quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Felicidade Perpétua

Uma das coisa que mais gosto de conversar com a Tia Ylza são as histórias da família dela, os Albuquerque Monteiro (soa bem chique, é verdade). A família se formou após o meu bisavô José Procópio se casar com a Enoe (não, você não leu errado).

José Procópio, conhecido por mim como Vovô Procópio, era filho único por parte de pai e o terceiro ou quarto, não sei ao certo, por parte de mãe. O pai dele, Francisco Monteiro, mais conhecido como Chico Funcho, era muito divertido, pelo que contam (sim, vai ter um post sobre ele algum dia). Ele se apaixonou pela esposa, então viúva, e decidiu-se logo pelo casamento. Ele dizia algo parecido com isso: "Olhei para o lado e lá estava a minha felicidade".

Se foi amor à primeira vista eu não sei. Só tenho certeza de que ele era tão brincalhão que não deixava passar nada: o nome da minha sei-lá-qual-é-esse-grau-de-parentesco era Felicidade Perpétua. Os pais dela quiseram homenagear as santas católicas Perpétua e Felicidade que, pela tradição, morreram juntas e martirizadas. A história é até bonitinha, mas o nome próprio é uma desgraça. Ouso dizer que é mais feio que Enoe.

E Vovó Felicidade tinha outro particular: apesar do nome "alegre" e do marido que era todo divertido, ela era aborrecida, mal-humorada e difícil. Os netos não podiam sequer chamá-la de avó. Todos diziam "Dona Felicidade" - menos meu avô, que era rebelde e insistia em dizer "Vovó Felicidade" (acho que eu tenho a quem puxar!).

Quando meus tios-avós iam se encontrar com Dona Felicidade, eram feitas inúmeras recomendações: não pode rir, não pode falar alto, não pode correr, não pode, não pode, não poder. Não pode irritar a Felicidade Perpétua! 

Essas histórias de família são tudo de bom!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Desafio Literário - Fevereiro: Conversas com Scorsese

Seguindo a minha proposta de ler bastante sobre cinema, o segundo livro do meu desafio para 2012 foi Conversas com Scorsese, de Richard Schickel. A proposta é quase a mesma de Hitchcock Truffaut, livro do mês passado. É uma longa conversa, registrada por gravadores, entre esse grande diretor Martin Scorsese e o documentarista Schickel. Ele disseca os filmes de Scorsese, suas parcerias com colaboradores, em especial com a montadora Thelma Schoonmaker e os atores Harvey Keitel, Robert DeNiro e Leonardo DiCaprio.

O livro é bem leve, dando a impressão de uma conversa muito agradável, quase como se fosse na casa do leitor. Richard Schickel, mesmo sendo amigo de Scorsese, aponta pontos negativos de sua obra, como no filme Gangues de Nova York, considerado um dos piores do diretor. Também questiona suas obsessões como diretor, seu processo de produção e a utilização constante da violência e da temática da traição em seus filmes. Como Hitchcock fazia, Scorsese desenha cada plano de suas produções, um processo detalhado e apurado, que serve como guia e evita custos extras nos sets. Ele é apaixonado por filmes, de maneira ampla. É colecionador de cartazes antigos e criou a Film Foundation, que se dedica a restaurar películas antigas, que contam a história da produção cinematográfica.

Durante toda a entrevista, Scorsese pontua os filmes que viu quando criança e como eles influenciaram a sua vida pessoal e suas escolhas fílmicas. É quase uma filmoteca ambulante, com referências a grandes mestres do cinema, como Elia Kazan, Frank Capra, Antonioni, Vittorio de Sica, John Ford, dentre outros, sempre remetendo à emoção e ao impacto dos filmes vistos.

Scorsese também disseca o processo de direção, produção e montagem de seus filmes. Meus preferidos são Os infiltrados, Ilha do Medo, Taxi driver, Os bons companheiros, O aviador. Ainda há muito da filmografia dele que pre-ci-so ver pra ontem. O livro termina com Ilha do Medo, e indica que o diretor estava envolvido na produção de A Invenção de Hugo Cabret, que concorreu ao Oscar de melhor filme em 2012.

Para quem curte cinema, para quem curte Scorsese, para quem curiosidade sobre o processo de confecção de um filme, é uma ótima pedida.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

52 x 5 - Semana 6

Semana 6: Os super poderes que eu gostaria de ter se fosse um super heroi seriam:

1 - Voar, né?
2 - Materialização em qualquer lugar, ou teletransporte - já falei que odeio deslocamentos?
3 - Mandar pessoas pra lua com um golpe simples e direto
4 - Trocar de roupa num milésimo de segundo
5 - A velocidade do Flash pra resolver aquelas coisas que se arrastam

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Mônica em cartas #1

Luciana, amiga querida,

é engraçado como os ciclos da vida se repetem. Mentira, não são nem os ciclos, são as coisas. No encontro de hoje, que foi o primeiro do ano, teve aquela mesma bobagem do ano passado de falarmos sobre a origem dos nossos nomes e como é importante saber porque nossos pais o escolheram. Sinto-me tão mal com isso, você sabe. É constrangedor contar a história verdadeira. Penso em mentir da próxima vez, porém algo em mim insiste em repetir tudo como se passou.

Aconteceu de novo, todos falando sobre pais felizes, se amando, pesquisando e escolhendo com carinho o nome dos filhos, homenageando o bisavô, a tia solteirona, repetindo os nomes tradicionais da família. E eu, com cara de tomate maduro, contando que meus pais escolheram o nome que a cartomante disse ser o melhor para mim. Querida amiga, não consigo admitir que quem escolheu meu nome foi uma advinhadora! É curioso pensar nisso, e é dolorido também, porque fica claro que, realmente, até a Milady teve um nome escolhido por meus pais, justo ela, a cadelinha da família.

Esta do meu nome é só mais uma coisa que será repetida, repetida, repetida até me deixar tantã. Por enquanto, não posso fugir disso, mas um dia fugirei. Darei tchau a Milady e seus bifes picadinhos. Quem sabe, talvez eu conquiste o mundo.

Com amor,
Mônica

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Os livros e os cheiros dos livros


Entre os projetos bacanas sobre livros que acompanho estão o  Grifei num livro e o Eu te dedico. Há outros, mas esses mexem mais com a minha relação com os livros. Primeiro porque eu ainda não decidi se grifar um deles é bom ou não. Tenho vários exemplares grifados, em geral a lápis (em O Mundo de Sofia foi a caneta mesmo, e caneta verde!), principalmente os que eu mais gosto (O Mundo de Sofia não está na lista dos favoritos, mas esteve numa época).

O Eu te dedico é o que tem povoado meus pensamentos ultimamente.

Eu gosto de dar livros de presente, apesar de saber que é bem impessoal. Adoro receber livros (menos de auto-ajuda, Sidney Sheldon e afins). E amo o cheiro dos livros. Dos novos, dos guardados, dos usados, dos de sebo. Os de sebo, em especial, podem até contar uma história. Nas dedicatórias tão pessoais, no nome do antigo dono escrito nas páginas 68, 168, 268..., num papel esquecido lá dentro com o número de telefone de um amigo, numa mancha de café num pé de página.

Mas como tem toda essa onda purista, não escrevo mais dedicatórias. Quando é muito necessário, vai num papel solto, dentro da obra, ou num post-it colado onde deveria estar escrito. Receber dedicatórias ainda é fantástico!

Como diz o projeto Eu te dedico: "um livro com dedicatória é um livro com duas histórias, uma que começa no primeiro capítulo e uma que começou antes de se passarem as páginas".

Livros com mais de uma história. Esses me seduzem mais.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O caso da mão esquerda

Foi em 1986. A escola estava em greve e nós passávamos os dias inventando coisas novas pra fazer. Uma delas era ir ao Parque Julien Rien, no Anchieta. Havia um bown, mas quase sem skatistas. E nós usávamos a área como um escorregador gigante. Óbvio que não ia dar certo. Eu caí sobre a mão esquerda virada. Foram um mês e meio de imobilização, pelo menos sem quebra.

Daí, na década de 1990, veio o vôlei. Imagina a graça: meus 1,59m tentando jogar vôlei. Me dei melhor como levantadora (mas em geral, era péssima jogadora), e levava pancadas e mais pancadas na mão esquerda. Resultado: vivia no Instituto de Ortopedia e Traumatologia, o IOT, que funcionada na Av. João Pinheiro, em BH. Parei de jogar e fui tocar teclado. Claro que não ia dar certo... terminei o curso, cheguei a dar aulas, mas a mão esquerda não me deixava fazer tudo direito, era mais lenta que a direita e doía bastante. Abandonei a música.

No fim de muitos anos de visitas a médicos e ao setor de fisioterapia, descobri que o problema foi o descolamento de uns ossos da palma da mão, e que eu deveria não forçar. Ok, ok, aprendi a conviver com isso e tudo foi bem até, sei lá quantos anos depois, a bike voltar pra minha vida. Porque, né, eu caio o tempo todo! Ainda não acostumei a desclipar a sapatilha a cada parada, o que significa um festival de tombos bobos (na gíria da bike, cair é lotear o comprar um terreno. Eu já loteei horrores!). Todos tombos com a bike parada, só porque eu não consigo tirar a sapatilha do clipe do pedal no tempo certo.

O último tombo veio no meio de janeiro. Como fazia tempo que eu não pedalava, decidi não pegar o single track (o caminho "fininho", onde só passa uma bike e que exige um equilíbrio e um controle enormes). Fui pelo crosscountry mesmo, o estradão que eu adoro. Cheguei muito antes do resto do povo ao ponto de encontro e, na hora de descer da bike, olha lá meu pé preso de novo! Caí e bati o cotovelo. Levantei, joguei água no cotovelo ralado (arranquei muita pele solta...), na perna também ralada e coloquei a bike de lado. Sentei e esperei a galera chegar. Conversamos, mostrei o machucado, rimos e o pessoal se preparou para voltar pro carros. Foi só subir na bicicleta que eu percebi que não conseguiria continuar a andar. A mão esquerda não funcionava, não consegui segurar o guidon nem passar a marcha dianteira. Chamei Leo e disse que ia caminhando.

Fui ao pronto atendimento e não deu nada na radiografia. Contei a história anterior e o médico me disse para procurar um especialista. No dia da consulta, ele também não viu, mas pediu uma artrorressonância (ô exame terrível!). Esta mostrou muita cois: esgarçamento e ruptura do ligamento radiolunopiramidal e fratura do osso hamato, com múltiplas fraturas trabeculares. Conclusão: carnaval sem pedal, enquanto a turma toda pedalou todos os dias. E hoje, o médico declarou: mais um mês de molho e já no fim de março posso voltar a pedalar. E a cair de novo, porque, vamos combinar, ainda estou me adaptando às sapatilhas clipadas.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Do primeiro dia do carnaval

Carnaval de verdade é um dia só, na terça-feira (hoje!). Mas como no Brasil tudo vira emenda, começaram a festa no sábado, juntando domingo e segunda. Depois, o início passou pra sexta e, atualmente, pra quinta. Pois é, quinta-feira é o dia da Abertura Oficial do Carnaval de Ouro Preto. E como quem trabalha precisa ter uma boa noite de sono antes de pegar no batente, há alguns anos nós instituímos que não se trabalha mais na sexta-feira de carnaval. Eu, pelo menos, não consigo render após uma noite de barulho infernar. E, durante o dia de sexta, a zona já é tão grande que fica impraticável.

Nesta quinta, a noite foi agitada. Começou com o ensaio da bateria do Bloco do Caixão, na porta da minha casa. Confesso que eu gosto da bateria, dos toques, das coreograficas do batuque (este batuque, pelo menos, é realmente ensaiado e bonito). Por volta das 23h começou a batucada e eu filmei, justamente porque gosto da bateria). Acabou por volta de 0h30. E aí começou o suplício: um carro de som parado sob a casa ao lado, tocando funk na maior altura. Insuportável. Leo catou o travesseiro e foi dormir na sala, com todas as portas até lá fechadas. Fiquei, porque já fico pê de ter que sair de casa em todo carnaval, ainda vou ter de dormir no sofá...

No dia seguinte, enquanto fui à casa de Tia Ylza me despedir, fotografei o que fica na rua após o dia mais light do carnaval de Ouro Preto. E desejei sorte pro Otávio, meu irmão, que vem com uma turma grande ocupar a nossa casa e fazer, segundo eles, o melhor carnaval que existe em Ouro Preto, o do nosso quintal.

Primeiro, o lado ruim:

Rua São José, após o bloco Vermelho i Branco

Em frente ao Fórum

A porta da minha casa
Pô, gente, é tão difícil assim jogar o lixo no lixo? Que vergonha!

O lado midiático:

A Vênus Platinada e seu palanque


O lado bonito (sim, tem um lado bonito no Carnaval de OP):

Os bonecões nos palcos (estes, no Largo do Cinema)

A FAOP embelezando os tapumes nas pontes

A Ponte dos Contos bem colorida


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

52 x 5 - Semana 5

Semana 5: Fazem parte da minha wishlist:

1 - Toscana, de maneira geral. E Florença e San Gimniano em especial.
2 - Um que não posso contar agora. Um dia, um dia...
3 - A vida de estudante de volta.
4 - Um bom curso de história da arte.
5 - Terminar a lista de livros que eu quero ler antes de morrer

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Livro: Encontro com a morte

Eu gostaria muito de completar a minha coleção de livros da Agatha, sério. Ao mesmo tempo, gostaria de não ler com tanta sede os livros da autora. Eu adoro, mas acho muito ruim sempre pegar um livro dela e fazer com que ele fure a fila das minhas outras leituras. Muito feio isso!

Este Encontro com a morte faz parte dos livros que foram inspirados por viagens. O segundo marido da Agatha era arqueólogo, vivia viajando e ela, acompanhando. A trama se passa entre Jerusalém, Petra e Aman. Os cenários, que devem ser maravilhosos, parecem que não inspiraram muito a autora. A trama é bem fraquinha. Ou, talvez, a família principal seja tão antipática que faz com que a história fique ruim. A edição que li, da Círculo do Livro (adoro os livros da Círculo), foi muito mal cuidada. O nome de Mrs. Boynton geralmente aparecia como Mr., prejudicando a leitura. Sem contar os vários errinhos que os editores e revisores deixaram passar. Uma pena... acredito que a Círculo já deveria estar falindo quando houve essa edição.

Mrs. Boynton é uma rígida madrasta americana. Ela comanda a família com mãos de ferro e impede qualquer contato dos enteados e da filha com estranhos. Seu jeito aterroriza não só sua família como também os turistas que estão no mesmo hotel e nos mesmos passeios. Em uma visita a Petra, ela resolve deixar a família livre para um passeio durante a tarde. À noite, é encontrada morta. Todos os enteados e a filha são suspeitos. E Hercule Poirot, que também estava em férias, é convidado a solucionar a morte da matrona antipática.

O livro é bacana, mas parece que a Agatha não estava lá muito inspirada. Fica parecendo que alguém tentou seguir a mesma estrutura dos seus livros, mas errou bastante na composição da trama. Mesmo assim, eu gosto, né?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O óleo de peroba que me beneficia

Este início de ano foi bem atípico. Especialmente pela questão dos calendários. Anualmente, recebemos um monte de calendário de mesa, em geral das gráficas com que trabalhamos. E de bancos. E de sei lá mais de quem.

Misteriosamente, este ano, não recebemos nenhum. E, vou te contar, faz uma falta danada aquele calendário de mesa. Ajuda horrores na hora de planejar coisas. Meu calendário sempre ficou do lado direito do monitor. E é sempre pra lá que eu olho quando preciso conferir uma data (e também pra saber que dia é hoje, algo que eu sempre esqueço).

Recorri à Tia Ylza, que sempre recebe muitos calendários. Mas cheguei tarde, ela já tinha dado todos os que recebeu. Até me ofereceu um daqueles de parede, mas minha necessidade era o de mesa. Então, com muita tristeza no coração, comecei a usar o calendário do computador. E é uma droga, porque quando eu preciso dele, primeiro olho pro lado direito do monitor, depois fico pensando no que aconteceu com os calendários de mesa e só aí lembro de clicar no Ical ou no Dashboard do Mac. Humpf...

Mas aí, chego na casa da Tia Ylza e ela me oferece um calendário de mesa da Caixa. Olha a história dela:

"Fui na Caixa pagar duas contas. O moço que me atendeu foi muito atencioso. Depois que paguei as duas contas ele perguntou se eu precisava de mais alguma coisa. Eu perguntei se ele tinha um calendário daqueles pra me dar. Ele falou que sim, em dois minutos. Foi no andar de cima e voltou com ele. Trouxe pra você".

Troféu Óleo de Peroba pra Tia Ylza! Ainda bem que ela lembrou de mim!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Desabafo carnavalesco

Uma cervejaria Voldemort (aquela que não merece ser nomeada) está fazendo uma propaganda enorme sobre "invadir os melhores carnavais do Brasil". Entre eles, o de Ouro Preto.

Primeiro, fiquei indignada. Mas agora eu até entendo a cervejaria.

Veja bem: quem invade recorre a isso porque não foi convidado. Vão invadir Ouro Preto porque não podem (ou, vai ver, não querem) entrar pela porta da frente.

Faz sentido, né?

Enquanto isso, eu fico aqui, sonhando com o dia em que poderei ficar de bobeira na minha casa durante o carnaval. Que não vou ser obrigada a fazer a mala e sair, só porque o resto do mundo decidiu que, além de invadir e ocupar a cidade, também precisa trabalhar intensamente para que eu não consiga dormir ou, sequer, pensar dentro da minha própria casa.

Leo me chama de utópica. Mas eu ainda preciso manter essa esperança.

Filme: Assalto em dose dupla

Flypaper - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Rob Minkoff
Roteiro: Jon Lucas, Scott Moore
Elenco: Patrick Dempsey, Ashley Judd, Tim Blake Nelson

Um banco, três assaltantes profissionais, dois assaltantes fuleiros, refèns, um obsessivo hiperativo e muita confusão. A palavra confusão, a gente já sabe, tem muito a ver com filmes da Sessão da Tarde. E é isso, um filme que tem cara de produção para televisão, com uma saladona de clichês e takes convencionais.

Patrick Dempsey é Tripp, um homem que tem hiperatividade e comportamento obsessivo. Ele entra no banco para trocar uma nota de 100 dólares em moedas pequenas. Ele fica encantado por Kaitlin, a atendente bonitona (Asley Judd) e, ao perceber que dois sujeitos que entram no banco vão assaltá-lo, pula sobre Kaitlin para protegê-la. Com eles, também são feitos reféns outra atendente, o responsável pelos sistemas informáticos, o gerente, um consultor para roubos a banco, o segurança e uma cliente sueca. Ao mesmo tempo, três assaltantes profissionais, super equipados, também invadem o banco e trocam tiros com os ladrões fuleiros. Um agente do FBI é morto e Tripp, devido a sua hiperatividade, quer descobrir quem matou o agente e por qual motivo. Aí, tem-se início a trama.

O roteiro é beeeeem mais ou menos. A proposta é ter várias viradas, mas o filme fica confuso e, ao mesmo tempo, bastante previsível. A atuação de Patrick Dempsey é tão caricata que dá medo. Ele faz Tripp com uma leve inspiração no personagem de Jack Nicholson em Melhor é Impossível e toques de Johnny Deep em Piratas do Caribe.

Sério, nem dá pra rir...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Citações 20

De Martin Scorsese, no livro Conversas com Scorsese, sobre a história de Davi, na Bíblia:

(...) só estou pensando nisso agora, porque adoro a história de Davi, sempre releio e fico fascinado com a quantidade de coisas ruins que ele fez. Ele manda Urias para a frente de batalha para ser morto e ele poder ficar com a mulher do cara. É uma história incrível, e mesmo assim ele é um dos ungidos de Deus. Tem muito a ver com o que eu penso da condição humana: se você tem sorte há alguma graça divina. Se faz essa mudança você mesmo, ou se acredita num ser supremo, isso depende de você. Tem muito a ver com o jeito como você trata a si mesmo.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Filme: Histórias Cruzadas

The Help - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Tate Taylor
Roteiro: Tate Taylor
Elenco: Emma Stone, Viola Davis, Octavia Spencer

Ainda sob o impacto do filme, não sei o que pensar. Não consigo definir se gosto ou não. Vamos aos fatos.

Eugenia Pehan (Emma Stone), conhecida como Skeeter, é uma aspirante a jornalista e escritora que volta para casa, após a faculdade. Ela quer ser reconhecida pelo seu trabalho, e não se encaixa mais no grupo de amigas da Junior League (espécie de grupo beneficente de senhoras) que não faz nada na vida, além de jogar bridge, fingir caridade e humilhar pessoas. Daí ela tem a brilhante ideia de escrever sobre a vida das empregadas domésticas de sua cidade, Jackson, marcada pela forte separação entre brancos e negros e pela atuação da KKK, o grupo que persegue e mata negros. Aos poucos, as empregadas contam histórias aterrorizantes e o livro vai nascendo.

Não consigo, ainda, pensar se é um filme bem feito, se foi bem dirigido. Porque a história que é, aparentemente sobre como combater o racismo, acaba sendo muito racista. Um exemplo é quando Minny, a empregada especialista em cozinha, após ser despedida por usar o banheiro dos donos da casa onde trabalha, arruma emprego em outra casa e ajuda a patroa a cozinhar. Ela e o marido preparam, então, um grande banquete de agradecimento para Minny, que pergunta, então, se está despedida. A resposta do casal é que ela terá sempre um emprego naquela casa. A proposta é que o casal está tão agradecido que faz um bem a Minny, mas não é bem isso. Eles só reforçam que o espaço de Minny será sempre na área de serviço.

Skeeter, depois de publicar o livro anonimamente, tem a possibilidade (e o incentivo para isso) de sair da cidade e arrumar um emprego numa revista em Nova York. Enquanto isso, as empregadas que abriram histórias tão pesadas sobre as patroas ficam ali na cidade, sofrendo todo tipo de violência. Elas têm um trunfo - uma parte um tanto escatológica da história - para não serem descobertas, mas mesmo assim sofrem. A personagem de Viola Davis, Aibilleen Clark, é a narradora do filme, mas isso parece existir apenas para dar a ideia de que ela é a protagonista, e não Skeeter.

Por outro lado, o filme faz pensar sobre a relação patroa-empregada. Há alguns anos acontecia o que se vê na abertura da história: a pessoa se tornava empregada doméstica porque sua mãe também foi uma e porque sua avó foi escrava. Não havia outro caminho. Hoje, como há outras opções, ninguém optaria por trabalho doméstico. Especialmente, há acesso a educação escolar. A história dá margem a essa discussão, e também ao tratamento dado às empregadas e pessoas que fazem aqueles trabalhos que ninguém  quer. Nós todos tratamos empregados domésticos, faxineiros, porteiros e outros profissionais como se eles não existissem - a não ser, claro, quando precisamos deles.

Enfim, sob o impacto da história que faz pensar mas, ao mesmo tempo, reforça o racismo, não tive como pensar nas questões técnicas do filme. A única coisa que dá pra falar com relação a isso é que Viola Davis leva a personagem com muita intensidade.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

52 x 5 - Semana 4

Semana 4: Minhas citações preferidas são: (trechos de livros, de músicas, frases de autores, etc)

1 - "ai, Minas Gerais, já ter saído de lá, tuas sombras, teus noturnos, teus bêbados pelas ruas, Eduardo Marciano, minha mágoa, minha pena, minha pluma, merecias morrer afogado, o barco te leva pra longe, a praia está perdida, mas voltarás, nem que tenhas de andar sobre as águas" - Fernando Sabino, em O Encontro Marcado.
2 -  "Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa." e "Viver é negócio muito perigoso." - de Riobaldo, personagem de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.
3 - "Quando nasci veio um anjo safado / O chato dum querubim / E decretou que eu tava predestinado / A ser errado assim / Já de saída a minha estrada entortou / Mas vou até o fim" - Chico Buarque, em Até o fim.
4 - "Por que carros e aviões se tens sonhos e pernas?"- Vander Lee
5 - "Quero explodir as grades / e voar / não tenho pra onde ir / não quero ficar" - Humberto Gessinger, em Novos Horizontes

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Filme: Visões de um crime

Facez in the crowd - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Julien Magnat
Roteiro: Julien Magnat
Elenco: Milla Jovovich, Sarah Wayne Callies, Julian McMahon

Anna Marchant (Jovovich) tem uma vida perfeita. Vive com o namorado, tem um bom trabalho, um grupo de amigas fiéis. Um dia, após sair com as amigas, ela vê um serial killer em ação. Enquanto tenta sair sem ser vista, seu celular toca. O criminoso a agride, a joga da ponte e foge. Ela sobrevive com uma sequela: não reconhece mais rostos. As amigas, o namorado ou qualquer outra pessoa passa a ser um estranho para Anna. E, assim, ela é incapaz de reconhecer o serial killer. Como havia visto seu rosto antes de ser agredida, ela passa a ser perseguida por ele.

O enredo é até interessante. Mas o filme é terrível. Um problema parecido é motivo de comédia em Como se fosse a primeira vez, com Drew Barrymore e Adam Sandler. Aqui, com o viés do drama, não funciona. Milla Jovovich não parece estar em sintonia com a personagem. Ela não passa a tensão que Anna deveria viver com sua nova condição de não conhecer mais rostos.

As cenas, que deveriam ser tensas, esbarram no trash, como na sequência em que o serial killer mata o morador de rua que evitou a morte de Anna. E o diretor insiste em criar tensão do jeito mais fácil: um telefone celular, uma boate com pouca luz, flashs e música alta. É cansativo... Ah, não dá pra deixar de lado, também, a chuva dramática, que sempre está lá para criar o clima que o roteiro, os personagens, os diálogos e tudo o resto não dá conta de manter.

Resumindo: uma bomba!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Livro: Os treze problemas

Há mil anos, quando soube que Agatha Christie tinha mais personagens detetives, além do belga Hercule Poirot, torci o nariz pra Miss Marple. Como uma senhorinha que faz tricô (igual a vovó e Tia Ylza) poderia ser uma mente a desvendar crimes? Fato é que deixei de ler alguns livros da Agatha ao saber que o personagem principal era Miss Marple. Mas um dia não teve jeito. Li e a-do-rei o jeitinho confuso dessa senhoria que conhece bem a natureza humana porque observa bem a vida na sua aldeia, St. Mary Mead.

Em Os treze problemas, o sobrinho de Miss Marple, o escritor Raymond, está reunido, na casa da tia, com alguns amigos. Um deles é ex-investigador da Scotland Yard. A conversa vai, inevitavelmente, para os casos sem solução. O grupo decide, então, fundar o Clube das Terças-feiras. Uma vez por semana eles voltam a se reunir, na casa de Miss Marple, e um deles conta uma história real, do qual só ele sabe o desfecho. Os outros precisam resolver o mistério. Nem é preciso dizer que Miss Marple, caladinha no seu canto, fazendo tricô (contando pontos e perdendo malhas), é a única do grupo a acertar todas as soluções.

Após seis semanas, o grupo se dissolve. Algum tempo depois, Sir Henry Clittering, da Scotland Yard, volta a St. Mary Mead para visitar amigos e sugere a presença de Miss Marple em um jantar, para continuarem com as histórias. E assim, são 12 problemas diversos que senhorinha simpática e confusa consegue solucionar. O décimo terceiro é um caso de assassinato em que um inocente será preso. E Miss Marple procura Sir Henry Clittering para evitar que o verdadeiro assassino siga livre.

Por ter histórias mais curtas, é um livro bem tranquilo de ler. Talvez seja o melhor para quem quer começar a ler Agatha. E Miss Marple é uma fofa. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O nome e o endereço

Já perdi a conta das vezes que contei aqui o que acontece quando se tem um nome comum demais. Nem vou linkar porque, né? Eu já ando cansada pra caramba disso.

Mas daí que eu moro numa cidade pequena. E os carteiros, às vezes, confundem os endereços. Recebo algumas coisas aqui em casa que é pra outra rua, mesmo número. A outra casa também recebe algumas coisas que são daqui.

Dia desses, me ligaram de outra rua - não aquela que sempre tem confusão -, mesmo número. A moça me disse que recebeu uma carta pra mim, mas não olhou o destinatário direito e acabou abrindo. Viu o engano e procurou o telefone lá de casa. Perguntou se eu podia passr lá pra buscar a tal carta, eu disse que sim.

Fui lá, pensando que raio de carta seria. Até onde eu me lembrava, já tinha recebido tudo que era importante. Podia ser uma mala direta qualquer, e eu acabaria passando raiva de ir receber, sei lá, propaganda de cortador de grama.

Cheguei lá - era numa loja - e a moça ficou me olhando como se eu fosse um ET. A carta não era, afinal, uma carta. Eram dois livros. Um, aberto, com meu nome impresso no campo do destinatário. O outro, fechado, foi comprado na Estante Virtual e o remetente escreveu a caneta. Em vez de usar o "A" assim, maiúsculo como é mais comum, a pessoa usou um "a" minúsculo maior. Daí, a senhora vendedora da loja praticamente não me entregou o pacote. Ficou com ele não mão, olhou de novo pra mim e me perguntou quem era a "Oline".

Eu mereço, né? Aposto que colei Ploc Monster na cruz!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Filme: Os descendentes

The Descendants - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Alexander Payne
Roteiro: Alexander Payne, Nat Faxon
Elenco: George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miler

Fico feliz desse Os Descendentes ter sido o primeiro filme "novo" que vi em 2012. Vi o trailler e não achei lá essas coisas. Mas calhou de ver e, então... não fiquei decepcionada.

Matt King (Clooney) é o personagem principal e narrador do filme. Ele está com a vida um pouco em desordem: sua mulher está em coma após um acidente e ele não tem muito contato com as filhas, Scotti e Alex. As duas sentem a situação da mãe de forma dirente: Scottie começa a dar trabalho na escola e tem tiradas que não condizem com sua idade, assustando o pai. Alex é uma adolescente rebelde que estava brigada com a mãe antes do acidente e parece fazer pouco caso de tudo. É ela quem conta a Matt que ele vinha sendo traído pela mulher. Em meio a isso, Matt também tem que tratar do destino de um terreno de sua família, em que ele é o responsável e seus primos estão deliberando sobre a quem vender.

As paisagens do Havaí, onde se passa a trama, são muito bonitas. Elas contrastam com o olhar triste e sombrio de Clooney, amargurado com sua situação pessoal (me lembrou bastante o olhar do Nicholas Cage em O sol de cada manhã). A composição do personagem é bem interessante. A postura, a posição dos ombros, a movimentação do Clooney em cena são bem adequadas ao personagem. Por outro lado, sua obsessão em encontrar o amante da mulher e perguntar a ele se havia amor na relação me parece tão absurdo... só perde para a vontade de Matt convidar o amante para visitar a esposa no hospital, antes que ela morra, para se despedir. Hã? Alex, a filha mais velha, está envolvida nessa busca - ela quer participar e o pai não a impede, até mesmo conta com a sua ajuda.

A história paralela, de Matt King, seus primos e a venda do terreno, acaba se cruzando com a trama da esposa em coma. É aquele velho dilema: preservar uma área natural, linda e utilizada pela comunidade, ou vendê-la por milhões para um grupo que fará um resort super exclusivo?  A área é de encher os olhos, de tão bonita (já falei que as locações são fantásticas?).

A caracterização de Elizabeth, esposa de Matt, é muito bem feita. Desde o tom da pele, a boca aberta e seca, a posição dos dedos das mãos, o cabelo em desalinho. É tão real que me fez lembrar do período em que acompanhei minha tia no hospital.

Algumas coisas que me incomodaram, como a narração, bem desnecessária. O excesso de tiradinhas cômicas também. A platéia rindo até mesmo nos momentos mais tensos, em que a morte da esposa de Clooney é iminente, me fez pensar em como as pessoas em geral não entendem o que é a tensão de ter um familiar em coma. Sid, amigo de Alex, é irritante, imbecil e desnecessário. Dá pra rir com ele em duas situações no máximo. O personagem não faz a mínima falta.

O filme está sendo indicado ao Oscar de Melhor Filme (não é tão bom assim...), Melhor Ator (Clooney está bem, mas longe de ser uma atuação marcante), Melhor Diretor (Alexander Payne, também longe de ser tão bom assim), Montagem (nada impressionante) e Roteiro Adaptado (bonzinho, difícil ganhar).

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Livro: As Esganadas

Daí que o Jô Soares lançou outro livro. E meu sogro leu e achou que eu poderia gostar. Logo, estava eu com ele nas mãos. Calhou de, no dia de começar a ler, eu ter enfrentando algumas horas de viagem de ônibus e algumas horas na sala de espera de um consultório médico. Acabei lendo tudo em um dia só.

Seguindo a linha dos seus livros anteriores, Jô cria um assassino em série que é, logo de cara, apresentado ao leitor: Caronte, o condutor da barca do Inferno, no rio Estige. Este é, aliás, o nome da funerária de propriedade de Caronte. Conhecemos suas motivações, seus métodos e sua vida. Não deixa de ser engraçada a abordagem às suas vítimas: com doces portugueses. Elas, apenas mulheres obesas. Que morrem por asfixia, com o estômago recheado de comida portuguesa.

O trabalho de pesquisa para a composição do livro é muito legal. Dos nomes das ruas do Rio de Janeiro de 1938 até a vida de personagens históricos que, aqui, fazem parte do enredo. Filinto Müller, o temido chefe da polícia de Vargas, aparece pouco, mas é bastante citado pelo delegado Melo Noronha, que se sente pressionado pelo figurão. Na investigação, ele conta com a ajuda de seu oficial, Calixto; e de um ex-detetive português, Tobias Esteves; e de uma jornalista destemida, Diana de Souza.

A história é legal, sim. O chato são as piadinhas sem graça do Jô, que faz trocadinhos infames e usa de gags tão batidas que dá preguicinha. Por exemplo: "O tropel transforma O ouro do Reno, de tragédia épica, em tragédia hípica". Ou quando Tobias Esteves comenta que seu bigode é de família e alguém pergunta se seu pai usava bigode. Ele responde que era sua mãe quem usava. E tem es estereótipos: piadas com poprtugueses, com obesos, com anões. Praticamente reeditadas dos dois outros livros dele que eu li, O Xangô de Baker Street e O homem que matou Getúlio Vargas. Afff...

Fora isso, é HERESIA usar meu poema favorito entre todos do mundo, de autoria do Álvaro de Campos (o melhor heteronômio do Fernando Pessoa), para introduzir Tobias Esteves. Tabacaria, de 1928, é o que de mais bonito já se escreveu sobre a modernidade, sobre o vazio da vida e as questões que, anos mais tarde, fazem a alegria dos terapeutas, analistas e psiquiatras.

Um livro interessante, agradável e que pode até ser engraçado pra quem já não se cansou das mesmas piadas de sempre do Jô Soares.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

52 x 5 - Semana 3

Semana 3: Coisas pra se fazer no calor:

1 - Tomar muito sorvete.
2 - Ler ao sol.
3 - Praia. Ou não.
4 - Andar de bike na sombra (ou em trilha fechada, ou num cross country cheio de árvore).
5 - Deixar as janelas bem abertas.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Desafio da página 161

Foi a Marina Carvalho, minha colega de faculdade, que passou o desafio. Eu achei legal, fiz na hora, mas não segui 100% as regras (tenho um problema sério com regras, tô começando a crer!). Vamos lá:

- Pegar o livro mais próximo;
- abri-lo na página 161;
- procurar a 5ª frase completa;
- postar a frase;
- não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
- finalmente, repassar o desafio para seis pessoas.

Minha frase: "Entre os exemplos de inovações disruptivas para os pobres, estão telefones celulares por U$5, laptops por U$ 100, dentre outros."
O livro: Marketing 3.0, de Philip Kotler.

Segui à risca o escolher o livro mais próximo - esse aí vive na minha mesa de trabalho. Queria burlar pro livro que eu estava lendo no dia, da Agatha Christie, mas fui bem educadinha nessa parte.

O que eu não segui nem vou seguir é repassar o desafio pra seis pessoas.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O que te faz feliz?

Dia desses, Leo e eu estávamos conversando sobre uma pessoa que a gente conhece que tem um bom emprego, um bom salário, um bom carro, bastante conforto. Mas dizíamos que, apesar de todas essas possibilidades financeiras, ele tem um olhar triste. É uma pessoa simpática, de bom papo, daquelas de que todo mundo gosta, mas não tem um grupo de amigos, aqueles de toda hora. Ele tinha, há alguns anos, mas Leo e eu vimos esse grupo se desfazer.

Por conta dessa pessoa, começamos a conversar sobre o que é felicidade. Leo me perguntou o que me fazia feliz. Bom... ele me faz feliz. A minha vida hoje me faz feliz. Ter passado por tudo o que eu passei e ver que hoje é bem diferente me faz feliz. E cada conquista - terminar um livro difícil, terminar um passeio de bike sem pedir socorro, ajudar qualquer pessoa com o que posso oferecer, ter todos os amigos que eu tenho, ter independência desde muito cedo. Isso tudo me faz feliz. Coisas que dinheiro não compra (mas ajuda, claro!).

E o Leo? Ele diz que é feliz. E que se sente feliz proporcionando alegria pras pessoas que estão próximas. E citou vários exemplos, que são palpáveis, mas não vêm ao caso - envolvem coisas muito particulares e que, sim, são capazes de trazer felicidade não só o Leo como a mim também.

A conclusão dessa conversa toda é que felicidade é uma coisa bem particular. O que me faz feliz é uma coisa, o que te faz feliz é outra. Não há certo ou errado nessa história. Acho que o sujeito de quem falei aí no começo do texto não é feliz, levando em conta o que eu considero felicidade. Talvez ele, se fosse confrontado com essa questão sobre felicidade, a resposta seja que sim, é feliz, a seu jeito. Mesmo que seus olhos sejam tristes.

E pra você: o que te faz feliz?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Filmes: O homem que virou suco

O homem que virou suco - 1981 (mais informações aqui)
Direção: João Batista de Andradre
Roteiro: João Batista de Andrate
Elenco: José Dumont, Aldo Bueno, Rafael de Carvalho, Ruthinéa de Moraes

Post novo no Cinema de Buteco. Vi esse filme pela primeira vez em 2002, na pós-gradução, na aula de Recursos Humanos. Fiquei impressionada com a qualidade da direção, do roteiro, da trilha sonora (de Vital Farias), da montagem (de Alain Fresnot) e com a atuação do José Dumont, que sempre dá show. É um filme raro de ser encontrado, mas que recompensa o espectador. Quem achar uma cópia, não perde nada em ver. Leia o texto aqui.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Desafio Literário - Janeiro: Hitchcock Truffaut


Seu eu contar que estou ainda mais apaixonada pelo Hitchcock...

O livro foi escrito pelo cineasta francês François Truffaut, um dos fundadores do movimento Nouvelle Vague e também um dos editores da Cahiers du cinéma, a revista francesa mais influente do mundo do cinema. Para o grupo, Hitchcock era um dos maiores diretores do mundo, mas ele era ignorado ou massacrado pela crítica americana. Truffaut decidiu, então, fazer uma longa entrevista com Hitchcock, contando com a tradução de uma amiga. Foram vários dias de conversa e a entrevista gerou a primeira versão desse livro. Após a morte de Hitch, nova edição foi realizada, com Truffaut acrescentando informações sobre os filmes que ficaram de fora. E a Companhia das Letras fez a minha felicidade ao lançar esse livro, com prefácio de Ismail Xavier e muitas fotos das produções desse diretor que eu adoro.

Sou suspeita pra falar do Hitch. Não conheço todos os seus filmes, mas adoro todos os que já vi, com destaque para Festim Diabólico (meu favorito), Interlúdio, Psicose e Um corpo que cai. O diretor é considerado o mestre do suspense, com razão. Seus filmes são de arrepiar. E, no livro, ele conta como consegue produzir essa sensação nos espectadores. Um dos motivos de trabalhar com o medo, segundo ele, é ter sido educado em um colégio jesuíta, em que o medo era difundido, por conta da punição divina. Ele afirma, em várias passagens, que tem medo da polícia, por exemplo.

Hitch começou sua carreira como eletricista, depois passou a ser desenhista no cinema e, assim, chegou a diretor. Ele desenhava cada cena, de modo que o operador da câmera tivesse só que seguir o desenho, sem margens para criação. Dirigia com mão de ferro toda a produção - em uma passagem ele fala que no set de filmagem não é lugar de improvisar. Ele também conta alguns de seus truques de filmagem, como os posicionamentos de câmera, a criação de objetos maiores do que os orginais para conseguir enquadramentos mais interessantes e os filtros nas câmeras, por exemplo. Também explica como aconteceram as filmagens de Festim Diabólico, um filme criado para não haver cortes e que se passava entre 18h30 e 22h - o cenário por trás da janela do apartamento onde se passa o filme era três vezes maior do que o ambiente da ação; a captação do som de modo mais realista; os móveis e paredes que tinham rodinhas para serem retirados do cenário enquanto a câmera caminhava. Nesse filme, tudo foi feito com uma precisão milimétrica que me deixa de queixo caído a cada vez que vejo de novo.

O diretor era também um montador, o que explica que seus filmes sejam tão redondinhos. Ele fala muito da importância de decupar o filme para que fique um trabalho bem feito. E contrapõe o trabalho em Festim Diabólico, com a ausência de cortes, com a cena da morte de Marion em Psicose: são 45 segundos e mais de 70 cortes que impactam totalmente o espectador. Ele até mesmo afirma que Psicose é um filme da humanidade, levando-se em conta o impacto tanto da história quando de todo o processo de manufatura da película e do retorno do público. 

Muito interessante, também, é quando ele comenta a questão do diálogo, nos roteiros. Para Hitch, o diálogo só deve existir se realmente for necessário ao filme. E é muito comum a existência de diálogos para justificar alguma coisa na narrativa. Para o diretor, a câmera e o mise-en-scène deveriam ser mais importantes que os diálogos. E, se a gente for pensar bem, muitos filmes perdem um tempo precioso com diálogos inúteis.

A entrevista parece tão espontânea quanto uma conversa na sala de casa, em que o leitor (eu!!!) toma parte e viaja pela filmografia e pelas ideias do Hitch e do Truffaut. A vontade é continuar a leitura - como se fosse possível! - e assitir a todos os filmes citados, inclusive os quem nem existem mais, do início da carreira do diretor, ainda na Inglaterra. Recomendo pra todo mundo que gosta do Hitch, de filmes de suspense, de filmes em geral, do desenvolvimento do cinema, da arte cinematográfica em si. Muito, muito bom.