quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Livro: A mina de ouro

E cá estamos nós às voltas com mais um livro da Agatha Christie. Sim, eu sou fã dela. Curto os livros, as tramas, os personagens. Até a repetição dos padrões, que é tão criticada. Um livro da Agatha é sempre um convite pra mim.

Assim, fiquei feliz em ter A mina de ouro nas mãos. Porém, não fiquei feliz com a obra. O livro é uma compilação de contos em que, no geral, alguém tira a sorte grande de alguma fora, seja por um casamento, um prêmio ou ao escapar da morte. São 15 contos, nem todos com temática policial.

Agatha trata, por vezes, de temas fantásticos, quase como um namoro com os contos de Edgar Alan Poe, mas o resultado não é bom. Ela é fantástica nos romances policiais, e possui alguns contos muito bacanas. Porém, essa coletânea não foi feliz.

Junto com Passageiro para Frankfurt, foi o livro dela que mais demorei a ler. Em geral, leio seus livros de um dia para o outro. Estes dois custaram a ser terminados.

30 livros

Vi aqui um meme 30 dias sobre livros. Deixemos os 30 dias de lado, né?

Dia 01: Meu livro mais favorito do mundo de todos os tempos: Era "O retrato de Dorian Grey". Foi por muito tempo. Hoje, não sei mais. "Grande sertão: veredas" também é um dos favoritos. Mas, na verdade, tenho um favorito para cada momento.

Dia 02:  Um livro do qual não gosto:
Difícil eu não gostar de um. Em geral, eu brigo muito com os livros do Umberto Eco, fico com raiva, mas adoro.

Dia 03: Livro favorito quando criança:
"Aventuras de Xisto" e "Viagem ao céu"

Dia 04: Primeiro livro que te fez chorar.
O primeiro eu não lembro. Um que me fez chorar demais foi "A marca de uma lágrima"

Dia 05: Um livro que te faz rir.
Livro de infância também: "Aventuras de desventuras de Zé Teixeira"

Dia 06: - Um livro de sua autora favorita.
Agatha Christie. Praticamente todos. Mas gosto mais de "O assassinato de Rocher Ackroyd", "E não sobrou nenhum" e "Assassinato no Expresso Oriente". Clichê, eu sei, mas é verdade.

Dia 07: Um livro que você detestou mas leu pra escola.
Foi um trauma. "O sobradinho dos pardais" e "A volta dos pardais do sobradinho". O horror, o horror.

Dia 08: Livro mais assustador que você já leu.
"O assassinato de Rocher Ackroyd" me assustou um tantão, pelo final inusitado. Poe também assusta. E "O colecionador de ossos", pela crueldade do assassino.

Dia 09: O mais triste...
"Jane Eyre". Li uma adaptação quando era mais nova, estou relendo o texto integral. Tadinha da Jane, como ela sofre...

Dia 10: Clássico favorito.
"O retrato de Dorian Grey", claro. Tem "O vermelho e o negro" também

Dia 11: Seu primeiro livro sobre animais.
Hummm... vale todos do Monteiro Lobato?

Dia 12: Ficção científica favorita.
Não sou muito chegada, não tenho favorito. Porém, gosto muito de "Admirável mundo novo"

Dia 13: Um que te lembre de algo ou uma época:
"Vastas emoções e pensamentos imperfeitos" me lembra muita coisa boa, muita gente bacana.

Dia 14: Um que te lembre de alguém:
"O menino no espelho" me lembra uma amiga da escola que me emprestou o livro e, como viu que eu gostei, acabou me dando o exemplar dela.

Dia 15: Livro favorito sobre estações, datas comemorativas e feriados
: Não tenho

Dia 16: Livro favorito que se tornou filme:
"E o vento levou", que virou um filme lindo; "Pergunte ao pó", que virou um filme horroroso

Dia 17: Um livro que é um prazer culposo
: Qualquer um a Agatha Christie é um prazer culposo, porque fura a fila dos livros a serem lidos

Dia 18: Um livro que ninguém acha que você gostou:
Acho que não tem resposta pra isso também não.

Dia 19: Livro favorito de não-ficção:
Os livro-reportagem são meus favoritos. O primeiro que li foi "Meninas da noite".

Dia 20: Último livro que você leu
: "A mina de ouro", da Agatha Christie

Dia 21: Melhor livro que você leu este ano:
"Os homens que não amavam as mulheres" é fantástico. Tô enrolando pra ler a continuação porque sei que quando pegar, não vou conseguir parar

Dia 22: Livro preferido que você leu pra escola
: "Brim azul, a história de uma calça" e todos dos Karas, a começar por "A droga da obediência"

Dia 23: Livro que você leu mais vezes:
"As aventuras de Xisto", com certeza.

Dia 24: Série de livros favorita
: A série sobre a Ditadura, do Elio Gaspari

Dia 25: Um livro que você detestava e agora ama:
"Baudolino", do Umberto Eco. Os livros dele me deixam nervosa, mas sempre termino amando

Dia 26: Um livro que te faz cair no sono:
Qualquer um do José de Alencar. Apesar de que eu gosto muito dos livros dele

Dia 27: História de amor favorita:
"Orgulho e preconceito", que é muito bacana. Sempre que releio eu caio de amores por Mr. Darcy

Dia 28: Um livro que você cita de cor:
De cor??? Difícil.

Dia 29: Um livro que leram pra você:
Não me lembro. Desde que me entendo por gente, eu mesma leio meus livros, aprendi a ler muito cedo e tomei os livros pra mim

Dia 30: Um livro que você ainda não leu e quer ler
: O nome dessa coisa é "Ulisses". Sempre começo a ler e nunca termino. Mas quero, muito terminar. Um dia...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Conto: Tarde

Ela disse que ia ligar.

Ela vai ligar. Só que não agora, não é a hora. Ainda é cedo, o sol está lá no alto, avisando que ainda é meio-dia. Ainda há algumas horas pela frente, até que o telefone toque e eu escute sua voz. Ela vai dizer "oi, Calu", como se fosse a coisa mais fácil do mundo. E eu vou voar longe ouvindo meu nome sendo pronunciado por aquela voz rouca, sexy, quente. E ela também dirá que "é a Joana" de um jeito leve, um registro simples, como se não fosse nada.

Mas era tudo. A voz me lembrava até o jeito como ele segurava o cigarro, como se fumar fosse bonito. Com ela ficava bonito. O relógio no braço direito, o cabelo esvoaçante, o anel castanho no dedo médio da mão esquerda. Inteiramente linda, com as botas de cano alto e a saia curta. E um abraço harmônico, com a pele macia.

Enquanto espero o telefone tocar, lembro de cada detalhe de ontem. E cada um deles dura uma eternidade, impede que as horas passem, que a noite chegue e que o telefone toque.

Mas ela vai ligar.

Ela disse que ia ligar.

domingo, 28 de agosto de 2011

Quando a gente não espera nada

Foi um fim de semana despretencioso. Eu sem poder pedalar, por causa da extração dos sisos, estava com preguiça de existir. Tinha uma aula de direção com o psicólogo no carro e mais nenhuma esperança de que acontecesse algo bom.

Daí que começou a aula, fiquei super nervosa, deixei o carro morrer umas 150 vezes, quis morrer de vergonha. O psicólogo conversou comigo, saiu do carro e Geraldo e eu fomos pra mais uma aula. Dois minutos depois, o carro que estava na minha frente atropelou um motoqueiro. Tive uma tremedeira básica. Uma pequena vontade de sair do carro e desistir. Mas me recuperei, continuei e, juntos, Geraldo e eu conseguimos fazer uma bela aula.

Saindo de lá, ainda chateada pela primeira aula e abalada com o acidente à minha frente, fui pro Pátio Savassi, pensando em como estariam Leo, Lauro, Tanner e Jean, que foram pedalar. Primeiro filme que aparecesse eu ia ver, sozinha. Eram só dois, pelo horário: Professora sem classe e Planeta dos Macacos: A origem. Fui ver os macacos, mesmo sem ter visto os filmes originais, as refilmagens, as séries e tudo o mais. No escuro, literalmente. Saí de lá achando que foi bem bacana, até. Não tive vontade de ver os outros, mas curti.

De lá, encontro com os bikers que me abandonaram, almoço, um pouco de trabalho e, despretensiosamente, Leo e Lauro começaram a chamar uma galera muito bacana pra um churrasco. Eu não esperava a presença de ninguém. Ainda mais chamando de última hora. De todos os convidados, só um não apareceu. Acabou sendo uma noite extremamente agradável, com amigos queridos, muita conversa, muita alegria, muitíssimas risadas e a presença vip do Yann, sobrinho fofíssimo que eu adoro.

Toda a expectativa que eu tinha de passar um fim de semana morno e sem graça foi pro espaço. Por isso que eu digo que quem tem amigos, tem tudo. Amo vocês!

sábado, 27 de agosto de 2011

Filme: Orgulho e Preconceito

Pride & Prejudice - 2005 (mais informações aqui)
Direção: Joe Wright
Roteiro: Deborah Moggach
Elenco: Keira Knightley, Matthew Macfadyen, Brenda Blethyn

Já falei do livro aqui. Sempre me apaixono por Mr. Darcy ao ler o livro ou ver o filme.

O roteiro é bem fiel, com pequenas adaptações apenas pelo bom andamento da obra cinematográfica. Nem isso faz mal à história, que continua linda, romântica, irônia e emocionante. Como já falei da história no post do livro, vou falar sobre o que chama a atenção no filme.

Pra começar, a caracterização dos personagens e cenários é bem interessante. A família Bennett mora em uma casa grande, mas simples. As criações (porcos e galinhas) ficam ali bem perto da casa, há roupas nos varais e poucos criados, vestidos pobremente. As filhas Bennetts vivem com roupas muito simples e a sua personalidade é bem marcante. A mãe, Mrs. Bennett, consegue ser muito mais irritante do que no livro, só pelo tom de voz da atriz, Brenda Blethyn. Uma interpretação que, com certeza, valorizou a personagem, assim como acontece com Mr. Collins, interpretado por Tom Holland. Quando, num baile, ele corteja Elizabeth Bennett, é impossível segurar o riso. Seu pedido de casamento, feito em discurso, é patético.

Em contraposição à família Bennett estão os Bingley e seus criados de casaca e peruca e a elegantíssima e esnobe Lady Catherine De Bourg, interpretada por Judi Dench, sempre perfeita. Mr. Darcy também tem uma composição perfeita na interpretação de Matthew Macfadyen. Todo o ar esnobe e orgulhoso do personagem está lá. Quando há a mudança do personagem, tocado por uma conversa com Elizabeth Bennett, Macfadyen trabalha na postura, na voz e no olhar todo o amor e a negação do orgulho que cabe ao personagem. Até a sua voz é sedutora, seja quando ele destila seu veneno contra a família Bennett ou quando pede Liz em casamento. Keira Knihgtley é que destoa um pouco do resto do elenco. Ela sorri demais e não lembra muito a heroína do romance.

Mr. Darcy surgindo no caminho, em meio à bruma, é uma das cenas mais legais do filme, pela expectativa da resolução do romance, pela cena anterior, com Judi Dench dando um piti muito legal e condizente com sua personagem insuportável. Um filme lindo, apaixonante, que faz juz ao livro.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Desafio Literário - Julho/Agosto: A Ilha do Dia Anterior

Sempre que leio um romance de Umberto Eco, acabo ficando com raiva. Sempre chego à conclusão de que ele escreve romances apenas para mostrar o tanto que é erudito e inteligente. Foi assim com todos que eu li (O Nome da Rosa, O Pêndulo de Foucault, Baudolino e A Misteriosa Chama da Rainha Loana). Como autor teórico, ele é fantástico e fundamental para a área da Comunicação. Como romancista, ele é tão bom quanto, mas dá raiva, muita raiva o tanto de erudição que ele vomita nas páginas, como se houvesse necessidade disso.


A Ilha do Dia Anterior conta a história do italiano Roberto, um jovem nobre que enfrenta uma guerra e, num golpe de sorte, acaba recebendo uma missão que seria algo como uma "espionagem industrial". Ele estava a bordo do navio Amarili, que sofre um naufrágio. Roberto é o único sobrevivente e se agarra a uma tábua e fica vagando pelo mar. Encontra o navio Daphne ancorado. Está vazio, parece que a tripulação o abandonou ontem. Há víveres, animais vivos. Só faltam as pessoas.

Enquanto pensa em como chegar à ilha, que vê próxima ao navio, Roberto relembra a sua vida (e tome erudição de Umberto Eco) e escreve cartas a uma senhora. Suas memórias são confusas, o que leva o leitos a duvidar da sanidade mental do herói. Algo que, depois, o autor vai explorar com maestria em Baudolino.

Enfim, vencer a erudição do Eco é duro, mas no final, o presente é uma história fantástica. Ou seja, vale insistir nos livros, sempre há uma grande história neles.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Filme: Toy Story 3

Toy Story 3 - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Lee Unkrich
Roteiro: John Lasseter, Andrew Stanton
Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack

Em 1995, a animação Toy Story marcou o mundo do cinema. Foi a primeira animação 3D totalmente digital de Hollywood (o brasileiro Cassiopeia foi lançado antes). Emocionou muita gente a história dos brinquedos tradicionais versus as novidades cheias de botões e baterias. Quinze anos depois, Toy Story 3 encerra a saga dos brinquedos do garoto Andy.

Garoto? Andy é agora um jovem a caminho da faculdade, arrumando malas e separando objetos que quer levar com ele, os que vão para o sótão, os que vão para doação e os destinados ao lixo. O tom é de despedida: Andy vai tomar posse de uma nova fase em sua vida e seus brinquedos não cabem nela. Vemos, então, Woody e Buzz Lightyear sentindo o desespero de serem relegados por seu dono. Um engano faz com que o saco de brinquedos, que ia para o sótão, acabe indo para uma creche. E o que parecia lindo (brinquedos com novos donos) vira um terror, com a tirania de um ursinho fofucho e com pendências nazistas.

A direção de arte se esmera nos detalhes, tanto da casa de Andy quanto da creche. Uma cena, em especial, chama a atenção: o bebê da creche, com os olhos meio abertos, a lua cheia ao fundo, e toda a tensão dos brinquedos de Andy tentando fugir da prisão. Não é à toa que o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme. A indicação é merecida.

O final é maravilhoso, um encerramento muito digno para a franquia. A emoção é pontuada com muita leveza e a mensagem que vem desde o primeiro filme, da relação entre a criança e o brinquedo, é reforçada com uma doçura surpreendente.

Mas o destaque mesmo é a relação entre a Barbie e o Ken. A cena em que ela precisa arrancar dele uma informação é hilária.

Um post sobre coragem

Enquanto tô aqui de molho, fiquei matutando com meus botões: o que é coragem? De verdade, o que é? Alguém aí sabe? Dizem que coragem é dar a cara a tapa, assumir seus feitos, sejam certos ou errados, enfrentar os medos. Qual a medida da coragem?

É corajosa uma pessoa que leva uma vida pública diferente da vida privada? Uma pessoa que, continuamente, escreva cartas para os jornais exaltando a família como célula mater da sociedade e que, na vida privada, seja um pai de família tirano, ditador e que, não satisfeito só com isso, espanque os filhos? Mais ainda: ele é corajoso se, regularmente, espancar um dos filhos que tem um transtorno mental? Por que essa pessoa esconde da sua vida pública essa parte do seu caráter? O nome disso é coragem ou é covardia?

Falando em covardia, o que dizer, ainda dessa pessoa, se ela tiver cerca de 1,80m e agredir uma mulher de 1,55m? Com tapas e socos? Corajoso ele, né?

E quem sou eu pra falar da coragem de alguém? Eu, que não a tenho para admitir em público que esse agressor está bem perto de mim e que, para proteger o agredido, não tenho coragem de ligar pra polícia e denunciar? Eu não tenho porque sei que uma denúncia vai resultar em mais agressões. Não é covardia, é medo. Medo de saber que novas agressões vão acontecer. Medo de ouvir de novo a mesma voz me pedindo ajuda e eu ter que dizer que tudo está assim porque eu fui lá denunciar. O agressor em questão é tão covarde (sim, ele bate em uma mulher; sim, ele bate em alguém com transtorno mental) que, premeditadamente, não deixa marcas. Um exame de corpo de delito não vão denunciá-lo.

Então, cadê a coragem desse cara? Ele tem coragem de andar por aí, trabalhar, dar pinta de intelectual e de moralizador quando é um ser humano desprezível na vida privada. Coragem de mostrar a casca ele tem. E a podreira é bem varrida pra baixo do tapete.

Parabéns pela coragem de levar essa vida dupla. Porém, é essa sua covardia que, um dia, vai falar mais alto.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Conto: Choque

Era difícil sair com ela pelas ruas. Atraía todos os olhares possíveis. Pessoas com cara de espanto, de admiração, de reprovação, de nojo. E eu, que ainda não entendia o motivo, ficava enciumado. Pensava que todos os olhares eram de desejo. Eu olhava de volta para aquelas pessoas com raiva, a testa enrugada, querendo deixar claro meu descontentamento.

Aos poucos, conseguia identificar uma revolta aqui, uma aprovação ali, uma repulsa do outro lado. E comecei a me intrigar. O que ela tinha para atrair tantos olhares, com tão variadas reações? Para mim, era apenas uma moça relativamente bonita. Havia mil outras lindas por perto - ela não era linda. Tinha olhos expressivos, um sorriso muito alegre, mas era só. Nada de admirável. De corpo também não era nada demais. Não era um corpo de modelo, nem de obesa. Era uma mulher normal, com uma gordurinha aqui, outra ali.

O que me atraía nela não podia ser visto, só sentido. Era uma pessoa aparentemente frágil, mas que tinha uma enorme força interior. Uma pessoa que carregava em si uma doçura enorme, um colo carinhoso e, ao mesmo tempo, um furacão de dor, de amor e de desejo. Isso era invisível. Só conversando, conhecendo, convivendo era possível saber.

Por isso me intrigavam aqueles olhares todos.

Até que um dia eu escutei um comentário. O mesmo que já havia escutado antes sobre outra pessoa, em outra situação. O comentário preconceituoso de sempre: "uma menina tão simpática! Por que se estraga com tantas tatuagens?". E foi aí que eu entendi.

Banguela

Quando eu era pequena, minhas tias, meus vizinhos, os caras da rua, todo mundo parava pra conversar comigo e com a Laura e fazia aquelas piadinhas tradicionais sobre as janelinhas, nossos dentes de leite que caíam. Era chato pra caramba, mas faz parte do crescimento de todo mundo. Os dentes de leite caíram, essa chatice toda passou e cá estamos nós, de novo, às voltas com a banguelice.

Acabei de tirar os sisos superiores. Já contei aqui como acho isso tão, mas tão adolescente que cheguei a ficar triste com essa história. Mas enfim... para o bem dos outros dentes e felicidade geral da minha arcada dentária e da minha mordida, saíram de cena os dentes do juízo.

Foi mega rápido, em contraste de quando tirei os inferiores, que estavam oclusos e crescendo em direção aos outros dentes. Tia Dentista deu a anestesia do lado direito e, quando viu que eu não sentia nada, pinçou o danadinho e arrancou de uma vez. Não durou nem 30 segundos. O da esquerda deu um pouco mais de trabalho, ela tirou em 45 segundos.

Agora, cá estou eu em casa, de molho, com uma série de recomendações pelas próximas 48 horas:
- Repouso relativo;
- Não ingerir nada quente ou sólido;
- Não bochechar;
- Em caso de sangramento, colocar gaze no local por 10 minutos;
- Colocar gelo no local;
- Não pegar sol.

Isso, com um monte de trabalho pendente e sem poder andar de bike no próximo final de semana. Triste, muito triste...

domingo, 21 de agosto de 2011

Omelete ao forno

Já tinha dado essa receita aqui antes, mas sem fotos (a fome não permitiu, hahahaha). Dessa vez, fotografamos tudo. E aí está o omelete ao forno:

Quatro ovos

Queijo parmesão ralado

Peito de peru

Primeiro, bater os ovos

Depois, misturar o recheio e levar ao forno

Taí o omelete ao forno
Pura proteína, pra depois da malhação.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Liga!

Daí que eu tô lá, todo sábado, fazendo aula de direção para habilitados. Já fiz algumas coisa lá que me deixam orgulhosa (modéstia à parte, minha baliza é muito boa), já peguei trânsito mais pesado do que eu me achava capaz e estou aprendendo a resolver minha ansiedade.

Sábado agora lá estávamos eu, o Geraldo, meu gestor, e os cones marcando as manobras que eu deveria fazer. Fiz direitinho e o Geraldo, que estava do lado de fora do carro, veio conversar comigo, dando instruções. E aí chegou um carro que deveria ocupar parte do espaço onde eu estava. O gestor me pediu, então, para chegar um pouquinho pra frente.

Embreagem, primeira, tira de leve o pé da embreagem, acelerador de leve e nada do carro sair do lugar. Olhei pro Geraldo sem entender. Ele é um cara muito bacana, divertido, me deixa tranquila e me ensina muita coisa. Com uma cara muito interessante, ele chegou na janela do carro e disse, bem calminho:

- Aline, se você ligar o carro, facilita muita coisa.

Pã! Eu e minha falta de atenção...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Do Estado de Minas: Será Deus homofóbico?

Saiu no Estado de Minas de hoje (na net, a leitura é só para assinantes). Gostei e concordo com os pontos levantados pela autora, especialmente a questão do "amar ao próximo como a ti mesmo", que é uma das coisas que estamos vendo muito pouco por aí.




Será Deus homofóbico?

Maria Berenice Dias - Advogada
Publicação: 17/08/2011 04:00

Recente pesquisa do Ibope revelou que mais da metade dos entrevistados se manifestaram contrários ao direito de homossexuais constituírem uma família. Não foi revelada – e por certo não foi questionda – a orientação sexual dos pesquisados. Mas caberia. Aliás, a pesquisa, para ter maior legitimidade, deveria ser feita somente entre a população LGBT. Afinal, é a ela que diz respeito.

Qual a justificativa para perguntar a alguém qual o direito do outro? Quem poderia falar, com mais propriedade, sobre o desejo de casar, de ser professor, médico ou policial? Um dado consolador é que os jovens, as pessoas com melhor nível de escolaridade e maior poder aquisitivo se mostraram mais tolerantes. Pelo jeito esse é o caminho. Educação. Só ela permite melhor renda e mais condições sociais.

Talvez o resultado mais surpreendente seja o quesito que identifica a religião dos pesquisados. Os mais intransigentes são os quem se dizem evangélicos ou protestantes, seguidos pelos católicos e os adeptos de outras crenças e credos. De qualquer modo, das religiões que existem, não deve haver nenhuma que não pregue o amor ao próximo. As mais próximas, por terem sido trazidas com a colonização, acreditam em um Deus que veio à Terra encarnado na pessoa do próprio filho. Jesus Cristo desde menino exercitou a tolerância. Em nenhuma de suas pregações incitou o ódio ao semelhante ou negou a alguém o direito de subir ao reino do céu. Basta lembrar que impediu que Madalena fosse apedrejada, multiplicou pães para dar de comer a quem tinha fome e morreu na cruz para salvar toda a humanidade. 

Assim, cabe questionar qual a justificativa de evangélicos, protestantes e católicos se posicionarem de modo tão assustadoramente preconceituoso contra quem tem orientação sexual diversa da maioria, mas não significa alguma ameaça nem causa mal a ninguém. 

Afinal, o que querem lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis são os direitos mais elementares: direito à cidadania, à inclusão social. Direito de terem sua integridade física resguardada. Para isso é indispensável a garantia de acesso ao trabalho, para exercerem a profissão que lhes garantir a subsistência. Também precisam que lhes seja assegurado o direito de constituírem família, terem filhos. Enfim, eles, como todas as pessoas, querem somente o direito de ser felizes.

Mas o que se vê nos meios de comunicação, em face do chocante número de concessões a segmentos religiosos, é a instigação sistemática e reiterada ao preconceito e à discriminação. As caminhadas e marchas que proliferam,em vez de pregarem o amor ao Deus que professam, nada mais fazem do que incitar o ódio a um determinado segmento da população. 

A tudo isso a sociedade se mantém indiferente. Como o legislador se omite, vem o Judiciário fazendo justiça e o Executivo criando alguns mecanismos protetivos. Ainda assim, não há justificativa para tamanha rejeição. Não se atina a origem de tanta perseguição. Ao certo não pode ser a suposta incapacidade de procriar. Esse óbice, aliás, nem mais existe, quer com o advento de modernas técnicas de reprodução assistida, quer pela disposição dos casais homoafetivos de adotarem crianças cujos pais não souberem amar a ponto de protegê-las. Deste modo, cabe perguntar: quem disse aos pregadores, padres e pastores que é pecado amar o seu igual? Quem lhes outorgou a missão de banir a diversidade sexual da face da Terra? Será que Deus é homofóbico?

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

De memória

Leo é capaz de lembrar de várias coisas pelo cheiro.
Conheço uma garota que, pela voz, lembra de qualquer pessoa.
Laura, minha irmã, sabe de tudo que já passou, até a roupa que ela (e todos) usavam em determinado dia, há sei lá quantos anos.

Tem gente que lembra só das coisas boas.
Há quem só lembre das ruins.

Memória é uma coisa curiosa. Há quem tenha muita, há quem tenha uma bem específica. A minha é da segunda opção.

Muita coisa que acontece comigo, esqueço. Várias coisas da minha infância eu só lembro depois de umas sessões de análise. Preciso de um gatilho mais poderoso para fazer acordar aquelas áreas que ficam esquecidas.

Já esqueci coisas de que não deveria. Meu último sobrenome, por exemplo. Sério, tive que tirar a identidade da carteira pra, finalmente, ler o nome inteiro e lembrar daquele que eu não uso no dia a dia. E houve outra coisa grave, que me deixa com vergonha até hoje. Tanta, mas tanta, que vou me abster de contar, pra não me torturar mais depois (realmente, foi uma coisa horrível).

Já me culpei muito por ter memória ruim. Memória visual ruim é a que mais me causa problemas. Direto alguém fala "oi" comigo na rua e eu simplesmente não sei quem é. Aconteceu semana passada. Acontece praticamente todo dia. Demora um tempão pra eu desconbrir quem é a pessoa. Às vezes, dias; às vezes, meses. Tem ocasiões em que, simplesmente, não sei e pronto. 

Laura às vezes me conta coisas que eu fiz quando a gente era adolescente e que eu não me lembro, nem por decreto. Aí ela me descreve como estava o dia, as pessoas, as roupas, os cabelos. Dá vergonha. Toda a memória da família foi pra ela.

O que me consola é que Sir. Arthur Conan Doyle escreveu Um estudo em vermelho, a primeira aventura de Sherlock Holmes. Ao conhecer Holmes, Dr. Watson cria uma lista de características do detetive, para melhor entender sua personalidade. Ele desconte que Holmes não sabia que a Terra girava ao redor do sol, e isso suscita uma discussão.

Holmes diz que, no senso comum, a memória é como um recipiente elástico, que sempre tem espaço pra mais coisa. Mas que, na verdade, não é assim. Para ele, a memória é como um sótão de uma casa. No início da vida, ele é vazio. Aos poucos, você vai mobiliando seu sótão com coisas leves ou pesadas. Um dia, o sótão lota. E, pra que entre outra memória ali, alguma coisa deve sair.

A minha é assim: um sótão lotado, mas que está sempre disponível pra receber coisas novas. Mesmo que outras precisem sair de lá.

Valeu, Sir. Conan Doyle!

Conto: Semente

Eu me apaixonei por você antes mesmo de te conhecer. Escutei a Leninha falando sobre você há algum tempo e assim, de cara, comecei a imaginar como seriam seus olhos, a cor dos seus cabelos, a forma dos seus lábios, o desenho de suas mãos... O rosto da Leninha, a empolgação dela e tudo o mais daquele dia fizeram com que o meu amor nascesse ali. Eu não sabia ainda, mas já estava encantado por você.

Foram dias alegres os que passei imaginando como seria quando, finalmente, eu te conhecesse. Leninha ia, cada vez mais, alimentando minha paixonite. Não sei se ela percebia. Eu tentava me controlar, não mostrar pra ela toda a minha empolgação. Não queria causar ciúmes. Não queria que ela pensasse que, por você, eu a desprezava. Afinal, ainda não nos conhecíamos, tudo podia mudar.  E eu via crescer em nós, em mim  e na Leninha, a expectativa pela sua chegada.

Hoje estamos juntos. E eu olho pra você com um amor, uma paixão que eu jamais imaginaria. Vejo seus olhos, tão lindos quanto eu imaginei; os lábios bonitos como os da Leninha, as mãos, ainda miúdas, que seguram meu dedo indicador com força. Não há mesmo amor maior no mundo, filha.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Livro: Orgulho e Preconceito






Orgulho e Preconceito é o segundo livro de Jane Austen que li. E é o que eu considero o melhor. Nele, a autora exercita bastante a ironia contra os padrões da sociedade da Inglaterra, seja junto aos ricos ou aos remediados. Sua principal crítica é com relação à posição da mulher na sociedade. As heroínas de Jane Austen têm personalidade forte e sempre se casam por amor.

Aqui, temos a família Bennet, formada por um pai irônico e indolente e uma mãe muito inconveniente. Eles têm cinco filhas. As mais velhas, Jane e Elizabeth, são mais sérias e conscientes; Mary evita os contatos sociais e as mais novas, Kitty e Lydia, são motivo de vergonha para as irmãs mais velhas, pois se portam muito mal em sociedade. A família conhece novos amigos: Mr. Bingley, doce e de boa índole, que se apaixona por Jane; e Mr. Darcy, orgulhoso, que gera antipatia por onde passa.

Junte-se a isso a possibilidade da Família Bennet perder a casa onde mora após a morte do pai, um primo oportunista pra lá de chato, a fofoca da cidade onde os Bennets moram, o namoro das meninas, intrigas para terminar esses namoros, um personagem 171, uma lady muito arrogante. A trama toda faz com que os personagens principais consigam mudar seu comportamento sem perder a essência.


Decidi reler o livro depois de rever o filme. Numa ânsia quase maluca de estar perto, de novo, daquele mundo. Enquanto isso, o livro que eu deveria ler (Desafio Literário de julho) continua quietinho. Se algumas pessoas não gostam de Jane Austen por causa da linguagem e acabam abandonando o livro, outras, como eu, amam o universo em que se passam as histórias dela. Os bailes, as cerimônias, a educação, a postura, tudo isso me encanta. Assim como o romantismo, que me faz ficar apaixonada por Mr. Darcy a cada vez que leio o livro ou vejo o filme. 

Altas

Quando a gente é criança e brinca de pique, em algum momento vai gritar que está de altas. É aquele refúgio mágico em que nada acontece com você. Pode cair o mundo, qualquer pessoa pode te pegar, mas nada vai acontecer. Você é superior, você está de altas.

Também tem a figura do "café com leite", ou "carta branca', que é mais superior ainda: está sempre imune. O Otávio, quando brincava com a galera do prédio, sempre era "carta branca", porque era muito pequenininho. Mas como a cor favorita dele era azul, éramos obrigados a dizer que ele era "carta azul".

Isso tudo pra dizer que, a partir de hoje, não vou mais semanalmente à análise.

Depois de um mês de férias, quando meu mundo caiu (valeu, Maísa!) por uma série de razões alheias à minha vontade (depois eu conto), consegui sobreviver sozinha. Flávia estava longe demais para ser chamada. Não era justo da minha parte correr atrás dela. Então, sozinha, fui passando por cada uma das turbulências (e como houve turbulências...). Ao final, tudo deu certo.

Eu não sabia que estava preparada pra enfrentar tudo o que veio. Mas estou, e me sinto feliz e orgulhosa por isso. Assim, acabei voltando àquele assunto de janeiro deste ano: espaçar os encontros. E acho que agora é uma boa hora. Porque, se eu não achar que deu certo, posso voltar ao que era antes e continuar sendo feliz.

Não considero uma alta. Vou chamar de "altas". Porque é confortável, porque eu posso simplesmente sair do estágio de "altas" e voltar pro jogo ou, ainda, passar para o momento"café com leite".

Ainda falta muito pra caminhar - na verdade, essa caminhada só termina com o fim da vida. Mas é bom saber que estou mais forte pra percorrer qualquer caminho. E também é bom ter a certeza de que, não importa o que vier, a Flávia sempre vai estar aqui pertinho. Mesmo que ela esteja em outro ponto do mundo.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Entreouvido

Dia desses, estava num bar aqui em OP e escutei um diálogo bem interessante sobre cinema. Tirando o fato de que era um garoto e uma garota, e ele tentava mostrar pra ela o tanto que era sensível, falando dos filmes românticos que mais gostou... a gente escuta uma coisa dessas:

"Um dos meus filmes favoritos é de um cara que vai pra faculdade, tem um amigo imaginário e ganha o nobel da paz"

Ótima sinopse para Uma Mente Brilhante, né?

#not

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Conto: Tensão

Aí, segurou meu braço com força. Foi inevitável. Eu comecei a ficar tenso. O que poderia esperar?

Já fazia um tempo que tudo parecia sair o rumo. Um olhar frio denunciava. Seguido, vinha a sobrancelha levantada daquele jeito peculiar, estilo "sobrancelha do desprezo". Não mais que duas palavras trocadas em um tom áspero.

Não sei como tudo começou. Só que a paciência se foi. E tudo culminou ali, naquela hora. Um questionamento simples que virou um enorme potencial de violência. Mas qual foi o gatilho? Não sei.

Se um dia deixamos de dizer alguma coisa, provavelmente ela seria dita ali, mas com uma carga maior de raiva, de orgulho ferido, de despeito. Mas não era isso que me preocupava. Ia doer escutar tudo o que viria, mas seria mais fácil se não estivesse com aquele incômodo. Só sentia a dor do meu braço sendo apertado com força. E a tensão crescendo.

sábado, 6 de agosto de 2011

Música pra criança?

Num dia de bate-papo no trabalho, alguém começou a falar sobre as músicas que as crianças gostam e que não são feitasm pra crianças. Uma das meninas chegou a dizer que dançava "ela faz a cobra subir" quando criança e achava a música até bacana, sem pensar no conteúdo dela.

Daí, começamos a pensar em músicas que cantávamos quando pequenos, sem saber exatamente o que repetíamos. Uma que causou até surpresas é a Serão Extra, do Dr.Silvana:


É que tem gente que ainda acha que o refrão "Eu fui dar, mamãe" é "Eu fui da mamãe", tipo filhinha da mamãe. Juro, há testemunhas!

Parênteses: eles têm uma música muito engraçada, Taca a mãe pra ver se quica, que ainda me faz ri. Clica aqui pra ver o "clip" original.

Vou me abster de comentar sobre as letras do É o Tchan, que eu tive a felicidade de ignorar durante meus tempos de adolescente. Posso me orgulhar de nunca, jamais, em tempo algum, ter dançado uma música do É o Tchan.

Mas tinha o Ultraje a Rigor quando eu era criança. Eu adorava as músicas (a Laura gostava mais...). A gente se divertia ouvindo músicas como Giselda:


E Marilou:


E Volta Comigo:


Tem vááááários exemplos. Mamonas Assassinas, por exemplo. E tem aquelas que a gente dançou e hoje morre de vergonha de admitir (do vídeo aí de baixo, eu só dancei Macarena #orgulhinho)


Mas pensando em música feita especialmente pra crianças (sou viciada em músicas infantis), acabei lembrando de uma das minhas favoritas: Aula de Piano, do disco Arca de Noé 1.


Aula de Piano
(Vinícius de Moraes / Toquinho)

Depois do almoço na sala vazia
A mãe subia pra se recostar
E no passado que a sala escondia
A menininha ficava a esperar
O professor de piano chegava
E começava uma nova lição
E a menininha, tão bonitinha
Enchia a casa feito um clarim
Abria o peito, mandava brasa
E solfejava assim:

Ai, ai, ai
Lá, sol, fá, mi, ré
Tira a não daí
Dó, dó, ré, dó, si
Aqui não dá pé
Mi, mi, fá, mi, ré
E agora o sol, fá
Pra lição acabar

Diz o refrão quem não chora não mama
Veio o sucesso e a consagração
Que finalmente deitaram na fama
Tendo atingido a total perfeição
Nunca se viu tanta variedade
A quatro mãos em concertos de amor
Mas na verdade tinham saudade
De quando ele era seu professor
E quando ela, menina e bela
Abria o berrador

Ai, ai, ai,
Lá, sol, fá, mi, ré

A letra já é bem sugestiva. O especial na TV, esse "clip" aí em cima, então... sem comentários. Essa era uma das músicas que eu mais gostava quando era criança, por causa do piano. E achava lindo cantar e dançar ao som do LP na vitrola (#coisasIdosas), iludida que aquela era uma música singela e bonitinha, pra criancinhas.

Ainda bem que existem músicas pra criança que são adequadas. Ou, como diria o Breno, "mais apropriadas".

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Filme: Os famosos e os duendes da morte

2009 (mais informações aqui)
Direção: Esmir Filho
Roteiro: Esmir Filho, Ismael Caneppele
Elenco: Áurea Baptista, Ismael Caneppele, Henrique Larré

Os conflitos de um adolescente de uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul são o ponto de partida deste filme, que tem uma temática universal: os ritos de passagem para a vida adulta.

Ao contrário dos principais filmes com temática adolescente. este é frio, escuro, sombrio. Não há festas enormes, bebedeiras, sexo e irresponsabilidades. Há um garoto sem nome que vê o mundo pela tela do computador e anseia sair da cidade. Há uma ponte de ferro, onde acontecem coisas trágicas. Há falta de diálogo em família, há saudade de uma vida que não existiu, há um fundo de esperança.

O desassosego do processo de amadurecimento é personagem primordial no longa. O garoto, interpretado por Henrique Larré, tem fixação pelas fotos e vídeos de uma garota e pelas músicas de Bob Dylan. A narrativa não linear cria um ar de mistério: quem é a garota? De onde vem essa fixação? Por que o amigo do garoto não suporta um certo homem da cidade? O que liga todos esses personagens? Por que a morte e o suicídio rondam a idade em que viramos adultos? Os conflitos de um adolescente no interior do país são diferentes de um outro garoto em uma grande cidade?

"Os famosos e os duendes da morte" é um filme de grandes questões, grandes silêncios e que necessita muito da participação do espectador. É uma obra aberta a muitas interpretações e essa pluralidade de vozes possíveis no silêncio faz com que tudo fique maior e mais impactante. Um filme que realmente toca nas questões da passagem para a vida adulta.

O diretor Emir Filho é mais conhecido pelo vídeo "Tapa na Pantera", que fez sucesso no Youtube. Aqui, faz um belo trabalho de direção, mostrando que é um nome realmente importante no cinema brasileiro. Ismael Caneppele, autor do livro homônimo em que o filme é baseado, é apontado como uma das promessas da nova geração de autores brasileiros.

Miguel

Há um tempinho tinha um meme circulando no Facebook sobre a felicidade de ser tia. Eu sempre quis ter sobrinhos, e curti bastante alguns priminhos que surgiram por aí (primo mesmo eu só tenho um, que mora longe e a gente quase nunca se vê). Mas a gente cresce, os priminhos crescem, nossos irmãos crescem e, como são bem ajuizados, não tiveram filhos ainda. Não há sobrinhos oficiais pra mim.

Por outro lado, meus amigos - a família que eu escolhi - vivem me dando alegrias. Primeiro, foi a Pat, com a Bianca, o Rafael e o Yann, que são fofos de um tanto que nem dá pra comentar. A Pat é uma mãezona, dos garotos são lindos, super educados, sabem conversar, convivem com adultos com uma calma impressionante.

Depois, veio o Lanier que acabou de fazer cinco anos em julho. Ele é um menino super esperto, atencioso, companheiro, carinhoso. Geralmente, ele me chama de Jaqueline (hahahaha, mais um trocando meu nome). Quando isso acontece, ele automaticamente vira João.

Ontem, com 3,750kg e 51cm, nasceu o Miguel, o mais novo sobrinho da minha família querida.

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Quando éramos pequenos, minha mãe nos chamou num canto e nos proibiu de perguntar pra Tia Vera o motivo dela não ter filhos. Ela nunca teve muita noção de como criar filhos. Se tivesse, jamais teria dito isso pra gente. Porque, tão logo foi possível, fomos perguntar pra Tia Vera o motivo dela não ter filhos.

A resposta dela, há sei lá quantos anos, é um pouco minha hoje: "A Tia ama tanto os sobrinhos, mas tanto, que esse amor já é suficiente". Satisfez nossa curiosidade. E foi assim que a Tia Vera me ensinou que a gente pode, sim, amar bastante os filhos de outras pessoas. Bianca, Rafael, Yann, Lanier e Miguel fazem parte do meu amor de tia. Que, obviamente, está aberto a novas inscrições.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Excesso de juízo

Minha arcada dentária nunca foi compatível com meus dentes. Daí que, aos 11 anos, lá fui eu toda feliz - e iludida - usar aparelho ortodôntico. Era novidade no meu círculo de amigos, eu estava achando o máximo. Até descobrir que o primeiro aparelho que usaria seria aquele conhecido como "freio de burro". Pra abrir a arcada e caber tudo direitinho.

Eu tinha de usar o aparelho externo 15 horas por dia. Somando as horas de sono, dava pra ir pra escola sem ele, o que foi muito bem aproveitado. Era chegar em casa, almoçar e colocar o bendito. A partir daí, não tinha desculpa, eu ia pra todo lugar aparelhada. Inclusive voltava pra escola, todo dia, para buscar meus irmãos. Foram seis meses. Depois veio o fixo, durou cinco anos. Era legal, apesar de chato, eu até gostava e senti falta quando tirei e ele foi substituído pelo móvel de contenção.

Nesse meio tempo, como a arcada era incompatível, tirei quatro premolares. E os sisos inferiores, que ainda nem tinham nascido, mas que já pressionavam os dentes de baixo, atrapalhando o trabalho todo do ortodontista. Os sisos de cima não me trariam problema, disse o doutor. Aos 18, parei de usar o aparelho móvel e fui ser feliz e sorridente.

Mil anos depois, lá vou eu feliz e sorridente ao dentista, pra olhar o bruxismo. Sempre achei que quem range os dentes sofria mais, mas Tia Dentista disse que não ranger - meu caso - é pior, porque trava a mordida. Aí ela me diz que eu preciso, sim, fazer a placa pra prevenir o bruxismo. Mas, pra isso, vou ter de extrair os sisos superiores, aqueles que não me trariam problemas, segundo Tio Ortodontista.

Sabe uma coisa que parece tãããão, mas tããããão século passado? Tão coisa de adolescente? Pois é... Lá vou eu tirar os sisos.

Segundo a Ju, provavelmente agora eu vou começar a perder um pouco do juízo, que às vezes é excessivo. Então tá, né?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Conto: Ciúme

Ela era linda de manhã. Os olhos apertadinhos de sono, abrindo devagarinho, com aquele sorriso nascendo. Os cabelos meio bagunçados, o rosto marcado pelo travesseiro.

As horas do dia se passando e ela ficando a cada minuto mais bonita. Eu ficava ali perto, vendo ela cuidar da pele, passando base, pó, blush. Gostava de ver como os olhos dela ficavam mais luminosos quando ela passava rímel. Parece que eles cresciam, ganhavam ainda mais vida. E eu ali, embasbacado, a olhar para a mulher mais linda do mundo.

Às vezes ela me dizia para não ficar tão perto, pra arrumar alguma coisa pra fazer. Mas nada é mais importante que admirá-la. Eu fingia sair, mas ficava por ali, vendo no espelho a imagem dela refletida.

Linda, ela pega a bolsa e vem em minha direção. Me dá um beijo no rosto e sai. Penso, sempre, em correr, segurar seu braço e contar a verdade. Mãe, eu sou homem! Eu sei o que esse cara quer com você! Mas ela não vai me escutar.