domingo, 30 de setembro de 2012

Desafio Literário - setembro: Mentes com medo

Quando li Mentes Perigosas, achei o livro bem aquém da minha expectativa. Acho louvável que a autora, Ana Beatriz Barbosa Silva, tenha traduzido uma coisa tão técnica, tão específica, para uma linguagem mais acessível - mesmo que isso traga problemas, como banalizar uma coisa tão séria como a psicopatia e as doenças mentais. Parti para ler Mentes com Medo com uma expectativa diferente, já que a linguagem do livro anterior tinha me decepcionado. O tema, de novo, me interessa, então vamos lá.

Mais uma vez, fiquei decepcionada. Apesar do livro tratar de transtornos de ansiedade em geral (como o transtorno do pânico, da ansiedade social, estresse pós-traumático, TOC, dentre outros), ficou tudo muito superficial, de novo. E muito repetitivo.

Se não estou enganada, esse é o primeiro livro da autora, onde ela iniciou essa proposta de trabalhar os temas da psiquiatria em uma linguagem mais acessível. Como disse, acho isso louvável, desde que não se simplifique demais. Para alguém que queira iniciar uma leitura sobre o assunto, creio que pode ser um bom começo. Mas resumir o assunto a esse tipo de leitura pode ser bem superficial.

Com a leitura desses dois livros, encerro a minha carreira de leitora da Ana Beatriz Barbosa Silva. Não rolou interação, infelizmente.

sábado, 29 de setembro de 2012

Do amor mais primitivo

Quinta é dia de análise e de revirar os meus baús de memória. O assunto da semana seria minha falta de paciência, atualmente ampla, geral e irrestrita. Acho que perdi a paciência em uma das curvas do caminho. Ando impaciente com a maioria das pessoas, sem saco para conviver, para conversar. Acho que é uma fase, mas mesmo assim, me incomoda bastante.

Aí, falamos de coisas sobre ansiedade, aceleração, medos, tristezas, alegrias e todas aquelas coisas que a análise traz à tona. Mas a mais importante foi o amor.

Tentei lembrar da noção mais primitiva que eu tenho de amor. E, engraçado, achei que seria o vovô, de que sempre me lembro quando o assunto é amor. Mas não foi. Foi Tia Ylza e Tia Leda. As duas irmãs do meu avô que praticamente me adotaram quando foram morar com a gente, um pouquinho antes do meu nascimento.

Mas o mais curioso disso é que poderia, sim, ser o vovô, a vovó, podia ser o Paulo (acho que ainda não escrevi sobre ele, apesar dele ser muito, muito importante pra mim) ou o meu padrinho. Só nunca, jamais, em hipótese alguma, a minha lembrança mais primitiva de amor seria dos caras que juntaram dois cromossos X para que eu me formasse.

Pois é....

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

52 x 5 - Semana 36


Semana 36: Morro de preguiça de...

1 - Gente estúpida
2 - Pessoas que investem mais na aparência do que no intelecto
3 - Gente que não lê
4 - Deslocamentos
5 - Gente que não gosta de cinema

domingo, 23 de setembro de 2012

Aniversário

Não era certo, mas aprendi
Fiz de novo e consegui
Agora alcanço, pois cresci
Graças, por mais um ano que vivi
Quantos são, não se pergunta
Cada um foi uma luta
Mas vitoriei, festejei e me alegrei
Vivi
Multipliquei meus dons
Ofereço-os à prosperidade
Sem alarde ou sons
De quem me quer: Felicidades!

Da minha amiga querida Stella.

Só pra contrariar o poema lindo (amo!) que leio todo ano e que sempre quero enviar pros meus amigos nos aniversários deles, mas que não tenho coragem, porque é bem triste e desalentado.

ANIVERSÁRIO

    No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
    Eu era feliz e ninguém estava morto.
    Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
    E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

    No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
    Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
    De ser inteligente para entre a família,
    E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
    Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
    Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

    Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
    O que fui de coração e parentesco.
    O que fui de serões de meia-província,
    O que fui de amarem-me e eu ser menino,
    O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
    A que distância!...
    (Nem o acho...)
    O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

    O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
    Pondo grelado nas paredes...
    O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
    O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
    É terem morrido todos,
    É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

    No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
    Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
    Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
    Por uma viagem metafísica e carnal,
    Com uma dualidade de eu para mim...
    Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

    Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
    A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,
    com mais copos,
    O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado---,
    As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

    Pára, meu coração!
    Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
    Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
    Hoje já não faço anos.
    Duro.
    Somam-se-me dias.
    Serei velho quando o for.
    Mais nada.
    Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
    O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...


    Álvaro de Campos, 15-10-1929

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Agenda?

Engraçado como certas experiências podem ser frustrantes... neste ano, vivi uma frustração até curiosa. É o caso da agenda.

Não me lembro exatamente quando me apaixonei por agendas. Acho que foi na sétima-série, quando a escola em que eu estudava trocou as carteirinhas por agendas. Uma agenda própria da escola, que era carimbada tudo dia, como as carteirinhas. Só que a gente podia usá-la para anotar as coisas de aula, datas de provas e trabalhos. Era legal. Além dessa agenda da escola, eu tinha uma outra, que era usada por todos os amigos e colegas. Eles escreviam nessa agenda aquelas mensagens que hoje dão uma certa vergonha (tipo "batatinha quando nasce"), mas que eram uma febre na minha época de adolescência.

Da sétima-série até hoje, sempre tive agendas em todos os anos. Algumas vezes, tive duas ou três (uma para a faculdade, outra para o estágio, outra para trabalhos voluntários). Sempre com tudo anotadinho. E em 2012, finalmente comprei uma agenda da Moleskine, que eu fiquei namorando por anos e anos, sem $$ coragem de comprar. Comprei, amei, quase morrei de emoção e... praticamente não usei.

Não, a ideia não era preservar a agenda que eu sempre sonhei ter. É que vieram os benditos smartphones. E eu comprei um deles, primeiro um Ideos com sistema Android. Infelizmente, deixei ele cair de ponta e o aparelho ficou doidão. Troquei por um Samsumg Galaxy, e foi a minha pior experiência com um celular EVER. Acabei me rendendo ao Iphone.

Mas foi com o Android que comecei a viver a experiência de ter toda a minha agenda fora do papel. No sistema do Iphone, a experiência ficou mais intensa. Está tudo no Google Agenda, integrado com o e-mail e disponível no meu netbook, no celular, no MAC do trabalho. Tudo lindo online, com avisos antes de cada compromisso, na hora em que eu quero ser lembrada, do jeito que eu quero. Sem precisar anotar, sem precisar carregar agenda pra cima e pra baixo.

A minha agenda da Moleskine ficou tomando poeira na minha mesa de trabalho. Até o dia em que tive vergonha na cara para a tirar de lá e levar para casa, para junto do meu "cemitério" particular das agendas antigas e dos cadernos de trabalho. Pena...

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Orquídea

Não me lembro se já contei que não tenho habilidade com plantas. Sabe quando a gente era criança e aprendia o desenvolvimento das sementes "plantando" feijõezinhos em algodões úmidos? Pois é, eu sempre matei os feijões.

A primeira vez que ganhei flores plantadinhas num vasinho foi quando estava hospitalizada. Eram violetas, super bonitinhas, que a minha prima Andrea levou pra mim. Achei lindo, mimoso. Mas nunca entendi como cuidar delas. Na minha formatura em Jornalismo, ganhei um vaso com gloxinia, muito linda. Também nunca aprendi a cuidar dela. E foi o desejo de ter uma planta em casa que me fez comprar minha cachorra. Eu queria um cactus, mas era necessário por água a cada 20 dias, e como eu sabia que não iria lembrar, optei pela cadelinha, que me obriga a prestar atenção nela diariamente. E teve as sementes de girassol que ganhei da Bel. Plantei algumas e tive somente um girassol nanico, que morreu rapidinho. Sempre tive certeza de que plantas não eram mesmo a minha praia. O máximo que consegui, até hoje, foi plantar um ramo de manjericão, que está firme e forte - e cheiroso - no quintal.

Daí que teve uma mostra de orquídeas aqui em Ouro Preto no fim de semana passado. Leo é doido com orquídeas. A avó dele também gosta e tem várias. Dizem que a região de OP tem muitas variedades. Fomos lá visitar e... Leo ficou encantado com uma bem pequeninha, muito charmosa. Foi até barata demais (R$ 8,00). Ela é da espécie Dendrobium stardust (não é chique ter uma orquídea que é poeira estelar?). Conversamos muito com o vendedor, que nos indicou os nutrientes que precisam ser usados a cada 15 dias. E a moça que nos vendeu os nutrientes disse que sua primeira orquídea foi comprada num supermercado. Hoje, ela tem 400! Acho que não vamos chegar a tanto...

O fato é que o Leo está bem empolgado. Contando direitinho os dias de regar (duas vezes por semana) e o dia de colocar o nutriente (a cada 15 dias). Ainda bem, porque se fosse responsabilidade minha, a coitadinha da orquídea teria o mesmo fim dos feijões no algodão.


Em tempo: a Lella, do blog Balellas, é uma das integrantes a Associação Orquidófila de Ouro Preto. Ela diz que é filhote, mas tem cada flor maravilhosa. E ainda faz mosaicos lindíssimos! Vale a visita.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

52 x 5 - Semana 35


Semana 35: Minhas piores compras foram:

Tô pensando aqui... minhas compras são sempre tão planejadas, tão pensadas... Não me lembro de ter comprado algo que possa ser encaixado nessa categoria de "pior"... Essa vai ficar sem resposta. 
1 - 
2 - 
3 - 
4 - 
5 - 

sábado, 15 de setembro de 2012

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #4

Sei que está bastante tarde para comentar sobre o vídeo de Nissim Ourfali, que bombou na internet no meio de agosto. Eu nem vi no dia, estava em trânsito pra Carrancas. Só quando voltei é que vi os comentários em todos os lugares e fui abrir o vídeo. Falando sério, não vi graça nenhuma (já comentei que não vejo muita graça no humor em geral? Acho que não; um dia comento).

O fato é que o garoto paulista (acho que paulistano também) Nissim Ourfali estava para participar de um Bar Mitzvah, um rito de passagem para os meninos judeus. Como é costume, as festas são bastante alegres. Podemos, a grossíssimo modo, comparar com as festas de 15 anos, que voltaram pra moda recentemente. A família Ourfali encomendou um vídeo em uma produtora, imagens do garoto. Ele escolheu uma música e foi feita uma paródia, com informações sobre a vida do Nissim. Tal qual é comum nas festas de 15 anos, com aqueles clips bem constrangedores. Posso falar por experiência própria. Nos meus 15 anos, não quis festa, mas meu avô fez questão de me "dar" um desses vídeos, e foi uma das coisas mais vergonhosas da minha vida. Acabei fazendo tudo do jeito que o vovô queria, porque ele faleceu alguns meses antes do meu aniversário. Foi uma espécie de homenagem a ele (homenagem constrangedora, diga-se).

O vídeo do Nissim caiu na internet e logo os sites de humor escrachado logo estavam fazendo graça. Enquanto eu ficava tentando ver que graça (no sentido humorístico) tinha ali, fiquei acompanhando algumas pessoas fazendo piadinhas no facebook e no twitter (tentando esconder minha vergonha alheia, quando eram pessoas que eu conhecia).

Acabei achando textos muito bacanas sobre o assunto Nissim Ourfali / vídeos / comportamento na internet. É bacana lê-los e aprofundar o pensamento sobre o mundo atual. Os melhores textos que li sobre isso foram:


1 - Matheus (M) Borges - Ele também levanta questões sobre o humor, sobre o uso de câmeras caseiras para registros em vídeo e como tudo pode acabar em intolerância. Muito bom para ler antes de ver o vídeo (que está linkado ao fim da postagem).
Leia aqui.


2 - Rosana Hermann - A Rosana é plugada 24h por dia e sempre traz coisas interessantes. O blog dela é praticamente uma aula para comunicadores. Aqui ela levanta algumas questões como o desconhecimento dos blogs de humor sobre as tradições judaicas e sobre a Baleia, a praia que Nissim cita no vídeo.
Leia aqui.

3 - Trilhos Urbanos - O blog é sobre arte, urbanismo e tecnologia, escrito por várias pessoas com formação em Ciências Sociais Aplicadas e Arte e é ótima pedida para quem quer entender um pouco mais sobre jornalismo diário (eu aprendo muito por lá). O texto foi escrito por Thiago Blumenthal e levanta questões sobre o judaísmo moderno. Acho que uma leitura substituindo o Bar Mitzvah pelas tais festas de 15 anos é bem pertinente também.
Leia aqui.

Vale a reflexão sobre os caminhos que estamos tomando. Alguém indica mais um link bacana sobre isso?


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Livro: Convite para um homicídio

Esse é um livro em que o gênio criativo da Agatha Christie mostra suas garras. A sinopse, por si só, já é bastante inspiradora: numa cidadezinha do interior da Inglaterra, um jornal local que circula uma vez por semana publica uma notinha bastante estranha. É o convite para um homicídio, numa casa da região, marcado para o mesmo dia, às 18h30.

Com um anúncio desses, muita gente ficou sem entender. No final, todos acreditaram que seria alguma espécie de jogo de detetive, e alguns casais da cidade resolveram aparecer em Little Paddock para conferir a brincadeira. Às 18h30, as luzes da casa se apagam e alguém entra pela porta da frente. Tiros de verdade são disparados até que alguém consiga acender de novo as luzes. Há um corpo no chão. Curiosamente, ele não é dos moradores da casa nem dos visitantes: é do invasor, a mesma pessoa que atirou duas vezes contra a dona da casa e acabou tropeçando e caindo sobre o revólver, que disparou. Dá para imaginar uma situação dessas?

Pois tia Agatha é daquelas que cria os acontecimentos mais estranhos e faz deles uma investigação muito bacana. A investigadora da vez é Miss Marple, a velhinha que vive entre agulhas de tricô e a observação dos tipos comuns em sua aldeia. O desfecho foi uma surpresa que eu jamais conseguiria imaginar. Mesmo com várias dicas deixadas por todo o livro, foi difícil perceber a trama central e descobrir, afinal, o que aquele convite para um homicídio realmente significava.

Super recomendado!




terça-feira, 11 de setembro de 2012

Para todos os lados

A Flávia, minha analista, voltou a atender, depois de sete meses de molho, após uma queda grave. Finalmente! Senti uma falta enorme e absurda da análise (mesmo mantendo longas conversas imaginárias com ela durante meus banhos), como nunca achei que sentiria. Ela está de volta e eu às voltas com uma coisa estranha que eu acho que é um pouquinho de depressão.

Tudo começou no Natal do ano passado (falei um pouco sobre isso aqui), que foi absurdamente triste. Ainda não me recuperei dele (fico nervosa só de lembrar) e acho difícil explicar que nada errado aconteceu. Ninguém morreu, nada foi perdido, nada saiu do que estava programado. Mas rolou uma tensão absurda em mim mesma e eu só fazia chorar. Longe da vovó, claro. Não queria que ela visse nada.

Aí veio a notícia do acidente da Flávia e eu fiquei desesperada. Cheguei a perguntar para um amigo psicólogo se eu poderia ou deveria procurar um psiquiatra ou buscar outro tipo de atendimento. Acabei optando por esperar e, para não cair na tristeza, resolvi encher a minha vida de coisas, para evitar ao máximo ter tempo pra me entristecer. Veio daí a disciplina isolada no mestrado no primeiro semestre, o curso de introdução à psicanálise e o inglês (contei um pouco sobre isso aqui). Gostei tanto de tudo que continuo no inglês e me inscrevi em mais duas isoladas do mestrado em Estética e Filosofia da Arte.

Ao mesmo tempo, tenho trabalhado com coisas muito diferentes, que precisam de um certo preparo, uma espécie de mergulho raso, aquele que possibilita a gente entender minimamente do que estamos falando. Os temas mais recorrentes são: engenharia metalúrgica (eu super curto, acho que gostaria de estudar de verdade), geração de energia, órgãos históricos, museus, editoração. E tem o interesse de sempre por cinema e literatura. Ou seja: ando atirando para todos os lados.

Essa falta de um foco foi tema das minhas últimas conversas com a Flávia. Ser curiosa leva a isso: o leque de interesses se abre demais. Dizem que é mal de jornalista, que o ideal para a minha profissão é isso mesmo: conhecer o suficiente de cada coisa, para poder conversar sobre tudo, sem ter a profundidade de um especialista ou a ignorância (do verbo ignorar, por favor) geral. Assim, em teoria, posso conversar sobre qualquer assunto com qualquer pessoa e sempre aprender mais, o que pra mim, é sempre lucro.

O lado ruim é não ser especialista em nada. É não ser daquelas pessoas que estuda, por exemplo, a obra de Fernando Pessoa desde os 13 anos e sabe tudo sobre o poeta, sua vida, sua obra, seus heteronômios. Lembro que, quando entrei pra faculdade, queria fazer isso com Fernando Sabino. Foi meu primeiro grande trabalho da época e a proposta era justamente me aprofundar. Mas aí vieram milhares de interesses e pronto: mudança de planos. E aí fui trabalhar com TV, com cinema, com assessoria, com sociologia e com tantas coisas legais...

Hoje, eu queria muito ter um foco. Há mais tempo, achava super legal ser plural. Será que é fase e vai passar? Será que é só um momento em que estou triste demais e achando tudo que eu faço assim, bastante ruim? Alguém aí já passou por isso?

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

52 x 5 - Semana 34


Semana 34: Livros que eu acho que todo mundo deveria ler:

1 - O retrato de Dorian Grey
2 - Grande sertão: veredas
3 - A menina que roubava livros
4 - E não sobrou nenhum
5 - Crime e castigo

sábado, 8 de setembro de 2012

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #3

1 - Nem lembro quando eu comecei a ler os textos do Eduardo Tristão Girão no caderno de Cultura do  Estado de Minas. O jornalista é uma ilha de qualidade, sempre com abordagens interessantes. O Girão tem um blog muito bacana sobre gastronomia. Ok, todo mundo sabe que não é exatamente a minha praia, mas... os textos dele são tão gostosos (sem trocadilhos) que valem a leitura. No jornal, ele escreve sobre tudo, mas é especialista mesmo em gastronomia, e o blog é dedicado a isso.

Uma das tags do blog é a Barbada da Semana. Aqui o Girão indica produtos ou serviços a preços bacanas ou diferenciados. Foi por indicação dele que comprei o livro Dona Benta a um preço incrível. Apesar de não usar muito (a cozinha não é meu canto favorito da casa, hehehe), o livro já me ensinou algumas coisas e salvou alguns almoços de sábado. Reconheço que se eu fosse mais esforçada nesse quesito, teria menos miojo na minha vida (pois é, domingos em Ouro Preto podem causar sérios problemas...).

A última dica do Girão que me pegou foi, de novo, de um livro: Larousse Mestre Cuca, a um preço muito convidativo: de R$ 110,00 a R$ 19,90. Quando fui clicar no link, o livro estava a R$ 9,90 (agora está a R$ 24,90... vai entender esses vendedores...). Claro que comprei (a Lícia acabou comprando também). Já foi bem remexido, mas ainda não pus nenhuma receita em prática. Talvez a primeira seja de camarão, mas ainda vamos ver. Se der certo, volto pra contar.

A Barbada da Semana algumas vezes vale só pra quem está em BH, com indicações de locais com desconto para cervejas, vinhos, azeites, queijos e outros. Mas sempre rola links para compras pela internet. E o restante do conteúdo do blog também e uma delícia, em especial as idas do Girão a Portugal. Dá vontade de largar tudo e ir pra terrinha!

2 - Outra dica de blog na área de gastronomia - nunca de receitas - é o Marketing na Cozinha, do Rafael Mantesso. Esse garoto descobre mil coisas legais sobre cozinha e produção de alimentos, sempre com uma pegada divertida. Um exemplo é o post recente Você sabe que o restaurante é uma merda quando... (para minha felicidade, o Mantesso incluiu aí o "tem promoção de compra coletiva").

3 - Um blog bacana é o Moldando Afeto, de um cara de BH que estuda pâtisserie em Paris. Só a experiência de morar em Paris e aprender a fazer os doces mais finos do mundo bastaria. Mas o Guilherme também escreve cartas lindíssimas para os amigos e familiares mineiros, indica músicas e publica algumas receitas (que acho dificílimas, pro meu nível "só sei fazer pipopa de micro-ondas se tiver a tecla 'pipoca' no aparelho"). É uma delícia de ler (e de ver).

4 - O Destemperados é mais na linha "vamos avaliar os restaurantes do mundo". Dá pra conhecer muita coisa legal e fazer uma listinha de onde ir nas próximas viagens. Vale a pena acompanhar até para aprender mais sobre a gastronomia e a gestão de restaurantes.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Citações 23

De Pauline Kael, em Criando Kane:

Há umas poucas exceções, mas em geral se pode dizer que o público não mais descobre filmes, não mais transforma um filme em um sucesso. Se a publicidade não cria nelas o desejo esmagador de ser parte do evento, as pessoas simplesmente não vão ver. Não dão ouvidos aos próprios instintos, nem aos críticos - só dão à publicidade. Ou, para pôr as coisas de forma mais precisa, escutam seus instintos, mas eles agora são controlados pela publicidade. A publicidade impregna tudo - programas de entrevistas, de jogos, matérias de jornais e revistas. Os museus organizam retrospectivas da obras de um diretor para coincidir com o lançamento de seu último filme, e publicam monografias pagas pelas empresas de cinema. Editores universitários viajam às custas da empresa de cinema para ver o último grande filme e conhecer o diretor, e os diretores fazem exibições prévias de seus filmes nas universidades. O evento de relações públicas torna-se parte da consciência nacional. Não se ouve ninguém dizer: 'Eu vi o filme mais maravilhoso que já se ouviu falar'; quando se ouvem as pessoas conversando, é sobre um filme fantástico que todo mundo está indo ver - aquele que inunda os meios de comunicação. Contudo, mesmo os piores cínicos ainda gostam de pensar que o 'boca a boca' é que faz o sucesso.


Ensaio de 1974.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Livro: Tragédia em três atos

Eu andava com saudades de ler Agatha Christie. Porque é com ela que eu esqueço do trabalho, das questões complicadas da vida, até da falta de tempo atual - em todo segundo semestre minha vida vira uma bagunça. O escolhido da vez foi Tragédia em três atos. 

No verso do livro está uma citação do The Times Literary Supplement: "É quase impossível adivinhar o final antes de Hercule Poirot fazer a grande revelação". O fato é que antes do meio do livro eu já tinha descoberto o assassino. Acho que é costume de ler a Agatha. Mas isso não tira o mérito da história, que é muito envolvente.

Aqui, temos um assassinato que não tem um de seus pilares fundamentais: um motivo. Por mais que Sir Charles Cartwright, o senhor Satterthwaite e Egg Lytton Gore pensem, não conseguem encontrar a razão pela qual as mortes acontecem. É aí que entra em cena Hercule Poirot, o detetive belga, e suas células cinzentas tão especiais. Uma série de fatos acontecem enquanto esse grupo investiga, e tudo pode mudar.

A revelação é bem curiosa. As últimas linhas do livro são uma clara amostra do egocentrismo do belga. É bem divertido ver a reação do detetive a uma certa epifania do Sr. Satterthwaite. O detetive é uma graça!

Foi um retorno muito agradável aos livros da Agatha, o que me faz ficar com medo. Faltam poucos para eu terminar de ler toda a obra dela, o que vai me deixar órfã. Preciso encontrar outro(a) escritor(a) tão bacana quanto para desanuviar a mente de vez em quando.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

52 x 5 - Semana 33


Semana 33: Tenho medo de...

1 - Arroz (sim, é isso mesmo)
2 - Sapatos masculinos que fazem toc-toc
3 - Ausências
4 - Pessoas estúpidas
5 - Gritos

sábado, 1 de setembro de 2012

Torta de maçãs

A primeira coisa que aprendi a fazer na cozinha foi essa torta de maçãs. Há controvérsias se ela é uma torta mesmo. Tradicionalmente, as tortas de maçãs têm massa, mas esta aqui não tem. Leo, quando comeu a torta pela primeira vez, deu um diagnóstico meio estranho: "Parece pudim", ele disse, desrespeitando o status da torta. Segundo Tia Ylza, ao dizer "pudim", Leo elevou o doce a outro patamar, já que os pudins são melhores.

Polêmicas à parte, a torta de maçãs é uma delícia. E é super fácil de fazer, apesar de ter um momento meio chatinho. Vamos aos ingredientes.

Torta de maçãs

1 lata de leite moça
4 maçãs pequenas ou duas grandes
3 ovos

Eu dobrei a receita, acho que ela fica muito pequena.

As maçãs. 



Gemas separadinhas das claras



O passo mais chato dessa receita é picar as maçãs. Elas precisam estar descascadas e picadas em pedaços minúsculos ou em tiras muito finas. Eu sempre opto pelas tiras finas.

Tiras superfinas
É chato e dói a mão pra caramba. Mas vale a pena. Quanto mais finas as tiras, mais gostosa a torta fica.

A essa "massa" de maçãs, junta-se o leite condensado e as gemas. É sempre bom bater as gemas um pouco, para tirar aquele cheiro de ovo característico.

Gemas + leite condensado + maçãs

Mistura pronta

Pronto. É só colocar em um pirex e levar ao forno pré-aquecido. É importante deixar uns dois dedos do pirex livre. Esse recheio não cresce mas, depois de pronto, vai ser acrescentada a parte superior. O tempo de forno é relativo. O importante é que a mistura esteja cozida. Quanto mais "queimadinha" ela fica, melhor pra mim.

Pronta pra ir no forno

Quando estiver quase pronto, é hora de fazer o suspiro. Bater as claras em neve e depois acrescentar, aos poucos o açúcar, mexendo sempre.

Suspiro pronto

Aí, basta colocar o suspiro por cima do recheio e levar de volta ao forno, só para corar. As claras crescem, a torta fica super "inchada", mas logo ao sair do forno, ela volta ao normal.

Prontinha!

Fica melhor geladinha...

E as claras em suspiro são super dispensáveis. Fazem parte da receita original, mas penso seriamente em não usar mais da próxima vez (que será daqui a alguns anos).