terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Livro: As Brumas de Avalon Vol. 4 - O Prisioneiro da Árvores

E, enfim, terminei o último livro de As Brumas de Avalon. Olha, dizer que eu gostei é um pouco de exagero. Como disse ao terminar o primeiro livro, provavelmente eu teria curtido mais a história se ainda fosse adolescente.

Neste O Prisioneiro da Árvore, o título já começa meio estranho. A parte do prisioneiro é mínima, só um capítulo, e não parece ser assim tão importante para fazer parte do título. Por outro lado, é a traição de Merlin que leva à tal prisão na árvore (que, afinal de contas, não acontece tão direitinho assim) e ela também desencadeia o que é mais interessante desse livro, a aparição do Santo Graal e, com ele, o fim dos cavaleiros da Távola Redonda.

A destruiçao dos cavaleiros do Rei Artur é o tema principal do livro. Morgana, Morgause, Mordred são os principais atores na busca por retirar Artur do trono. Nessa corrida, Acolon, amante de Morgana, é morto. Outros personagens que estão desde o início da história também acabam morrendo, boa parte assassinados. O romance de Lancelot e Guinevere finalmente tem um fim, mas um fim tão bobo que dá até medo.

No geral, achei os quatro livros bem confusos. Morgana, a personagem principal, nunca tem certeza do que sente. Do primeiro ao quarto livro, ela afirma que a pessoa X foi a única que ela amou de verdade. O problema é que a cada hora é uma pessoa X diferente. Foram Artur, Lancelot, Acolon, Raven, Vivane, Kevin... Acaba a história e ela continua afirmando que algum personagem foi quem ela amou de verdade. Mas não bate o martelo: é fulano e pronto. Seria natural pensar em Lancelot, mas no quarto livro ela olha para ele e "descobre" que o que sentia não era amor. Algumas páginas depois, lá está ela pensando que sempre amou o cavaleiro. Confuso, muito confuso. A relação do trio Artur-Guinevere-Lancelot também tem essas contradições.

Pra resumir, é um entretenimento razoável, que teria sido melhor aproveitado se lido uns 15 anos atrás.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

52 x 5 - Semana 2

Semana 2: Eu nunca...

1 -  Comprei perfumes pra mim. Porque tenho alergia.  Sempre tem alguém que me dá perfume. E eu fico sem ter o que fazer com eles...
2 - Pulei de paraquedas, de bung-jump, voei de asa delta ou parapente ou similares. Nem quero
3 - Fui pro Acre.
4 - Tive um gato
5 - Andei de kart

sábado, 28 de janeiro de 2012

Filme: A pele que habito

La piel que habito - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar, Agustin Almodóvar
Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Jan Cornet, Marisa Paredes, Roberto Álamo

Esse foi um dos melhores filmes que eu vi em 2011. Tenso na medida, com aquele toque kitsch do Almodóvar e um roteiro que tira o fôlego. Vale a pena ser visto e revisto.

O cirurgião plástico Robert Ledgard acompanhou boa parte dos transplantes de rosto realizados no mundo e pesquisa a produção de uma pele artificial, a que chama de GAL. Seus testes indicam que ela seria resistente às picadas de mosquito e ao fogo. A indicação é que terá início uma discusão ética, já que Robert faz seus testes em Vera, uma paciente que mantem presa e vigiada 24h em sua casa. Só que tudo muda e o que parecia ser não é mais. Uma virada surpreendente tira tudo do seu lugar e nos lembra que quem está ali, na direção, é Pedro Almodóvar.

Na casa de Robert, todos os quadros trazem corpos nus de mulheres. Eles estão por toda a parte, a indicar queo dono da casa (e suas pacientes/clientes) buscam a perfeição, e também em Vera, que aparece com uma roupa especial, devido as cirurgias que fez para trocar de pele. A relação entre Robert e Vera é tensa, há desconfiança misturada com tensão sexual e o mistério: por que ela precisa ficar presa no quarto, sem contato algum com o mundo exterior, exceto pelo interfone com que conversa com a empregada da casa, pelo elevador de carga por onde chega comiga e por poucos canais de TV? Quem é ela, como chegou até ali, porque não pode sair?

Há referências ao Brasil, com uma cena em favela e o carnaval daqui. É interessante o modo como o diretor incluiu esses toques no roteiro. Mais uma vez, Almodóvar traz famílias estranhas, com relações distorcidas entre mães e filhos. Há um toque de comédia, mas a tensão permanece lá no alto.

Antonio Banderas, que interpreta Robert, está muito bem. Duro, tenso, bravo, não ri, não tem um momento de leveza. Mesmo quando se rende a Vera, a testa está tensionada, preocupada. Essa característica do personagem fica mais evidente quando finalmente conhecemos sua real relação com Vera. E é reforçada na cena em que ele aparece moldando um bonsai num jardim. É isso que Robert é, em essência: alguém que molda as pessoas e objetos ao seu redor.

O filme foi inspirado pelo livro Tarântula, em que histórias se entrelaçam e algumas delas serviram como inspiração o roteiro.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Livro: As Brumas de Avalon - Vol.3 - O Gamo-rei

Eu já falei que a Guinevere (Gwenhwyfar) é uma chata insuportável, né? No segundo livro da série, ela já dava esses sinais. No terceido, ela exacerba. Além de chata insuportável, se mostra desprovida de inteligência e extremamente irritante. Por causa de sua personalidade estranha, ela entra em conflito com Meleagrant, que alega ser seu meio-irmão. Qualquer pessoa normal fugiria de uma pessoa que a ameaçou, não é? Guinevere não. Ela resolve ir ao encontro do irmão acompanhada de um camareiro e de um companheiro idoso de Artur. Burra, burra, burra!

Enquanto isso, Artur está deixando cada vez mais seu vínculo com Avalon. Além do vínculo familiar, ele carrega Excalibur, a espada druida. E Viviane, a Senhora do Lago, planeja solicitar ao rei que ele cumpra o juramento que fez a ela e ao povo de Avalon. A Bretanha, que está se tornando cada vez mais cristã, começa a rejeitar a Senhora do Lago e isso, com certeza, não acaba bem. O encontro de Viviane e Artur leva a derramamento de sangue e ao rompimento entre Morgana e Kevin, o Merlin da Bretanha.

Outro assunto em pauta é a infertilidade da rainha. Mesmo com Lancelote, seu amante, Guinevere não consegue engravidar. O reino da Bretanha segue sem um herdeiro. O romance escandaloso entre Guinevere e Lancelote faz com que Morgana interfira e afaste o cavaleiro da corte, em um casamento com Elaine, prima da rainha. E Artur descobre que tem um filho, de quando celebrou o Grande Casamento. Essa descoberta faz com que Guinevere interfira no destino do marido e de Morgana, fazendo com que ela se case com um rei idoso, aliado de Artur. Isso, que a princípio é ruim para a sacerdotisa, acaba fazendo com que ela volte a se sentir filha de Avalon.

Ainda continuo achando a série cansativa e arrastada, ideal para ser lida na adolescência. Mas fico com muita vontade de saber como tudo termina. Ainda bem que falta só um livro. E se a Guinevere for mais irritante no quarto livro do que nos anteriores, putz...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Livro: Problemas? Oba!

Olha, não sou muito fã de livros de auto-ajuda ou de auto-ajuda adminstrativa. Torço o nariz mesmo. Esse "Problemas? Oba! - A revolução para você vencer no mundo dos negócios", do Roberto Shinyashiki, não mudou em nada a minha opinião. O livro me foi indicado, e fiquei um tempão com ele por perto, até ter coragem de começar a ler. E, ao começar, fui lendo bem devagarzinho, com bastante preguiça, mas com aquela obrigação de devolver o livro à sua dona.

O autor desenvolve uma teoria que é, de certo modo, interessante. Segundo ele, para ter sucesso no mundo dos negócios hoje, é preciso resolver problemas. De qualquer tipo. Em geral, as pessoas fogem do problema e o Shinyashiki acredita que é necessário sorrir ao perceber um problema, dizer "oba!" e partir com alegria para resolvê-lo.

O fomato do livro é engraçado. É em primeira pessoa, o Roberto Shinyashiki é o "personagem" principal. Ele conta suas conversas com um "amigo" que está brigando com o mundo porque foi demitido e não consegue mais um trabalho, justamente porque não está preparado para resolver... problemas.

E o problema do livro é que as "conversas" entre Shinyashiki e seu amigo são tão irreais, tão artificiais, que nem a pretensa "realidade" do livro passa verdade. É massante, chato, tedioso, uma leitura que não termina. Enfim, valeu a intenção de quem me passou o livro.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O que se aprende morando só

Em 2001, fui morar sozinha. Foram dois anos e pouco e foi uma maravilha. Hoje não dá mais pra fazer isso de novo, mas bem que eu gostaria de poder voltar.

O melhor de morar sozinha é fazer as coisas de casa do seu jeito. Sem ninguém pra determinar, doutrinar ou impor.

Mas vim de uma casa com seis pessoas. Estava acostumada a fazer compras pra essa gente toda. Daí que, no primeiro dia no apê, lá fui eu comprar a mesma quantidade de antes em produtos de limpeza. Comprei coisa demais! Fiquei seis meses sem precisar comprar esses produtos. Alguns, duraram até mais do que um ano. O detergente, por exemplo. Porque eu não cozinhava (um botijão pequeno de gás durou quase dois anos e meio), sujava pouquíssima louça.

Aprendi muita coisa morando sozinha. Que o meu espaço podia ter a minha cara. E ele foi criado, aos poucos. Aprendi também que, mesmo sendo meu, o espaço precisava atender outras pessoas. Eu não queria ter sofá nem televisão, e fiquei um bom tempo sem os dois. Até que vovó resolveu que dormiria alguns dias lá comigo e seria injusto deixar ela sem sofá e sem tv.

Também aprendi a resolver pequenos problemas. Com rejunte, cimento branco, silicone e o que mais fosse necessário. Aprendi a trocar o chuveiro e a resistência dele. A manusear algumas ferramentas. A limpar os tacos de madeira do excesso de cera deixada lá.

Aprendi que não preciso depender de ninguém pra resolver meus problemas - e os da casa. A saber a hora de agir e a hora de chamar um especialista. Que posso negociar de igual pra igual com qualquer prestador de serviço. A reconhecer quando o preço está bom, quando há exploração.

Em janeiro, eu acabo arrumando muitas coisas em casa. Já foi a pia da cozinha, um armário que estava complicado, um declutter bem grande no quarto (e muita coisa que estava lá foi enviada pros desabrigados da chuva) e hoje foi dia de trocar a resistência do chuveiro.

Uma coisa legal disso é que o Leo pode contar pra todo mundo que aprendeu comigo a mudar a resistência. O normal seria o contrário, né?

:-)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

52 x 5 - Semana 1

Vi no blog da Bel o Meme 52 x 5. Morro de medo dessas coisas de meme, depois daquele de 30 dias, mas achei esse bacana. Dá pra programar e tal, sem problemas maiores. Quer dizer... acho que dá, né?

Regra: Citar 5 respostas a cada uma das 52 perguntas, respondendo a uma pergunta por semana, em forma de "Top 5".

Semana 1: Coisas que me fazem ficar feliz:
1 - Livro novo (não necessariamento novo-saindo-da-loja-embaladinho-a-vácuo, mas um livro que eu não tenha. Pode ser de sebo, de acervo, semi-novo. Sendo uma nova história, tá ótimo).
2 - Encontros com as pessoas que eu gosto (Leo, amigos, família, família do Leo, pessoas que fizeram parte da minha vida e reaparecem do nada...)
3 - Voltar a Ouro Preto (não importa onde eu estive, não importa o quanto foi bom. Voltar a Ouro Preto é sempre tão reconfortante que nem sei explicar)
4 - Cinema (no cinema, em casa, no cineclube do Museu da Inconfidência, no cineclube Cine Vila Rica, sozinha, acompanhada, com pipoca salgada ou doce, sem pipoca, sentada no chão, na cama, no sofá, na cadeira. Não importa. Amo cinema)
5 - Viajar (pode ser até pra BH, pode ser por só um dia, sozinha, acompanhada, com chuva, com sol, pra longe, pra perto, com mala, sem mala. Mas sempre com um livro na mão, porque adoro viajar, mas odeio os deslocamentos. E pra eles passarem rápido, só um bom livro)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Filme: X-men First Class

X-Men: First Class - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Mathew Vaughn
Roteiro: Ashley Miller, Zack Stentz
Elenco: James McAviy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Kevin Bacon

Nunca fui boa leitora de quadrinhos. Então, perdoem se alguma bobagem aparecer por aqui. Meu contato com X-Men veio na época dos desenhos animados na tv, e eu gostava bastante.

O filme começa na década de 1940, com a apresentação de Magnetto, Charles Xavier e Mística ainda crianças. Magnetto, num campo de concentração, é levado a mostrar seus poderes e, ainda sem controlá-los, acaba levando à morte de sua mãe. Com raiva, ele mata os soldados, mas deixa ileso o assassino da mãe, Sebastian Shaw, interpretado por Kevin Bacon. O jovem Charles já é um erudito e "adota" Mística como irmã.

Em 1962, Xavier e Mística estão em Oxford; Magnetto em Genebra e Sebastian Shaw na Argentina. Magnetto quer se vingar de Shaw e Xavier que juntar os mutantes para que aprendam a lidar com seus poderes e sejam aceitos pelo mundo. Charles e Mística unem uma equipe com poderes variados e incluem Magnetto, enquanto Shaw também tem mutantes a seu serviço. O embate entre os dois grupos vai gerar uma série de conflitos internos na equipe de Xavier e dar origem aos X-Men e seus opositores.

Os detalhes da produção são muito legais. O submarino de Shaw é muito bacana, todo com cara de anos 1970 e sua decoração exagerada. A sala de espelhos parece ser uma homeagem ao H.A.L. de 2001 - Odisseia no Espaço e também à cena de espelhos de Cidadão Kane. Os efeitos especiais de Shaw com a força dos outros mutantes é muito bom. A iluminação das cenas no campo de concentração, no início do filme, e das cenas na Rússia são bem legais também, com tons de cinza nas externas e o avermelhado das lutas. Não curti muito os momentos em que há divisão da tela, como uma lembrança de que tudo aquilo saiu dos quadrinhos. Achei inapropriado para o clima do filme, mas vá lá... E o Fera, bem, o Fera ficou tão fofinho, lembrando o monstro de Monstros S.A., que perdeu a credibilidade. O personagem é bem fundamentado e seus conflitos são interessantes, mas sua transformação no monstro azul fico bem patética.

A transformação do Magnetto é bem significativa. Primeiro porque ele caminha, na sala de espelhos, exatamente como Kane em sua casa, na cena espelhada. Depois, tem a questão da caracterização do personagem, consolidada nos quadrinhos e nos filmes anteriores. E como a história de sua ligação com Xavier é entrelaçada.

E tem aquela frase bacaníssima: "o que mata os humanos só deixa os mutantes mais fortes".

Sério, achei o melhor filme de X-Men até hoje.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Citações 19

De Morte na Praia, de Agatha Christie, publicado em 1941:


Poirot exclamou: - Sim, mas que atrativo têm elas? Que mistério? Eu sou velho, pertenço à velha escola. Quando era moço, mal se via um calcanhar. A visão das rendas de uma barra de combinação... que loucura! O arredondado de uma perna, um joelho, uma liga de meias...- Feio, muito feio - protestou o Major. - As coisa que usamos hoje em dia são muito mais práticas - aparteou Miss Brewster. - Bem, Mr. poirot - disse Mrs Gardener,  - acho, sabe, que hoje em dia os rapazes e as moças levam uma vida mais sadia e natural. Estão sempre juntos e... bem... ele... - Mrs. gardener enrubesceu ligeiramente - não acham nada demais nisso, sabe o que quero dizer?- Entendo - respondeu Hercule Poirot. - É deplorável.- Deplorável? - Exclamou Mrs. Gardener.- Tirar todo o romance, todo o mistério! Hoje em dia, tudo é padronizado! - apontou para os banhistas. - Isso me faz lembrar o necrotério de Paris. - Mr. Poirot! - Mrs. Gardener estava escandalizada. - Corpos - arrumados em fileiras - como carne no açougue!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Filme: Morango e chocolate

Fresa y chocolate - 1994 (mais informações aqui)
Direção: Tomás Gutiérrez Alea, Juan Carlos Tabio
Roteiro: Senel Paz
Elenco: Jorge Perugorría, Vladimir Cruz, Mirta Ibarra

A ilha de Cuba sempre causa curiosidade, por estar há tanto tempo isolada do mundo. Para o turismo, há abertura, lenta e gradual. E foi por meio do turismo que eu estive mais próxima do filme. Morango e Chocolate faz alusão à Copelia, a maior sorveteria de Cuba. Para nós, que estamos tão distantes, não é tão simples perceber que "morango" e "chocolate" é uma forma mais simpática de expor o conflito entre heteros e homossexuais na ilha.

Em 1979, o universitário David toma um sorvete de chocolate na Copelia - o sabor é escolhido pelos homens. Ele é abordado por Diego, que pede para sentar na mesma mesa. Diego toma sorvete de morango, que só é opção para as mulheres ou para os homossexuais. A mensagem é clara: Diego quer David. Miguel, amigo de David, é do partido comunista e está à caça de subversivos. Ele acredita que Diego tem grande potencial para ser subversivo e convence o amigo a ir atrás do homossexual. E assim começa a relação entre David e Diego.

Para começar, poder ver Cuba é uma delícia. Das ruas com os carros que pararam nos anos 1950, as escadarias ainda imponentes, apesar de degradadas, os detalhes kitch das casas, os pôsteres de Che Guevara são imperdíveis, na paisagem, na direção de arte e na crítica à situação política da ilha. A casa de Diego fica acolhedora com tantos livros espalhados pelo chão, e as obras de arte que são o ponto de discórdia entre ele e o regime de Fidel. A geladeira velha, Rocco, só funciona quando quer. As imagens de santos espalhadas pela casa também afrontam o estado que, além de laic, é rompido com a igreja católica. As garrafas de Red Label que Diego esconde são bebidas "del inimigo". E ainda há revistas Time e fotos de Marilyn Monroe e de peças de Andy Warhol ao fundo.

O envolvimento de Miguel com o partido faz com que David procure o tempo todo as influências estrangeiras de Diego, para entregá-lo. Ele chega a dizer que estuda Ciência Política para ser útil, em vez de estudar literatura, que é perda de tempo. Diego acaba assumindo uma espécie de missão ao apresentar o rapaz a um mundo maior do que o que cerca a ilha.

Diego também mostra que, apesar de aparentemente tolerado, a homossexualidade é um tabu em Cuba. "Não sou enfermo nem anormal. Faço parte desse país e tenho direitos como todos", ele afirma. E, ao ensinar David a pensar além da caixa da ilha, vira uma espécie de tutor, falando sobre arte, história, literatura cubana, arquitetura. Todos esses assuntos, sem exceção, caem na discussão política, na desesperança com o regime. Por ser mais velho que David e Miguel, Diego não é mais idealista nem tem expectativas. O respeito entre David e Diego nasce, a amizade cresce e a sorveteria Copelia é, de novo, palco de um encontro entre os dois. Se para Diego só há esperanças fora de Cuba, para David uma nova vida se abre. 

Morango e Chocolate é um filme emocionante, que deve ser visto e revisto. É uma aula de história cubana e também de cidadania.

Foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. No Festival de Berlim, foi indicado ao Urso de Ouro de Melhor filme e venceu o Prêmio Especial do Juri - Urso de Prata e  o prêmio Teddy, para a Melhor Realização. No Festival e Gramado, recebeu o Kikito de Ouro como melhor filme e também Melhor Ator, dividido entre Jorge Perugorria (Diego) e Vladmir Cruz (David) e Melhor Atriz Coadjuvante para Mirta Ibarra (Nancy). Também venceu na categoria Melhor Filme pela escolha do público.






quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Amigo oculto 2011 - o presente que eu enviei

Para terminar, vamos agora ao presente que eu dei em 2011. Houve mudanças: saíram a Jady e a Patrícia e entraram a Júuh e a Ana. Continuaram a Bel, a Intense e a Ju.

Ano passado foi uma delícia. Ganhei presentes lindos da Intense e me esforcei pra dar um presente legal pra minha amiga oculta. Somos três do Sudeste e três do Nordeste. Pra manter a tradição, tirei uma moça do Nordeste.

O melhor desse amigo oculto é a interação via site Amigo Secreto. Escrevemos bastante no mural do grupo e é bem divertido. Mas como somos poucas, é fácil identificar quem tirou quem, mesmo nas mensagens anônimas. Pra evitar isso, resolvi escrever em forma de rima. Uns poeminhas bem vagabundos (vou passar óleo de peroba na cara e colocar aqui, no fim do post).

Só que antes... o site do Amigo Secreto estava fora do ar e usamos outro site. E eu tirei a Ana (sou fã dos textos dela). Quando o site voltou ao ar, decidimos fazer um novo sorteio. E eu saí com a Júuh, lá de Juazeiro, na Bahia.

Aí começou a busca pelos presentes. O primeiro que comprei foi o regional. Um Libretto de Bolso para cada uma das "amigas ocultas". Da Série Ouro Preto, que tem as capas com foto da minha cidade linda. Acabei escrevendo errado pras meninas: quem faz o Libretto é um estudante de Design da UEMG e não de Belas Artes da UFMG (já contei que sou distraída)?

A segunda parte do presente seria atender a vontade da amiga oculta. Ela queria um pinguim de pelúcia e um livro. Na busca pelo pinguim, acabei encontrando tudo que é tipo de pelúcia (até orcas!). E o pinguim, coitado, lá no fundo, submerso por outros bichos. Não era o que eu queria dar, era o que tinha. Fiquei insatisfeita, mas levei. Depois, encontrei outro pinguim, mais bonitinho e com gorrinho de Natal. Só que pequeno. E acrescentei mais um, de louça.

O livro foi outro capítulo: a Juuh queria O Morro dos Ventos Uivantes, da Emily Brontë. Não consegui comprar, e mandei Jane Eyre, da irmã da Emily, a Charlotte Brontë. Espero que a Juuh goste bastante do livro. Eu acho ele bem melhor que os ventos uivantes.

Meus presentes pra Juuh

E os poeminas ridículos? Aí vão, junto com a minha vergonha:


Querida amiga oculta
De Juazeiro do Norte
Gostei muito de sair contigo
Foi uma tremenda sorte

(e a Juuh teve que me corrigir: ela mora em Juazeiro/BA, e não em Juazeiro do Norte!)




A Bahia é no nordeste
O nordeste não é norte
Errar na geografia
É um erro muito forte



Minha amiga oculta pede
de presente um pinguim
Será ele de pelúcia? de louça?
Oh céus, que será de mim?





Já tem um pinguinzinho
Com gorrinho de Natal
Esperando, bem quietinho,
O seu destino final.



Uma flor de maracujá
vive lá em Juazeiro
É menina bem faceira
Nesse grupo prazenteiro


(nossa, que horror!)


No frio do polo norte
Não há pinguim que aguente
Vou lá pro polo sul
buscar pinguim, minha gente!


Terrível, né? Tudo pra não ser descoberta pelo grupo.


Juuh, adorei ter tirado você. Espero que curta os presentes. Bjo grande!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Amigo oculto 2011 - O presente da "ex"

E eu tive a sorte de receber também um presente da "ex"-amiga oculta. Depois ver a caixa enorme, fiquei até com vergonha do presentinho que eu mandei pra minha "ex". É, foi muito pouco :-(

Quem me tirou no primeiro sorteio foi a Bel, uma bahiana linda que eu adoro! E ela mandou presente pra mim, pro Leo, pra vovó e pra Tia Ylza. Olha só:


Mil coisas na caixa!

Revistas de tricô para a Tia Ylza. Ela amou!
Livro da Agatha com um tantão de marcadores lindos!
Livro da Adela Prado. Poesia!!! Os dois com dedicatória.
Para o Leo. Foi ela mesma quem fez
Folhinha do Coração de Jesus pra vovó
Sementes de girassol, pra criar um jardim
Pimenta, pra Tia Ylza
Beatles! Desmaiei de emoção!
Tia Ylza, revistas e pimentas

Olha só, Bel, ela estava fazendo a sua toalha! É essa coisa estranha no colo dela.

A carta, que era pra ler primeiro, mas eu achei por último

Tudo explicadinho!

Amei, amei, amei. Ainda mais que a Tia Ylza, pela primeira vez, me deixou fotografar o rosto dela.

Faltou a foto o cacau em pó de Ilhéus, que é uma delícia. Com ele, fiz o melhor brigadeiro da vida. A receita é a mesma:
1 lata de leite condensado
A mesma medida de leite
1 colher (sopa) de manteiga (uso margarina light)
4 colheres de sopa de cacau em pó de Ilhéus by Bel

O leite é pra tornar tudo mais macio. Demora mais pra secar no brigadeiro comum. Neste, fica pronto rapidinho. E é delicioso!!!

Bjo, Bel! Obrigada por tudo!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Amigo Oculto 2011 - O presente oficial

Em agosto desse ano eu já estava preocupada com o amigo oculto das Garotas da Laje. Ele foi tão legal em 2010 que eu já estava na contagem regressiva. Esse ano, tivemos duas desistências e duas novas participações. Tivemos, também, dois sorteios. O primeiro por um site que eu nem me lembro mais e o oficial pelo www.amigosecreto.com.br. Daí que sorteamos duas pessoas e ficou para cada uma resolver o que faria com o primeiro sorteio. Eu quis dar presente também pra primeira sorteada. E acabei também ganhando presente da pessoa que me tirou no primeiro sorteio. Mas depois eu conto.

Sabe quem me tirou? Juro, de verdade, que eu não esperava. Aliás, de todo mundo que participou, era a única pessoa que eu achava que não sairia comigo. Tem motivo, tá?

Ela é um amor. Como todas as Garotas da Laje, é uma pessoa que eu admiro muito. Ela tem uma história de vida muito bonita e em várias situações da minha vida, é um exemplo pra mim. Porque ela faz uma coisa que eu tenho muita dificuldade de fazer, que é deixar as emoções fluirem. Mesmo que elas não sejam boas. Ela se dá tempo de sentir, coisa que eu preciso aprender.

Olha só, Garotas da Laje, eu tive a sorte de receber, de novo, um presente da Intense. Que que eu posso fazer se ela me ama e me tira no sorteio de novo? Hahahaha! É por ter sido ela a minha amiga secreta de 2010 que eu não podia imaginar que seria ela, de novo, a emissora daquela caixa enorme que veio pra mim.

Vamos ao conteúdo?


A carta. Não veio à mão dessa vez. Sua letra é linda, moça! Duas semanas antes do presente chegar, eu a reli a de 2010 me emocionei de novo. Mesmo impressa, sua carta é fofa! E, sim, eu entendo o motivo dela não ter vindo à mão. Acho justíssimo!

Papel de seda verde, lindinho


Garrafinha comemorativa da Coca

Eu amo essas garrafinhas. Se fossem acessíveis, eu teria uma coleção delas. Todas fechadinhas, bonitinhas, na estante dos meus DVDs. Sou apaixonada pelas coisas da Coca-Cola. Não costumo beber Coca, mas sou fã das ações de fortalecimento da marca.

Olha que lindo!

Nem preciso dizer que já tem gente de olho, né? Não tem conversa, esse vai ficar guardadinho, junto com meus copos da Coca-cola (eu tenho um montão!), para aqueles momentos especiais com os amigos (e vocês, Garotas da Laje, já estão convidadas).

Apresento o Paul, o urso polar

Que vontade de apertar, apertar, apertar! Ele veio carregando uma garrafinha da Coca, olha que lindeza! Sim o nome Paul é um trocadilho infame. Podem jogar pedras.

A estrela do dia: o blusão da Coca-cola

Nas conversas que tivemos durante a realização do amigo oculto, a Intense comentou sobre o blusão da Coca. E foi uma confusão, todo mundo queria. Mas vamos combinar que ela é perfeita pro frio de OP. Quando o inverno chegar, Intense, vou me lembrar mais de você ainda. Porque eu lembro todo dia. Sabe a necessaire que você me deu ano passado? Pois é, vejo ela todo dia!

Foi ótimo, meninas. Podemos marcar o de 2012?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Coisa de criança


1 - Animal, vegetal ou mineral?
Um dia, irmãos reunidos no quarto jogando Stop (nome, cidade/estado/país, cigarro, fruta etc). Sai a letra E. Pessoinha presente (que vai me matar se eu disser quem é) pára o jogo pra perguntar, solenemente:
- Empada é animal?

2 - Chama o vovô!
Eu pequenininha, no colo da Tia Ylza, olho o céu à noite. Pela primeira vez - eu acho - via uma lua que não estava cheia.
- Aya, a lua tá quebrada. Chama o vovô pra consertar!

3 - Construções
Castigo geral. Todo mundo sem televisão e video-game, sem poder ir pro play ou pra casa dos vizinhos. Vinha mais uma tarde de ócio profundo. Desses dias - como eram constantes... - nasceram três exímios construtores de castelos de cartas de baralho. Mas tem tempo que não fazem mais.

4 - Papai do Céu
Vovó viajou. Laura e eu à noite, na frente do presépio, fazendo as orações constumeiras. De repente, Laura começa uma reza nova.
- Deus, cuida bem da vovó. Não deixe ela tropeçar e cair. E nem que caia nada na cabeça dela.

5 - Fala que eu tô escutando!
Meu primo perto da mãe e de uma tia. Só escutando:
- Nossa, menina, a Fulana tá cada pé de galinha!
Dias depois, Fulana aparece pra uma visita. Primo grita:
- Mãe, você falou mentira! Ela não tem pé de galinha, é pé de gente mesmo!


Ah, essa inocência....

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Livro: As Brumas de Avalon - Vol.2 - A Grande Rainha

Ao terminar de ler esse livro, só tive uma certeza: Guinevere (ou Gwenhwyfar, como a autora grafa) é uma chata insuportável.

A história do segundo volume de As Brumas de Avalon começa com Igraine, mãe de Artur, sendo convidada pelo filho a buscar a noiva, Guinevere. A menina está insegura com o casamento próximo, porque nem conhece Artur e seu coração já bate por Lancelot, o cavaleiro mais bravo da Bretanha. Enquanto isso, Morgana, grávida, está amargurada nos reinos do Norte, de onde só sai para o casamento do irmão. Ela abandonou Avalon, deixando para trás seu destino como sacerdotisa e futura Senhora do Lago.

Artur está às voltas com a guerra contra os saxões, que tentam novamente invadir seu reuno. Morgana, inicialmente, faz parte das damas da rainha Guinevere, mas acaba fugindo também da corte, ao ser desprezada por Lancelot. Ele corresponde ao amor da rainha e o desejo entre os dois os faz se sentirem culpados. Por isso, Guinevere se apega fortemente à religião católica e consegue fazer com que Artur deixe de lado seu juramento de fidelidade a Avalon e saia em combate sob a bandeira azul da fé cristã, negando a bandeira vermelha do dragão, que unia os povos da Bretanha. Guinevere e suas culpas cristãs são o principal deste segundo volume.

Como disse sobre o primeiro volume, talvez eu esteja lendo estes livros na hora errada. Não deixa de ser interessante ver essa forma peculiar de contar a história do Rei Artur e dos druidas, com muito romance, intriga e política. Mas tem hora que acho que acho tudo infantil demais, bobo e sem propósito. Espero que até o final, os livros realmente valham alguma coisa.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Sobre o réveillon

Desta vez, a festa foi entre os amigos. Tudo combinado via e-mail (confirmações, menu, bebidas e até amigo oculto, pelo site Amigo Secreto). Quem puxou a organização fomos eu e Fabi (e olha que eu odeio organização de eventos...). A decoração (dá pra ver um pouco aqui) foi toda idealizada pelo Leo e pelo Lauro. Os dois, além de fazerem as principais compras (acessórios, velas, tochas, luzes especiais) também ficaram responsáveis pelos balões, muitos balões. Eu comprei os chicotes de prata e metade das pulseiras de neon. O Tales forneceu a maior parte da trilha sonora, que foi completada por mim e pelo Lauro, também com auxílio do Bruno, que deu dicas no ano passado. 

Um mar de balões

As bebidas foram fornecidas pelo Teleboteco. As comidas vieram pelo sistema C.U.L.U.R. (Cada Um Leva Um Rango), no caso, cada casal levou um prato e um petisco. Acho que esse foi o nosso erro, porque teve comida demais, suficiente pra noite toda, pro almoço do dia seguinte (quase todo mundo voltou pra comer) e cada um ainda levou mais bastante comida pra casa. 

acessórios

Leo e eu fizemos nosso tender tradicional, dessa vez com tender de peru. Pra mim, ficou bem melhor do que com o suíno. Leo não viu diferença. E teve pernil, lombinho, arroz com lentilha, salpicão, salada, farofa, queijos, salaminho com azeitonas, homus, quibe cru, berinjelas, frutas e uma torta de chocolate maravilhosa. 

A mensagem que brilhou sob luz negra

Nosso petisco foi um caso à parte. Fizemos o Mix de Nuts com Curry, receita da revista Minha Casa. Já contei que sou um desastre na cozinha? Pois é...

A receita é assim: 
100g de amêndoas
100g de castanha de caju
100g de castanha-do-pará
100g de nozes picadas
200g de amendoim sem pele
200g de passas
1 xícara de azeite
1 xícara de sal gosto
½ xícara de curry
½ xìcara de açúcar mascavo
8 ramos de alecrim sem desfolhar

Misture os ingredientes em uma assadeira de teflon e leve ao forno preaquecido a 200ºC, por 20 minutos. Retire e coloque sobre papel-toalha. Quando esfriar, tire os ramos de alecrim, sirva em potinhos e decore com ervas frescas.

Eu quis dobrar a receita. Pra mim, dobrar é dobrar tudo, inclusive o tempero. Foi um erro. O segundo foi usar o forno elétrico em vez do a gás. Os 20 minutos de forno queimaram as passas. E, quando fui provar, estava intragável, de tanto curry e sal. Para resolver, nós retiramos as passas e os grãos de sal. Foi um trabalho de paciência enorme... até porque foi tanto azeite com curry que as mãos ficavam inutilizáveis em pouco tempo; precisávamos lavá-las o tempo todo. Depois dessa retirada, acrescentamos mais 200g de passas claras e levamos ao forno para tentar secar mais. Aí, fui atrás de mais grãos de sal, retirando todos os que sobraram. Sequei de novo com o papel toalha e servimos. O pessoal gostou bastante. 

Ficou assim
As lições sobre esse caso são:
- teste sempre as receitas antes das festas. Ainda bem que fizemos tudo bem cedo e deu tempo de corrigir. Se eu tivesse testado em casa, poderia acertar o tempero na segunda vez;
- muito cuidado ao dobrar os temperos das receitas. Leo olhava horrorizado pra mim enquanto eu colocava o curry e o sal grosso na mistura;
- o azeite dobrado também não funcionou. Mesmo com a secagem dupla no papel toalha e a volta ao forno, o petisco ficou bem molhado e manchando de amarelo as mãos de quem comia;
- curry é uma delícia, mas em excesso é um horror. 

Cansada, depois de estar tudo arrumado pra festa
O amigo oculto foi diferente também, chamamos de chocoetílico. As mulheres ganharam chocolates e os homens ganharam bebidas. Exceção pro Dandan, com oito anos de idade, que ganhou chocolate. Ele adora Ferrero Rocher! O site do Amigo Secreto facilita bastante a vida, mas traz um problema. Sempre que sorteamos presencialmente, há a regra da família: eu  não posso tirar nem ser tirada por alguém da minha família, pra ficar mais divertido. Mas o site não respeita isso. Então... eu tirei a Flavinha, minha cunhada, e fui tirada pela Margá, minha sogra. O Dandan tirou o pai dele e a Fabi tirou o marido. Perde um pouco a graça, mas mesmo assim foi muito divertido. Ganhei um monte de chocolate meio amargo, que eu amo!

Foi o primeiro reveillon do Miguel e foi tão bacana que estamos programando uma festa por mês. Temos aniversários em todos os meses do ano, exceto janeiro. Então, em janeiro, vamos festejar que não há aniversariantes.

;-)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Segue o curso

Desde que caiu o Morro do Piolho em cima da rodoviária, estou monotemática. Não tem muito mais coisa pra falar.

Conversava ontem com a Isabella, que ficou três dias em BH tentando voltar pra cá. Ela disse que fez a viagem mais tensa de toda a vida, pela BR-040 - Ouro Branco - Estrada Real. Passou por Saramenha de Cima minutos antes de parte da estrada desabar. Ela me chamou a atenção pra uma coisa. Disse: "Estava ilhada em BH". Fiquei pensando que estar ilhada é uma questão de estado de espírito. Em Ouro Preto estamos parcialmente ilhados, só com uma entrada da cidade aberta. Estar em BH significaria não estar ilhado. Mas ela estava fora de casa, querendo voltar. Então, justo dizer que estava ilhada. E eu, que não pretendo sair de OP por enquanto, não me sinto ilhada. Mesmo quando parece que a cidade está se desfazendo.

Tem vários pontos de deslizamento aqui, tem muita gente desabrigada e desalojada, tem muita gente ajudando. Leo e eu doamos várias roupas e amanhã será a vez de produtos de limpeza e higiene pessoal.

Para quem também quiser ajudar, seguem os pontos de coleta de doações:

ADOP
Rua dos Inconfidentes, 299 - Barra
Ouro Preto/MG
Das 9h às 17h
Informações: (31) 3551-1365

HSBC
Rua São José, 201 - Centro
Ouro Preto/MG
Das 9h às 18h
Informações: (31) 3551-2211

FAOP
Rua Getúlio Vargas, 185 - Rosário
Rua Alvarenga, 794 - Cabeças
Das 9h às 18h
Informações: (31) 3551-2014

Barroco Turismo e Eventos
Rua Professor Paulo Magalhães Gomes, 336B, Morro do Cruzeiro/Bauxita
Ao lado da loja Pires Company e do restaurante La Cave

UNIMED Inconfidentes
Praça Barão de Saramenha, 01, Bairro Saramenha.
Informações: (31) 3559 7212 e (31) 3559-7219

Cooperouro
Rodovia Rodrigo Melo Franco de Andrade, 991, Bairro Nossa Senhora do Carmo
Informações: (31) 3559-3003

Fundação Alejadinho
Rua Hugo Soderi, sem número, Bairro Saramenha
Informações: (31) 3551-5101

Atendendo solicitação de pessoas de várias cidades do Brasil, a ADOP - Agência de Desenvolvimento Econômico e Social de Ouro Preto, qualificada como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) desde de 2005, abriu uma conta específica para receber doações em dinheiro em prol dos atingidos pela chuvas em Ouro Preto. O recurso será totalmente aplicado em benefício das famílias necessitadas. No término, a ADOP fará a prestação de contas (as despesas serão efetuadas mediante notas fiscais) e publicará em seu site e em redes sociais. Os originais (xerox de cheques, recibos de pagamentos e notas fiscais) ficam a disposição para consulta na sede de ADOP. A ADOP presta contas anualmente ao Ministério da Justiça, para renovação de seu título de OSCIP.

BANCO DO BRASIL

ADOP/SOS OURO PRETO
AGÊNCIA: 0473-1
CONTA CORRENTE: 33.465-0

Mais informações: (31) 3551-1365


A Adop é uma instituição séria, responsável, auditada. Que, com certeza, vai dar o destino correto às doações.

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O mundo continua rodando, os dias passam, quem pode ajudar está ajudando. O blog volta com a programação normal. Tem alguns posts prontos sobre o amigo oculto das blogueiras desse ano, o reveillon, filmes e livros. Só volto a falar da chuva em Ouro Preto se for muito necessário.  

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Das marcas que a chuva deixou

Choveu muito aqui em Ouro Preto em novembro. Em dezembro, que eu me lembre, só três dias secos, o restante com muita chuva. Começou com uma encosta do Morro da Forca deslizando em cima da secretaria de Meio Ambiente e do mercado Varejão da Estação. Depois foi o deslizamento na rua 13 de Maio e o perigo para várias casas. E os danos nos distritos, especialmente em Antônio Pereira. Dia 31 de dezembro de 2011, a Prefeitura decretou estado de emergência.

Enquanto tudo isso acontecia, eu comentava com a Adriana, que trabalha comigo, sobre empatia, que é, a grosso modo, a possibilidade de sentir a dor do outro, de se colocar por inteiro no lugar do outro. Eu dizia que não consigo me ver no lugar de quem perde tudo numa tragédia natural, numa enchente, num deslizamento. Que tudo isso parecia tão longe da minha realidade, quase como uma história de ficção. Mesmo morando em BH por tanto tempo e tendo sempre notícias de enchentes. Mesmo morando em OP e vendo os morros deslizando de tempos em tempos. Mesmo trabalhando em Ponte Nova e vendo o rio Piranga subir assustadoramente, derrubando pontes, entrando em casas e lojas e deixando uma trilha enorme de lama e destruição. Nunca consegui sentir a dor de quem perde tudo ou quase tudo assim.

E hoje, 3 de janeiro de 2012, pela primeira vez eu me senti perto demais de uma tragédia dessas. Acordei de madrugada com as sirenes de bombeiros, passando pela minha rua. Imediatamente, pensei no pessoal da Piedade, da rua 13 de Maio. Não consegui mais dormir. Quando, pela manhã, cheguei ao trabalho, vi o tamanho da destruição. Um morro desceu em cima da rodoviária. E matou pelo menos uma pessoa, um taxista, que dormia no carro, esperando por possíveis clientes que chegariam ali logo mais.

Mas fui egoísta, pois não pensei no taxista morto nem no que está, até agora, desaparecido, talvez sob os escombros. Pensei na casa ao lado da rodoviária. Nela moram a irmão da namorada do meu tio, com o marido e os dois filhos. Nas primeiras fotos que vi (a maior parte está aqui) parte da casa estava destruída. Pensei na mulher, no marido e nos filhos, que eu mal conheço. Pensei em como seria estar em casa, talvez dormindo, talvez numa conversa tranquila, e, de repente, a força da natureza se fazer presente. O barulho, a força da terra e da água, o telhado desabando. Tentei buscar notícias da família e recebi uma ligação da Ione, dizendo que estavam todos bem, tinham saído da casa pelos fundos sem nenhum arranhão. Senti um alívio enorme, nem sei descrever. Chorei, sentindo emoção, alívio, tristeza, medo. E só depois pude pensar nos dois que ficaram debaixo dos escombros.

Desceu tanta terra, mas tanta terra, que é praticamente impossível restar alguma vida lá embaixo. É difícil demais pensar que, de uma hora para outra, simplesmente certas coisas deixaram de existir. Um pedaço de uma montanha, uma rua, parte da laje da rodoviária, os banheiros do terminal, os carros que ficavam lá embaixo, esperando passageiros. Os carros aos quais eu sempre recorria, praticamente todo domingo em que voltava de BH, cansada, cheia de malas e de planos de descançar para recomeçar a semana.

Ainda não há riscos para a minha casa, para a casa da Tia Ylza. Não sei até quando, porque a previsão é de mais chuva, até o fim da semana. Já choveu, nos três primeiros dias de janeiro, mais do que era esperado para meio mês. É muita água caindo. E junto com a água, vai acumulando um medo enorme de que aconteça tudo de novo, em outro lugar, com mais vítimas, mais dor, mais lamentos. Medo, é isso que está nos cercando agora.

Enquanto isso, a chuva continua chovendo. E o sol até chegou a aparecer. Com disse o Lucas de Godoy, que fez as primeiras fotos do deslizamento, "'Uns dia chove, outros dias bate sol' e a coisa aqui vai deixar de ficar preta!". Porque, mesmo com tudo de ruim, ainda há esperança de dias melhores.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Só imagens

Lá fora, com tochas e chuva

Lá dentro

Mais dentro ainda

Nós dois

E depois

domingo, 1 de janeiro de 2012

Pra começar o ano bem

Já contei que tenho preguiça dessas festas de fim/inicio de ano, né? Uma hora dessas, estarei de ressaca pelo reveillon com os amigos, então esta postagem está sendo programada. Pra que eu (e quem mais quiser vir comigo) comece o ano acreditando que nem tudo é o que parece. E que haja boas surpresas plantadas pelo caminho.

Seção 32 (Vander Lee)

Nem todo fim tem começo
Nem tudo que é bom tem seu preço
Nem tudo que tenho mereço
Nem tudo que brota é do chão
Nem todo rei tem seu trono
Nem todo cão tem seu dono
Nem tudo que dorme tem sono
Nem toda regra, exceção
Nem tudo que morre é de fome
Nem tudo que mata, se come
Nem tudo que é dor me consome
Nem toda poesia, refrão
Nem todo carro tem freio
Nem toda partilha é ao meio
Nem toda festa é rodeio
Nem tudo que roda é pião
Nem toda obra se prima
Nem tudo que é pobre se rima
Nem tudo que é nobre se esgrima
Nem tudo que sobra é lixão
Nem tudo que fito é o que vejo

Nem tudo bonito eu almejo
Nem tudo que excita é desejo
Nem todo desejo é tesão
Nem tudo que ganho é o que valho
Nem tudo que jogo é baralho
Nem tudo que cansa é trabalho
Nem tudo que se dança é baião

É baião
Nem todo amor é em vão
Nem toda crença, ilusão
Nem todo Deus, comunhão
Nem todo pecado, perdão
Nem tudo que se dança é baião
Nem tudo que sobra é lixão
Nem toda poesia é refrão
Nem tudo que se dança é baião