segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

52 x 5: Semana 50

Semana 50: Pessoas que eu admiro:

1 - Vovô Ney
2 - Meu padrinho, o Padre Mendes
3 - Vovó 
4 - Paulo, meu tio que eu não chamo de tio
5 -  Tio Geraldo
(e a arte de puxar a brasa pra sardinha das famílias Mendes Barros / Monteiro!)

domingo, 30 de dezembro de 2012

Livro: O segredo do oratório

Nunca tinha ouvido falar desse livro até o Fórum das Letras, quando a autora, Luize Valente, participou de uma mesa e era bastante ativa também na plateia. A mesa dela foi junto com a Luiza Geisler, de Quiçá, sobre "Como publicar o primeiro livro". No intervalo, comprei os dois livros e li na sequência. Esqueci de postar, mais por conta da correria do fim de ano do que por qualquer outra coisa.

Ioná é uma médica que mora em Recife, com interesse em descobrir suas raízes familiares. Ela tem a sensação de que pode ser uma genuína judia - e os judeus mais radicais só consideram assim quem nasceu de mãe judia. Ela precisa dessa confirmação para resolver uma pendência pessoal. Ela entra em contato com a professora Ethel, especialista em judaísmo, e com Ana, jornalista e assistente da professora. Ana e Ioná partem em uma pesquisa para tentar descobrir se a família da médica faz parte dos chamados Cristão Novos, judeus forçosamente convertidos ao cristianismo, mas que guardaram as tradições religiosas em segredo. E há vários núcleos de cristãos novos no nordeste, em especial os judeus que vieram ao Brasil junto com os holandeses que se estabeleceram em Recife junto com Maurício de Nassau. Muitos ficaram no país como convertidos e alguns - a história diz que são 15 - foram para a América do Norte e fundaram a cidade de Nova York. O percurso de Ana e Ioná envolve pesquisa documental, conversas com familiares no sertão da Paraíba e os caminhos deixados por Tia Ioná, uma senhora que morre antes que a protagonista consiga chegar a ela e perguntar claramente por sua origem.

Há dois romances no fundo, e é curioso como eles, tão leves, mas tão lindos, conseguem ser bem mais intensos do que toda a trilogia 50 Tons. E bem mais críveis, pode ter certeza. Mesmo que um personagem desses romances pouco apareça na trama.

Luize Valente comentou, na mesa do Fórum das Letras, que escreveu um livro leve, com capítulos curtos, e que imaginava o leitor como um passageiro de aeroportos, alguém que lê mas precisa também estar atento a outras coisas, e não teria paciência para capítulos longos. De fato, é um livro fácil de ler, mas nem por isso é um livro bobo. A história é envolvente, eu terminava um capítulo querendo ler outro em seguida. E, assim, venci as 310 páginas bem rápido, até mesmo para quem não tinha tempo pra nada em dezembro.

Gostei muito. E parece que não só eu. Li que O segredo do oratório será traduzido para a Holanda. E olha que é super difícil que um livro brasileiro seja traduzido...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Revisitando 2012

2012 está indo embora e, no geral, não foi um ano bom. Óbvio que aconteceram muitas coisas boas, mas se pesarmos o bom e o ruim, o lado mau veio com uma força enorme. Talvez pra contrabalancear com 2011, que foi muito bom. Foi um ano em que consegui realizar algumas coisas, como o sonho de voltar a estudar. Mas, ao mesmo tempo - e talvez por causa da volta à faculdade - vi menos filmes, li menos livros. 

Mas vamos ao que interessa, a retrospectiva 2012.

Tudo começou com o Reveillon com os amigos. Foi muito divertido, mesmo o meu petisco dando errado (e ainda não tomei coragem de refazer, para acertar o tempero). Estar com os amigos é uma delícia! mas foi voltar pra casa e o ano mostrou as garras. Aqui em Ouro Preto tivemos inúmeros pontos de deslizamento. O maior deles foi o do Morro do Piolho, em frente à rodoviária, que desceu com força, soterrou parte do prédio e matou dois taxistas que esperavam o último ônibus do dia. Falei disso aqui e aqui, quando contei sobre a tamareira que tínhamos no quintal e como ela pressionou o muro, com a ajuda da chuva. Talvez a chuva e suas consequências tenham contribuído para que eu ficasse triste o ano inteiro.

Bem no começo do ano quebrei a mão e visitei Lavras Novas novamente, com os pais do Leo, a Flavinha e os amigos Lauro e Jean. Teve um visitante inesperado no meu quarto (continuo negando essa história, hahaha).

Mais pra frente, teve o concerto maravilhoso da Orquestra Ouro Preto e Alceu Valença. Fiquei na pilha pra comprar ingresso, fui das primeiras a entrar no GLTA. Foi uma das apresentações mais emocionantes. Músicas lindas, o Alceu e seu vigor, a Orquestra e sua beleza. No meio do ano, no Festival de Inverno, revi a apresentação dos Beatles, desta vez ao vivo. Antes, só tinha visto pelo DVD, pirando, porque é maravilhosa também.

Este ano conheci pessoalmente a Bel, essa pessoa linda, fofa e animadíssima, e o Cau, o marido dela. Vindos de uma viagem a Argentina e Uruguai, passaram uns dias aqui em OP. De quebra, ela me ensinou a fazer um macarrão muito bom (tem mais aqui). Teve oficina no Festival de Inverno, de novo. Dessa vez, o tema foi Rostos do Ofício, e foi uma delícia fazer.

Teve um retorno a Carrancas (aqui, aqui, aqui e aqui), dessa vez com amigos, numa viagem divertidíssima, com muitas lembranças boas. Fiz uma tatuagem. Quase pirei quando li Antígona. Houve um acidente com o Paulo e eu quase morri de medo de perdê-lo (mesmo que tenha tudo terminado bem, afinal). Não fui pra Piracanjuba em novembro. E se eu não fui, a festa de novembro não aconteceu. Por favor, não me contem como foi.


Teve festa junina, teve festa de Halloween. Entre as duas festas, teve algo que me tirou do sério. Mas, ao menos, me mostrou que preciso desprezar o que é pra ser desprezado, ignorar o que é pra ser ignorado. Não consegui concluir meu Desafio Literário. Cuca tem uma escada para subir na cama e uma dor de coluna provavelmente sem cura. Comecei a fazer quebra-cabeças. Ganhei alguns deles no fim do ano (depois conto mais). Cheguei à conclusão de que gente ruim sempre será ruim. Conheci os perigos de uma história única.

Passei o melhor Natal desde 1992, com a família mais linda do mundo. Ainda vem o Reveillon, de novo com os amigos. E pedidos para que 2013 seja bem melhor que 2012. 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Debaixo da mangueira

O Natal passou, com a família mais legal do mundo, em Piracanjuba (GO). Como sempre, estar com os Borges é um aprendizado constante. Novos conhecimentos agora fazem parte da nossa vida.

Aprendemos que:

- Debaixo da mangueira somos todos necessários.
- Debaixo da mangueira também somos todos alvos das mangas suicidas.
- O Caramelo, de inocente, só tem a cara (e que carinha mais linda!)
- Quando se tem vontade de fazer tatuagem, há um meio de evitá-la. Pergunte ao Telmo!
- Há duas espécies de vizinhos: o que escuta tudo e o que reclama.
- Não é preciso saber pra que lado é a esquerda e pra que lado é a direita. Basta decorar um lado só e ignorar o outro.
- A referência da cerveja na geladeira nunca pode ser só "da esquerda" ou "da direita". Porque vai que tem alguém que não bebe e não entende que a melhor garrafa está sempre no congelador.
- Finalmente, Leo fez 33 anos. E nós já sabíamos: 33 é mais apropriado.
- Um Valdo + um Valdo = Os Valdo.
- Um amigo oculto é alto; o outro está alto.
- Há amigos que não são ocultos!
- Algumas comidas são do Queridinho, outras são Putasso.
- Certos feirantes conhecem há anos o pepino do Queridinho.
- Sempre há espaço pra uvas. Ou para uma parreira.
- Até mesmo o Batmóvel fica na estrada com o motor fundido (ou seria fudido?).
- Nem toda Ambrosia é feita com ovos de Paracatu.
- Algumas impressoras causam muito ciúme.
- No fundo, no fundo, a Lulu gera mais ciúme que o Queridinho.
- A planta do jardim, ao fim de tudo, é igual ao patinho feio: todo mundo achando que era uma coisa, mas era outra. Ufa!
- E tudo-tudo-tudo-tudo em sete vezes... mas é impagável.

A famosa mangueira

Fazendo turismo na pracinha

Caramelo no portão

Caramelo e a carinha de inocente

Os heróis sem carro

Breno de War Machine

Leo de War Machine

O patinho feio

Uvas na parreira
  
Portella Borges (Faltou o Breninho)

A tradicional foto contraste

Melhor Natal, impossível.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

52 x 5: Semana 49

Semana 49: Lugares no mundo que eu gostaria de conhecer:

1 - Florença
2 - San Gimniano
3 - Outros recantos da Toscana
4 - Dublin
5 - Ilha da Madeira

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Malas prontas

Começa hoje o meu rumo pro Natal. Vai ser impossível deixar a saudade do vovô fora da mala. Vou tentar ressignificar (palavra que a minha analista adora) e me entregar aos momentos especiais com as pessoas que eu amo.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Livro: Quiçá

Conheci Luiza Geisler na Fórum das Letras. Já tinha ouvido falar dela, a garota de 21 anos que ganhou dois prêmios nacionais de literatura e uma indicação pela revista Granta como uma das mais promissoras escritoras jovens do mundo. Em sua palestra, no evento, Luiza falou sobre "como publicar o primeiro livro", de um jeito muito descontraído, bem próximo da plateia. Terminada a palestra, comprei o livro.

Com Quiçá, Luiza ganhou o Prêmio Sesc de Literatura 2011, na categoria Romance. No ano anterior, ela ganhou com o Contos de Mentira, na categoria contos.

O livro conta a história de Clarissa, de 11 anos, filha única de pais que só trabalham e não têm tempo pra ela. Sozinha, ela cuida do gato, almoça, vê televisão, faz aulas de natação e de piano. E seu mundo é abalado com a chegada de Arthur, o primo de 18 anos, saído de uma clínica psiquiátrica após ser internado por tentar suicídio. Ela encontra no primo uma vida nova, com,coisas que ainda não compreende, com outras que quer conhecer e ainda as que quer afastar. Arthur é misterioso, independente, questionador. Procura sempre a companhia da prima, é carinhoso, é a família que ela gostaria de ter.

Um ano de contato entre os primos culmina no almoço da Natal.

A narrativa é fragmentada, sem tempo definido, sem passado, sem presente, com um vislumbre de futuro. As banalidades da vida vão saltando aos olhos, enquanto Clarissa flutua entre os pais, o primo, o gato, o dia, o ano, o almoço de Natal.

A leitura é rápida e gostosa, e deixa aquele gostinho de quero mais. Deu vontade de ler os Contos de Mentira e o livro que ela ainda vai lançar. Mais que isso, deu vontade de escrever como ela.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

52 x 5: Semana 48

Semana 48: Nunca tive coragem de...

1 - Experimentar comida japonesa que contenha arroz (já experimentei sashimi e salmão e foi o suficiente)
2 - Pular de bungee jump
3 - Correr uma maratona
4 - Voltar pra um certo lugar aí
5 - Ter um gato

sábado, 15 de dezembro de 2012

Acabou!!!

Finalmente, acabamos de montar o quebra-cabeças dos peixes. Custou, ficou uns dias parado em BH, outros dias parado aqui. Teve dias em que ficamos poucos minutos por conta; em outros foram algumas horas. No penúltimo dia, eu não conseguia mais raciocinar, e faltavam pouquíssimas peças. Eis que, no último domingo, terminamos tudo.

Eu amei!

Pena que vieram quatro peças a menos e três a mais, que não encaixam em lugar nenhum. Entrei em contato com o fabricante para pedir as peças que vieram faltando. Eles não fazem reposição, mas vão me mandar um novo quebra-cabeças. Sinceramente, gostaria que fosse outro produto, não o mesmo.

Agora é juntar forças pra fazer o mapa medieval de duas mil peças.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Os perigos de uma história única

Segunda-feira foi a última aula da disciplina A questão do autor na Literatura e na Filosofia. Foi muito bacana ter feito essa aula. Escrevi um trabalho que me fez ficar emocionada (e receber um e-mail tocante, como contei aqui). A profª. gostou tanto que resolveu editar os trabalhos em forma de livro. Se tudo der certo, vai ser uma edição caseira, do autor, mas não deixa de ser um livro. O primeiro!!! Ofereci meu trabalho de diagramação e projeto gráfico, chamei o Leo pra fazer a capa. Vamos ver no que vai dar, torçam aí!

Nessa aula, um dos colegas comentou que tinha visto um vídeo muito bom no youtube. Anotei o nome e fui procurar depois. E, olha, foi um achado! Fiquei muito emocionada com o vídeo, com a participação da escritora nigeriana Chimamanda Adichie no TED. Acho que merece ser visto e divulgado. O nome é Os perigos de uma história única, e dá o que pensar.



Perfeito!

Citações 26

De Santo Agostinho, no livro A Trindade:

Há uma dedicação maior àqueles conhecimentos dos quais não se considera impossível a aquisição. Pois aquele que não se alimentar de esperança de alcançar o que se propõe, ou amará frouxamente, ou nem mesmo amará, embora perceba a sua beleza.


Isso é a beleza da Filosofia. No início da era cristã, Santo Agostinho já explicava o motivo da minha não-adesão às aulas de Semiótica, nos fins do século XX. E hoje eu me arrependo demais disso.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Quem fala muito...

Então hoje vovó me conta que conversou com uma certa pessoa aí que eu definiria como FDP, mas de quem vovó gosta muito. Sabe-se lá, todo mundo tem um pouco de mau gosto mesmo.

O fato é que essa pessoa reclamou um tanto de um dos filhos. Ela disse que ele é uma pessoa muito fechada, que não conta nada do que faz, do que pensa, do que quer. Aí a sujeita solta a pérola: "Errei na educação dos meus filhos, passei muito a mão na cabeça deles".

(Pausa pra respirar, antes que a ânsia vire algo de fato).

Vovó continuou a contar o caso, dizendo que queria rebater a afirmação, mas que prefere não discutir com essa pessoa. Leo completa, na lata: "Com gente doida a gente não discute". Pois é...

Fico pensando o que, pra essa fulaninha, é "passar a mão na cabeça" dos filhos. Se for permitir que eles fossem espancados quando crianças e adolescentes; se for incentivar o agressor a "colocar ordem na bagunça" por meio da violência física, moral e por ameaças; se for humilhar uma filha com problemas mentais, ameaçando-a com internações, trabalhos inapropriados e "vou contar para o seu pai" e etc., queria saber como seria se a FDP não passasse a mão na cabeça dos filhos...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

52 x 5: Semana 47

Semana 47: Quando estou apaixonado(a) eu...

1 - defendo a pessoa amada até a morte - mexeu com ele, mexeu comigo. No geral, isso funciona pra todas as pessoas que eu gosto. Mexe com elas pra ver! 
2 - costumo acreditar que todo mundo é legal
3 - não fico boba
4 - não falo igual criança, fazendo papel de imbecil (desculpa aí quem faz isso, mas acho mega brega)
5 - quero aproveitar bem o tempo em que estamos juntos

domingo, 9 de dezembro de 2012

Eu sofro de TPN

A pior vez em toda a minha vida foi quando fui a Gramado, em novembro. Fiquei com overdose de Natal por três anos seguidos.

Um ótimo texto sobre a Tensão Pré Natal (TPN), do Bruno Medina, aqui.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Quebrando a cabeça

Em meio a discussões acaloradas sobre a minha falta de foco (da qual já falei aqui) brinquei com a Flávia, minha analista sobre a forma como conto pra ela o que acontece comigo, tudo fragmentado. Como aquele jogo "Ligue os pontos", disse que eu jogava um monte de pontos e que ela se encarregava de ligá-los. Falamos muito sobre essa fragmentação e como eu faço pra juntar esses cacos e formar alguma coisa com eles.

Um fim de semana depois, lá estava eu invejando o quebra-cabeças da Fabi e do Lauro. Eles estavam montando um de mil peças, do Romero Brito. Invejei mesmo! Leo e eu compramos uma caixa pra gente, com três: um de 250 peças, um com 500 e um com mil., Começamos o com mil e, claro, não o terminamos. Compramos, depois, um porta-puzzle para liberar a mesa da casa dos pais do Leo e deixamos o de mil peças lá. Trouxemos o de 250 e, no fim de semana seguinte, o de 500.

Acabei me encontrando nos puzzles. Como se toda aquela fragmentação de que conversei com a Flávia precisasse só ser canalizada para um único lugar, que é o de colocar as coisas em ordem. Óbvio que não percebi isso sozinha. Foi só na outra sessão de análise, quando a Flávia me fez cair na real. O fato é que me debruçar nos puzzles tem ajudado muito a melhorar aquele estresse (diagnosticado por dois médicos) que me acompanha há quase dois anos.  E, ultimamente, tenho mesmo precisado desestressar.

Enfim, qualquer puzzle para adultos é bem vindo. Em especial os de obras de arte, os mais lindos de todos.

250 peças grandes

500 peças médias

1000 peças pequenas



Achei, aqui em casa, um de 2.000 peças, mas ainda não tenho espaço para fazer (pequena reforma tumultuando o ambiente, hehehehe). Mas preciso terminar o dos peixes antes!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Pílulas do momento #1

Talvez por preguiça de reativar o Tumblr que nunca vingou, fiquei dias pensando em um nome para uma tag de pequenas infos sobre a vida, o mundo e outras coisas. Saiu esse "Pílulas do momento", que adoto a partir de agora. É o nome que usarei para fazer aqueles "não-post" e aquelas listas de coisas quando não há tempo para elaborar um texto decente. Vamos lá!

1 - Enlouqueci com as disciplinas isoladas no Mestrado. Conversei com uma das professoras e contei pra ela o que eu pretendia estudar. Ela me disse, na lata, que meu problema era jornalístico, não filosófico. Balde de água fria! Para aprender a pensar filosoficamente, resolvi voltar pra graduação. Tentei a entrada como Portador de Diploma de Graduação (PDG) e fui aprovada, para o semestre 2012.2 (por conta da greve, as aulas começam só agora, humpf...). Ou seja, voltei de verdade pra universidade, e estou muito feliz (e assustada) com isso.

2 - Vovó finalmente está usando aparelhos auditivos!!! TODOSCOMEMORA!!! Há anos ela vinha perdendo a audição, mas não queria ir pra BH se consultar com meu sogro. Concordo, a viagem é bem cansativa pra ela, com todos os problemas de coluna e joelho. Mas isso prejudicou muito seu bem estar. Ela assiste televisão o dia inteiro, sempre no último volume. E como só tenho a noite para ficar perto dela, lá ia eu, de livro ou computador em punho, ficar na sala, com a TV berrando. Isso contribuiu, claro, pra minha birra com a TV. Agora, finalmente, vovó decidiu ver um otorrino aqui em OP mesmo, e já está com o aparelho nas duas orelhas (pois é, não se usa mais falar ouvido!). O volume de tudo diminuiu. A TV está plenamente audível. Podemos conversar com ela sem gritar. A vida está mais colorida, porque isso vai ajudar até mesmo no processo de depressão dela. Ufa!!!

3 - Pela primeira vez, participei do Fórum das Letras, um evento literário que acontece em OP há oito anos. Sempre estava viajando na realização do Fórum, e dessa vez calhou de participar. Foi ótimo. Adorei, participei de quase todas as ações, menos da abertura, com a Nélida Piñon, e do encerramento, com João Gilberto Noll. Fui ao Ciclo de Jornalismo e Literatura todos os dias e também em todos os debates da oficina "Como se faz um livro?" (que não foi bem uma oficina, mas foi muito proveitoso). Escrevi sobre o Fórum no Bom Será, sobre como foi bacana ver alguns ídolos ali, bem do meu lado. Espero que no ano que vem (será em maio) eu possa participar de novo.

4 - Numa das aulas isoladas que faço no mestrado, o trabalho final teve o tema "Autobiografia Intelectual". Era para escrever sobre as leituras que fizemos durante a vida, porque as escolhemos e que caminhos essas leituras nos abriram. Pesquisei muito na minha memória super falha. Fiquei de setembro a novembro burilando esse texto, com informações que surgiam aos poucos (memória fragmentada é isso aí!). Mandei para a professora e recebi como resposta um e-mail perturbador: segundo ela, eu sou "uma escritora" e deveria partir, "quem sabe, para um romance". Óbvio que estou nas nuvens com isso, mas mantenho os pés no chão. Vou pensar em escrever um dia. Quem sabe, né?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

52 x 5: Semana 46


Semana 46: Parece que todo mundo sabe _______________, menos eu:

1 - Jogar videogame (não que eu não saiba, mas não tenho a mínima paciência pra isso, enquanto todo mundo tem e ama)
2 - Cozinhar
3 - Escrever bem
4 - Planejar  
5 - Organizar

sábado, 1 de dezembro de 2012

Livro: O Grande Gatsby

Talvez eu esteja redondamente enganada. Pode ser um preconceito absurdo. O fato é que eu não sou muito da literatura americana. É provável que eu tenha lido os autores errados (e a culpa, nesse caso, é de um livro do Sidney Sheldon que li na adolescência, que me fez ter pavor de autores, em bloco, como se todos fossem o Sheldon). Sendo assim, demorei bastante a me permitir ler americanos. O retorno foi com Dan Brown e seu O Código Da Vinci, que gostei mais como entretenimento. Li, em seguida, Anjos e Demônios, mas foi com O Símbolo Perdido que desisti de novo de ler americanos.

Isso posto, resolvi enveredar pelos autores que são considerados pela crítica - o público não estava me ajudando. O primeiro que peguei foi O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald. Facilitou a escolha o fato de que o livro virará filme, exibido, provavelmente, em 2013. Comecei a ler com o pé atrás. O fato é que tropecei.

O livro é lindo! Tem um narrador, Nick Carraway, que parece meio apagadinho no começo, só contando a história do vizinho, Jay Gatsby, e suas festas maravilhosas. Mas Nick tem um jeito todo particular de se inserir na história principal, que acaba por revelar: o amor de Gatsby por Daisy, prima de o narrador. Ela, casada com Tom Buchanam, consegue movimentar a história sem ser uma das personagens que mais aparece na narrativa. É por ela que o movimento maior se dá.

O livro é de 1924 e relata um pouco daquele tempo meio maluco, em que o cinema e a Broadway já eram referências de entretenimento, e uma burguesia luxuosa enchia os olhos dos trabalhadores, que sofriam com um calor absurdo, chacoalhando em trens, entre as várias regiões de Nova York.

Separei três trechos que achei bastante poéticos e inspiradores:

"Havia um mistério na casa, uma insinuação de quartos no andar de cima mais bonitos e mais arejados do que outros quartos, de atividades alegres e radiantes acontecendo nos corredores e de romances que não eram mofados e guardados em baús com alfazema, mas frescos e emocionantes, com o cheiro dos reluzentes carros do ano e bailes cujas flores ainda não haviam fenecido. Excitava-o o fato de que tantos homens já haviam amado Daisy - isto a valorizava a seus olhos. Sentia a presença deles por toda a casa, impregnando o ar com sombras e ecos de emoções ainda vibrantes."

"Deve ter olhado para aquele céu pouco familiar através de folhas assustadoras e estremecido ao descobrir que coisa grotesca é uma rosa e como a luz do sol parecia rude sobre a grama nascida havia pouco. Um novo mundo, material sem ser real, onde pobres fantasmas, respirando sonhos como ar, pairavam fortuitamente... como aquela figura fantástica de cinzas deslizando na sua direção através das árvores amorfas.

"E assim prosseguimos, barcos contra a corrente, arrastando incessantemente para o passado."

É de uma leveza e, ao mesmo tempo, de uma profundidade brilhante.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O desafio que se esvaiu

Em 2011, comecei um desafio literário, com o objetivo de me obrigar a ler um livro pré-determinado por mês. Em geral, leio mais de um livro por mês quando a maré está tranquila. Quando aparecem os tsunamis, a frequência cai assustadoramente. Os meses de desordem, em geral, vêm no segundo semestre. Isso aconteceu em 2001, quando subverti a ordem, pela praticidade de terminar a lista.

Agora, em 2012, estava sendo uma pessoa bem organizada e educadinha, lendo a lista proposta com quase nenhum atraso. Até outubro chegar. Porque teve mais trabalho, porque agora faço duas disciplinas isoladas no mestrado, porque surgiu um projeto que está me demandando bastante. Não dei conta, pedi arrego. Escolhi livros mais complexos, menos romances. Mais obras sobre cinema. E não consegui.

O livro e outubro era História do Cinema Mundial. Estou lendo ainda, bem devagar. Não cheguei à metade e já tenho muitas ideias sobre ele anotadas e grifadas. O de novembro, Bela Época do Cinema Brasileiro, continua na estante. O de dezembro, o romance A Servidão Humana, talvez seja o único que eu consiga ler ainda este ano, caso decida enfrentar a viagem de avião para Goiás com ele nas mãos.

Ainda estou pensando se vou repetir a dose em 2013 (caso haja 2013, nunca se sabe...). Se for, tenho uma certeza: apenas obras literárias. Porque vai ser um ano de muita leitura complexa, e só a literatura salva a mente da fundição completa. Continuo lendo, não parei. Só diminuí a frequencia, o tsunami de 2012 foi muito forte.

É muito ruim falhar. Mesmo que o desafio seja de mim para mim mesma...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Só uma palmada

Escrevi isso num caderno, não sei exatamente quando. Só que foi na época em que se discutia a lei da palmada. Achei e resolvi passar pra cá. Recomendo a leitura de outro post, em que linkei um texto da Ruth de Aquino, aqui.

A discussão sobre a Lei da Palmada está me cansando. Não que tenha havido alarde suficiente sobre o assunto - vi pouca gente comentando, na verdade. Tem gente que fala que vai dar palmada no filho sim,que é assim que se educa - antes ir contra uma lei agora do que contra o código penal inteiro no futuro. Tenha dó, né? É a palmada que evita que sei filho seja um marginal? É na base da palmada que ele vai aprender o que é certo e errado?

Eu sou a favor da Lei da Palmada porque aprendi - na prática - que porrada não faz de ninguém uma pessoa melhor. E porque a lei é necessária para ensinar a certos pais que filhos não são propriedade deles. 

Exemplo: um pai e uma criança de dois anos. A criança faz alfo que o pai considera um desrespeito. Ele dá um tapa na orelha esquerda da criança. A avó materna, que vê a cena, intervém e pede ao genro para não bater na cabeça da criança. O que o sujeito faz? Bate com a mesma intensidade na orelha direita. Vira para a sogra e diz: "filho é meu, bato na hora e do jeito que eu quiser".

Vamos analisar:
1 -Que consciência de vida tem uma criança de 2 anos para saber se está ou não desrespeitando alguém?
2 - O que é respeito?
3 - O sujeito acha que, porque colocou no mundo, a criança é propriedade dele. Desde quando, Brasil?
4 - A força de um adulto versus a fragilidade de uma criança. Não precisa comentar, né?
5 - Pessoa ainda sem consciência do que é o mundo e sem possibilidade de se defender. Mais uma coisa que nem precisa comentar. 

Mas - alguém pode dizer -, esse é um caso hipotético. Não, meus  senhores. É um caso real. Aconteceu na minha família, de classe média, com pessoas com educação formal. Eu ainda não era nascida, mas escuto minha avó contar, horrorizada até hoje com o fato. 

Palmada educa? Jamais. O que educa é o exemplo. Isso é claro como água. O que me fez ser uma pessoa "boa" hoje foi o que vi no meu avô, no meu padrinho, na vovó, na Tia Ylza, na Tia Leda e no Paulo. Nenhuma palmada (ou coisa pior) que eu sofri me levou a algo, a não ser dor, humilhação e revolta. São marcas que ficaram em mim e que até hoje me fazem mal. 

Há quem diga que a Lei da Palmada vai favorecer as crianças que já estão "se sentindo" por conta do Estatuto da Criança e do Adolescente, e que podem ganhar mais força no embate / combate com professores e pessoas dos Conselhos, diretores de escolas etc. É verdade? Sim, é verdade. É possível, sim, que isso aconteça. E que fique pior. Mas isso não é culpa da Lei da Palmada. É um problema de educação, de Estado. Há anos eu brinco que, para ser pai e mãe, as pessoas deveriam passar por um exame psicotécnico. É sério, tem muita gente parindo sem a menor condição psicológica para cuidar de uma criança. E são essas pessoas que acham que educar é bater. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

52 x 5: Semana 45

Semana 45: Lembra a minha adolescência:

1 - More than words - Extreme
2 - Wind of changes -  Scorpions
3 - Arnaldinum (saudades)
4 - Minha máquina de escrever
5 - Company e Nike

sábado, 24 de novembro de 2012

Filme: 007: Operação Skyfall

Skyfall - 2012 (mais informações aqui)
Direção: Sam Mendes
Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade
Elenco: Daniel Craig, Javier Bardem, Naomie Harris, Judi Dench

Nunca fui fã de 007. Nem quando ele era o Sean Connery. Isso significa que nunca tive paciência de ver um filme inteiro do personagem. Até gosto bastante de filmes de espionagem e essas maluquices a la Agente 86. Mas 007 não desce. Mesmo assim, lá fui eu enfrentar o cinema do BH SHopping numa sexta à noite pós feriado e pós tromba d'água enlouquecedora na cidade, para ver o Daniel Craig pagar de gostosão.

Basicamente, o filme fala sobre o conflito entre a espionagem convencional - e antiga - e os avanços tecnológicos, que permitem, por exemplo, que uma arma só seja disparada por uma certa impressão digital. E foi um momento tão tenso o da explicação sobre a arma que imaginei que sua participação no longa seria maior do que uma mísera tentativa de tiro por um vilão chinês que, quase ao mesmo tempo, é comido por um "dragão de comodo assassino e carnívoro". É aquela história da "pista e recompensa", de que o Pablo Vilaça fala (não consegui encontrar o link com esse vídeo). Acho que não deu muito certo aqui.

Voltando ao tema: os métodos de M. começam a ser questionados. A grande pergunta é se ela não estaria velha demais para enfrentar um mundo tão cheio de tecnologia. Os computadores do MI6, o serviço secreto britânico, são invadidos e os responsáveis pela segurança do prédio não conseguem descobrir de onde vem o ataque. Q., responsável pela gestão de segurança de informação, está sempre um passo atrás do grande vilão da trama, um ex-agente do MI6 ressentido com M., disposto a tudo para matar a simpática e implacável personagem de Judi Dench. Aí entra Bond, James Bond, provando ser leal a M., mesmo quando parte dela a ordem de atirar em uma mistura de 007 e vilão, numa briga besta em cima de um trem em movimento. Claro, 007 é atingido e dado como morto. Mas o atentado à sede do MI6 faz com que o herói abandone sua aposentadoria para provar como, sozinho, consegue derrotar meio mundo.

Duas coisas chamam a atenção em Skyfall. A primeira delas é o design de produção (a antiga direção de arte). As cenas na China, com destaque para o interior o prédio com muito vidro e o reflexos das luzes, e as cenas do cassino em Macau (tirando, é claro, a participação fundamental do "dragão etc"). As texturas e cores do cassino da Macau são muito bonitas, bom trabalho de composição e iluminação.

A segunda é a participação de Javier Bardem como o vilão Silva. O ator tem muitos recursos e apresenta um vilão caricato, mas não ridículo - apesar do roteiro não contribuir muito com a caracterização e história pregressa do personagem. No final das contas, ele faz um personagem louco, como o Anton Chicurh de Onde os fracos não têm vez, mas completamente diferente. Talvez, a única coisas em comum, fora a loucura, seja o cabelo ridículo. Será que vai virar tradição o Bardem em papel de vilão com cabelo estranho?

As aberturas de 007, em geral, me desanimam. Com esta não foi diferente. É tão... brega! A música, cantada por Adele, até é interessante. Mas sei lá, não combina. Não posso deixar de mencionar que o roteiro usou de alguns recursos já bastante manjados no cinema, como o momento "Os Vingadores" de Silva e a produção de "Esqueceram de Mim", protagonizada por M. e 007. Deu vontade de rir nas duas situações.

Conclusão: primeiro e último filme do 007 que eu vejo.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A escada

Uma das coisas ruins que este ano me trouxe foi ter de me confrontar com o envelhecimento da Cuca. Porque é inegável e irrevogável que ela está bem velhinha. Já são 11 anos de vida - o veterinário já a chama de senior. E isso tem doído à beça.

Começou com o olho. Uma manchinha branca ali, bem no meio. Essa manchinha foi crescendo até virar uma nuvem de tamanho considerável. Hoje, parece que o tamanho estacionou, mas não resta dúvida: catarata, nos dois olhos. Depois, o faro. Se a gente joga o biscoito canino que ela come todo dia no chão, ela demora às vezes mais de dois minutos pra encontrá-lo. E o ouvido... ele continua afiado, mas ela já demora mais pra escutar a porta da rua batendo ou um chamado de um local mais distante.

No fim de setembro, ela ficou doente. Voltou do banho semanal amuada, quieta, com cara estranha, sem brincar, sem pular. Não conseguia subir na cama ou no sofá. Não queria comer o Biscrock. Nem na ração ela tocava. Foi uma correria pro veterinário olhar. Ela chegou a ficar internada na clínica por um dia, em observação, e voltou pra casa do mesmo jeito. O diagnóstico: problema na coluna.

Aí, voltamos àquela instituição chamada "casamento". Quando Leo e eu resolvemos nos casar, meu entusiasmo era zero. O dele, era muito alto. Então, ele resolveu praticamente tudo. Eu só cuidei de marcar a igreja e evitar que o resto do mundo soubesse (mas claro, sempre há alguns espíritos de porco por aí). Leo comprou a maior parte das coisas que precisavam ser compradas, entre elas, a nossa cama. Eu sempre sonhei com uma cama japonesa, bem baixinha. Ele trouxe pra casa uma cama enorme, muito alta. Alta pra mim, altíssima pra Cuca. E a cachorrinha dorme com a gente. Ela aprendeu a subir de descer dessa altura toda em cima de um travesseiro que ficava ali no chão para amortecer as quedas. Mas não adiantou. Ela - e a coluna dela - estavam sofrendo do mal da cama-que-não-é-japonesa.

Pra resolver o problema Cuca versus cama, compramos uma escada para cães na Petescadas. No começo, a Cuca ficou bem receosa, mal chegava perto da escada, como se estivesse com bastante medo. Aos poucos, ela começou a entender a dinâmica da coisa e, hoje, só sobe e desce pela escadinha. Facilitou a vida dela, as dores de coluna diminuíram e ela pode ficar mais tranquila, mais à vontade, sem sofrer tanto.


Esse tapete horroroso aí foi o que achamos, na pressa, com antiderrapante. Facilita a subida e a descida.


Quatro degraus e pronto, ela está segura e sem dores.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sobre a felicidade (ou não)

Ontem, vovó veio fazer uma série de queixas e dizer que acorda, em certos dias, bastante melancólica, com muita tristeza. Conversamos sobre isso e, certa hora, ela me disse que não pode comparar a minha vida com a de outra pessoa porque tudo dá certo pra mim, e pra essa outra pessoa, quase nada dá certo. "Você é feliz, ela não", foi o resumo da conversa.

Foi preciso uma respiração funda pra dar conta de responder a isso sem ofendê-la. Mas não deixei de me posicionar.

Não, vovó. Felicidade plena é algo que não existe. Eu tenho vários momentos felizes entremeados entre outros nem tanto e certo número de intensa infelicidade. Porque amo meu trabalho, mas passo muito perrengue com ele. Porque vim de um núcleo familiar absurdo, que ainda me atropela em determinados momentos. Porque tenho recebido, ao menos uma vez por semana, um e-mail indesejado de uma pessoa da qual tenho pânico-pavor-horror e, até onde sei, não há nenhuma medida judicial para resolver isso. Porque há dias que uma tristeza infinda me absorve e vou chorar no quarto, com o rosto escondido no travesseiro.

E ela, surpresa, com os olhos bem abertos, me perguntava qual o motivo disso.

Isso, vovó, se chama vida. E por um respeito enorme a você, eu evito comentar meus momentos de luta, de tristeza, de fraqueza, de desespero. Não quero que você veja porque eu sei que compartilhamos vários pontos de dor. E se eu estiver triste por conta deles e você me vir chorando, sei que vai se entristecer também. E eu não quero te ver triste. Já basta a sua idade, já basta ter visto quase todos os seus irmãos morrerem, já basta a tristeza enorme que a sua filha te causa. Não preciso alimentar isso.

Ela, de novo: "mas você parece tão feliz!"

Pareço sim, vovó, porque eu tenho muitos momentos felizes. Muitos. Tenho você, Tia Ylza e Paulo, mesmo com todos os problemas de cada um. Tenho o Leo, que é o que de mais feliz a minha vida traz. Trabalho com o que gosto, estudo, leio e vejo o filmes que quero. Tenho amigos lindos, com quem posso contar. Mas a vida, vovó, não é só felicidade. São momentos que se alternam (Freud já falou sobre isso no início do século passado, mas sei que você não vai entender). E é justamente isso que faz as coisas ficarem interessantes.

Vovó me acha uma pessoa plenamente feliz. Isso porque ela não tem Facebook. Imagina se tivesse...


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

52 x 5 - Semana 44

Semana 44: Meus vilões preferidos são:

1 - Coringa (o de Heath Ledger, please!)

2 - Miranda Priestly
3 - Mr. Rochester (não é necessariamente um vilão, mas é quase isso. Em Jane Eyre.
4 - Darth Vader

5 - Anton Chigurh (o Javier Barden em Onde os fracos não têm vez

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Viagem

Se este fosse um ano comum, uma hora dessas eu estaria a caminho de Goiás. Dia 16 de novembro é aniversário da D. Lídia, avó do Leo, e sempre tem uma festa grande, unindo a família mais legal do mundo. Regada a muitas risadas, muita fartura e muito amor. Infelizmente, alguns compromissos locais nos impediram de ir pra lá em novembro. Não quero nem pensar em como vai estar tudo por lá, nem na minha vontade de abraçar os Borges e conviver com todos eles, aqueles lindos. Porque eu vou sofrer de imaginar a festa rolando e eu aqui :-(

Já usei uma música da Vanessa da Mata pra falar do Leo (aqui). Hoje, uso pra falar da vontade que está me dando de largar tudo e ir pra Goiás. "Colher fruta madura no vento, pequi não sai do meu pensamento, bacia cheia de manga bourbon"... Ainda bem que dezembro tá chegando!

Viagem (cantada por Vanessa da Mata)
Suspenderam a viagem
Fui parar em outro trem
Que beleza de paisagem
Fomos rumo a Belém

Agora que é tempo
Colher fruta madura no vento
Pequi não sai do meu pensamento
Bacia cheia de manga bourbon

Nasce um sol, nasce uma noite
E um menino também vem
Que beleza de paisagem
É meu filho e passa bem

Agora é tarde, não dá para adiar a viagem
João tem três anos de idade
Não quero merecer outro lugar

Volto quem sabe um dia
Porque os trilhos já tiraram do chão
Olho as tardes, vivo a vida
Nada é em vão


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

52 x 5 - Semana 43


Semana 43: Músicas que eu não canso de ouvir:

1 - Todas do Chico Buarque
2 - Todas do Vander Lee
3 - Quase todas dos Engenheiros de Hawaii
4 - Quase todas do Ultrage a Rigor
5 - Quase todas do Nando Reis

domingo, 11 de novembro de 2012

Livro: Pós-escrito a O Nome da Rosa

Já falei aqui que tenho uma relação de amor e ódio com o Umberto Eco romancista. Isso porque ele, em geral, despeja tanta erudição em seus livros, que me deixa com raiva e com vontade de jogar o livro longe. Mas, ao final de cada livro dele, estou amando tudo, e ele passa a ser um dos meus escritores favoritos. Acho que só não tive essa reação de ódio inicial com O Nome da Rosa, que é um dos livros mais bacanas que já li.

Há muitos anos, tive conhecimento de que ele tinha escrito este Pós-escrito a O Nome da Rosa, explicando o processo criativo. Procurei na biblioteca da PUC, mas estava emprestado (lembro que havia poucos volumes, na época), e deixei de lado. Afinal, tinha muito mais coisas da própria faculdade para ler. Depois, consegui uma cópia em PDF e guardei. Fui ler só agora e foi perfeito. Casou com o momento atual de estudo de arte.

Aqui ele conta como trabalhou o cenário, os personagens, a época, as citações, a intriga policial. E fala sobre como a Idade Média é a infância do mundo atual. Sobre o que diferencia um romance qualquer de um romance marcante (e O Nome da Rosa, com certeza, é desses marcantes). Por exemplo, ele diz que "Mas quando o escritor planeja o novo, e projeta um leitor diferente, não quer ser um analista de mercado que faz a lista dos pedidos expressos, mas sim um filósofo que intui as intrigas do Zeitgeist. Quer relevar o leitor a si próprio". E isso é tão lindo... Para quem gosta de teoria literária (e eu não sabia que gostava), acredito que é leitura obrigatória.

Eco também aborda a literatura encomendada, as fórmulas que alguns escritores usam para fazer sucesso (e bastou ler para me lembrar de Dan Brown e seus livros, como O Código Da Vinci). Esses livros, em geral, morrem rápido, não são perenes, não se tornam clássicos e nem serão lidos por várias gerações.

Ele termina o texto assim: "Moral: existem ideias obsessivas, nunca pessoais, os livros se falam entre si, e uma verdadeira investigação policial deve provar que os culpados somos nós".

Lindo, não?

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A mulher do saco


A análise desta semana sofreu uma pequena alteração: foi terça-feira. Entre o medo quase irracional que estou sentindo de ter de interromper de novo (não quero falar sobre isso agora) e a alegria de ver que muita coisa tem melhorado (apesar de 2012 ser um dos piores anos da minha vida), saí de lá destruída. Desta vez, sem ter derramado uma lágrima. Mas era como se tivesse chorado por horas e horas e horas.

Os motivos que, em geral, me tiram do sério, ainda existem, mas me afetam menos. Isso, talvez, é a maior vitória que consegui nesses anos de análise. Por outro lado, sinto como se tudo que eu gostaria de esquecer jamais será esquecido. Como se eu fosse aquela mulher que chamávamos de Velha Rabugenta, uma senhora que mendigava aqui em Ouro Preto na época em que eu era criança. Ela andava por aí carregando um monte de sacos, que pareciam fazer parte do seu corpo, de sua roupa, de sua pele.

Aí, fiquei me imaginando como essa senhora. Uma pessoa que tem muitas coisas sendo levadas, grudadas, costuradas, coladas à pele. Que vai carregar um peso enorme por muito tempo. Que tenta deixar pelo caminho alguma parte desse peso, mas o que se deixa é poeira. Sem desmerecer os avanços, há momentos em que parece que eles foram tão pequenos, tão simples, tão leves; que o pesado ficou. E que eu não vou saber lidar com o hard dessa vida. 

Às vezes dói ter essa carga toda pra carregar. 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Citações 25

Do livro Zen e a arte da manutenção de motocicletas:

Acordei de madrugada. Chris ainda dormia a sono solto. Fiquei rolando na cama para ser se dormia mais um pouco, mas ouvi um galo cantar e lembrei que estamos de férias, e que não vale a pena ficar dormindo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

52 x 5: Semana 42


Semana 42: Quer acertar no meu presente? Então me dê...

1 - Livros
2 - Caderninhos (Moleskine ou do tipo)
3 - Canetas
4 - Lápis
5 - Quase tudo que existe dentro de uma papelaria

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Livros: Trilogia 50 Tons

Terminei de ler a trilogia dos 50 tons de cinza / 50 tons mais escuros / 50 tons de liberdade me perguntando por que raios eu não procurei coisa melhor pra ler. O fato é que eu precisava fugir um pouco da realidade atual (trabalho + filosofia + problemas sobre os quais eu falo depois) e pensei em ler uma coisa bem banal. Deveria ter relido qualquer Agatha Christie, enfim...

Os três livros são um horror de mal escritos. Bom, não fui muito feliz com a tradução também, pode ser isso. Todos estavam pessimamente traduzidos. Nesse ponto, em especial nos dois últimos, eu me diverti pensando que eu traduziria melhor (Pat Mapa pode ficar um pouquinho de orgulho dessa aluna relapsa...).

Mas o que mais me deixou de boca aberta com a trilogia não foi a tal pornografia tão alardeada. Achei leve demais, na verdade. Em literatura de verdade tem coisa mais forte, digamos, e com muito mais qualidade (um exemplo light é A Casa dos Budas Ditosos, do João Ubaldo Ribeiro). No meio do segundo livro eu já bocejava a cada "cena" nova de sexo. Deu uma preguiça enorme de todos os chavões, em especial de todos os orgasmos explosivos da personagem principal, Ana Steele, a imbecil que se anula completamente frente ao manipulador Christian Grey.

O que mais me incomodou foi a personalidade de Grey: agressiva, controladora, dominadora, invasiva. Ele teve seus momentos "ternurinha" ao longo de toda a história, mas nada que o livrasse dos itens mais assustadores que uma personalidade tem pra mim. Fiquei sinceramente admirada de ver que muitas resenhas foram escritas sobre os livros com garotas se dizendo apaixonadas pelo Sr. Grey. Gente, pelamor! O cara é tão estúpido, tão imbecil, tão egoísta! Como alguém pode achar legal ter um dominador o tempo todo reprimindo quem estiver à sua volta só porque ele é envolvente e bom de cama? Fico pensando que há um problema grave em que acha que "dois dedos" de carinho possam ser suficientes. A imbecil da Ana Steele se afasta de amigos, da família, troca de nome, entre outras coisas, e aceita um controle absurdo, só porque o Sr. Grey é "quente". Tô dizendo... Agatha Christie ia tirar as coisas pesadas da minha cabeça e não me faria ficar tão incomodada.

Nessas horas eu agradeço pelo Leo ser exatamente o que é: uma pessoa que me respeita, que respeita meus espaços, que não me sufoca. Já falei dele aqui assim, uma vez: "Somos, antes de tudo, companheiros. Não somos donos um do outro, estamos caminhando juntos, até quando for possível - e eu espero que seja possível por muito, muito, muito tempo.". Porque ele faz TUDO ser tão bom, sem precisar tocar na minha personalidade. 

Fico feliz por ter terminado os livros e caminho para enterrar de vez o Sr. Grey e a Srta. Steele no limbo. 


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Paulo

Outro dia comentei (aqui) que não falo muito do Paulo. Talvez a hora tenha chegado.

Paulo é o meu único tio materno. Mais do que isso: ele é a única pessoa viva por quem eu sinto amor "paterno". Isso porque tenho três pais. Meu avô e meu padrinho, que já faleceram, e o Paulo. Ao contrário do vovô e do Padrinho, não temos um relacionamento muito "afetivo", no sentido do toque. Abraços e beijos faziam parte do contato com os dois que já se foram, não com o Paulo. Talvez uma explicação seja o fato de não o chamarmos de "tio". Desde sempre ele é o Paulo, e pronto. Outra causa é ele ser filho da vovó. Ela não é carinhosa, e acho que ensinou isso pros dois filhos. Mas não importa. Não precisa de mais.

Pois bem. Neste fim de semana, houve um acidente com o Paulo. Não quero (e não vou) falar o que aconteceu. O que importa é que está tudo bem com ele. Tudo mesmo. Mas, pela primeira vez na vida, vislumbrei a possibilidade de perdê-lo. Sei lá, eu estou relativamente preparada para a morte da vovó e da Tia Ylza (porque, vamos combinar, as duas estão ótimas, mas têm pouco tempo de vida). Paulo não. Como se ele fosse imortal. Como, talvez, a gente pensa que o pai da gente é.

Paulo é, definitivamente, a representação ideal de pai para mim. Pena que ele não tem filhos. Talvez seja por isso que ele é um tio fantástico.


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

52 x 5 - Semana 41

Semana 41: As coisas mais difíceis num relacionamento amoroso são:

1 - Ceder
2 - Ter paciência
3 - Respeitar o espaço do outro
4 - Entender que o outro é gente também. Quem sente, que deseja, que odeia etc.
5 - Que o que é bom pra mim não é necessariamente bom para o outro (como aquela música do Ira!: "eu sou eu, você é você / isso é o que mais me agrada / isso é o que me faz dizer / que vejo fores em você")

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Livro: Antígona

Já comecei falando do livro aqui. Amei!

Antígona é filha de Édipo, rei de Tebas. Aquele mesmo, que se casou com a própria mãe e, ao saber da verdade, furou os olhos. Édipo e Jocasta tiveram quatro filhos: Antígona, Ismênia, Polinice e Etéocles. Antígona e Ismênia seguiram o pai, cego, para o exílio em Colona e, após a morte de Édipo, voltaram para Tebas, para viver com o tio, Creonte, novo governante do lugar. Etéocles e Polinice ficaram em Tebas, mas acabaram se envolvendo em guerras e ficaram de lados opostos: Etéocles defendia Tebas; Polinice defendia Argos. E, na guerra, os dois morreram no mesmo dia. Creonte, o rei, decreta que só Etéocles será enterrado; o corpo de Polinice ficará jogado do chão, para que aves e cães se saciem.

Antígona, revoltada com o decreto de Creonte, que é um ataque às tradições, resolve enterrar Polinice por conta própria. Ela está seguindo a tradição que diz que um corpo não enterrado, sem as honras devidas, terá a alma vagando pelo mundo, sem ter lugar certo.

O texto reflete bem essa questão: as lei dos deuses e as leis dos homens; a tirania; a tragédia continuada. Como filha de Édipo e Jocasta, Antígona não teria uma vida fácil. Tomando essa atitude de enterrar o irmão, não restam mais esperanças de que haja felicidade.

No post em que falei do livro (este aqui), postei duas frases que tirei do livro. Abaixo, vão mais algumas:

Contudo, um dos privilégios da tirania é justamente dizer e fazer o que quiser.
Antígona, falando a Creonte

O povo fala. Por mais que os tiranos sejam afeitos a um povo mudo, o povo sempre fala. Fala sussurrando, amedrontado, à meia luz, mas fala.
Antígona, também a Creonte

Eu não nasci para partilhar de ódios, mas somente de amor.
Antígona a Creonte, de novo

... o amor que só tem palavras não pode ser de uma verdadeira amiga.
Antígona, falando a sua irmã Ismênia

Errar é uma coisa comum entre os humanos, mas se o homem sensato comente uma falta, é feliz quando pode reparar o mal feito sem enrijecer em sua teimosia, pois esta gera imprudência
Do cego Tirésias a Creonte

A parte em que Hêmon, filho de Creonte e noivo de Antígona, debate com o pai sobre os poderes de um governante, é perfeita.

É uma peça curtinha (no meu livro, só 38 páginas), que se lê de uma vez só. E vale muito! Estou até agora me perguntando como não li esse livro antes...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

52 x 5 - Semana 40


Semana 40: Meus "cheiros" preferidos são:

1 - Lavanda Johnson's Baby
2 - Terra molhada de chuva
3 - Pão de queijo saindo do forno (especialmente se for um que o Paulo traz de Monlevade, o melhor do mundo)
4 - Alecrim e manjericão
5 - Comidas defumadas

sábado, 20 de outubro de 2012

De como os gregos já sabiam de tudo

Quem costumava dizer isso aí, que os gregos já sabiam de tudo, era o meu professor de Teatro na faculdade. Era uma aula curiosa. Na primeira, ele apresentou autores de vários períodos e sorteou-os entre os alunos. Se estou bem lembrada (isso foi em 1997!!!), a apenas dois autores foram permitidos quatro sorteios: Shakespeare e Nelson Rodrigues. A dinâmica da aula era a seguinte: cada aluno leria uma peça do autor sorteado e apresentaria um fichamento em sala de aula, distribuindo as fichas para os colegas. Ao final do curso, teríamos uma espécie de caderno com resumos e pontos principais de cada autor. Shakespeare e Nelson Rodrigues teriam quatro peças. E três alunos apresentariam, cada um deles, um teórico do teatro: Stanislavski (o que eu mais gostei), Artaud e Bretch. A cada aula, a gente conhecia um pouco do universo do Teatro. Era interessante e possibilitou que eu lesse bastante coisa boa.

Entretanto, a cada aula, praticamente, o professor reforçava: os gregos já sabiam de tudo. E eu ria. Achava mesmo graça daquilo e pensava que ele estava errado, de alguma forma.

Mas aí vieram essas aulas que estou fazendo no Mestrado em Estética e Filosofia da Arte. Elas me possibilitaram um pouco mais de aprofundamento. A cada aula do primeiro semestre (Teoria Estética), eu anotava numa folha à parte os livros citados pelo professor. Faço isso ainda, nas duas aulas que estou fazendo agora. A lista só cresce. Por outro lado, há alguns X marcados em frente aos poucos livros lidos.

Foi com a Poética, de Aristóteles, que veio o primeiro baque. Putz, o cara falou tudo! Tudo o que repetimos hoje, seja na literatura, no cinema, no teatro, em qualquer arte narrativa. Fiquei em êxtase com a Poética.

Agora, fui ler Antígona. Já tinha lido, do Sófocles, Édipo Rei, que acho muito legal. Não me lembro se Antígona estava na lista das peças da aula de Teatro, acho que não. Pelo que me lembro, do Sófocles foi Édipo Rei mesmo. E, nas primeiras páginas, já tem duas coisas muito redondinhas, perfeitas, eu diria. Para hoje e para sempre, acredito. São elas:

O exercício do poder põe um homem à prova
A frase é atribuída a Bias e, em Antígona, está na boca de Creonte. 

É curioso como alguém que presume tudo saber descobre coisas que não existem
Fala do Guarda a Creonte.

Resumindo: meu professor estava certo: os gregos já sabiam de tudo!

P.S.: Da lista de livros a ler, já foram lidos:
- O Banquete
- Poética
- Arte e beleza na estética medieval
- Tristão e Isolda
É pouco, mas já é alguma coisa.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Noção do tempo

Não me lembro exatamente do dia, só do assunto. Estava conversando com meu cunhado, uma pessoa de quem gosto muito. O papo estava interessante, apesar de que, dos presentes, só eu estava sóbria. Parênteses, para dizer que essa coisas de não tolerar álcool às vezes é até bom.

Conversávamos sobre mil coisas quando o cunhado me questionou sobre algumas das minhas atitudes. Não importa agora o que era. Importa é que tentei explicar e nem imagino se consegui, porque ele já estava alto.

Passados uns dias, vi uma imagem no Facebook, no mural de um conhecido. E essa imagem resumia o que eu queria falar pro cunhado. Pra ele e pra mais um monte de pessoas.


Assim fica fácil entender, não é?

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Livro: O espírito da prosa

Neste semestre maluco, que começou em setembro, estou cursando duas disciplinas isoladas no Mestrado em Estética e Filosofia da Arte. Uma é Estética e Crítica na Contemporaneidade, que versa sobre Teoria Crítica. A outra é O Autor na Filosofia e na Literatura, sobre narração e autobiografia. Nesta última, o trabalho final está sendo bastante interessante. Cada aluno deve escrever e apresentar uma "autobiografia intelectual". Estou escrevendo a minha, com um pouco de medo por conta da linguagem que é mais focada em primeira pessoa (e dizem que não tem pronome mais chato do que "eu"). Bom, aqui no blog é bem diferente; num trabalho acadêmico, chega a ser esquisito um texto todo montado em primeira pessoa.

Essa questão da linguagem me incomodou um tantão. Daí, fui pra internet procurar se existe algo parecido, para verificar a linguagem. Encontrei esse livro do Cristovão Tezza, chamado O espírito da prosa - uma autobiografia literária e tratei de comprar. O livro foi lançado no começo de 2012 e propõe uma reflexão sobre o que leva um escritor a escrever. Não é exatamente do que trata o trabalho do Mestrado, mas foi uma boa surpresa.

Tezza conta como se deu sua descoberta como escritor. Como a influência da leitura pode determinar o desejo da escrita e que, no começo, quem escreve, em geral, imita aqueles que acha bons escritores. Fala com crueza de suas primeiras obras, tanto os livros publicados quanto os que, finalizados, não foram mostrados a ninguém. E sobre o poeta em conflito com o prosador.

As questões apresentadas sobre o processo da escrita, sobre a necessidade de um narrador diferente de um autor e da ausência de felicidade (só escreve quem não é feliz. Quem é feliz não precisa pegar numa caneta ou ligar o computador para escrever: vai simplesmente viver a felicidade) são muito interessantes e fazem o livro merecer uma segunda leitura.

Resumindo: para o trabalho do Mestrado, serviu para que eu visse que há alternativas na linguagem focada em primeira pessoa. Mas foi melhor que isso. O que eu aprendi com o livro não está vinculado ao trabalho em si, mas à minha vida como leitora e como escrevinhadora que, quem sabe um dia, pode vir a ser escritora. Alguns dos requisitos que ele apresenta eu já tenho. Basta estudar mais e desenvolver.

To Tezza, já tinha lido O filho eterno, em que ele conta como seu um filho com Síndrome de Down mudou sua vida e sua relação com os outros. É um livro forte, que pega a gente pelo laço e dá aquela sensação de desconforto. Um livro que eu queria mandar pelo correio pra uma certa progenitora que não consegue enxergar em sua filha bipolar que ela tem uma doença e precisa ser bem cuidada. Desisti disso, claro. Seria jogar pérolas aos porcos. Fiquei com vontade de ler Trapo, o primeiro livro que ele reconhece como o de um autor amadurecido.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #5

Com uma rotina mais agitada, comecei a procurar leituras sobre organização e otimização do tempo. Achei muita coisa bacana, desde organização de tarefas, com o método GTD (Getting Things Done), até a organização doméstica, com o método FLY (Finally Loving Yourself). Uso um pouco de cada método, sem seguir exatamente à risca. Aprendi muito com os dois, coloquei bastante coisa em prática e, sim, me sinto mais organizada. Os sites e blogs mais bacanas sobre organização, na minha opinião, são:

1 - Vida Organizada: A Thais Godinho é aquela pessoa mega organizada mas que, ao mesmo tempo, é gente como a gente. O site dela é quase como o oásis da organização. Tem de tudo um pouco, com dicas preciosas sobre a vida, a casa, o trabalho, filhos e tudo o mais. Sigo no Reader e no Facebook e fico sempre de olho nas postagens. Outra coisa legal é ver as recomendações de links que a Thais posta. 

2 - Tudo organizado: É bem mais simples que o Vida Organizada, mas vale a visita. 

3 - Organizar para viver melhor: A Rafaela é de Betim, do lado de BH. E sempre tem dicas interessantes para organização e para otimização do tempo.

4 - Efetividade: Este é mais focado no mundo do trabalho, em eficácia e eficiência, com algumas dicas viajadas e outras bem interessantes sobre produtividade. Para quem procura ser organizado profissionalmente, é uma boa pedida. 

5 - Ana Afonso Organizer: A Ana Afonso é personal organizer e sempre dá dicas bacanas para a gestão da casa. Aprendi muita coisa com ela e implementei várias dicas aqui em casa. 

É preciso dizer que o Vida Organizada é o melhor de todos em todos os tempos. Vida longa à Thais Godinho

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

52 x 5 - Semana 39


Semana 39: Minhas melhores qualidades:

1 - Sou confiável (tenho que reconhecer)
2 - Sou discreta. Quase ninguém vai me ver gritando, falando alto ou extravagando.
3 - Quando eu gosto de alguém, gosto pra caramba (mas quando eu não gosto...)
4 - Sou dedicada (quando eu quero ser, então...)
5 - Tá bom, né?

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Marcas

Quase como na música do Chico Buarque, todo mundo tem uma marca pelo corpo ("só a bailarina que não tem"). Tenho várias. Acho que isso começa com as marcas de nascença. Nenhuma especial em mim, exceto pelas pintas, que tenho muitas. Um grupo delas, no braço direito, na exata posição das estrelas da constelação do Cruzeiro do Sul. Outras, maiores ou menores, nas costas, nas pernas, nas mãos, nos braços.  Até uma no dedo mínimo da mão direita, na parte da palma, e outra na sola do pé, no dedo mínimo do pé esquerdo.

Um dia, encontrei uma espécie de machucado no ombro esquerdo, bem perto de duas pintas. Era uma bolinha vermelha, do tipo que formaria, em pouco tempo, uma casquinha de machucado. Cocei, arranquei e a bolinha voltou. Demorou pra que eu entendesse que ela era só mais uma marca. Permanente, em relevo, e bem vermelha. Como se fosse mesmo uma bolinha de sangue. Outras dessa também apareceram pelo corpo, mas sem relevo e menores. Diz a Tia Dermatologista que elas aparecem devido a um probleminha de circulação, mas nada preocupante. Gosto muito da bolinha no ombro. É quase uma marca pessoal, como as de nascença, que não tenho.

Algumas cicatrizes sempre ficam. No braço direito, três marcas das unhas da Laura, que era uma irmã mais velha muito delicada e atenciosa comigo (#not). Uma marca no braço esquerdo, quase sumindo, de quando, aos dez anos, fui incumbida de tirar um tabuleiro de pão de queijo do forno, sozinha, enquanto minha mãe ia buscar meu irmão mais novo na escola. Óbvio que não ia dar certo. Assustei com o calor do forno, abri os braços e encostei o esquerdo na parede interna do forno. Outra cicatriz que anda sumindo é uma pequenininha na virilha, feita com leite fervente. Quem foi colocar o tal leite quente na minha xícara errou e o líquido caiu direto no baixo ventre e nas pernas.

Há outras marcas que queimam no corpo e desaparecem, mas deixam cicatrizes profundas na alma. Não vou esconder mais: fui espancada várias vezes. Todas sem motivo, já que não há NADA que justifique que um adulto bata em uma criança (é covarde, no mínimo, quem faz isso) ou um homem que bata em uma mulher. Aliás, caso o agressor leia e fique furibundo, não tenho mais medo de um processo. O que não falta é testemunhas do abuso que eu e meus irmãos sofremos. As marcas que ainda ardem na alma estão sendo tratadas, mas jamais vão desaparecer. Elas podem deixar de doer um dia, mas sempre estarão lá, me lembrando de que há muita gente covarde no mundo.

Queria chegar, depois desse levantamento exaustivo, no seguinte ponto: a maior parte das marcas que carregamos não são escolhidas. Vieram "de fábrica", foram produzidas por outros ou por acidente. Há quem goste de marcar o corpo, de várias formas, sejam ritualísticas ou não. Como disse um colega das aulas que faço no mestrado, há quem transforme o corpo numa vitrine. Com esse objetivo ou não, o fato é que a tatuagem é cada vez mais comum. Leo tem sete (já contei aqui e aqui). E neste post aqui, que lista coisas a fazer, a número 49 diz: Fazer uma tatuagem. Eu digo: está nos planos. 

O plano se concretizou. O desenho foi escolhido por mim, há seis anos, mas só tive coragem há uma semana. É parte de um quadro de Miró - A Bailarina II - tem mais informações aqui. O responsável foi o Lu Correa, que é fera. Ele fez seis das sete tatuagens do Leo e manda bem demais. É super cuidadoso, o estúdio é todo de acordo com as normas. Recomendo pra quem quer fazer em BH. Leo fotografou parte do processo:


O Lu trabalhando e o meu livro de filosofia

Traçado pronto

O Miró só meu
Agora posso me orgulhar: há uma marca em mim que eu mesma quis fazer.