terça-feira, 31 de maio de 2011

Não é amor

Tenho ido tanto a uma cidade aqui perto, para o atendimento a um cliente, que Tia Ylza veio me dizer que daqui a pouco eu mudo pra lá. Eu concordei:

- Daqui a pouco eu vou ter mesmo que mudar, de mala e Cuca.

Daí o Leo completa:

- Deixa a Cuca!

Tem como não amar???

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Triunfo

Domingo teve a reedição do Triunfo Eucarístico, que aconteceu em Ouro Preto pela primeira vez em 1733. A Ana Paula Martins escreveu um texto muito bacana sobre o evento no Bom Será. Fui lá conferir. Saí de casa às 16h10 (estava marcado pra começar às 17h30) levando minha câmera fotográfica e um livro. É, eu tinha a doce ilusão de que poderia ler alguma coisa no adro da igreja do Rosário enquanto esperava o Triunfo começar. Mas quando cheguei, às 16h15, já estava lotado. Fiquei num cantinho lá esperando começar. E fiz algumas fotos. Quando o Triunfo começou, a multidão já era enorme e a minha baixa estatura não ajudou em nada.... mal consegui fotografar o cortejo. O que eu consegui aproveitar está aí:

A banda, a caminho

Pessoas que participaram do cortejo chegando

Detalhe do tapete de serragem

Mais um detalhe

No fim da tarde

Lanternas e o céu

A multidão ali, na frente da igreja

O povo que avançou e piso nos tapetes #fail

Congado

A banda, de novo

Figuras da Igreja do Pilar

Os anjos de prata
Lição pra próxima vez: chegar ainda mais cedo e ficar lá, na beira do adro, pra conseguir fotografar dignamente, sem todas as cabeças do mundo na minha frente

Conto: Solene

O burburinho era grande. Fazia meia hora que o esquife tinha chegado ao velório e todos estavam ressabiados e, ao mesmo tempo, em grande expectativa. Ninguém sabia ao certo há quantos anos aquele dia era esperado pelo Germano. O que todos tinham certeza é que alguma coisa iria acontecer.

O Orlando era um cara dado a grandes explosões. Brigava fácil, perdia a cabeça, dizia coisas horríveis. E nunca pedia desculpas. Ele achava que estava sempre certo. Aliás, tinha certeza disso. Com esse temperamento, foi colecionando inimigos. Era extensa a lista de pessoas que não gostavam dela. Dentre elas, as que não queria nem conviver com a figura. Germano era um deles. Há mais de trinta anos não conversavam. Não frequentavam os mesmos lugares. Suas famílias não conviviam, exceto os filhos que eram colegam no judô e viviam caçando briga.

Daí o alvoroço de todos quando surgiu o boato de que o Germano viria ao velório e ao enterro. Quem começou com isso foi o Pereira, que era companheiro de truco do Orlando e cuja esposa era a melhor amiga da mulher do Germano. Por força dos laços, convivia com os dois, mas evitava falar de um com o outro. Sim, o Pereira tinha certeza de que o Germano estava vindo.

Mas o que queria ele - perguntavam-se todos - ali, naquela hora tão triste para a família? Viria dar consolo, diziam uns. Viria pedir desculpas à viúva por todos aqueles anos de animosidade, diziam outros. Era caso de dor na consciência, sentenciavam outros. Quem poderia saber ao certo era o Pereira, que convivia com os dois. Só que ele também não sabia.

E enquanto aguardavam um desfecho para aquele alvoroço, os presentes se dividiam entre contar as últimas novidades dos amigos e da família, tomar um cafezinho, abraçar a viúva e os filhos do Orlando e falar sobre a morte. Foi durante um assalto a um banco. Ele estava ali, na rua. E, no meio da confusão, uma bala perdida encontrou o lado esquerdo do peito do Orlando. Não houve tempo de fazer nada.

Faltando meia hora para o enterro sair, eis que surge o Germano. Todo mundo parou para ver a sua entrada no velório. Ele não falou com ninguém. Caminhou até o caixão, fez um leve cumprimento com a cabeça para a viúva e olhou para o inimigo de tantos anos. Fez um "sim" veemente com a cabeça e se afastou. Enquanto o padre encomendava o corpo e todos rezavam, ele continuou ali, de lado, sem pronunciar uma palavra. E foi ali mesmo que ficou enquanto os filhos e os amigos mais chegados carregavam o caixão para o carrinho do cemitério.

Nessa hora, Pereira se aproximou. Louvou o gesto do amigo em vir ao velório do desafeto. Germano, incomodado, virou-se para o companheiro e vaticinou:

- Vim só para ter certeza de que ele está morto mesmo. Porque a única lembrança que eu queria dele era assim, na horizontal, com um paletó de madeira.

E saiu, com um ar de vitória vencida.

Analogias estranhas

Na minha última sessão de análise, estava falando com a Flávia como estou em êxtase com esse ano. Os cinco meses de 2011 estão sendo fantásticos pra mim. Mesmo com a preocupação constante com a vovó (92 anos e 11 meses), está tudo tão favorável que a gente custa a acreditar.

Daí ela pontuou que é o resultado de um longo trabalho, de quase quatro anos. E lá fui eu retrucar com a minha sabedoria de butequim...

Sabe miojo? Na embalagem e na propaganda falam que fica pronto em três minutos. Mas não é assim. Você precisa ferver a água. Sei lá quanto tempo. Depois, coloca o macarrão e espera os tais três minutos. Ou mais, ou menos. Tem gente, como eu, que tira a água toda e coloca requeijão. Tem que coloque manteiga ou outro complemento qualquer. Não importa. O que importa é que aquela maçaroca toda só vira miojo quando você, finalmente, coloca o tempero.

Sacou? Pra mim, 2011 está sendo como colocar o tempero. Daqui a pouco vai estar no ponto pra degustar.

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Update: o post foi programado pra hoje. O que eu não poderia imaginar é que, antes de me lembrar disso e desprogramar, recebi a notícia de que meu tio-avô faleceu. Aquele que estava hospitalizado. Vovó está aqui ao meu lado, lembrando de como ele era alegre antes da doença... Enfim, mais uma perda no caminho. E a vida segue.

domingo, 29 de maio de 2011

Desafio Literário - Maio: Ministério do Silêncio


Atrasei a leitura do livro, por conta do trabalho, mas consegui terminar a tempo. Ministério do Silêncio é um trabalho incrível de pesquisa jornalística de Lucas Figueiredo, que atua na imprensa há alguns anos e recebeu uma série de prêmios. Escreveu vários livros de jornalismo investigativo. O primeiro foi Morcegos Negros, sobre PC Farias. Depois vieram o Ministério do Silêncio; O Operador, sobre Marcos Valério e o esquema de corruoção conhecido como Valerioduto; Olho por Olho, mais um trabalho sobre a ditadura; e Boa Ventura!, sobre a corrida do ouro no Brasil.

Em Ministério do Silêncio, o autor desnuda a história do serviço secreto brasileiro, que começou no governo de Washington Luís, em 1927. Foram vários nomes e um inimigo comum: a "ameaça comunista", até culminar em sua forma atual, a Abin, criada no governo de Fernando Henrique Cardoso. Lucas não dá nome às suas fontes, como é comum no jornalismo investigativo. Por outro lado, aprensenta uma série de documentos secretos do órgão, cedidos pelas fontes. É impressionante pensar em todo o trabalho de investigação, empreendido durante sete anos. O serviço secreto, chamado de Ministério do Silêncio por um de seus maiores incentivadores, Golbery do Couto e Silva, é um monstro de vários tentáculos e que produzia, como pode ser visto pelos documentos apresentados, vários relatórios baseados em nada para apontar o perigo do inimigo.

O livro é de difícil leitura para quem se importa com as liberdades individuais. É complicado digerir a forma como o serviço atuou, principalmente nos anos de chumbo, e ainda hoje, quando vivermos em uma democracia. A ala militar da Abin, vinda do SNI, ainda é a mais forte do serviço secreto e dá as cartas. A pesquisa foi encerrada em 2005, para publicação. Analisa, portanto, os dois primeiros anos do governo Lula e o que se vê é que nada mudou na comunidade de informações brasileira.

Vale a leitura, inclusive para se apurar a visão com relação aos lances da política nacional.

O próximo livro do Desafio Literário 2011 é Notícias do Planalto, de Mário Sérgio Conti, que analisa a imprensa durante o impeachment de Collor.  Releitura, mas na ordem do dia.

sábado, 28 de maio de 2011

Filme: Os Goonies

The Goonies (mais informações aqui)
Direção: Richard Donner
Roteiro: Steven Spielberg, Chris Columbus
Elenco: Sean Astin, Josh Brolin, Corey Feldman, Jeff Cohen

Mais um texto para o Cinema de Buteco, que pode ser lido aqui.

Rever Os Goonies é sempre uma delícia. Fez parte da infância e do imaginário de quem era garoto na década de 1980. Inevitável lembrar da turma do prédio e de tudo o que aprontamos juntos. O filme alude a uma época em que tudo era mais inocente (como o Bocão, quando conta tudo que fez de errado na vida aos irmãos Fratelli) e que não havia nada mais sólido do que os amigos que se encontravam pra andar de bicicleta e desvendar o mundo.

Das ruas

Na década de 1980, em BH, havia um jornalista, o Ney Mourão, que levava seus versos aos muros da cidade e assinava assim: "Poeta a procura de editor". Alguns eram muito bacanas, lembro de um muro perto do meu ortodontista que ficou durante anos só com o grafite do Ney. Um tempo depois, ele finalmente editou um livro, o Notas dispersas pelas paredes. Foi inevitável lembrar dele hoje.


Estava eu voltando da minha aula de "como fazer sua carteira de habilitação valer de verdade" quando vi, num ponto de ônibus da Av. Nossa Senhora do Carmo, um papel colado. Parei pra ler (essa curiosidade um dia vai me matar) e era a letra de uma música que eu conheço bem, Pensei que fosse o céu, do Vander Lee:

Estou aqui mas esqueci
Minha alma num hotel
Meu coração na caneta
Meus desejos num papel

Estava ali, me confundi
Pensei que fosse o céu
O azul do mar me chamou
E eu pulei de roupa e de chapéu

 E estava assinado assim: Johnni e dois números de celular.

Achei graça e fui descendo a avenida. Mais pra frente, outro papel colado no ponto de ônibus, a mesma letra, a mesma assinatura e os mesmos telefones. Dessa vez falava que a banda tal (esqueci, acho que é Aerosmith) era a melhor banda de rock de todos os tempos (e daí lá foi eu lembrar de novo da banda mais bonita da cidade... que grude!).

No terceiro ponto de ônibus adiante, mais papéis colados. Dessa vez, tirei a câmera da bolsa e fotografei.











"Quebre a sua televisão, deixe o automóvel na garagem. Arranje um amor um no de cada vez. Celebre a alegria tocando tambor em nome dos Deuses. Tá  tudo ferrado e eu tô com você levando a bandeira da revolução" (copiado como está na folha colada).


"Banda Furto que faz música inteligente. MRT Mental Controle"

Acho bacanas essas iniciativas de arte urbana. Nesse caso, não é tão legal quanto o que o Ney Mourão fez, ainda mais que a pessoa copiou uma letra do Vander Lee mas, enfim, foi engraçado ver isso. Nesta última foto, mais embaixo, veio o mais bacana de tudo:

"Tu, mullher brasileiramente linda, mande-me mensagens, vamos tomar um capuccino juntos". 

Alguém se habilita?


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Filme: Robbin Hood

Robbin Hood (mais informações aqui)
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Brian Helgeland
Elenco: Russel Crowe, Cate Blanchet, Mathew Macfadyen

Não tenho nem ideia de quantos filmes já foram feitos sobre o Herói dos Ladrões. Nem quantos textos já foram escritos sobre o personagem (na minha opinião, Ivanhoe é o mais interessante). A visão de Ridley Scott traz uma nova versão para a história, um tanto diferente do que é convencional. Para começar, Robbin faz parte do exército do rei Ricardo Coração de Leão em uma das Cruzadas. Robert Longstride é só um soldado, mas num golpe do acaso toma o lugar de Robert Loxley, nobre, também do exército, casado com Marion Loxley. A troca de identidade motiva uma série de situações e vai levar ao final, que se aproxima um pouco mais da história "oficial" de Robbin Hood.

Como em quase todas as representações cinematográficas dessa história, a Inglaterra, cenário da trama, é cinza e chuvosa, bastante enlameada. Os figurantes são bárbaros e gritam demais. Há chuvas de flechas em vários momentos. As intrigas entre os nobres pela sucessão do trono também estão presentes. As festas regadas a bebidas - nesse caso, o hidromel produzido pelo glutão Frei Tuck - e praticamente todos se embebedam.

O interessante da visão de Scott é sair da narrativa comum. A obra não é mais uma que trás um galã novo representando Robbin, mas abre novas possibilidades para o entendimento da formação dos justiceiros dos bosques ingleses. Russel Crowe convence no papel principal e Cate Blanchet é competente, mas não tem o jeito doce que costumamos ver em Marion. A personagem, pelo olhar de Crowe, é masculinizada, quase uma executiva moderna. Vale a pena conferir.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Filme: Eu sou o número Quatro

I am number four (mais informações aqui)
Direção: D. J. Caruso
Roteiro: Alfred Goudh, Miles Millar, Marti Noxon, Jobi Hughes e James Frey
Elenco: Alex Pettufer, Timothy Olyphant, Teresa Palmer, Dianna Agron

A história começa com um tipo de cena que já não sei se é clássica ou se é clichê: a câmera vem do espaço, mostra a Terra azul e vai se aproximando até chegar ao lugar onde a primeira cena ocorrerá. E já somos apresentados à tensão que percorre o roteiro: duas pessoas são perseguidas e mortas por seres de outro planeta.

A trama é centrada em John, um adolescente que gosta de curtir a vida e ter amigos, mas que vive fugindo. Ele é um dos nove habitantes especiais do planeta Lorien que foram enviados à Terra para fugir dos invasores. Cada um tem um protetor, também de Lorien, e todos vivem fugindo dos Mogadorianos, que também estão na Terra, procurando exterminar os nove que restaram. John recebe avisos em sua pele a cada morte. Três já morreram e John tem uma certeza: ele é o número quatro.

O início dessa história se parece muito com a do Super-homem: jovens retirados de seu planeta para depois retornar e salvar a raça. Por serem extra-terrestres, têm poderes sobrenaturais. O jovem Super-homem teve que aprender a lidar com seus poderes, assim como John. Há o amor nascendo - no caso de John, o primeiro. Isso tudo tentando levar uma vida normal, passando despercebido aos Mogadoriano.

Temos a promessa de grandes cenas de ação, na luta de John pela sobrevivência, seja em sua vida normal, na escola, ou na fuga que empreende. E vemos como ele lida com a vida de adolescente americano e alienígena perseguido. Sarah, a linda e loura Quinn, de Glee, é a moça que balança seu coração e Sam é o nerd que sofre bullying na escola, tem fixação com alienígenas e será parceiro de John na luta contra os ETs do mal.

A trilha sonora é interessante, com Kings of Leon e Adele, pontua bem os momentos de ação do filme e os de rebeldia de John. Michael Bay, diretor de Transformers, é o produtor.

A obra é baseada no livro homônimo, de Jobie Hughs e James Frey, que assinam como Pittacus Lore, e tem a pretensão de ser a nova série literária (e cinematográfica) dos adolescentes e jovens, após o hiato deixado por Harry Potter e Crepúsculo.














segunda-feira, 23 de maio de 2011

Conto: Dedos

No ultrassom ele já mostrou a que veio: era nítida a sua mãozinha, tão pequenininha, sumindo dentro da boca. Nasceu chorando, não pelo choque da respiração, mas pela ausência do dedo na boca. Nunca fez uso de um bico, nem precisava. Chupar dedo é que era a diversão.

Com medo de terem um filho dentuço, os pais começaram a reprimir o dedo na boca. Melhorou, com o tempo. Mas ele ficou ansioso. Quando viu que os dentinhos conseguiam cortar as pontas das unhas, ficou maravilhado. Era tudo o que ele queria: algo só dele, que desse toda aquela sensação gostosa do dedo na boca que ele não tinha mais.

Só que os pais perceberam que não tinha unha que sobrasse naqueles dedos. E começaram a passar pimenta nas mãos do filho. O garoto viciou em pimenta. Parecia um pequeno indiano, a temperar tudo o que comia com a pimenta que ficava ali, na ponta dos dedos. Pelo menos parou de roer as unhas, pensava o pai.

Já não tinha mais que passar pimenta nos dedos. Mas ainda era com eles que se livrara daquela sensação incômoda de não pertencimento: estalava as juntas das mãos. Ploct, ploct, ploct. Quando recebia olhares atravessados, tamborilava as mesmas pontas dos dedos em mesas, tampos de cadeiras, paredes e portas.

Foi parar no analisa. Qual era o problema? Por que essa necessidade de aparecer com as mãos, com os dedos? Não sabia. Mas ensinou o analista a roer unha, temperar comida com pimenta, estalar os dedos e tamborilar como só ele sabia fazer.

Quase de bike pelo caminho

Daí que domingo eu fui lá andar de bike.

Mas peraí, tudo começou no sábado. Como a gente ia no passeio da Ikenfix no domingo, achamos por bem dar uma rodada na Pampulha um dia antes. Foi aí que eu tive um contato mais próximo com a bike que usaria, uma Caloi Aluminium que o Lauro ganhou quando fez 12 anos. Mas, como eu disse antes, ela foi melhorada com peças das bikes novas do Leo e do Lauro. Ou seja... não é tão ruim assim, eu acho.

Na Pamps, paramos no PIC e fomos em direção à Toca da Raposa, pela ciclovia. O Leo e o Lauro tiveram pena de mim e não saíram correndo. Fizemos 16km direto, com ida e volta. No final, eu tava inteira, mas muito cansada, porque meu nariz resolveu não colaborar. Passei a maior parte do tempo só com meia narina aberta. O carro estava estrategicamente parado ao lado de uma barraquinha de água de côco. Eu odeio água de côco, mas juro que nunca achei tão bom.


Água de côco salvadora


Foi uma boa média, eu pensei: 16km em 1h05. No dia seguinte seriam 40km em 5h. É, ia dar. Fiquei até mais confiante.

Com o Leo, no final do passeio na Lagoa


Ainda no sábado, resolvemos deixar tudo pronto: as bikes no carro, com todos os equipamentos. Passamos na farmácia e compramos um protetor solar labial (foi imprescindível pra mim, que sofro com lábios rachados), salompas (pra usar em caso de lesões musculares), protetor solar (também não tem como não usar) e Respire Melhor (que salvou meu nariz no domingo. Sem ele, teria sido impossível).

Saímos 6h50 de BH e fomos rumo a Pompéu, distrito de Sabará. Na saída de BH, encontramos alguns carros com bikes, parados num posto. Paramos lá também e seguimos com eles. No ponto de encontro, o pessoal da Ikenfix distribuiu os kits para os participantes, com camiseta, o gel comestível, bolinhas de energia, uma "pastilha" de colágeno e o isotônico na "caramanhola", que eu conhecia como squeeze. E tinha bastante fruta pra galera.

Já pronta pra começar o passeio

Lauro e Leo prontos também

O Eduardo deu as instruções, explicou como seria o caminho e dividiu a turma em duas partes: os fodões que já fazem isso há mil anos e humilham a gente saem pedalando rapidinho e o grupo dos que vão mais devagar. Não lembro o nome de todo mundo da equipe, só que a Letícia puxou o segundo grupo e a Denise vinha no final, apoiando os mais lentos (eu!!!)

Logo no começo, era uma subidona sem noção. Eu não dei conta de subir desci da bike e fui empurrando, até que meu coração acelerou demais e eu fiquei com medo. Pedi pinico socorro e fui pro carro de apoio. Foi muito bom pra mim ter esse apoio, sem ele eu nem sairia do lugar. O Ike colocou a bike lá atrás e eu fui com ele e com o Edson. Mais tarde, a Marcília veio fazer companhia pra mim. Quando o subidão acabou, Marcília e eu descemos do carro. Daí, o pessoal veio me dar uma força com relação às marchas corretas, o esforço e tal. Obviamente eu não peguei tudo certinho, mas o apoio deles foi muito legal.

No carro de apoio, que me salvou...


Acabei voltando pro carro de apoio na última subida, e fiquei por lá mesmo. O carro parou num pedaço do caminho e os poderosos continuaram subindo. O Leo e o Lauro também subiram, mas não foram até o final, voltaram logo. Nessa parada, teve um lanche pra galera, com mais frutas, sanduíche natural e açai. Enquanto a gente esperava o pessoal voltar, fiquei batento papo com o povo e fiz algumas fotos da paisagem, que é linda (Pausa pra dizer que Minas Gerais é exuberante).

O lugar mais alto onde eu fui

Microflores no caminho

O Ike, apontando uma casinha lááááá longe

Quase flores

Amarelinhas


Na volta, o pelotão de elite saiu correndo e eu decidi ir depois deles. A primeira descida e a primeira subida da volta eu fiz empurrando a bike. Fiquei com medo de descer e não tinha perna pra subir. E a coitada da Denise lá, do meu lado, o tempo todo. Terminada a subidona, fui pra bike e me matei me esforcei até. Todo mundo que ficou pra trás e que passava por mim e pela Denise vinha conversar, me dar apoio e incentivo. Todos uns fofos. Não sei exatamente o quanto eu andei, porque o Ike deu umas rodadinhas com a minha bike também. O meu cateye marcou mais de 18km.

Leo e Lauro, na metade do percurso


O que isso significou pra mim? Vitória, claro! Mesmo sendo a lanterninha da galera, mesmo sofrendo com a falta de perna e de de fôlego (e com o nariz funcionando plenamente bem!), mesmo com uma bike que não era a ideal pro meu corpo (além de masculina, é grande demais), foi sensacional conseguir chegar tão longe.

Só que, pra conseguir isso tudo, tenho de agradecer a um monte de gente. Primeiro, ao Leo e ao Lauro, que me incentivaram a participar do passeio. Mesmo eles tendo dito que ficariam o tempo todo do meu lado e tendo corrido léguas na minha frente, se não fosse por eles, não haveria nada disso. Pro Lauro, em especial, por me emprestar a bike.

A bike, na metade do caminho


Depois, pra equipe da Ikenfix e o pessoal da organização: Ike, Lilian, Liege, Letícia, Edson, Gigante, Bita e todo mundo que eu esqueci o nome (porque eu esqueço mesmo, aos poucos eu vou guardando). Valeu pelos toques, pelo suporte e pelo incentivo. O mesmo pro pessoal que participou e que toda hora vinha me dar uma palavra de apoio.

Agradecimentos especialíssimos pros meus quatro BFF de passeio: Marcília, por todo o suporte emocional (e moral) e pelo incentivo; pra Denise, pela paciência, por todas as dicas, pela insistência com relação ao freio dianteiro (o que me livrou de várias quedas, com certeza), pelo aviso a cada mudança de terreno, por todo o suporte emocional; pro Mioflex, que tomei antes e depois do passeio e que me fizeram estar inteira hoje, sem nenhuma dor; e finalmente pro Cataflan, amigo de todas as horas, que foi fundamental quando a coluna gritou ontem à noite e ele agiu prontamente. Eu não teria conseguido sem vocês.

Eu com a Denise. Sem ela,,, putz, eu tava no caminho até agora


O próximo passeio da Ikenfix deve ser no final de junho. Vamos?

domingo, 22 de maio de 2011

Dinossauros

Em uma das passagens recentes por BH, fiz algumas fotos da exposição de dinossauros da Patagônia, que está (ou estava?) no BH Shopping. As fotos ficaram na câmera, esqueci delas e ficou por isso.

Gostei da exposição, mas só entrei lá pra ver porque ainda faltava uma meia hora pro cinema. Com certeza, gostaria mais se eu fosse uma das dezenas de crianças que estavam gritando, pulando e correndo por lá. Foi legal, só não foi marcante.





sábado, 21 de maio de 2011

Filme: A garota da capa vermelha

Red Hiding Hood - 2011(mais informações aqui)
Direção: Catherine Hardwicke
Roteiro: David Johnson
Elenco: Amanda Seyfried, Lukas Haas, Garry Oldman

Quem teve a brilhante ideia de filmar a história da Chapeuzinho Vermelho deve ter quebrado a cabeça para incluir o diálogo entre a garotinha e o lobo "fantasiado" de vovó. Não foi à toa que todo mundo que estava no cinema caiu na gargalhada quando o filme reviveu esse diálogo. Ficou aburdamente cômico.

A proposta do filme é ser um suspense, que se passa em um vilarejo estilo medieval, em uma região coberta de neve mas onde os habitantes não sentem tanto frio assim. As roupas são bastante leves para aquela imensidão de gelo. Lá vive Valerie (Seyfried), apaixonada por Peter e prometida em casamento a Henry. Ela decide fugir com Peter mas desiste ao saber que sua irmã mais velha foi morta pelo lobisomem local. A fera convive há anos com os moradores, exigindo apenas animais como alimentação, nas noites de lua cheia. É uma espécie e acordo, e a irmã de Valerie é a primeira humana morta, o que causa revolta, comoção e dá início à caçada.

A identidade o lobisomem é o que move o filme. Há uma série de suspeitos: a avó de Valerie, Peter, Claude, deficiente irmão de uma amiga de Valerie, o padre local. Chega um matador de lobisomens com uma história curiosa: era casado com uma fera e a matou após saber dessa realidade, deixando suas duas filhas órfãs de mãe. Esse sujeito chega para tocar o terror na aldeia, dizendo que todos são suspeitos até que provem o contrário. Uma espécie de caçã às bruxas, que trará consequências para todos. Uma coisa óbvia: a vovozinha, por mais excêntrica que seja, não é o lobisomem. De acordo com a história dos Irmãos Grinn, a vovó é comida pelo lobo. Uma pessoa a menos na lista de suspeitos.

Os cenários são bonitos, com a neve eterna (que, lembro, não parece ser fria), pinheiros e grandes montanhas. A câmera é inquieta, como se perseguisse ou espreitasse Valerie. Ela ganha da avó a tal capa vermelha do título e essa é a única coisa com cor viva naquele cenário excessivamente branco. O outro ponto de cor é o frio roxo do padre que veio perseguir o lobisomem. Com ele, veio também um elefante metálico que não faz o menor sentido. É um instrumento de tortura que, pelamordedeus, né? Há uma festa na aldeia, que parece mais uma rave medieval, com música alucinante, dança esquisita e estilo trash.

A diretora é a mesma do primeiro da saga Crepúsculo e parece seguir a mesma linha: a mocinha disputada por dois personagens, o dilema "ético" do mocinho, que acha que pode fazer mal a ela e por isso some no mundo, o sexismo que encaminha a mocinha a esperar pelo príncipe encantado e o dualismo fortemente marcado entre bem e mal. Ou seja... melhor ler a história de Chapeuzinho Vermelho dos Grinn mesmo.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

De bike pelo caminho

Quando pequena, gostei de aprender a andar de bicicleta. Primeiro com duas rodinhas, apoiando o pneu de trás. Parecia o velocípede, que eu acabava de deixar de lado. Depois, só com uma rodinha. Tirava a rodinha do chão de vez em quando. Um dia, tchau rodinha. E me senti livre. Foi das poucas vezes em que me senti completamente livre. O vento no rosto, o mundo passando rápido. O quintal daquela casa ficou pequeno.

Eu queria a rua, mas não podia. Havia o playground do prédio, que era bem maior que o velho quintal. Era o tempo de correr. Velocidade máxima. Era também o tempo de cair. E levantar. E voltar a correr. E de novo cair. Valeu a pena cada queda. Em São Luis, finalmente a rua. O bairro era calmo, quase não havia carros passando. A bicicleta era meu objeto de exploração da área. Ruas, ruelas, passagens. E em pouco tempo eu já conhecia tudo por lá.

Bicicleta. É no que penso quando imagino a liberdade plena e utópica. Ela se materializa no guidon, no pedal, nos pneus.

Mas aí, a vida vem e engole a gente. Não tinha mais tempo pra bicicleta, porque tinha o vestibular, depois a faculdade, os estágios, os trabalhos, os empregos e tudo o mais. E daí o Leo resolve comprar uma magrela e me fazer invejinha... Ele e o Lauro investindo nas bikes, trocando peças. O que "sobrou" das bikes deles virou outra, a bike da galera. E no próximo domingo, ela será minha, enquanto nós três formos participar do 5º Passeio Ikenfix, em Caeté.

Vamos combinar que a noção de equilíbrio foi embora faz tempo. Mas há esperança, hahahaha! Se eu sobreviver aos 40 km de pedalada, volto pra contar a história. E mostrar as fotos, claro!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Era quarta-feira

Há 18 anos, era quarta-feira. Já estava ficando friozinho, mas nem tanto. Tinha sol. O principal do dia 19 de maio de 1993 eu já contei aqui. Eu não contei é que vovô escondeu de todo mundo que tinha um problema sério nos rins. Ninguém sabia. Nem a vovó. Ele já estava com os rins quase sem funcionar quando vovó descobriu, e só porque ele começou a ter um comportamento estranho.

Uma semana antes vovó ligou dizendo que ele não estava bem. Os dois foram parar em BH. Passaram lá em casa e foram direto pro Hospital Vera Cruz. Ele ficou internado até a segunda seguinte, quando voltou pro nosso apartamento. Ficou na minha cama, a vovó na cama da Laura. Nesse dia, ele falou comigo. Me chamou do jeito como só ele fazia e brincou com o tempo enorme que passei estudando.

Nós estávamos nos preparando para que ele começasse a fazer hemodiálise. Mas não deu tempo. Quarta-feira, 19 de maio de 1993, ele faleceu. De manhã cedo. Sem dor, sem gritos, sem sofrimento. Na minha cama.

Há 18 anos.

É inevitável se acostumar com a ausência. Também lembrar do coração que ele tinha. Do companheirão que era. Da felicidade que era encontrar com ele, em BH ou em OP. E daquele abraço grande, aconchegante, que acabava com todas as dores do mundo.

Saudade, vô!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Filme: Sleepers - A vingança adormecida

Sleepers - 1996 (mais informações aqui)
Direção: Barry Levinson
Roteiro: Lorenzo Carcaterra, Barry Levinson
Elenco:Robert De Niro, Kevin Bacon, Brad Pitt, Dustin Hoffman, Jason Patric, Minnie Driver

O filme é uma adaptação do livro de Lorenzo Carcaterra, interpretado por Jason Patric, que conta a história de quatro garotos e de como uma travessura mudou suas vidas. John, Tomy, Michael e Lorenzo "Shakes" são adolescentes no Hell's Kitchen, em Manhattan, Nova Iorque, onde convivem com a pobreza, a violência doméstica, a máfia e a falta de perspectivas. Como todas as crianças/adolescentes, as travessuras são constantes. Numa delas, o grupo decide roubar uma carrocinha de cachorro quente e, na fuga, acabamachucando gravemente uma pessoa. Os quatro são condenados a ficar um ano em um reformatório. E é aí que o inferno começa.

Robert De Niro é o padre amigo dos garotos, que tenta aconselhá-los e dar apoio durante o tempo do reformatório. Mas nem ao padre eles contam os dias de terror por que passam lá. Violência física, psicológica e sexual, comandada pelo guarda Nokes, de Kevin Bacon, que está odioso no papel, com um olhar que é, ao mesmo tempo, de desprezo e de diversão. O reformatório é o contrario da vizinhança: escuro, úmido, cheio de sombras, pobre de cores. A Cozinha do Inferno é o paraíso perto da dor e da humilhação do reformatório.

Desde o primeiro momento, os quatro amigos decidem que nada será falado sobre as sombras do reformatório. E eles só voltam ao assunto 13  anos depois, quando já não são tão amigos assim e as consequências daquele ano pulam à frente deles.

Com os personagens já adultos, entramos na fase em que o espectador é convidado a lavar a alma, junto com os garotos, Condes de Monte Cristo modernos. Para isso, é preciso contar com o padre Bobby e, finalmente, contar a ele a rotina de abusos. A cena em que Jason Patrick conta tem a câmera fixa no rosto de De Niro. Não ouvimos a narração, mas não é preciso. Só a expressividade de De Niro basta.

A Aline, claro!

Há horas, como agora, em que bate o desespero.

Tipo quando alguém tem de apresentar um projeto. Ou conversar com alguma autoridade. Ou entrevistar o Tiago Lacerda. Ou demitir alguém. Ou ministrar uma oficina. Ou aplicar um treinamento. Ou viajar com a missão empresarial. Ou pra qualquer outra viagem a trabalho.

Quem vai?

A Aline, claro!

Também quando tem um novo livro super legal sobre um assunto importante. Quem vai ler?

A Aline, claro!

(sim, tudo que tá aí em cima já aconteceu. Inclusive o livro que compraram para que eu lesse).

Não estou reclamando, adoro isso. Só que agora bateu o desespero.

Vamos precisar de mais chocolate...

Um dia eu fui assim 4


Outubro de 1980. Dois anos. Chorona (eu ainda sou assim). Cachinhos. Franja. Maria chiquinha. Lábios enormes (também até hoje).

terça-feira, 17 de maio de 2011

De novo, os medos

Daí que no último sábado eu fui lá enfrentar um grande medo.

Eu não consigo dirigir.

Tirei carteira em 2004 e foi super fácil, no segundo exame. Foi tão fácil que a primeira baliza que errei na vida foi justamente no exame em que fui aprovada. Tudo lindo, menos na hora de finalmente pegar o carro sozinha.

Algumas causas:
- Minha mãe dirigiu um tempão sem carteira em BH, quando eu tinha de sete pra oito anos. Praticamente todas as vezes em que estávamos sozinhas, alguém avisava que ali na frente tinha uma blitz. Como repetiram pra mim a vida inteira que polícia levava as pessoas pra cadeia, eu já imaginava a minha mãe indo presa e nunca mais voltando. Ela sempre conseguiu escapar das blitzem, mas o estrago já estava feito.
- Paralelamente, quase toda vez em que ela bateu o carro, estávamos só eu e ela lá. Como controle emocional não é  característica da família, ela começava a chorar e eu me desesperava.
- Quando eu tinha sete anos, estávamos no carro com meu avô dirigindo. Ele errou ao atravessar uma rua preferencial e um carro bateu na lateral, exatamente onde eu estava. O vidro quebrou e voou no meu rosto. Ninguém se machucou. Só eu que ainda lembro da chuva de cacos.
- Cansei de ver pessoas dirigindo irresponsavelmente. Em certas vezes, eu estava no carro e só queria abrir a porta e pular, igual o MacGiver, de tanto medo de morrer. Uma dessas vezes, o motorista simplesmente colocou o pé esquerdo pra fora, pela janela, e estava tentando me provar que não precisava dele pra dirigir.
- Diz aquela máxima que, para conhecer alguém, basta dar poder à pessoa. O carro é uma forma de poder e, na minha opinião, uma das mais cruéis. As pessoas crescem quando estão no carro e eu tenho horror de quem se acha só porque tem as chaves nas mãos.

Bom, essas são, em tese, as questões mais "práticas", digamos. Há outras, bem pessoais. Que podem ser explicadas pelo meu horror de falhar. Quem dirige, erra. E erra na frente de todo mundo. E passa a ser execrado. Quem quer passar por isso? Aí, só de me imaginar no carro, com o volante nas mãos, já vinha a tremedeira. Sem nem entrar no carro, sabe? Passei sete anos sem dirigir.

Com a última queda da vovó, resolvi tomar vergonha na cara e enfrentar esse medo.Mas enfrentar com ajuda. Em BH há duas clínicas-escolas especializadas em medo de dirigir, a Cecília Bellina e a Dirigindo Bem. A Cecília Bellina é mais focada em terapia (individual, em grupo e no carro) e a Dirigindo Bem em práticas, mas com acompanhamento psicológico a cada quatro aulas no carro.

Escolhi a Dirigindo Bem (franquia do Sion). Primeiro porque o pessoal da Cecília Bellina nunca respondeu às minhas perguntas por e-mail e também não consegui falar por telefone. Já a Dirigindo Bem me passou todas as informações na hora em que liguei. E sábado passado eu fui lá para a aula de teste. É nesse momento que o gestor (a pessoa que acompanha o aluno nas aulas práticas) avalia o nível de técnica e de reações nervosas. Meu gestor é o Reginaldo. Ele me levou ao bairro Santa Lúcia, que é bem tranquilinho, e lá passou o carro pra mim. Foi traumático.

Mas foi bom, também. Depois de sete anos, achei que nem saberia ligar o carro. Mas liguei, rodei um pouquinho, usei até a terceira marcha e fiz uma ré na subida, mais desajeitada do que tudo. Teve um momento lá que eu não consegui segurar e chorei um pouco. Mas como a proposta era enfrentar o medo e conseguir dirigir, forcei o que pude e, pelo menos, consegui ver que não tô tão ruim quanto achava. O diagnóstico do Reginaldo é que com 36 aulas (divididas entre níveis básico, intermediário, avançado e independência) eu vou sair de lá feliz e contente, pronta pra dar um uso diferente pra minha carteira motorista.

O segundo motivo pela escolha da Dirigindo Bem foi o tipo de acompanhamento psicológico que eles oferecem lá. Na concorrente, a questão é encarada mais pelo lado comportamental e na Dirigindo, o enfoque é mais psicanalítico. Como eu sou fã de psicanálise, desde meus tempos de assessoria de comunicação do Conselho Regional de Psicologia, confio muito mais nela do que na comportamental. Eu sei que se eu treinar até a exaustão, eu consigo fazer qualquer coisa. Mas não é falta de treino, o problema mora bem dentro de mim, na gavetinha dos medos, e nada melhor que a psicanálise pra encarar essas coisas. Obviamente, tem a influência da Flávia, minha analista, que usa essa abordagem com muita competência (sou fã <3). O psicólogo é o Rafael, conversamos um tanto e foi muito bacana. Segundo ele, meu mantra de agora tem de ser: "Ei, medo! / Eu não te escuto mais / Você não me leva a nada..."

Vou fazer as aulas aos sábados. E, aos poucos, vou contando aqui o que vai dar a minha briga com esse monstrinho.Vai demorar, mas uma hora eu vou ter que dizer que eu não conseguia dirigir.

Pra quem quiser ver como o trânsito deixa as pessoas loucas, tem um post muito legal do Alex com um desenho do Pateta, antigo e muito atual.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Conto: Chronos

"Quem não faz, de vez em quando, um caminho diferente para voltar para casa ou não fica alguns dias sem relógio, não desenvolve a capacidade de ver as coisas de outra maneira". Era uma espécie de profecia, ou maldição o que a professora, se é que podemos chamá-la assim, falou durante a aula. Frasesinha um pouco sem contexto para a ocasião, mas que caiu como uma bomba em cima do garoto de óculos de aro preto e olhar assustado.

Naquele dia, ao voltar para casa, sentou-se do outro lado do ônibus e tentou ver o mundo de outra maneira, olhar para outro horizonte da cidade. E, como Deus ao criar o mundo, achou que estava bom.

Mas não estava. No sábado seguinte, decidiu se livrar do relógio. O braço direito - ele era do contra - ficou muito mais leve, como se estivesse faltando um pedaço. Se havia alguma dúvida de que era maníaco por relógios, ela acabaria ali, naquele momento. Conseguiu improváveis dez minutos sem ele. Aliás, supostos dez minutos, porque estava sem poder contar o tempo.

Foi aí que notou  que era compulsivo por relógios. Contando os de punho, de mesa e rádios-relógios, tinha 13, todos funcionando muito bem. Até um que foi promoção de uma marca de leite. Para dar conta da escola, dos amigos, dos jogos eletrônicos, da família, precisava ter o relógio bem pertinho. Sem ele, sentia-se perdido, desordenado, fora de órbita. Sem relógio, o tempo o controlava. E ele... perdia o controle.

Rubra

Tinha 12 anos quando menstruei pela primeira vez. Eu quis chorar por horas e horas e horas. De medo, de dor, de vergonha. Enquanto isso, minha mãe saltitante tratava de espalhar pra todo mundo. Quando eu soube disso, quis chorar mais e mais.
* Nota mental: jamais expor a intimidade de uma pessoa sem a autorização dela. Vale pra todo mundo.

Eita trem chato, sô! E triste, incômodo, desconfortável. Terrível. Tinha tanta coisa boa na vida... correr, andar de bicileta, jogar futebol, tudo com os meninos do prédio e, de repente, eu já não "podia" me portar mais como um moleque, nas palavras dos meus pais.


Daí que três anos depois eu tive um problema hormonal grave. Grosseiramente, parei de produzir - ou diminui muito, não tenho certeza - o hormônio que faz parar de menstruar. Foi uma hemorragia severa, tão forte que eu desmaiava só de levantar a cabeça do travesseiro, fui parar no hospital e entrei no primeiro estágio do coma (aquele mais levinho), tomei algumas bolsas de sangue, tive de fazer uma curetagem sem anestesia. Foi uma coisa muito louca, que só me fez ficar com mais medo de menstruar.

A minha ginecologista da época entendeu meu medo (eu ligava pra ela desesperada a cada mês) e tentou me fazer ver com olhos melhores esse tormento, me entregando um poema até bonitinho da Marina Colasanti.

Eu sou uma mulher (tirei daqui, o papel que ela me deu eu joguei fora há anos)

Eu sou uma mulher
que sempre achou bonito
menstruar.


Os homens vertem sangue
por doença
sangria
ou por punhal cravado,
rubra urgência
a estancar
trancar
no escuro emaranhado
das artérias.


Em nós
o sangue aflora
como fonte
no côncavo do corpo
olho-d'água escarlate
encharcado cetim
que escorre
em fio.


Nosso sangue se dá
de mão beijada
se entrega ao tempo
como chuva ou vento.


O sangue masculino
tinge as armas e
o mar
empapa o chão
dos campos de batalha
respinga nas bandeiras
mancha a história.


O nosso vai colhido
em brancos panos
escorre sobre as coxas
benze o leito
manso sangrar sem grito
que anuncia
a ciranda da fêmea.


Eu sou uma mulher
que sempre achou bonito
menstruar.


Pois há um sangue
que corre para a Morte.
E o nosso
que se entrega para a Lua.

É bonitinho, né? Mas não me consolou em nada...

De lá pra cá, tomo reguladores de hormônio. Ou melhor, tomava. Parei há um ano. Enquanto estava sob o efeito deles, era lindo. Menstruar só por quatro dias no mês, sem cólicas, sem fluxo enorme, sem medo. Mas tinha o lado ruim, principalmente o ganho de peso excessivo, a retenção de líquidos. Quando parei, descobri que um tanto das minhas dores de cabeça desapareceram e diminuiu muito o meu inchaço. Mas veio, de presente, o lado ruim: sangrar por 15 dias seguidos. É pra continuar odiando essa "coisa", né?

Tudo isso pra dizer que, pela primeira vez na vida, estou tentada a gostar de algo relacionado à menstruação. Vi em alguns grupos que sigo e também no blog da Lola os coletores menstruais. Depois de pesquisar um tantão, acabei achando a MissCup e fiz a compra. A encomenda chegou.






Por que eu "apelei" pra um coletor?

Primeiro porque qualquer coisa que alivie o transtorno que é usar absorventes, internos ou externos, já capta a minha atenção. Depois, porque é inevitável que o sangue menstrual, em contato com o ar, não produz um cheiro muito agradável. Sem contar que qualquer tipo de absorvente faz um mal danado pro meio ambiente (falou a eco-chata) e ainda tem a síndrome do choque tóxico no caso dos absorventes internos.

O coletor menstrual é de silicone, em tese não causa alergia, nem o choque tóxico. Não polui, dura cerca de 10 anos e ainda ajuda a economizar um troco (só fazer as contas de quanto a gente já gastou com absorvente nessa vida).

Tô super empolgada pra experimentar. E, depois, volto pra contar tudo.

sábado, 14 de maio de 2011

Filmes: Efeito Dominó

The Bank Job - 2008 (mais informações aqui)
Direção: Roger Donaldson
Roteiro: Dick Clement, Ian La Frenais
Elenco: Jason Statham, Saffron Burrows, Stephen Campbell Moore

Filmes sobre roubo a banco são todos praticamente iguais. Sempre tem uma pessoa que encontra um jeito de roubar um banco mas, pra isso, precisa recrutar uma galera, cada um com uma especialidade e uma motivação. E dá-lhe planos mirabolantes, medo de alguém descobrir e sempre falta mais gente para completar o plano e dividir a grana. Efeito Dominó tem tudo isso, claro, com o adendo der "ser" baseado em uma história real, que envolve a princesa Margaret, da monarquia britânica.

No número 185 da Baker Street (a casa do Sherlock Holmes é no 221b) está o banco onde estão encondidas fotos comprometedoras da princesa Margaret. Quem entrar no cofre e roubar as fotos pode aproveitar e levar toda a grana que está lá dentro. Aí entra em cena Terry, que está devendo uma grana a um mafioso local e vê essa oportunidade como a única de sua vida. Martine, antigo amor de Terry, é quem apresenta a ele a oportunidade. Ela quer as fotos para entregar ao atual namorado e tem liberdade de ação. Os dois montam a equiqe, cheia e amadores, e partem para a ação.

Vale como entretenimento, primeiro porque tem o sotaque britânico e também porque já sçao esperadas algumas reviravoltas, um suspensezinho bem básico e raso e aquele final de sempre. Daí eu me pergunto se o filme é mesmo baseado em uma história real, como dizem.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Enfrentando os medos

Quando criança, eu aprendi com a minha irmã que havia alguma coisa perigosa no armário do quarto, era preciso deixar a porta bem fechada de noite. Aprendi com a babá a ter medo de um certo tipo de pessoas (ah, se soubessem o medo bobo que ela punha na gente...). Aprendi sozinha que o toc-toc de certos sapatos deixam a gente com paralisia, suor frio e tremedeira. Já tive medo do escuro, dos espelhos, de fantasmas, dos ladrões, de familiares, dos caras do prédio do lado.

Ao mesmo tempo, sempre fui uma pessoa corajosa. Impetuosa, na verdade. Tia Ylza conta que enquanto a Laura ficava quietinha, sentada, brincando, eu queria subir em cadeiras, em estantes, em armários, em árvores. Gostava de me pendurar em janelas, varandas e balaustradas. De correr, cair, levantar. Tirei praticamente sozinha a única rodinha que restava na bicicleta. Sempre procurei fazer tudo sozinha, evitando ajuda de quem quer que fosse.

Até a hora de enfrentar aquele medo paralisante. Consegui, depois de anos, dormir com a porta do armário aberta. As pessoas de quem a babá falava não assustam mais. Não enfrentei o toc-toc, mas hoje ele é insignificante. Chegou a vez de encarar o outro medo paralisante. E o dia é amanhã. Desejem-me sorte. Depois eu conto o medo e o que vai acontecer amanhã.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Filme: O Turista

The Tourist - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Florian Henckel von Donnersmarck
Roteiro: Florian Henckel von Donnersmarck, Christopher McQuarrie
Elenco:Johnny Depp, Angelina Jolie, Paul Bettany

Angelina Jolie está deslumbrante nesse filme, com uma beleza, uma finesse, uma sensualidade que fazem a gente até desanimar. Dá gosto olhar pra ela, pra suas roupas e maquiagens. Johnny Depp, seu parceiro de cena, está bem displicente, como estaria um professor de matemática que perdeu a esposa e viaja para esquecer. E tem um cigarro eletrônico que é fantástico, os fumantes deveriam migrar para ele e abandonar o fumacê que tanto incomoda.

Vamos ao filme. Angelina é Elise, namorada de Alexander Pierce, procurado pela polícia inglesa. Vive na França e é vigiada constantemente. Um bilhete do namorado a faz pegar o primeio trem para Veneza e escolher um bode espiatório parecido com o namorado para enganar a polícia. Ela escolhe Frank Tupelo, o americano, interpretado por Depp. Frank passa a ser, então, perseguido pela polícia inglesa, pela Interpol e também pelo antigo empregador de Pierce, um financista do mal, daqueles que mata seus comparsas só porque cometeram um erro.

Veneza casa bem com Jolie e é um bom pano de fundo para a evolução do roteiro. Pena que a história é capenga e previsível. Ainda no primeiro terço do filme, já se sabe o final e, sim, isso faz tudo perder a graça. É bobo e chega a ser patético. Vale mais pelo figurino da Angelina e por Veneza do que por qualquer outra coisa. Ah, tem duas cenas em que Jolie e Depp bebem uma coisa tão vermelha que lembra o Campari que aquela tia avó ama e usa pra dar vexame nos almoços de família.

Últimos românticos

Romantismo, pra mim, não é mandar flores ou abrir a porta do carro. Flores me fazem espirrar, e tenho medo de carros. É ter cuidado e carinho com o outro, se fazer presente sem sufocar e tal. Nem eu nem Leo somos românticos tradicionais. Mas tem dia em que a gente tenta.

A primeira vez, já fui logo dizendo que ele tinha que ser mais romântico. Ele olhou prum lado, pro outro, colocou as mãos no bolso e me estendeu a mão direita.
- O que é? - perguntei.
Eram seis reais, em notas de dois. Fiquei sem entender, fiz aquela cara de quem pergunta "o quê"? E ele:
- Ué... romântico...

Romantismo, pra nós, custa (ou gera) seis reais. Segundo os amigos do Leo, ele inflacionou o mercado.

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

E lá fui eu falar de romantismo de novo. Estávamos na academia, numa aula de body pump. Entre os berros de incentivo e a música alta, a professora disse que se a perna estivesse queimando é porque estava bom. Pra facilitar, ela disse que, quando estivesse doendo mesmo, era pra gente pensar em uma coisa boa. E eu, toda romântica, virei pro Leo e disse:- Vou pensar em você.
E ele:
- Eu vou pensar numa empadinha.


É, o romantismo morreu.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Exótico

Sábado fomos comemorar o Dia das Mães. Eu vivo dizendo que tenho três pais (vovô, Padrinho e Paulo), posso dizer que tenho duas mães, a vovó e a Margá, minha sogra. Isso aí, eu amo muito a mãe do Leo. É uma pessoa companheira, divertida, alto-astral. Não dá pra ficar triste perto dela. E lá fomos nós pro Rima dos Sabores, no Prado. O restaurante fica numa casa com varanda, numa rua calma. A especialidade da casa são as carnes exóticas (javali, avestruz, jacaré, javali, rã) de um jeito mais acessível, com uma carta de cervejas bem interessante (pra quem gosta, claro), com dicas de harmonização.

Estava acontecendo uma festa de casamento lá e uma certa hora apareceu um prato com um jacaré praticamente inteiro. A Margá chamou o garçon pra que eu pudesse fotografar. Pela primeira vez na vida, eu resolvi experimentar as carnes exóticas. O primeiro petisco que o pessoal pediu foi uma coxinha de jacaré com molho de damasco. O molho estava delicioso e a carne do jacaré lembra o de frango (super clichê), mas é mais forte.  Depois foi a vez de coxas de rã empanadas com ervas finas e chantili de manga. Também tem gosto de frango, e as ervas finas estavam deliciosas. O chantili de manga é muito bonito e combinou bem com o prato (falou a entendida, hehehehe).

E teve o normal, né? Filé ao molho de gongozola com pêras e pastel. Delícia! Sou super pasteleira, adorei a combinação.

Dá vontade de voltar qualquer dia desses!

Coxinhas de jacaré ao molho de damasco   



Filé com molho gorgonzola e pastéis


O jacaré, que não era nosso

Coxas de rã com chantili de manga
Como eu consegui comer a rã? Bom, só experimentei. E tentei não ficar olhando muito pro formato delas, pra não lembrar de que bichos elas vieram.

O Rima dos Sabores avisa, no cardápio, que os animais exóticos do cardápio vêm de criatórios legalizados e que toda a compra da carne é de acordo com a lei.

Citações 14

De 1808, escrito por Laurentino Gomes.

Um ofício de 1816...

"ordenava à guarda militar reprimir assobios, gritos, pateadas e outros comportamentos e modos incivis que o povo pratica 'durante' os espetáculos de teatro".

Levando-se em consideração as salas de cinema hoje em dia, não mudou muita coisa, né?

domingo, 8 de maio de 2011

Filme: Footloose - Ritmo Louco

Footloose - 1984 (mais informações aqui)
Direção: Hebert Ross
Roteiro: Dean Pitchford
Elenco: Kevin Bacon, Lori Singer, John Lithgow

O filme que mostrou Kevin Bacon para o mundo.

Nas cenas iniciais, com os créditos principais, já sabemos que vem música e dança por aí. São vários pés visualmente dos anos 1980 (o tênis Nike não nos deixa mentir, nem as polainas...) marcam o compasso da música tema. Somos apresentados a uma cidadezinha, inicialmente pacata, com uma comunidade que se reúne ao redor do pastor, após ter sido marcada por um grave acidente de carro, com a morte de alguns jovens, um deles o filho do pastor. A comunidade proibe música, festas e tudo o mais que possa reunir jovens. Aí chega Ren (Bacon), filho único cuja mãe acabou de se separar e resolveu se mudar para a cidadezinha. Só por isso, ele já é um problema. Mas ele também é um leitor de livros proibidos na cidade e adora dançar. Receita básica para falar sobre a impetuosidade da juventude e sobre como a repressão pode ser cega e prejudicial.

A caracterização de Ren é típica. Ele fuma, tem um carro (e ainda está no colegial), bebe, escuta música burlando a proibição da cidade, briga com o valentão, se apaixona pela filha do pastor, arruma um melhor amigo brigão e consegue diminuir a resistência da cidade inteira com a música e as coisas da juventude. Pra conseguir revolucionar a cidade, primeiro ele é reprimido e discriminado pela comunidade. Uma das cenas mais divertidas, vendo o filme hoje, é a hora em que Ren é afastado do time de Ginástica Artística da escola e, resolvado, vai para um galpão abandonado dançar como David Bowie.

O contraponto de Ren é o pastor Shaw Moore, um John Lithgow. O contraste entre os dois é nítido também na caracterização: Moore usa roupas em tons terrosos, marrons. Sua fala tem sempre o mesmo tom professoral, que repete, para públicos diferentes, a mesma cantilena, sem mudar a abordagem. Sua personalidade é plana, enquanto Ren é colorido, tem ambições, contradições, erra e acerta. É mais humano, enquanto Moore parece inatingível.Por outro lado, Vi Moore (Dianne Wiest) lembra o reverendo de que ele já foi jovem e consegue, aos poucos, dar novas cores à personalidade do pastor.

Outro momento impagável é quando Ren esina o amigo Willard a dançar. Seus ensaios, com as priminhas de Ren ou sozinho em casa, são muito divertidos. Depois de aprender a dançar, finalmente ele faz par com Rusty, uma Sarah Jessica Parker novinha, pequena, sem glamour e antes da plástica no nariz.

O filme é daqueles que, quando você vê na adolescência, te enche de vontade de mudar o mundo e, com isso, cumpre um papel interessante. Tudo bem que o tempo passa e a gente vê que essa história de mudar o mundo é tão bestinha... Sessão da tarde super bem-vinda!

sábado, 7 de maio de 2011

Bora respeitar mais e falar menos besteira?

Segundo a onda da questão da união homoafetiva, tem outro assunto complicado pra comentar.

Dia desses, uma pessoa que eu conheço postou no facebook um texto que dizia mais ou menos assim: "De casa 10 pessoas, 1 tem algum transtorno mental. Ou seja, de cada 10 amigos que você tem, um é louco. Cuidado com quem você se relaciona".

Não tenho nem como explicar a indignação que eu senti lendo isso.

O primeiro equívoco está em dizer que quem tem algum transtorno mental é louco. Peralá, gente! Quem fala uma bobagem dessa sabe o que é um transtorno mental? Sabe que depressão, síndrome do pânico e transtorno bipolar, que são sempre usados como desculpa, são transtornos mentais? Quem está triste alega estar com depressão, quem sofreu um sustinho qualquer apela pro pânico e os mal humorados são taxados de bipolares. Nessas horas, quem se importa de usar os transtornos?

Depressão é uma coisa muito séria, assim como o pânico, o transtorno bipolar, a esquizofrenia e os outros transtornos. Não são sinônimo de loucura, e seus portadores merecem muito, mas muito respeito. Não merecem ser tratados como estranhos, como loucos, e muito menos serem excluídos da sociedade. Chega de preconceito!

Ok, quem tem um transtorno mental tem que ser acompanhado por médicos e tomar remédios. Mas são raras as pessoas ditas normais que não precisam de médico e vivem sem remédios. É um pra dor de cabeça, outro pro estômago, pro fígado, pro coração... Seu coração não é perfeito? Em algumas pessoas, é o funcionamento da mente que não é perfeito. Só um detalhe.

O segundo erro do tal post no facebook é dizer que é preciso ter cuidado ao se relacionar com um portador de transtorno mental. Cuidado por quê? Assim como os ditos normais precisam seguir certas regras para, por exemplo, conversar com uma pessoa surda ou para conduzir uma pessoa cega, há certas regras para conviver com portadores de transtorno mental. A principal delas é respeitar bastante a diferença ( não se comparar, não humilhar, não exigir ou esperar o comportamento de uma pessoa dita normal).

Qualquer pessoa com sofrimento mental pode levar uma vida comum. Basta encontrar um ambiente de acolhimento e respeito. Ou seja, depende da boa vontade dos ditos normais. Vamos fazer a nossa parte? Não discriminar e não disseminar besteiras como essa que estava no facebook já é um bom começo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Dia histórico

Ontem, o STF votou por unanimidade o reconhecimento da união homoafetiva no Brasil. É uma vitória e tanto, que dá gosto na gente e me faz acreditar em um futuro melhor.

Um dos maiores problemas do mundo, na minha opinião, é que não somos educados para encarar o que foge do padrão instituído. Vamos caminhando, como os operários que saem da fábrica de Tempos Modernos, do Chaplin, sem questionar nada e olhando torto para quem não está lá, na mesma linha. Olhar torto ainda é o de menos. Boa parte das pessoas quer eliminar o diferente. Desde quando qualquer pessoa tem direito a espancar uma pessoa porque ela é diferente? De isolar, de ofender, de marcar, de rotular? Matar, então, é inadmissível.

Intolerância todo mundo tem, com alguma coisa, com o que foge de determinado padrão. Eu já confessei a minha aqui. A intolerância nos leva a atitudes completamente irracionais. E aí, dá-lhe os diferentes sofrendo. É o bullying, o sexismo, o racismo, o preconceito em geral. E ninguém para pra pensar que somos, todos nós, diferentes.

Um dos principais "motivos" dos que repudiam a união homoafetiva é a tal "base da família". Em primeiro lugar, o que é família? Pai, mãe e irmãozinhos? Pra mim, isso é só um amontoado de gente. Família, pra mim, só é algo se houver amor entre seus membros. Falo por experiência, porque já vivi os dois lados, o que tem amor como liga e o que tem só um amontoado de gente. E, te falar, com amor é muito mais legal. E amor não tem nada a ver com XX + XY. Tem a ver com a tal da comunicação inconsciente, com a construção de uma história, de planos juntos. Tem a ver com cumplicidade, com respeito. E tudo isso não está vinculado a orientação sexual, raça, cor, origem, sotaque, filiação ou seja lá o que for.

Como diz minha amiga Simone, eu sou a favor do amor. E como dizia o poeta, qualquer maneira de amor vale a pena (exceto, claro, aquela forma doentia de possessão que as pessoas confundem com amor. Não é amor, é doença).

Enfim, estou feliz demais, esperançosa de que venham novas conquistas por aí.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Alzheimer

Não me lembro muito qual o ano em que descobriu-se que meu padrinho tinha mal de Alzheimer. Ele era padre, professor de inglês e português e muito ativo na área da cultura aqui em Ouro Preto. Quando fez 80 anos, seus irmãos deram a ele uma viagem para Jerusalém, com passagem em vários países. Ele foi com a vovó, mais um irmão e uma cunhada. Voltou já bem estranho. Ninguém sabia, mas ele já tinha Alzheimer, e o processo ficou um pouco pior com a viagem. Pessoas com o mal não devem sair dos lugares de costume.

Também não me lembro quanto tempo durou a doença. Lembro que ele não soube que eu passei no vestibular pra jornalismo. Ou melhor, eu contei, mas ele não esboçou reação. Justo ele, que era meu maior incentivador. Não lembro de quantas vezes vim a Ouro Preto em finais de semana para ajudar vovó a cuidar dele.

Lembro mais de quando ele ficou bastante doente, porque o Alzheimer fez um pequeno estrago no seu aparelho respiratório. Fiquei bastante tempo com ele na Santa Casa de Ouro Preto e, depois, no Hospital Madre Teresa, em BH. Ia visitá-lo todos os dias, no quarto e na UTI. Foram quase dois meses de hospital e ele faleceu. Não sem antes sorrir pra mim e dizer "afilhada querida", que era como me chamava, ainda na UTI.

Padrinho só me deixou coisas boas. Uma biblioteca enorme, cartas lindas, cheias de carinho, fotos e muitas lembranças. Lembro dele quase sempre, mas quase nunca do perído do Alzheimer. Agora, é só o que me vem à memória. Outro irmão da vovó está com Alzheimer já há alguns anos. Neste momento, está na UTI em BH, também com o aparelho respiratório comprometido.

Curioso que dessa vez parece tão longe... Como a vovó não tem mais idade pra sofrer (como se houvesse idade para isso), não contamos a ela ainda. Pela nossa experiência anterior, o processo é longo e doloroso, e ela não precisa passar por isso. Como não contamos a ela, não conversamos sobre o assunto. A distância, por outro lado, não diminui a realidade da doença, a lembrança de como foi com Padrinho e o medo do que pode vir a acontecer com a vovó. Ela já passou da idade crítica de desenvolver Alzheimer, mas está numa fase de extrema fragilidade, em que tudo machuca, a pele, os ossos, os músculos estão finos e podem se quebrar.

Há um lado muito legal de ter a família toda idosa, que é poder conviver com toda a história e a sabedoria pregressas. Mas há esse outro lado: tomo mundo envelhecendo, demonstrando mais fragilidade. E, como dizia meu bisavô Camillo, só posso concluir que a velhico é, mesmo, muito triste.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Trinta e dois

Sei que é bem ruim ficar divulgando a idade dos outros, mas chutei o balde. Hoje o Leo faz 32 anos e a única coisa que eu posso fazer é agradecer por estarmos juntos. Sim, vai ter presente (dei meia camisa do Cruzeiro pra ele e ainda vai rolar Snatch em Blu-ray), vai ter torta alemã e vai ter jantar especial no Passo, pra nós dois comemorarmos. E vai ter música pra ele, aqui. Porque a Vanessa da Mata já disse exatamente o que eu queria dizer.





Ainda Bem (Liminha / Vanessa da Mata)



Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Nos dias frios em que nós estamos juntos
Nos abraçamos sob o nosso conforto
De amar, de amar

Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me mandam são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

Entre tantos anos
Entre tantos outros
Que sorte a nossa hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois, esse amor.
Entre tantos anos
Entre tantos séculos
Que sorte a nossa hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois, esse amor.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Filme: Butch Cassidy e Sundance Kid

Butch Cassidy - 1969 (mais informações aqui)
Direção: George Roy Hill
Roteiro: William Goldman
Elenco: Paul Newman, Robert Redford, Katharine Ross

Mais um texto para o Cinema de Buteco, aqui.

Uma comédia divertida e envolvente, em que todo mundo torce pros bandidos. Eles são charmosos, envolventes e alegres, bem diferente dos personagens reais que assombraram os Estados Unidos no início do século XX. Vale a pena ver e rever.

Com amigos é melhor

No post abaixo, sobre o livro da Coca-Cola, retirei a seguinte frase:

"Um estudo demonstrou que as pessoas que gastam dinheiro com seus amigos são mais felizes do que aquelas que o gastam consigo mesmas". 

É um lembrete pra gente. Que felicidade não é uma coisa que se conquista isolado. Ser feliz está ligado a ter companhia, e bons amigos não estão em liquidação. Eu vivo repetindo a frase que encerra o filme Mary & Max (quem quiser me dar o Blu-ray do filme de presente, eu aceito, tá? Aniversário em setembro!): "Deus nos deu uma família. Ainda bem que podemos escolher nossos amigos".

Pra completar, e exemplificar, sábado foi a comemoração do aniversário do Ricardo, amigo do Leo e que passou a ser meu amigo também. A Pat, esposa dele, é uma das pessoas mais bacanas que eu conheço e os filhos do casal são fofos. A Bia é uma garota de personalidade, o Rafael é um caso de amor eterno que eu tenho e o Yann é a graça em pessoa.

Daí, fomos no Lord comemorar o aniversário do Ricardo.

Pat e Ricardo, ele com a camisa mais legal que existe

Lauro, Tales e Leo, já no final da noite
O Jean já tinha ido embora

Não tem muita coisa melhor que ter bons amigos. Pra não citar nomes e correr o risco de esquecer alguém, deixo um beijo pra todos os meus. Não tenho dúvidas de que eles saberão quem são.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Pelo correio

Daí que o Correio passa hoje de manhã e escuto o carteiro gritando lá de baixo que tinha uma encomenda pra mim (verdade, ele berrou meu nome numa altura que deve ter acordado os vizinhos da amigos da farra). Fiquei puxando pela memória pra ver se eu tinha comprado ou ia receber algo esses dias. Pensei logo que era uma daquelas malas diretas com brindes que não passam pela caixa de correio. Mas não era...

Veio do Thiago, primo do Leo. Foi ele que nos mandou por e-mail o link do vídeo lindo da campanha 125 motivos para se crer num mundo melhor. Agora, ele nos manda a campanha completa, em um meio bem palpável: o livro 125 razões para acreditar em um mundo melhor.

O livro, com o cartão-dedicatória

Todas as 125 razões da Coca-Cola

É visualmente lindo

E cheio de mensagens de otimismo

Como disse o Thiago, inspiração para o trabalho e para a vida

Com mensaagens de igualdade também

Fala sério, não é pra emocionar receber uma coisa linda dessas de presente? Obrigada, Thiago!