quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Navetes e frivolité

Quando a gente vem de uma família que faz artes - meu bisavô Camillo gostava de dizer que as mulheres prendadas era de "mão cheia", com cada dedo representando uma arte diferente -, a gente aprender a conviver com agulhas, linhas, lãs, máquinhas de costura e objetos estranhos, como um quadrado de madeira cheio de pregos, para fazer almofadas. Vovó é especialista em crochê, faz cada coisa linda. Só não tem feito mais porque se queixa que as mãos tremem.

Tia Ylza eu nem preciso dizer, né? Tem muita coisa dela aqui no Janela (por exemplo, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Tanto ela quando a vovó aprenderam com as mães e avós a fazer essas artes todas. Vovó sabia fazer uma série de coisas com taquara, chapéus e alguns tipos de bordados, como o vagonite. Também era costureira de mão cheia, fazendo de tudo até pouco tempo atrás. Tia Ylza fica só no tricô mesmo, mas também sabe bordar muito bem (ela me ensinou o básico do ponto de cruz e do ponto cheio, mas eu sou muito ruim nessas coisas). A avó dela, chamada de Vovó Conceição, sabia fazer renda de bilro, igual o pessoal do Rio Grande do Norte. Tia Ylza conta que Vovó Conceição fazia a renda com a maior facilidade, mesmo já doente, de cama, sem poder andar. E a mãe dela, Vovó Enoe, fazia frivolité, que dizem ser a renda com nós.

Eu nunca tinha ouvido falar do frivolité até que a Ju Machado, minha amiga, perguntou se eu tinha uma navete, que vem a ser a "agulha" pra fazer o frivolité. Não, Ju, eu nem sei o que é isso, mas vou procurar. Pra saber mais sobre o frivolité, tem umas fotos aqui e uns vídeos aqui.

Perguntei pra Tia Ylza e ela me contou que Vovó Enoe fazia muito bem, e que ela mesma nunca aprendeu. E vovó também contou que ela mesma fazia, mas não se lembra mais. Ela contou que, com uma camisa do vovô, ela fez um pagãozinho pro Paulo, primeiro filho dela. Costurou o pagão e fez o acabamento todo com frivolité. E também tinha feito uma florzinha, mas não continuou o trabalho.

Procura daqui, procura dali, não é que vovó achou? As navetes, o pagãozinho que ela fez e a tal florzinha.

As navetes, a florzinha e o pagãozinho

Detalhe do pagão e a florzinha, em cima da navete

Uma das navetes ainda estava com linha, olha só!

A pergunta que não quer calar é como - oh, céus - uma agulha dessas consegue fazer esse trabalho tão delicado... 

O pagãozinho e a florzinha voltaram pro armário. As navetes tiveram um destino mais digno. Como vovó não sabe mais fazer e nem quer se recordar; como eu não vou aprender mesmo... nada melhor do que entregá-las pra alguém que vai fazer bom uso. Elas tomaram o rumo de Sete Lagoas. Ju vai pegar aulas com D. Elva e produzir frivolité por aí.

Desafio Literário - novembro # novo



O livro de novembro foi Mais pesado que o céu - Uma biografia de Kurt Cobain. Comprei o livro por engano, para dar de presente para a minha amiga oculta de 2010. Como ela já o tinha, fiquei com ele. Leo começou a ler e depois foi a minha vez. A expectativa era grande, já que eu tinha vontade de ler o livro desde o seu lançamento, mas nunca o encontrara à venda.

No início, é fácil se apaixonar pelo Kurt. Primeiro, porque a minha geração entrou para a adolescência ouvindo as músicas dele. Lembro até hoje da minha vizinha me mostrando o vinil de Nevermind, o disco mais famoso do Nirvana - Kurt Cobain era vocalista e compositor da banda). As músicas embalaram vários momentos da minha vida e dos meus amigos.

E na primeira parte do livro somos apresentados a um garoto frágil, cheio de habilidades artísticas (em especial, plásticas), muito ligado à família. Tanto que fica extremamente abalado com o divórcio dos pais. O que parecia ser uma família normal vira um pequeno pedaço de inferno - os pais iniciam um período de animosidade que não termina nem com a morte de Kurt.

O divórcio abalou profundamente o garoto. Ele se sentiu rejeitado pelos pais e tentava, de todas as formas, chamar a atenção deles. Viveu durante o tempo com o pai, em harmonia, mas quando ele se casou novamente, Kurt enxergou a nova família como usurpadora do pai. Aí teve início uma série de conflitos que só terminaram pouco depois que Frances, a filha de Kurt, nasceu. Com a mãe a relação também ficou difícil, mas melhorou ainda no fim da adolescência do garoto.

Enquanto atormentava seus pais, Kurt tentava se encaixar no mundo. Sempre teve habilidade para artes e nenhuma para ser um estudante convencional. Começou a tocar guitarra e a escrever obstinadamente. Seus diários formaram uma importante base de pesquisa para Charles Cross, o autor do livro.

Kurt viveu como errante, morando em várias casas de amigos, em carros, dormindo em salas de esperas de hospitais enquanto não tinha teto. Enquanto isso, insistia em montar bandas. Escrevia letras, estudava instrumentos, escolhia bateristas e lutava para sobreviver da música.

Do uso do álcool e da maconha, Kurt passou a outras drogas e se viciou em heroína. O abuso da droga foi responsável por sua derrocada. Courtney Love, sua esposa, também era viciada, mas pela filha Frances segurou a onda por mais tempo. Como pais, os dois eram estranhos. Vinham de histórias familiares de abandono e desamor, e decidiram ser extremamente amorosos com a filha. E eram. Porém, os dois se drogravam muito, mesmo com a menina ainda bebê.

Kurt queria muito o sucesso e, quando o encontrou, não sabia o que fazer com ele. Cross conta que ele sofreu várias overdoses de heroína e Courtney era a responsável por reanimá-lo, quase como uma enfermeira especializada. No início de 1994, ele tentou se matar tomando 60 comprimidos fortes, que usava para aliviar as dores da abstinência de heroína. Foi encontrado com vida e levado ao hospital. Pouco tempo depois, Courtney resolveu tratar o vício e ele foi praticamente forçado a se internar. Porém, fugiu do hospital, voltou para casa e, com uma espingarda, se matou.

A história é bem conhecida. Porém, no livro, Cross traz detalhes muito interessantes sobre a personalidade de Kurt, especialmente com os textos tirados de seus diários. Seu comportamento destrutivo pode ser "justificado" pela vida que ele teve? Talvez essa seja a grande pergunta do livro, que fica aberta para o julgamento o leitor. É uma leitura tensa, triste, mas muito boa.



segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Você me lembra...

Que minha memória é péssima, todo mundo sabe. Que eu tenho dificuldade de lembrar de rostos, também. O que nem sempre eu conto é que, para me lembrar do rosto de alguém, eu costumo buscar alguma característica marcante - tipo a cor ou o formato dos olhos, uma pinta, uma cicatriz. Isso é mega #fail. Daí, eu também tento associar um rosto ao outro - Fulano me lembra Beltrano e tal, o que também é terrível e dá margem a vários erros. Um dia eu conto.

O que eu quero falar hoje é sobre coisas/pessoas/músicas que me lembram outras coisas/pessoas/músicas/etc. São coisas completamente sem nexo, claro. Mas fazem sentido dentro da lógica louca que eu mesma criei.

- Talco de bebê Johnson me lembra meu avô. É um cheiro que não existe mais, mas que eu ainda sinto quando entro no quarto dele.
- Lima Duarte (o ator mesmo) também me lembra o vovô. É o mesmo jeito de passar a mão pela careca.
- Lisboa me lembra farofa (não sei o motivo).
- A marca Abercrombie me lembra o Bruno.
- A música Garçom, do Reginaldo Rossi, me lembra o Luk, meu cunhado (longa história).
- Strogonoff me lembra a Margá, minha sogra.
- Biscuit me lembra Tia Vera.
- A música More Than Words me lembra a 8ª série.
- O disco Almanaque, do Chico Buarque, me lembra da Luciana, minha madrinha de crisma.
- O playground do Verona me lembra muita coisa boa.
- Bicicleta me lembra liberdade.
- O Ray Coniff me lembra o cabelo da vovó (ela não gosta disso, heim?)
- Rabanada me lembra que há algo de bom no Natal.
- Chico Buarque me lembra que ainda há vida inteligente na música brasileira.
- Piracanjuba me lembra acolhimento. Deve ser por isso que gosto tanto de lá.
- Zeca Baleiro me lembra São Luis.
- São Luis me lembra que é preciso ver as coisas pelos nossos próprios olhos.
- Holograma me lembra... ah, deixa pra lá. Melhor não comentar.

Tem mais coisas, claro. Vou anotar o que mais vier.

sábado, 26 de novembro de 2011

Filme: Juventude Transviada

Rebel Without a Cause - 1955 (mais informações aqui)
Direção: Nicholas Ray
Roteiro: Stewart Stern, Irving Shulman
Elenco: James Dean, Natalie Wood, Sal Mineo

James Dean é praticamente uma unanimidade. E Juventude Transviada, um dos seus três filmes, é intenso e muito bem feito.

Quer saber mais? Vai lá no Cinema de Buteco! O texto está aqui.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Piracanjubando #4

Já falei do que teve (piadas internas), das flores, dos bichos. Falta falar das comidas. Gente, como se come em Piracanjuba! Sorte é que a Margá, minha sogra querida, fotografou quase todos os pratos dos dias de festa.

[Pra ver ao som de Feijoada Completa, do Chico Buarque]

O início da feijoada

Não alimente os micos! Eles adoram bolinho de arroz

A laranja pra feiju

Vinagrete

Farinha piracanjubense da melhor qualidade

Feijoada pronta. Tinha da completa e da light

Pães (quem quer pão, quem quer pão, quem quer pão pão pão pão)

Arroz. Até que assim, na foto, é bonitinho

Couve refogada... hum....

Teve churrasco quase medieval

Meio da asa goiano

Teve até tropeiro, olha que delícia!

Abacaxi com hortelã, pra refrescar

Arroz completo, prato lá de Goiás (que eu passo longe, pq tem arroz)

Guariroba. Tem gente que adora.

Churrasco

Sundae, pra mim

Teve muita pamonha também. E, gente, não existe pamonha melhor que a de Goiás. Nenhuma daqui de Minas chega aos pés da goiana.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Filme: O preço do amanhã

In time - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Andrew Niccol
Roteiro: Andrew Niccol
Elenco: Justin Timberlake, Amanda Seyfried, Cillian Murphy

Em um futuro não muito distante, os avanços da tecnologia médica conseguem fazer com que as pessoas mantenham a mesma fisionomia que tinham aos 25 anos. Maravilha, não? Só que isso tem um preço: quando se para de envelhecer, tem-se apenas mais um ano de vida. E o tempo passa a ser a moeda dessa nova era: os ricos têm mais tempo; os pobres trabalham para conseguir mais alguns poucos dias de vida.

Nesse mundo louco está Will (Timberlake) que, além de buscar mais tempo de vida para si, procura dividir seus ganhos com Rachel, sua mãe. A vidade está dividida em guetos, chamados meridianos, setorizados pela quantidade de tempo que seus habitante possuem. Os ricos têm mais de mil anos, devidamente registrados em um cronômetro regressivo brilhante que vive no braço esquerdo das pessoas desde o nascimento. Nesse mundo, a violência está no roubo de tempo - mata-se por mais alguns dias de vida. Por isso, os meridianos são muito bem controlados e os ricos só saem de casa acompanhados por seguranças armados.

Em um lance inusitado, Will ganha um século de vida e planeja dividir com o amigo Borel e com sua mãe. Mas ela acaba morrendo, segundos antes de receber o tempo extra do filho, que decide se vingar dos ricos. Destaque pra musiquinha do cassino, de Tom Jobim, que não é Garota de Ipanema, enfim.

O roteiro é cheio de buracos. A começar, pela morte de Henry Hamilton, o milionário que ajuda Will. Uma câmera na rua flagra Will perto de Hamilton, minutos após o rico pular de uma ponte. Por conta dessa imagem, o protagonista é tido como o assassino do milionário. Curioso é que a mesma câmera não filmou o suicídio do amargo senhor de 105, desiludido com a vida quase eterna. Ao ser tido como um assassino, Will passa a ser perseguido pela Polícia do Tempo.

Outra questão estranha é a contagem do tempo. Emuma cena, Will é deixado com cerca de duas horas de vida. E nesse tempo, ele faz tanta coisa e se passa tanto tempo - com o dia acabando, o sol nascendo, uma corrida no estilo Corra, Lola, Corra e muita "ação" - que fica tudo inverossímel. Até mesmo para uma história tão maluca. 

Amanda Seyfried é Sylvia Weiss, filha do todo-poderoso dono das empresas Weiss, está sofrível. Ela não tem expressão alguma, seu rosto é o mesmo em todas as situações do filme - uma espécie de Cigano Igor. Sua história com Will é praticamente a de Bonnie e Clyde, mas beeeem menos convincente. Aliás, clichê é o que não falta no filme. Principalmente a pérola de Raymond Leon, personagem de Cillian Murphy: "Sou um agente do tempo. Não me interesso por justiça, só por coisas que podem ser medidas, dias, horas, minutos". E também: "Para uns serem imortais, os outros devem morrer".

Foi uma das bobagens que vi esse ano. Um argumento que é até interessante, mas que ficou com um roteiro falho e com atuações bem mais ou menos. Nem o Justin, que estava se mostrando um ator interessante, parece acreditar no personagem que está vivendo.
 
Imagine a decepção que senti quando o filme terminou. Imagine que, ao sair da sala de projeção, escuto alguém dizer: "Este foi o melhor filme que vi na minha vida". Pois é...


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Piracabjubando #3

Já mostrei as flores da D. Lídia. Agora é a hora de mostrar os bichinhos que vivem lá. O destaque da vez são os filhotinhos da Java e o pássaro azul que veio nos visitar durante uma madrugada muito divertida. As fotos são do Bruno Portella.



Jade, nascida em 11/09/2001. Fofa!

Filhotes da Java, olha que delícia!

Filhotes da Java, olha que delícia!

Com a Margá


Olha que lindeza o focinho dele. Amei!

Ah, se eu pudesse ter mais um...

Foram 5 machos e 1 fêmea. Esta vai ficar com a família

Fala se não dá vontade de apertar?

Filhotinhos de pombo também no jardim

O solitário pássaro azul da madrugada

domingo, 20 de novembro de 2011

Filme: Gigantes de Aço

Real Steel - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Shawn Levy
Roteiro: John Gatins, Dan Gilroy
Elenco: Hugh Jackman, Evangeline Lily, Dakota Goyo

O ser humano parece ter um apreço especial por brigas, sejam elas cruas e sem regras até as "organizadas" e tidas como esporte, como a greco-romana, o boxe, o sumô e o recente MMA, isso sem falar nas abomináveis brigas de animais, como as rinhas de galos, outras aves e cachorros. Hoje é comum nos encontros de estudantes de automação as guerras entre robôs. Tive a oportunidade de assistir a uma dessas disputas e é realmente divertido, ainda mais quando se pensa que o prejuízo aqui é só material - ninguém se machuca.

Os roteiristas de Gigantes de Aço ampliaram o princípio das lutas dos robôs de estudantes a poderosass máquinas criados especialmente para disputar em um ringue qual o mais forte e mais preparado para a luta. Com esse mote, buscam falar de jornada interior, redenção, aceitação, luta por ideais e tantos temas comuns no cinema.

Estamos em 2020. Hugh Jackman é Charlie, um decadente controlador de robôs de luta que está endividado. Aceita lutas em rodeios e guetos apenas pelo dinheiro, mas vê sua máquina ser destruída. Enquanto foge de mais um credor, ele é avisado de que sua antiga namorada morreu e que ele precisa comparecer a uma audiência para discutir a guarda de seu filho com ela. Tudo o que ele não quer, neste momento, é um filho. Mas precisa de dinheiro e acaba fazendo um acordo financeiramente vantajoso com o marido de sua cunhada. Para isso, só precisa ficar um mês com Max. O garoto, que adora as lutas entre robôs, percebe que foi negociado pelo pai e inicia com ele uma relação tumultuada.

As cenas iniciais, em que Charlie viaja sozinho por estradas desertas, levando seu robô para apresentações, contrasta diretamente com as que ele e Max procuram novas lutas nos circuitos oficial e paraoficial. Charlie, com a companhia de Max, passa a ser confrontado com sua arrogância e prepotência, enquanto o garotinho, que parece ser mais maduro que o pai, dá a ele pequenas lições de vida, baseadas, ao mesmo tempo, em humildade e impetuosidade.

 Os robôs, apesar de lindos, brilhantes e cheios de tecnologia, trazem um quê de Mad Max e de Rocky 1. Eles são da 3ª geração - os da 1ª, ensina Charlie, deveriam ser o mais parecidos possível com os humanos. Além de máquinas de briga, tratados como celebridades, os robôs também servem como bengalas na união de personagens da trama. São eles que fazem com que as relações entre Charlie, Max e Bailey (Evangeline Lily) fique mais suave. O robô de Max, Atom, é quase humano. Consegue expressar emoções, como determinação e empatia.

Mas no final, o filme é só um apanhado grande de clichês sem apresentar nada de novo ou de emocionante. Nem a relação de Atom e Max consegue emocionar. Nem o bonitão Hugh Jackman empolga.

E tem a pérola: Charlie compra um robô usado, que já foi campeão. Em sua caixa, adesivos com os vários lugares por onde a máquina passou: Japão, Estados Unidos e outros países. Entre eles, Brasil e São Paulo. Isso aí, São Paulo como um país... E, de quebra: "Os brasileiros são loucos por essas coisas de controle". Tsc, tsc...


Piracanjubando #2

A festa em Piracanjuba gerou muitas imagens legais. A primeira parte sãs as fotos do jardim da D. Lídia. São de autoria do Bruno Portella Borges, um primo muito querido e extremamente talentoso. Ele estava com uma câmera Nikon D3100 e fez fotos muito bacanas.

















Isso tudo só no jardim de casa... imagina o que o Bruno ainda vai registrar por aí! E hoje é aniversário dele. Ano passado, eu escrevi sobre a relação que nós temos. Um ano depois, nada mudou. Bruno, vc é importante demais na minha vida, viu? Bjo!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Filme: O Gabinete do Dr. Caligari


Das kabinettdes Doktor Caligari - 1920 (mais informações aqui)
Direção: Robert Weine
Roteiro: Hans Janowitz, Erich Pommer
Elenco: Werner Krauss, Conrad Veidt,Friedrich Feher, Lil Dagover

Texto novo no Cinema de Buteco, sobre um filme alemão que influencia a Sétima Arte até hoje. Para ler aqui.

Dormindo

É difícil admitir mas é verdade. Eu falo dormindo. Não discurso, não invento, não puxo assunto. Só respondo o que me perguntam de vez em quando ou saio com frases malucas vez por outra. Isso pode parecer um caso sério, mas no geral dá é margem pra histórias divertidas.

Como a que aconteceu em 2008, em Piracanjuba. Estávamos lá para passar o Natal e eu, pra variar, fui dormir cedo. Não sei se o que aconteceu foi quando o Leo veio se deitar também ou se ele acordou no meio da noite por causa de pernilongos - Leo e pernilongos não podem ocupar o mesmo espaço (Lei de Leo nº4). O fato é que acabamos conversando e eu devo ter falado uma bobagem qualquer. Como o senhor Leonardo já sabe que conversar comigo dormindo é furada, veio me questionar:

- Mas você está acordada ou está dormindo?

E eu:

- Ih, agora você está me confundindo.

E encerrei o papo.

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

Esta noite aconteceu de novo. Não consigo entender porque eu invento de beber, sendo que tenho enxaqueca e sou mega fraca. Acho que é a ilusão das férias (que já estão no fim). Saímos e eu inventei de pedir uma piña colada, pedindo pro garçom por pouco álcool. Bebi bem devagar, pra evitar problemas. Mas e o sono? Veio forte e lá fui eu dormir cedo.

De repente, acordo e falo algo que eu não digo quando acordo. Viro pro Leo e dou "bom dia".

Leo: - Que bom dia? É madrugada ainda!

Eu: É? Que horas são?

Leo: 3 da manhã.

Eu: Putz...

E voltei a dormir o sono dos justos que tiram férias uma vez a cada 10 anos. Pra acordar hoje, por volta das 10h, com uma dor de cabeça do cão.

Nota mental: não beber nunca mais!


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Livro: Cem gramas de centeio

Depois de alguns livros não muito empolgantes (A mina de ouro e Os quatro grandes), volto a uma das tramas típicas de Agatha Christie.  Dessa vez, o senhor Rex Fortescue, um investidor inescrupuloso, é morto logo após tomar um chá, pela manhã, em seu escritório. Em seu bolso foram encontrados 100gr de centeio. A autópsia revelou que ele havia ingerido o veneno taxina, que não estava no chá, mas em algo que ele ingeriu no café da manhã. O inspetor Neele assume o inquérito e se vê às voltas com a família de Fortescue e todos os seus dramas, que envolvem a briga de irmãos, casamentos não satisfatórios, golpe do baú, amantes, uma governanta impertinente e uma tia bastante rabugenta.

Enquanto Neele interroga os suspeitos que vivem na casa de Fortescue, o Chalé dos Teixos, a senhorinha mais bacana do mundo do crime dá as caras. Miss Marple chega na casa com seus casaquinhos de tricô e seu jeitinho de tia da galera. Acaba sendo convidada a se hospedar no chalé e ganha a simpatia de seus moradores. Conversando aqui e ali, ela encontra o responsável pelo assassinato de Fortescue e por mais dois crimes que também ocorrem na mansão.

Miss Marple reduz todo universo em que se encontra à vida que leva na vila de St. Mary Mead. É um jeito bem interessante de ver o mundo. Até porque as pessoas se parecem bastante e certos comportamentos realmente se repetem. Ela, por exemplo, se parece bastante com pessoas bem próximas de mim. 

Cem gramas de centeio traz um dos truques mais comuns da Dama do Crime: utilizar uma canção popular como ponto de partida de suas tramas. Dos que eu já li nesse estilo, os melhor são O caso dos dez negrinhos (atualmente chamado de E não sobrou nenhum) e Os cinco porquinhos.

Piracanjubando #1

Foram vários dias de festa, com muita gente bonita, legal, simpática, bem humorada e a família Borges, a mais legal do mundo. Vim embora com o coração apertadinho de saudade. Se a festa de 2010 (aqui, aqui, aqui e aqui) já foi tudo de bom, essa não deixou por menos.

Não dá pra contar tudo o que teve por lá, só um breve resumo. E sem fotos, porque tivemos um problema técnico que só será resolvido na próxima segunda.

Teve gente que:
- Infelizmente, ficou de fora, perdeu a festa e fez muita falta;
- Chegou antes da festa começar;
- Foi embora antes e fez muita falta;
- Chegou depois, mas aproveitou bem;
- Ia fazer toshca pra todo mundo, mas acabou não fazendo;
- Quis descobrir o que eu falei com Leo pra convencê-lo a ir dormir;
- Espalhou outra versão dessa história só pra me fazer ficar constrangida (né, Leo?);
- Se divertiu muito antes de dormir (e depois também!);
- Pediu socorro pro Chapolim Colorado;
- Chutou que era grande a chance do bebê ser menina;
- Respondeu que sim, uma chance de 50%;
- Trocaria tudo por uma cajuína;
- Errou a letra da música. Mas tudo bem, a gente não entende inglês mesmo... ou seria latim?;
- Observou bem as oportunidades;
- Recebeu a visita de um príncipe;
- Não entendeu onde o príncipe estacionou o cavalo e o que foi que a montaria comeu;
- Que não tirou uma música da cabeça ("mas tem que ser assim, pra ser de coração, não diga não precisa ah, ah, ah...")
- Desenterrou música de Erasmo Carlos;
- Não sabia onde iam ligar a luz da tenda;
- Respondeu que ligariam a luz na máquina de lavar (o Leo não é nada educadinho, hahahaha);
- Tomou mangada;
- Prometeu algo se tomasse mangada;
- Vai passar no vestibular poque o Thiago tomou mangada;
- Gritou: "Vai, entra, Leandro!";
- Gritou pro Leo ir mais pra cima e balançar, antes de comemorar porque entrou tudo;
- Enlouqueceu ao som de "Esse seu cabelo cor de ouro que me deixa louco";
- Descobriu novas funções para certo óleo artesanal que serve para tudo;
- Mudou de time - de Vila Nova pra Verdão;
- Botou a culpa na canela da cachaça;
- Acreditou que rabo de vaca não tem osso;
- Afirmou, categoricamente, que jacaré não é vaca, velho!.



E também teve:
- Show do Leandro, do Breno e da Marcela; da Amanda e do Pedro; do Pedro e do Leo; do Pedro e do Leandro; do Pedro, do Leandro e do Leo; do Pedro e do Thiago. Não necessariamente nessa ordem, não necessariamente o mesmo Pedro;
- O Marcelo com uma dúvida terrível sobre o que fazer com o Pedro;
- O Leo contando sobre sua traumática experiência com Playboy e pimentas;
- Bruno, Breno e eu fugindo em um momento estratégico;
- A Ana Sílvia dizendo que somos um time e temos de enfrentar tudo juntos;
- A gente aprendendo que a Tia Tânia é quem sabe tudo sobre as regras do jogo de buraco;
- Alguém que estava procurando meia hora de amor. Quem será?;
- Visita noturna do pássaro azul;
- Pequi, linguiça, leitoa, pamonha (hummmm...), feijoada, bolinho de arroz, empadinha, esfiha, quibe, tropeiro, arroz completo. E muito doce. Uns quilinhos a mais não fazem mal, né?
- A Java sendo acusada de ser uma mãe desnaturada;
- A Java provando pra todo mundo que de desnaturada ela não tem nada;
- A Java roubando leitoa da mesa;
- Muito aniversário de novembro (Telmo, Thiago, Carmelita, D. Lídia e Bruno);
- Falso aniversário em novembro;
- Sacanagem no Facebook do Marcelo;
- Os filhotinhos mais fofinhos do pedaço;
- A Luciana presa nela mesma;
- João Neto com uma seleção musical fina e estilosa no iPhone.


E o principal:
- Muito carinho, amor e atenção vindo dos anfitriões. Hospitalidade nota mil!
- Muito carinho, amor e atenção da família inteira;
- Muito riso, muita graça, muita coisa boa;

Viva Lilita!





domingo, 13 de novembro de 2011

Filme: Antes da chuva

Before the Rain - 1994 (mais informações aqui)
Direção: Milcho Manchevski
Roteiro: Milcho Manchevski
Elenco: Katrin Cartlidge, Rade Serbedzjia, Grégoire Colin


Arrebatador é a melhor palavra para definir Antes da Chuva. Um dos filmes mais legais que vi, primeiro numa sessão do Cineclube do Museu da Inconfidência e, depois, em casa, prestando mais atenção ainda aos detalhes dessa produção belíssima e emocionante.

Mais um texto no Cinema de Buteco, que pode ser visto aqui.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pra hora da fome

Dia desses Leo e eu inventamos de fazer bruschettas. Sem procurar receita nem nada. Resolvemos fazer por instinto - instinto do Leo, que fique claro, porque eu não saberia fazer sem uma receita pra seguir.

Daí juntamos pão de sal (é difícil achar outro tipo de pão aqui perto de casa), tomates italianos frescos, manjericão, parmesão ralado grosso, pimenta do reino, sal e azeite. Pronto! Sem medidas certas, ficou tudo de bom.

Ingredientes

Montagem: muito parmesão

Antes de ir pro forno

Saindo do forno e pronto pra comer. Delícia!

É uma ótima entrada. Ou, até mesmo, um bom tira-gosto.