemas e uma caixinha de creme de leite e mexer até incorporar. Leo provou de novo e viu que o sal inicial estava bom. Eu acreditei nele. Picamos presunto em tiras finas e misturamos no molho.

A essa altura, o macarrão já estava cozido. Misturamos o molho com o penne e colocamos em uma assadeira. Por cima, parmesão ralado grosso e uma coisa que a receita mandou mas que eu não achei lá uma maravilha: um pouco de farinha de rosca. Levamos ao forno pra gratinar. E isso varia de forno pra forno. No meu foram 20 minutos.

Saindo do forno
A foto está tremida e só tem essa porque a fome foi maior dessa vez.

Livro: Portal do Destino


Depois de ler O Inimigo Secreto e Sócios no Crime, dois livros de Agatha Christie com as primeiras aventuras do simpático casal Tommy e Tuppence Beresford, pulei logo para o quinto e último livro dessa dupla de detetives. E, pela primeira vez, fiquei frustrada com um livro dela.

A história tinha tudo para ser interessante. O casal, agora com mais de 70 anos, deixa a vida em Londres por uma antiga casa no interior, com o objetivo de curtir a aposentadoria. Porém, durante a reforma da casa, Tuppence se depara com uma mensagem cifrada em um livro infantil. "Mary Jordam não morreu de morte natural. Acho que sei que foi. Foi um de nós". A partir disso, ela decide investigar o autor da mensagem e quem foi Mary Jordan.

Como em todos os livros de Agatha Christie, há suspense, mistério, assassinatos e investigação. Porém, a explicação do mistério é algo que está fora da narrativa. Do nada, aparece o autor dos assassinatos. E, também do nada, vem o motivo. Tommy e Tuppence, que são os personagens centrais, parecem coadjuvantes uma trama um pouco sem sentido. O livro é de 1973 e, nessa época, Agatha estava mais interessada em grandes intrigas internacionais, como em Passageiro pra Frankfurt. As duas tramas são um pouco confusas e parecem não ser da Dama do Crime.

Espero que os dois livros de Tommy e Tuppence que ainda não li (M ou N? e Um pressentimento funesto) estejam mais de acordo com o que foram os dois primeiros.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O nome, de novo

As eleições de 2010 marcaram a última vez em que me confundiram com outra Aline. De lá pra cá, foram cinco meses de calmaria, pra hoje, dia de tsunami no Japão, vir uma pequena onda de confusão.

Tudo começou com o e-mail que recebei do Ton, que tem uma agência de modelos no Espírito Santo. Ele queria falar com a Aline Monteiro de lá, que é produtora de moda. O Ton é uma pessoa muito bacana, que foi super educado ao responder meu e-mail padrão de aviso de destinatário errado.

Em seguida, uma pessoa me chama no Adium pra dizer que já chegou em Aracaju. E lá fui eu avisar que eu não era ela. E descobri que tem uma Aline Monteiro que é psicóloga e que mora em Salvador, prima da Nusa, a moça que me confundiu.

Eu já achava Aline o nome mais comum do planeta. Monteiro não é um sobrenome tão exclusivo assim, mas ultimamente tá me dando a impressão de que é o novo Silva.

E me faz lembrar de uma história que alguém da família contava. De um sujeito que tinha um nome tão comum, mas tão comum, que inventou um sobrenome para os filhos não sofrerem com homônimos. Acho que vou ter de caminhar pro mesmo lado...

quinta-feira, 10 de março de 2011

Filme - Esposa de mentirinha

Just go with it - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Denis Dugan
Roteiro: Allan Loeb, Timithy Dowling
Elenco: Adam Sandler, Jennifer Aniston, Broklyn Decker, Nicole Kidman

Depois de Zohan, sempre penso umas três vezes antes de ver um filme com Adam Sandler. Além de tudo, acho que ele sempre interpreta o mesmo papel, quando poderia render bastante em outras frentes, como no caso de Reine Sobre Mim. Como era carnaval e eu queria muito ir ao cinema, aceitei a sugestão dos amigos e fomos ver Esposa de Mentirinha.

O filme me surpreendeu. É a situação de sempre - Adam Sandler, fazendo o papel de Adam Sandler, é o personagem principal. Há a zoação de sempre com o nariz do ator e com o o fato dele ser judeu; há a pessoa que ele tenta conquistar; há a descoberta do amor verdadeiro... Praticamente é como ver Zorra Total. Mas, dessa vez, algumas piadas mudaram. Por exemplo, há uma crítica, ainda que leve, ao excesso de cirurgias plásticas na sociedade americana (a brasileira não fica longe, é a segunda no ranking de plásticas). Ou quando se pergunta quem diabos é o N'Sync (e a gente escuta na platéia alguém criticando o companheiro justamente por não saber quem é o dito grupo).

A história de Danny (Sandles) e Katherine (Aniston) é bastante óbvia. Porém, há momentos bem bonitinhos. Especialmente quando eles, enfim, resolvem que se amam, mas ainda estão impedidos de ficar juntos. Katherine, deitada, sozinha, do lado direito de uma cama de casal, pensa em Danny, enquanto ele faz o mesmo deitado do lado esquerdo de outra cama de casal. Foi uma maneira quase poética de mostrar que os dois personagens se completam. Outro momento é quando Danny ensina Michael, filho de Katherine, a nadar. O garoto, interpretado por Griffin Gluck, e Maggie, por Baille Madison, também rendem momentos divertidos. A garota promete ser uma boa intérprete no futuro.

Nick Swardon, que interpreta Eddie, primo de Danny, parece ser o Rob Schneider da vez, já que os dois vêm fazendo filmes juntos, como o desprezível Zoham e Eu os declaro marido e... Larry. E, de certa forma, é bom constatar que o ator envelheceu. Porque há uma esperança de que, afinal, Adam Sandler amadureça e, com ele, seus filmes.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Sem batuques é muito melhor

Com os amigos. Jogos, cinema, restaurantes bacanas. Sem nem ouvir falar de carnaval. Balanço extremamente positivo.

Marília Pizzeria
Tales, Leo, Fabi e Lauro, no Topo do Mundo
A neblina lembra o Nada de "História Sem Fim"
A estranha forma de cobrança do Topo do Mundo
A neblina foi saindo aos poucos
Enquando a gente comia isca de filé com gorgonzola
A vista, mais limpa
Lá no fundo, uma tempestade
Todos juntos
De novo
O casal e os papagaios de pirata

Filme: A Marselhesa

La Marsellaise - 1938 (mais informações aqui)
Direção: Jean Renoir
Roteiro: Jean Renoir, Carl Koch
Elenco: Lise Delamare, Louis Jouvet, Pierre Renoir

Para começar, é preciso dizer que Jean Renoir é filho do famoso pintor fracês Renoir, da época das Vanguardas. O pai tinha um olhar apurado da paisagem humana da época, algo herdado pelo filho. E o filme foi produzido durante o primeiro governo socialista francês, chamado Frente Popular, com o objetivo de forjar uma identidade dos pais da Revolução Francesa - neste caso, o povo foi apresentado como o principal elemento dessa história. O filme retrata um grupo de patriotas que sai de Marselha a caminho de Paris para confrontar a aristocracia francesa e o rei, que pela nova constituição, mantinha-se no comando, com poder de veto.

O roteiro fala do povo. O espaço para a nobreza é muito pequeno. Começa com a tomada da Bastilha e o rei, em seu palácio, calmamente comendo. Em seguida, já vemos a população lidando com a repressão do período jacobino da revolução. O rei, interpretado por Pierre Renoir, é apresentado como um fanfarrão, comilão e irresponsável. Sempre que ele aparece, o castelo está em polvorosa com os acontecimentos políticos e ele está calmo, deliciando-se com um prato de comida. Algo que Carla Camuratti usou em Carlota Joaquina e que sempre vemos quando a intenção é ridicularizar os membros da nobreza. Há uma cena em que parte da nobreza está exilada na Alemanha, também deliciando-se com um jantar, um deles brinca, inocentemente, com um ioiô. Ou, em outro momento, quando a rainha Maria Antonieta diz que é impossível confiar em quem escova os dentes diariamente.

Os populares de Marselha, inflamados, resolvem iniciar ali mesmo uma revolta. Com um barril de vinho, fazem um cavalo de Troia e entram no forte da cidade, rendendo os guardas e tomando suas armas. a redição é praticamente imediata. É interessante notar que os tiros só serão disparados na terceira parte do filme, quando há o confronto direto com a tropa que guarda o castelo real. Bomier, o personagem principal, é como um Didi Mocó francês. Falastrão, atrapalhado, galanteador - a cara do povo. Ele se alista no regimento de Marselha e segue com seus companheiros para Paris. À medida em que marcham, o embrião da Marselhesa é criado, e os alistados se apropriam da canção. É por ela que serão identificados ao chegarem a Paris, de forma tão intensa que a música será depois, escolhida para ser o hino do país. Alguns elementos do filme reforçam a época em que a obra foi criada. Um exemplo é o "cidadão", vocativo dado a todos, exaustivamente, como o "camarada" era utilizado na Rússia comunista. Apenas a aristocracia se recusa a ser chamada de "cidadã". 

É interessante ver uma produção tão antiga e encontrar certas técnicas de filmagem que tratam de dar ao filme um caráter narrativo, como os diálogos que acontecem fora do quadro já nos primeiros momentos da exibição. E os movimentos de câmera, hoje tão comuns com as gruas, que faziam tomadas de inúmeros figurantes uniformizados, prontos para partir para Paris. É inevitável pensar em como Jean Renoir conseguiu um movimento tão harmônico no passeio da câmera pela multidão. Algo que sempre me chama a atenção em filmes antigos é a aparição dos créditos técnicos antes do início da história. E as trilhas sonoras, orquestradas. Neste caso, música de câmara da época dos bailes e serões. Por outro lado, o som ambiente desaparece - ou tem uma diminuição muito brusca - sempre que algum personagem fala. Isso gera um estranhamento para quem está acostumado com a edição de som atual e a mixagem contemporânea. A forma de narrar é diferente e, por isso, bastante interessante. Há uma série de cenas que, se tivessem sido feitas hoje, provavelmente teriam sido cortadas para dar mais agilidade à narrativa.

E uma alegria: a música que nobres e povo cantam - cada grupo com sua letra - foi usada por Chico Buarque em Alô, Liberdade, canção de Os Saltimbancos Trapalhões:

Ah, sairá, sairá, sairá
Laiaralaialaialaiá
Hoje a banda sairá


segunda-feira, 7 de março de 2011

Analisar a vovó

Desde janeiro há o dilema de espaçar ou não minhas sessões de análise. Diz a analista que eu estou pronta pra caminhar sozinha. A não ser por um detalhe: a vovó.

Minha relação com a vovó é algo que nem sei explicar. Foi construída em cima de respeito, amor e carinho. Houve uma época da minha vida em que ela era mais a esposa do meu avô. Isso porque o vovô dominava as atenções dos netos. Quando ele morreu, eu pude conhecer melhor a minha avó e me apaixonei por ela. Cheia de particularidades, ela vem de uma família perfeita (sim, isso existe! São os Mendes Barros!). É a bondade em pessoa, um coração tão grande que me deixa com medo, já que tem muita gente que se aproveita disso.

E ela tem 92 anos e meio. É inevitável pensar que o tempo de vida que resta a ela é muito pequeno. Mesmo que sejam mais 20 anos, é muito pouco. Mesmo que a gente olhe pra trás e pense que, putz, ela nasceu em 1918!!! É muita vida! Vamos celebrar que ela vive ainda, que está saldável, forte, lúcida. Isso que importa, e não o futuro.

Não, não é bem assim.

Há poucos anos, vovó foi pra BH fazer uma cirurgia. E foi phoda. A cirurgia foi super simples, ela respondeu muito bem, tudo deu certo. Eu é que baguncei o meio de campo. Eu chegava em casa, à noite, e não havia ela. Não tinha conversa, não tinha o slap-slap do sapato dela pelo chão, os remédios tomados na hora. Só tinha a sombra dela em seu lugar no sofá. E a angústia que me acompanhou durante aqueles dias de ausência. Acho nunca fui tão feliz com a volta de alguém pra casa... como quando o Vander Lee diz "o meu coração tá batendo mais forte porque você chegou".

É inevitável pensar nisso. E é inevitável eu não querer pensar nisso...

Ah, deixa pra lá.

Cinema de carnaval

Sessão extra da 25ª Turma. Rango, Cineart do Shopping Boulevard e botecagem na casa do Daniel.

Leo, Lauro, Filipe, Daniel e Fabrício
Rafaella e eu
Ronaldo Coragem, o cão covarde. Fofo, fofo, fofo.
O que tem de melhor no carnaval em BH!

Livro: Os homens que não amavam as mulheres


Talvez não seja preciso dizer, mais uma vez, que adoro livros de suspense e investigação. Mas não foi só por isso que me vi paralisada com este livro. Além de trazer uma bela história de suspense - em algumas partes até mesmo de terror, vem de quebra uma investigação jornalística sobre crimes contra a economia e discussões sobre o papel da imprensa em meio a um mundo em que a especulação vai ganhando cada vez mais força.

A trilogia Millennium foi escrita pelo sueco Stieg Larsson e fez tanto sucesso editorial que virou filme e série por lá e ainda teve os direitos comprados por Hollywood. Meu primeiro contato foi com o filme sueco do primeiro livro, que me deixou em choque por algumas horas. Em seguida, meu sogro me emprestou o livro, que acabei de ler.

As histórias se misturam: um jornalista que acabou de cometer um erro é condenado a três meses de prisão e ao pagamento de uma multa e, ao mesmo tempo, luta pela sobrevivência de sua revista de economia; um velho industrial tenta, pela última vez, resolver o mistério da morte e do desaparecimento do corpo de sua sobrinha favorita, enquanto desconfia de todos de sua própria família; uma jovem hacker com profundos problemas familiares e psicológicos tenta sobreviver num mundo onde é usada e violentada. Os três personagens se unem para resolver o mistério do desaparecimento de Hariett Vanger, a sobrinha do industrial. O jornalista Mikael Blonkvist é contratado por Henrik Vanger durante um ano para escrever a crônica de uma família bem peculiar e também para tentar descobrir novas pistas sobre a garota, que tinha 16 anos quando desapareceu. Em meio a sua pesquisa, Mikael solicita o apoio de um pesquisador e é apresentado a Lisbeth Salander, a garota pequena e frágil que é a melhor hacker da Suécia. Vale dizer que o filme sueco foi muito bem adaptado - as poucas diferenças entre texto e tela são apenas para a história se adaptar à plataforma fílmica.

No início de cada bloco de capítulos, um dado estatístico sobre a violência contra mulheres na Suécia chama a atenção. São número que nós, brasileiros, talvez estejamos acostumados a ver. Mas que eu, particularmente, não achava que seriam realidade em um dos países mais desenvolvidos economicamente no mundo. O que pode nos levar a uma - rasa - conclusão: a violência contra a mulher é algo institucionalizado, perpetuado e ainda mais difícil de ser desenraizado.

As duas investigações levadas a cabo por Mikael - o desaparecimento de Harriet, na maior parte do filme, e as jogadas sujas de Hans-Erik Wennerström, são pesadas, dolorosas e levam a um submundo de perversão sexual e econômica, com muito desrespeito à vida.

O livro termina de uma forma epifânica. Se eu não soubsesse que é uma trilogia, teria me dado por satisfeita com a última página. Mas aí vem a vontade de ler os dois livros restantes e ver o que mais Stieg Larsson preparou. Antes de ver os dois filmes suecos. E antes de ver os filmes americanos, que têm enorme potencial para vivarem bomba.

sábado, 5 de março de 2011

Receita de sábado 2 - parte 2

Junto com o cachorro quente de sábado, fiz também balas de café. A receita é de um livro que não se vê muito por aí, o Fogão de Lenha, da Maria Stella Libânio Christo, que vem a ser a mãe do Frei Beto. O livro tem receitas bem típicas de Minas, vinda de cadernos de receitas de senhoras de várias cidades do Estado.



É a segunda vez que faço essa receita. A primeira foi há N anos. Laura e eu decidimos fazer em uma tarde, quando minha mãe estava trabalhando. Erramos ao tirar o ponto e a bala, que colocamos num tabuleiro para enrolar depois de esfriar, ficou tão dura como uma bala soft, aquelas que quase mataram meio mundo engasgados na década de 80. Nós capotamos de rir tentando ao menos cortar a bala, com o auxílio do martelo de bater carne. Foi um desastre. Depois que minhã mãe chegou, colocou aquilo tudo de volta na panela com sei lá o quê e tirou o ponto certo da bala.





Ingredientes

Todos os ingredientes na panela, ao fogo

Juro, fiquei mais de uma hora com isso no fogo. Minha paciência foi diminuindo a ponto de quase acabar. Só que me fez terminar foi o cheiro do café. Eu não gosto do café, só do cheiro e de coisas de café. Só isso me deu forças pra continuar!

No final, na hora de tirar o ponto

Diz o livro que o ponto de bala é tirado colocando-se um pouco do "produto" em um copo com água e verificando-se a consistência. Tudo é muito impreciso em termos de cozinha... Dessa vez, peguei o ponto certo.


Tudo pronto

Mas a preguiça me impediu de enrolar. Resolvi deixar assim mesmo e comer de colher. E ficou ótimo, tá?

quinta-feira, 3 de março de 2011

Cores do carnaval

Já falei mal do carnaval aqui e aqui e bem aqui e aqui. Volto pra falar bem de novo.

Há um movimento na cidade para resgatar o carnaval para os ouro-pretanos. Como nativa, adoro essa ideia (tem mais informações aqui). E esta semana, a Faop começou uma intervenção nos tapumes que tanto enfeitam as pontes da cidade. Ficou bonito! Claro que prefiro a ponte livre, leve e solta. Mas como não pode...

E viva a cor nos tapumes da Ponte dos Contos

Em ângulos esquisitos

Um dos artistas da Faop com a mão na massa

Mais dois na pintura

A pintura quase finalizada na Ponte Seca da rua Getúlio Vargas

Por outro ângulo

Mais um
Ficou muito bacana. Mas é bem melhor sem tapumes.