segunda-feira, 30 de julho de 2012

52 x 5 - Semana 28


Semana 28: Minhas maiores "neuras" e manias são:

1 - Meu jeito de descascar laranja. Criado porque Aline e Facas no mesmo lugar no espaço dá problema
2 - Arrumar e rearrumar tudo o tempo todo
3 - Cabides virados para dentro, sempre
4 - Neura total com banheiros não familiares (e com alguns familiares também)
5 - Nojo total de arroz

sábado, 28 de julho de 2012

Desafio Literário - junho: Criando Kane

Era para o livro ser lido em junho. Mas eu não dei conta. Não por algum defeito do livro. Foi única e exclusivamente pela falta de tempo que me consumiu nesse primeiro semestre de 2012. Comecei a leitura no tempo certo e só terminei hoje. Assim, atrasei também a leitura do mês de julho (O Hobbit), mas como é um romance, acredito que vai fluir mais rápido.

Pauline Kael é considerada a maior crítica de cinema de todos os tempos. Foi mais odiada que amada, como, em geral, acontece com os críticos. Ela era ferina, não deixava passar nada. Em geral, assistia a um filme só uma vez e tinha uma memória espetacular para as películas. Californiana, foi criada num rancho, estudou Filosofia e gerenciou um cinema de arte antes de se dedicar exclusivamente às críticas.


Criando Kane é uma coletânea de 11 ensaios em que ela analisa filmes a fundo e também fala sobre a produção cinematográfica, a questão da indústria, dos números e sua influência na produção, sobre como a televisão influenciou a indústria cinematográfica. O ensaio principal é Criando Kane, em que ela disseca o filme Cidadão Kane, considerado até hoje a melhor produção cinematográfica do mundo. O filme é muito bacana, porque reúne uma série de técnicas até então complexas, como profundidade de campo, posicionamento de câmera, uso de espelhos e outros. O roteiro é meio bobo e, por isso, muita gente não vê tanta genialidade assim no filme. E é sobre o roteiro que Pauline Kael mais fala nesse ensaio. Ela conta como ele foi escrito, por um jornalista e argumentista beberrão, Herman Mankiewicz, baseado na vida de um magnata da imprensa americana, William Randolph Hearst. Conta como o filme foi perseguido por esse magnata, que fez tudo para que seu lançamento não existisse. Como a carreia do diretor Orson Welles foi abalada por uma perseguição velada, enquanto a do roteirista Mankiewicz foi destruída com o uso da cadeia de jornais de Hearst. O texto conta, ainda, como Welles tentou se apropriar do roteiro, comprando o direito de assinatura por ele, e como Makiewicz conseguiu burlar esse fato e ter seus créditos no filme. O ensaio recebeu uma carta-resposta irada de Orson Welles (infelizmente, a carta não veio no livro...).

Kael é dura com quase tudo e com quase todos. Em especial, no último ensaio, quando ela fala sobre a profissionalização da indústria do cinema, quando os executivos dos estúdios, que nem sempre entendem de cinema, decidem que filmes serão feitos, quais serão engavetados, quais nunca serão produzidos. E explica porque alguns argumentos passam de mão em mão durante longos anos e nem sempre são filmados (mais ou menos o que aconteceu com o projeto de Na Estrada, que virou filme recentemente, dirigido por Walter Salles).

Mesmo sendo dura na queda, fica nítida a sua paixão pela sétima arte. Ela foi criada numa época em que a diversão era ir ao cinema. Bem o que Martin Scorsese conta em Conversas com Scorsese - que a vida se resumia entre escola, casa e cinema. Ela é tão apaixonada que, não por acaso, a última frase do livro é: "Talvez haja um deus distinto para o cinema, por falar nisso".

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Filme: Os vingadores

The Avengers - 2012 (mais informações aqui)
Direção: Joss Whedon
Roteiro: Joss Whedon, Zak Penn
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Jeremy Renner

Vi Os Vingadores duas vezes, em dois contextos diferentes, bastante significativos. Não sou fã de quadrinhos, já disse isso várias vezes. Não tenho conhecimento para julgar se o filme foi bem adaptado ou não. Mas gostei muito do roteiro, das gags, da direção, dos efeitos. E de ver meu herói favorito na tela grande pela primeira vez. É, não vi os outros filmes do Hulk, não me lembro o motivo. Talvez seja porque eu adoro a série que passava na tevê na década de 1980. Lembro de voltar correndo da escola só pra ver o Hulk (e o Sítio do Pica-pau Amarelo, que passava antes ou depois, não tenho certeza).

Como disse no início, vi o filme em dois contextos diferentes. A primeira vez foi logo na estreia, com o cinema cheio de fãs aficcionados pelos heróis. Vários nerds, muito divertidos. Nada passou incólume a eles, e o cinema explodia a cada cena, a cada gag, a cada participação eletrizante de um super herói. O moço que estava do nosso lado na fileira era dos mais empolgados e, juro, era tão divertido vê-lo interagir com o filme quanto ver a película.

Na segunda vez, vi uns bons dias depois, no cinema de Ouro Preto. O cinema daqui, quando está em sua fase comercial, recebe filmes que já saíram de cartaz há um tempinho em BH. Ou seja... não dá pra se manter atualizado com o cinema daqui. Mas como Leo e eu curtimos muito Os Vingadores, fomos lá ver de novo. A plateia interagiu, lógico, mas passou por várias gags sem entender. Sério, nem todo mundo entendia coisas que são óbvias pra quem está perto do mundo nerd ou geek - e olha que eu não sou nem uma coisa nem outra, só convivo com gente que é.

De um jeito ou de outro, o filme é bem divertido. Faz parte daquela parte de obras que são feitas justamente pra isso: divertir (e pra ganhar rios de dinheiro, of course). E eu me diverti muito. Talvez seja por isso que não me liguei tanto em detalhes de produção, de caracterização, de efeitos, de som. Curti muito o conjunto da obra sem parar para apreciar detalhes. Claro, ver o Hulk de novo, ainda mais interpretado pelo Mark Ruffalo (ai, ai...) foi perfeito. Ainda mais na cena em que ele prova que é o melhor dos heróis, pois só ele consegue fazer o vilão Loki perder a pose de semi-deus.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Pra quê, né?

Dia desses (mentira, já tem muito tempo que venho pensando nisso) estava pensando porque, afinal de contas, a gente come e dorme. Sério, ando encucada com isso.

O negócio é o seguinte: quando voltei pra universidade, precisei mudar algumas coisas na minha rotina. Estava tendo a aula da disciplina do mestrado na segunda à tarde e me peguei tendo que ler um milhão de livros muito densos (Filosofia é osso... a gente lê uma página umas mil vezes, vai, volta, lê de novo, anota, pensa, compara etc). Além disso, teve a volta pra academia, inicialmente no fim da tarde e, agora, no início da manhã. E preciso ficar com a vovó, pelo menos um pouquinho por dia.

Ainda não estou mestrando, mas já estou com essas teorias malucas...

Pra que a gente dorme? Sério, qual o sentido de dormir? E eu não pergunto isso por ser insone. Não sou, adoro dormir, odeio ser acordada. Mas, vamos combinar, dormir tira muito tempo da gente. A última vez que tive uma noite insone criei esse blog (e não contei no post inicial que estava lá penando pra dormir). E, se deixar, durmo oito, dez, doze horas por noite. Agora imagina perder oito, dez, doze horas por dia enquanto tem tanta coisa pra fazer, tanto livro pra ler, tanta coisa pra aprender...

Daí, pensando em dormir menos, acabei pensando na comida. Por mais que pareça que eu como pra caramba, se tem uma coisa que eu não gosto de fazer é comer. Pelo menos, não gosto dessa coisas social de comer. Tipo transformar cada refeição num ritual. Tenho um pouco de birra de gente que gosta de se reunir pra comer - aquelas famílias de sei lá quantos anos atrás em que era preciso estar todo mundo presente para que se começasse o almoço ou o jantar. Uma tia avó fazia ainda pior: ela era a primeira a se servir, e só depois que ela desse a primeira garfada, os outros podiam se servir. Ainda bem, nunca almocei com ela! 

Sei do valor sociológico - e até antropológico da comida e de seus rituais e não quero negá-los. Só que, se a gente pensasse menos em ritualizar as coisa, sobraria mais tempo pro que é importante. 

Ou não, né? Sabe-se lá...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

52 x 5 - Semana 27


Semana 27: Coisas legais pra se fazer nas férias:

1 - Colocar a leitura em dia
2 - Cinema
3 - Declutter
4 - Acordar na hora que o corpo quiser acordar (mesmo que seja cedo, que é o que acontece comigo)
5 - Desligar o celular

sábado, 21 de julho de 2012

Filme: Toda forma de amor

Beginners - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Mike Mills
Roteiro: Mike Mills
Elenco: Ewan McGregor, Christopher Plummer, Mélanie Laurent

Antes de falar do filme, vamos falar da minha vida atribulada no primeiro semestre deste ano. Vi o filme no dia 5 de março e só consegui escrever sobre ele agora. É um filme que me impactou, mas não foi por isso. Foi porque logo depois começaram as aulas da disciplina do mestrado e eu parei de escrever como gosto de fazer. Mea culpa.

O título do filme não é bem apropriado, eu acho. Pelo menos, me passa a impressão de ser um romance água com açúcar bem bobinho, e o filme não tem nada disso. Ele fala, sim, de formas de amar, mas passa longe de ser bobo e romantiquinho. Ewan McGregor é Oliver Fields e está às voltas com a morte do pai. Não uma morte qualquer. Seu pai era paciente de câncer e teve um fim de vida um tanto sofrido. O pai é Hal Fields, interpretado por Christopher Plummer, que recebeu o Oscar de ator coadjuvante por este personagem. Eu adoro o Plummer, desde que vi A Noviça Rebelde (não joguem pedras, please), quando ele foi o Capitão Von Trapp. Ele é um ótimo ator e mereceu esse prêmio, está apaixonante no filme.

Hal, aos 79 anos, diz ao filho Oliver que é gay. Que, durante toda a sua vida, escondeu sua orientação sexual em nome de todas as convenções sociais da época de sua juventude - ser gay era considerado uma doença. Ele se casou (a mulher sabia que ele era gay e disse "vou consertar isso"), teve um filho e viveu uma vida de aparências com a esposa. Após a morte dela, ele se sente livre para viver como deve ser. "Não quero só ser gay na teoria, quero fazer algo", diz ele. E faz da sua vida realmente um renascimento: um namorado (Andy), um cachorro (Arthur), aulas de dança, festas e tudo o mais que pode fazê-lo se sentir feliz.

Oliver, por mais que estranhe a revelação do pai, acolhe a novidade. Porém, Oliver tem um jeito bem fechado, tímido, quase como se fosse triste. Em uma festa a fantasia, em que ele vai vestido de Freud, conhece Anna, uma francesa (Mélanie Laurent, de Bastardos Inglórios), que vai apresentar a ele uma nova forma de amar, mais livre, sem o peso do relacionamento truncado que ele via nos pais.

É um filme lindo em que o pai, Hal, só nasce para Oliver após a morte da esposa, após ele afirmar para o filho como homossexual. E Oliver só consegue se expressar melhor ao ver o pai, ao lembrar dele sendo realmente feliz quando assumiu quem é de verdade. É uma lição pra tanta gente por aí que ainda acha que homossexualismo (e outras formas de amor) são doenças ou aberrações e merecem ser curadas ou consertadas. Amar só faz bem, não importa a forma. E se há amor, não precisa haver convenções. Aliás, quem é que tem autoridade pra impor regras a respeito do que é bom pra cada um?

Toda forma de amor merece ser visto, revisto, comentado, apreciado, chorado (sim, é bem triste). Um dos mais lindos que vi este ano.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sobre a pipoca e o Affonso

O Affonso Romano SantAnna tem uma coluna semanal no caderno de Cultura do jornal Estado de Minas e seus textos são muito bacanas. No último domingo, 15 de julho, ele escreveu o texto abaixo, Pipocas e foguetes. O texto é fluido e muito gostoso de ler (como sempre), mas toca num assunto que me deixou constrangida: a pipoca no cinema.

Sou dessas que ama cinema com pipoca. De preferência doce, tamanho pequeno. Cinema sem pipoca parece tão vazio, tão deslocado... E foi tão ruim ler que "geralmente são pessoas gordas, as que comem pipocas. Ou adolescentes despassaradas". Peralá... pela liberdade da melhor combinação das salas de projeção!

Concordo que pipoca faz barulho e faz sujeira (e que mania tem os atendentes das bombonieres de encher os saquinhos até transbordar, contribuindo para todo consumidor de pipocas deixe cair um sem número delas pelo chão, do balcão até a poltrona)... incomoda o companheiro de sala, eu sei. E concordo que é um ato de individualismo, como diz o Affonso.

Já com a parte dos foguetes, concordo em gênero, número e grau.

O texto abaixo pode ser acessado no blog do escritor, sem link direto.




PIPOCAS E FOGUETES

Affonso Romano de SantAnna

              Você já se assentou, no cinema, ao lado de alguém que está comendo pipoca? Ou melhor: alguém que come pipoca já se assentou  acintosamente ao seu lado no cinema?
É um horror!
Quando vejo um casal, com aqueles sacos enormes de pipoca,  procurando sua poltona no cinema, me estremeço todo. Vão se assentar ao meu lado? Vão ficar mastigando essa coisa  malcheirosa? Vão produzir aquele ruído desagradavel  de roedor desempregado? Vão emporcalhar o chão? Vão ficar bovinamente engulindo  aquilo e parvamente olhando a tela?
Geralmente são pessoas gordas, as que comem pipocas. Ou adolescentes despassaradas. Mas outro dia, antes do filme começar, puxei conversa com um casal que comprava pipocas na entrada do cinema. Fiz uma pesquisa. Queria entender esse fato  gastronômico e social. Detalhe: ambos eram atletas.  E assim justificavam que  tinham como queimar todas as calorias das pipocas. Como eram simpáticos, e a moça  era falante, perguntei onde iam se assentar, para me precaver ou mudar de assento.
Bem, alguém me disse que o negócio do cinema não é o ingresso, mas sim a venda de pipocas:  daí os anúncios e aqueles pacotes imensos acompanhados da sintomática coca-cola. Não acredito nisso. O negócio de comer pipoca no cinema é pura imitação dos costumes americanos. Nefandos costumes, às vezes.
Mas a pipoca me levou a uma profunda  divagação sociológica. E sugiro que se faça uma tese com este título: Pipocas e foguetes ou a supremacia da individualidade sobre o  social.
Foguetes. Não sou contra. Nem  sou neurótico de guerra. Mas não entendi porque certas pessoas se dão o direito de espolcar foguetes nas horas mais estranhas. De madrugada, por exemplo.Você está dormindo, e, de repente Boom! Blahhh!Pahamm!
Que  foi? Quequéisso (como escrevia o Pedro Nava)? Nada. Foguetes na madrugada. Quarta e domingo, então, piora, pois tem jogo. Que o digam minha cachorrinha  e todos os cachorrões apavorados pelos cantos da casa.
Então, me pergunto:- o sujeito tem direito de comer pipoca? Tem. Mas não tem o direito de me impingir cheiros, sujeiras, ruídos. O sujeito tem direito de explodir foguetes a qualquer hora ? O que   um milhão de pessoas em torno tem a ver com essa explosão indivualista?
Para aqueles que vão escrever aquela tese ou ensaio sugerido anteriormente contribuo com um exemplo, igual, invertido e extremo. Quando morei na Alemanha, me surpreendeu o contrário: o silêncio obrigatório. É tanto silêncio, que as pessoas ficam enlouquecidas, sobretudo os nordestinos. Um ex-aluno meu foi dar aulas em Colônia, e daí a poucos dias se demitiu: não suportava o silêncio das ruas, das casas, das pessoas.( Isso é outro tema para estudo:  O Silêncio Alemão e Sua Inteferência na Psiquê do Individuo Tropical) .
Na Alemanha, essa síndrome  do ruído é terrivel. Não sei se é por causa dos bombardeios durante da II Guerra e todas as guerras em que os alemães se meteram. O fato é que havia a no prédio em que eu morava, lá em Colôniia,  uma advertência : você não podia tomar banho depois das 10 da noite, porque ia incomodar os vizinhos. Nem bater à  máquina. ( Para os jovens informo: quando havia máquina de escrever,bater à máquinaproduzia um ruídozinho que para os alemães era ensurdecedor). Então, a partir da 10 tinha que escrever à mão .
Desde criança  que nos dizem: a sua liberdade ( ou  o seu direito_) termina onde  começa o meu. É bonito, não?
Talvez os alemães estejam exagerando  com o silêncio deles.
Talvez os brasileiros estejamos exagerando com o nosso barulho.
Já, quando à pipoca você decide.

(Estado de Minas,14.07.2012)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Livro: Assassinato no Beco

Uma coisa que fica bem clara quando se lê Os Diários Secretos de Agatha Christie é que um de seus métodos de trabalho era testar enredos de livros em contos mais curtos. Desde que li o livro, fico tentando imaginar onde já vi aquele conto sendo mais desenvolvido. Em Assassinato no Beco, temos quatro contos e dois deles, tenho certeza, viraram livros completos.

O primeiro, Assassinato no Beco, é uma história bem interessante sobre um suicídio que mais parece assassinato. O terceiro, O espelho do homem morto, também é uma história de suicídio que mais parece assassinato, mas as duas histórias, mesmo compartilhando alguns detalhes, conseguem ser bem diferentes.

O segundo é O roubo extraordinário, em que papéis secretos são roubados de uma mansão cheia de personagens suspeitos (tenho certeza de que já li o livro com a trama bem parecida, com o Superintendente Battle entre os personagens). A última história é O triângulo de Rodes, que também já vi desenvolvida em outro livro, num cenário bem parecido.

Acredito que O triângulo de Rodes deu origem a Morte na Praia, porque temos os mesmos elementos: uma ilha, um hotel, pessoas de férias, Hercule Poirot e uma beldade que dá em cima de todo mundo. Já O roubo extraordinário me lembrou muito O Segredo de Chimneys, que tem uma história de roubo de documentos e o Superintendente Battle, e os métodos do roubo são bem parecidos. Porém, no livro, há um assassinato, o que não existe no conto.

Enfim, é sempre uma delícia de Agatha, faz o tempo passar rapidinho e distrai a gente daqueles problemas incômodos.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Trabalhando no Festival de Inverno

Quando eu era criança, já não tinha mais festival de inverno em Ouro Preto. Quando virei adolescente, a UFMG veio pra cá renovando essa proposta. Vim algumas vezes, passar pouco tempo, e sem fazer oficinas. Mas ficava ligada nas mostras de resultados de oficinas, exposições, teatros e tudo o mais que agitava a cidade em julho. A UFMG saiu, entrou o Uni-BH e depois a UFOP assumiu o seu papel e passou a promover o Festival. Tenho orgulho de dizer que trabalhei no primeiro Festival de Inverno da UFOP (que na época se chamava Fórum das Artes), em 2004, na assessoria de imprensa, e o resultado foi muito legal. Também trabalhei em 2005, mas não aceitei de novo em 2006 e nunca mais voltei pra AI do festival.

Ano passado, a equipe do Bom Será ofereceu uma oficina e lá fui eu, de mala e cuia, passear por lugares não-tão-turísticos de Ouro Preto contando histórias (tem textos sobre aqui e aqui e a cobertura completa no Bom Será). Em 2012, partimos pra uma proposta mais hard, de praticamente "invadir" a vida de alguns ouro-pretanos nativos ou por adoção, mas que não são assim tão conhecidos no dia-a-dia da cidade. Precisamos de muito mais empenho para a produção da oficina mas, por outro lado, o resultado foi mais bacana do que no ano passado.

Abrimos 15 vagas e tivemos 16 inscritos (não me pergunte como isso aconteceu). Tivemos dois inscritos que não apareceram, um abandonou no meio do caminho e uma não foi no último dia. Ou seja: entre mortos e feridos, ao menos 12 pessoas bateram ponto uma semana inteira com a gente. E foram pessoas incríveis, que abraçaram o projeto e fizeram muita coisa bacana. Tivemos fotos maravilhosas e muita sensibilidade.

Não vou mentir, foi cansativo pacas pensar na produção, ficar brigando com algumas questões técnicas do festival (juro, o transporte quase me enlouqueceu), coordenar tempos em cada atividade (levando-se em conta que o transporte atrasou horrores), fazer um esforço enorme para me lembrar de todos os nomes e rostos (é, eu sou péssima nessa arte de reconhecer pessoas), ver a galera toda sofrendo para separar só duas fotos entre tantas que ficaram lindas (o Nayan, um francês que participou conosco, fez mais de 600 fotos!), editar as fotos e montar o arquivo para a exposição - é, braseeel, vai ter exposição!!! Ainda não sei onde, quando ou como. O fato é que vamos expor as fotos escolhidas pelos oficinantes e vai ser tudo lindo.

Apesar de cansativo, ficou a vontade de quero mais, de repetir, de já pensar na nova proposta para o ano que vem e - se ela for aprovada - pôr mãos à obra para fazer um bom trabalho. Tô cansada, mas tô feliz!

Abaixo, duas fotos que o oficinante Evandro Loredo fez, enquanto eu tentava fazer cara de que não tá vendo.

Abre o olho, Aline!

Lá no fundo, o Otávio, nosso monitor

segunda-feira, 16 de julho de 2012

52 x 5 - Semana 26


Semana 26: Se eu pudesse trocar de profissão, eu seria...


1 - Escritora


2 - Engenheira metalurgista
3 - Arquiteta
4 - Publicitária (ainda termino essa graduação...)
5 - Professora de literatura

Tudo tão diferente, né? Esse é o problema geral quando a curiosidade é maior que tudo.

sábado, 14 de julho de 2012

Livro: Escreva Lola Escreva: Crônicas de cinema

Eu devia estar terminando de ler Criando Kane, da Pauline Kael, meu livro desafio de junho. Ou lendo O Hobbitt, desafio de julho. Mas...

Lendo o blog da Lola (que eu já indiquei aqui como uma das minhas leituras favoritas), vi que ela lançou um livro com suas críticas (ela chama de crônicas) de cinema. E eu gosto pacas de ler a Lola, seja qual for o assunto, mesmo que nem sempre concorde com ela. Como disse antes, é sempre bom aprender e conhecer novos pontos de vista. Daí, vi que ela tinha lançado o livro e ela mesma está vendendo, no blog. Corri pra comprar.

O livro chegou ontem e eu só parei de ler por dois motivos: pra agradecer à Lola pelo envio e para dormir (porque essa semana foi super punk, com a oficina no Festival de Inverno, conto depois). E terminei agora, depois de uma manhã de trabalho e início da tarde de visita a Tia Ylza.

É uma delícia ler a Lola. O texto é cheio de sutilezas e muito bem humorado, com destaque pro Maridão, uma pessoa que eu teria muito prazer em bater um papo uma hora dessas. Ela tem muito conhecimento sobre cinema - o que dá uma certa invejinha em mim, que estou tentando arduamente conhecer mais (e, shame on me, não termino o livro da Kael!!!). E é um texto tão gostoso de ler que é praticamente como eu gostaria de escrever, com leveza, com amor, com humor. Tenho muito o que aprender ainda, viu?

Recomendo a leitura do livro pra quem gosta de cinema. Pra quem não gosta também, porque com certeza vai aprender a gostar. E porque não gostar de cinema é heresia (assim como não gostar de Chico Buarque).

Aliás, na dedicatória (ela dedica todos os livros para quem compra pelo blog), ela disse que nunca veio a Ouro Preto e que, se vier um dia, espera que eu possa ser sua guia. Chique, né? Depois de ser guia da Bel, vou pensar em me especializar em guiar blogueir@a bacanas.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Livro: Tristão e Isolda

Dizem que Tristão e Isolda é o conto fundador das histórias de amor romântico. A história não tem autor certo nem data. Só se sabe que é uma lenda medieval que foi contada, recontada, escrita, reescrita e apropriada até mesmo pela lenda do Rei Artur - em alguns relatos, Tristão é cavaleiro da Távola Redonda.

Li a versão de bolso da Martim Claret, em que o próprio texto fala que existem vários relatos. Esta é: "baseada nos fragmentos de Béroul, Thomas (troveiro anglo-normando do século XII), Gottfried von Strassburg e nos trabalhos do francês J. Bédier, um dos mais importantes pesquisadores modernos da lenda de Tristão e Isolda".

Tristão é filho de um amor triste - perdeu pai e mãe e foi criado por um criado. Quando jovem, chegou ao reino de Marcos, que é seu tio, e passa a ser o preferido da corte. É guerreiro, batalha, mata dragões e ganha a mão da loura Isolda para o tio. A mãe de Isolda, querendo que a filha seja feliz no casamento com o Rei Marcos, entrega à criada da filha uma bebida mágica, para que os dois tomem logo após o casamento e se apaixonem um pelo outro. Mas por um descuido de Brangien, a criada, quem bebe o preparado junto com Isolda é Tristão. Pronto, está criado o drama. Os dois não podem ficar juntos, mas o amor fala mais alto.

Como tudo que é medieval, o texto é cheio de símbolos. Como a cena em que Isolda e Tristão dormem na floresta e, no meio deles, está a espada de Tristão. O Rei Marcos, marido de Isolda e tio de Tristão, encontra os dois e, ao ver a espada entre eles, conclui que os dois não seriam amantes. Ele, então, sem acordar os dois, troca a espada de Tristão pela sua própria. Ou seja: ele ainda mandava no pedaço.

É um livro bem bacana mas, como é uma compilação, traz uma série de contradições. Não prejudica a história, se o leitor consegue entender essa questão da autoria múltipla.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Sal e pimenta

Sabe superstição? Tem gente que tem um monte! Em geral, eu não tenho. Mas depois de um acontecimento bem peculiar no começo do mês passado, comecei a pensar seriamente que um pouco de proteção não faz mal a ninguém. Não vou contar o que é, apesar da minha vontade ser botar a boca no mundo. Mas, enfim, se eu fizesse isso, seria como entregar de bandeja o que certas pessoas querem. Mas chega de falar disso.

Curiosamente, no dia do tal fato peculiar, entrei no site da Dani Pinheiro, onde costumo comprar coisas pra cabelo (um dia eu falo mais sobre isso) e resolvi olhar algo que não chama muito a minha atenção: as semi-joias. Estava pensando em olhar um presente pra uma pessoa querida, mas acabei de olho foi num colar de sal grosso. Na hora, fechei a compra.  pra mim e deixei o presente pra pensar depois.

O colar de sal grosso

Só pra reforçar: comprei o colar num dia pela manha. No mesmo dia, à noite, aconteceu a tal coisa esquisita.

Fiquei tão chocada com o negócio do qual não posso falar que comentei com uma amiga querida, a Ju Machado. Ela foi taxativa: eu ando precisando MESMO me proteger. Uma semana depois, ela me presenteou com uma pimenteira.


A pimenteira que ganhei da Ju

Não que eu tenha ficado supersticiosa agora. Mas não vou tirar do pescoço o colar de sal grosso. E a pimenteira, assim que for necessário, vai sair do vasinho e passar pra um canteiro no quintal. Sabe-se lá... a gente anda cercado por tanta gente maldosa por aí... 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

52 x 5 - Semana 25


Semana 25: Tenho aflição de...

1 - Gominhas (essas que se usam em escritório)
2 - Sabonete em barra
3 - Barulhos de giz em lousa
4 - Barulho de isopor
5 - Conversar com pessoas monoassunto

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A altura

Conheço uma pessoa que costuma dizer assim: "meu problema não é de gordura, é de baixura. Se eu fosse mais alto, não seria gordo". Não vou entrar no tema da gordura, quero falar mesmo é de altura. É que ser baixinha já me incomodou bastante. Na verdade, ainda incomoda, em certos momentos. Mas, no geral, consegui deixar pra lá.

Fiquei pensando nisso depois de ler o post da Lud sobre saltos altos. E, olha, já usei salto pra caramba! Achava lindo, quando era pequena, ver mulheres se equilibrando nos saltos. Em especial a Tia Ylza, que andava em Ouro Preto, pra cima e pra baixo, numa elegância ímpar, em saltos agulha. Tão bacana que ela já posou para fotos de vários turistas, mostrando seus saltos. Infelizmente, há pouco mais de dez anos, vieram as dores no joelho e ela precisou operar. Os saltos não fazem mais parte da vida dela.

Assim que o médico de coluna liberou, comecei a usar saltos. Só poderiam ser do tipo anabela, porque tenho uma escoliose. Óbvio que segui a regra à risca apenas nos primeiros meses. Depois, fui pra todo tipo de salto possível. A ponto de ganhar até 10 centímetros de altura. O que, convenhamos, é uma delícia pra quem mede só 1,62m (diz o personal lá da academia que frequento que perdi dois centímetros por conta de outro probleminha na coluna).

Como eu andada de salto o tempo inteiro, acabei passando por uma situação engraçada. Fui num encontro de amigos usando chinelo. Um dos presentes não parava de me olhar, estava até me incomodando. Passa um pouco de tempo e ele veio conversar comigo. Falou que eu estava diferente, que ficou procurando o que era e só depois de prestar muita atenção ele notou que era o meu tamanho. E aí, me chamou de "propaganda enganosa" e de "vara de cutucar abacaxi".

Meus saltos duraram até o dia em que voltei a morar em Ouro Preto. Não consegui seguir a Tia Ylza e sair por essas ruas irregulares saracoteando de salto. Eles estão aposentados... Dei praticamente todos, deixei só os de festa e um ou outro mais confortável, porque precisa, né? E, depois de ter de abrir mão deles, acabei me acostumando com a minha altura (ou falta dela). Agora, estou brigando é pra recuperar esses dois centímetros que perdi. Porque pode não parecer, mas dois centímetros pra uma pessoa baixinha é coisa pra caramba!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Não post

Muita coisa está acontecendo, o tempo está passando e eu não paro pra postar. Vou tentar reunir o máximo de coisas agora.

- Vovó fez 94 anos ontem. Contando todo mundo que passou por aqui no fim de semana dá oito seres vivos. O dobro dos quatro moradores habituais. Muita conversa, muito doce (teve até uma Montanha Uruguaiana pequenininha, especialmente pra mim). O povo foi indo embora e, afinal, voltaremos a ser só nós, com mais silêncio (como ele faz falta...). Não é pra qualquer um fazer 94 anos com a disposição e a saúde da vovó. Ela continua aquela fofura de sempre, só está mais surdinha e mais desanimada, tudo causado pela idade. Mas ainda anda, faz bastante coisa o dia inteiro, vive resolvendo palavras cruzadas e ainda tem tempo de cuidar dos outros três que moram aqui. Um viva bem grande pra vovó!

- Estou atrasada com a leitura do mês. O livro é Criando Kane, de Pauline Kael, a principal crítica de cinema americana, considerada a criadora das críticas. O livro é ótimo, mas não é fácil de ler. E eu ando bem sem tempo, então a leitura ficou prejudicada. Vou terminar e postar assim que for possível.

- Mais atrasada ainda estou em registrar os filmes que vi ultimamente. Fiz isso só com Jogos Vorazes, mas tem tantos... Os Vingadores, que eu vi duas vezes, Sombras da Noite, do Tim Burton, Deus da Carnificina, do Polanski, Para Roma com amor, do Woody Allen, só para começar. Tem tempos que não escrevo pro Cinema de Buteco, e isso está me deixando furiosa comigo mesma.

- Acabou a disciplina do mestrado, em meio à greve de professores e funcionários das universidades federais. Penei pra passar por tudo, ainda tenho uma lista imensa de livros pra ler - a maior parte, grandes clássicos da Filosofia. Fiz o trabalho final com muita dor no coração, achando que eu ia ser mandada de volta pro primário. Ontem saiu minha nota: 9. Espero que seja em 10, senão vamos ter problemas.

- Empolgada com essa história de voltar a estudar, resolvi que vou tentar fazer:
a) novas disciplinas isoladas no mestrado em Estética e Filosofia da Arte
b) um projeto para o mesmo mestrado, a seleção seria em outubro. Não sei se vai continuar sendo, por causa da greve.
c) meu reingresso na universidade no curso de graduação em Filosofia. É que eu realmente gostei de estudar Filosofia, acho que vou curtir. Daí, voltei na Puc-Minas (amor eterno, amor verdadeiro) para buscar os documentos necessários para me inscrever no reingresso de Portador de Diploma de Graduação (PDG), animada com as 60 vagas pra Filosofia. No dia do início da inscrição, os funcionários entraram em greve e suspenderam o processo. Ou seja...

- Estou fazendo um curso básico de Psicanálise. Muito bacana, até o momento. Freud é muito fácil de ler, tem sido um aprendizado e tanto!

- Voltei pro Inglês. Primeiro pro Instrumental, pra prova do mestrado. Depois, pro comercial. Estou apanhando um bocado pra falar e ouvir, mas a leitura está bem melhor do que eu achei que estivesse. Minha professora é a Pat Mapa, minha amiga querida, que tem a paciência de me ouvir via Skype uma vez por semana. E ainda me manda ler... o livro da vez (que eu nem tive tempo de abrir) é The scarlet letter.

- Mais uma oficina no Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, pelo Bom Será. Vai ser bacana, conto o resultado depois.

- Voltei a pedalar, devagarzinho, com muito medo e com um clip de pedal meio bambo. Mas não caí mais, minha mão esquerda voltou ao normal. Tem ajudado bastante o fato de eu ter voltado pra academia, dessa vez pra fazer só musculação. Já tem uns musculinhos aparecendo aqui e ali e umas pequenas gordurinhas indo embora, o que é ótimo, mas não é o ideal, ainda. Como diz um companheiro de bike, "vamos que vamos"!

Tem mais coisa acontecendo, vou postando assim que for possível.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

52 x 5 - Semana 24


Semana 24: Casais preferidos (filmes, seriados, livros, etc)

1 - Lizzy e Mr. Darcy (Orgulho e Preconceito)
2 - 
Maria e Capitão Von Trapp (A Noviça Rebelde)
3 - Tommy e Tuppence (da Agatha Christie)
4 - Felicity e Noel (Felicity)
5 - Sawyer e Juliet (Lost)