quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O desafio que se esvaiu

Em 2011, comecei um desafio literário, com o objetivo de me obrigar a ler um livro pré-determinado por mês. Em geral, leio mais de um livro por mês quando a maré está tranquila. Quando aparecem os tsunamis, a frequência cai assustadoramente. Os meses de desordem, em geral, vêm no segundo semestre. Isso aconteceu em 2001, quando subverti a ordem, pela praticidade de terminar a lista.

Agora, em 2012, estava sendo uma pessoa bem organizada e educadinha, lendo a lista proposta com quase nenhum atraso. Até outubro chegar. Porque teve mais trabalho, porque agora faço duas disciplinas isoladas no mestrado, porque surgiu um projeto que está me demandando bastante. Não dei conta, pedi arrego. Escolhi livros mais complexos, menos romances. Mais obras sobre cinema. E não consegui.

O livro e outubro era História do Cinema Mundial. Estou lendo ainda, bem devagar. Não cheguei à metade e já tenho muitas ideias sobre ele anotadas e grifadas. O de novembro, Bela Época do Cinema Brasileiro, continua na estante. O de dezembro, o romance A Servidão Humana, talvez seja o único que eu consiga ler ainda este ano, caso decida enfrentar a viagem de avião para Goiás com ele nas mãos.

Ainda estou pensando se vou repetir a dose em 2013 (caso haja 2013, nunca se sabe...). Se for, tenho uma certeza: apenas obras literárias. Porque vai ser um ano de muita leitura complexa, e só a literatura salva a mente da fundição completa. Continuo lendo, não parei. Só diminuí a frequencia, o tsunami de 2012 foi muito forte.

É muito ruim falhar. Mesmo que o desafio seja de mim para mim mesma...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Só uma palmada

Escrevi isso num caderno, não sei exatamente quando. Só que foi na época em que se discutia a lei da palmada. Achei e resolvi passar pra cá. Recomendo a leitura de outro post, em que linkei um texto da Ruth de Aquino, aqui.

A discussão sobre a Lei da Palmada está me cansando. Não que tenha havido alarde suficiente sobre o assunto - vi pouca gente comentando, na verdade. Tem gente que fala que vai dar palmada no filho sim,que é assim que se educa - antes ir contra uma lei agora do que contra o código penal inteiro no futuro. Tenha dó, né? É a palmada que evita que sei filho seja um marginal? É na base da palmada que ele vai aprender o que é certo e errado?

Eu sou a favor da Lei da Palmada porque aprendi - na prática - que porrada não faz de ninguém uma pessoa melhor. E porque a lei é necessária para ensinar a certos pais que filhos não são propriedade deles. 

Exemplo: um pai e uma criança de dois anos. A criança faz alfo que o pai considera um desrespeito. Ele dá um tapa na orelha esquerda da criança. A avó materna, que vê a cena, intervém e pede ao genro para não bater na cabeça da criança. O que o sujeito faz? Bate com a mesma intensidade na orelha direita. Vira para a sogra e diz: "filho é meu, bato na hora e do jeito que eu quiser".

Vamos analisar:
1 -Que consciência de vida tem uma criança de 2 anos para saber se está ou não desrespeitando alguém?
2 - O que é respeito?
3 - O sujeito acha que, porque colocou no mundo, a criança é propriedade dele. Desde quando, Brasil?
4 - A força de um adulto versus a fragilidade de uma criança. Não precisa comentar, né?
5 - Pessoa ainda sem consciência do que é o mundo e sem possibilidade de se defender. Mais uma coisa que nem precisa comentar. 

Mas - alguém pode dizer -, esse é um caso hipotético. Não, meus  senhores. É um caso real. Aconteceu na minha família, de classe média, com pessoas com educação formal. Eu ainda não era nascida, mas escuto minha avó contar, horrorizada até hoje com o fato. 

Palmada educa? Jamais. O que educa é o exemplo. Isso é claro como água. O que me fez ser uma pessoa "boa" hoje foi o que vi no meu avô, no meu padrinho, na vovó, na Tia Ylza, na Tia Leda e no Paulo. Nenhuma palmada (ou coisa pior) que eu sofri me levou a algo, a não ser dor, humilhação e revolta. São marcas que ficaram em mim e que até hoje me fazem mal. 

Há quem diga que a Lei da Palmada vai favorecer as crianças que já estão "se sentindo" por conta do Estatuto da Criança e do Adolescente, e que podem ganhar mais força no embate / combate com professores e pessoas dos Conselhos, diretores de escolas etc. É verdade? Sim, é verdade. É possível, sim, que isso aconteça. E que fique pior. Mas isso não é culpa da Lei da Palmada. É um problema de educação, de Estado. Há anos eu brinco que, para ser pai e mãe, as pessoas deveriam passar por um exame psicotécnico. É sério, tem muita gente parindo sem a menor condição psicológica para cuidar de uma criança. E são essas pessoas que acham que educar é bater. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

52 x 5: Semana 45

Semana 45: Lembra a minha adolescência:

1 - More than words - Extreme
2 - Wind of changes -  Scorpions
3 - Arnaldinum (saudades)
4 - Minha máquina de escrever
5 - Company e Nike

sábado, 24 de novembro de 2012

Filme: 007: Operação Skyfall

Skyfall - 2012 (mais informações aqui)
Direção: Sam Mendes
Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade
Elenco: Daniel Craig, Javier Bardem, Naomie Harris, Judi Dench

Nunca fui fã de 007. Nem quando ele era o Sean Connery. Isso significa que nunca tive paciência de ver um filme inteiro do personagem. Até gosto bastante de filmes de espionagem e essas maluquices a la Agente 86. Mas 007 não desce. Mesmo assim, lá fui eu enfrentar o cinema do BH SHopping numa sexta à noite pós feriado e pós tromba d'água enlouquecedora na cidade, para ver o Daniel Craig pagar de gostosão.

Basicamente, o filme fala sobre o conflito entre a espionagem convencional - e antiga - e os avanços tecnológicos, que permitem, por exemplo, que uma arma só seja disparada por uma certa impressão digital. E foi um momento tão tenso o da explicação sobre a arma que imaginei que sua participação no longa seria maior do que uma mísera tentativa de tiro por um vilão chinês que, quase ao mesmo tempo, é comido por um "dragão de comodo assassino e carnívoro". É aquela história da "pista e recompensa", de que o Pablo Vilaça fala (não consegui encontrar o link com esse vídeo). Acho que não deu muito certo aqui.

Voltando ao tema: os métodos de M. começam a ser questionados. A grande pergunta é se ela não estaria velha demais para enfrentar um mundo tão cheio de tecnologia. Os computadores do MI6, o serviço secreto britânico, são invadidos e os responsáveis pela segurança do prédio não conseguem descobrir de onde vem o ataque. Q., responsável pela gestão de segurança de informação, está sempre um passo atrás do grande vilão da trama, um ex-agente do MI6 ressentido com M., disposto a tudo para matar a simpática e implacável personagem de Judi Dench. Aí entra Bond, James Bond, provando ser leal a M., mesmo quando parte dela a ordem de atirar em uma mistura de 007 e vilão, numa briga besta em cima de um trem em movimento. Claro, 007 é atingido e dado como morto. Mas o atentado à sede do MI6 faz com que o herói abandone sua aposentadoria para provar como, sozinho, consegue derrotar meio mundo.

Duas coisas chamam a atenção em Skyfall. A primeira delas é o design de produção (a antiga direção de arte). As cenas na China, com destaque para o interior o prédio com muito vidro e o reflexos das luzes, e as cenas do cassino em Macau (tirando, é claro, a participação fundamental do "dragão etc"). As texturas e cores do cassino da Macau são muito bonitas, bom trabalho de composição e iluminação.

A segunda é a participação de Javier Bardem como o vilão Silva. O ator tem muitos recursos e apresenta um vilão caricato, mas não ridículo - apesar do roteiro não contribuir muito com a caracterização e história pregressa do personagem. No final das contas, ele faz um personagem louco, como o Anton Chicurh de Onde os fracos não têm vez, mas completamente diferente. Talvez, a única coisas em comum, fora a loucura, seja o cabelo ridículo. Será que vai virar tradição o Bardem em papel de vilão com cabelo estranho?

As aberturas de 007, em geral, me desanimam. Com esta não foi diferente. É tão... brega! A música, cantada por Adele, até é interessante. Mas sei lá, não combina. Não posso deixar de mencionar que o roteiro usou de alguns recursos já bastante manjados no cinema, como o momento "Os Vingadores" de Silva e a produção de "Esqueceram de Mim", protagonizada por M. e 007. Deu vontade de rir nas duas situações.

Conclusão: primeiro e último filme do 007 que eu vejo.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A escada

Uma das coisas ruins que este ano me trouxe foi ter de me confrontar com o envelhecimento da Cuca. Porque é inegável e irrevogável que ela está bem velhinha. Já são 11 anos de vida - o veterinário já a chama de senior. E isso tem doído à beça.

Começou com o olho. Uma manchinha branca ali, bem no meio. Essa manchinha foi crescendo até virar uma nuvem de tamanho considerável. Hoje, parece que o tamanho estacionou, mas não resta dúvida: catarata, nos dois olhos. Depois, o faro. Se a gente joga o biscoito canino que ela come todo dia no chão, ela demora às vezes mais de dois minutos pra encontrá-lo. E o ouvido... ele continua afiado, mas ela já demora mais pra escutar a porta da rua batendo ou um chamado de um local mais distante.

No fim de setembro, ela ficou doente. Voltou do banho semanal amuada, quieta, com cara estranha, sem brincar, sem pular. Não conseguia subir na cama ou no sofá. Não queria comer o Biscrock. Nem na ração ela tocava. Foi uma correria pro veterinário olhar. Ela chegou a ficar internada na clínica por um dia, em observação, e voltou pra casa do mesmo jeito. O diagnóstico: problema na coluna.

Aí, voltamos àquela instituição chamada "casamento". Quando Leo e eu resolvemos nos casar, meu entusiasmo era zero. O dele, era muito alto. Então, ele resolveu praticamente tudo. Eu só cuidei de marcar a igreja e evitar que o resto do mundo soubesse (mas claro, sempre há alguns espíritos de porco por aí). Leo comprou a maior parte das coisas que precisavam ser compradas, entre elas, a nossa cama. Eu sempre sonhei com uma cama japonesa, bem baixinha. Ele trouxe pra casa uma cama enorme, muito alta. Alta pra mim, altíssima pra Cuca. E a cachorrinha dorme com a gente. Ela aprendeu a subir de descer dessa altura toda em cima de um travesseiro que ficava ali no chão para amortecer as quedas. Mas não adiantou. Ela - e a coluna dela - estavam sofrendo do mal da cama-que-não-é-japonesa.

Pra resolver o problema Cuca versus cama, compramos uma escada para cães na Petescadas. No começo, a Cuca ficou bem receosa, mal chegava perto da escada, como se estivesse com bastante medo. Aos poucos, ela começou a entender a dinâmica da coisa e, hoje, só sobe e desce pela escadinha. Facilitou a vida dela, as dores de coluna diminuíram e ela pode ficar mais tranquila, mais à vontade, sem sofrer tanto.


Esse tapete horroroso aí foi o que achamos, na pressa, com antiderrapante. Facilita a subida e a descida.


Quatro degraus e pronto, ela está segura e sem dores.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sobre a felicidade (ou não)

Ontem, vovó veio fazer uma série de queixas e dizer que acorda, em certos dias, bastante melancólica, com muita tristeza. Conversamos sobre isso e, certa hora, ela me disse que não pode comparar a minha vida com a de outra pessoa porque tudo dá certo pra mim, e pra essa outra pessoa, quase nada dá certo. "Você é feliz, ela não", foi o resumo da conversa.

Foi preciso uma respiração funda pra dar conta de responder a isso sem ofendê-la. Mas não deixei de me posicionar.

Não, vovó. Felicidade plena é algo que não existe. Eu tenho vários momentos felizes entremeados entre outros nem tanto e certo número de intensa infelicidade. Porque amo meu trabalho, mas passo muito perrengue com ele. Porque vim de um núcleo familiar absurdo, que ainda me atropela em determinados momentos. Porque tenho recebido, ao menos uma vez por semana, um e-mail indesejado de uma pessoa da qual tenho pânico-pavor-horror e, até onde sei, não há nenhuma medida judicial para resolver isso. Porque há dias que uma tristeza infinda me absorve e vou chorar no quarto, com o rosto escondido no travesseiro.

E ela, surpresa, com os olhos bem abertos, me perguntava qual o motivo disso.

Isso, vovó, se chama vida. E por um respeito enorme a você, eu evito comentar meus momentos de luta, de tristeza, de fraqueza, de desespero. Não quero que você veja porque eu sei que compartilhamos vários pontos de dor. E se eu estiver triste por conta deles e você me vir chorando, sei que vai se entristecer também. E eu não quero te ver triste. Já basta a sua idade, já basta ter visto quase todos os seus irmãos morrerem, já basta a tristeza enorme que a sua filha te causa. Não preciso alimentar isso.

Ela, de novo: "mas você parece tão feliz!"

Pareço sim, vovó, porque eu tenho muitos momentos felizes. Muitos. Tenho você, Tia Ylza e Paulo, mesmo com todos os problemas de cada um. Tenho o Leo, que é o que de mais feliz a minha vida traz. Trabalho com o que gosto, estudo, leio e vejo o filmes que quero. Tenho amigos lindos, com quem posso contar. Mas a vida, vovó, não é só felicidade. São momentos que se alternam (Freud já falou sobre isso no início do século passado, mas sei que você não vai entender). E é justamente isso que faz as coisas ficarem interessantes.

Vovó me acha uma pessoa plenamente feliz. Isso porque ela não tem Facebook. Imagina se tivesse...


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

52 x 5 - Semana 44

Semana 44: Meus vilões preferidos são:

1 - Coringa (o de Heath Ledger, please!)

2 - Miranda Priestly
3 - Mr. Rochester (não é necessariamente um vilão, mas é quase isso. Em Jane Eyre.
4 - Darth Vader

5 - Anton Chigurh (o Javier Barden em Onde os fracos não têm vez

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Viagem

Se este fosse um ano comum, uma hora dessas eu estaria a caminho de Goiás. Dia 16 de novembro é aniversário da D. Lídia, avó do Leo, e sempre tem uma festa grande, unindo a família mais legal do mundo. Regada a muitas risadas, muita fartura e muito amor. Infelizmente, alguns compromissos locais nos impediram de ir pra lá em novembro. Não quero nem pensar em como vai estar tudo por lá, nem na minha vontade de abraçar os Borges e conviver com todos eles, aqueles lindos. Porque eu vou sofrer de imaginar a festa rolando e eu aqui :-(

Já usei uma música da Vanessa da Mata pra falar do Leo (aqui). Hoje, uso pra falar da vontade que está me dando de largar tudo e ir pra Goiás. "Colher fruta madura no vento, pequi não sai do meu pensamento, bacia cheia de manga bourbon"... Ainda bem que dezembro tá chegando!

Viagem (cantada por Vanessa da Mata)
Suspenderam a viagem
Fui parar em outro trem
Que beleza de paisagem
Fomos rumo a Belém

Agora que é tempo
Colher fruta madura no vento
Pequi não sai do meu pensamento
Bacia cheia de manga bourbon

Nasce um sol, nasce uma noite
E um menino também vem
Que beleza de paisagem
É meu filho e passa bem

Agora é tarde, não dá para adiar a viagem
João tem três anos de idade
Não quero merecer outro lugar

Volto quem sabe um dia
Porque os trilhos já tiraram do chão
Olho as tardes, vivo a vida
Nada é em vão


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

52 x 5 - Semana 43


Semana 43: Músicas que eu não canso de ouvir:

1 - Todas do Chico Buarque
2 - Todas do Vander Lee
3 - Quase todas dos Engenheiros de Hawaii
4 - Quase todas do Ultrage a Rigor
5 - Quase todas do Nando Reis

domingo, 11 de novembro de 2012

Livro: Pós-escrito a O Nome da Rosa

Já falei aqui que tenho uma relação de amor e ódio com o Umberto Eco romancista. Isso porque ele, em geral, despeja tanta erudição em seus livros, que me deixa com raiva e com vontade de jogar o livro longe. Mas, ao final de cada livro dele, estou amando tudo, e ele passa a ser um dos meus escritores favoritos. Acho que só não tive essa reação de ódio inicial com O Nome da Rosa, que é um dos livros mais bacanas que já li.

Há muitos anos, tive conhecimento de que ele tinha escrito este Pós-escrito a O Nome da Rosa, explicando o processo criativo. Procurei na biblioteca da PUC, mas estava emprestado (lembro que havia poucos volumes, na época), e deixei de lado. Afinal, tinha muito mais coisas da própria faculdade para ler. Depois, consegui uma cópia em PDF e guardei. Fui ler só agora e foi perfeito. Casou com o momento atual de estudo de arte.

Aqui ele conta como trabalhou o cenário, os personagens, a época, as citações, a intriga policial. E fala sobre como a Idade Média é a infância do mundo atual. Sobre o que diferencia um romance qualquer de um romance marcante (e O Nome da Rosa, com certeza, é desses marcantes). Por exemplo, ele diz que "Mas quando o escritor planeja o novo, e projeta um leitor diferente, não quer ser um analista de mercado que faz a lista dos pedidos expressos, mas sim um filósofo que intui as intrigas do Zeitgeist. Quer relevar o leitor a si próprio". E isso é tão lindo... Para quem gosta de teoria literária (e eu não sabia que gostava), acredito que é leitura obrigatória.

Eco também aborda a literatura encomendada, as fórmulas que alguns escritores usam para fazer sucesso (e bastou ler para me lembrar de Dan Brown e seus livros, como O Código Da Vinci). Esses livros, em geral, morrem rápido, não são perenes, não se tornam clássicos e nem serão lidos por várias gerações.

Ele termina o texto assim: "Moral: existem ideias obsessivas, nunca pessoais, os livros se falam entre si, e uma verdadeira investigação policial deve provar que os culpados somos nós".

Lindo, não?

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A mulher do saco


A análise desta semana sofreu uma pequena alteração: foi terça-feira. Entre o medo quase irracional que estou sentindo de ter de interromper de novo (não quero falar sobre isso agora) e a alegria de ver que muita coisa tem melhorado (apesar de 2012 ser um dos piores anos da minha vida), saí de lá destruída. Desta vez, sem ter derramado uma lágrima. Mas era como se tivesse chorado por horas e horas e horas.

Os motivos que, em geral, me tiram do sério, ainda existem, mas me afetam menos. Isso, talvez, é a maior vitória que consegui nesses anos de análise. Por outro lado, sinto como se tudo que eu gostaria de esquecer jamais será esquecido. Como se eu fosse aquela mulher que chamávamos de Velha Rabugenta, uma senhora que mendigava aqui em Ouro Preto na época em que eu era criança. Ela andava por aí carregando um monte de sacos, que pareciam fazer parte do seu corpo, de sua roupa, de sua pele.

Aí, fiquei me imaginando como essa senhora. Uma pessoa que tem muitas coisas sendo levadas, grudadas, costuradas, coladas à pele. Que vai carregar um peso enorme por muito tempo. Que tenta deixar pelo caminho alguma parte desse peso, mas o que se deixa é poeira. Sem desmerecer os avanços, há momentos em que parece que eles foram tão pequenos, tão simples, tão leves; que o pesado ficou. E que eu não vou saber lidar com o hard dessa vida. 

Às vezes dói ter essa carga toda pra carregar. 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Citações 25

Do livro Zen e a arte da manutenção de motocicletas:

Acordei de madrugada. Chris ainda dormia a sono solto. Fiquei rolando na cama para ser se dormia mais um pouco, mas ouvi um galo cantar e lembrei que estamos de férias, e que não vale a pena ficar dormindo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

52 x 5: Semana 42


Semana 42: Quer acertar no meu presente? Então me dê...

1 - Livros
2 - Caderninhos (Moleskine ou do tipo)
3 - Canetas
4 - Lápis
5 - Quase tudo que existe dentro de uma papelaria

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Livros: Trilogia 50 Tons

Terminei de ler a trilogia dos 50 tons de cinza / 50 tons mais escuros / 50 tons de liberdade me perguntando por que raios eu não procurei coisa melhor pra ler. O fato é que eu precisava fugir um pouco da realidade atual (trabalho + filosofia + problemas sobre os quais eu falo depois) e pensei em ler uma coisa bem banal. Deveria ter relido qualquer Agatha Christie, enfim...

Os três livros são um horror de mal escritos. Bom, não fui muito feliz com a tradução também, pode ser isso. Todos estavam pessimamente traduzidos. Nesse ponto, em especial nos dois últimos, eu me diverti pensando que eu traduziria melhor (Pat Mapa pode ficar um pouquinho de orgulho dessa aluna relapsa...).

Mas o que mais me deixou de boca aberta com a trilogia não foi a tal pornografia tão alardeada. Achei leve demais, na verdade. Em literatura de verdade tem coisa mais forte, digamos, e com muito mais qualidade (um exemplo light é A Casa dos Budas Ditosos, do João Ubaldo Ribeiro). No meio do segundo livro eu já bocejava a cada "cena" nova de sexo. Deu uma preguiça enorme de todos os chavões, em especial de todos os orgasmos explosivos da personagem principal, Ana Steele, a imbecil que se anula completamente frente ao manipulador Christian Grey.

O que mais me incomodou foi a personalidade de Grey: agressiva, controladora, dominadora, invasiva. Ele teve seus momentos "ternurinha" ao longo de toda a história, mas nada que o livrasse dos itens mais assustadores que uma personalidade tem pra mim. Fiquei sinceramente admirada de ver que muitas resenhas foram escritas sobre os livros com garotas se dizendo apaixonadas pelo Sr. Grey. Gente, pelamor! O cara é tão estúpido, tão imbecil, tão egoísta! Como alguém pode achar legal ter um dominador o tempo todo reprimindo quem estiver à sua volta só porque ele é envolvente e bom de cama? Fico pensando que há um problema grave em que acha que "dois dedos" de carinho possam ser suficientes. A imbecil da Ana Steele se afasta de amigos, da família, troca de nome, entre outras coisas, e aceita um controle absurdo, só porque o Sr. Grey é "quente". Tô dizendo... Agatha Christie ia tirar as coisas pesadas da minha cabeça e não me faria ficar tão incomodada.

Nessas horas eu agradeço pelo Leo ser exatamente o que é: uma pessoa que me respeita, que respeita meus espaços, que não me sufoca. Já falei dele aqui assim, uma vez: "Somos, antes de tudo, companheiros. Não somos donos um do outro, estamos caminhando juntos, até quando for possível - e eu espero que seja possível por muito, muito, muito tempo.". Porque ele faz TUDO ser tão bom, sem precisar tocar na minha personalidade. 

Fico feliz por ter terminado os livros e caminho para enterrar de vez o Sr. Grey e a Srta. Steele no limbo.