domingo, 3 de março de 2013

Notícia do bisavô

No post em que comentei sobre a minha família na universidade, disse que falaria depois sobre o meu bisavô. No fim de 2012, Paulo conheceu uma professora da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e comentou com ela que meu bisavô, José Procópio Fernandes Monteiro, havia dado aulas lá e que, se não houvesse engano, ele teria sido o primeiro professor brasileiro da escola. A professora, Marita Tavares, enviou um presente para Paulo: um livro com a história da Unifei e a cópia de uma notícia de jornal sobre meu bisavô.

O livro Theodomiro Santiago - O esboço de uma biografia, de Dirceu Rocha Pereira, é de 1997 e conta a história da criação do Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá, hoje Unifei. Meu bisavô aparece na página 89: "Em 1917 era admitido o primeiro professor brasileiro na equipe, na pessoa do Dr. José Procópio Fernandes Monteiro." Segundo o autor, a relação de professores consta na "publicação em homenagem ao cinquentenário do IEI intitulada Meio Século - Instituto Eletrotécnico de Itajubá".

A notícia de jornal é mais interessante (pra família, claro). Foi publicada no dia 3 de novembro de 2012 no jornal O Sul de Minas. É assim:

O primeiro professor brasileiro a lecionar no Eletrotécnico
Aloysio Pizarro

Em 1º de Março de 1917, iniciou a dar aulas no Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá o primeiro professor brasileiro contratado pelo fundador da escola, Dr. Theodomiro. Trata-se do emérito professor de matemática José Procópio Fernandes Monteiro, que lecionada na Escola de Minas e Metalurgia de Ouro Preto. A contratação deste professor foi devido a partida inesperada para a Europa do professor belga Dr. Armand Bertholet, que por motivos familiares pediu demissão após lecionar quatro anos no Instituto Eletrotécnico. Dr. Armand Bertholet já estava perfeitamente adaptado ao estilo de vida e costumes da população itajubense. Já falava um razoável português, e tinha desenvolvido um grande círculo de amizade na sociedade local, e a sua saída da escola foi muito sentida pelos alunos do eletrotécnico. Foi com muito pesar que o Dr. Theodomiro recebeu a notícia da perda de um dos professores pioneiro, que ele havia contratado na Europa por ocasião da sua viagem em 1912. Mas, por outro lado, estava feliz por encontrar um professor substituto a altura do professor europeu. O novo professor José Procópio é, sem dúvida alguma, um grande matemático, e por certo dará uma contribuição valiosa ao curso de engenharia de Itajubá. Na realidade o novo professor já mostrava em suas primeiras aulas no instituto ser mais exigente e rigoroso no ensino da matemática do que o seu antecessor. Para assistirem as aulas os alunos tinham como traje quase obrigatório, terno e gravata, e o professor José Procópio dava suas aulas vestido com elegante fraque. Para avaliar sua exigência e rigor, de 18 alunos que prestavam exame em sua matéria só foram aprovados dois, conforme testemunha de um de seus alunos. O professor José Procópio era mineiro de Juiz de Fora, era muito formal e sisudo, não admitia a menor intimidade com os alunos, falava muito baixo e muito calmo. Vestia-se elegantemente e era muito educado (segundo testemunha de um de seus alunos). E assim, depois de quatro anos de existência a escola passa pela experiência de contar em seus quadros com o primeiro professor brasileiro."

O texto foi copiado exatamente como estava no xerox enviado pela Profª. Marita. Quando li para Tia Ylza, ela ficou feliz, mas um pouco brava. Quando seu pai morreu, ela tinha só sete anos, mas não se lembra dele como uma pessoa sisuda. Ela diz que ele era muito alegre e tinha muitos amigos. Argumentei que ele deveria ser sisudo em sala de aula, mas não adiantou. Ela contou que a família saiu de Itajubá e foi para Recife, onde vovô Procópio descobriu que estava doente e tinha pouco tempo de vida. Vieram, então, para Ouro Preto. E aqui ele voltou a dar aulas, mas no Ginásio. Uma das amigas da Tia Ylza foi aluna dele e dizia que ele era um professor excelente, que nem era preciso estudar muito, porque ele explicava tudo tão bem que era fácil para que todos aprendessem.

Eu fico é imaginando ele dando aulas de fraque, exigindo terno e gravata dos alunos... Orgulhinho!