sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Da Jady

Daí que a Jady postou e eu gostei.


1. Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos tem?
23. Fazer 23 significou muito pra mim. 

2. O que é pior, fracassar ou nunca tentar?
Eu ia ser desonesta de dissesse nunca tentar. Quem me conhece sabe que eu tenho horror a fracassar. 

3. Se a vida é tão curta, por que a gente faz tanta coisa que não gosta e gosta de tantas coisas que não fazemos?
Obrigações sociais, essas desnecessárias.
4. Depois que tudo for dito e feito, você terá dito mais ou feito mais?
Gosto mais de fazer do que de dizer.

5. Cite uma única coisa que você gostaria de mudar no mundo.
No mundo são muitas. Na minha vida, gostaria que o meu avô fosse meu pai. 

6. Se a felicidade fosse a moeda do país, que tipo de trabalho te faria rico?
Qualquer coisa relacionada a criação.

7. Você está fazendo aquilo em que acredita ou se acomodou com o que faz?
Acredito no que faço, mas às vezes me canso. 
8. Se a expectativa de vida fosse de 40 anos, em que isso mudaria sua vida?
Não sei, acho que nada. Nunca pensei que viveria muito, então tá de boa até se fosse de 30 anos.
9. Até que ponto você controlou o caminho que sua vida tomou até aqui?
Até os 22 anos, eu era controlada. Hoje, controlo praticamente tudo. Menos meus sentimentos, claro. 

10. Você se preocupa em fazer certo as coisas ou fazer as coisas certas?
Em fazer com que as coisas certas sejam feitas do jeito certo.

11. Você está almoçando com três pessoas que respeita e admira. Todas elas começam a criticar um amigo íntimo seu, não sabendo que é seu amigo. A crítica é injusta e de mau gosto. O que você faz?
Defendo o amigo. Se tem uma coisa que me dá cólicas é injustiça. 

12. Se você pudesse dar um único conselho a um recém-nascido, qual seria?
Respire devagar, encha o peito e viva com intensidade.

13. Você passaria por cima de uma lei para salvar uma pessoa amada?
Acho que não. 

14. Você já viu loucura onde depois viu criatividade?
Sim. E vice-versa. (copiado da Jady)

15. Há algo que você sabe que faz diferente das outras pessoas? O que é?
Um monte de coisas. A começar pela minha relação com as pessoas.

16. Por que o que te faz feliz não faz todos felizes necessariamente?
Pq felicidade depende muito dos valores das pessoas. 

17. Cite uma coisa que você ainda não fez mas que quer MUITO fazer. O que te impede?
Passar uns 3 meses viajando pelo mundo. Grana. (Idem Jady). E coragem pra deixar minhas idosinhas pra trás.
18. Você está se prendendo a algo que não deveria?
No momento, não

19. Se você tivesse que mudar de estado ou país, para onde iria e por quê?
No Brasi, iria pra Goiás. No mundo, pra Itália, precisamente San Gimniano.

20. Você aperta o botão do elevador mais de uma vez? Tem certeza de que isso acelera o elevador?
Paciência é uma virtude.

21. Você preferiria ser um gênio preocupado ou um Zé-ninguém feliz?
Eu sou preocupadíssima, mas também sou felicíssima. Uma coisa não exclui a outra

22. Por que você é quem você é?
Porque fui criada pelos melhores do mundo: Vovô Ney e Vovó Zina, com pitadas de Aya, Adê, Padrinho e Paulo. Os melhores!

23. Você tem sido o tipo de amigo que gosta de ter como amigo?
Sim. Sem falsa modéstia.

24. O que é pior, quando um bom amigo vai pra longe ou perder o contato com um amigo que mora bem próximo de você?
Amigo que some, indo pra longe ou perdendo o contato, sempre dói.

25. Cite algo pelo qual você é mais grato.
Pelas pessoas que me criaram, por terem me ensinado tudo de bom que eu sei.

26. Você preferiria perder suas velhas recordações ou nunca poder construir memórias novas?
Memória não é meu forte. Esqueço tudo, de antes e de agora.

27. É possível saber a verdade sem antes questioná-la?
Sim, mas questionar faz parte.

28. O seu maior medo já se concretizou?
Felizmente, não. E está cada dia mais longe de realmente acontecer.

29. Você se lembra algo que te deixou extremamente aborrecido há 5 anos? Hoje, aquele episódio importa?
Sim, mas não importa mais. Ressignificar as coisas é fundamental para deixar pra lá.

30. Qual é sua memória da infância mais querida? O que a faz tão especial?
O sentimento de família com aqueles mais importantes: vovó, vovô, Aya, Adê, Padrinho e Paulo. 

31. Quando no seu passado recente você se sentiu mais vivo e intenso?
Todo dia em que sinto que faço algo importante pra alguém. Em especial, pra vovó.

32. Se não agora, quando?
Idem 

33. Se você ainda não alcançou o que quer, o que tem a perder?
Atualmente, só tenho a perder as minhas amarras, o que é bom demais.

34. Você já esteve com alguém, não disse nada, e saiu com a sensação de que teve a melhor conversa da sua vida?
Sim, sempre. 

35. Por que religiões que pregam o amor causam tantas guerras?
Porque os religiosos não conseguem fazer o básico, que é se colocar no lugar do outro.

36. É possível saber, sem sombra de dúvida, o que é bom e o que é mau?
Sempre tem algo mau no que é bom, e vice-versa

37. Se você ganhasse 1 milhão de dólares, largaria o seu emprego?
Não. Não consigo me ver sem trabalhar.

38. Você preferiria ter menos trabalho ou mais trabalho em algo que realmente goste?
Trabalho em algo que realmente gosto e adoro meu trabalho. Queria só ter mais tempo de folga pra curtir a vida.

39. Você sente que viveu este mesmo dia 100 vezes?
Várias vezes

40. Quando foi a última vez que você entrou na escuridão com apenas uma vaga luz de idéia de algo em que você acreditava?
Há uns bons 10 anos. E me surpreendi.

41. Se todos seus conhecidos morressem amanhã, quem você visitaria hoje?
Os que me são caros. 

42. Você concordaria reduzir sua vida em 10 anos para ser super atraente ou famoso?
Jamais

43. Qual é a diferença em estar vivo e viver plenamente?
Viver plenamente é não se fechar no castelo da Cinderela e esperar o mundo se curvar a seus pés. É romper a porta e correr pra vida, abraçar o mundo, derrubar barreiras e ceder a alguns impulsos fantásticos. 

44. Quando vai ser o tempo de parar de calcular os riscos e apenas seguir adiante e fazer o que é certo?
Eu calculo demais, mas tenho feito isso menos, por agora. Quanto a fazer o que é certo, eu não costumo fazer o que é errado...

45. Se aprendemos com nossos erros, por que temos tanto medo de errar?
Porque há certos julgamentos inoportunos que, bobos, levamos a sério demais.

46. O que você faria diferente se soubesse que ninguém te julgaria?
Não esperaria tanto tempo pra sair da casa dos meus pais e conquistar a minha vida.

47. Quando foi a última vez que você reparou no som da sua respiração?
Todo dia eu faço isso.

48. O que você ama? Suas ações recentes refletem este amor?
Pessoas muito bem escolhidas. Elas sabem quem são justamente pelas ações e palavras.

49. Daqui a 5 anos, você vai lembrar do que fez ontem? E ante-ontem? E o dia anterior?
Já contei que tenho problemas de memória?

50. As decisões são feitas agora. A pergunta é: você está decidindo por si só ou deixando que outros decidam por você?
Hoje decido por mim, tenho na mão as rédeas da minha vida. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O caso da televisão

Desde que eu me lembro, nunca tive uma boa relação com a televisão, aquele aparelhinho falante que só sabe atrapalhar a minha vida. Lembro até hoje da tv que queimou exatamente no dia em que nos mudamos pra BH. Ela ficava na sala da casa da vovó, onde morávamos (e onde eu moro hoje). Meus avós, pra não nos verem sair de casa, inventaram uma viagem. Ficamos nós seis sozinhos aqui e, pouco antes de irmos embora, a tv queimou. Foi quase um presente ao contrário que deixamos pro vovô, pra vovó, pro Paulo e pro Padrinho.

Casa cheia, tv sempre ligada. Silêncio era algo quase impossível. Veio logo uma tv no quarto, um verdadeiro horror. Tudo bem que foi nela que vi Anos Incríveis, o seriado mais bacana de todos os tempos. A paz veio quando nos mudamos de apartamento, mas durou pouco. Logo veio a Laura com outra tv pro quarto e teve início uma briga eterna entre o silêncio que eu queria e a tela piscante com todo aquele barulho. Quando fui morar sozinha, aboli a tv e o sofá.

Só que tem a vovó. Ela ia me visitar e achava um absurdo eu ficar em tv. Me deu uma. Que só ela mesma usava. E ela gosta bem... duas tvs aqui em casa que vivem em função dela. Eu só ligo pra ver futebol, vôlei ou filmes. E aí veio o Leo, que foi criado com tv no quarto. Encheu tanto a paciência que passamos a ter uma só pra nós ele. Pra mim, era mais uma coisa pra pegar poeira. Foi assim, até ontem.

Porque ontem a tv da Tia Ylza, que é tão dependente quanto a vovó, resolveu parar de funcionar. É uma daquelas de tubo ainda. Pesada. Um trambolhão. E a rua dela anda interditada há meses com uma obra interminável. Não tem como buscar a tv lá pra levar pro conserto, a não ser que alguém bem forte carregue aquilo tudo por um caminho cheio de obstáculos. A solução seria comprar outra, mas íamos ter o mesmo problema com a entrega. Uma nova, flat, mais leve, daria menos trabalho no transporte, mas resolveria. E a greve dos correios, como faz?

Fiquei pensando nisso tudo até que olhei praquela tv que está a um tempão lá no meu quarto. Às vezes o Leo vê alguma coisa. Quase nunca. Eu, só pros filmes mesmo, e tem tempo que não ligo. Pra que ficar com aquilo lá? Leo concordou e, hoje cedo, ela foi passear na casa da Tia Ylza. Leo levou, aproveitando que cedo há pouco movimento na rua.

Ela chorou. Agradeceu muito o cuidado que temos com ela. Antes, tinha falado que não precisava de tv, que era bobagem. Depois que levamos a nossa, ainda meio atordoada, ela disse que o dia fica vazio sem a tv ligada. São as novelas, as novenas, as missas e o Sem Censura que ela assiste diariamente. Enquanto faz tricô ou deitada, descansando seus 90 anos.

O que, pra mim, não vale muito, preenche o dia de uma pessoa tão especial.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

X-hamburguer

Neste último sábado fui ao cinema com um garoto fofo que, depois do filme, queria comer um x-hamburguer.

Pára tudo e imagina um garotinho lindo, de cinco anos de idade, olhando pra você com um sorriso lindo no rosto e dizendo x-hamburguer. Em vez de cheeseburguer. Nem valia a pena ensinar o nome certo, de tão gracinha que era ele dizendo x-hamburguer.

Fomos ver Diário de um banana 2 e depois comer x-hamburguer.

O outro garoto, de 10 anos, estava com medo de andar de avião. E fotografava tudo, pra mostrar pros amigos, lá no interior. Nas fotos em que ele aparecia, fazia cara de sério, como se fosse um homenzinho.

Amor eterno por esses garotos fofos.

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Mas antes, houve outros lances.

Sexta foi meu aniversário. Pelo segundo ano, não quis desaparecer do universo. O celular permaneceu desligado (exceção aberta só pra Ju Reis, que eu amo de paixão, e pra Ana Sílvia, que eu também adoro). Consegui responder todo mundo que entrou em contato virtual e nem foi tão traumático conversar com um amigo pelo GTalk enquanto eu tentava resolver todas as bombas que surgiram. E não foram poucas... Exceto por um rápido jantar com os pais do Leo e com a Flavinha, fiquei o dia todo por conta do trabalho. Não foi fácil, mas deu tudo certo.


Tão certo que consegui fazer uma boa aula de direção para habilitados, pela segunda vez com o psicólogo no carro. Fora os momentos de desespero (pegar a BR-040 na volta), acho que me saí bem. Tá chegando a hora de pegar a estrada de verdade. Vai ser em outubro e ainda não sei bem como lidar com isso.

Tão certo que, finalmente, após muito tempo, consegui pedalar um pouco, só 22km, e no asfalto do Alpavillem enquanto meus companheiros de sempre iam pra terra.

Tão certo que, depois de um tempão, rolou até um cinema com dois garotos fofos e, no fim do filme, ainda teve um x-hamburguer.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Filme: Planeta dos Macacos - A Origem

Rise of the Planet of the Apes, 2011 (mais informações aqui)
Direção: Rupert Wyatt
Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver
Elenco: James Franco, Freida Pinto, John Lithgow

Já falei que ando com preguiça do James Franco, né? Pois é... Também preciso dizer que não vi os filmes anteriores, porque nunca fui chegada nesse tipo de filme. Mas o curso que fiz com o Pablo Villaça me fez entender que não posso ter esse tipo de preconceito (tapa na cara de quem - eu mesma - não conseguiu ver o filme do post abaixo).

O filme discute os limites da ciência e contribui para abrir uma boa discussão sobre o uso de animais em pesquisas farmacêuticas e o limite dessas pesquisas. James Franco é Will Rodman, um pesquisador às voltas com um medicamento para Alzheimer que, ele acredita, pode curar seu pai. Ter a doença em casa, tão próxima, o faz perder os limites. Ele rouba, manipula e trapaceia a empresa onde trabalha para conseguir testar seus experimentos. Usa, para isso, seu próprio pai, após o laboratório suspender até mesmo os testes com os macacos. Isso porque um dos macacos dos testes promoveu um quebra-quebra no laboratório ao se sentir ameaçado - até então ninguém (ninguém mesmo) sabia que o número 9 era uma macaca e que ela estava grávida. Sua fúria era para proteger seu filhote que ninguém (ninguém mesmo) do laboratório sabia que existia. A macaca é morta, a pesquisa encerrada, os outros macados são sacrificados e Will leva o filhotinho para casa, num ato de extrema (ahammm) bondade.

Os efeitos especiais são meio toscos. Reconheço que os macacos são bem próximos da realidade, mas ficam bem estranhos, especialmente nas cenas com humanos (me abstenho de comentar a parte do confronto da ponte).  James Franco está com a mesma cara de sempre, não importa em qual cena. Freida Pinto é linda e protagoniza um momento completamente dispensável (na tal cena da ponte). John Lithgow convence como o paciente de Alzheimer.

Cesar, o macaco, vive relativamente feliz no sótão da casa de Will, vendo o mundo externo pela janela em formato de óculo. A mesma janela que ele desenha na parede da prisão para primatas e que, dias depois, apaga, revoltado com os humanos. E é essa revolta que faz com que ele, com sua inteligência superior, despertada pelo remédio dado a sua mãe, consegue dominar os macacos do abrigo e iniciar uma fuga espetacular. Como em 2001 Odisséia no Espaço, a descoberta de uma arma significa um novo estágio na vida dos primatas.


A crítica aos caminhos da humanidade é o mais interessante do filme, a começar pela cena inicial, em que os macacos são capturados na mata. Ou quando Cesar, o filhotinho de macaco adotado por Will, acaba sendo levado para uma espécie de abrigo que, aparentemente, é até adequado. Mas, nas entranhas, é como a sucursal do inferno. Até um gorilão preso e irritadíssimo com isso tem lá. O medicamento criado por Will tem um efeito interessante em seu pai, o faz recuperar o que o Alzheimer degradou, mas traz efeitos colaterais. Ele continua a pesquisa e o novo medicamento é ainda mais forte que o anterior. Nos macacos, ele aguça a inteligência e não tem efeitos negativos. A mensagem é clara: o que se testa em animais não é necessariamente bom para os humanos; sendo assim, por que há esses testes? A obsessão de Will pela cura do pai é maior do que o instinto de proteção, afinal ele coloca o pai em risco...

Como tem acontecido nos filmes recentes, as portas estão abertar para uma continuação.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Diálogo aleatório

Eu: Eu gosto do pé de moloque da sua avó.
Leo: Eu gosto de você.
Eu: Não acredito, você prefere uma empadinha.
Leo: Não gosto mais de empadinha.
Eu: Ah, entendi porque, agora, você gosta de mim.

Gargalhadas ao fundo. A gente se diverte.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Desafio Literário - Setembro #novo



O livro do mês é A menina que brincava com fogo, deStieg Larsson, continuação de Os homens que não amavam as mulheres. Fiquei bem impressionada com o livro e decidi continuar a leitura da trilogia. Mas tinha medo de pegar e não conseguir mais largar o livro. Dito e feito: li as 606 páginas com uma rapidez impressionante pra quem não tem tempo sobrando: em seis dias o livro estava terminado. Leitura que aconteceu dentro de ônibus, ao lado do fogão, esperando a água ferver pro café e, principalmente, nos momentos em que eu deveria estar dormindo, pra descansar do batente que está puxado.

A trama acontece dois anos depois dos acontecimentos do primeiro livro. A hacker Lisbeth Salander some pelo mundo e o jornalista Mikael Blonkvist está às voltas com a revista Millenium. Ele procura Lisbeth, mas ela não quer contato. Mikael conhece o jornalista Dag Svensson e sua mulher Mia Bergman, que pesquisam tráfico de mulheres na Suécia, o que vai gerar um número especial da revista e um livro. A pesquisa é bombástica e leva a revelação sobre jornalistas, policiais, advogados e juízes. Enquanto isso, Lisbeth Salander é caçada como a autora de um triplo assassinato.

O clima do thriller é tenso, com o cerco se fechando para Lisbeth e seus amigos buscando mostrar que ela, apesar de ser violenta, não é uma assassina. Paralelamente, há a discussão sobre o papel da imprensa, a gestão política dos chamados "segredos de estado" e as decisões que são tomadas para abafar escândalos políticos.

Mais uma vez, o papel da mulher na sociedade está em primeiro plano. A violência, neste caso focada na exploração de escravas sexuais, é brutal. Lisbeth é levada, mais uma vez, como a personagem que encarna todo tipo de violência sofria pelas mulheres e também como uma espécie de exemplo de superação: apesar de tudo o que viveu, consegue ser independente e superar os grandes percalços do caminho.

Ótimo livro, que deixa várias pontas inconclusas. Obviamente, para nos forçar a começar, pra ontem, a leitura do próximo volume, A rainha do castelo do ar.

Filme: Comer, rezar, amar

Eat pay love, 2010 (mais informações aqui)
Direção: Ryan Murphy
Roteiro: Ryan Murphy
Elenco: Julia Roberts, Javier Bardem


Não sei se o dia era ruim. Ou se a minha paciência estava curta - ela anda curta. O fato é que nem consegui terminar o filme. Julia Roberts estava com cara de doida, tudo parecia inverossímel, como se fosse uma história de invasão de tomates assassinos alienígenas. Tô com preguiça do James Franco e suas caras idênticas em todos os filmes. Ele paquerando a Roberts chega a ser patético. As crises existenciais da personagem Liz Gilbert são interessantes, mas a interpretação não ajuda. Enfim, não dei conta de terminar.

Como, em teoria, achei interessantes os dilemas da Liz, fiquei com uma vontadezinha de ler o livro e, quem sabe, depois, tentar ver o filme de novo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ideais

Daí que Paulo foi passar duas semanas, a trabalho, entre Portugal e Espanha. Em Portugal, ele ficou em Évora e, na Espanha, em Palencia e Valladolid.

Como sempre, ele trouxe chocolates suíços. Justo quando Leo e eu estamos conseguindo deixar os chocolates de lado. Delicioso, claro. E enoooorme!

Também tradicionalmente, Paulo traz um marcador de livro pra mim. Mais um pra minha coleção.

Este é da Villa Romana La Olmeda, a segunda vila romana original do mundo (a primeira é na Turquia). Ele representa o mosaico de Aquiles e é liiiiiiiindo.

Mas o melhor ainda estava por vir. Um saco de papel da Casa Lopes, de Lisboa, com um daqueles souvenirs clássicos portugueses: o galo. Da última vez em que ele foi pra lá, por causa do doutorado, ele me deu um galinho português lindo, que eu guardo com muito carinho.

Por que, então, ele repetiu o presente?






Este é um que vem com aqueles globos, para simular a neve. Daí, Paulo vira pra mim e diz que, na hora em que viu esse galo, ele lembrou de mim: "campeão do gelo", como é o glorioso Clube Atlético Mineiro. E meu novo galo português envolto em "neve", vai me lembrar que um dia, o Galo já foi grande e vitorioso. Tá na hora de voltar a ser, né?

Em tempo, Paulo torce pro América Mineiro.

Desafio Literário - Subvertendo a ordem

Em dezembro do ano passado, propus pra mim mesma um desafio literário, com doze livros previamente escolhidos. A lista está aqui. Tudo ia bem até chegar em julho e eu não conseguir ler o livro do mês, que foi repassado para agosto.

Naquela época, a solução tinha sido simples: ler o livro de julho em agosto; o de agosto em setembro e assim por diante. Acontece que nem sempre os planos dão certo. E, mais uma vez, não consegui ler o livro de setembro e, pelo jeito, o mês vai terminar sem que eu consigar tirar O outono do patriarca da estante. Desde que terminei o livro anterior, eu só li três, sendo que um deles eu demorei horrores (comecei antes de julho...).

A lista de livros a serem lidos e que não estavam no desafio se acumulam no criado-mudo e eu já estou com vergonha. Porque foi no começo do ano, em março, que li Os homens que não amavam as mulheres, emprestado do meu sogro, e, na sequência, peguei com ele o segundo da série, A menina que brincava com fogo. O livro está comigo desde fevereiro e eu não tive condições de abrir... ainda mais que eu tinha certeza de que, se abrisse, não ia mais conseguir largar até chegar ao final. Ainda tem a biografia do Kurt Cobain e mais dois livros da Agatha Christie e um da Jane Austen. Todos, desde o início do ano lá, paradinhos.

Daí, como o desafio literário é meu e somente meu, e lá, no post inicial, eu já tinha dito que faria uma lista reserva, pra trocar se fosse necessário, resolvi mexer na lista:

- Setembro: A menina que brincava com fogo, Stieg Larsson
- Outubro: A rainha do castelo do ar, Stieg Larsson
- Novembro: Mais pesado que o céu, a biografia do Kurt Cobain
- Dezembro: As brumas de Avalon, volume 1 (já devidamente comprado)

Assim, devolvo os livros do Stieg Larsson pro meu sogro, que deve estar pensando que eu sequestrei as obras e vou pedir resgate, e finalmente posso dar o livro do Kurt Cobain de presente pro Tales, uma promessa feita há quase um ano e até agora não cumprida #vergonha.

Os demais livros que estavam no desafio continuam na estante e na lista. Serão lidos, sim. São eles:

O outono do patriarca, de Gabriel Garcia Marquez
O vermelho e o negro, de Stendhal (releitura, li na época da faculdade)
A mãe, de Gorki
Contraponto, de Aldous Huxley

Talvez eu só retire O vermelho e o negro, que já foi lido. Pode? Claro que pode, a decisão é minha mesmo...

domingo, 18 de setembro de 2011

Citações 17

De Jane Eyre, de Charlotte Brontë:

É inútil dizer que os seres humanos deveriam satisfazer-se com uma vida tranquila. Eles precisam de ação. E se não a encontrarem, irão fazê-la acontecer. Milhões estão condenados a um destino ainda mais inerte do que era o meu, e milhões sentem  uma revolta silenciosa contra esse destino. Ninguém sabe quantas rebeliões, além das de caráter político, fermentam no peito das pessoas. Espera-se das mulheres que sejam calmas. Mas elas são como os homens. Precisam exercitar suas faculdades, necessitam de um campo para expandir seus  esforços, assim como seus irmãos. Sofrem com as rígidas restrições, a estagnação absoluta, tanto quanto os homens sofreriam. E é tacanho por parte desses seres mais privilegiados dizer que elas devem se limitar a fazer pudins e tecer meias, a tocar piano e bordar bolsas. É insensato condená-las, ou rir delas, quando buscam fazer ou aprender coisas novas, além do que os costumes determinam que é o ideal para o seu sexo.

Livro de 1847 e já com um ar feminista muito bacana. A personagem título sofre horrores, mas é independente. Toma as rédeas da sua vida e não fica como uma heroína num castelo esperando que tudo aconteça. Muito bacana.

sábado, 17 de setembro de 2011

Livro: Jane Eyre

Eu devia ter uns oito anos quando li uma edição de Jane Eyre voltada para adolescentes. Era um livro fininho e ilustrado, com desenhos só em traço preto, muito bonitos. A história da Jane me comovia e não tenho a conta de quantas vezes reli o livro. Sempre com a ideia de comprar o texto integral assim que fosse possível.

A editora BestBolso tem lançado uma série de livros com texto integral e a preço acessível. Sempre que paro em uma livraria, passo os olhos pelos títulos de bolso e pelo totem da BestBolso. Na Leitura do Pátio Savassi, em BH, encontrei o Jane Eyre original. Comprei e, como o formato favorece, o livro ficou morando na minha bolsa. Recorri a ele em várias intervalos, salas de espera, ônibus e outros momentos de relativo ócio.

Charlotte Brontë é irmão de Emily Brontë, autora de O Morro dos Ventos Uivantes. As duas tinham uma irmã e um irmão e eram órfãos. Durante um bom tempo, cultivaram, juntos, o hábito da leitura e da escrita. As três irmãs chegaram a publicar livros com pseudônimos masculinos. Quando assumiram seus nomes verdadeiros, Emily fez mais sucesso. Porém, eu gosto mais do livro da Charlotte Brontë, talvez por ter lido a adaptação incontáveis vezes.

Jane Eyre narra a sua própria história: órfã, é levada para a casa do tio, irmão da mãe. O parente logo morre e ela fica à mercê da tia e dos primos, que a maltratam. Dali para o colégio interno é um pulo, mas Jane vê nisso a oportunidade de ser independente. Aos 18 anos, consegue um emprego como professora de uma criança francesa em uma casa no interior da Inglaterra. Frágil na aparência, mas forte no caráter, ela enfrenta os desafios de uma nova vida, e são muitos. O livro deixa sempre a "lição" de que todos têm direito à felicidade, independente do sexo - e a questão da mulher ser submissa era algo indiscutível na época da publicação do livro, em 1847. Por esse motivo, há uma série de críticas à sociedade inglesa, com suas "castas" e sua relativa imobilidade social.

O lado ruim é o excesso de apego à religião. Volta e meia a autora insere algo com apelo religioso, o que pode ser compreendido devido à epoca em que o livro foi escrito. Fora isso, é tão romântico quanto um livro do século XIX pode ser, com aqueles arroubos de paixão que, hoje, parecem surreais. Mas que não deixam de ser lindos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Saúde, ou a falta dela

Na época da faculdade, caiu no meu colo a oportunidade de trabalhar na TV universitária. Nunca tinha pensado em trabalhar em TV, mas como a chance praticamente me fisgou no meio do caminho, lá fui eu aprender um bocado. Foi bom, uma experiência marcante em vários sentidos. Só que me esgotou. Meu estágio lá era de 4h diárias, mas eu ficava mais do que o dobro, matava aulas pra terminar de editar os programas de cinema que fazia e ainda gastava uns sábados por lá. Ao fim de um ano e meio, eu estava quebrada, desorientada, cheia de dúvidas e uma certeza: não queria mais trabalhar em televisão. Pedi pra saí e, no meu primeiro dia de desemprego, passei na entrevista de um estágio em assessoria de imprensa, a parte da comunicação que me fascinou. Só que os excessos da época da TV fizeram eco: dois meses depois eu precisei ser afastada do novo trabalho com diagnóstico de estafa.

Não lembro muito bem dos sintomas (já falei que a minha memória é péssima?), só que eu vomitava muito, e eu não costumo vomitar. Tinha muita dor de cabeça, tanta que a primeira suspeita é que eu poderia estar com meningite. Foram duas semanas em casa, tomando remédios e tentando mudar de hábitos. Foi assim que voltei pra natação (e fui obrigada a ouvir o instrutor me dizer pra parar de fumar, enquanto eu tentava explicar que nunca fumei na vida, afff...).

Foi o fôlego que, mais uma vez, chamou a minha atenção. Desde maio, quando comecei a pedalar, tenho ficado assustada com o tanto que meu coração dispara. Era só lá, no meio da trilha. E bastava parar um pouco que ele voltava ao ritmo normal. Depois, vieram as disparadas durante o trabalho e, principalmente, à noite. Acordar com o coração disparado não é muito agradável.

Fui procurar um Tio Cardiologista. Primeiro, o eletrocardiograma deu que estava tudo certo. Depois, o Holter, que é um eletro 24h, mostrou que meu coração dispara sim, dentro do normal, em horários estranhos (o pico foi às 17h09, enquanto eu estava calma, no escritório, em frente ao computador). O terceiro exame foi o ecocardiograma, que mostrou que meu coração é normal, saudável, forte e vai muito bem, obrigada. E o diagnóstico, então? Estresse.

Estresse porque a vida anda uma loucura. Trabalho intenso, e muito, do tanto que parece que eu nunca vou dar conta de terminar. Vida pessoal agitada, com essas mortes todas na família Mendes Barros, que desestruturam a vovó e me derrubam junto. Essas duas coisas juntas têm me impedido de ter tempo livre, de fazer as coisas que eu gosto e que me tiram a atenção na rotina. Ler está sendo impossível. Cinema, de vez em nunca (tem me salvado o Cineclube do Cine Vila Rica, e olhe lá). Bike, há mais de um mês tá lá no canto, empoeirando. E, enquanto isso, meus planos vão sendo engavetados. Ao menos, sobra a viagem pra Goiás, em novembro.

O que tem de bom é que eu estou conseguindo manter a sanidade mental, dentro do que é possível. E isso já é bom um tantão assim, né? Ainda não sei direito o que fazer pra reverter esse quadro, só tenho a certeza de que vai passar. Haverá equilíbrio sim, mesmo que demore.

Adê

Já falei da Tia Leda aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.  Mas ainda tem muita coisa pra contar.

O nome correto era Edyaleda, seguindo a linha de Y que meu bisavô tanto gostava, e em homenagem a uma Adelaide qualquer. Mas como Vô Procópio achava o nome feio, inverteu e ficou Edyaleda. Ela odiava o nome, dizia que era uma frase (é dia, Leda). Ela também era cheia de complexos. Usava óculos, num caso não tão comum de ter miopia no olho direito e hipermetropia no esquerdo. Tinha praticamente todos os problemas de saúde do mundo, mas nem por isso era triste ou amarga. Ela tinha um humor fino.

Era irmã do meu avô e era solteirona. Morava com Tia Ylza, as duas sempre juntas. Trabalhavam juntas, no departamento pessoal da Central do Brasil, em Ouro Preto. Era com ela que eu brincava de Araxá, no período de três anos em que as duas moraram aqui em casa, enquanto a casa delas era reformada.

Ela me chamava de "a menina", e não escondia de ninguém que eu era a sobrinha-neta favorita. De ninguém mesmo. Nossa relação era muito próxima. Tanto que, quando ela teve o AVC, só lembrava da Tia Ylza, de mim e do Paulo. Mesmo quando ela pirava, falando coisas incompreensíveis, nós tínhamos conversas enormes e divertidas.

Daí que no dia 16 de setembro de 2007, uma semana antes do meu aniversário, ela morreu. Eu estava lá, no hospital. Paulo e eu, cada um de um lado da cama, segurando as mãos dela.

No hospital, respirando mal, mas sempre sorrindo
Meu avô só chamava a Tia Leda de Alê. E foi assim que tentaram me ensinar a chamá-la, quando eu estava aprendendo a falar. Diziam assim: A-lê; eu respondia: A-dê. Foi assim até que virou verdade. Era a Adê e pronto. Com a Tia Ylza foi a mesma coisa. Diziam: Yl-za;. eu respondia: A-ia. Virou Aia. Depois, Aya, porque todos os nomes dos irmãos levam Y.

Eu era "a menina" delas. Elas são as minhas Aya e Adê.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Os cachorros de Sá Maria Bahia

Laura é dois anos e meio mais velha do que eu. Enquanto eu era um bebê, ela já ia pra escola. E, quando voltava, tinha dever de casa pra fazer, tinha que estudar. Lembro até hoje de ficar sentada embaixo da mesa ouvindo as primeiras lições da Laura e querendo participar daquilo tudo. Eu queria poder ler sozinha aqueles livros, pra não precisar de ninguém pra me contar as histórias.

Só que tinha a Tia Ylza, ou Aya, como eu a chamo. Nessa época, ela e Adê (Tia Leda) moravam aqui em casa e cuidavam muito bem de mim. Era com Adê que eu aprendia as primeiras letras, no Mini-dicionário da Língua Portuguesa, um dos maiores livros que tem aqui em casa. Foi com ela que aprendi a pensar que, se "casa" começava com CA, "caneta" também começava com CA. Já Aya era a responsável por me fazer dormir, me contando histórias e caminhando comigo pela casa, à noite. Coitada, eu dava trabalho e a impedia de ver novelas na TV. Sempre queria mais histórias.

Aprendi a ler e a desvendar os livros, mas as histórias de Aya eram únicas. Ela contava de um jeito muito legal e, volta e meia, lá ia eu dormir na casa dela, esperando pelas novas aventuras ou pelas antigas, de sempre. Eu fazia ela repetir as minhas histórias favoritas praticamente à exaustão. Um dia, ela, já com bastante sono, contava a vida de três irmãos que resolveram buscar a árvore que fazia alguma coisa especial e que não me lembro, o pássaro que fala e a fonte de água prateada que canta. Lá pelas tantas, ela falou que "foram conversar com a mulher de Seu João Roxo". Reagi indignada. Não tinha "Seu João Roxo" ali! Era o sono que a levou a falar sobre um colega de trabalho no meio da narração. Cruel, não deixei ela dormir enquanto não terminasse a história.

E todas elas terminavam da mesma forma: um casamento inevitável entre os protagonistas. E Aya ia a todas as festas, dançava, comia e sempre fazia um pratinho de doces pra trazer pra mim. Só que, enquanto ela voltava pra casa com todos os brigadeiros e olhos de sogra com que ia me presentear, os cachorros de Sá Maria Bahia (pessoa que até hoje não sei quem é) saíam correndo atrás dela. Com medo do ataque dos cachorros, ela acabava deixando com eles os meu doces e, assim, podia chegar inteira em casa. Sem doces, mas sem mordidas de cachorro. E a boba aqui ficava por algum tempo lamentando a ausência dos doces de todas aquelas festas das histórias.

domingo, 11 de setembro de 2011

O 11, dez anos depois

Hoje o mundo vai estar infernal lembrando os 10 anos dos ataques do 11 de setembro, nos Estados Unidos. Eu mesma, já não aguento mais escutar isso. Só que, ao ver as reportagens sobre o tema, é impossível não me lembrar do 11 de setembro de 2001, porque foi o dia da dor de cabeça mais louca da história. E só porque no mesmo dia aconteceram os atentados, eu consigo saber a data.


Eram umas 3 horas da manhã de 11 de setembro de 2001. Eu acordei assustada, com a maior dor de cabeça que já tive na vida. Era como se fossem três crises de enxaqueca ao mesmo tempo. Doía até pra me mexer. Eu não conseguia nem falar. O que não adiantaria nada. Na época, eu morava sozinha num apê pequeno no bairro Santa Tereza, em BH. Estava lá há pouco mais de um mês, não conhecia os vizinhos e, mesmo se conhecesse, como eu iria fazer para chamá-los? A voz não saía.

Lembrei do remédio para as horas de emergência. Era só tomar, ficar quietinha e esperar o efeito começar. A dor aguda diminuiria e eu poderia, depois, cuidar da dor crônica. O problema é que o remédio estava na cozinha, ao lado do filtro. E eu não conseguia me mexer sem sentir mais dor. Não queria chorar, mas era o que acontecia. Um tantão de lágrimas desciam involuntariamente dos meus olhos enquanto eu tentava levantar da cama. Quando consegui ficar de pé, caí no chão. A dor da queda (bati o ombro no criado-mudo) não foi nada perto da dor de cabeça. Fiquei no chão e fui me arrastando para a cozinha. Demorou, mas consegui chegar. Depois, foi uma luta para ficar de pé e alcançar o remédio. Tomei, escorreguei na parede, sentei no chão e fiquei esperando começar o efeito.

Quando consegui voltar pro quarto, já eram quase 5 horas da manhã. Deitei e esperei. Não conseguia dormir, continuava sem conseguir falar e, como a dor não diminuía, achei que fosse morrer ali, na solidão do apartamento. Ia ser um fim digno (outro dia falo sobre isso).

Por volta das 8h10, eu já conseguia falar, com a voz mais embolada do mundo. Como a dor inicial tinha diminuído, eu já conseguia fazer algumas pequenas coisas, peguei o celular e liguei pra minha chefe. Falei da dor e da impossibilidade de ir trabalhar. Ela foi compreensiva, me deu o dia de folga. Eu ainda achava que ia morrer ou, no mínimo, enlouquecer. Liguei o rádio na CBN e continuei deitada, na única posição em que a dor era menos intensa. Eu só queria escutar voz de gente...

Não lembro direito a que hora o locutor informou do acidente com um avião e a torre do World Trade Center. Nem prestei atenção direito. Logo depois, outro aviso de mais um avião e outra torre. E eu preocupada que a dor aguda, apesar de estar menor, não tinha passado ainda. O telefone tocou, era o Leo, me contando que as torres tinham caído. Eu, meio bêbada de dor e de remédio, dizia que não, foi só um acidente. E ele insistindo, que estava vendo tudo pela TV. Aproveita que você não foi trabalhar e liga a TV. Ei, eu não tenho TV, lembra? Não tinha televisão, por vontade própria. Também não tinha sofá. Só fui ter essa dupla um tempão depois, quando vovó resolveu que iria dormir lá comigo em alguns fins de semana.

Fiquei imóvel, na cama, até lá pelas 4 horas da tarde. Foi quando consegui sair, tomar um banho e olhar pro meu reflexo encaveirado no espelho. Liguei pro Leo e pedi arrego. Fui pra casa dele de mala e cuia, morrendo de medo de ter outra crise. Lá eu estaria assistida. E foi lá que eu vi, já de noite, as imagens do ataque ao World Trade Center.

Não é que o atentado tenha passado despercebido. É que a minha lembrança maior daquele dia foi a dor como nunca antes tinha sentido. E como, ainda bem, nunca mais voltei a sentir. Passei mais uns três dias falando embolado, com dor na mandíbula (suspeitaram de ATM, mas não era), dor nos olhos (especialmente ao olhar pelo canto deles), a cabeça pesada, parecendo que ia explodir. Fui a vários médicos de especialidades diferentes. E foi só no reumatologista que tudo começou a mudar. Hoje, 10 anos depois, tenho uma média de duas crises de enxaqueca por ano. Saldo mega positivo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O último passeio de bike

Último, mas não derradeiro. Não falei dele, foi em agosto. E foi melhor que todos os outros. Porque nele, pela primeira vez, não precisei subir no Bongo. Meu fólego continua ruim, a técnica idem, a força não existe, mas consegui terminar sem pedir ajuda ao carro de apoio. E foi noturno. A reunião foi às 16h30, com saída pouco depois das 17h. Foi no Alphaville, em parte no percurso que fazemos sempre, mas fomos bem mais longe. Foram 24km no meu Cateye. E a certeza de que ainda tem muuuuuito caminho pra percorrer.

Leo e a bike na árvore

Tanner, Lauro e Leo, antes da saída

Lauro, eu, Leo e o Redbull

Ai, ai...

Qual squezze fui pro passeio?

No dia seguinte, as marcas da vitória na bike

Tudo lindo!
Só que, depois... no fim de semana seguinte, passei mal e não consegui pedalar. Depois, tinha tirado os sisos e estava proibida de pegar a bike. E, finalmente, minha tia faleceu, fiquei em OP. Quase um mês sem subir na bike, tô com saudade.

Livro: O Leitor

O Leitor, de Bernhard Schlink, tem a proposta de revisitar a Alemanha após a 2ª Guerra Mundial e seu acerto de contas com o nazismo. Mas é tudo tão leve que o tal pano de fundo fica parecendo uma aquarela desbotada exposta ao sol: sem cor, sem brilho, sem paixão.

Michael é um garoto alemão de 15 anos que começa a se relacionar com Hanna Schmitz, uma moça 21 anos mais velha. Toda a iniciação sexual dele é com Hanna, toda a expectativa de adolescente ele vive com ela. Até o dia em que ela some da cidade. Anos depois, Michael volta a ver Hanna. Ela está no banco dos réus em um julgamento de ex-guardas de um campo de concentração, acusadas de assassinato de judeus. E é aí que o que parecia ser bom vira uma coisa bem sem sentido.

Os temas tratados a partir daí envolvem filosofia, ética, comprometimento, analfabetismo, solidaridade, culpa, arrependimento... mas são tão superficialmente tratados que dá preguiça. A história se arrasta entre as lembranças e as culpas de Michael, mas de um jeito tão mimimi... dá preguiça de ler. E olha que o livro é curto, se a leitura fosse agradável, dava pra terminar em um dia.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Filme: Super 8

Super 8 - 2011 (mais informações aqui)
Direção: J. J. Abrams
Roteiro: J. J. Abrams
Elenco: Elle Fanning, Kyle Chandler, Joel Curtney

Com produção de Steven Spielberg, Super 8 foi um filme muito comentado. Especulava-se sobre como seria a parceria entre ele e J. J. Abrams, produtor de Lost, série televisiva de mais sucesso dos últimos tempos. E o filme é uma agradável surpresa. Obviamente, tem ET's, já que Spielberg está no meio da jogada. Mas não é isso que importa. Os saudosistas, como eu, podem fazer um bom paralelo entre o filme e Os Goonies, em que uma turma de amigos embarca em altas aventuras.

Aqui, temos a história de Joe Lamb, um garoto marcado pela morte da mãe em um acidente de trabalho e pela ausência do pai, policial, que não sabe lidar com a falta da esposa e com os sentimentos do filho. Joe é amigo de Charles, que está dirigindo um filme. Na gravação de uma sequência, um grave acidente entre uma caminhonete e um trem acontece ao fundo. Enquanto os meninos e a garota Alice Dainard tentam se proteger dos vagões descarrilhados, a câmera continua a filmar. Esse fato vai mudar a vida da pequena cidade onde vivem.

Para curtir Super 8, é preciso esquecer um pouco que há ET's ali. O melhor do filme são os encontros dos garotos, a produção do filme, o ímpeto de Charles como diretor, a descoberta do amor entre Joe e Alice, a retomada da ligação entre Joe e seu pai. E, claro, o curta, que só será mostrado com os créditos finais. O clima do final dos anos 1970 também é um ponto de destaque. A realização do filme, em câmera super 8, a revelação que demora alguns dias, como acontecia há alguns anos. A paleta de cores parece demais as nossas fotos daquela época, guardadas no fundo de um armário e que sempre saem de lá carregadas de lembranças. Como em Os Goonies, os amigos saem juntos para resolver os problemas que o acidente acarreta e é por eles que se chega à solução. Sim, uma solução boba, mas que é insignificante perto de todo o tom do filme.

A atuação dos garotos é bem interessante. A maior parte deles é estreante no cinema, e não faz feio. Elle Fanning segue os passos da irmã Dakota e também sustenta a personagem de forma competente. São as crianças que dão um ar verossímel à narrativa. É emocionante a forma com que os pais de Alice e Joe precisam se entender, para salvar os filhos e, mais ainda, a metáfora do fim do luto de Joe pela morte da mãe. Sensível na medida certa.

De resto, toda a parte dos ET's é dispensável. Spielberg... sabe como é, né?

Trivial

Quem me conhece sabe que eu não gosto de cozinhar. Não é por falta de esforço, acho que é coisa de dom mesmo. Todas as férias escolares, minha mãe me colocava na cozinha pra aprender a fazer comida. No dia a dia, Laura e eu já ajudávamos em casa com várias coisas, inclusive com a limpeza da cozinha, de outras partes da casa, estendendo e passando roupas e cuidando do lixo. Cozinhar, como demanda mais tempo, era só nas férias. Laura sempre gostou, eu sempre achei blergh. Não conseguia aprender direito e tinha de retomar sempre do começo. Até que eu desisti da coisa.

Quando fui morar sozinha, tinha fogão lá no apê só pra esquentar água pro capuccino e pro miojo. Eu comia na rua. Tinha um orgulho imenso da minha geladeira, que só tinha água, peito de peru, queijo prato, requeijão de copo e sorvete. E cerveja, quando o Leo ia pra lá. E eu dizia que não tinha motivo pra aprender a cozinhar.

Mas aí o mundo gira, a lusitana roda e cá estamos nós sem empregada e com as compras do mês intactas nos armários. Seis quilos de arroz, três quilos de feijão. O que fazer com eles, além de cozinhar? Vovó queria fazer, mas é sacanagem eu deixar ela na beira do fogão, né? Pedi as receitas. Só que, putz, o negócio é muito complexo, não tem medida certa, é tudo no olhômetro. E eu só faço o que as receitas mandam. Daí chamei vovó pra uma consultoria, pra só estar do meu lado dando orientações. E foi assim que, no último domingo, fui debutar no arroz com feijão. Fiz tudo direitinho, acho. Só não provei o arroz porque, né?, não sou masoquista. Mas vovó e Leo disseram que estavam bom.

Procurei as receitas no Dona Benta, mas acabei frustrada. O feijão de lá é pra ser feito sem panela de pressão. Não achei legal e segui as orientações da vovó. Idem pro arroz, que também é super complicado. Eu segui a receita que veio no pacote do arroz.

Duas xícaras de arroz cru

Óleo, alho, sal e a fritura do arroz.
Feijão roxinho
Não sei quanto tempo durou todo o processo. Só que eu fiquei bem satisfeita com o resultado final, mesmo não tendo provado o arroz. Nas "aulas" das férias, eu aprendi (sério) a fazer bifes, daí o trivial tá bem aprendido.

Taí: feijão e arroz. Prontinhos, na panela de pedra.