quarta-feira, 29 de junho de 2011

Filme: Lixo extraordinário

Waste Land - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Lucy Walker, Karen Harley, João Jardim
Elenco: Vik Muniz

Um documentário feito a três mãos, com o objetivo de retratar o processo criativo do artista plástico brasileiro Vik Muniz. Acontece que os personagens que foram surgindo ao londo do trabalho se tornaram maior que o artista.

Tudo começa em Nova York, no ateliê do artista, com as negociações para seu novo trabalho. Ele quer usar o lixo, viver por dois anos em contato com catadores. Na pesquisa, aparece o Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, o maior lixão do mundo. Vik e sua equipe vão até lá e encontram tipos humanos adequados à obra que pretendiam produzir.

E aí está o melhor do filme: a história de vida, de luta, de dignidade das pessoas que precisam sobreviver coletanto materiais recicláveis de um aterro sanitário. Tião, Suelen, Ísis, Irmã e outros oferecem, além do corpo, como modelos, suas histórias de vida. Vik contrata alguns dos catadores para trabalhar em seu projeto. Primeiro, fotografa parte deles durante o trabalho de coleta. Os outros serão fotografados no estúdio. Com materiais retirados da coleta, os catadores montam as imagens das fotos tiradas e selecionadas por Vik.

A obra mais importante é o Marat Sebastião, em que Tião é fotografado em uma banheira, com o lixão ao fundo. Após pronta (a obra é coletiva, os catadores contratados foram os responsáveis pela montagem, com a supervisão de Vik), a foto da montagem é levada a leilão em Londres e vendida por um valor substancial, entregue à Associação de Catadores do Aterro Municipal de Jardim Gramacho.


Uma discussão interessante levantada entre Vik, sua esposa e uma pessoa da equipe é se Tião deve ir a Londres. Durante o debate, são levantadas impressões sobre como o processo criativo estava "ajudando" a vida dos catadores. E que qualquer ajuda maior seria dar a eles uma espécie de ilusão. A discussão é curta, Vik aparece usando a capa do super-herói que vai salvar seus novos amigos. O resultado veio num programa Caldeirão do Hulk. A Isis, uma das personagens, contou que recebeu dez mil reais de Vik, pelo trabalho. Como nunca tinha visto tanto dinheiro, ela ficou deslumbrada, correu para um shopping e gastou todo o dinheiro em roupas. Ela não estava preparada para a forma com que foi ajudada.

O pecado do filme é ao final, quando mostram, em letreiros, o que aconteceu com os personagens principais. É quase como dizer aos espectadores que aquilo tudo ali foi só baseado em uma história real - como acontece em filmes com um pé na realidade, em que sempre temos, ao final, o que aconteceu com os personagens principais. Isso aproxima o documentário das ficções e tira um pouco a realidade, tão brutal, da vida dos catadores.

O filme concorreu ao Oscar de melhor documentário na edição de 2011.

Qual a cor do seu cérebro?

Vi na Jady e fui fazer. O teste completo está aqui.


Gostei do resultado!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Conto: Chuva

Era uma vez um garoto chamado Joly. Ele tinha pais muito ambiciosos, que queriam que o filho fosse alguém na vida. Joly cresceu ouvindo que ele era especial e levou a sério a sua vocação para a grandeza. A primeira palavra que ele falou foi “eu”. A segunda foi “meu”. Era o orgulho dos pais.

Joly precisou trabalhar. Sujeitou-se a um emprego mediano para consolidar seu projeto de sucesso futuro. Juntou o que sobrava dos salários para comprar um bom par de sapatos. Sua glória começava ali, com aquele par de sapatos.

Os sapatos eram especiais. Eram dele. Ninguém os podia tocar. Os pais admiravam de longe. Ao calçar os sapatos, Joly se imaginava superior, supremo. Antes de caminhar com seus sapatos novos pela casa, limpava bastante o caminho que iria percorrer. Nada, absolutamente, poderia macular seus pés calçados.

Chegou o dia em que a necessidade o levou a sair de casa com os sapatos novos. Joly caminhava pelas ruas olhando com cuidado onde pisava, já antevendo como limparia o solado de toda aquela sujeira da rua. No meio do caminho, uma grande chuva caiu na cidade. Tão grande que logo grandes poças se formaram nas ruas. Joly se desesperou. A natureza estava contra o seu projeto. Os seus planos não previam a chuva. Não era assim que tinha de ser.

Joly ficou contra o mundo. Enquanto gritava com todos que passavam correndo e deixavam respingar a água barrenta em seus sapatos, pensava no que poderia fazer para salvar seu futuro.

Foi debaixo de uma tempestade, com os pés molhados e os sapatos em frangalhos que Joly entendeu. Seus sapatos não o fariam ser alguém. Nem um belo terno, um cartão de crédito, um carro ou um avião. Enquanto brigava com o mundo, Joly percebeu que seus gritos afastavam as pessoas que poderiam tê-lo ajudado. Por pensar só em si mesmo, Joly se afastou do mundo e acabou sozinho. 

Novas marcas

E lá fomos nós pra mais uma sessão de bike na terra, dessa vez em Rio Acima, na região metropolitana de Belo Horizonte. Fomos ao Pesque e Pague Campestre e fizemos trilhas por lá.

O Pesque e Pague Campestre, uma graça de lugar

Sogrão, Leo e Lauro, companheitos de pedal

Eu na ponte, morrendo de medo

O Lauro, que teve um probleminha de direção

Olha o tamanho da ribanceira!

Mega cansada!

O almoço, delicioso (fora o arroz, claro)

O que teve:
- 9km de trilha na mata;
- a estreia do meu Cateye :-)
- a estreia (em trilha) do meu frequencímetro;
- a primeira vez que eu pedalei com meu sogro;
- três tombos de leve (caí pro lado esquerdo);
- um tombo pesado (caí pro lado esquerdo, apoiei na mão que não pode se machucar, quebrei um galho de árvore e tive leves escoriações no braço);
- a convicção de que na terra é mais legal do que no asfalto, mas cansa muuuuuito mais;
- um carrapato no braço (quem mandou cair no meio do mato?)

Domingo que vem tem passeio da Ikenfix em Rio Acima, e lá vamos nós pra 46 km de terra (vou reservar meu lugar no carro de apoio de uma vez!).

sábado, 25 de junho de 2011

Dizem que é ruim...

Nos livros do Harry Potter, quem não é descendente de bruxos, mas é convidado a desenvolver o dom, pode ser chamado de sangue-ruim. Toda vez que vou tentar doar sangue e sou recusada, me sinto como uma sangue-ruim.

Resolvi tocar no assunto porque houve essa mudança na aceitação de doadores: aumentou a faixa etária (a partir dos 16 anos, com autorização dos pais ou responsáveis, até os 65 anos) e há também uma indicação para que a orientação sexual não seja mais impedimento.

E o que eu tenho com isso?

Sempre quis doar sangue. Desde que eu soube que era possível e, mais ainda, depois que descobri que meu sangue, O-, pode ser recebido por todos. Só que eu não tinha a idade necessária. Daí, a lusitana rodou e lá fui eu para no hospital, com uma hemorragia séria. Uma das primeiras providências do povo lá foi me fazer receber sangue. Lembro que, para repor o sangue que eu recebi, um monte de gente foi doar, a maioria funcionários do chão de fábrica da empresa onde meu pai trabalhava. A vontade de doar cresceu. Só que me contaram que quem recebe sangue não pode doar durante dez anos, tempo em que é possível ver se alguma doença que não foi percebida na triagem vai se manifestar.

Em 2004 foram completados os dez anos. E, logo após, uma tia idosa precisou de doação. Fui lá e, ao contar que havia recebido sangue há uma década, a doninha da triagem me mandou de volta pra casa. Dois anos depois, lá fui eu tentar de novo. Novamente, a doninha me mandou embora. Dessa vez, questionei: já se passaram 12 anos! Ela foi categórica: nunca vou poder doar. Ninguém vai aceitar sangue de quem já recebeu doação. Ou seja, sou uma sangue-ruim.

Como não há nada pra fazer, já engoli que não posso doar. Por outro lado, sempre que vejo alguém que precisa de sangue, corro pra divulgar. Conheço algumas pessoas que doam pelo menos três vezes por ano e, por meio delas, tento fazer a minha parte. É o jeito, né?

Posso dizer que o sangue que tomei salvou a minha vida há 18 anos. Ele foi essencial para que houvesse mais tempo para a cirurgia ser feita. Sem o sangue, nada teria dado certo. É uma coisa tão boba pra quem doa, mas faz uma diferença enorme pra quem recebe.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Filme: Janela da Alma

Janela da Alma - 2001 (mais informações aqui)
Direção: João Jardim, Walter Carvalho
Roteiro: Walter Carvalho, João Jardim

Janela da Alma é um documentário que amealhou várias prêmios. Os diretores trazem à tona a discussão sobre as várias formas de visão. São 19 depoimentos de pessoas que têm algum tipo de deficiência visual ou que trabalham com outras formas de ver o mundo. O músico Hermeto Paschoal, o fotógrafo Evgen Bavcar, o escritor José Saramago, o cineasta Wim Wenders são alguns dos personagens do filme.

Todos eles chamam a atenção para a experiência da visão, que é mediada pela experiência de vida. Também lembram o tempo inteiro que há coisas que só são visíveis com os olhos da mente (algo como Exupery já havia dito em O pequeno príncipe: "o essencial é invisível aos olhos").


Em meio aos depoimentos de pessoas são cegas de nascença, que se tornaram cegas, que têm visão restrita o alguma deformidade, como olhos estrábricos, um deles chama mais a atenção. É Saramago, que atenta para o mundo moderno. Ele diz que hoje nos vivemos em uma espécie de caverna de Platão ao contrário, pois vemos o mundo não pelos nossos próprios olhos, mas pelas imagens do audiovisual.

O melhor do documentário são as cenas entre os depoimentos, sempre em desfoque, para que o espectador seja levado a sentir um pouco do que é a dificuldade de visão. Sem elas, seria apenas um amontoado de depoimentos (fundamentais, diga-se), mas que não trariam nada de diferente para a vida da audiência. Essas cenas pontuam com é passar alguns segundos, alguns minutos com a visão turva, desfocada, sem definição.

O documentário cumpre seu papel, ao fazer com que haja uma reflexão sobre a questão da visão. Com as imagens que trazem desconforto aos que tem a visão perfeita - ou quase -, os diretores conseguem aproximar o público do objeto de seu trabalho. Bela obra.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Anti-social

A Laura, minha irmã, nasceu linda, loura e falante. Dois anos depois, lá vim eu, feia, cabelo escuro e tímida. Anti-social, talvez seja a palavra certa. Quando saíamos, nós duas, todo mundo falava com ela e eu ficava lá, de lado, olhando. O tempo passou, não sou mais tão tímida quanto era, mas continuo anti-social. Só que com mais apoio.

Tenho um pouco de pavor de pessoas do além que vêm puxar papo na rua, na fila, na sala de espera. Acho que tenho uma cara muito confiável porque, em geral, as pessoas que vêm puxar papo comigo sempre me contam alguma coisa que, tenho certeza, não me contaria, se me conhecessem. Coisas bizarras mesmo. Daquelas que me dão vergonha ouvir. Não importa se são jovens ou idosos, sempre vem uma história sem noção. Daí que morro de medo quando alguém que não conheço vem puxar papo.

A minha salvação veio com os antigos walkmen. Ganhei um discman e abusava dele, apesar do gasto enorme de pilhas. Na época da faculdade, troquei o dito por um walkman mesmo, com rádio, pra ir pra PUC escutando o Fundo do Baú (só música velha...), das 6h às 7h. Era ótimo! Encarava o tempo dentro do ônibus sem o risco de alguém vir puxar papo. Fones de ouvido fazem milagres... Daí pro mp3, pro Ipod... Já usei os fones até com o Ipod sem bateria, pra desencorajar os incautos puxadores de papo. E funciona!

No meio disso tudo, apareceu a internet, e só reforçou que eu me dou melhor escrevendo que conversando. Nunca gostei de telefone, por exemplo. Tinha uma colega de escola, a Érika, que me ligava todos os dias (to-dos!), pra conversar bobagem, e lá se ia uma hora de papo no telefone. Eu curtia porque ela era divertida e tal, mas só isso. Outra pessoa ao telefone já me deixava louca pra desligar e voltar pra vida normal. Não podiam esperar pra falar no dia seguinte, pessoalmente? Até hoje, prefiro receber um e-mail a um telefonema.

Daí que outro dia estava pensando em como estamos, todos, ficando mais anti-sociais. Com o celular, com os notebooks, com o 3g, tudo é motivo pra conectar com o mundo virtual e curtir os 1488 amigos on-line, enquanto estamos num bar, com outras sete pessoas, dividindo uma mesa, e sem trocar uma palavra. Outro dia, lá estava eu, na casa dos pais do Leo, com todo mundo à mesa, conversando. Primeiro, zerei o meu Reader; depois fiquei jogando Tetris, tudo no celular. E perdi uma boa parte da conversa, que é sempre muito agradável. Mesmo que eu não participe muito (a timidez ainda mora em mim), gosto de ouvir.

Vá lá, eu gosto de conversar. Gosto muito. Com pessoas que eu conheça e que saibam conversar sobre tudo. Quem só abre a boca se puder pronunciar "eu" e "meu" não é o tipo de pessoa que me convide para um papo. Tá, eu te conheço, mas te acho chato, ok? Nesse caso, prefiro os fones, o notebook ou o celular.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Vida em cidade pequena

Daí que eu fiz uma compra na Cacau Show daqui de Ouro Preto e "paguei" com cartão de débito. E a operação não completava. Daí falei pra Ísis, a moça que me atendeu, pra cancelar e tentar outro cartão. Enquanto ela clicava em cancelar, começou a sair a aprovação da compra. A via da loja apareceu com a compra aprovada, a minha via com a compra cancelada.

Em uma cidade normal, ia dar um pepino do caramba...

A Ísis só anotou meu telefone e me pediu pra conferir se tinha cancelado ou não. O procedimento padrão é que, em até 48 horas, o banco define se a compra está cancelada ou não. E a Ísis vai esperar, pacientemente, esse tempo todo pra saber se está tudo certo ou se eu estou devendo a compra pra ela (caso esteja devendo, só vou quitar a dívida segunda-feira!!!).

O interessante é que sou cliente da loja, mas não sou íntima de ninguém. Como aqui em OP quase todo mundo se conhece, ela sabe que pode me localizar, caso eu faça a louca da compra e desapareça.

Aqui em Ouro Preto ainda tem muito lugar com a famosa (e antiga) caderneta. Você faz uma compra e paga, de acordo com a anotação na caderneta. Isso funciona na padaria, no armazém, na quitanda, na sapataria, em praticamente todo lugar. E eu, ouro-pretana criada em BH, nunca me acostumei com isso, nem pratiquei. Parece coisa de um mundo paralelo.

Em tempo: liguei pro banco e tive a informação das 48h. Liguei pra loja, pra contar pra Ísis, mas o telefone não atendia. Fui lá, né? Pra garantir que, se houver cancelamento, segunda-feira eu volto lá e pago isso de vez!

Filme: Piratas do Caribe 4: Navegando em águas misteriosas

Pirates of the Caribbean: On strangee tides - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Rob Marshall
Roteiro: Ted Elliot,Terry Rossio
Elenco: Johnny Deep, Penélope Cruz, Ian McShane, Geoffrey Rush

A quarta aventura do pirata Jack Sparrow parece ser mais um filme oportunista: como houve sucesso nos três momentos anteriores, por que não fazer mais um? A história começa um pouco desconectada, com espanhóis descobrindo que a fonte da juventude realmente existe. A partir daí, começa-se a busca pela fonte, que não é beeeem aquela que sempre imaginanos. Para realmente fazer efeito, é preciso trocar a força vital entre duas pessoas e ainda usar a lágrima de uma sereia (oi?).

A cena mais interessante do filme é bem no comecinho, quando acontece o julgamento do pirata Gibbs e Sparrow dá um jeito de estar lá. A partir daí, a fuga é a única coisa que emociona em toda a projeção. Enquanto toda a audiência torce pelo pirata de delineador, vemos como ele, em lances inusitados e, por isso mesmo, cativantes, engana a todos os seus perseguidores. Um anti-herói com o qual é construída uma empatia enorme, seja pelo jeito malandro, pelas tiradas curiosas, seja pelo simples fato de o personagem parecer um Robbin Hood mais divertido. Além disso, ao sempre lutar sozinho contra muitos soldados, corsários ou outros piratas, ele ganha mais ainda a torcida da audiência. É o único homem do pedaço que, com poucas armas, coloca todos os seus perseguidores em desvantagem. Quando iniciam-se as lutas de espadas, vem o que mais me incomodou em todo o filme: o barulho agudo, ritmado e muito alto do contato dos metais, praticamente uma tortura que percorre quase toda a obra.

As tais sereias, cuja lágrima é extremamente necessária para o uso da fonte da juventude, são lindas, glamurosas e vampiras. Além de seduzir todos os homens com seu charme avassalador, elas também têm caninos avantajados e usam as mordidas como defesa. E é uma sereia linda e vampira que protagoniza o casal âncora do filme, junto a um sacerdote completamente deslocado do resto da narrativa. Super sem sal o tal romance, envolvendo o tão batido tema do padre versus a mocinha jovem, linda e sedutora.

Acaba que o conflito originário, encontrar a fonte da juventude, é tão abstrato e tão confuso (qual o objetivo de tantas pessoas que a querem encontrar, se somente uma pessoa a pode usar?) que não segura o filme. Fica tudo em volta de lutas intermináveis (e com o som estridente das espadas se tocando), fazendo com que todo o filme se arraste e as mais de duas horas de projeção pareção ser seis.

A direção de arte do filme chama a atenção, desde a corte inglesa à sala de jantar do Rei George, passando pela caracterização dos personagens e culminando no navio do Barba Negra, um espetáculo, cheio de detalhes, em roxo e preto, roto, desbotado e, ao mesmo tempo, grandioso. Em contraponto, o barco dos corsários do rei tem velas brancas, limpas e inteiras, como se, por fazer parte de um projeto real, isso os tornasse menos bandidos que os piratas.

Está cada vez mais comum que os estúdios "brinquem" com suas logomarcas e coloquem nelas algo relacionado aos filmes. Aqui, uma bandeira pirata aparece no topo do castelo da Cinderela, marca dos estúdios Disney. Ficou bacaninha.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Conto: Fome

Eu gosto de fechar os olhos. São poucos segundos em que me dou o direito de sonhar, de imaginar uma história. Mas em alguns momentos os devaneios tomam conta de mim e as histórias que crio se misturam com a realidade.

Um dos meus meios principais de imaginar histórias para pessoas que passam é ver qual é o livro que elas leem, quando têm obras nas mãos. Estava em uma das esquinas mais famosas de Belo Horizonte, Álvares Cabral com Bahia, onde há aquela citação tão belo-horizontina: a vida é essa: subir Bahia, descer Floresta. Um dos meus amigos chamou a minha atenção:

- Olha lá, Júlio, o que aquele moço está fazendo com o livro!

Desviei meus olhos para a pracinha, já querendo ver qual era o livro. Imaginava algo da saga Crepúsculo ou A Cabana. E só vi um sujeito sentado, com uma garrafa de uísque ao lado, folheando um livro cheio de fotografias. Fechei meus olhos e imaginei uma pessoa planejando uma viagem. Para onde ele iria? O que aquelas fotos diriam a ele sobre o seu lugar de destino? Ele iria sozinho? Teria família?

Abri meus olhos para captar mais algum momento daquela pessoa. Foi quando eu vi o que o meu amigo queria que eu visse: o rapaz arrancou uma das folhas do livro, embolou-a, colocou na boca e mastigou.

Há fomes maiores que a de conhecimento.

Após ver a fome assim, face a face, deixando o ser humano tão vulnerável, não havia mais histórias para meus olhos fechados.

Presente

Como todo mundo, adoro ganhar presente. Mais ainda se ele vier de maneira espontânea, sem aniversário por trás. Sexta eu gannhei um desses, e que tem tudo a ver comigo.

Sendo da Papel Picado, já gostei antes mesmo de abrir

Olha que charme a caneta Yellow Submarine!

Foi presente do Lauro, um amigo querido e companheiro de filmes e bike. Ele sabe que eu adoro Beatles, claro que amei a caneta. O yellow submarine foi mais uma viagem maluca do quarteto de Liverpool:


Yellow Submarine (Lennon/McCartney)
In the town where I was born
Lived a man who sailed to sea
And he told us of his life
In the land of submarines

So we sailed up to the sun
Till we found the sea of green
And we lived beneath the waves
In our yellow submarine

We all live in a yellow submarine
Yellow submarine, yellow submarine
We all live in a yellow submarine
Yellow submarine, yellow submarine

And our friends are all on board
Many more of them live next door
And the band begins to play

We all live in a yellow submarine
Yellow submarine, yellow submarine
We all live in a yellow submarine
Yellow submarine, yellow submarine

As we live a life of ease
Everyone of us has all we need
Sky of blue and sea of green
In our yellow submarine

We all live in a yellow submarine
Yellow submarine, yellow submarine
We all live in a yellow submarine
Yellow submarine, yellow submarine
We all live in a yellow submarine
Yellow submarine, yellow submarine
We all live in a yellow submarine
Yellow submarine, yellow submarine


domingo, 19 de junho de 2011

Livro: Hora Zero






Mais um da Agatha Christie. Meu tempo anda curto, não tenho lido muito ultimamente. Este, li em um dia de muita sala de espera.

Neste livro, a autora já avisa, no prefácio, que a ordem lógica não será a mesma. Sempre, no primeiro terço do livro, há uma morte que desencadeia uma série de ações. Aqui é diferente: uma série de acontecimentos culminam em um assassinato. A trama é bem intrincada, há vários detalhes e pistas que indicam o assassino e também confundem o leitor. O de sempre da Agatha está lá: a ironia, o toque vitoriano e das tradições inglesas, o triângulo amoroso. São poucos personagens, cada um com uma característica marcante.

Lady Tressilian é a inglesa clássica, inválida e apegada às tradições. Ela vive com os empregados e uma parente distante, e recebe em sua casa um amigo vindo da Malásia e o pupilo de seu marido, Nevile Strange, com a primeira e a segunda esposas. Ainda fazem parte da trama o amigo da segunda esposa de Strange, um velho advogado, o sr. Treves e um dos personagens mais interessantes dos livros de água, o superintendente Battle, da Scotland Yard. É ele quem resolve o mistério, com a ajuda não presencial de Hercule Poirot. Ao lembrar do amigo detetive, Battle dá um grande passo na solução do crime.

Pela mudança radical na forma, é um dos livros mais interessantes da Agatha que já li. Talvez isso explique o fato dele ter sido devorado em um dia.

Citações 15

Lady Tressilian, personagem de Hora Zero, da Agatha Christie:


Devo lhe dizer que não me agrada! Sempre acreditei que quando a minha hora chegasse seria tudo muito rápido. Que encontraria a morte cara a cara, sem senti-la gradativamente, rastejando atrás de mim, sempre sob o meu ombro, forçando-me pouco a pouco a naufragar de humilhação por causa da doença. Cada vez mais impotente e mais dependente de outras pessoas!


Me lembrou muito a vovó...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Filme: De pernas pro ar

De pernas pro ar - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Roberto Santucci
Roteiro: Paulo Cursino, Marcelo Saback
Elenco: Ingrid Guimarães, Maria Paula, Bruno Garcia

Acredito que o objetivo do filme tenha sido mostrar que ser sério demais não faz bem, que é preciso aproveitar a vida. Será que foi isso mesmo? Uma executiva extremanente focada no trabalho (Ingrid Guimarães) perde o emprego e o marido em uma única tacada e ainda tem de se haver com uma vizinha descolada (Maria Paula), dona de um sex-shop, para reestruturar sua vida.

Maria Paula é péssima. Não acho que foi só uma questão de direção, mas de falta de recursos mesmo. Há anos ela faz papel de gostosona e parece que estacionou no lugar errado. Ingrid é melhor em cena, mas está tão acostumada a fazer caras e bocas que sua personagem fica extremamente caricata. As duas que começam o filme num embate, ficam melhores amigas de uma hora para a outra e se ajudam na resolução dos problemas uma da outra.

Há uma série de clichês, a começar pelo mote da história, que retrata a mulher que trabalha como neurótica e infeliz, enquanto a descolada e sexualmente liberal é feliz e realizada. Porém, no final do filme, vemos que a moderninha liberada também é retratada estereotipadamente quando a questão é a sua própria vida amorosa (amorosa mesmo, não somente sexual). Os clichês se acumulam na história. A impressão é de que estamos vendo uma novelinha, ou uma daquelas séries globais. Não só por causa dos atores, todos da Vênus Platinada, mas porque o roteiro é praticamente montado para TV. E tem coisas muito estranhas, como a fala "Eu não quero imaginar essa imagem na minha cabeça".

A "lição de moral" do filme é bem chulé: o que importa são a família e o amor. Alice, a personagem de Ingrid, só consegue ser feliz quando se desliga do trabalho. Já seu marido, esse sim consegue se realizar trabalhando. Ou seja, mulheres devem deixar para trás anos de luta por direitos iguais e voltar direto pro fogão. Alice termina o filme dizendo que "não se pode ter tudo na vida", que reforça justamente esse clichê machista.

 Há referências a outros filmes nacionais, da época das pornochanchadas, como Os sete gatinhos (vide os "caralhinhos voadores" no sex shop).

Tipo outro qualquer

Um dia desses, encontramos quase todos os amigos. Faltaram dois casais, impossibilitados de comparecer. Mesmo assim - e com a canseira que eu estava, após vários dias de correria, foi muito bom rever todo mundo, curtir a boa companhia e colocar o papo em dia.

A mesa, sendo preparada

Parte do pessoal

Era aniversário de alguém!

Os meninos

O início da coleção de garrafas

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A lenda de Beowulf

Beowulf - 2007 (mais informações aqui)
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Neil Gaiman, Roger Avary
Elenco: Ray Winstone, Anthont Hopkins, Angelina Jolie, Robin Wright, John Malkovich

Tudo começa com a festa por uma vitória numa batalha. Num grande salão, javalis são assados, taças de bebida passam de mão em mão, todos comemoram o sucesso. Hrotgart, o rei, comanda a festa, junto ao guerreiro Unferth. Porém, os festejos incomodam Grendel, um monstro que vive nas montanhas, e que não exita em matar os súditos de Hrotgart. Em um navio que enfrenta uma grande tempestade, vem Beowulf, o herói que se propõe a salvar o reino da fúria de Grendel.

Porém, o verdadeiro perigo para o reino de Hrotgart não é Grendel, mas a mãe do monstro. Além de dominar o monstro, ela exerce um enorme poder sobre o rei e é, também, responsável pela infelicidade da rainha. Também será importante na saga de Beowulf.

O roteiro bebe um pouco na história de Fausto, da venda de sua alma ao demônio e do alto preço que se paga por isso. Também tem muito do imaginário humano de deuses, monstros, seres mágicos, barcos e histórias que derivam daí. Em especial a demonização da mulher, algo tão, mas tão constante na literatura que chega a incomodar. Além disso, há outro belo toque machista no filme. No início, quando Unferth ainda é reverenciado como herói, ele recebe uma honraria por, entre outras coisas, deflorar virgens. Já Beowulf alardeia aos reinóis que vai roubar virgens em batalhas. Completamente dispensável.

A animação é um tanto lenta. Acho (não entendo nada de animação) que é porque se tenta reproduzir com exatidão os movimentos humanos. Não fica agradável de se ver, e nem sei se a data (2007) é responsável por isso. Há muitas coisas legais na animação, como o trabalho de luz e sombra nas cenas de festa do salão do reino e o rosto de Beowulf, com a textura de pele e as rugas. E uma profundidade de campo linda, na cena do funeral dos guerreiros de Beowulf.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Conto: Estranhos Fóbicos Anônimos

- Sabe o que eu achei no Google? Estava procurando aquela empresa de games EAF, e achei uma página dos Estranhos Fóbicos Anônimos. Capotei de rir com isso.

- Como é que é?

- Estranhos Fóbicos Anônimos. Um desses grupos de ajuda com todo tipo de fobia maluca que você pode pensar. Tem um até aqui na cidade. Fiquei imaginando que tipo de louco que vai lá.

- É...

Estranhos Fóbicos Anônimos... o que seria isso? Encucado, foi atrás do Google e descobriu a página, o local e do horário das reuniões na cidade. E correu pra lá no próximo encontro.

A filosofia "Só por hoje" estava lá. E as pessoas, meio ressabiadas, quase que pedindo desculpas por estar ali. Um se aproximou e perguntou se era a primeira vez dele ali. Sim, respondeu. Não se incomode, disse o outro, não faremos perguntas, você fala somente se quiser, seja bem-vindo.

Começou a reunião. A primeira pessoa a falar era uma jovem, cerca de 25 anos.

- Pessoal, preciso compartilhar minha vitória da semana. Durante o almoço de terça-feira, um baguinho de arroz veio parar no meu prato. Eu consegui me superar. Só dei um ligeiro grito de pânico, tirei o arroz com a ponta da faca e coloquei no prato do meu namorado. Fiquei parada, pensando no que fazer depois. Pela primeira vez na vida, superei meu medo de arroz e não troquei de prato. Tampei o nariz e continuei comendo. O arroz não contaminou a comida. Obrigada!

Uma salva de palmas ecoou no salão. O segundo resolveu falar. Era um senhor, com quase 60 anos.

- Eu vim falar de um fracasso. Esta semana eu tentei pisar no tapete da entrada de casa. Só que, lá na entrada do apartamento, eu já suava frio. Não conseguia parar de pensar que, se eu colocasse um pé no tapete, seria tragado por ele. O medo foi me dominando. Eu consegui chegar até bem perto, mas como é normal, pulei o tapete e entrei em casa. Me escondi no banheiro pra chorar sem que a minha mulher e meus filhos vissem. Sou um fracassado. Onde já se viu ter medo de tapete da porta de casa?

Ele sentou-se com lágrimas nos olhos. Os companheiros ao lado foram consolá-lo.

Lá tinha fóbicos das coisas mais estranhas. Uma tinha medo de tocar em algodão. Outro, em maisena. Outro, ainda, tinha medo de peixes de aquário. E aquela mocinha que tinha medo de coisas amarelas? Parecia o Roberto Carlos com o pavor de marrom. Gente, ele pensou, que povo louco! Como podem ter medo dessas coisas, arroz, tapete, algodão, maisena, peixe de aquário, amarelo!

- Temos novos companheiros hoje, que só falarão se sentirem vontade, começou o coordenador do grupo.

Ele levantou a mão. Sim, tinha algo a dizer.

- Oi. Também tenho uma fobia, mas convivo com ela há tanto tempo que nem sei se ela é estranha. Começou quando eu ia pro sítio do meu primo todo final de semana e o José, o pato de lá, ficava me encarando. Eu era criança e achava que ele ia avançar em mim, me arrastar pro laguinho e me matar. Desde então eu tenho Anatidaefobia, esse medo estranho de ser observado por patos. Vivo andando pelas ruas, procurando patos por todas as esquinas, em todos os becos, em todas as janelas. Acho que vocês são todos loucos com essas fobias estranhas. Mas não fujo disso. Queria me libertar do pato que me persegue, indefinidamente, por todos os dias da minha vida.

Estranhos Fóbicos Anônimos... ele encontrou seu lar.

domingo, 12 de junho de 2011

Um pouco de tinta

Pedacinho do fim de semana

Leo, eu e Fal na Pampulha Cidade Administrativa. Foto do Lauro
Update: Leo me lembrou que não era a Pampulha. Engano com cara de velhice, heim...

Luiz, Nando, Jean, Leo, Lauro, Tales e Virgílio

Brasil 1 X 3 EUA. Mas foi ótimo!
Notas:
- Frequencímetro faz diferença. Foi  mais confortável saber como andavam meus batimentos cardíacos durante a pedalada.
- A Cidade Adminstrativa de Minas é linda. É um dos melhores lugares em que já pedalei, porque é amplo, não é preciso disputar lugar com carros e pedestres, tem segurança, subidas e descidas. A pista é curta, mas vale a pena dar várias voltas por lá.
- Véspera de dia dos namorados com os amigos é tudo de bom. Leo e eu não ligamos pra datas. Daí que reunimos um monte de gente bacana pra um fondue, vinhozinho (pra quem pode beber; como não posso, me contento só olhando), bom papo, boa companhia.
- Não me importo se o Brasil perdeu pros Estados Unidos. Vôlei sempre é bom. No Mineirinho lotado, melhor ainda. Já baixei as fotos, vou postar aqui depois, com calma. Quem quiser companhia pra jogo de vôlei pode me chamar que eu vou feliz.
- Há algumas pessoas que a gente gosta tanto, mais tanto, que não se importa de sair correndo no meio do shopping só pra dar um abraço nelas. Foi assim que, na sexta-feira, nos encontramos com o Manoel, um amigo queridíssimo. Vi ele passando, chamamos mas ele não nos viu. Leo correu e lá fomos nós bater um papo agradável e matar a saudade dessa pessoa linda.

sábado, 11 de junho de 2011

Filme: Um morto muito louco

Weekend at Bernies's - 1989 (mais informações aqui)
Direção: Ted Kotcheff
Roteiro: Roerto Klane
Elenco: Andrew McCarthy, Jonathan Silverman, Catherine Mary Stewart

Vi esse filme quando foi lançado no Brasil. Todos os meus amigos achavam ótimo, divertido, riam muito. Eu achei super sem graça. Revi por esses dias, imaginando que agora, talvez, pudesse encontrar alguma coisa interessante ali. Não, a opinião é a mesma.

O filme começa com dois amigos, Richard e Larry, jovens executivos que trabalham como loucos, inclusive em feriados e fins de semana, com o objetivo de encontrar uma oportunidade e subir na empresa. Nessa busca, descobrem a fraude das apólices de seguro e resolvem contar ao chefe. O que os dois não sabiam é que o chefe, Bernie, era o responsável pela fraude. Ele convida os amigos para um fim de semana em sua casa, com o objetivo de matá-los. E aí, como diz o tradicional narrador da Sessão da Tarde, começa com a "confusão".

Além de Richard, Larry e Bernie, há um matador de aluguel, responsável pela morte de Bernie, uma garota muito bonita, uma série de amigos do chefe, que morre e ninguém percebe. Richard e Larry carregam Bernie para todo o canto, o que leva a situações inusitadas. Como quando Richard e Gwen namoram na praia e o corpo de Bernie vai sendo levado pelas ondas, ou Larry jogando Monopoly com o cadáver. Vichy, o matador de aluguel, responsável pela morte de Bernie, volta e meia vê o homem circulando por aí, com Larry e Richard por perto. Isso gera outras situações "engraçadas".

Se, na década de 1990, eu já não achava engraçado, vendo hoje o filme parece boring demais. Não há nada que realmente capte a atenção, a estrutura do roteiro é bem típica da época, muito diferente da agilidade das comédias de hoje. Enfim, vale para conhecer, mas não muda a vida de ninguém.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Livro: Eu sou o número Quatro


Gostei do filme, como disse aqui. Dai quis ler o livro e fiz a compra que inaugurou o pedido virtual da @SetPalavras.

O livro, como é comum, tem mais detalhes que o filme. Mas é bem fraquinho. Não sei se é adolescente demais (e eu passei da fase) ou se é porque a revisão do texto não foi assim tão bem feita. O fato é que o filme foi mais emocionante, porque foi mais focado na ação (o dedo de Michael Bay, com certeza), enquanto o livro traz mais a história dos Lorienos, as memórias de John Smith e, mais no final, com a extensa luta entre John, seus amigos e os mogadorianos.

Se o objetivo era suprir o espaço deixado com o fim das sagas de Harry Potter e Crepúsculo, Eu sou o número Quatro tem vantagens e desvantagens. De bom, tem uma história interessante, uma luta por sobrevivência (e, em geral, gostamos de ver a luta do bem contra o mal), um romance adolescente muito bonitinho e um certo reforçoi de valores. O lado negativo é que a história principal envolve aliens... Como as outras envolviam bruxos, vampiros e lobisomens, pode ser que tenha apelo. Provavelmente, eu só lerei a continuação se houver bastante tempo livre. E tempo é o que mais está faltando por aqui. 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

É pior?

Dia desses eu vi Janela da Alma, um documentário muito bacana sobre a visão. Na discussão que se seguiu, houve uma pessoa, não me lembro mais quem, que comentou sobre como deve ser difícil não ver. Eu não entrei nesse debate. Mas fiquei pensando cá comigo sobre algumas questões.

Em 1994, eu estava às voltas com uma disfunção hormonal bem séria. Falei um pouco sobre isso aqui. Foram cinco dias de hemorragia fortíssima e muitos desmaios. Em dois deles eu estava sozinha e não perdi a consciência, mas não tinha força pra gritar, nem pra derrubar alguma coisa, pra alguém me socorrer. E, o principal, não enxergava nada. Não sei quantos minutos duraram essas falhas de visão. Pra mim, pareceram uma eternidade. Foi tão forte que eu decidi que não havia nada pior na vida do que perder a visão.

Mas o tempo passa, a gente vai crescendo... Em 2001 fui trabalhar na Secretaria Municipal de Direitos de Cidadania de Belo Horizonte. Era uma secretaria nova, com a proposta de reunir uma série de serviços para grupos específicos. Havia coordenadorias e conselhos para a comunidade negra, portadores de deficiência, direitos humanos, direitos do consumidor, juventude e GLBTTT. Lá eu tive oportunidade de conhecer um mundo bem diferente do meu e isso me humanizou bastante. Foi duro, mas foi muito proveitoso.

Um dos trabalhos mais bacanas que fiz lá foi uma cartilha para apresentar, sem mitos, a vida de pessoas com deficiência. Entrevistei e fotografei, junto com uma outra jornalista, pessoas com várias idades e vários tipos de deficiência. Duas coisas me emocionaram bastante.

A primeira foi um garoto chamado Bruno, que nasceu com deficiência no desenvolvimento cerebral. Ele não andava, não falava, tinha uma movimentação do corpo muito restrita. Porém, isso não o impediu de estudar. Numa escola especial, ele foi alfabetizado e aprendeu a usar um computador. E, com ele, escrevia textos sobre política (na época, havia a polêmica da quebra do sigilo do painel de votação do Senado). Para isso, ele usava o único movimento que ele podia controlar, que era o do pescoço. A entrevista teve de ser montada de forma que as respostas fossem "sim" e "não". Quando era "não", ele olhava para o lado esquerdo; o "sim" bastava olhar para cima.

A segunda foi a entrevista com um grupo de surdos. Até então, eu ainda achava que a cegueira era a pior das deficiências. Os surdos estavam ali, numa sala, ao lado da intérprete, respondendo a todas as minhas questões. Mas eu não conseguia conversar com eles, diretamente. Principalmente porque não fui alfabetizada em Libras (Linguagem Brasileira de Sinais). E foi ali, com eles, que entendi que pior do que não ver é não poder se comunicar. Os cegos, os deficientes físicos, até mesmo o Bruno, com a paralisia cerebral, conseguiam se comunicar com qualquer pessoa. Os surdos, não. Eles precisam que o interlocutor tenha disponibilidade para conhecer/entender a linguagem, paciência para decifrarem juntos as palavras e até mesmo compaixão para não os abandonarem falando sozinhos.

Os surdos falam. Mas na maior parte do tempo não conseguem fazer com que os ouvintes se comuniquem com eles. Volta e meia aparece alguém para ajudar os cegos a se movimentar numa cidade ou em qualquer local. Idem para pessoas com outros tipos de deficiência. Os surdos acabam se fechando em um mundo à parte. E deixá-los lá é bem cruel. Assim como é cruel excluir as pessoas com deficiência mental.

É muito difícil  lidar com o diferente. Pior é fingir que a diferença não existe, isolar o diferente e fingir que o mundo é todo cor-de-rosa.

Filme: Alpha Dog

Alpha Dog - 2006 (mais informações aqui)
Direção: Nick Cassavetes
Roteiro: Nick Cassavetes
Elenco: Emile Hirsch, Justin Timberlake, Anton Yelchin, Bruce Willis, Sharon Stone

O filme é baseado na história do criminoso mais jovem a entrar na lista dos mais procurados do FBI. Johnny Truelove é garoto que acha que pode tudo. Ele mora sozinho e comanda uma turma de adolescentes que têm certeza de que a vida é só festa. Para cobrar uma dívida de drogas, ele sequestra o irmão do devedor e daí uma série de coisas interessantes acontecem.

A turma de Jonnhy idolatra o rapaz. Um dos rapazes, Elvis, chega a ser servil. Todos ficam deslumbrados com o poder do garoto, que já faz negócios com drogas e ganha bastante dinheiro, por isso consegue manter a vida que leva. Ele se sente realmente ofendido ao não ter a dívida de Jake paga e, para barbarizar, sequestra Zach, irmão mais novo de Jake. É um sequestro bem diferente e, por isso mesmo, difícil de ser digerido.

Pra começar, não tem ninguém segurando Zach, prendendo ou impedindo sua saída. Em certos momentos, Frankie, personagem de Timberlake, diz para Zach que ele pode ir embora. Mas o garoto resolve ficar. Como os amigos de Johnny, ele também está fascinado por aquela vida. Pela primeira vez ele, que era super protegido pela mãe, tem contato com drogas, bebidas liberadas e com garotas. É um sequestrado com uma vida muito liberada, tanto que é difícil acreditar que ele realmente quereria voltar para casa. Mas, como está fascinado pelos sequestradores, ele começa até a mudar sua linguagem. Como é faixa-preta em Taekwondo, já vai logo dizendo que pode dar uma surra nos outros, só para se sentir querido por aquelas pessoas que ele, agora, admira.

O filme pode não trazer grandes novidades em estética, movimentos de câmera, montagem ou qualquer outra coisa, mas serve como um alerta. A liderança carismática de Johnny faz com que seus amigos o sigam sem pensar nas consequências. E, quando pensam, acreditam que o pior será desagradar o líder. Assim, Zach vai ficando com os sequestradores, sendo visto por várias pessoas, conversando com outras tantas. Enquanto isso, sei destino vai sendo traçado. E, por mais que Frankie tente (muito sutilmente, diga-se) alertá-lo para sair dali, Zach já está apaixonado com sua nova existência. Vale parar pra pensar: até que ponto a criação dos filhos pode comprometer uma personalidade? Como ensinar as crianças e adolescentes a duvidar, a questionar, a pensar por suas próprias cabeças, em vez de seguir um "líder"? É tão difícil ensinar que nossos atos trazem, com eles, uma série de responsabilidades?

Talvez a cena mais significativa do filme seja logo no início, quando uma tomada aérea mostra várias highways se entrecruzando. É o anúncio de que várias vidas independentes chegam ao mesmo ponto de tensão e acaba sendo impossível distinguir uma da outra. Atos isolados - ou a ausência de algum ato, até - podem levar a um desfecho inesperado. Responsabilidade e consequências, essas são as palavras que deixaram de ecoar nos personagens dessa história verídica.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Na Pampulha

Domingo lá fomos nós pedalar. Dessa vez, com a companhia de uma pessoa que eu gosto demais, a Fal. Fomos vizinhas por anos, perdemos o contato quando a família dela se mudou (depois nos mudamos também, ficou mais difícil de encontrar). Nos encontramos de novo nas redes sociais, marcamos um encontro e nada mudou: o carinho é o mesmo de sempre.

Daí que ela pedala. E a gente combinou de ir juntos. A Fal e a "nossa" turma reduzida, só Lauro, Leo e eu. Faltaram o Tales e o Tanner.

No início, em frente ao Parque Guanabara

Depois da volta toda, na Igrejinha

Idem, só que com o Lauro
Semana que vem tem mais!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Conto: Rememorações

Oi! Nem sei porque estou escrevendo isso, mas estou tão inquieto que resolvi falar.

Esta noite sonhei com você. Não era nada lógico, você não deveria estar ali. Eu sei que os sonhos não são lógicos, mas esse tinha um desenrolar bem peculiar.

Era uma casa grande. Uma mistura da minha casa com outras, de amigos. Tinha muita gente lá. Mas todas as pessoas tinham um propósito ali. Era a festa de aniversário da Madu, que só vai acontecer na semana que vem. Você pode estar se perguntando quem é a Madu, e é por isso que eu digo que você não deveria estar lá. Ela é minha namorada. Foi ela quem substituiu você depois que tivemos aquela briga terrível, depois que os gritos que demos ficaram maiores que a nossa dignidade.

No sonho, você não era só a minha ex-namorada, você era a melhor amiga da Madu. Estava o tempo todo ao lado dela, sorrindo e admirando a festa que fazíamos.

Não, não era pra você estar lá.

Acordei pensando em você. Esqueci todos os outros detalhes do sonho, só pensava em você ao lado da Madu. E deu saudades. De um tempo em que éramos um casal saudável. Em que havia confiaça e o ciúme era só sinônimo de bem-querer. Saudade de um tempo que passou. Percebi que a raiva que nos separou um dia deixou de existir. E que sobrou um grande carinho por aquele tempo.

Sei que é demais essa intromissão na sua caixa de mensagens. Não quero causar problemas, para você ou para mim. Só queria agradecer por você ter feito parte da minha vida. Se hoje posso ser uma pessoa melhor pra Madu é porque não fui um bom namorado para você. Peço desculpas por tudo, pelos gritos, belas brigas, pela incompreensão, por ter abandonado você em uma hora tão difícil. E mais uma vez agradeço. Se não fosse por tudo isso, eu não seria hoje tão feliz.

sábado, 4 de junho de 2011

Filme: Velozes & Furiosos 5 - Operação Rio

Fast Five - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Justin Lin
Roteiro: Chris Morgan, Gary Scott Thompson
Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson

Primeira vez que vejo um filme dessa franquia. Não é o tipo de filme que me abale a ir ao cinema, mas como estou tentando rever conceitos e analisar os filmes pelo que eles se propõem... lá fui eu ao cinema ver Velozes & Furiosos 5. Cinema lotado, na semana do lançamento. Praticamente um transtorno, com gritaria, conversas durante a projeção e muita falta de educação. Mas, vá lá, né?

O filme começa com um excesso de fade in/fade out, para contar que o personagem principal, Dominic Torello, foi preso e condenado a 25 anos de cadeia. Logo em seguida já vem uma cena espetacular com carros e o ônibus, onde Dom ia para a cadeia, sendo capotado para a retirada do prisioneiro. Ninguém, no ônibus, sofreu sequer uma escoriação. Daí, já corta pro Rio, onde o filme se passa.

O mais legal do filme foi ver coisas brasileiras no blockbuster. Das cervejas Brahma e Antarctica à feijoada, do Cristo Redentor ao prédio do Banco Central (que é a central de Reis, o vilão do filme), às favelas cariocas e muitos prédios do centro do Rio. A tentantiva do elenco falar português é muito engraçada. O ator português Joaquim de Almeida, que faz o Hernan Reis, se sai bem melhor, claro, mas fica muito caricato também. Tudo bem que, do lado do Rio de Janeiro, tem um deserto enoooooorme, tem carros com direção do lado direito... mas a gente entende a licença poética.

Fora isso, o roteiro é bem patético. A turma de Dom gasta boa parte do filme armando um esquema para entrar no prédio da polícia do Rio, testando tempos de câmera e chega a roubar carros da polícia para passar despercebido nessa empreitada. E, na última hora, não fazem nada disso. Também é difícil entender como o grupo do Dom consegue revogar quase todas as leis da física existentes no universo, mas a gente entra no clima. É até engraçado quando o policial americano encarregado de capturar Dom e sua turma diz assim: "Estamos atrás de criminosos que adoram velocidade. Não deixe eles entrarem nos carros!".

Se alguém se importa com a imagem que o Brasil passa para o exterior, vai passar raiva com o filme. Sim, as praias são lindas, as tomadas aéras são maravilhosas (o Rio é mesmo lindo). Mas as favelas são mostradas como reduto de homens mal encarados, armandos até os dentes, loucos pra dar tiros e afrontar a lei. Tem até uma cena lá que incomoda demais, com relação a essa questão da imagem do país. "This is Brazil", grita Dom, em certo momento.E tem funk na trilha sonora... triste ouvir "vem popozuda".

No mais, o filme oferece o previsível, que fez a fama da franquia: muitos carros, muitas perseguições, muitos tiros e fugar imensas, algumas até com bastante Le parkur, o esporte do momento. Tem o clichê de sempre, com um policial entrando no banheiro com um jornal nas mãos, A tal "equipe" que sempre tem de ser montada pra realizar algum grande feito, com todo o tipo de gente diferente e especialista em alguma coisa... Não tem o charme de 11 homens e um segredo, né? E coisas inverossímeis, como duas rotas de fuga diferentes que acabam no mesmo lugar e que despistam todos os perseguidores; quem acha um lugar pra se esconder e chega gritando e chutando a porta (discrição em fuga pra quê, né?). E tem o cofre... se a turma conseguiu comprar um cofre do nível que eles usam, pra que mesmo precisavam de dinheiro? Ah, tem os vários momentos machistas, tão comuns nesse tipo de filme. E a perseguição final em que Dom e sua turma tomam tiro pra todo lado, mas não disparam um tirozinho sequer. Isso que é poder!

E, só de curiosidade, aparecem algumas camisas da seleção brasileira no filme. Mas de time mesmo, só vi duas, e as duas do Cruzeiro. Uma do Kléber, de nº 40. E a outra mais antiga.

Vale um registro

Já gastei tanta grana com táxi que nem sei mensurar. Desde a época da faculdade, quando da PUC até o Anchieta a corrida dava R$10,00 até hoje. Aqui em OP eu ando pouquíssimo de táxi, em BH só quando não sei qual o ônibus e eu gosto muito de andar de ônibus. Mas, né, sempre tem um imprevisto e eu tinha sempre à mão uma grana pra voltar de táxi.

No geral, os taxistas escutam rádio. Tem os que ficam ligados na Itatiaia, ouvindo o noticiário policial e de esportes. Tem os que escutam 98fm, que toca umas músicas mais moderninhas e interessantes. Tem o povo adepto da Jovem Pan e dos batidões, mas são raros. Também são raros os que escutam as rádios Guarani e Inconfidência. A maioria está nas rádios de sertanejo, e ainda tem os que escutam funk. Grande parte deles escuta bem baixinho quando tem passageiro a bordo; só aumentam quando estão sozinhos. Já peguei uns em que eu queria mesmo era pedir pra baixar a música, mas não tive coragem de fazer. O mesmo direito que eu tenho de não gostar ele tem de curtir, né?

Daí que neste sábado peguei um táxi em BH e o motorista estava cantando. Isso é um tanto incomum. E ele estava cantando Pink Floyd. Fiquei igual boba, olhando pra ele, prestando atenção na forma com que ele cantava. A música era Mother, que eu acho lindíssima, uma das minhas favoritas do grupo. Em poucos segundo, já estava eu cantando junto. A-do-ro cantar. Me deixa sozinha com o Ipod e pronto, já fico cantarolando. Achei que ele estava ouvindo The Wall, mas era uma coletânea. Depois veio Beatles e eu já tava me acabando de cantarolar. E teve RPM também!

Mas aí a corrida acabou. Paguei e já fui logo falando: "Moço, foi a melhor seleção musical de táxi que já vi na vida, meu dia ficou até mais leve".

E ficou mesmo.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Filme: Thor

Thor - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Kenneth Branagh
Roteiro: Ashley Miller, Zack Stentz
Elenco: Chris Hemsworth, Anthony Hopkins, Natalie Portman

Mais uma história que saiu dos quadrinhos e foi parar na telona (dizem as más línguas que é um sintoma da falta de criatividade dos roteiristas). A história do deus nórdico Thor começa com Odin, seu pai, vencendo os Gigantes do Gelo em uma batalha e roubando sua fonte de vida. Ela fica bem escondida no castelo de Asgard, de onde Odin reina sobre nove povos do universo. Thor cresce sabendo qeu será rei e se torna arrogante. Por conta de sua vontade de brigar, Odin o expulsa de Asgard e ele cai na Terra, distante do seu martelo, e tem de se virar por aqui.

Dá pra dar boas risadas com o filme, mas é só. A confusão que Thor causa na Terra, por não saber lidar com sua nova condição de vida, é o mais interessante do filme. O roteiro tem algumas falhas, como a formação da personalidade de Thor e de seu irmão Loki e a função de Odin, que não consegue ser, em família, tão poderoso quanto é com o resto do povo (ele é chamado de Pai por todos os seus súditos). Aliás, Odin vive a dar lições de moral para os filhos, mas consegue ser tão perverso quanto os Gigantes do Gelo, ao aprisioná-los, por exemplo, ou ao mandar o filho para o exílio e logo após abandonar seu povo ao entrar em sono profundo.


Como não sou leitora de quadrinhos, fico com algumas perguntas me incomodando. Por que todo herói usa capa? Até mesmo para as cenas de luta elas seriam um inconveniente. Ou não? Todo protagoista esquentadinho, como é Thor, não aguenta ser chamado de franguinho e quer logo partir pra porrada (igualzinho o Marty McFly, em De Volta para o Futuro). Ele também terá um confronto consigo mesmo, quando exergará sua prepotência e, magicamente, mudará da água para o vinho.

Anthony Hopkins não convence como Odin. Chris Hemsworth, o Thor, nem precisa trabalhar: basta aparecer ser camisa e sorridente para derreter corações. Uma espécie de Cigano Igor super herói. Nathalie Portman nem lembra a atriz exuberante que protagonizou Cisne Negro.

O reino de Asgard é grandioso e dourado demais. A arquitetura do castelo lembra a Cidade Esmeralda, de O Mágico de Oz. Curiosamente, a Cidade Esmeralda passa mais verdade que o castelo de Odin. E olha que o filme é de 1939!!! O trabalho de efeitos visuais é interessante, mas o excesso de dourado contribui para tornar o reino algo alheio à própria história do filme.

Como é tradicional, Stan Lee, responsável pelo quadrinho, aparece numa ponta. Aqui, ele dirige um caminhão que tenta retirar o martelo de Thor do local onde ele caiu e se enterrou. Falando nisso, e já assumindo o risco da bobagem extrema... um martelo é uma arma muito engraçada para um super herói. Ah, tem uma cena típica para teste de paciência: quem vê os créditos até o final tem acesso a novas informações.

Bolo de Coca-cola

Já fazia um tempão que a vontade de comer bolo de Coca-cola andava me rondando. Mas a preguiça de ir pra cozinha era mais forte. Cozinha não é meu forte, sempre desanimo. Mas aí a Tatá veio com a história de que tinha um pacote de granulado na casa dela, e que não tinha o que fazer com ele. Dei a ideia do bolo de Coca-cola, pra juntar isso com a minha vontade de comer. E como amanhã temos uma reunião pela manhã...

Vamos aos ingredientes:
5 ovos
2 copos americanos de açúcar
2 copos americanos de farinha de trigo
1 copo americano de Coca-cola
1 colher (sopa) de fermento em pó.

Alguns dos ingredientes do bolo e da cobertura

Ovos e farinha.

Leo, como sempre, inspirado com os ângulos das fotos, tudo sem flash. Ele me ajudou um tantinho com o primeiro passo, que é bater as cinco claras em neve. Haja braço!


Depois das claras em neve, é pra acrescentar, sempre batendo, as cinco gemas. Quando estiver homogêneo, acrescentar os dois copos de açúcar. Como estamos tentando nos livrar do açúcar mentira, colocamos um copo e meio.

Olha a estreia do meu fouet!

Na sequência, entra a Coca-cola, com um copo americano.

A lata é meramente ilustrativa. A medida certa é um copo

Aí, vem os dois copos de farinha de trigo e a colher (sopa) de fermento em pó. O fouet ajuda bastante a que tudo fique homogêneo e incorporado, no jeito pra ir ao forno, em tabuleiro untado e enfarinhado. Vale lembrar que eu não tenho noção nenhuma de espaço. Ia usar o tabuleiro pequeno e o Leo foi quem notou que não ia caber. Não sei qual a quantidade de cada um dos tabuleiros que usamos...

Pronto pro forno

Enquanto o bolo ia ao forno (25 minutos em fogo alto - também são sei quantos graus), fiz a cobertura, que é super simples.

Ingredientes da cobertura


É só misturar uma lata de leite condensado a um vidro de leite de côco e um pacote médio de granulado. O pacote da Tatá foi imenso... dá pra duas receitas de bolo (#PensamentosDeGordinho). Quando o bolo estiver pronto, é só furá-lo, de leve, com um garfo e despejar a cobertura. Importante fazer isso logo que o bolo sair do forno, ainda quente. O líquido vai ser absorvido pelo bolo e o granulado fica por cima, bem molhado.

Quase pronto

Depois, é só esperar ele esfriar e cortar em quadrados médios. Amanhã o pessoal do trabalho vai experimentar, vamos ver o resultado.

Aposentando absorventes

Quando contei que ia testar um coletor menstrual. minha expectativa estava muito alta. E, quando isso acontece, eu acabo me frustrando. Daí, tentei ser uma pessoa normal e não pirar. Acho que consegui... Estava em BH, num final de semana, quando surgiu a oportunidade de testar. Mas eu estava tão blasé quanto a isso que tinha deixado o coletor em Ouro Preto. Só pude testar num domingo à noite, com bastante receio.

No site do MissCup e dentro do produto vêm as instruções de uso. É bastante simples:


Meu maior medo era não conseguir colocar direito, me machucar, ter algum tipo de reação alérgica, sentir muito incômodo. Bom... a primeiríssima impressão foi de que colocar é super fácil, seguindo as instruções. Não me machuquei, não tive reações alérgicas. Mas incomodou um bocado. No dia seguinte, eu teria uma coisa muito séria pra fazer no trabalho, e como meu sono não é muito favorável, acordei várias vezes à noite, preocupada com o treinamento que daria e, naturalmente, lembrava do coletor ali.

Acontece que o tempo foi passando e eu fui me adaptando. Como na primeira vez em que usei um absorvente interno, que parecia ser horrível e hoje é tão simples que a gente até esquece dele. Com o coletor foi a mesma coisa. Nos dois primeiros dias eu me lembrava dele o tempo todo, achava que incomodava demais, mas depois ficou natural.

A maior dificuldade de usar um coletor, na minha opinião, é fazer a higiene, porque não tem jeito, acabamos com a mão no sangue. Demora um pouco mais do que trocar um absorvente, interno ou externo, porque tem que retirar o coletor, tirar o líquido dele, lavar, fazer a higiene íntima e tornar a colocar. O coletor pode ser usado por até 12 horas, o que facilita bastante. Eu sou da turma que morre de nojo de banheiros alheios. Assim, com a possibilidade de tanto tempo para a troca, dá pra fazer tudo em casa, com bastante conforto. Li alguns relatos de pessoas que tiram e colocam o coletor no trabalho, no shopping, em banheiros públicos e levam sempre, para isso, uma garrafinha de água. Dá pra fazer sim, mas eu ainda não me sinto à vontade para tanto.

O coletor dá muito mais tranquilidade no dia-a-dia que absorventes. Se a colocação foi certinha, não vai vazar e causar todo aquele transtorno. Não tem aquela de cheiro ruim e de mil truques pra ninguém saber que você está menstruada. Não tem desconforto nem nada. Pra ter uma ideia, basta saber que eu andei de bike por dois dias com o MissCup sem ter nenhum (nenhum mesmo) tipo de problema. No dia do passeio e seus 40 e tantos quilômetros, se eu estivesse com absorventes comuns, ia ter ficado super tensa e não ia me divertir tanto. O banco da bike que era duro pra caramba, não incomodou nem um pouco.

Pra mim, que tenho todos os motivos do mundo pra odiar ficar menstruada, foi um alívio e tanto. Foi a primeira vez na vida em que não fiquei preocupada e com a famosa TDM (Tensão Durante a Menstruação), que sempre foi uma constante na minha vida. Sério, eu tinha tanto medo de ter de novo a hemorragia que quase me matou em 1994 que meu nível de tensão subia a pontos impensáveis. Isso foi melhorando com o tempo, claro, mas nunca deixou de existir. Hoje, convivo mais tranquilamente, mas sempre com o medo me rondando. Com o coletor, o medo diminiui demais. Acredito que, por isso, até mesmo o Leo gostou. Ele chama o coletor de cupcacke, hehehe.

Resumindo: amor eterno! E consequente aposentadoria dos absorventes, que só serão usados, a partir de agora, em casos extremos (como a impossibilidade de usar o MissCup em um determinado momento). Recomendo pra todo mundo!