quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Paulo

Outro dia comentei (aqui) que não falo muito do Paulo. Talvez a hora tenha chegado.

Paulo é o meu único tio materno. Mais do que isso: ele é a única pessoa viva por quem eu sinto amor "paterno". Isso porque tenho três pais. Meu avô e meu padrinho, que já faleceram, e o Paulo. Ao contrário do vovô e do Padrinho, não temos um relacionamento muito "afetivo", no sentido do toque. Abraços e beijos faziam parte do contato com os dois que já se foram, não com o Paulo. Talvez uma explicação seja o fato de não o chamarmos de "tio". Desde sempre ele é o Paulo, e pronto. Outra causa é ele ser filho da vovó. Ela não é carinhosa, e acho que ensinou isso pros dois filhos. Mas não importa. Não precisa de mais.

Pois bem. Neste fim de semana, houve um acidente com o Paulo. Não quero (e não vou) falar o que aconteceu. O que importa é que está tudo bem com ele. Tudo mesmo. Mas, pela primeira vez na vida, vislumbrei a possibilidade de perdê-lo. Sei lá, eu estou relativamente preparada para a morte da vovó e da Tia Ylza (porque, vamos combinar, as duas estão ótimas, mas têm pouco tempo de vida). Paulo não. Como se ele fosse imortal. Como, talvez, a gente pensa que o pai da gente é.

Paulo é, definitivamente, a representação ideal de pai para mim. Pena que ele não tem filhos. Talvez seja por isso que ele é um tio fantástico.


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

52 x 5 - Semana 41

Semana 41: As coisas mais difíceis num relacionamento amoroso são:

1 - Ceder
2 - Ter paciência
3 - Respeitar o espaço do outro
4 - Entender que o outro é gente também. Quem sente, que deseja, que odeia etc.
5 - Que o que é bom pra mim não é necessariamente bom para o outro (como aquela música do Ira!: "eu sou eu, você é você / isso é o que mais me agrada / isso é o que me faz dizer / que vejo fores em você")

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Livro: Antígona

Já comecei falando do livro aqui. Amei!

Antígona é filha de Édipo, rei de Tebas. Aquele mesmo, que se casou com a própria mãe e, ao saber da verdade, furou os olhos. Édipo e Jocasta tiveram quatro filhos: Antígona, Ismênia, Polinice e Etéocles. Antígona e Ismênia seguiram o pai, cego, para o exílio em Colona e, após a morte de Édipo, voltaram para Tebas, para viver com o tio, Creonte, novo governante do lugar. Etéocles e Polinice ficaram em Tebas, mas acabaram se envolvendo em guerras e ficaram de lados opostos: Etéocles defendia Tebas; Polinice defendia Argos. E, na guerra, os dois morreram no mesmo dia. Creonte, o rei, decreta que só Etéocles será enterrado; o corpo de Polinice ficará jogado do chão, para que aves e cães se saciem.

Antígona, revoltada com o decreto de Creonte, que é um ataque às tradições, resolve enterrar Polinice por conta própria. Ela está seguindo a tradição que diz que um corpo não enterrado, sem as honras devidas, terá a alma vagando pelo mundo, sem ter lugar certo.

O texto reflete bem essa questão: as lei dos deuses e as leis dos homens; a tirania; a tragédia continuada. Como filha de Édipo e Jocasta, Antígona não teria uma vida fácil. Tomando essa atitude de enterrar o irmão, não restam mais esperanças de que haja felicidade.

No post em que falei do livro (este aqui), postei duas frases que tirei do livro. Abaixo, vão mais algumas:

Contudo, um dos privilégios da tirania é justamente dizer e fazer o que quiser.
Antígona, falando a Creonte

O povo fala. Por mais que os tiranos sejam afeitos a um povo mudo, o povo sempre fala. Fala sussurrando, amedrontado, à meia luz, mas fala.
Antígona, também a Creonte

Eu não nasci para partilhar de ódios, mas somente de amor.
Antígona a Creonte, de novo

... o amor que só tem palavras não pode ser de uma verdadeira amiga.
Antígona, falando a sua irmã Ismênia

Errar é uma coisa comum entre os humanos, mas se o homem sensato comente uma falta, é feliz quando pode reparar o mal feito sem enrijecer em sua teimosia, pois esta gera imprudência
Do cego Tirésias a Creonte

A parte em que Hêmon, filho de Creonte e noivo de Antígona, debate com o pai sobre os poderes de um governante, é perfeita.

É uma peça curtinha (no meu livro, só 38 páginas), que se lê de uma vez só. E vale muito! Estou até agora me perguntando como não li esse livro antes...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

52 x 5 - Semana 40


Semana 40: Meus "cheiros" preferidos são:

1 - Lavanda Johnson's Baby
2 - Terra molhada de chuva
3 - Pão de queijo saindo do forno (especialmente se for um que o Paulo traz de Monlevade, o melhor do mundo)
4 - Alecrim e manjericão
5 - Comidas defumadas

sábado, 20 de outubro de 2012

De como os gregos já sabiam de tudo

Quem costumava dizer isso aí, que os gregos já sabiam de tudo, era o meu professor de Teatro na faculdade. Era uma aula curiosa. Na primeira, ele apresentou autores de vários períodos e sorteou-os entre os alunos. Se estou bem lembrada (isso foi em 1997!!!), a apenas dois autores foram permitidos quatro sorteios: Shakespeare e Nelson Rodrigues. A dinâmica da aula era a seguinte: cada aluno leria uma peça do autor sorteado e apresentaria um fichamento em sala de aula, distribuindo as fichas para os colegas. Ao final do curso, teríamos uma espécie de caderno com resumos e pontos principais de cada autor. Shakespeare e Nelson Rodrigues teriam quatro peças. E três alunos apresentariam, cada um deles, um teórico do teatro: Stanislavski (o que eu mais gostei), Artaud e Bretch. A cada aula, a gente conhecia um pouco do universo do Teatro. Era interessante e possibilitou que eu lesse bastante coisa boa.

Entretanto, a cada aula, praticamente, o professor reforçava: os gregos já sabiam de tudo. E eu ria. Achava mesmo graça daquilo e pensava que ele estava errado, de alguma forma.

Mas aí vieram essas aulas que estou fazendo no Mestrado em Estética e Filosofia da Arte. Elas me possibilitaram um pouco mais de aprofundamento. A cada aula do primeiro semestre (Teoria Estética), eu anotava numa folha à parte os livros citados pelo professor. Faço isso ainda, nas duas aulas que estou fazendo agora. A lista só cresce. Por outro lado, há alguns X marcados em frente aos poucos livros lidos.

Foi com a Poética, de Aristóteles, que veio o primeiro baque. Putz, o cara falou tudo! Tudo o que repetimos hoje, seja na literatura, no cinema, no teatro, em qualquer arte narrativa. Fiquei em êxtase com a Poética.

Agora, fui ler Antígona. Já tinha lido, do Sófocles, Édipo Rei, que acho muito legal. Não me lembro se Antígona estava na lista das peças da aula de Teatro, acho que não. Pelo que me lembro, do Sófocles foi Édipo Rei mesmo. E, nas primeiras páginas, já tem duas coisas muito redondinhas, perfeitas, eu diria. Para hoje e para sempre, acredito. São elas:

O exercício do poder põe um homem à prova
A frase é atribuída a Bias e, em Antígona, está na boca de Creonte. 

É curioso como alguém que presume tudo saber descobre coisas que não existem
Fala do Guarda a Creonte.

Resumindo: meu professor estava certo: os gregos já sabiam de tudo!

P.S.: Da lista de livros a ler, já foram lidos:
- O Banquete
- Poética
- Arte e beleza na estética medieval
- Tristão e Isolda
É pouco, mas já é alguma coisa.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Noção do tempo

Não me lembro exatamente do dia, só do assunto. Estava conversando com meu cunhado, uma pessoa de quem gosto muito. O papo estava interessante, apesar de que, dos presentes, só eu estava sóbria. Parênteses, para dizer que essa coisas de não tolerar álcool às vezes é até bom.

Conversávamos sobre mil coisas quando o cunhado me questionou sobre algumas das minhas atitudes. Não importa agora o que era. Importa é que tentei explicar e nem imagino se consegui, porque ele já estava alto.

Passados uns dias, vi uma imagem no Facebook, no mural de um conhecido. E essa imagem resumia o que eu queria falar pro cunhado. Pra ele e pra mais um monte de pessoas.


Assim fica fácil entender, não é?

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Livro: O espírito da prosa

Neste semestre maluco, que começou em setembro, estou cursando duas disciplinas isoladas no Mestrado em Estética e Filosofia da Arte. Uma é Estética e Crítica na Contemporaneidade, que versa sobre Teoria Crítica. A outra é O Autor na Filosofia e na Literatura, sobre narração e autobiografia. Nesta última, o trabalho final está sendo bastante interessante. Cada aluno deve escrever e apresentar uma "autobiografia intelectual". Estou escrevendo a minha, com um pouco de medo por conta da linguagem que é mais focada em primeira pessoa (e dizem que não tem pronome mais chato do que "eu"). Bom, aqui no blog é bem diferente; num trabalho acadêmico, chega a ser esquisito um texto todo montado em primeira pessoa.

Essa questão da linguagem me incomodou um tantão. Daí, fui pra internet procurar se existe algo parecido, para verificar a linguagem. Encontrei esse livro do Cristovão Tezza, chamado O espírito da prosa - uma autobiografia literária e tratei de comprar. O livro foi lançado no começo de 2012 e propõe uma reflexão sobre o que leva um escritor a escrever. Não é exatamente do que trata o trabalho do Mestrado, mas foi uma boa surpresa.

Tezza conta como se deu sua descoberta como escritor. Como a influência da leitura pode determinar o desejo da escrita e que, no começo, quem escreve, em geral, imita aqueles que acha bons escritores. Fala com crueza de suas primeiras obras, tanto os livros publicados quanto os que, finalizados, não foram mostrados a ninguém. E sobre o poeta em conflito com o prosador.

As questões apresentadas sobre o processo da escrita, sobre a necessidade de um narrador diferente de um autor e da ausência de felicidade (só escreve quem não é feliz. Quem é feliz não precisa pegar numa caneta ou ligar o computador para escrever: vai simplesmente viver a felicidade) são muito interessantes e fazem o livro merecer uma segunda leitura.

Resumindo: para o trabalho do Mestrado, serviu para que eu visse que há alternativas na linguagem focada em primeira pessoa. Mas foi melhor que isso. O que eu aprendi com o livro não está vinculado ao trabalho em si, mas à minha vida como leitora e como escrevinhadora que, quem sabe um dia, pode vir a ser escritora. Alguns dos requisitos que ele apresenta eu já tenho. Basta estudar mais e desenvolver.

To Tezza, já tinha lido O filho eterno, em que ele conta como seu um filho com Síndrome de Down mudou sua vida e sua relação com os outros. É um livro forte, que pega a gente pelo laço e dá aquela sensação de desconforto. Um livro que eu queria mandar pelo correio pra uma certa progenitora que não consegue enxergar em sua filha bipolar que ela tem uma doença e precisa ser bem cuidada. Desisti disso, claro. Seria jogar pérolas aos porcos. Fiquei com vontade de ler Trapo, o primeiro livro que ele reconhece como o de um autor amadurecido.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #5

Com uma rotina mais agitada, comecei a procurar leituras sobre organização e otimização do tempo. Achei muita coisa bacana, desde organização de tarefas, com o método GTD (Getting Things Done), até a organização doméstica, com o método FLY (Finally Loving Yourself). Uso um pouco de cada método, sem seguir exatamente à risca. Aprendi muito com os dois, coloquei bastante coisa em prática e, sim, me sinto mais organizada. Os sites e blogs mais bacanas sobre organização, na minha opinião, são:

1 - Vida Organizada: A Thais Godinho é aquela pessoa mega organizada mas que, ao mesmo tempo, é gente como a gente. O site dela é quase como o oásis da organização. Tem de tudo um pouco, com dicas preciosas sobre a vida, a casa, o trabalho, filhos e tudo o mais. Sigo no Reader e no Facebook e fico sempre de olho nas postagens. Outra coisa legal é ver as recomendações de links que a Thais posta. 

2 - Tudo organizado: É bem mais simples que o Vida Organizada, mas vale a visita. 

3 - Organizar para viver melhor: A Rafaela é de Betim, do lado de BH. E sempre tem dicas interessantes para organização e para otimização do tempo.

4 - Efetividade: Este é mais focado no mundo do trabalho, em eficácia e eficiência, com algumas dicas viajadas e outras bem interessantes sobre produtividade. Para quem procura ser organizado profissionalmente, é uma boa pedida. 

5 - Ana Afonso Organizer: A Ana Afonso é personal organizer e sempre dá dicas bacanas para a gestão da casa. Aprendi muita coisa com ela e implementei várias dicas aqui em casa. 

É preciso dizer que o Vida Organizada é o melhor de todos em todos os tempos. Vida longa à Thais Godinho

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

52 x 5 - Semana 39


Semana 39: Minhas melhores qualidades:

1 - Sou confiável (tenho que reconhecer)
2 - Sou discreta. Quase ninguém vai me ver gritando, falando alto ou extravagando.
3 - Quando eu gosto de alguém, gosto pra caramba (mas quando eu não gosto...)
4 - Sou dedicada (quando eu quero ser, então...)
5 - Tá bom, né?

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Marcas

Quase como na música do Chico Buarque, todo mundo tem uma marca pelo corpo ("só a bailarina que não tem"). Tenho várias. Acho que isso começa com as marcas de nascença. Nenhuma especial em mim, exceto pelas pintas, que tenho muitas. Um grupo delas, no braço direito, na exata posição das estrelas da constelação do Cruzeiro do Sul. Outras, maiores ou menores, nas costas, nas pernas, nas mãos, nos braços.  Até uma no dedo mínimo da mão direita, na parte da palma, e outra na sola do pé, no dedo mínimo do pé esquerdo.

Um dia, encontrei uma espécie de machucado no ombro esquerdo, bem perto de duas pintas. Era uma bolinha vermelha, do tipo que formaria, em pouco tempo, uma casquinha de machucado. Cocei, arranquei e a bolinha voltou. Demorou pra que eu entendesse que ela era só mais uma marca. Permanente, em relevo, e bem vermelha. Como se fosse mesmo uma bolinha de sangue. Outras dessa também apareceram pelo corpo, mas sem relevo e menores. Diz a Tia Dermatologista que elas aparecem devido a um probleminha de circulação, mas nada preocupante. Gosto muito da bolinha no ombro. É quase uma marca pessoal, como as de nascença, que não tenho.

Algumas cicatrizes sempre ficam. No braço direito, três marcas das unhas da Laura, que era uma irmã mais velha muito delicada e atenciosa comigo (#not). Uma marca no braço esquerdo, quase sumindo, de quando, aos dez anos, fui incumbida de tirar um tabuleiro de pão de queijo do forno, sozinha, enquanto minha mãe ia buscar meu irmão mais novo na escola. Óbvio que não ia dar certo. Assustei com o calor do forno, abri os braços e encostei o esquerdo na parede interna do forno. Outra cicatriz que anda sumindo é uma pequenininha na virilha, feita com leite fervente. Quem foi colocar o tal leite quente na minha xícara errou e o líquido caiu direto no baixo ventre e nas pernas.

Há outras marcas que queimam no corpo e desaparecem, mas deixam cicatrizes profundas na alma. Não vou esconder mais: fui espancada várias vezes. Todas sem motivo, já que não há NADA que justifique que um adulto bata em uma criança (é covarde, no mínimo, quem faz isso) ou um homem que bata em uma mulher. Aliás, caso o agressor leia e fique furibundo, não tenho mais medo de um processo. O que não falta é testemunhas do abuso que eu e meus irmãos sofremos. As marcas que ainda ardem na alma estão sendo tratadas, mas jamais vão desaparecer. Elas podem deixar de doer um dia, mas sempre estarão lá, me lembrando de que há muita gente covarde no mundo.

Queria chegar, depois desse levantamento exaustivo, no seguinte ponto: a maior parte das marcas que carregamos não são escolhidas. Vieram "de fábrica", foram produzidas por outros ou por acidente. Há quem goste de marcar o corpo, de várias formas, sejam ritualísticas ou não. Como disse um colega das aulas que faço no mestrado, há quem transforme o corpo numa vitrine. Com esse objetivo ou não, o fato é que a tatuagem é cada vez mais comum. Leo tem sete (já contei aqui e aqui). E neste post aqui, que lista coisas a fazer, a número 49 diz: Fazer uma tatuagem. Eu digo: está nos planos. 

O plano se concretizou. O desenho foi escolhido por mim, há seis anos, mas só tive coragem há uma semana. É parte de um quadro de Miró - A Bailarina II - tem mais informações aqui. O responsável foi o Lu Correa, que é fera. Ele fez seis das sete tatuagens do Leo e manda bem demais. É super cuidadoso, o estúdio é todo de acordo com as normas. Recomendo pra quem quer fazer em BH. Leo fotografou parte do processo:


O Lu trabalhando e o meu livro de filosofia

Traçado pronto

O Miró só meu
Agora posso me orgulhar: há uma marca em mim que eu mesma quis fazer.


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Citações 24

Do Sr. Satterthwaite, em Tragédia em três atos, de Agatha Christie:

Em todo caso - ele piscou para ela - não dá para imaginar que as moças vão ficar quietas em casa costurando meias e se arrepiando com a ideia de crimes violentos em plena era da informação

Detalhe: o livro foi publicado em 1935. Imagine o que o Sr. Satterthwaite diria dos dias de hoje, que chamamos de "era da informação"!

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.

De Hercule Poirot, no mesmo livro:

É... como direi? Uma obsessão por descobrir a verdade. Em todo o mundo, não existe nada tão curioso, nem tão interssante, tão bonito quanto a verdade...

Eu concordo com ele.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

52 x 5 - Semana 38


Semana 38: Desculpe, mas eu acho brega:

1 - Falta de educação e chiliquinho
2 - Moda girly
3 - Botas
4 - Pulseirismo / caveirismo / lacismo / paetês e brilho
5 - Gente que conversa com voz de desenho animado

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Organizadinho

A última conversa que tive com a Pat Mapa, teve eco até ontem. Explico: falávamos sobre manias. Ela me contou que seu ex-marido, ao fazer compras de supermercado, parava a cada três minutos para organizar e reorganizar as coisas colocadas no carrinho. Daí, contei pra ela que eu faço quase isso. Só que eu estava enganada. Ontem foi que eu vi que, se não sou igual, consigo ser pior. Vejamos:

Detesto fazer compras de supermercado. De-tes-to. Acho que poucas coisas conseguem ser piores. E, como não tem jeito de escapar, lá vou eu.

Para organizar e otimizar meu tempo dentro do supermercado, a minha lista de compras segue uma ordem, que é exatamente (mesmo) a dos corredores que eu vou seguir. Sem erros: o primeiro item na lista é o que vai entrar primeiro no carrinho. O segundo item vai na sequência, de acordo com o desenho que o carrinho de comprar vai fazendo pelos corredores, seguindo uma lógica que facilita e realmente otimiza o tempo.

Ontem, não tinha o primeiro item que sempre compro no supermercado: duas caixas de leite longa vida desnatado, cada uma com 12 pacotes. E a falta desse item atrapalhou toda a organização do carrinho de compras. Toda! Quando chegamos ao caixa, para passar o que foi comprado, foi uma confusão sem fim. A ordem de sempre, que facilita até o trabalho do operador e do embalador (ainda bem, temos essa facilidade na Cooperouro) foi perdida. E como parte da compra é entregue em casa no dia seguinte, sempre separamos o que precisa ir direto pra geladeira para nós mesmos trazermos. Quase endoidei quando percebi que não deu pra separar direitinho.

O que salvou o dia foi que a operadora de caixa estava em treinamento. Assim, trabalhando mais devagar, ela me possibilitou organizar tudo sem atrasar quem vinha atrás, na fila.

Isso me fez pensar que eu não sou assim tão desorganizada quando pareço. Que, mesmo que tudo pareça caótico, há uma ordem e que eu me viro bastante bem com ela. Um dia, vou falar sobre como isso me afeta no mundo dos jogos (oi?).

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Conto: Perfume

Fazia uns dias que tudo tinha se acabado. Ela se foi. Me deixou com o coração partido e com a marca de sapato de salto finíssimo na bunda. É preciso reconhecer: ela tinha estilo até para terminar um relacionamento.

Os amigos tentavam me dar moral, me chamando para baladas, para churrascos, para encontros casuais na praça central. Foi assim que aconteceu. O Ric disse que ia levar uma amiga. Ela é feinha, mas gente boa, ele disse. Não gerei expectativas. E, quando ela apareceu, concluí que meu amigo tinha sido cruel. Não era bonita, tampouco era feia. Bem vestida e sorridente. Prazer, Tatiana, ela disse, com um sorriso lindo, um abraço e um beijo na bochecha.

Naquele momento, com ela em meus braços, senti o melhor perfume do mundo. Não sei se era em seu pescoço, em seu cabelo, em suas mãos.

Só sei que foi desse perfume que me lembrei avidamente durante os dias seguintes, enquanto pensava em rever Tatiana, deixando para trás a tristeza dos dias anteriores, esquecendo a marca de salto fino que a outra deixou na minha vida.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

52 x 5 - Semana 37


Semana 37: O que, de melhor, o mundo virtual te trouxe/traz?

1 - Voltar a escrever, depois de um longo hiato
2 - Conhecer muita gente bacana (não vou citar nomes pra não deixar alguém de lado, mas posso afirmar que conheci muita gente boa)
3 - Agilizou todos os pontos do meu trabalho
4 - Informações com acesso facilitado
5 - Novos horizontes