quinta-feira, 28 de abril de 2011

Filme: O Iluminado

The Shining - 1980 (mais informações aqui)
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stephen King (autor do livro), Stanley Kubrick
Elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd

Uma confissão: demorei muito tempo para ver O Iluminado. Só conhecia algumas das cenas, como as do machado e a cara de louco do Jack Nicholson.

O filme é baseado no livro homônimo de Stephen King e conta a história da família Torrance, formada por Jack, Wendy e o garotinho Danny. No livro, Jack é um professor afastado da escola por ter quebrado o braço de um aluno. Em casa, é um pai frio e já machucou o filho de seis anos num acesso de raiva. Devido ao afastamento das aulas, ele resolve escrever um livro e, ao mesmo tempo, encontra emprego no Overlook Hotel: deve cuidar de tudo durante o rigoroso inverno, quanto tudo fica fechado pela neve. No filme, omite-se esse começo: tudo tem início com a contratação de Jack e a ida da família para o hotel. Lá, Danny conhece Dick Hallorann, que o avisa sobre algo sinistro no passado do hotel.

Logo de cara, a trilha sonora avisa que não é um filme qualquer. Com cenas belíssimas de um fusca percorrendo uma estrada sinuosa, rodeada de florestas, o tom já é de tensão. E é a edição de som que vai pontuar os momentos mais tensos da obra. Os personagens e atores também contribuem para a tensão. Jack Nicholson está perfeito no papel de Jack Torrance e Danny Lloyd, o garoto, também arrasa. O IMDb diz que Stanley Kubrick tomou uma série de cuidados com o garoto, que só ficou sabendo que fez um filme de terror anos depois. Shelley Duvall é que destoa um pouco. Acho que por estar cercada por duas grandes interpretações, ela não consegue passar muita verdade na atuação. E, não adianta, ela tem cara de Olívia Palito, de Popeye.

Na linha dos filmes de terror mais clássicos, temos aquela informação básica: o hotel Overlook foi construído sobre um antigo cemitério indígena. E isso, claro, só podia levar a situações assustadoras. Como quando a câmera acompanha Danny passeando de velotrol por todos os cantos. Basta fazer uma curva à esquerda e... A montagem colabora bastante para o clima de terror. O filme é dividido em capítulos, que datam a história da família Torrance, e esses períodos de tempo vão só diminuindo. O uso de cenas congeladas, em geral com close nos rostos, também contribuiu, assim como os grandes intervalos de silêncio, nas conversas entre os personagens principais.

Kubrick usa bastante as cores em certas sequências de cenas. Por exemplo, o vermelho no banheiro da adega, o verde nas cenas do banheiro do quarto 237 e o branco da neve nas áreas externas do hotel. A neve é um elemento importantíssimo na trama, por fixar a solidão no contexto da história.

Há uma espécie de lição de moral inserida tanto no livro quanto no filme: só trabalho sem diversão faz um mal enorme. Lembre-se disso em sua vida, ok?

E o principal: a trilha sonora faz toda a diferença. Se não, o que pensar do trailler de O Iluminado com música Solsbury Hill, de Peter Gabriel, aí embaixo?










quarta-feira, 27 de abril de 2011

Será que tem?

Daí que depois que a gente voltou de viagem o Leo veio com a novidade: vai fazer a sexta tatuagem.

Pausa pra explicação. Tem um tanto de gente que faz cara de espanto e me pergunta se eu deixei ele fazer a tatto. Gente, pelamordedeus, a pele é dele, a grana é dele, a dor é dele e o gosto é dele. Pior, o corpo é dele,  eu não tenho nada-nada-nada a ver com essas decisões. Eu não faria, mas apoio.

Tem gente que já sabe da novidade, tem gente que nem imagina. Tia Ylza não sabia ainda. Ela tem 89 anos. É uma senhorinha cheia de nuances, com personalidade bem forte. Se ela gosta, ela ama. Se não gosta, sai de baixo! E ela é doida com o Leo. De fazer tricô e até doce pra ele. E doce e tricô ela só faz pra quem ela gosta muito.

Voltando aos fatos: hoje o Leo contou pra ela que vai fazer a nova tatoo. E aquela coisinha fofa, sem dar nem tempo pra gente respirar, questionou:

- E tem espaço?

É o orgulho da sobrinha, essa Tia Ylza!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Não era um passo de dança

Fernando Sabino, no livro O Encontro Marcado, um dos meus favoritos, termina a primeira parte do texto assim:

"De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um novo caminho. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro".

Quando eu fiz dança moderna e teve a tradicional apresentação de final de ano, a professora insistia em dizer que se, por acaso, uma de nós caísse, era só dar um jeito de levantar e seguir em frente, como se nada tivesse acontecido. Como se fosse fácil você, aos dez anos, cair no palco em frente aos pais, mães e irmãos e mais a parentada que teve saco de ir lá ver aquela dança ridícula...

O fato é que, aos 92 anos, 9 meses e 23 dias, vovó caiu de novo. Mais uma queda que, infelizmente, não virou um passo de dança.

Aline me ligou dizendo que ela tinha caído. Foi quando saia para ir ao dentista. Ela desceu as escadas, de onde já tinha caído em 2007, e, ao se virar para ir em direção à porta, escorregou e caiu de cabeça no chão. Foi a Aline que a levantou e a sentou na escada. Vovó não queria que ela me ligasse. Queria levantar e ir ao dentista. Quando cheguei, ela estava doidinha, no corredor. Foi um custo convencê-la a não ir mais ao dentista. Passada essa fase, ela queria ficar em casa quieta. Leo e eu insistíamos pra ela ir ao hospital e ela não queria. Mas em certo momento, queixou de dor de cabeça. Ela também não queria que chamássemos o SAMU. Porque, da outra vez, saiu imobilizada na maca, procedimento padrão dos socorristas. Por fim, nos deixou levá-la à Santa Casa.

O médico olhou e disse que, aparentemente, estava tudo bem. Isso até o raio-x ficar pronto. O Dr. Marcos foi taxativo ao dizer que foi muita sorte ela não ter quebrado nada. Vovó costurou e fez crochê durante anos, encurvada, e isso afetou os discos que ficam entre as vértebras. Eles funcionam quase que como amortecedores. Como a vovó tem os discos bem desgastados, qualquer tranco mais forte com cabeça e pescoço podem levar a uma fratura, o que seria terrível na idade dela.

Foram três horas na Santa Casa. O pessoal de lá tem uma boa vontade incrível e todos foram muito atenciosos com a vovó. Pena que não dá pra elogiar a organização deles. O prontuário da vovó estava com a marcação amarela, de urgência, e havia mais três pessoas na área de urgência. Nenhuma delas tinha especificação de cores e todos os três foram atendidos antes da vovó. Imagine só, idosa, com a ficha marcando urgência, e nenhum atendente colocou ordem naquela fila e passou a vovó na frente. Graças a Deus, a urgência dela não era emergência, senão...

Enquanto estávamos esperando o raio-x, me bateu aquele desespero e as lágrimas brotaram. Saí de perto, pra ela não me ver chorando, e fui engolir as lágrimas pra voltar. Até agora, não consegui chorar de novo. Paralelamente, lembro do meu bisavô Camillo, que eu não conheci, mas que todo mundo cita: "a velhice é muito triste", dizia ele, sempre, mesmo tendo tido todo o carinho, apoio e a atenção dos filhos, netos e bisnetos. Ele teve 13 filhos, todos muito fiéis a ele. Vovó só teve dois filhos, minha mãe e o Paulo, e só quatro netos, meus irmãos e eu. A assistência é menor, aqui em OP só estamos eu e Paulo, e o Leo, que é conhecido na família como "o neto favorito da D. Zina".

São quase 93 anos. Mesmo estando firme, forte, lúcida, ela vai definhando. Desce a escada de casa rapidinho, mas demora uns dois minutos pra subir, quase arrancando o corrimão da parede. Caminha já com dificuldade, os passos bem lentos. Demora muito pra levantar do sofá, apoiando nos dois braços. Já tem um pouco de incontinência urinária e, à noite, precisa correr para o banheiro, fato que já levou a uma queda. Não tem mais saído de casa, só para ir à missa aos domingos, ir ao médico ou ao dentista. Essa última queda vai nos forçar a observar mais as saídas dela. E fechá-la em casa, para evitar novos tombos, vai restringir demais o seu mundo e abrir demais o campo para a depressão, que é inevitável nessa idade, ainda mais quanto todos os irmãos mais velhos já se foram e quando quase todas as amigas também não estão mais aqui.

Não sei quantos anos de vida mais ela tem. Só sei que, como dizia vô Camillo, vão ser cada vez mais tristes. Para ela, para mim e para todo mundo que está perto.

Deve ser duro demais se ver, aos poucos, diminuindo sua capacidade para fazer coisas básicas, como levantar da cama, caminhar, carregar uma sacola. Não poder mais cair, fazer carão, levantar e seguir a vida como se nada mais tivesse acontecido.

Desafio Literário - Abril: 1808


Do jornalista de Veja Laurentino Gomes, é uma obra leve e bastante interessante, escrita para a comemoração dos 200 anos da chegada da corte portuguesa ao Brasil. No prefácio, o autor conta que sua pesquisa faria parte de uma revista especial comemorativa, filhote de Veja, mas que acabou não saindo do papel. Apesar disso, ele aprofundou a pesquisa e gerou o livro.

A história é aquela que já conhecemos. Em 1807, pressionado por Napoleão Bonaparte, o príncipe regente D. João foge com a família real e a corte portuguesa para o Brasil, limpando os cofres portugueses e deixando seu povo sozinho na guerra contra a França. No Brasil, D. João encontra uma terra atrasada por anos de extrativismo e começa a transformar aquela imensidão territorial em uma nação mais coesa.

A vantagem do livro é que o texto é jornalístico. Laurentino traz muitas informações históricas, mas de forma mais palatável, ideal para quem quer conhecer mais a história sem precisar se debruçar sobre o rigor acadêmico. Vemos uma descrição bastante rica das figuras histórias principais (D. João, a princesa Carlota Joaquina, a rainha D. Maria I, ministros de governo), dos viajantes da época, que vieram com a missão francesa ou de passagem após a abertura dos portos brasileiros e até mesmo de figuras com menos ascenção social, mas nem por isso menos importantes, como o arquivista da Real Biblioteca, que cruzou os mares em 1811 e, após um período em "guerra particular" contra o Brasil, acabou por se apaixonar pela terra e aqui fincou raízes. Como não podia deixar de ser, há inúmeros dados sobre a corrupção da corte e como alguns integrantes do governo enriqueceram de forma absurda após chegarem ao Brasil.

Em 2010. Laurentino lançou a continuação desta história, o livro 1822, que fala sobre o processo de independência do Brasil. Em 1808, ele apresenta os movimentos políticos e sociais que levariam à separação de Brasil e Portugal, mas termina a narrativa com o retorno da corte à Europa, em 1821. Deve ser outro livro bastante interessante.

domingo, 24 de abril de 2011

Filme: Vem dançar comigo

Strictly Ballroom - 1992 (mais informações aqui)
Direção: Baz Luhrmann
Roteiro: Baz Luurmann
Elenco: Paul Mercurio, Tara Monice, Bill Hunter



Terceiro texto no Cinema de Buteco.

O que dizer além que está lá? Vi o filme em 1993, com 14 anos. Foi o primeiro filme australiano que vi na vida e fiquei louca com as cores estravagantes. Era como uma novela mexicana, infinitamente mais bacana. A dança era inebriante e me lembrou que um dia eu tive muita vontade de dançar e fui fazer balé moderno, abandonando a natação. Não durou muito, mas foi bem legal. Revi o filme várias vezes, no VHS gravado em casa, direto da então TV Bandeirantes. Como quase todos os VHSs da vida, ele se perdeu em algum momento e fiquei anos sem rever, até que encontrei, durante o carnaval, o DVD à venda nas Americanas. Vale pela historinha de amor, rebeldia, superação e vitória.

sábado, 23 de abril de 2011

Bom será

Ouro Preto mexe com muita gente. Há quem ame (eu!) e quem odeie. Também quem mantenha uma relação dual. São 313 anos da descoberta do Pico do Itacolomi e está chegando a comemoração dos 300 anos que viramos Vila.

Daí que, um dia, seis pessoas decidiram se reunir pra falar de Ouro Preto de um jeito um pouco diferente. Foram vários encontros para discutir formatos, caminhos, temas e chegamos ao Bom Será. O nome é, ao mesmo tempo, um estilo de construção muito comum em cidades coloniais e a nossa vontade de que Ouro Preto seja sempre melhor, para quem mora, para quem visita, para quem está de passagem. O legal é que são seis visões diferentes sobre uma cidade plural.

Meus textos serão publicados às sextas-feiras e os do Leo aos sábados.

Quem quiser visitar, comentar, difundir, esteja à vontade.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Pra lembrar sempre

Ontem foi dia de encontrar os amigos. Muitos assuntos, muita coisa legal. Como temos uma grávida no grupo, acabamos falando sobre crianças e sua relação com o mundo, como educar etc. Daí que eu lembrei dessa música do Toquinho e do Elifas Andreato, do álbum Canção de todas as crianças, , de 1987, inspirada na "Declaração Universal dos Direitos da Criança".

O disco inteiro é uma gracinha. Essa música, em especial, é algo pra gente lembrar todo dia.
Procurei e não achei o MP3 ou o vídeo pra colocar aqui. Então, vai só a letra mesmo.


Castigo não
Toquinho e Elifas Andreato

Um dia você crescerá,

Será gente grande também.
Depois você vai namorar,
Gostar muito, muito de alguém.
E quando você se casar
Virá com certeza um neném.

Não deixe nunca
Seu filho sozinho,
Sem proteção.
Castigos não fazem
Ninguém mais bonzinho,
Não fazem, não.

Não levante a voz
Nem levante a mão.
Não bata, não xingue
Nem dê beliscão.
Não trate as crianças
Como bem entender.
Gritos não vão resolver.

Criança que apanha
Não aprende a lição.
Com jeito ela vai aprender.

terça-feira, 19 de abril de 2011

A minha intolerância

Há tempos tem uma coisa me cutucando. É a intolerância. A minha, em especial. Porque, não há como negar, todos nós somos intolerantes, cada um com uma medida e com uma motivação diferente. Não tem como fugir, todo mundo tem uma intolerância guardada, em algum cantinho, em uma gaveta esquecida, no fundo do armário. O que move a minha intolerância são atitudes estúpidas.

Durante 22 anos eu convivi com um exemplo de ações estúpidas. E fui ficando calejada, ao ponto de virar intolerante. Porque ninguém nasce intolerante, a gente se torna. Devido a alguma experiência anterior, como é o meu caso, ou à criação, quando acabamos imitando o comportamento de alguém. Não sei qual motivo tem mais adeptos.

O fato é que qualquer - isso mesmo, qualquer - atitude estúpida acende a luz amarela da minha intolerância. É um aviso, porque todo mundo consegue ser estúpido uma vez ou outra. Mas se a estupidez torna a aparecer, a minha intolerância acende a luz vermelha. E, automaticamente, incluo a pessoa na lista de indesejáveis. Eu não tolero gente estúpida. Eu não preciso conviver com gente estúpida. Eu não quero conviver com gente estúpida.

E quem é a gente estúpida com quem eu não quero conviver? No topo da lista estão as pessoas que gritam com as outras. Quem quer ganhar qualquer coisa no grito não merece meu respeito. Nessa categoria também podem ser incluídas as pessoas que usam de qualquer tipo de atitude violenta para com os outros. Meu diagnóstico é que essas pessoas, que gritam e/ou são violentas, não são inteligentes. Não sabem conversar nem argumentar, e aí partem pros berros, pros tapas ou pros tiros. Tem como respeitar? Não, né?

No segundo lugar da lista estão as pessoas que fazem de tudo pra trazer o mal para os outros. Gente que se faz de santa, mas que adora uma maledicência. Que, aos pouquinhos, vai fazendo a caveira dos outros. Que tenta, de todos os modos, diminuir os outros, seja lá por qual motivo. Tem um caso desses bem pertinho de mim, que já me rendeu horas de análise, só para que eu descobrisse que, de algum modo, essa pessoa se sente ameaçada por mim e, por isso, insiste em inventar histórias. Hoje, eu já não ligo pro que ela fala, só lamento que, em vez de usar melhor o seu tempo pra, por exemplo, ser feliz, né? Então...

No terceiro lugar estão os que não sabem se colocar no lugar dos outros. Excetuando-se, claro, quem tem qualquer tipo de problema psicológico que afete essa capacidade. Sim, há alguns problemas psicológicos em que o paciente não sabe, não consegue entender que os outros são pessoas como ele. Mas isso é outra história. Quem não tem distúrbio e só consegue enxergar seu próprio umbigo, passando por cima dos outros, é um dos maiores representantes da estupidez.

Por que estou falando isso? Porque a minha intolerância está me fazendo ficar estúpida. Não tolerar é uma forma de estupidez, e é uma contradição me ver sendo estúpida com quem eu não tolero. Sim, eu tento não ser estúpida, mas nem sempre consigo. Na maior parte do tempo, procuro me afastar de quem eu não tolero, mas certas situações da vida me obrigam a manter contato com elas. Com essas pessoas, eu procuro só cumprimentar e falar o básico, pra não correr o risco de ser tão estúpida quanto, ao tentar me afastar da estupidez que eu não tolero.

Não há intolerância legal. Mesmo quando não se tolera uma coisa ruim.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Saldo da viagem

Como disse o Tales, foram:

- duas idas a Ciudad Del Este, para compras;
- duas idas ao free shop da Argentina, para compras;
- uma ida à Argentina, para jantar no Cassino;
- uma visita às Cataratas do Iguaçu, no Parque Nacional do Iguaçu;
- uma visita ao Parque das Aves;
- cinco restaurantes (Bier Garten, Armazém Trapiche, Iguazu Grand, Trapiche e Ritorna);
- muitas compras, algumas horas na Receita Federal, alguns minutos na Polícia Federal e tudo certo.

E, com as melhores companhias possíveis. Viajar em grupo é sempre bom, mas com pessoas animadas, dispostas, que não são pitizentas é uma dádiva.

De malas prontas, no lobby do hotel, pra voltar a BH


Já em BH, na luta pra colocar tudo dentro do carro

domingo, 17 de abril de 2011

Parque das Aves de Foz do Iguaçu

O Parque das Aves de Foz do Iguaçu é pertinho do Parque Nacional do Iguaçu. No primeiro momento, eu achei que seria um lugar pequeno e com pouca graça e os meninos não tiveram lá muita vontade de visitar não. Mas fomos e foi um belo passeio.

É um parque particular, que tem cerca de 1,5km de caminho calçado entre uma mata cheia de viveiros. Alguns dão pena, porque são pequenos. E outros são enormes e a gente pode entrar lá e caminhar entre as aves. Vale a pena. Ficamos quase duas horas lá dentro, caminhando, fotografando e curtindo o dia.

Papagaios

Flamingos

Tucanos

O primeiro viveiro que podemos entrar

Iguana trocando de pele. Eca!

Tartarugas Tigre D'água

Jacaré. Olha a pata dianteira esquerda dele, que charme!

Grou, essa ave engraçada

Os caminhos do Parque das Aves

Araras, no viveiro que pode ser visitado

Que gracinha, né?

Filme: Os bons companheiros

Goodfellas - 1990 (mais informações aqui)
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: Nicholas Pilleggi
Elenco: Robert De Niro, Ray Liotta, Joe Pesci

Mais um filme de máfia? Não, um filmão, em todos os aspectos. Henry (Liotta), que sempre quis ser gangster, conta como conseguiu entrar para uma gangue e impor respeito. Junto com Jimmy (De Niro) e Tommy (Pesci), trabalham com dinheiro ilícito, abuso de poder, violência.

Como em todas as obras de Scorcese, a cor vermelha está presente, para marcar os momentos de violência e de tensão, como na cena inicial, do carro, e na hora em que todos estão reunidos num night club e Tommy mostra como tem o humor instável.

A direção de atores é brilhante. Os três principais dão um show na tela, com destaque para Pesci, que ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante. Infelizmente, depois disso ele passou a interpretar sempre o mesmo papel: o italianinho irritável e violento. Até em Esqueceram de Mim ele é assim. Pena... Na caracterização dos atores é possível ver que, por mais glamour que o mundo dos gangsters tenha para atrair Henry, ele não é totalmente entregue àquele universo, como são Tommy e Jimmy. Henry é o único que demonstra um grau de humanidade e lamenta mortes imbecis, como a do garçom não puxa o saco de Tommy.

Scorcese utiliza aqui alguns recursos de narrativa bem interessantes. Por exemplo, a troca do narrador. Começa com Henry e, em certo ponto, passa a ser Karen, a garota que viria a ser sua esposa. E, para impressionar a mocinha, vem a cena mais bacana do filme, um plano-sequência que, diz a lenda, foi considerado OK no terceiro take. De tirar o fôlego! E também é bonita demais a parte, quase poética, em que os corpos dos comparsas de um assalto são encontrados. Lindo! Os créditos finais, com Sid Vicious, do Sex Pistols, cantando My Way é muito legal.

É um filmão, indispensável. E praticamente impossível falar sobre ele, porque tudo já foi dito.

Só uma curiosidade boba: Jimmy (De Niro) aparece, em determinado momento, usando um chinelão com meias, bem à vontade. O garoto que criou o Facebook aparece do mesmo modo em A Rede Social.

sábado, 16 de abril de 2011

Pequena parte de Puerto Iguazu

Já falei como foram as comprar no free shop na Argentina, em Puerto Iguazu. Eu não tive tempo de pesquisar o que tem na cidade, então acabamos ficando com uma única opção, além do free shop: o cassino. Logo na estrada que liga o aeroporto ao centro de Foz de Iguaçu há um outdoor enorme que diz: "Na Argentina é legal. Pode apostar." O cassino fica no hotel Iguazu Grand, bem pertinho da aduana argentina e tem uma espécie de convênio com o hotel em que ficamos, em Foz. Há uma van que sai do hotel às 22h e que retorna à 1h, com destino ao cassino. De novo, o motorista recolhe as identidades e faz o cadastro nas aduanas brasileira e argentina.


Demos uma passeada breve pelos salões do cassino - a parte dos caça-níqueis é tentadora, com mil luzes coloridas - e fomos direto pro restaurante, para a melhor refeição da viagem. Como tudo está em um hotel, a prioridade são os hóspedes com reserva. Ficamos 20 minutos no lobby esperando vagar uma mesa. E foram os minutos de espera mais recompensadores do dia.


Brinde
Pra começar, o couvert é uma cortesia da casa, incluindo o champagne que, segundo a Fabi, que gosta mas não pode beber, é de ótima qualidade. Eu, como não gosto nem posso beber, só dei uma provadinha de leve e deixei a taça toda.

O restaurante é clássico e lindo

O filé à milanesa do Lauro e da Fabi

O salmão do Tales

Meu penne quatro queijos - é, eu sou mega chata pra comer

O bife de chorizo do Leo
Estava tudo muito bom, o atendimento foi de primeira. E o melhor, preços em pesos! Na divisão das contas, ficou R$ 45,00 por pessoa. Por um jantar que sairia bem mais caro no Brasil. O maitre, Juan Gonzáles (quase chorei de rir com o nome, porque era como meu irmão mais novo chamava meu primeiro namorado), foi muito simpático. Ao nos ver fotografando os pratos, quis saber se tínhamos restaurantes no Brasil. Não, Juan, nós somos é bobos mesmo...

Depois voltamos ao cassino, onde é proibido tirar fotos. Pena, era muito legal lá. Foi divertido quando o Leo gritou "Bingo!" e fez todo mundo olhar pra ele com cara de desconfiado. Dois dos nossos amigos trocaram cinco dólares por fichas e foram apostar nos caça-níqueis, que são viciantes. Em pouco tempo, já tinham perdido tudo, mas ficaram felizes só por terem jogado.

Pra resumir, o melhor foi mesmo o jantar. Dá vontade de voltar e voltar e voltar e voltar...

Na saída, esperando a van do hotel

Único ponto negativo: o motorista da van do hotel foi, na ida e na volta, escutando funk na maior altura e com uma cara de poucos amigos que dava até medo de pedir pra ele, ao menos, diminuir o volume. Fora isso, foi tudo muito legal.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Compras no Paraguai

No post anterior, falei um tanto sobre a cota de compras internacionais e a questão dos impostos. Comprar no Paraguai é a mesma coisa. A cota é a mesma - US$ 300 para um mês, por via terrestre. Ou seja, some as compras da Argentina e do Paraguai.

A relação aduaneira entre os dois países e o Brasil é bem diferente. É preciso se cadastrar na aduana no Brasil e na Argentina, para entrada e saída nos dois países, mas não é preciso fazer isso para entrar no Paraguai. Tudo que tem de organizado na fronteira argentina não tem na fronteira paraguaia. Aliás, é só cruzar a Ponte da Amizade pra se perceber um outro mundo.

Fomos com a Loumar Turismo, com saída às 8h40 no hotel - a van nos deixou no Shopping Del Este, do lado da aduana paraguaia - e retorno às 16h. A saída foi sem problemas, a entrada no shopping também.

Primeiro, rodamos pelo shopping procurando tudo o que queríamos comprar. Todos os preços são cotados em dólar e os produtos podem ser pagos em real, dólar, peso ou guarani. É bom levar uma calculadora, porque a cotação varia todo dia e, em alguns lugares, é diferente até mesmo durante o dia. Os preços dos eletrônicos são realmente muito bons. E também os de bebidas, maquiagens e produtos de higiene. Segurança de que os produtos são originais, só nos shoppings mesmo. Em camelôs na rua é suicídio!

O Shopping Del Este é o mais bonitinho. Lá dentro, nem parece que você mudou de país. Tudo limpo, organizado, arrumado. Tem até pão de queijo na cafeteria! Mas basta sair de lá pra cair na real... Sabe o baixo centro de BH? Aquele que você tem até nojinho porque cheira mal, é cheio de gente muito, mas muito pobre mesmo? Ciudad Del Este é pior. E ainda tem um trânsito caótico. Se você não correr, é atropelado na certa. E não vai ter ninguém pra te socorrer. Segundo o nosso amigo taxista Sorriso, se houver uma batida de carros por lá, é melhor não se importar nem descer do carro. Ninguém tá nem aí com preferências, sinais, pedestres. É um salve-se quem puder.

Fizemos compras especialmente no Shopping Del Este, no shopping Americana, na Mega e na Miami Bike. O shopping Americana foi uma dica do Sorriso, quando ele nos levou de novo ao Paraguai. Foi lá que descobrimos porque não há tenis Puma pra vender nas lojas oficiais. Segundo os vendedores, os fornecedores Puma não entregam os tênis por lá. Eles nos disseram que tênis Puma comprado no Paraguai é, com certeza, falsificado.

A melhor loja para comprar eletrônicos é a Mega. Os produtos são originais e, como a loja é um atacado, têm um ótimo preço, que nenhuma outra loja conseguiu bater. E os próprios vendedores dessas outras lojas nos diziam que não tinham como competir com a Mega. Lá dentro é uma bagunça só. Há mil seguranças armados até os dentes e muita gente saindo com caixas e mais caixas. Foi lá que eu comprei meu novo baby, uma câmera Sony HX1, por um preço bem amigo: US$ 330, pela cotação do dia deu R$ 550,00. Ela custa o triplo aqui no Brasil.

E tem a Miami Bike, que tem muitas opções de peças de bicicleta. O Leo e o Lauro compraram bastante lá, por preços bacanas também. Pra comprar roupas, relógios e maquiagens, o ideal é o shopping Monalisa, mas não tivemos muito sucesso por lá. Está bem próximo da Semana Santa, quando deve chegar mais mercadoria.

Comemos no McDonalds paraguaio, no Shopping Vendome. Os sanduíches são muito baratos, a promoção do Quarteirão ficou por menos de R$ 10,00. E a gente ainda riu bastante com os nomes dos sandubas, o slogan do fast-food e com a notinha, que veio em guaranis. Um real é, mais ou menos, dois mil e duzentos guaranis.

Na volta pro hotel, tivemos um pequeno problema. A van que nos buscou não foi a mesma da ida. Voltamos com outras pessoas que, no mínimo, queriam dar o cano na Receita. Quando estávamos na subida para o posto de fiscalização, o motorista perguntou quem iria declarar. Nós cinco e mais dois dissemos que sim e o motorista parou. Ainda no hotel, o Vinícius, da Loumar Turismo, havia nos dito que, se houvesse necessidade de declarar, desceríamos e a van nos esperaria no Ponto de Táxi nº10, que fica na saída da Receita. Essa informação também está no caderninho de dicas que a Loumar nos entregou. Mas nossos queridos companheiros de van não queriam parar e pressionaram o motorista a seguir viagem. Ele nos deixou na Receita e deu no pé, dizendo que ligássemos para a agência ao final do cadastramento que eles mandariam outra van nos buscar.

Entramos na fila da Receita já com as DBAs preenchidas. A fila é longa, mas vale muito a pena. Ficar com a consciência tranquila não tem preço. Do nosso grupo, só uma pessoa precisou pagar imposto sobre o montante que excedeu a cota. Isso foi o que mais demorou, porque a fila dos pagadores era grande e lenta - os fiscais conferiam todos os itens. Ao final, tentamos ligar para a Loumar e não conseguimos. Pegamos táxis e fomos pro hotel. Aproveitamos para contar a Vinícius essa confusão com a van e ele nos deu o traslado de volta ao aeroporto, sem custos, como compensação. Ficou OK, mas ficamos muito desconfortáveis. Com a Fabi grávida, o mínimo que a empresa deveria oferecer era total conforto pra ela.

Não temos fotos do paraguai. Não é só porque não tem muitas coisas bonitas pra se fotografar, mas porque é tão muvucado que deixei minha point-shot no hotel e não tirei a HX1 da caixa até a nossa volta. É tenso mesmo comprar por lá. Mesmo com os preços tentadores, você fica o tempo todo preocupado com assaltos. Andávamos sempre em fila indiana, um cuidando o outro, e com o objetivo já traçado. Saíamos de um lugar já com a convicção de onde entraríamos depois. Para isso, ajudou bastante a pesquisa que os meninos fizeram sobre as lojas. Eu não tive tempo de pesquisar, mas aprovei o trabalho deles.

Uma coisa que fizemos e que ajudou bastante, apesar de doer no coração, foi ligar o Ignorator 3.0 e simplesmente não ver as pessoas de lá. Porque é assim: aparece um vendedor de meias ou de outras coisas em cada lugar e começam a te chamar. Se você olhou, já era. Essa pessoa vai andando atrás de você gritando ofertas para o seu produto, infernizando mesmo, até você perder a paciência e comprar. E quando você finge que aquelas pessoas não existem - crueldade no último grau -, elas te deixam em paz. É preciso ignorar a pobreza daquele lugar, o esgoto a céu aberto, a comida sendo preparada e servida ali mesmo, do lado de uma poça de esgoto. Pessoas físicas não pagam impostos no Paraguai. O Estado não tem arrecadação suficiente pra dar um pouco de dignidade pros moradores. É um ciclo cruel, que reforça cada vez mais aquela pobreza toda e, infelizmente, nós fazemos parte disso.

Só pra reforçar, é melhor ser honesto e declarar tudo direitinho. Se você não é parado pela Receita no lado brasileiro da Ponte da Amizade, a Polícia Federal provavelmente te para nas saídas de Foz do Iguaçu.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Compras na Argentina

Para começar, é preciso dizer que cada brasileiro pode fazer compras em outros países com uma determinada cota, em um período de 30 dias. Para quem faz viagens aéreas, a cota é de US$ 500; para viagens terrestres ou por via marítima é de US$ 300. Se ultrapassar essa cota, tem de pagar imposto, que é de 50% do valor excedente. Isso vale para 30 dias; passado esse período vale uma nova cota.

Na Argentina, em Puerto Iguazu, há um free shop e quase todo mundo que eu conheço e com quem eu conversei afirmou e reafirmou que sobre ele não incide imposto. Ou seja, compre o que quiser e seja feliz. Mas não é bem assim. O free shop é free apenas para os argentinos. Qualquer compra lá em Puerto Iguazu ou nos outros free shops argentinos levam a impostos, se excederem a cota.

O free shop é bom pra comprar algumas coisas. Uma delas são as bebidas. O preço de uísque é muito bom. Também vale muito para perfumes e maquiagens, além dos chocolates. Lá tem Kit-Kat, o antigo Cadillac, e só por isso a gente já fica feliz #AmoChocolate.

Mas os eletrônicos, que também têm um preço muito bacana, são traiçoeiros. Tudo deve ser declarado na Receita Federal e, se exceder a cota de US$ 300, é preciso pagar os impostos devidos.

E é aí que mora a pegadinha. Ninguém, nem no hotel, nem no free shop, nem em lugar nenhum em Foz do Iguaçu, nem no traslado até o free shop ou de volta pra Foz as pessoas te falam pra parar na fronteira e declarar as compras. E aí, na volta pra casa, quando a Polícia Federal passar as malas pelo raio-X do aeroporto ou abrir as malas para revista e encontrar material não declarado, ele é confiscado, porque é considerado sonegação. Não tem como recuperar os produtos que a Polícia Federal apreende. Então, é melhor ficar atento e declarar todas as compras que precisam ser declaradas.

Estão valendo novas regras alfandegárias que permitem que o viajante compre, para uso pessoal, um telefone celular, um relógio de pulso e uma máquina fotográfica, sem precisar de declará-los à Receita Federal e sem incidência de impostos. Roupas, acessórios, adornos pessoais e produtos de higiene e beleza também estão isentos de tributos, desde que em quantidades compatíveis, ou seja, não dá pra fazer a festa da uva e trazer um caminhão de coisas.

Câmeras filmadoras e notebooks não fazem parte da lista de bens de uso pessoal, eles entram na cota e, se a excederem, geram o pagamento de impostos. Com relação a bebidas alcoólicas, a nova regra diz que o máximo é de 12 litros por pessoa. Há outras regulamentações, mas essas são as mais básicas. Para declarar as compras, é preciso preencher a Declaração de Bagagem Acompanhada, a DBA, e entregar na Receita Federal, que vai vistoriar tudo. Tanto a Receita quanto a Polícia Federal sabem a maior parte dos preços dos produtos. Enquanto estávamos na fila da Polícia no aeroporto, na volta, um sujeito passou com um molinete de pesca. O policial, na hora, já falou o preço do produto. Eles têm, também, um cadastro com os preços. Ou seja... é muito melhor ser honesto e fazer tudo direitinho. Tem informações mais completas sobre o que entra e o que não entra na cota aqui.

O free shop de Puerto Iguazu é relativamente grande. Tem uma porrada de marcas daquelas que a gente tem dó de comprar porque são caríssimas por aqui. Vale a pena rodar por lá e gastar tempo pesquisando produtos e valores. Eu tinha que comprar uma camiseta pro Bruno, mas não tinha roupas masculinas da marca que ele queria.

E lá também tem a pegadinha número 2. Nós compramos, junto com o pacote do hotel, a vista ao free shop pela Loumar Turismo. A van saiu do hotel às 18h30 e demorou um tantão pra chegar lá no free shop, porque todos os brasileiros precisam se cadastrar na aduana antes de cruzar a fronteira. O próprio motorista da van leva as identidades até lá e faz o cadastro. A fila de carros que cruza a fronteira é bem grande e esse processo demora um tanto. O Roberto, nosso motorista, também avisou que a fila dos caixas no free shop estava durando uma média de 50 minutos. Como ele nos buscaria às 21h, daria cerca de meia hora de compras e 50 minutos de fila de caixa. Ou seja, uma correria só. Não dá pra pesquisar direito.

A dica aqui é pagar mais caro pelo transporte e ir de tarde pro free shop. Fizemos isso no dia seguinte e foi ótimo. Deu pra andar bastante, pesquisar preços e produtos e descobrir coisas bem legais e com bons preços. Para o transporte, utilizamos o ponto de táxi que fica em frente ao hotel. O motorista, Laércio, também conhecido como Sorriso, tinha um Zafira, que podia transportar cinco pessoas. Ele nos cobrou R$ 120,00 para nos levar ao Parque das Aves, depois ao free shop e nos deixar de volta ao hotel. Ficou em R$ 24,00 por pessoa, o mesmo preço da van da Loumar Turismo pra essas poucas horas de correria no free shop. Vale bem mais a pena com o táxi, combinando ida e volta, pelo tempo que for mais adequado.



Antes da tarde no free shop

Lembrando: é bom não exagerar nas compras, porque tem imposto sim e, se não pagar, a Policia Federal confisca.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Delicadeza

Não é todo dia que a gente vê delicadeza espalhada por aí. E nem é sempre frequente que encontramos pessoas que valham a pena. A minha analista vive falando em comunicação inconsciente, que é o que vulgarmente chamamos de "santo". O nosso "santo" bate ou não bate com determinadas pessoas dependendo dessa tal comunicação insconsciente.

Tem gente que de imediato me cativa. Uma delas é a Rosinha, que eu conheci logo que voltei a morar em OP. Na época, ela era estudante da Ufop e tínhamos um contato bem próximo. Ela se formou, eu mudei de emprego, ela também mudou de trabalho e foi embora pra Lafaiete, a cidade dela. Mas sempre nos comunicamos pelas redes sociais. A Rosinha é uma daquelas pessoas meiga, cativante, alegre, sorridente. Uma graça de pessoa.

Daí que eu acabei de chegar em casa para almoçar e me deparo com um pacote para mim. Era dela. E era tão dela, que só quem a conhece vai entender a delicadeza do gesto.

Olha que gracinha!

Um relógio despertados Kokeshi

Cor de rosa, que é a cara dela.
 Eu fico muito emocionada com isso. Com pessoas que são assim, tão lindas, que a gente tem vontade de carregar no colo e levar junto com a gente.

Obrigada, Rosinha!

Filme: Um parto de viagem

Due Date - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Todd Phillips
Roteiro: Allan R. Cohen, Alan Freedland
Elenco: Robert Downey Jr., Zach Galifianakis, Michelle Monaghan

Zach Galifianakis arrumou uma legião de fãs com Se beber não case. E aqui ele repete praticamente o mesmo papel do cara desligado, meio maluco, com hábitos estranhos e que causa problemas. Seu contraponto é o personagem de Robert Downey Jr., que parece ser um executivo mais frio. Isso fica claro na cena inicial, em que o vemos deixando uma longa mensagem de voz para a mulher falando sobre o nome do bebê que está para nascer. É uma mensagem fria, distante. E assim é Peter durante todo o filme. Ethan, personagem de Zach, vai causar várias confusões logo no início do filme, o que vai ser decisivo para que os dois façam uma longa viagem juntos.

Todos os clichês de comédia - principalmente os chatos - estão ali reunidos. Tem as tradicionais cinzas de um parente recentemente morto que vão causar um problema, o mau humor do antagonista, a crítica às instituições americanas, o humor fácil com piadas machistas, a hora em que os personagens se congraçam, de certa forma, ao fumar maconha. E tudo muito igual ao que sempre foi em filmes assim. Ou seja, pra mim, que não gosto muito de comédias fáceis, deu sono.

Só um diálogo vale a pena: Ethan imita Marlon Brando em O poderoso chefão enquanto compra maconha. O namorado da vendedora pergunta: "Você mesmo que escreveu?". E o ruivo responde: "Não, a máfia escreveu". Ponto final, nada mais a declarar.



Foz do Iguaçu

Foi tudo de repente. A Fabi recebeu uma promoção da Webjet com voos a R$29,90 de BH a Foz do Iguaçu e fez a proposta. Marcamos a data da viagem há cinco meses. E tudo aconteceu justamente durante o período mais punk do meu trabalho com a engenharia. Foi por isso a correria dos últimos dias, pra que eu conseguisse deixar tudo pronto e poder viajar com calma. Saímos de BH na quinta-feira à noite e voltamos na segunda pela manhã. Ficamos no hotel Rafain Centro, fechamos um pacote muito interessante.

Chegamos quase 22h e fomos logo procurar um bar aberto. Caminhamos pela Rua Marechal Deodoro e encontramos aberto Bier Garten, um restaurante até bonitinho, com um amplo espaço aberto. Já estava quase fechando e nós estávamos com pressa. Acabamos comendo rapidinho pra voltar logo ao hotel.


Os cinco, no Bier Garten
Na sexta-feira fomos para as compras em Ciudad del Este, no Paraguai. Mas vou escrever sobre isso depois. Tem muita coisa bacana pra contar. Na volta, exaustos, depois de um banho e um breve descanso, fomos parar no Armazém Trapiche, também na Rua Marechal Deodoro. Foi o pão de alho mais engraçado que já vi na vida, e estava muito bom.

No Armazém Trapiche
Foz do Iguaçu não é uma cidade com muitas atrações turísticas. Mas tem uma fantástica, que é o Parque Nacional do Iguaçu. Rumamos pra lá no sábado. Dentro do Hotel Rafain tem um ponto da Loumar Turismo, uma agência de receptivo que nos serviu bem em algumas coisas e bem mal em outras. Conversamos com o operador, o Vinícius, que nos ofereceu traslado e passeios pelo parque. Mas resolvemos ir por conta própria. O ônibus municipal passa pela Av. Jorge Schimmelpfeng, na esquina com a Rua Marechal Deodoro, em frente ao McDonalds. A linha passa pelo aeroporto e depois vai ao parque, e custa R$ 2,40. Não esperamos muito e o percurso demorou cerca de meia hora.


Esperando o ônibus

O Parque Nacional do Iguaçu tem uma estrutura muito bacana. É imenso e tem algumas opções de passeio, com trilhas de bicicleta, à pé, em jipe elétrico, de caiaque e de bote. A vontade era fazer o passeio de bote, mas como a Fabi está grávida, achamos melhor não arriscar e fazer só a Trilha das Cataratas, à pé. E foi maravilhoso. O parque cobra valores diferenciados de entrada. Uma coisa legal é que os moradores da região têm um "Passe Comunidade", bem mais barato. Para qualquer portador de identidade brasileira, há um desconto no valor do ingresso, que fica em R$ 22,70. Para quem tem ItaúCard, fica a metade do preço.

O ônibus da linha interna leva os visitantes às atrações. Há quatro paradas: a trilha do Poço Preto, que tem opções de caminhada, trilha de bicicleta e caiaque; o Macuco Safari, que tem caminhada e carro elétrico, e o passeio de bote; a Trilha das Cataratas, caminhada até a Garganta do Diabo; e a última que é no Restaurante Porto Canoas.


No ônibus interno do Parque
 Descemos na terceira parada, a Trilha das Cataratas, e fomos caminhando. O percurso é de 1,2km e é muito agradável. Logo no começo da trilha começam a aparecer os quatis, animais que estão bem à vontade com a presença daquele bando de turistas. Todos são avisados para não alimentar os quatis e nem comer perto deles. Eu não vi, mas um deles roubou o sanduíche de um senhor. Todo o meu grupo viu... essa cegueira me mata!


Um dos muitos quatis que ficam por  ali, bem pertinho

Rapidinho, já aparecem as quedas d'água. E são todas de tirar o fôlego.

Primeiro mirante das Cataratas

Pose de turista
Enquanto caminhamos, uma série de borboletas vêm pra bem pertinho. O Leo fotografou duas, bem de pertinho.



E vamos vendo cada vez mais água caindo. É lindo demais!

Segundo mirante das Cataratas

A primeira vista da Garganta do Diabo

No mirante lá, bem pertinho das águas

A Garganta do Diabo. Água que não acaba mais

Na passarela que te leva pra bem pertinho das águas, tem um ponto de venda de capas de chuva. Foi uma coisa totalmente dispensável pra nós. O spray de água que vem é delicioso, ainda mais por causa do calor que fazia no dia. O ruim é que não deu pra fotografar lá, só tem uma foto, aí em cima, que tiramos meio que escondendo a câmera da água.

Molhados e felizes

O Lauro registrou tudo em vídeo
Lá no alto, na saída do elevador panrorâmico

O passeo termina no Restaurante Porto Canoas, que tem três opções: fast food, café e restaurante self-service. Optamos pelo fast-food. O sanduíche do Leo foi o Jacaré. O meu, um croissant.

A caixa do sanduíche

Foi fantástico. O retorno ao hotel foi com a mesma linha de ônibus, que retorna do Parque, passa pelo aeroporto e para em frente ao McDonalds.

Ainda tem: compras no Paraguai, compras na Argentina, Parque das Aves, cassino na Argentina e todas as complicações que as compras trazem. Vamos por partes.

terça-feira, 12 de abril de 2011

De volta

O trabalho puxado ainda não acabou, as férias não vieram, mas a pausa foi fundamental. Voltei renovada. Com os companheiros de viagem que eu tive, então... Foram todos fantásticos e tivemos ótimos momentos durante esses cinco dias. Depois conto com calma como foi a viagem e tudo o que aconteceu.

Lauro, Leo, eu, Fabi e Tale, recarregando as energias

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Filme: Morangos Silvestres

Smultronstället - 1957 (mais informações aqui)
Direção: Ingmar Bergman
Roteiro: Ingmar Bergman
Elenco: Victor Sjöström, Bibi Andersson, Ingrid Thulin

Morangos Silvestres foi minha segunda participação no Cinema de Buteco. O texto está aqui.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Filme: Rango

Rango - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Gore Verbinski
Roteiro: John Logan
Elenco: Johnny Deep, Isla Fisher, Timothy Olyphant

Infelizmente, Rango não veio para o Brasil com cópias legendadas. Assim, perdemos a oportunidade de ver o filme com as vozes originais. Isso, claro, tira um pouco do brilho do filme. Mas só um pouco. Rango é muito bacana.

É a história de um camaleão que vive em um aquário e está num carro, cruzando a estrada que passa por um deserto. Um acidente acontece e o bichinho se vê sozinho, no meio da estrada. Ele começa a caminhar e chega a Poeira, uma cidade caracterizada como o Velho Oeste e lá vive sua jornada do herói.

O filme é cheio de referências. O primeiro personagem que o camaleão encontra, após cair do carro, é um tatu que é a cara do Don Quixote de La Mancha. E que dá conselhos tão confusos quanto o do mestre Yoda. Dentre os perigos do deserto, ele enfrenta uma águia faminta. E a mata, por acaso, exatamente como Doroty fez com a Bruxa Malvada (do Leste ou o Oeste? esqueci), quando sua casa cai no mundo encantado. As garras da águia são o que sobra dela, após o ato "heróico".

E é depois disso que o personagem ganha um nome. Ele vira Rango, o herói que vai trazer água de volta para poeira. O trabalho de iluminação da estada de Rango no Saloon é de tirar o fôlego. Não fica a dever em nada a produções "reais". E lembra muito Era uma vez no Oeste, quando Harmonica está em um armazém, tocando sua gaita. Os outros personagens, como o prefeito, o homem sem nome, também são homenagens a outros filmes de Sérgio Leone. E não tem como não se emocionar quando, numa batalha com a gangue rival, a música de fundo é a Cavalgada da Valquírias, de Wagner. Fenomenal! A história de Rango é acompanhada por um bando de corujas trovadoras, que a todo momento tentam imprimir um drama à jornada.

Rango lembra muito o Marty McFly da terceira parte de De volta para o futuro, ao enfrentar os perigos do Oeste. E, por seu jeito atrapalhado, aproxima o público, que torce por seu sucesso na busca de água. Mesmo com toda a diversão, ainda é possível refletir sobre o poder, a opressão, os interesses econômicos. Como diz o prefeito, quem controla a água controla tudo.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Livro: Uma dose mortal


Mais uma vez, Agatha Christe. Antes de falar do livro, preciso dizer que acho ótimo que a L&PM e a Nova Fronteira estejam reeditando os livros dela. Em especial, os em formato de bolso, que são mais em conta. Antes, para ler Agatha, eu tinha que contar com o pequeno acervo familiar (três livros) e minhas compras em sebo, com destaque para os editados pela Círculo do Livro, que são os mais legais).

Desta vez, o detetive Hercule Poirot está às voltas com a morte de seu dentista, no dia em que fez uma consulta. O veredicto da polícia é que foi suicídio, mas o astuto belga duvida e começa uma investigação por conta própria. Percorrendo outros caminhos, ele se depara com mais duas mortes. A trama envolve, além do mistério habitual, algumas questões de espionagem internacional e estabilidade econômica em tempos de guerra.

Como em outros livros da Agatha, quando há a espionagem internacional, a história fica um pouco menor. Mas não é um livro para ser jogado fora.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pausa

Minha correria com a engenharia recomeçou. E lá vou eu, de novo, às voltas com geometalurgia, siderurgia, pelotização, aciaria, mineração e beneficiamento mineral, não necessariamente nessa ordem. E o pior é que eu gosto! Claro que curto muito mais porque a parte do cálculo fica bem longe de mim. No momento, eu só estou às voltas com a teoria, e a coisa é bacana demais. Mas domina o meu tempo.

E também vou ali da uma viajadinha e já volto. São só alguns dias. E eu tô precisando de umas férias...

Então, vou ficar um tempo distante. E quando a engenharia permitir, eu volto a postar.

Até a volta!

domingo, 3 de abril de 2011

Filme: Sucker Punch - Mundo Surreal

Sucher Punch - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Zach Snyder
Roteiro: Zach Snyder, Steve Shibuya
Elenco: Emily Browning, Vanessa Hudgens, Abbie Cornis

Tudo começa com cortinas de um palco sendo abertas. Ali vai ser contada a história de uma garota sem nome, daí pra frente chamada de Baby Doll. Vemos seu conflito tendo início com a morte da mãe, a ameaça do padastro, um tiro desastrado que acerta a irmã e sua ida para um manicômio. E lá aparece de novo o palco, onde uma paciente olha, abestalhada, para a psiquiatra que tenta convencê-la a contar sua história. Essa primeira parte da história é apresentada de uma forma muito interessante, sem diálogos, apenas as cenas e a trilha sonora estridente. É dentro do manicômio que Baby descobre que dentro de cinco dias sofrerá uma lobotomia. Então, decide agir. Mesmo que, para isso, tenha que usar somente a imaginação.

Bem de leve, o filme é parecido com A Origem (que eu preciso rever pra conseguir escrever), com seus níveis de consciência. Eu diria que há quatro em Sukher Punch, assim como no filme de Christopher Nolan. Com cores sombrias e insinuações de violência no submundo da saúde mental, o filme cria uma sensação de desconforto enquanto Baby é confrontada com seu padrasto, com o enfermeiro Blue, com o cozinheiro e até mesmo com a psiquiatra. A prisão de Baby é evidente, em especial com a quantidade de grades - e só vemos a personagem, nesse momento, atrás dessas grades.

No que considero o terceiro nível de consciência de Baby, ela se junta a quatro garotas, Sweet Pea, Rocket, Blondie e Amber na busca de quatro objetos especiais e de um mistério que as tirarão dali. E é no quarto nível que as cinco garotas vão lutar contra monstros, terroristas e até alemães, tudo com uma estética de mangás - o figurino de Baby neste nível é como o da heroina japonesa Sailon Moon ou mesmo de Lucy Liu em Kill Bill, vestida de colegial/marinheira, saia curta e uma enorme katana às costas. E ela luta, enquanto suas amigas saem em busca dos objetos mágicos. Como toda heroína em formação, Baby tem um mestre, bastante americanizado, que dita frases como "procurem trabalhar juntar" enquanto mostra às garotas como chegar aos objetos. Como se ele fosse Charlie e as cinco, as Angels.

No nível das lutas, o diretor erra a mão. Tudo bem que a pretensão era fazer belas cenas de ação. O problema é que elas são somente bonitas. Não fazem sentido e são longas demais. Especialmente a cena com os soldados alemães - me diga pra que soldados alemães e a explicação de que eles seriam mortos-vivos, devido a uma tecnologia especial? Acaba que o filme é mais uma sequência de imagens bonitas e só. Talvez com outro roteirista a história da garota que precisa se refugiar em si mesma durante uma estada no manicômio funcionasse melhor.

De bom, a trilha sonora. Tem Beatles, Mozart e Pergolesi, em releituras mais moderninhas e interessantes, que dão algum charme para o filme.