segunda-feira, 30 de abril de 2012

52 x 5 - Semana 15


Semana 15: O que há de pior no mundo virtual?

1 - Gente que posa de um jeito e é de outro na vida real
2 - Falta de noção no compartilhamento de informações (aconteceu em todas as redes sociais e só está piorando)
3 - Fishing
4 - Muita gente com pouco conteúdo
5 - Dependência do mundo virtual

domingo, 29 de abril de 2012

Mônica em cartas #8

D. Lina,

são três horas e pouco da manhã e estou acordada, rolando de um lado para o outro, nessa cama que dizem ser minha. O sono não vem. O sonho, então... Tenho espaço - e tempo - de sobra para sonhar acordada, mas não gosto do que penso. Por isso decidi escrever.

A senhora sempre me lembra que tem hora para tudo, e me agarro a isso a cada momento. Tenho pensado em muitas coisas ruins ultimamente. Tenho pensado em fugir. Sair pela porta e nunca mais voltar. Sem levar nada, nem a minha carteira de identidade. Para, simplesmente, deixar de ser. Porque é isso que eu quero agora.

Não tenho mais paciência com a vida, com a escola, com o pessoal do prédio e com aquelas pessoas que os mandamentos me obrigam a amar. Quero gritar, D. Lina, quero romper.

E sei que, por agora, não dá.

Com insônia,
Mônica.

sábado, 28 de abril de 2012

Desafio Literário - abril: Persuasão

No Natal de 2010, minha sogra me deu um livro muito bacana, da editora Martin Fontes, com obras de Jane Austes. Eu já tinha lido os dois primeiros, Razão e Sensibilidade e Orgulho e Preconceito. Faltava este Persuasão. 


O livro começa meio morno, com a apresentação da família. Elliot. O pai, Sir Elliot, é um meio rico perdulário, cujo único orgulho na vida é aparecer no livro que nomeia a nobreza da época. Ele é viúvo e tem três filhas, Elizabeth, a mais velha e que cuida da casa desde a morte da mãe; Anne, a heroína deste livro, sempre desprezada por todos; e Mary, a caçula, que se casou e mora próximo da propriedade do pai. Sir Elliot está relutante em aceitar a nova condição da família: como gasta mais do que recebe, é aconselhado a sair de sua propriedade e alugá-la para profissionais da marinha, que acabam de voltar vitoriosos e ricos das guerras napoleônicas. Ele e Elizabeth se mudam para o balneário de Bath (onde também se passa o livro A Abadia de Northanger) e Anna, que é considerada um estorvo, é mandada para a casa de Mary.

Lá, Anne descobre que os inquilinos do seu pai são o Sr. e a Sra. Croft. Ela é irmã do Capitão Frederick Wentworth que, há cerca de sete anos, pediu a mão de Anne em casamento. Ela negou, influenciada amiga, Lady Russel, que não via a união com bons olhos porque Wentworth não tinha boa posição social nem fortuna. Apaixonada, Anne nunca se casou e teme o reencontro com o capitão, que não via desde então.

Como um bom romance de Jane Austen, logo a trama engrena e ficamos aflitos vendo o desenrolar das aventuras de Anne, que finge indiferença ao amado, para poder preservá-lo e deixá-lo livre. Tem o cara sem escrúpulos que só está interessado no título de Sir Elliot, tem a questão da herança masculina e das filhas desamparadas, tem a senhora interesseira, tem reviravoltas. E, claro, tem final feliz.

Acabei ficando com vontade de ver de novo o filme Orgulho e Preconceito, com o Mathew Macfadyen (que é um Mr. Darcy maravilhoso). Vi logo depois de terminar de ler Persuasão e foi tãããão lindo... Quero ler o livro de novo, mas pelo andar da carruagem, só daqui a uns anos.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #1

Reparei, há um tempo, que eu ando lendo bastante coisa na net. Em geral, pelo Reader, porque eu não tenho memória (cerebral) suficiente pra guardar todos os sites que eu gosto, as coisas do trabalho, da casa, da Vovó, da Tia Ylza, do Leo, da Cuca, do Paulo, os livros, os filmes, os textos da disciplina do mestrado e ainda saber meu nome completo. E, assim, acabo lendo muita coisa bacana via Reader. Alguns blogs são bem engajados (a Tatá, que trabalha comigo, diria que eu sou muito feminista - mas nem é isso, eu gosto é de direitos iguais para quem é igual), outros são de amigos, outros descobri por acaso e tenho curtido. Vamos lá:

Lagarta vira pupa - É uma leitura quase diária. A Déa, autora do blog, é minha amiga. Estudamos juntas, fazíamos praticamente todos os trabalhos da faculdade juntas. ela sempre teve muito talento para escrever e, agora, deu um destino muito nobre a esse talento todo. Déa é mãe do Theo, um garotinho lindo de três anos que é autista. E lá ela compartilha cada descoberta sobre o Theo, sua caminhada de pesquisas sobre o autismo, a inclusão social e muitas outras coisas. O blog é um aprendizado, vale pra qualquer pessoa.

Leo e Lud Reloaded - Comecei a ler os textos da Lud no blog antigo e gostava bastante. Depois, ela e o marido, o Leo, resolveram mudar de vida, investir no minimalismo e correr atrás do sonho de viajar o mundo e morar fora por um período. Aqui, os dois contam como é o planejamento desse sonho e como investir no minimalismo. Também é um blog que me ensina bastante.

Blog da Kikacastro - A Cristina Moreno é uma jornalista de mão cheia. Hoje ela trabalha na Folha de S. Paulo e tem muito talento. Ela posta quase diariamente textos leves e divertidos, alguns sobre a adaptação à vida em São Paulo, sobre a saudade de Minas e de BH e um pouco sobre o trabalho dela no jornal. Seu pai, o jornalista José Castro, posta por lá também, com textos mais reflexivos sobre política. Uma curiosidade: eu vi essa menina nascer. Era vizinha de prédio da avó dela (D. Rosa no 304 e eu no 1003), brinquei muito com as irmãs da Cristina.

Blog do Lucas Figueiredo - um jornalista de mão cheia, sempre com reflexões pertinentes. Lucas é autor de dois livros muito bons que li recentemente: Ministério do Silêncio e Morcegos Negros. Atualmente ele tem postado menos, porque está preparando o próximo livro. Com certeza, vem coisa boa por aí.

Faz Caber - Este é pra quem curte artes gráficas na prática jornalística. A equipe da Revista Época posta como foi o trabalho de preparação, edição e escolha da capa da semana. Também apresentam trabalhos interessantes, como a montagem dos infográficos. A Época mata a pau na parte gráfica, entre as revistas semanais.

Brainstorm#9 - Quem é da área de publicidade vai amar. São reflexões, textos, vídeos, making of e outras infos da área de criação publicitária, sempre com o melhor (e às vezes o pior) que é feito no mundo. Para quem não é do ramo, é bacana para ficar por dentro das novidades que vão bombar nas redes sociais. O BrainCast também é ótimo, vale a pena.

Cinema em Cena - É o melhor site de cinema do Brasil. Tem milhões de informações técnicas sobre filmes, colunas divertidíssimas, um podcast também super bacana e tem as críticas do Pablo Villaça. Ame ou odeie o cara (eu adoro), ele sabe muito bem do que está falando. Fiz o curso dele, de Teoria, Linguagem e Crítica, e amei. E, fundamentalmente, crítica não é opinião. Opinião sobre filmes é o que eu faço aqui de vez em quando. O Pablo faz é crítica, uma coisa bem mais complexa.


Biscate Social Clube - Uma das minhas leituras que a Tatá chamaria de feminista. É escrito por um grupo de mulheres e vários convidados. O tema principal é pensar e discutir conceitos da sociedade que levam a certos tipos de rótulos. Biscate é um dos rótulos fáceis para mulheres que, muitas vezes, só têm atitude. Vale ler e refletir sobre a igualdade para os iguais.

Blogueiras Feministas - Reúne algumas mulheres engajadas pelo feminismo (e vale a pena entender direito o que é essa palavra), sempre com textos reflexivos - alguns são até divertidos - sobre o papel da mulher na sociedade.

Escreva, Lola, Escreva - A Lola é professora e está sempre ligada nos temas mais sensíveis da sociedade. Ela fala de inclusão e de preconceito, de desrespeito e boas práticas, publica guest posts interessantíssimos e dá voz a quem, em geral, não tem onde falar. Ainda é crítica de cinema! Nem sempre eu concordo com as posições da Lola, mas ler o blog é ganhar mais argumentos para um debate inteligente.

Também leio algumas bobagens, crônicas, quadrinhos leves e outras coisas. Vou publicando aos poucos essas indicações.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Filme: Você vai conhecer o homem dos seus sonhos

You will meet a tall dark stranger - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Elenco: Anthony Hopkins, Naomi Watts, Josh Brolin

Mais um filme de Woody Allen na Europa. Aqui, o cenário é Londres, com toda a graça da cidade, tal como se fosse a Manhattan de sempre. Há um narrador e algumas citações a Shakespeare.

Helena é uma senhora de uns 60 anos que está em choque com a separação do marido, Alfie (Hopkins), um típico senhor na crise da idade. Ele agora tem uma nova namorada, Charmaine, uma "ex"-garota de programa toda trabalhada no silicone e na produção exagerada. Sally, a filha de Helena e Alfie, tenta ajudar a mãe levando-a a uma falsa cartomante, enquanto fica às voltas com o marido, Roy, um médico que largou tudo para virar um escritor - fracassado, claro. Ainda fazem parte dessa trama a estrangeira Dia, vizinha de Roy e Sally, que desperta o escritor para um caso fora do casamento e os amigos escritores de Roy que sofrem um acidente.

O filme é praticamente a volta de Woody Allen aos seus tempos de Nova Iorque. São muito diálogos, poucas invenções cênicas e as reviravoltas de sempre. Não que seja mais do mesmo, mas é bem diferente da sequência de filmes que ele fez na Europa, como Vicky, Cristina, Barcelona e Match-point, por exemplo. Mas tem aqueles toque de humor Woodyalleniano tão peculiar, que fazem com que o filme seja bem divertido. O destino de Roy, por exemplo, é bem típico.

É um bom filme para relaxar e dar umas risadas.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Livro: Defesa de Sócrates

Nessa onda de estudar pro futuro mestrado, tenho anotado cada livro que o professor de Estética fala na sala de aula. Como só tive um ano de Filosofia no Ensino Médio e um semestre na faculdade, praticamente não li nada a respeito. A lista dos livros pra ler é muito grande. E a Sulamita, que é professora da Arquitetura na Ufop e também aluna do mestrado, me disse pra aproveitar bastante pra ler esses clássicos da filosofia, para tudo ficar mais fácil se eu passar no dito cujo um dia.

Comecei pela Coleção Os Pensadores, da Abril Cultural. Tenho alguns exemplares em casa. Pulei os pré-socráticos e fui pra Sócrates. Ele não deixou nenhum escrito, seus discípulos que escreveram sobre ele, sendo Platão o mais famoso.

Sócrates foi acusado de corromper a juventude, não acreditar nos deuses e propagar novos deuses. A Defesa de Sócrates é o relato, por Platão, do discurso de Sócrates em sua defesa. É um discurso lindo! Eu sei que ando empolgada com tudo de novo que ando lendo, mas isso não tira a beleza da obra.

Primeiro, Sócrates se defende e refuta as acusações. Para isso, utiliza de sua tática de sempre: interroga um dos acusadores e prova, com isso, não haver sentido na acusação. Mesmo assim, não consegue convencer ouvintes/votantes o suficiente para acontecer sua absolvição. Enquanto discursa, antes e após a sentença, Sócrates fala de humildade,  justiça, verdade e virtude. E deixa uma grande lição. Não é à toa que ele mudou o pensamento ocidental e fundou a filosofia.

No livro da Coleção Os Pensadores ainda tem duas obras de Xenofonte, que também defende Sócrates, e um de Aristófanes, o escritor de comédias, que ridiculariza o filósofo. Assim que finalizar, vou postar aqui. Só digo que estou amando o livro Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates, do Xenofonte.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

52 x 5 - Semana 14

Semana 14: Meus sites preferidos na internet:


Essa foi difícil. Não tenho entrado muito em sites. Então, vou dizer o que eu deixo aberto todo dia quando acesso a net
1 - GMail
2 - Google Reader (pra ler tudo o que eu quero e acompanhar os amigos)
3 - Hootsuite (Twitter é o melhor que tá tendo aí)
5 - Bom Será (entra lá que é muito bom - www.bomsera.com.br)
5 - Facebook (tenho quilômetros de preguiça do Face, ainda mais do seu maravilhoso sistema de segurança especialmente desenvolvido pra bisbilhotar toda a sua vida na internet, sem consentimento. Mas sempre entro, apesar de tudo #horror)

sábado, 21 de abril de 2012

Espetáculo de encher olhos e ouvidos

Nesta sexta (20/04/2012), saí de alma leve do Centro de Artes e Convenções da Ufop. Foi a apresentação das Valencianas, trabalho da Orquestra Ouro Preto que rearranjou músicas de Alceu Valença. Foi uma delícia de ver e de ouvir, um trabalho maravilhoso.

Alceu esteve aqui em Ouro Preto fazendo o show de aniversário da cidade em 2010. Fui com amigos e foi lindo (o que o Alceu faz que não é ótimo, heim?). Depois desse show, aconteceu o encontro entre Alceu, o maestro Rodrigo Toffolo, da Orquestra Ouro Preto, e o arranjados Mateus Freire. Foi aí que as Valencianas começaram a nascer. No fim de 2011, numa coletiva de imprensa, a Orquestra anunciou que faria, em 2012, a apresentação das Valencianas. Como eu gosto muito do trabalho da Orquestra (acompanho desde os Meridianos, aos sábados, no GLTA), fiquei atenta para conseguir estar na plateia. 

Ainda mais porque quando houve o trabalho com as músicas dos Beatles eu não consegui senha para entrar no Teatro Municipal em TODAS as apresentações e estava viajando quando ela foi aberta ao público na Praça Tiradentes. Dessa vez, como teria venda de ingressos, coloquei meu alarme pra despertar cinco minutos antes da venda se iniciar e garanti meu ingresso (e fiz uso, pela primeira vez, da minha nova carteira de estudante, que só vale até agosto, mas já é um ganho e tanto). 

O que eu posso dizer mais é que quem não foi perdeu um espetáculo lindíssimo e emocionante. O arranjador, Mateus Freire, fez um trabalho primoroso. Os músicos da Orquestra arrasaram (destaque para o percussionista, que usou até um serrote e vasilhames não usuais, como uma tampa de panela, vasos de cerâmica, dentre outros) e o maestro esteve perfeito. Alceu, então, nem se fala. Com sua simpatia arrebatadora, contagiou todo mundo e arrancou risos da plateia com suas histórias. Pena que o palco era pequeno demais e ele não pode fazer aquelas performances de sempre, em que corre e dança por todo o espaço disponível.

E as duas músicas que a Orquestra tocou sem a participação do Alceu são deslumbrantes. A abertura, então... foi começarem os acordes e meus olhos foram se enchendo de lágrimas. Nem há palavras para descrever. 

Como não era proibido, filmei algumas músicas. Peço desculpas pela qualidade. A máquina era minha pequenininha de sempre (não quis levar o trambolho da máquina semi-profissional). Então, a imagem não está boa, mas quebra o galho. Dá pra ter uma noção do principal, que é o som. Fiquei com vergonha de filmar mais - não filmei a abertura, por exemplo. E em algumas músicas eu parei de filmar bem no comecinho. 

Aqui embaixo, vão três momentos: as músicas Coração Bobo e Sete Desejos e o segundo momento da Orquestra (não sei o nome da música), com um coletivo de músicas de Alceu. 










O que falta dizer é: se tiver a oportunidade de ver as Valencianas, não deixe passar. No segundo semestre de 2012, haverá mais apresentações. E faço votos que, ao menos uma delas, seja em espaço aberto aqui em Ouro Preto. 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Cocadinha

Vovó tem um caderno de receitas muito interessante. Todo escrito à mão, com sei lá quantas letras diferentes, ele traz receitas de doces e salgados de outros tempos. Tem receita nova lá, mas também umas bem características. Uma das receitas que tirei de lá foi a da rabanada, que faço todo Natal.

No último fim de semana, com saudade dos doces de Piracanjuba (em especial de um que o Breno ficou de fazer especialmente pra mim e está devendo), resolvi fazer uma Cocadinha, que fazia sempre enquanto morava em Belo Horizonte. Ou seja, não fazia o doce há uns dez anos, no mínimo. Vamos à receita, como está no caderno da vovó:

Ingredientes:
1 côco ralado
1 lata de leite moça
4 xícaras de açúcar
2 colheres de manteiga

Para começar, na época em que escreveram essa receita, não tinha côco ralado em pacotinho. Era preciso comprar o côco e depois ralar. Imagina o trabalho! Isso me faz lembrar um li quando pequena, em que uma menininha foi proibida de contar a uma amiga da avó como se fazia uma cocada, receita de família. Claro que a menininha contou, assim: "receita de família, é com cuspe!". Como hoje temos a facilidade do pacote de côco ralado, fica tudo mais rápido e prático pra mim e ruim para o meio ambiente.

Outra coisa interessante é que são quatro xícaras de açúcar. Isso é açúcar pra não acabar mais. Mas como eu tenho receio de diminuir receitas sem conhecimento prévio, baixei pela metade.

Substituí a manteiga por margarina

Modo de fazer: 
Levar ao fogo, mexendo bem, até desprender da panela. Retire e bata um pouco. Coloque em um pirexx ou tabuleiro untado, deixe esfriar e corte.

Facílimo, né?

Tudo misturado, fica bem clarinho

Começando a tomar forma

No tabuleiro, para secar

Começando o corte

Cortado, no ponto de comer


Para começar, é preciso estar com o braço em dia. Mesmo no fogo mais baixo possível, se não mexer o tempo todo, o fundo queima. Então, é hora de mostrar tudo o que se obteve puxando ferros na academia. Achei que o ponto foi dado mais pela cor do que pelo fundo da panela. Certo é que, quando pronto, o doce realmente não pega no fundo, mas quando começa a ficar assim, ainda está branquelo. E o ideal é a cor mais amorenada.

Deu pra matar a saudade do doce de Piracanjuba (que é mais gostoso do que este, com certeza), e também pra ter mais ânimo de cobrar do Breno o docinho de amendoim que ele está me devendo :-)

Ah! Duas xícaras de açúcar também é coisa pra caramba. Da próxima vez (se houver uma), acho que vou fazer sem açúcar. As receitas do caderno da vovó parecem que foram feitas pra verdadeiras formigas. Não é à toa que tem tanto diabético por aqui.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Citações 21

De Eva Katchadourian, de Precisamos falar sobre o Kevin:

Seu pai ficou tremendamente insatisfeito quando a construção da casa terminou, não porque houvesse algo errado com ela, e sim porque não havia. A ducha de alta pressão e o boxe hermético de vidro tinham sido impecavelmente instalados, e da mesma forma como ele alimentava seu magistral aparelho de com com um CD qualquer das melhores não importa o quê, posso muito bem imaginá-lo saindo de casa para rolar na terra com o intuito de dar àquele chuveiro uma razão de ser diária. Por falar nisso, a casa deles é tão arrumada, tão lustrosa, tão impecável, tão equipada com badulaques que sovam, picam, descongelam e fatiam nossos bagels que ela não parece precisar dos ocupantes. Na verdade, os que vomitam, cagam e derrubam café na toalha são as únicas máculas de desordem numa biosfera de outro modo imaculada e autossustentável.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

52 x 5 - Semana 13

Semana 13: Fico sem graça quando...


1 - Vejo alguém fazendo bobagem (vergonha alheia na veia)
2 - Ouço alguém dizendo bobagem (escuto cada absurdo por aí)
3 - Caio de bike (já devia ter acostumado)
4 - Recebo ligações no aniversário (nunca sei o que dizer)
5 - Não reconheço alguém na rua (e isso acontece o tempo todo)

domingo, 15 de abril de 2012

Mônica em cartas #7

Gabriela, prima querida,

pesa-me muito escrever para você neste momento. Estou com o corpo bastante machucado, devido a uma queda bruta da escada do prédio. Minhas costas doem, meu rosto está com alguns arranhões e meu braço direito com uma dor quase insuportável na região do cotovelo. Mesmo assim, não podia deixar de responder tua última carta.

Fico muito feliz que estejas com a leitura adiantada e tendo muitas notas boas na escola. Sei o quanto é recompensador ver esta paga ao fim de tanto esforço. Aproveito para agradecer o lindo convite para que eu passe as férias com você. Infelizmente, não posso dar a você uma resposta agora. Meus pais precisam aprovar essa solicitação e, creio, seria melhor que seus pais falassem diretamente com eles. Você conhece seus tios, eles não estão sempre dispostos a me deixar sair de casa à hora em que eu quero. Isso me traz alguma dor, mas nada que não possa ser contornado. Espero, ansiosamente, que eles aprovem este pedido, e estas, com certeza, serão férias memoráveis.

Espero que, até lá, meu corpo já não esteja marcado ou dolorido. Fui imprudente, querida prima. Deixei meu pai bastante nervoso, ao chegar atrasada da escola. E, ainda no hall do apartamento, enquanto explicava que perdi o horário do ônibus, acabei me desequilibrando, pisando em falso e rolando pelos degraus. Além da bronca pelo atraso, acabei com toda essa dor muscular que, espero, vai passar rapidinho.  Assim, poderemos ter bons momentos juntas.

Com amor,
Mônica


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Filme: Espelho, espelho meu

Mirror, mirror - 2012 (mais informações aqui)
Direção: Tarsem Singh
Roteiro: Jason Keller, Melisa Wallack
Elenco: Julia Roberts, Lilly Collins, Armie Hammer

Essa onda atual de rever os clássicos contos de fadas está curiosa. Só de Branca de Neve serão dois filmes. Um deles é este Espelho, espelho meu. Ano passado foi A garota da capa vermelha, que foi mega sem graça. Aqui, pelo menos, a história é engraçada e, se não é perfeita, pelo menos traz momentos de entretenimento.

Julia Roberts é a madrasta da Branca de Neve e narradora da história. Ela deixa claro, desde o início, sua ironia e enfatiza que esta não é a história da pobre garotinha de pele clara (porque nunca tomou sol) e cabelos negros, mas a da rainha mais bela do mundo. Lilly Collins, filha de Phil Collins, é a Branca de Neve. Mas vamos combinar que Julia Roberts é bem mais bonita que a Lilly. Então, não faz muito sentido o príncipe Alcott se apaixonar pela mocinha e não pela rainha. Enfim... Lilly é até bonitinha, mas não se compara à Julia.

A história é bem diferente do conto original, mas é uma adaptação bem interessante. O pai de Branca de Neve vai enfrentar um problema do reino e desaparece na floresta entre o castelo e a vila. Durante muitos anos, a menina ficou presa no castelo, sob o domínio da rainha tirana, que ainda espalhou na vila o boato de que a enteada era meio tantã. Os sete anões não são mais mineradores: eles perderam os trabalhos e agora possuem uma ocupação menos convencional. O príncipe aparece bem no começo da história e logo conquista o coração de Branca de Neve e da Rainha.

Um dos destaques do filme é a direção de arte. Os vestidos de Julia Roberts e de Lilly Collins são deslumbrantes. E as cenas de Julia entrando no "espelho, espelho meu" são lindas. O cenário da casa dos anões é uma gracinha, cheio de detalhes. E os atores que interpretam os baixinhos são um achado. Boa parte deles são conhecidos de outros filmes, e eles trabalham com uma sintonia muito legal.

É um filme bem bobinho, mas com algumas gags divertidas. Típico filme de sessão da tarde, que não faz mal a ninguém.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Rabugice

Não é segredo pra ninguém que eu adoro cinema. Um programa para o qual quase nunca digo não, pode convidar (hehehehe). E volta e meia converso com o Leo sobre cinema, produções, filmes, sensações e tudo o mais que o cinema traz. Nossas opiniões, quase sempre, são divergentes. Mas a gente se entende. Dia desses, o diálogo foi assim:

Eu: Cinema, pra mim, não é entretenimento.
Leo: Pra mim é. Se não for para me divertir, eu prefiro ver o filme em casa. Por exemplo, esses dramas, esses filmes que fazem a gente sair calados do cinema. Pra isso, eu não vou ao cinema.
Eu: Não vejo cinema como entretenimento. Cinema, pra mim, é pra pensar. Eu vejo filme pra aprender.
Leo: Isso porque você é depressiva, você é rabugenta.

É o amor, né?

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Livro: Arte e beleza na estética medieval

Se tem um período histórico que eu adoro é a Idade Média. Tudo bem que são quase mil e quinhentos anos e muita pluralidade, mas é um período que me encanta, pelo estilo de vida, pela arquitetura, pela arte. E um dos melhores momentos da aula de Teoria Estética do mestrado foi a Estética Medieval. Pena que o professor ficou só duas horas/aula nesse assunto, que me fascina. Ele indicou, para quem quisesse entender mais sobre o tema, o livro Arte e beleza na estética medieval, de Umberto Eco.

O livro é mais focado na teoria da arte do período, com destaque para a Escolástica, as alegorias e os textos de São Tomás de Aquino. A arte medieval é totalmente voltada para o divino, e uma das discussões que tomou a Idade Média é se as igrejas deveriam ser ornadas ou não. Havia quem dissesse que, ao ter adornos, as igrejas perderiam sua função, já que os fiéis ficariam enebriados com a beleza e não estariam focados na adoração a Deus. A outra corrente já dizia que as igrejas deveriam ser muito bem adornadas para a glória de Deus.

A chamada Idade das Trevas também tinha uma particularidade: a procura pela luz, na arte. A claritas era indispensável para a arte, assim como a noção de proportio (que também era considerada divina) e a integritas. Por conta dessa necessidade da luz é que surgiram os vitrais nas igrejas medievais: o sol inunda de luz o interior das construções.

Outro ponto importante na arte medieval é a alegoria. Para o homem medieval, tudo é figurativo. Assim, surgiu a noção de que um pelicano sempre presenta Jesus, já que a noção popular diz que esse pássaro arranca carne de seu próprio peito para dar aos filhotes. E, seguindo essa linha, tudo virava uma alegoria, um sinal divino na vida dos homens.

O livro é uma delícia de ler. Como acontece com alguns livros do Umberto Eco, há citações em latim que não são traduzidas, mas são as mais simples, dá pra ler numa boa, juro. Os excertos maiores em latim são devidamente traduzidos. Eco é um daqueles eruditos que dão até raiva na gente, porque acumulam um saber absurdo. Ele deve saber de tudo do mundo, porque é impressionante a sua obra, tanto em romances como em ensaios técnicos. Só a bibliografia do livro dá uma mostra do conhecimento do Umberto Eco e mostra que - putz - tenho muito a aprender. Mas muito, muito mesmo.

Infelizmente, a arte medieval não é o foco da minha disciplina isolada e nem do meu projeto de mestrado. Mas um dia volto ao tema.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

52 x 5 - Semana 12

Semana 12: Coisas pra se fazer no frio:


1 - Tomar capuccino ou chocolate quente
2 - Fazer (e comer) petti gateau
3 - Filmes debaixo do edredom
4 - Fondue com amigos (e molho gorgonzola)
5 - Andar por Ouro Preto sob neblina

domingo, 8 de abril de 2012

Mônica em cartas #6

Querido B.,

São cinco horas da manhã. Parece que o sol vai nascer, mas está com preguiça, do mesmo modo que nós ficamos quando temos que acordar para ir para a escola. Agora, eu queria jogar a coberta por cima do sol e deixar ele bem quietinho. Não quero acordar, quero que esta noite nunca mais termine.

Tenho medo do que vai acontecer assim que o sol romper no horizonte. Porque vai chegar a hora de dizer adeus a todos que eu amo e partir para uma nova vida, vida que não quero para mim. Porém, mais uma vez, não posso falar, não posso lutar, não posso fugir. E, por isso, tenho pensado muito em aceitar, fazer o Jogo do Contente e deixar a Poliana aflorar em mim. Vai ser difícil ter de me adaptar a tudo de novo.

Por outro lado, posso pensar que conhecer novas pessoas pode facilitar tudo para mim. Conhecer pessoas que não sabem direito quem eu sou me dá a possibilidade ser aparecer melhor aos olhos deles, não é? E não a menina esquisita, que é como todo mundo me vê aqui. Posso não ser mais aquela que fica sempre sozinha na hora do recreio. Posso não precisar mais chorar. Isso quase me anima. Mas, por outro lado, me enche de saudades, já, das pessoas que eu amo e que vão ficar por aqui.

Não terei coragem de entregar essa carta a você. Ela vai ficar onde sempre deixei todas as cartas que escrevi até hoje, escondida naquela fenda da garagem do prédio. O lugar desta e das outras é lá. Sim, me falta coragem. Para entregar tudo aos meus destinatários, para dizer o que sinto, para fazer um levante e não me mudar. Esta coragem, vou deixar para depois.

Um abraço fraternal,
Mônica

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Livro: Precisamos falar sobre o Kevin

Comprei o livro antes de ver o filme. Eu sabia que ficaria impactada com a história da mãe que tem de se haver com o fato de que o filho promoveu uma chacina na escola. A intenção era ler antes e ver o filme depois. Coisa que eu conseguiria fazer caso o cinema de Ouro Preto não tivesse um delay significativo em relação ao circuito de Belo Horizonte. O filme saiu de cartaz em BH e, um tempo depois, entrou aqui em OP, de modo que vi antes de ler. E não me arrependi, o filme foi muito fiel à narrativa de Lionel Shriver.

O livro é escrito em primeira pessoa por Eva Katchadourian, a mãe do Kevin do título. Ela escreve cartas intensas e cheias de emoção para Franklin, seu ex-marido e pai do adolescente matador. As cartas são uma espécie de terapia, um acerto de contas de Eva com o passado. Ela rememora sua vida independente de editora de charmosos guias de viagens, a ascendência armênia, a mãe com agorafobia, o namoro com Franklin, a decisão de ter filhos, o nascimento de Kevin, a rejeição que sentiram um pelo outro e o desenvolvimento do garoto.

Eva é cruel com ela mesma. Ela assume sua culpa e acha que deve pagar pelos erros do filho. E suas cartas a Franklin são um relato cruel, duro e punitivo do que ela passou com Kevin, do que ela inflingiu a ele. Se foi a relação dos dois que levou Kevin a assassinar nove pessoas e ferir duas, não dá para saber, só para especular. É possível que Kevin tenhas nascido psicopata, é possível que ele tenha se tornado um. O interessante é que o relato é de Eva, e por ouvirmos somente a voz dela, tendemos a achar que Kevin é o vilão da história. E as marcas que ele deixou nos pais, na irmã, nos vizinhos, na professora de artes e nos colegas assassinados realmente são motivos suficientes para odiarmos o adolescente. Mas, ao mesmo tempo, isso não é desculpa para amarmos Eva ou ficarmos do lado dela.

Na quarta capa do livro estão partes das resenhas de Veja, O Globo, The New York Times e The Guardian. A resenha de O Globo diz que é uma bofetada a cada página. E é isso mesmo. Acho difícil alguém ler esse livro como se fosse ao shopping, porque há coisas tão marcantes ali, tão intensas, que abalam. Seja a postura de Eva, tão dura com Kevin, seja a postura dele, tão debochado e irritante com ela.

Ambos, livro e filme, me deixaram sem chão. Com medo mesmo de ter filhos e com medo dos filhos de outras pessoas. Mas a esperança, aquela última praga da Caixa de Pandora, insiste em ficar viva.

terça-feira, 3 de abril de 2012

52 x 5 - Semana 11

Semana 11: Meus brinquedos preferidos na infância eram:


1 - Bicicleta
2 - Bola (de futebol e de vôlei)
3 - Baralho (pra jogar sozinha, acompanhada ou fazer castelos)
4 - Lego
5 - Playmobil

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O que era pra ser adequado

Ontem foi aniversário da minha irmã. Acho que ela e a Flavinha, minha cunhada, são as pessoas que eu conheço que mais amam fazer aniversário. As duas ficam de butuca ligada, esperando o telefone tocar, as mensagens chegarem via celular ou computador, os abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim. Eu, que não curto aniversário, acho tudo isso muito engraçado. Mas ontem no aniversário da Laura, acabei tendo mais uma decepção daquelas.

Com o tempo (e a análise), aprendi a enxergar algumas coisas que, antes, não via. Abrir os olhos faz a gente ver o mundo mais colorido. As coisas ficam mais intensas, mais bonitas. Mas o que é feio, disforme, inadequado também cresce e aparece. E, ao ver melhor, acabei exergando algumas coisas muito ruins com relação à minha família. A principal delas é que algumas pessoas não sabem - e não se esforçam para - lidar com a Laura. Ela tem um transtorno, está em tratamento constante. Ela estuda, trabalha e tenta levar uma vida normal (ou neurotípica, como dizem).

E vem uma sujeita e resolve brigar com a Laura. Colocar nela toda a "culpa" das escolhas erradas que a sujeita fez. Laura tem culpa disso? Não. Mas a sujeita precisa colocar a culpa em alguém, e a Laura foi a escolhida, desde sempre. O que fazer, se a pessoa é uma imbecil e resolve agir assim?

Ontem foi aniversário da Laura e ela ficou o dia inteiro esperando telefonemas, abraços e etc. E a sujeita em questão conseguiu ser babaca o suficiente para não ligar. Repetindo: a pessoa que diz ser "católica, apostólica, romana", caridosa e rezadora, um exemplo de ser humano, simplemente decidiu IGNORAR o aniversário de uma pessoa que está em tratamento médico e PRECISA de carinho e atenção.

Aí eu pergunto:
1) dá pra confiar na postura religiosa de uma pessoa assim?
2) dá pra confiar nela como pessoa (deixando de lado a questão da religião)?
3) como crer no futuro da humanidade, quando há alguém assim?

Eu respondo: 1) não; 2) não; 3) ainda é possível. Porque há algumas pessoas no mundo que me dão esperança. Meus sogros, cuidando da Flavinha, por exemplo. Fazem de tudo pra ela se sentir bem. E, dentre outras, a Andréa, minha amiga da época da faculdade, que tem um filho autista e escreve sobre a convivência com ele, seu aprendizado, suas vitórias. Ela transborda de amor pelo Theo. Para ler, aprender e se emocionar com essa mãe exemplo, é só vir ao Lagarta vira pupa, o blog dela. Fala se não é maravilhoso o texto "Bem-vindo à Holanda", que não é da Andréa, mas que diz muito sobre como lidar com as diferenças?

Enquanto minha avó se descabelava, pedindo por favor que a sujeita ligasse pra Laura e desse os parabéns, eu já anunciava o que iria acontecer: a sujeita ia, independente do que a minha avó falasse, dizer que a Laura estava fazendo intrigas, colocando a minha avó contra ela. Meus tios estavam em casa e viram tudo: viram a Laura inquieta com a falta do telefonema, mas sem dizer uma palavra sobre o assunto. Viram minha avó ficar mais ansiosa enquanto o dia passava, e perguntar pra Laura, a cada telefonema, quem tinha ligado. Viram vovó  pedir à sujeita que se comportasse como gente. Viram exatamente o que a sujeita fez ao falar com a Laura, viram minha avó chorar com a situação (note-se que vovó tem quase 94 anos) e dizer que essa é a única coisa no mundo que a deixa triste.

Se há alguma coisa que me fez ficar feliz com essa história foi que, pela primeira vez, tivemos testemunhas de como a sujeita age. Porque, da porta pra fora, ela é a santa canonizada. E, finalmente, alguém de fora viu o pão bolorento que há por dentro. Tio Jésus e Tia Vera ficaram escandalizados.