sexta-feira, 30 de março de 2012

Feitiço de Áquila

Ela ama filmes musicais e odeia comédias, até as românticas.
Ele ama filmes de comédia (não romântica) e odeia musicais.

Ela põe a pasta de dente na escova, molha e escova os dentes.
Ele molha a escova, põe a pasta e escova os dentes.

Ela põe a caneca de leite por um minuto e meio no micro-ondas e só depois de quente põe o Toddy.
Ele põe o Toddy no fundo da caneca, põe o leite e só depois leva ao micro-ondas, por menos de um minuto.

Ela gosta de acordar cedo e curtir o dia.
Ele gosta de acordar tarde e curtir a noite.

Ela é Galo.
Ele é Cruzeiro.

Ela não bebe quase nada alcoólico.
Ele é doido com cerveja.

Como no filme Feitiço de Áquila (Ladyhawke), parecia que nunca iriam se encontrar.

Foi num dia - ninguém sabe qual - de janeiro de 2001 que eles se conheceram. E foi em 30 de março de 2001 que as diferenças começaram a ficar pequenas.


quinta-feira, 29 de março de 2012

Desafio Literário - março: Morcegos Negros

Acho que não é segredo para ninguém que acompanha o blog o meu interesse pelo período em que o Collor esteve na presidência do país. Eu tinha 11 anos quando aconteceu a eleição vencida por ele - acompanhei com  a atenção que a minha idade permitia. Tive mais atenção ainda na hora do impeachment, também com olhos bem jovens, sem entender o tamanho daquilo tudo. Já na época da faculdade de jornalismo pude me aprofundar no tema, de certa forma, para entender - ou não - como tudo aquilo se deu. Um dos livros que li, na época do lançamento, foi Notícias do Planalto, relido ano passado. Também na faculdade li o livro do Pedro Collor, irmão do presidente, e o que mais me caísse nas mãos sobre o assunto. Quando vi o lançamento deste Morcegos Negros, logo quis adquirir. Não me lembro porque não levei adiante, na época. O fato é que só este ano tive o livro nas mãos. É o segundo livro do Lucas Figueiredo que leio (o primeiro foi Ministério do Silêncio, também lido no ano passado). Recomendo a leitura do blog dele para todos que querem entender mais da política nacional.

Morcegos Negros é um livro reportagem sobre o Esquema PC, como ficou conhecido a "coleta" ilegal de dinheiro junto a empresas e instituições durante a campanha e o governo de Collor, capitaneado pelo tesoureiro de campanha Paulo César Farias, o PC. A proposta é investigar onde foi parar esse dinheiro, que é calculado entre 400 milhões de dólares, numa expectativa pessimista, e um bilhão de dólares, na expectativa da Polícia Federal. Lucas Figueiredo começou o trabalho de investigação quando, como repórter da sucursal de Brasília da Folha de S. Paulo, foi cobrir a morte de PC Farias e de sua namorada, Suzana Marcolino, em Maceió, em julho de 1996. Seu trabalho mostra como a rede criada por PC lavou e sumiu com um valor exorbitante de dinheiro e ainda manteve relações com a Máfia italiana e com o tráfico internacional de drogas. Também rastreia, junto com investigadores italianos, o caminho do dinheiro do Esquema PC e aponta onde ele pode ter sido usado. Ainda aborda a morte de Paulo César Farias e de sua namorada e os caminhos de uma investigação bastante controversa: crime passional ou duplo homicídio?

Assim como Notícias do Planalto, Morcegos Negros é um livro que dá nojo. O conteúdo dele, claro. Lucas é um repórter de primeira, faz um trabalho investigativo impressionante. O livro é muito bem escrito, de forma envolvente e não cronológica, fazendo com que o leitor queira chegar ao final daquela história. Suas colocações são contundentes e não deixam dúvidas sobre esse que é considerado o maior escândalo do Brasil. E é justamente o teor do livro, seus personagens, a corrupção em tantos graus e os resultados que Lucas apresenta que dão asco no leitor. Como é possível que tudo, sempre, termine na impunidade?

Lucas Figueiredo afirma, em seu blog, que foi o único condenado do caso PC Farias. Isso porque foi processado por um juiz citado no livro, que não gostou de uma das frases escritas pelo autor. Foi condenado, junto com a editora Record, a indenizar o juiz e pagar as custas de advogados. Em novembro de 2011, ele quitou o pagamento estipulado.

Recomendo a leitura de Morcegos Negros a todo mundo que queira ter uma visão melhor sobre o período Collor e também sobre os meandros da política brasileira. Dá nojo, sim, mas é um belo trabalho de um repórter de primeira categoria.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Livro: É tudo tão simples

Comecei a namorar este livro ao ver e ler entrevistas com a autora, Danuza Leão, em que ela falava sobre sua mudança para um apartamento menor e como se desfez de alguns de seus pertences. Como eu vivo buscando referências sobre mininalistas, achei que poderia ser um bom livro, e não mais um daqueles de etiqueta (lembrando que etiqueta vem de ética, e ética não tem regras - moral as tem). Ledo engano... Só o primeiro capítulo do livro fala sobre o que a autora se desfez e, mesmo assim, de uma forma tão superficial que, sinceramente, não entendo todo o auê da imprensa em torno do tema.

Danuza conta que se mudou e precisou e desfazer de coisas que estavam guardadas, como jogos de louça, pratarias, eletrodomésticos (ela pergunta se quem mora sozinha precisa de uma batedeira). E pronto. Próximo capítulo.

Aí começa a tortura. Porque uma das coisas de Danuza mais faz é ditar regras de etiqueta. E são regras tão, mas tão absurdas, cansativas, pedantes... dá preguiça. E, mais do que isso, dá indignação. Há algumas coisas interessantes, como as dicas de viagem (é melhor descobrir um bistrô desconhecido do que ir só aos lugares onde todo mundo vai). Mas tudo permeado com aquela panca de riqueza, mesmo quando ela insiste em dizer que não é rica nem pedante.

Logo no começo do livro tem um tiro no pé gigante: ela fala sobre as mulheres que precisam desesperadamente de um namorado, e como isso é chato. Ela diz para a pessoa mudar de assunto mas, se for realmente muito necessário, deve frequentar supermercados às sextas e sábados à noite. E, se isso não der certo - juro que ela escreveu isso -, alugue uma criança e vá a um teatro infantil, onde sempre há pais recém-separados, precisando de companhia.

"Alugue uma criança". Não há ironia que justifique isso. Aliás, há ironia em todo o livro, o que chega a ser engraçado. Mas "alugue uma criança" me fez virar o nariz pra qualquer outra coisa, seja irônica, engraçadinha ou seja séria (quase não tem nada sério lá). Outra terrível: só saia com pessoas do seu estilo. Grávidas só devem sair com grávidas, mães só com mães, casados só com casados, solteiros só com solteiros. Se uma amiga sua ficar grávida, dê um tempo na amizade até a criança ter uns sete anos ou, talvez, para sempre. Aí eu me pergunto... como é que pode esse monte de bobeiras ter sido publicado?

terça-feira, 27 de março de 2012

Filme: A chave de Sarah

Elle s'appelait Sarah - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Gilles Paquet-Brenner
Roteiro: Gilles Paquet-Brenner
Elenco: Kristin Scott Thomas, Mélusine Mayance, Niels Arestrup

Culpa é o mínimo que a gente encontra em um filme sobre nazismo. Neste, a culpa e sentimentos bem parecidos com a nossa "vergonha alheia" também estão presentes. É um filme que fala sobre como esses sentimentos continuam na vida de quem foi, direta ou indiretamente, marcado pelo nazismo.

Julia Jarmond é uma jornalista americana, casada com um francês e há mais de 15 anos vivendo na França. Para a revista onde trabalha, ela resolve fazer uma matéria sobre um episódio vergonhoso para o país onde mora. Em 1942, a polícia francesa recolheu alguns milhares de judeus e os trancou no velódromo por alguns dias, até que foram todos enviados para campos de concentração alemãos. A vergonha francesa sobre o caso é tanta que o velódromo foi destruído e os fatos dessa história são difíceis de serem encontrados. Em meio a sua pesquisa sobre o assunto, Julia está de mudança para um novo apartamento, pertencente à família de seu marido. Enquanto o local é reformado e ela pesquisa sobre os judeus, se embrenhando nas histórias veladas do período, sua história se cruza com a Sarah, uma menina judia que, ao ver sua família obrigada a ir para o velódromo, tranca o irmão mais novo em um armário camuflado em uma parede do apartamento. A luta de Sarah para voltar para casa, abrir o armário e salvar seu irmão é o segundo fio condutor do filme.

Obviamente, as cenas que envolvem a retirada dos judeus de suas casas, o momento tenso no velódromo, a separação das famílias, de mães e filhos. Mas há também aqueles mesmos tempos de emoção. Aqui, com um soldado mais humano, com um camponês medroso, mas aberto a ajudar. Pelo caminho, ainda há segredos, mentiras e culpa, muita culpa

O que de melhor há no filme é que as histórias, por mais que pareçam óbvias, têm encaminhamentos e conclusões inesperadas, que surpreendem o espectador. Tanto a conclusão da história de Sarah quanto a de Julia não são usuais nesse tipo de narrativa, o que não deixa de ser uma grata surpresa.

segunda-feira, 26 de março de 2012

52 x 5 - Semana 10

Semana 10: Minhas comidas preferidas são: 


1 - Feijão tropeiro
2 - Pizza
3 - Pastel, de preferência de queijo e de goiabada com queijo
4 - Brigadeiro
5 - Pão de queijo

domingo, 25 de março de 2012

Mônica em cartas #5

Luciana,

querida amiga, hoje compartilho uma grande alegria com você. Domingo foi meu aniversário, você sabe. E eu nunca liguei muito para esta data, isso você também sabe. O que não sabe é que recebi visitas muito especiais aqui em casa. Tia Margarida e Tio Aníbal vieram, de tão longe, e passaram poucas, mas deliciosas horas conosco. Foi tão bom recebê-los aqui! Enquanto meus pais conversavam bastante com o Tio Aníbal, Tia Margarida foi comigo passear pela praça do bairro, e foi uma delícia ver as árvores já se tingindo para o outono. Passo diariamente na praça, a caminho da escola, e nem sempre consigo reparar nessas pequenas maravilhas da natureza.

E o melhor ainda viria. Tio Aníbal me deu um livro de presente. Não veio embrulhado para presente, mas nem prestei muita atenção a isso. Ganhei um refúgio, Luciana. Mais uma porta para fugir desse mundo e voar, imaginando a vida em outras paragens.

Aproveito, querida amiga, para agradecer o gracioso cartão que você me enviou, pelo meu aniversário. É um carinho que gosto muito de receber.

Com amor,
Mônica.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Livro: Poética

O primeiro comentário que eu fiz ao ler a Poética de Aristóteles foi: "por que eu não li isso antes?" Aos 18, 20 anos, por exemplo. Se hoje fez muita diferença na minha vida, imagino o que não faria antes...

Na Poética, Aristóteles fala sobre o que constitui a tragédia. O filósofo era um perfeito organizador. Ele foi responsável, a grosso modo, por organizar muita coisa no mundo. Uma dessas organizações é a Poética. Para começar, ele separa a Poética entre Tragédia e Comédia. A primeira parte do livro é a que diz respeito à Tragédia. E Aristóteles destrincha a composição do texto, a formação do drama (sempre partindo de um mito), a atuação do coro e dos atores, o espaço cênico, deus ex machina e chega até mesmo a falar sobre a composição das frases (suas partes: o nome, a sílaba, o verbo - de uma forma muito interessante). É lindo!

O livro foi escrito como notas de aula. Ele guiava Aristóteles com os muitos esquemas nas aulas no Liceu, a escola fundada pelo filósofo. Enquanto eu lia, ficava pensando como seria bacana ter aulas com aquele professor. É o primeiro livro de Aristóteles que leio e estou apaixonada por ele. Ainda tenho pelo menos mais dois livros dele para ler (obrigações da aula de Teoria Estética), mas curti tanto a Poética que estou muito animada.

E a segunda parte da Poética, que trataria da Comédia, foi perdida. Há uma série de tratados sobre ela, mas o texto original se foi. E o melhor que já foi feito sobre a perda desse livro, com certeza, foi em O nome da Rosa, de Umberto Eco. Esse é um dos livros mais lindos que existe. Recomendo tanto a Poética de Aristóteles quando O nome da Rosa, de Umberto Eco.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Filme: Poder sem limites

Chronicle - 2012 (mais informações aqui)
Direção: Josh Trank
Roteiro: Max Landis
Elenco: Dane DeHaan, Alex Russell, Michael B. Jordan

Andrew (Dane DeHaan) é um adolescente oprimido pelo pai violento, pela doença terminal da mãe e pelos colegas de escola. É tímido, sem amigos, sem brilho. Ele vai para a escola todo dia de carona com Matt (Alex Russell), seu primo, que é mais popular. Andrew compra uma câmera de vídeo e começa a gravar tudo à sua volta. Essa acaba sendo a justificativa da direção para que o filme seja um "pseudo-documentário". Tudo o que se vê no filme vem de uma câmera, e é até estranho que Andrew, o protagonista, apareça menos que os outros atores, já que ele é responsável pela maio parte das filmagens.

Matt leva Andrew a uma festa da escola. Junto com Steve (Michael B. Jordan), eles descem por um buraco no meio da mata (seria uma tentativa de ser Alice no País das Maravilhas?) e entram em contato com uma substância estranha, parecida com um cristal, que muda de cor. Algo como uma explosão acontece ali e a próxima imagem da câmera de Andrew já mostra os três testando certos poderes. E, como todo adolescente, fazendo aquela festa. O aperfeiçoamento dos poderes vai levando a situações mais extremas.

E é nessa primeira situação conflituosa que acontece o melhor momento do filme. Andrew acaba por fazer mal a uma pessoa e Matt e Steve se desesperam. Matt começa a ditar regras para o uso dos poderes: não usá-los em público, não usar em pessoas, não fazer mal para os outros. Pronto. Porque poder pressupõe responsabilidade. Em todas as esferas. E é o abuso desse poder que vai gerar todo o restante da ação.

Apesar do tema ser até profundo, ele não é levado em sua profundidade. Por isso, o filme fica raso. A decisão de só usar "imagens filmadas" acaba levando a momentos bizarros, como o aparecimento de Casey, a garota por quem Matt é apaixonado e que também filma tudo o tempo todo para colocar em um blog. No final do filme, Casey está em perigo e é incapaz de largar a câmera. Para justificar que a câmera de Andrew continue a gravar, um policial chega a usar uma justificativa ridícula: a câmera vai ficar ligada porque ela faz parte de uma investigação. E, nas cenas finais, toda e qualquer imagem vem de outras fontes: celulares, computadores, tablets. Mesmo que eles sejam destruídos (o que me fez pensar como é que essas imagens foram recuperadas, dentro da lógica do filme).

Enfim, é uma bobagem. A única coisa boa é essa pseudo-reflexão sobre os limites do poder. Pena que até isso fica bem superficial.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Livro: Mentes perigosas

Taí um livro que sempre me intrigou. Porque o tema é algo que me incomoda. Como podem existir pessoas que não se importam com o outro, com seus sentimentos, que não possuem o mínimo de empatia? Nas conversas com a minha analista, esse tema é recorrente. E muito do que conversamos lá me fez ficar mais calma com relação aos psicopatas.

Em Mentes perigosas, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva tenta dissecar o comportamento dos psicopatas, com a pretensão de fazer um guia para os ditos normais identificarem as pessoas com essa característica e insiste que devemos evitá-los a todo custo. A proposta é até interessante, mas acho que a autora pecou pelo excesso de adjetivos.

Sim, ela fala o tempo todo que o psicopata tem o coração gelado, o cérebro gelado. O uso do "gelado" me incomodou um tantão. Mas não é só isso. Acredito que ela quis dar muita ênfase à questão, e agarrou todos os adjetivos de grandeza possíveis. E, ao mesmo tempo, tratou o tema para que qualquer pessoa pudesse ter contato com ele. Assim, a meu ver, ficou bastante raso. Não é um defeito, claro. Só que eu esperava mais. Um pouco mais de profundidade e um pouco menos de casos que parecem ser tão irreais.

Alguns casos famosos são acrescentados: o da Maria da Penha (que originou a lei que combate a violência familiar), do maníaco do parque e daquela garota paulistana que matou os pais, junto com o namorado. Aqui ela faz questão de dizer que faz uma análise baseada no que foi noticiado da imprensa, já que não atendeu esses casos. Os que ela afirma serem pacientes parecem não ser reais. Mas vai ver é só uma impressão.

Uma coisa muito legal do livro é quando a autora fala sobre a sociedade atual, e como o individualismo e a tecnologia acabam criando um ambiente propício para o florescer da psicopatia. É verdade que, hoje, estamos vivendo a cultura da felicidade. É muito importante ser feliz. Melhor ainda: é imprescindível PARECER feliz. E assim, acabamos vivendo uma realidade falsa, paralela (vide os Orkuts e Facebooks por aí, onde as vidas são sempre perfeitas). A tecnologia acaba nos afastando do convívio social real e nos torna mais individualistas. E, quanto mais individualistas, menos sentimos a dor do outro.

É um livro bacaninha, mas não é lá tudo isso que falam dele não.

terça-feira, 20 de março de 2012

E o cigarro?

Cigarro é algo que me deprime. Me sinto mal perto de quem fuma, mas não peço pra fumar lá longe ou lá fora (já fiz isso muito, há alguns anos, mas parei). Mesmo assim, me incomoda demais a fumaça, que parece que gruda na gente. Quando conheci o Leo, ele fumava muito. Na primeira vez que saímos juntos, cheguei em casa e tomei um banho daquele, pra ver se desgrudava aquele cheiro horroroso. Mas a vida é boa e ele parou de fumar, há nove anos. 

Fora a fumaça (em especial no meio da rua - experimente andar atrás de um fumante pra ver a tragédia), o que mais me incomoda é o destino nas guimbas ou bitucas. Quando há lixeiras ou cinzeiros, ok. Mas e se não tem, o que os fumantes costumam fazer? Um peteleco e, ops!, guimba no chão mesmo, na rua. Que novinho!

Daí o jornal O Tempo de 10 de março apresentou uma matéria sobre o volume de butucas jogadas no chão, que pode ser acessada aqui.  O levantamento (sem dados oficiais), diz que cerca de 4,5 trilhões de bitucas são jogadas em espaços públicos durante um ano. Em BH, cinco mil toneladas de ixo foram retiradas das bocas de lobo durante o ano de 2011. Nesse caso, é impossível quantificar quantas eram as bitucas de cigarro. Mas dá pra, ao menos, imaginar, não é?

Outro dado interessante do texto: a guimba é um lixo tóxico que leva 5 anos para se decompor, e é totalmente recicláveis. Em BH não existem empresas que reciclam ou que coletam as guimbas, mas há projetos em cidades com Curitiba e São Paulo. Uma instituição, em São Paulo recebe as bitucas, caso alguém esteja interessado em doar. É só recolher os "exemplares" em uma garrafa pet e enviar pelo correio para a ONG Recicleiros (Rua Prof. Dr. José Marques da Cruz, 70 - Jardim das Acácias - CEP 04707-020 - São Paulo/SP). 

Será que algum fumante tem essa paciência de juntar as guimbas para reciclar?

segunda-feira, 19 de março de 2012

52 x 5 - Semana 9

Semana 9: Pessoas que eu gostaria de conhecer / ter conhecido:

1 - Agatha Christie
2 - Chico Buarque
3 - Meus bisavôs José Procópio e Camilo
4 - Alfred Hitchcock
5 - Jan Van Eyck

domingo, 18 de março de 2012

Mônica em cartas #4

Tio Aníbal,

Fiquei inemsamente feliz om o presente que o senhor, tão amorosamente, me enviou. Um livro, Tio! O semhor sabe que eu adoro ler, que acabo por esquecer do mundo quando estou com um livro nas mãos. Já ouvi falar sobre "O apanhador no campo de centeio" uma dezena de vezes. Tenho colegas de escola que já leram e elogiaram muito a leitura. Sei que vou me deliciar com as páginas e com essa história ainda desconhecida.

Agradeço, ainda, por ter dito aos meus pais que considera o livro adequado à minha idade, Tio. Se não fosse por isso, duvido que eu estivesse, agora, a poucos minutos de iniciar esta leitura. Em breve escreverei de novo, contando o que senti ao ler o livro.

 Com amor, Mônica.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Filme: Precisamos falar sobre o Kevin

We need to talk about Kevin - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Lynne Ramsay
Roteiro: Lynne Ramsay
Elenco: Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller

Este filme tem povoado meus pensamentos até mesmo antes que eu pudesse ver a película. Cheguei a comprar o livro, mas ainda não li. E saí do cinema com um monte de teorias e muita vontade de mergulhar no livro, tão logo seja possível.

O filme não tem um tempo linear. E, à medida que as cenas se sobrepõe, é possível entender porque Eva Khatchadourian (Tilda Swinton) é tão amargurada; porque sua casa e seu carro estão cheios de tinta vermelha, porque ela recebe olhares tão duros por onde passa. É curioso notar que a única hora em que ela está imersa em um sentimento de prazer é quando está na Tomatina, a festa espanhola em que uma multidão comemora e atira tomates por todos os lados. Só naquele momento, Eva sente prazer.

Kevin é o filho mais velho de Eva. A relação entre os dois é tensa: a mãe, que parece ter sofrido de depressão pós-parto, não consegue ter uma conexão sentimental com o filho. Ele, ainda criança, mas plenamente consciente, utiliza de estratagemas, como chantagem, para conseguir o que quer. Enquanto isso, Franklin (John C. Reilly), tenta ser um pai presente mas não dá conta até mesmo de perceber que a mulher está novamente grávida, mesmo que a barriga esteja grande ao ponto do pequeno Kevin notar.

Os atores dão um show à parte no longa, com destaque para os intérpretes de Kevin, quando criança (Jasper Newell) e quando adolescente (Ezra Miller). O olhar de Kevin para a mãe e suas manipulações são muito contundentes. Tilda Swinton também está muito bem. Eu não curto muito a atriz, mas aqui a sua cara de eterna blasé finalmente produziu uma atuação intensa.

A diretora usou o vermelho em praticamente todas as cenas, não de forma gratuita, mas de uma maneira tão intensa que contribui e muito para gerar suspense e inquietação na plateia. Outra forma encontrada por ela de promover a angústia no espectador é o ritmo lento das cenas e a montagem. A tensão permanece alta durante toda a exibição do filme.

As questões levantadas pelo filme, em especial a relação mãe e filho e a psicopatia saem da sala de exibição junto com os espectadores, ao fim da exibição. Acredito que é impossível não ser tocado por esse filme. E já estou prevendo o que o livro vai causar em mim.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Livro: O Banquete

Platão era, grosso modo, um filósofo discípulo de Sócrates. Foi ele quem escreveu sobre a filosofia socrática e  fez chegar ao mundo o pensamento e as ações de Sócrates. Em O Banquete, Platão conta como foi um jantar festivo com a participação do grande filósofo e a conversação que se seguiu, com o tema do amor. Na Grécia, naquela época, os banquetes eram bem regrados. Primeiro, seguia-se o jantar. Em seguida, um dos presentes era eleito o chefe do simpósio (a conversação após a comida). Este determinava o tema em debate, a ordem em que os presentes falariam e, ainda, a quantidade de bebida que seria ingerida.

O banquete começa começa com dois amigos, Apolodoro e um companheiro. Este pede que Apolodoro conte como foi o banquete com Sócrates. O primeiro diz que o que vai contar, ouviu de Aristodemo, que participou do evento, na casa de Agatão, um poeta ateniense. E Apolodoro começa a contar.

Fedro é eleito o chefe e elege o amor como tema. Com a ajuda do médico Erixímaco, determina que será ingerida pouca bebida. Ele começa a falar sobre o amor, mas seu discurso não tem muita profundidade. Em seguida, fala Pausânias, que aprofunda o tema. Apolodoro pula alguns participantes e vai ao discurso de Erixímaco.

Aristófanes faz o discurso mais interessante até então. Ele fala sobre como os homens eram, com quatro pernas, quatro braços, como se dois seres humanos de hoje, unidos pelo abdome. Como punição por desafiarem os deuses, os homens são cortados ao meio e passam a ter a constituição que têm hoje. E, desde então, procuram a metade perdida. É uma analogia muito bacana sobre o amor entre homens e mulheres; homens e homens; mulheres e mulheres. Lindo!

Agatão, o dono da casa, é o próximo, seguido por Sócrates. E o filósofo, por meio de perguntas que podem ser consideradas bobas, acaba desconstruindo o discurso de Agatão. Ele utiliza, para isso, os conhecimentos que adquiriu com a sacerdotisa Diotima de Mantinea, que parece (desculpe, não entendo muito de história da filosofia) ter sido uma mentora até mesmo na forma em que Sócrates utilizava os diálogos.

E, após a fala de Sócrates, eis que chega Alcibíades, que vai tumultuar a ordem estabelecida por Fedro e fazer um elogio ao filósofo, em vez de ao amor. Ele não percebe é que, no fim das contas, está mesmo é falando do amor.

O livro é lindo, vale ser lido e relido (especialmente a parte do diálogo entre Diotima e Sócrates). O meu livro é da coleção Os Pensadores, da Abril Cultural. O tradutor e o editor deixaram várias notas que facilitam bastante a leitura para quem é leigo em história da filosofia.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Filme: O pequeno Buda

Little Buddha - 1993 (mais informações aqui)
Direção: Bernardo Bertolucci
Roteiro: Bernardo Bertolucci
Elenco: Keanu Reeves, Bridget Fonda, Roucheng Ying

Bertolucci tem uma características forte: sua filmes parecem pinturas, tal a força da fotografia, a intensidade de suas cores, o sentimento que elas conseguem exprimir ao expectador. Em O pequeno Buda, ele trabalha com duas paletas bem diferentes: as cores frias, em especial azuladas e acinzentadas, em Seattle; e as cores quentes, com destaque para o laranja, na narrativa da história do Buda e nas cidades do oriente.

A história começa quando Lamr Norbu viaja a Seattle para encontrar a reencarnação de seu mestre, Lama Dorji. A indicação é que ele teria renascido em um menino americano, Jesse Conrad. A trama se desenvolve em torno da certificação se Jesse é mesmo a encarnação do monge e como sua família se posiciona frente a essa novidade.

Os monges apresentados fogem da figura austera que segue o imaginário. São divertidos, sorridentes, alegres e intensos. Kenpo Tenzin, mo monge que encontra Jesse, é o mais engraçado. É bonachão, sempre sorrindo, e sem vergonha ou receio de fazer o contato com a mãe do menino. Em sua primeira visita à casa da família Conrad (bastante azulada), os monges (todos em cores mais intensas) vêem Jesse entrar na sala de visitas vestindo um pulôver azul e usando uma máscara festiva vermelha. É um sinal claro: Jesse transita pelos dois mundos. A partir desse encontro, Jesse passa a conhecer a história de Sidhartha, o nobre que abandonou tudo para encontrar a iluminação (a história de São Francisco de Assis é praticamente a mesma. Por que será [ironia mode on]).

Os pais de Jesse, Lisa e Dean, passam por diversas fases ao pensar na hipótese de seu filho ser a reencarnação de um monge: a mãe é mais favorável, depois muda de posição; o pai é contra, mas após o suicídio de um amigo começa a se aproximar do caso. E pai e filho inicial a viagem para Katmandu, onde Jesse se encontrará com mais duas crianças candidatas a serem a reencarnação de Lama Dorji. O encontro dos três - dois meninos e uma menina - é um dos pontos altos do filme. Enquanto eles disputam para ser o "vencedor" dessa "disputa", também aprendem juntos sobre os caminhos da iluminação.

Keanu Reever não está muito bem aqui. Não consigo definir se é porque sua atuação é bastante caricatural ou por causa do excesso de maquiagem. Ele parece um boneco de cera, dá a impressão de que não encontrou o tom certo do personagem. Já as crianças fazem tudo com muita naturalidade, parecem terem sido bem preparadas para os papéis. Além do roteiro bonitinho sobre valores, o grande destaque é mesmo a fotografia e seu uso quase como mais um personagem da trama.

terça-feira, 13 de março de 2012

Entrando em alfa

Algumas pessoas já sabem: estou de volta à universidade. Era minha vontade, quando formei, continuar estudando. Mas não foi possível, principalmente por uma questão de verba para tal. Precisei trabalhar para me manter vida, e o mestrado virou uma meta esmaecida num pedacinho de papel, perdido numa das agendas da vida. Agora, 11 anos depois, resolvi tentar de novo. Ainda não é o mestrado como eu sonhei. Só uma disciplina isolada no mestrado de Estética e Filosofia da Arte, na Ufop. Se tudo der certo, em pouco tempo serei aluna regular.

Na véspera do início da aula, fui remexer meus papéis do tempo da faculdade. Textos, anotações, referências, tudo que pudesse ser útil ao novo estudo. E, no meio do caderno de Sociologia da Comunicação, estava isso aqui:


Eu amava as aulas Sociologia da Comunicação. O Kika, professor da matéria, além de ser ótimo e ter conhecimento pra dar e vender, motivava muito as turmas. Ele tem uma legião de seguidores entre os alunos e ex-alunos, e eu prestava atenção máxima na aula. Por isso que estou tentando lembrar - até agora, não consigo - por que o Caio catou meu caderno para me perguntar se eu estava entrando em alfa.

É... meus amigos mais próximos da faculdade me chamavam de Pão de Queijo. Mas isso é outra história.

segunda-feira, 12 de março de 2012

52 x 5 - Semana 8

Semana 8: Os melhores filmes infantis que já assisti foram:

1 - A noviça rebelde - sempre
2 - Mary Poppins - vai na mesma linha da Noviça
3 - O mágico de Oz - não é lá tão infantil, mas é muito bom
4 - Branca de Neve e os sete anões - aquele clássico da Disney
5 - Quando as metralhadoras cospem - memória afetiva

domingo, 11 de março de 2012

Mônica em cartas #3

Dona Lina,

não fui eu. Juro por Deus, mesmo sabendo que a Madre Carmela fica furiosa quando juramos por Deus e nos manda fazer penitência. Juro, assim mesmo, que não fui eu. Prefiro rezar ajoelhada no milho, com Madre Carmela ao lado, a me exigir um olhar penitente. Não fui eu.

Se a senhora soubesse, Dona Lina, o que os meninos da classe fazem comigo, jamais acreditaria neles. Não teria me olhado com tanta raiva enquanto a classe inteira ria. Eu sempre levo a culpa por tudo o que acontece. Já me acostumei com isso, mas não consigo evitar me sentir infeliz. Eu sofro, Dona Lina, com o jeito como as coisas acontecem. É horrível receber tantos olhares de deboche, ouvir cochichos e risinhos quando eu passo. E agora, isso! Ser acusada de ter jogado a bomba no banheiro feminino.

Não fui eu, Dona Lina, não fui eu.

Sim, eu estava lá. A aula de educação física tinha acabado e eu fui trocar de roupa. Escutei alguém falando algo sobre riscar o fósforo. E logo saí da cabine. Vi a bomba ali, no chão. Fugi, Dona Lina, mas fui azarada: me viram saindo de lá segundos antes da bomba explodir.

Não fui eu. Mas, agora, quem é que vai acreditar em mim?

Ajude-me! Estou desesperada!
Mônica

sábado, 10 de março de 2012

O caso da tamareira

Quando meu padrinho fez 80 anos, os irmãos dele se reuniram para oferecer um presente inesquecível. Ele era padre, e nunca tinha ido a Jerusalém. Então, o presente foi uma excursão para a Terra Santa, passando pela Itália, com a tradicional visita ao Vaticano, Grécia, Turquia e Egito, finalizando em Israel. Na Turquia, acho, vovó comprou uma muda de tâmara e trouxe para plantar lá em casa.

Só um adendo: a viagem foi mesmo inesquecível. Meu padrinho já estava iniciando um processo de Alzheimer, mas ninguém tinha percebido ainda. E quando um paciente de Alzheimer sai do seu ambiente normal, a doença se acelera. Foi o que aconteceu com ele: foi do aeroporto direto para o hospital e, daí, o quadro só se agravou.

Mas voltando à tâmara: vovó chegou em Ouro Preto e resolveu plantar a tamareira no último patamar do quintal. Num cantinho, com um pouquinho só de terra. A ideia nem era ter uma palmeira de verdade, com frutos e tudo. Era só ter uma lembrança da viagem que, até então, tinha sido só positiva. No mesmo patamar, há um zilhão de anos, tinha uma goiabeira grandona. Ela foi cortada, por conta de infiltrações no terreno, e cimentaram em cima. Uns anos depois,  nasceram mais três goiabeiras, furando o cimento. Então, o último patamar era o das árvores: três goiabeiras e uma tamareira.

E a tamareira cresceu bastante. O tronco ficou pequenininho, mas as folhas ficaram mais altas que as goiabeiras. E ficavam lindas, dançando com o vento.

Mas aí houve aquela chuvarada do começo do ano. E ficamos sem água. E o moço que veio colocar água na caixa e consertar o telhado viu que as raízes das goiabeiras estavam, de novo, pressionando o muro e deixando água infiltrar, com risco do patamar cair. A solução: cortar as goiabeiras. Enquanto o trabalho foi sendo feito, apareceram umas raízes diferentes. Eram da tamareira. Sem ter para onde crescer, a raiz se espalhou pelo terreno de um forma tão maluca, que só vendo mesmo pra entender. A culpa não era das goiabeiras, mas da tâmara, pequenininha, ali no cantinho.


Primeiro, arrancando as goiabeiras

Olha a tamareira criminosa la no fundo!

Ela, já sem as folhas, com o tronco curto

A raiz assassina que se espalhou por todo o terreno


Agora estamos sem goiabeiras e sem tamareiras. E o muro, devidamente consertado, não vai nos assustar mais.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Era uma vez um rato

Aviso aos navegantes: esta é uma história de ficção com traços imensos de realidade. Trocando em miúdos, nunca aconteceu comigo! Mesmo que haja testemunhas afirmando o contrário.

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Era uma vez um rato. Desses grandes, de pelo cinza, bem nojentinho. Ele vivia nos esgotos de Ouro Preto até o dia em que algo ainda desconhecido o fez correr até as casas da cidade. E, de uma hora pra outra, ele entrou em uma casa, invadiu um espaço e foi fazer o que todo rato faz: procurar comida. Encontrou o paraíso no quarto de um casal, onde dormia também uma cachorrinha já idosa, meio surdinha. Dom Ratão se escondeu atrás do armário.

Acontece que esse rato era bem bagunceiro. Ele não conseguia ficar calado. Durante a noite, ele fez tanto barulho que acordou todo mundo, até a cachorrinha meio surda. E, assim, ganhou vários inimigos. Coitado dele, dirão alguns. Só queria comer um pouquinho a ração da cachorrinha, não faria mal a ninguém. Outros já ficarão contra: rato traz doença!

O moço que morava no quarto resolveu puxar o armário. A moça, cheia de medo, quis sair de perto. Ela avisou que não ia conseguir ajudar na captura do rato que, àquela época, já era chamado carinhosamente de Mickey. A moça-que-trabalha-naquela-casa resolveu ajudar. Ela e o moço estavam decididos a matar o Mickey. A moça que morava no quarto catou a cachorrinha pelo braço e ficou esperando no corredor.

Daí, o moço conseguiu bater no bicho, que caiu e, ágil, desapareceu de vista. O moço e sua ajudante procuraram o rato por todos os cantos. Nesse momento, a moça medrosa que observava do corredor viu o rato gigante da Malásia correndo para a porta, fugindo dos perseguidores, e vindo em sua direção. Ela deu um grito maior do que tudo o que já se ouviu e saiu na carreira, corredor afora, temendo ser morta pelo rato velociraptor. A cachorrinha, assustada, correu atrás da dona. Depois dela, veio o rato fugitivo. E atrás dele, o moço e a moça ajudante.

No fim da história, Dom Ratão se escondeu atrás de outro armário, em outro quarto. A moça-que-trabalha-nessa-casa está até agora rindo da correria desembestada da moça, seguida pela cachorrinha e pelo rato. A moça está com muita vergonha de ter ficado histérica por causa de um rato carnívoro-vampiro-canibal.

E a avó da moça fez a coisa certa: chamou três pedreiros que estavam trabalhando por lá para dar um fim no bichinho invasor. E eles deram conta do recado com bastante eficiência.

Fim!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Um motivo para amar Minas e Guimarães Rosa

Guimarães Rosa é inexplicável. Ele pertence àquela categoria de "apenas sentível", se é que eu posso dizer isso. Sua obra que eu mais gosto é Grande Sertão: Veredas, um livro apaixonante do começo ao fim, seja na linguagem do matuto Riobaldo, seja na sua relação intensa com Diadorim, seja na filosofia que Riobaldo exala, ao conversar com seu interlocutor. É uma delícia, super recomendado.

Hoje, me deparei com um texto do Guimarães Rosa sobre Minas Gerais. E me reapaixonei por ele e pelo meu Estado natal. Vou reproduzir o texto abaixo, só por medo do link sair do ar algum dia. Mas quem quiser ler no original, é só clicar aqui.





Aí está Minas: a mineiridade
Num texto publicado em agosto de 1957, o escritor João Guimarães Rosa faz uma declaração de amor ao Estado de Minas Gerais, palco principal de sua obra mais importante: o romance “Grande Sertão: Veredas”
João Guimarães Rosa
Minas é a montanha, montanhas, o espaço erguido, a constante emergência, a verticalidade esconsa, o esforço estático; a suspensa região — que se escala. Atrás de muralhas, caminhos retorcidos, ela começa, como um desafio de serenidade. Aguarda-nos amparada, dada em neblinas, coroada de frimas, aspada de epítetos: Alterosas, Estado montanhês, Estado mediterrâneo, Centro, Chave da Abóbada, Suíça brasileira, Co­ração do Brasil, Capitania do Ouro, a Heróica Província, Formosa Província. O quanto que envaidece e intranquiliza, entidade tão vasta, feita de celebridade e lucidez, de cordilheira e História. De que jeito dizê-la? MINAS: patriazinha. Minas — a gente olha, se lembra, sente, pensa. Minas — a gente não sabe.

Sei, um pouco, seu facies, a natureza física — muros montes e ultramontes, vales escorregados, os andantes belos rios, as linhas de cumeeiras, a aeroplanície ou cimos profundamente altos, azuis que já estão nos sonhos — a teoria dessa paisagem. Saberia aquelas cidades de esplêndidos nomes, que de algumas já roubaram: Maria da Fé, Sêrro Frio, Brejo das Almas, Dores do Indaiá, Três Co­rações do Rio Verde, São João del Rei, Mar de Espanha, Tremendal, Coromandel, Grão Mogol, Juiz de Fora, Borda da Mata, Abre Campo, Passa Tem­po, Buriti da Estrada, Tiros, Pequi, Pomba, Formiga,  São Manuel do Mutum, Caracol, Varginha, Sete Lagoas, Sole­dade, Pouso Alegre, Dores da Boa Esperança... Saberei que é muito Brasil, em ponto de dentro, Brasil conteúdo, a raiz do assunto. Soubesse-a, mais.

Sendo, se diz, que minha terra representa o elevado reservatório, a caixa-d’água, o coração branco, difluente, multivertente, que desprende e deixa, para tantas direções, formadas em caudais, as enormes vias: o São Francisco, o Paranaíba e o Grande que fazem o Paraná, o Jequitinhonha, o Doce, os afluentes para o Paraíba, e ainda; — e que, desde a meninice de seus olhos-d’água, da discrição de brejos e minadouros, e desses monteses riachinhos com subterfúgios, Minas é a doadora plácida.

Sobre o que, em seu território, ela ajunta de tudo, os extremos, delimita, aproxima, propõe transição, une ou mistura: no clima, na flora, na fauna, nos costumes, na geografia, lá se dão encontro, concordemente, as diferentes partes do Brasil. Seu orbe é uma pequena síntese, uma encruzilhada; pois Minas Gerais é muitas. São, pelo menos, várias Minas.
A que via geral se divulga e mais se refere, é a Minas antiga, colonial, das comarcas mineradoras, toda na extensão da cha­mada Zona Mineralógica, a de montes de ferro, chão de ferro, água que mancha de ferrugem e rubro a lama e as pedras de córregos que dão ainda lembrança da formosa mu­lher subterrânea que era a Mãe do Ouro, deparada nas grupiaras, datas, cavas, lavras, bocas da serra, à porta dessas velhas cidades feitas para e pelo ouro, por entre o trabeculado de morros, sob picos e atalaias, aos dias longos em nevoeiro e friagem, ao sopro de tramontanas hostis ou ante a fantasmagoria alva da corrubiana nas faces de soalheiro ou noruega, num âmbito que bem congrui com o peso de um legado severo, de lástimas avaliadas, grandes sinos, agonias, procissões, oratórios, pelourinhos, ladeiras,  jacarandás, chafarizes realengos, irmandades, opas, letras e latim, retórica satírica, musas entrevistas, estagnadas ausências, música de flautas, poesia do esvaziado — donde de tudo surde um hábito de irrealidade, hálito do passado, do longe, quase um espírito de ruínas, de paradas aventuras e problemas de conduta, um intimativo nostalgir-se, que vem de níveis profundos, a melancolia que coerce.

Essa — tradicional, pessimista talvez ainda, às vezes casmurra, ascética, reconcentrada, professa em sedições — a Minas geratriz, a do ouro, que evoca e informa, e que lhe tinge o nome; a primeira a povoar-se e a ter nacional e universal presença, surgida dos arraiais de acampar dos bandeirantes e dos arruados de fixação do reinol, em capitania e província que, de golpe, no Setecentos, se proveu de gente vinda em multidão de todas as regiões vivas do país, mas que, por conta do outro e dos diamantes, por prolongado tempo se ligou diretamente à Metrópole de além-mar, como que através de especial tubuladura, fluindo apartada do Brasil restante. Aí, plasmado dos paulistas pioneiros, de lusos aferrados, de baianos trazedores de bois, de numerosíssimos judeus manipuladores de ouro, de africanos das estirpes mais finas, negros reais, aproveitados na rica indústria, se fez a criatura que é o mineiro inveterado, o mineiro mineirão, mineiro da gema, com seus males e bens. Sua feição pensativa e parca, a seriedade e interiorização que a montanha induz — compartimentadora, distanciadora, isolante, dificultosa. Seu gosto do dinheiro em abstrato. Sua desconfiança e cautela — de vez que de Por­tugal vinham par ali chusmas de policiais, agentes secretos, burocratas, tributeiros, tropas e escoltas, beleguias, fiscais e espiões, para esmerilhar, devassar, arrecadar, intrigar, punir, taxar, achar sonegações, desleixos, contrabandos ou extravios do ouro e os diamantes, e que intimavam sombriamente o poder do Estado, o permanente perigo, àquela gente vigiadíssima, que cedo teve de aprender a esconder-se. Sua honesta astúcia meandrosa, de regato serrano, de mestres na resistência passiva. Seu vezo inibido, de homens aprisionados nas manhãs nebulosas e noites nevoentas de cidades tristes, entre a religião e a regra coletiva, austeras, homens de alma encapotada, posto que urbanos e polidos. Sua carta de menos. Seu fio de barba. Sua arte de firmeza.

É a Mata cismontana, mo­lhada de ventos marinhos, agrícola ou madeireira, espessamente fértil. É o Sul, cafeeiro, assentado na terra-roxa de  declives ou em colinas que européias se arrumam, quem sa­be uma das mais tranqüilas jurisdições da felicidade neste mundo. É o Triângulo, avançado, forte, franco. É o Oeste, calado e curto nos modos, mas fazendeiro e político, abastado de habilidades. É o Norte, sertanejo, quente, pastoril, um tan­to baiano em trechos, ora nordestino na intratabilidade da caatinga, e recebendo em si o Polígono das Secas. E o Centro corográfico, do vale do Rio das Velhas, calcáreo, ameno, claro, aberto à alegria de todas as vozes novas. É o Noroeste, dos chapadrões, dos campos-gerais que se emendam com os de Goiás e da Bahia esquerda, e vão até ao Piauí e ao Maranhão.

Se são tantas Minas, porém, e contudo uma, será o que a determina, então, apenas uma atmosfera, sendo o mineiro o homem em estado minasgerais? Nós, os indígenas, nem sempre o percebemos. Acostumaram-nos, entretanto, a um vivo rol de atributos, de qualidades, mais ou menos específicas, sejam as de: acanhado, afável, amante da liberdade, idem da ordem, anti-romântico, benevolente, bondoso, comedido, ca­nhestro, cumpridor, cordato, desconfiado, disciplinado, de­sinteressado, discreto, escrupuloso, econômico, engraçado, equilibrado, fiel, fleumático, grato, hospitaleiro, harmonioso, honrado, inteligente, irônico, justo, leal, lento, morigerado, meditativo, modesto, moroso, obstinado, oportunidade (dotado do senso da), otário, prudente, paciente, plástico, pa­chorrento, probo, precavido, pão-duro, personalista, perseverante, perspicaz, quieto, recatado, respeitador, rotineiro, roceiro, secretivo, simples, sisudo, sensato, sem pressa nenhuma, sagaz, sonso, sóbrio, trabalhador, tribal, taciturno, tímido, utilitário, virtuoso.

Sendo assim, o mineiro há. Essa raça ou variedade, que, faz já bem tempo, acharam que existia. Se o confirmo, é sem quebra de pejo, pois, de mim, sei, compareço como espécime negativo.

Reconheço, porém, a aura da montanha, e os patamares da montanha, de onde o mineiro enxerga. Porque, antes de mais, o mineiro é muito espectador. O mineiro é velhíssimo, é um ser reflexivo, com segundos propósitos e enrolada natureza. É uma gente imaginosa, pois que muito resistente à monotonia. E boa — porque considera este mundo como uma faisqueira, onde todos têm lugar para garimpar. Mas nunca é inocente. O mineiro traz mais individualidade que personalidade. Acha que o importante é ser, e não parecer, não aceitando cavaleiro por argueiro nem cobrindo os fatos com aparatos. Sabe que “agitar-se não é agir”. Sente que a vida é feita de en­­coberto e imprevisto, por isso aceita o paradoxo; é um idealista prático, otimista através do pessimismo; tem, em alta dose, o amor fati. Bem comido, secularmente, não entra caninamente em disputas. Melhor, mesmo — não disputa. Atencioso, sua filosofia é a da cordialidade universal, sincera; mas, em termos. Gregário, mas necessitando de seu tanto de solidão, e de uma área de surdina, nos contactos verdadeiramente importantes. Desconhece castas. Não tolera tiranias, sabe deslizar para fora delas. Se precisar, briga. Mas, como ouviu e não entendeu a pitonisa, teme as vitórias de Pirro. Tem a memória longa. Não tem audácias visíveis. Ele escorrega para cima. Só quer o essencial, não as cascas. Sempre frequentado pelo enigma, pica o enigma em pedacinhos, como quando pica seu fumo de rolo, e faz contabilidade da metafísica; gente muito apta ao reino-do-céu. Não acredita que coisa alguma se resolva por um gesto ou um ato, mas aprendeu que as coisas voltam, que a vida dá muitas voltas, que tudo pode tornar a voltar. Até sem saber que o faz, o mineiro está sempre pegando com Deus. Principalmente, isto: o mi­neiro não usurpa.

Aí está Minas: a mineiridade.

Mas, entretanto, cuidado. Falei em paradoxo. De Minas, tudo é possível. Viram como é de lá que mais se noticiam as coisas sensacionais ou esdrúxulas, os fenômenos? O diabo aparece, regularmente, homens ou mulheres mudam anatomicamente de sexo, ocorrem terremotos, trombas-d’água, en­chentes monstras, corridas-de-terreno, enormes ravinamentos que desabam serras, aparições meteóricas, tudo o que aberra e espanta. Revejam, bem. Chamam a seu povo de “carneirada”, porque respeita por modo quase automático seus Governos, impessoalmente, e os acata; mas, por tradição, conspira com rendimento, e entra com decisivo gosto nas maiores rebeliões. Dados por rotineiros e apáticos, foram de repente à Índia, buscar o zebú, que transformaram, dele fazendo uma riqueza, e o exportam até para o estrangeiro. Tidos como retrógrados, cedo se voltaram para a instrução escolar, reformando-a da noite para o dia, revolucionàriamente, e ainda agora dividindo com São Paulo o primeiro lugar nesse campo. Sedentários famosos, mas que se derramaram sempre fora de suas divisas estaduais, iniciando, muito antes do avanço atual, o povoamento do Norte do Paraná, e enchendo com suas colônias o rio, São Paulo, Goiás e até Mato Grosso. Pacíficos por definição, tiveram em sua Força Pública militar, pressianamente instruída e disciplinada, uma formidável tropa de choque, tropa de guerra, que deu o que temer, e com larga razão. E, de seus ho­mens políticos, por exemplo, vê­em-se atitudes por vezes imprevisíveis e desconcertantes; que não serão anômalas, senão antes marcas de sua coerência profunda — a única verdadeiramente com valibilidade e eficácia.

Disse que o mineiro não crê demasiado na ação objetiva; mas, com isso, não se anula. Só que mi­neiro não se move de graça. Ele per­­manece e conserva. Ele espia, indaga, protela ou palia, se sopita, tolera, remancheia, perrengueia, sorri, escapole, se retarda, faz véspera, tempera, cala a boca, matuta, destorce, engambela, pauteia, se prepara. Mas, sendo a vez, sendo a hora, Minas entende, atende, toma tento, avança, peleja e faz.

Sempre assim foi. Ares e modos. Assim seja.

Só, e no mais: sem ti, jamais nunca — Minas, Minas Gerais, inconfidente, brasileira, paulista, emboaba, lírica e sábia, lendária, épica, mágica, diamantina, aurífera, ferrífera, ferrosa, férrica, balneária, hidromineral, jê, puri, acroá, goitacá, goianá, cafeeira, agrária, barroca, luzia, árcade, alpestre, rupestre, campestre, de el-rei, das minas, do ouro das minas, das pretas minas, negreira, mandigueira, moçambiqueira, conga, dos tem­plos, santeira, quaresmeira, processional, granítica, de ouro em ferro, siderúrgica, calcárea, das perambeiras, serrana bela, idílica, ilógica, translógica, supralógica, intemporal, interna, leiteira, do leite e da vaca, das artes de Deus, do caos calmo, malasarte, conjuradora, adversa ao fácil, tijucana, januária, peluda, baeteira, tapiocana, catrumana, fabril, industriosa, industrial, fria, arcaica, mítica, enigmática, asiática, assombrada, salubre e salutar, assobradada, municipal, municipalíssima, paroquial, marília e heliodora, de pedra-sabão, de hematita compacta, da sabedoria, de Borba Gato, Minas joãopinheira, Minas plural, dos horizontes, de terra antiga, das lapas e cavernas, da Gruta de Maquiné, do Homem de Lagoa Santa, de Vila Rica, franciscana, barranqueira, bandoleira, pecuária, retraída, canônica, sertaneja, jagunça, clássica, mariana, claustral, humanista, política, sigilosa, estudiosa, comum, formiga e cigarra, labiríntica, pública e fechada, no alto afundada, toucinheira, metalúrgica, de liteira, mateira, missionária, benta e circuncisa, tropeira, borracheira, mangabeira, comboieira, rural, ladina, citadina, devota, cigana, amealhadora, mineral e intelectual, espiritual, arrieira, boiadeira, urucuiana, cordisburguesa, paraopebana, fluminense-das-velhas, barbacenense, leopoldinense, itaguarense, curvelana, belo-horizontina, do ar, do lar, da saudade, do queijo, do tutu, do milho e do porco, do angu, do frango com quiabo, Minas magra, capioa, enxuta, groteira, garimpeira, sussurrada, sibilada, Minas plenária, imo e âmago, chapadeira, veredeira, zebuzeira, burreira, bovina, vacum, forjadora, nativa, simplória, sabida sem desordem, sem inveja, sem realce, tempestiva, legalista, legal, governista, revoltosa, vaqueira, geralista, generalista, de não navios, de não ver navios, longe do mar, Minas sem mar, Minas em mim: Minas comigo. Minas.
Texto publicado na revista “O Cruzeiro”, em 25 de agosto de 1957. 

terça-feira, 6 de março de 2012

Só sei que foi assim

O avô do meu avô, Francisco Monteiro, conhecido como Chico Funcho, era um cara divertido. Ele tocava violino em uma banda (não descobri ainda em qual) e era muito alegre. Gostava de fazer brincadeiras e falava muitas bobagens, digamos, escatológicas. É, meus amigos, ele gostava de falar sobre o número 2 e suas manifestações mais gasosas. O fato é que toda a família herdou isso, de certa forma. Uns mais, outros menos. Meu avô, por exemplo, era entusiasta das bobagens do avô dele e também curtia fazer essas gracinhas pra todo mundo. Tia Ylza já era mais reservada. E o vovô acabou me levando para esse lado também. Em homenagem ao avô dele, vovô Ney só me chamava de Funchinha. Mas, alerta necessário, só ele pode me chamar assim. Só ele e ponto final.

Mas foi por Tia Ylza, sempre recatada, que eu tomei conhecimento de uma poesia interessante de Brito Machado, um poeta ouro-pretano que eu conhecia por ter sido amigo da família e por ter lido um livro dele muito lindo sobre os sinos de Ouro Preto.Ele também foi professor do meu tio Yvan, irmão do vovô e da Tia Ylza. E foi o Tio Yvan quem escutou e contou pros irmãos o que eu reproduzo a seguir.

Diz a família que Brito Machado era muito feio. Tinha a testa larga e bem grande, bem alta. Mesmo assim, era uma pessoa bastante carismática, adorado pelos alunos. Certo dia, estava ele com um grupo de estudantes, dentre eles Tio Yvan, quando uma mocinha começou a rir dele, por causa da testa grande e da feiúra. Ele, poeta experiente, não deixou por menos e fez logo um versinho pra tal moça. Vou contar exatamente como Tia Ylza contou:

"Deixe de ser vaidosa
Ser metida como tu
A moça, por mais formosa, 
Não deixa de ter um..."

Pausa dramática para a Tia Ylza não pronunciar aquela palavra que ela, toda, pudica, não consegue.

segunda-feira, 5 de março de 2012

52 x 5 - Semana 7

Semana 7: Eu sempre...

1 - Fico mal-humorada de manhã
2 - Prefiro um livro a uma música
3 - Sou impaciente com as pessoas estúpidas
4 - Acordo cedo e durmo cedo
5 - Escrevo coisas aleatórias pra não esquecer depois

domingo, 4 de março de 2012

Mônica em cartas #2

Jorge,

tome conta do que você fala. Ainda na última semana, escutei seus risos na escada do prédio. Ouvi sua explicação para a minha pequenez. Em seguida, os risos largos que me humilharam.

Chorei. Não só pelo que escutei de você, não só pelos risos dos outros, pois já me acostumei com eles. Minha tristeza foi por você ter um discurso comigo e outro com os meninos do prédio.

Achei que teria em você um amigo. Um, apenas um. Apenas você. O único que se importa em falar com a menina estranha do sétimo andar. Foi uma mentira e eu, uma boba a acreditar que alguém no mundo poderia querer minha amizade.

Por isso, digo de novo: tome conta do que você fala.

Com tristeza,
Mônica

sábado, 3 de março de 2012

Lavras Novas de novo

No último fim de semana, voltei a Lavras Novas. O distrito fica a 17km da sede de Ouro Preto. Ou seja, é aqui do lado. E a gente nunca lembra de ir lá um pouquinho. A última vez que fui estava tudo lindo, dando vontade de ficar. Desta, os dois dias passados lá deixaram muita saudade.

Fomos Leo e eu, meus sogros e minha cunhada e dois amigos. Aproveitamos uma dessas ofertas de compras coletivas e viemos em bando. Ficamos na Pousada Vila Mineira, que por si só já é um show. Leo e eu ficamos num quarto maravilhoso, com uma vista de tirar o fôlego.

Da janela 1 a gente via isso aqui

A vista da janela 2
Montanhas sempre me deixam emocionada. Não me canso de olhar.

A pousada tem o restaurante Vila Mineira, que é uma fofura, com uma comida deliciosa. Há outros restaurantes na cidade, o mais famoso é o Taberna Carumbé. Fomos lá na noite de sábado, mas fugimos correndo. No salão interno, a música ao vivo estava absurdamente alta, não dava para conversar. Pedimos uma mesa do lado de fora e acabamos sendo maltratados. Uma pena, um lugar bonito mas um tanto inóspito.

Durante o sábado, fizemos alguns passeios pela região. Compramos um pacote de três horas no Land Rover com um guia, o Ricardo. Ele nos levou para duas cachoeiras da região e para a Bacia do Custódio.

Lá no fundo, a cachoeira Namorados

A moça aí tava de costas pra cachoeira

Cachoeira Três Pingos

Bacia do Custódio

Foi um momento muito bacana, de união entre o grupo. Foi a primeira vez que configuramos esse grupo para uma viagem, e foi tão bacana que há planos para repetirmos a dose.

Leo, Lauro e Tanner na porta da pousada

Nós todos no mirante

Eu, Margá, Lauro e Tanner na cachoeira Namorados

Tanner, Lauro, Jean e Leo, perto da Bacia do Custódio
Lavras Novas é aquele lugar que vale muito conhecer, visitar, apreciar, voltar.

Ah, as montanhas lá no fundo...

Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres pela manhã

Lojas de artesanato em todos os lugares

Pode essa descaracterização, Arnaldo?

Olha que delícia esse lugar!

A entrada da Vila Mineira

Os quartos, tão lindos...

Uma pausa para descansar

O sol da tarde na igreja

Voltaremos, com certeza. Quer mais Lavras Novas? Tem aqui também.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Filme: Missão Impossível - Protocolo Fantasma

Mission: Impossible - Ghost Protocol - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Brad Bird
Roteiro: Josh Appelbaum, André Nemec
Elenco: Tom Cruise, Jereny Renner, Simon Pegg

Está aí um filme que deixa o espectador ligado do início ao fim. Claro que é necessária uma boa dose de boa vontade com as várias coisas impossíveis que acontecem na trama, e é esta uma das graças da película.

Ethan Hunt, o personagem de Tom Cruise, está preso na Rússia, acusado de matar policiais num ato de raiva extrema pelo assassinato da esposa. Uma equipe do IMF o retira da cadeia abrindo as portas por acesso remoto, para dar a ele uma missão daquelas: recuperar códigos para lançamentos de mísseis, roubados em Budapeste e que podem trazer um grande impacto para o mundo, caso caiam em mãos erradas. Esse é só o início de uma trama eletrizante, em que Hunt precisa correr contra o tempo e promover uma série de ações.

Claro que, como se trata de um filme sobre um grupo de elite americano, seria inevitável ter uma brincadeirinha com os russos: o telefone público que se autodestruirá em alguns segundos simplesmente fica ileso. Hunt, intrigado, volta e dá um soco no aparelho. Você espera uma grande explosão e só uma pequena fumaça sai do telefone. É Hollywood ainda trollando os russos. Por outro lado, as cenas na Rússia são lindas. O Kremlin, as praças, a catedral, tudo dá vontade de fazer as malas e ir lá para visitinha rápida.

A aparelhagem dos agentes é super bacana e traz momentos de tirar o fôlego, como a sequência de Hunt subindo pelas paredes do hotel em Dubai e toda a ação que acontece em seguida, culminando na tempestade de areia e na perseguição a Kurt Hendricks (Michael Nyqvist, o ator que fez o papel de Mikael Blonkvist na versão sueca de Os homens que não amavam as mulheres). Óbvio que Hunt é aquele herói que, além de todos os atributos éticos, tem uma sorte do caramba.

Mesmo que Nyqvist fique melhor como o jornalista Mikael Blonkvist (ai, ai), mesmo que toda a parafernalha dos agentes do IMF seja bem fantasiosa, mesmo que o roteiro tenha algumas falhas bem grandes... o filme é uma graça, ótima diversão para ver na tela grande ou na TV.