terça-feira, 30 de abril de 2013

O bullying

A Patricia Daltro faz parte do grupo de blogueiras que conheço virtualmente, mas é como se fosse pessoal. Outro dia ela postou uma coisa que me deixou sem chão: quando ela descobriu que seu filho sofria bullying na escola. O assunto é tão sério e tão assustador que não consegui parar de pensar no post e no Daniel, filho dela.

O texto Meu filho sofreu bullying, e agora? pode ser lido no blog A vida sem manual.

Dá muito medo ver o que o mundo está oferecendo atualmente. Medo de por a cara pra fora de casa, de ir pra rua, de pôr uma criança no mundo pra não saber, ao certo, o que vai acontecer quando ela entrar pra escola, for a festas, sair com os amigos.

Como a Patrícia é uma pessoa muito especial, sei que vai lidar bem com isso e vai fazer o Daniel superar tudo isso.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Mais da Tia Ylza

Faz tempo que não posto as artes da Tia Ylza, mesmo fotografando quase tudo o que ela faz. Ela continua na ativa, produzindo muita coisa em tricô. Os últimos foram casaquinhos e sapatinhos para os bebês de duas amigas que eu amo, a Roberta, mamãe da Julia, e a Maré, mamãe da Beatriz. E uma blusa linda pra Letícia, namorada do Otávio, minha cunhada querida.

A blusa da Lelê

Conjunto para a Beatriz

Roberta e Fifi com o conjunto da Julia

A próxima encomenda é pro sobrinho/a do Leo. O irmão dele e a esposa estão "grávidos"!

domingo, 28 de abril de 2013

Filme: O cavaleiro das trevas

Vi O Cavaleiro das Trevas há algum tempo e não escrevi sobre ele na época. Acabei escrevendo agora pro Cinema de Buteco, que fez um especial sobre o Nolan, diretor do filme. E quis fazer algo diferente, porque em todo lugar já tinha resenha do filme. Daí, quando fui ver de novo, reparei mais na paleta de cores usada pelo Nolan e o texto passou a ser focado nisso. Confesso que fiquei impressionada com a narrativa da primeira vez que vi o filme, mas esta nova experiência me mostrou muito mais. Como diz o Pablo Vilaça, nós apreendemos cerca de 10% de um filme quando o vemos pela primeira vez.

O texto O uso das cores em O Cavaleiro das Trevas pode ser lido no Cinema de Buteco.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

No Bom Será: um destino para o lixo

Fazia tempo que queria publicar também aqui os textos que produzo para o Bom Será. O fato é que houve um longo período sem que eu publicasse por lá. Finalmente, consegui produzir um dos posts que eu mais queria fazer: Um destino para o lixo

A proposta é ser uma postagem colaborativa. Inicialmente, pedi ajuda a alguns amigos para saber o que faziam com materiais reaproveitáveis por aqui. E liguei pra meio mundo pra apurar as informações. Quase deu pra sentir saudades da vida de repórter, mas passou rápido :)

O resultado está aqui.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Filmes de Tom Cruise


Nunca fui fã do Tom Cruise. Lembro das minhas amigas de escola suspirando por ele, colecionando páginas de revistas com fotos do ator. Não achava ele grande coisa (e continuo não achando). Não acho bonito e não acho bom ator. Mas gosto de alguns filmes dele, em especial Rain Man, Jerry Maguire e Vanilla Sky. Também gostei de Missão Impossível 4.

Cinema de Buteco fez um especial com alguns filmes do Cruise. Eu escrevi sobre Rain Man e Jerry Maguire. O texto completo está aqui: Nossos filmes favoritos estrelados por Tom Cruise.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A saga do copo

Contei aqui, no item 3, que Leo quebrou meu copo da Colorado e que já tinha comprado outro.

No mesmo dia da publicação, Leo foi pra BH e pegou o pacote que chegou pelo correio. E me ligou pra dizer que o copo tinha chegado. Mas chegou assim:


Em pedaços... Leo ficou triste de verdade, passou o fim de semana bem caladão. Mas entrou em contato com a loja, mandou a foto e eles logo enviaram um novo. Que chegou, lindo e inteiro, uma semana depois.


No fundo está o quebra-cabeça que eu ganhei da Jullyanne no amigo oculto (e que estou fazendo a passos de tartaruga).  E, desde que me entregou o copo, Leo jurou que não vai mais por as mãos nele.

sábado, 20 de abril de 2013

Livro: On the road

Vi o filme On the road ano passado (e não escrevi nada sobre ele e sobre outros tantos que vi no segundo semestre. Vou corrigir isso em breve). Nunca tinha lido o livro mas, como gostei do filme, resolvi ler. Comprei a versão de bolso da L&PM, com tradução, introdução e posfácio de Eduardo Bueno (aquele da coleção de livros sobre o descobrimento do Brasil). Ele conta como se apaixonou pelo livro e por Jack Kerouac. Também mostra como o livro influenciou gerações e foi aclamado e odiado ao mesmo tempo. Importante falar que, antes da tradução do Eduardo Bueno, os brasileiros só tinham acesso à versão em inglês ou as traduções para o espanhol ou para o português de Portugal, o que dificultava um pouco a leitura.

O narrador é Sal Paradise, um jovem que queria ser escritor e ansiava por novas experiências. Ele já tinha ouvido falar de Dean Moriarty, um delinquente juvenil que escrevera cartas ingênuas para um amigo em comum. Quando ele finalmente conhece Dean é que começa o que Sal chama de "minha vida na estrada". Dean estava se divorciando de Marylou, mas continuava junto a ela. Os dois tinham vindo de Denver para Nova York e queriam curtir a cidade. Sal se encanta com Dean e seu jeito meio maluco de querer curtir a vida. A partir desse primeiro encontro. Sal passa toda a narrativa contando de suas viagens, partindo de Nova York para São Francisco, quase sempre passando por Denver, e com pequenas paradas em algumas cidadezinhas ao longo desse percurso. Em geral sem dinheiro, os amigos precisavam arrumar algum trabalho braçal para conseguir bancar as viagens ou viver de caronas ou, ainda, experimentar parte do percurso à pé.

A vida amorosa de Dean é uma loucura. Ele se casa várias vezes e vive pulando entre Marylou, Camille e Inez. Além delas, busca sexo sempre que coloca o pé para fora de casa. Marylou era chamada de piranha o tempo todo e sempre que os dois brigavam Dean era violento com ela. Para ele (e, aparentemente, para seus amigos), tudo bem dar umas porradas em mulher. A primeira vez que Marylou apanha, bem no comecinho do livro, foi fundamental para que eu pegasse nojo de Dean Moriarty e me perguntasse, ao longo de todo o livro, o que, afinal Sal Paradise viu nesse cara?

Sal parece ser um cara legal, mas meio sem personalidade. Ele vai na onda de Dean, seguindo-o quase como os fanáticos seguem a um profeta. Perde um emprego certo em um navio por causa do cara. Vê sua tia ficar apreensiva com essa amizade, mas não se abala. Gasta o que tem e o que não tem para atravessar o país correndo atrás de Dean. E o sujeito nem dá tanto valor assim a Sal. Em certos momentos ele chega a dizer que Sal é o seu melhor amigo, mas em geral não demonstra isso com atitudes (vide a viagem ao México).

Parece que Dean é aquele cara com a autoestima lá embaixo. Ele precisa se apaixonar o tempo todo, seja por uma mulher, por um amigo, por uma situação, por um caminho. E a paixão passa rapidinho. Ele conhece alguém, acha a pessoa a melhor do mundo, suga dela o que pode para depois contar aos outros e se manda. Porque parece que tudo é pouco para ele. Como se ele fosse um vaso furado que precisa ser preenchido o tempo todo, mas o furo lá embaixo faz o conteúdo acabar rápido e, logo logo ele precisa de mais e mais e mais. Talvez seja o seu jeito sempre ansiando por novidades que tenha seduzido Sal. O fato é que Dean parece uma pessoa perdida, que não sabe o que quer, mas tem certeza que a vida dos outros é melhor do que a sua.

O livro é bastante interessante, especialmente para mostrar o clima daqueles anos loucos das décadas de 1940 e 1950. Mas Dean me deu preguiça por ser tão perdido e Sal me deu preguiça por ser tão obcecado pelo amigo. Talvez, se eu tivesse lido On the road com 16 anos, teria me apaixonado pelo jeito dos dois. Talvez tivesse sido o livro da minha juventude, porque me lembro que, nessa idade, morria de vontade de viajar, de correr o mundo, sem hora pra voltar. Não que eu não queira viajar hoje. É um sentimento diferente. Hoje sou quase refém de planejamentos, de planos, e sempre amo voltar pra casa. Naquela época, o sonho era apenas ir, como Sal e Dean fizeram. Por isso que acho que, no fim das contas, o livro veio na época errada.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Filmes de Tarantino

Sou grande fã do Tarantino. Aqui mesmo já falei de dois filmes dele que eu gosto demais, Bastardos Inglórios e Django Livre. Também falei mais dele aqui, aqui e aqui.

Dia 27 de março foi aniversário dele e o Cinema de Buteco fez um especial, que foi publicado na data e eu esqueci de trazer pra cá. Cada filme teve um texto curto. O meu foi sobre Bastardos Inglórios. O texto todo está aqui: Um drink (no inferno) para os 50 anos de Quentin Tarantino.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Livro: Um dia

Daí que resolvi ler mais um livro leve para compensar as leituras pras provas do fim do semestre. Escolhi Um dia, de David Nicholls, que conta 20 anos da vida de duas pessoas, Dexter Mayhew e Emma Morley.  Tudo começa no dia 15 de julho de 1988, quando os dois finalmente se conhecem, na festa de formatura da faculdade, em Edimburgo, Inglaterra. Os dois ficam juntos, mas resolvem ser apenas amigos. O livro segue contanto o que acontece no dia 15 de julho dos anos seguintes, contextualizando o que passou.

Emma é sonhadora e determinada, esquerdista, esquentada, lutadora. Dexter é o típico filhinho de papai, tem muito dinheiro, faz viagens espetaculares, é um garanhão, dando em cima de todas as mulheres. Emma tem que lutar muito para sobreviver. Ela quer ser escritora, mas precisa se virar como atriz de um grupo de teatro bem obscuro, como garçonete (e depois gerente) em uma lanchonete de comida mexicana, dando aulas para escolas de periferia. Dexter não sabe o que quer fazer da vida, além de curtir muito. Por acaso vira apresentador de TV e entra num mundo de abusos e auto-destruição.

A amizade dos dois permanece, mesmo que haja uma série de atritos e que os caminhos sejam bem opostos. Emma tenta salvar Dexter; Dexter tenta alavancar a autoestima de Emma.

Em dois momentos, fiquei bem perdida na leitura, quase com raiva do autor. O primeiro é quando Dexter escreve uma carta linda para Emma, a coloca dentro de um livro para enviar pelo correio (direto da Índia), mas perde livro e carta ao sair com uma turista. O outro... bem... o outro eu não vou contar. Mas foi esse outro que motivou uma conversa com a Ana Paula e, no dia seguinte, ela me mandou essa imagem aqui (que, pelo que sei, foi divulgada pelo Skoob):


Foi bem isso. E voltei ao livro, para concluir que ele é bem legal. Por outro lado, optei por não ver o filme. Não quero a Emma com a cara da Anne Hattaway.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Citações 30

Do livro Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera:

"O que eu fiz de errado eu carrego comigo. Nada some porque a gente decide, porque a gente quer. Ninguém pode me tirar o mal que fiz pros outros. A gente precisa disso para ser uma pessoa melhor. Perdoar é como fingir que não existe. Mas a vida é o resultado do que a gente fez. Não faz sentido agir como se algo não tivesse acontecido.  
(...) 
É por isso que perdoar não faz sentido. Perdoar é uma covardia. O que exige coragem é continuar amando e tendo amizades e fazendo bem pros outros sem fingir que se pode apagar nada, sem perdoar nem aceitar perdão."


Era tudo que eu queria dizer, mas não sabia como. Valeu, Daniel Galera!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Livro: As vantagens de ser invisível

Quando esse livro virou filme, chamou minha atenção o fato de ter Emma Thompson no elenco, a eterna Hermione Granger. Passou em BH, em OP, já chegou na locadora e eu ainda não vi. Nem tinha ficado curiosa a ponto de ler. Até que, na aula de Filosofia Social e Política, o professor falou do filme, que era um bom retrato da exclusão comum em escolas americanas. Aí resolvi ler.

O autor, Stephen Chbosky, foi bem feliz ao criar Charlie, um garoto de 15 anos que parece meio bobo. Ele escreve cartas para uma pessoa, sem se identificar, sem falar o nome dos irmãos e dos pais e trocando os nomes dos conhecidos. Ele é tímido, retraído, calado, sem amigos. Está com medo de começar o primeiro ano do segundo grau. É comum, nas escolas americanas, que os veteranos apliquem uma série de trotes aos calouros, fazendo com que o primeiro ano seja bem complicado.

Ele conhece Sam e Patrick, um casal de irmãos que não se importa se Charlie é calouro ou não. Os dois estão no último ano e têm uma vida um pouco agitada. Sam é a garota dos sonhos de Charlie: bonita, espirituosa, atenciosa. Mas ela tem um namorado e Charlie se contenta em ficar só por perto. O grupo de Sam e Patrick apresenta a Charlie um novo mundo, mais amplo, em que não é tão importante ser popular. É com os amigos que ele entende que pode ser infinito, numa das passagens mais bonitinhas do livro. Enquanto vive novas experiências, Charlie ainda tem que lidar com a perda de duas pessoas que ele amou muito. Seu melhor amigo, Michael, suicidou-se no ano anterior. E a Tia Helen, irmã de sua mãe, morreu quando ele tinha sete anos.

Por trás da história aparentemente boba do garoto isolado na escola, Stephen Chobsky aborda temas bastante fortes. O bullying é só um deles. Ainda passa por gravidez, aborto, companheirismo, verdade, convivência social, drogas, vários tipos de abuso. É um livro muito pesado, cheio de coisas que fazem pensar.

Quando li Precisamos falar sobre o Kevin, fiquei com muito medo de ter filhos. Com As vantagens de ser invisível, fiquei com mais medo ainda.

sábado, 13 de abril de 2013

Pílulas do momento #6

1- Receita pra acabar com a minha autoestima:
- combine uma coisa comigo, bem combinadinha;
- confirme o combinado;
- poucas horas antes do combinado acontecer, desmarque;
- justifique dizendo que alguém chamou pra tomar cerveja em outro lugar;
- tudo bem desmarcar comigo, o que não pode é deixar o outro amigo chateado;
- no fim, pergunte-me porque estou triste.

2- A prova
Na última prova de Antropologia Filosófica, um dos textos para estudo era uma boa parte do livro A condição humana, de Hannah Arendt. Já tinha lido um pedaço na época do jornalismo, mas agora gostei mais ainda e incluí na lista de livros a ser lido do começo-ao-fim em breve. Grosso modo, ela divide o que chama de vita activa em três fases: labor, trabalho e ação. Para cada uma delas, um tipo de homem: animal laborans para o labor, homo faber para o trabalho e zoom politikus para a ação.

Já contei que fico super nervosa com provas, né? Nessa última, escrevi várias vezes homo laborans, em vez de animal laborans e nem notei. Quando saí da sala, um dos colegas veio comentar a questão comigo. Foi quando percebi o erro. Foi um choque... ainda mais porque uma das quatro perguntas da prova causou um branco em minha mente. O suficiente pra me fazer ficar bastante preocupada.

Quando a nota saiu, achei que o professor foi bem condescendente comigo. Tirei 3,6 em 4 (especialmente por conta dessa questão do branco) e passei com 9,4. Ufa!

3 - O copo
Há algum tempo, ganhei um copo de cerveja da Colorado. Eu queria comprar mas nunca achava e o meu amigo Luciano Gaúcho me deu. Ok, eu não tomo cerveja. Só que adoro os copos. O Gaúcho foi um fofo me dando o copo. Daí, Leo começou a usá-lo porque tem um tamanho bom (diz ele). E na última semana, depois de beber nele enquanto víamos Lost, deixou o copo no criado mudo. Era 1h30 da madruga quando acordei com o barulho de vidro quebrando. Leo, dormindo, jogou o travesseiro no criado mudo e o copo foi ao chão... Fiquei arrasada. Mas vou ganhar outro, Leo já comprou um novo pra mim. A diferença é que ele não chega mais perto do copo novo!

4 - Calor ou frio?
Foi aniversário do sogrão e nós fomos para BH. Chegamos com uma chuva daquelas se formando. Corremos pra pegar um táxi. Andamos uns 100 metros e o taxista virou pra trás e perguntou, todo formal, se podia nos fazer uma pergunta. Parênteses pra dizer que essa é a pergunta mais boba da história. Dissemos que sim e ele, mais uma vez, super formal, perguntou se a gente achava que estava fazendo frio ou calor. Nem lembro o que respondi, provavelmente que estava calor (comparado a OP, BH é um forno). Fiquei pensando no motivo daquela pergunta. Mas não tive coragem de questionar.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O tombo

Tomei um mega tombo na rua. Tudo começou quando eu resolvi sair do Encontro de Filosofia de que participava para ir trabalhar. Se eu tivesse ficado por lá até o final, teria ido direto pra casa e não teria tombo. Mas fui trabalhar e, pra chegar, tive de descer uma ladeira que já é escorregadia em si. Imagina num dia de "chuva fina no meu parabrisa"... Pé esquerdo escorregou e seria uma abertura total de balé se eu ainda tivesse essa mobilidade. Resultado: bunda no chão, com grande impacto do lado esquerdo; joelho direito batendo com força nas pedras do calçamento, pé direito torcido. No joelho, até veia estourou.

Por um lado, estar sozinha na rua é bom: ninguém viu o tombo. Por outro, ninguém pra me ajudar a levantar e terminar de descer. É que eu dei a "sorte" de cair bem no meio da ladeira. Aí liguei pro Leo vir me buscar. Ele já apontou lá embaixo rindo. Mas como é um fofo, me ajudou direitinho e cheguei inteira no trabalho. Enquanto colocava gelo pra desinchar e começava a dar andamento no trabalho. Leo sentou no lugar dele e também deu segmento ao trabalho.

Pouco tempo depois, ele me chama: "Pé, te zoei no Facebook". Fui ver e era isso aqui:



Gracinha ele, não? Em vez de trabalhar, criou essa coisinha linda aí!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Livro: Simplesmente Ana

Nunca fui uma boa leitora de Chick-Lit, a tal literatura para mulheres. Talvez porque não consiga muito embarcar nas histórias ou porque fique apegada demais à escrita (que nem sempre é boa). O fato é que, sempre que tem um livro de Chick-Lit e outro, acabo pegando o outro, em especial se for da Agatha Christie.

Mesmo assim, fiquei muito curiosa para ler Simplesmente Ana. Primeiro porque foi escrito por uma pessoa que eu conheço, com quem convivi por quatro anos na faculdade de jornalismo. A Marina Carvalho formou comigo, mas nunca tivemos muito contato . Reconheço que a responsabilidade deve ser minha, porque não sou de fácil convivência. Depois de anos ela me achou no Skoob e começamos a conversar, ao perceber que temos a paixão pelos livros em comum. Ela escrevia no blog Instante Literário, que eu acompanhava pelo Reader. Mas como começou a se dedicar a seus próprios livros, o Instante está meio parado. Hoje, acompanho a Marina pelo site dela.

Simplesmente Ana é um exemplar muito legal de Chick-Lit. Foi muito divertido de ler. Ana, a personagem principal, tem sua vida sacudida por uma mensagem que recebe no seu Facebook. Um homem diz que é seu pai e ela, que nunca conheceu seu pai verdadeiro, vai atrás da sua história. Mas esse não é um pai qualquer. Andrej Markov é o rei de um pequeno país do Leste Europeu, a Krósvia. E ela tem de enfrentar essa nova história: a visita a um novo país, deixando para trás sua mãe, sua avó, sua melhor amiga Estela e o projeto de namorado Artur. Ela vai ficar apenas seis meses na Krósvia e lá tem de enfrentar uma nova realidade, que começa com pessoas que desconfiam dela. Um deles é Alexander, o mauricinho gostosão que é enteado de Andrej e parece querer dificultar bastante a vida de Ana. Ela fica dividida entre a vida de simples estudante de Direito em Belo Horizonte e sua nova realidade como princesa da Krósvia. Além de Andrej Markov e Alexander, Ana também conhece a tia Marieva, seus priminhos Giovana, Luce e Luka, a eficiente Irina, a delicada cozinheira chefe Karenina e a arisca Laika (delicadamente chamada de "Nome de Cachorro"). Enquanto isso, ela ainda lida com o quase namoro com Artur e uma possível nova paixão.

Simplesmente Ana me fez sonhar um bocado. Especialmente com um certo show que tem no início da terceira parte do livro. Mas também com a Krósvia, com as flores, castelos (um deles é descrito como a casa de Mr. Darcy em Orgulho e Preconceito), praias e ritos. E com Alex e seu jeito meio rude, meio conquistador. A trama me pegou de jeito e acabei lendo o livro em dois dias (isso porque tinha um casamento para ir e precisei parar). Ana é uma heroína que, mesmo sendo princesa, não tem nada do deslumbramento característico. É bem humorada, animada, não gosta de ficar parada nem presa em casa no castelo se protegendo de paparazzis. Mesmo com um pé no conto de fadas, a personagem consegue ser bem real, quase gente-como-a-gente.

Mas o que mais me fez gostar do livro foi o jeito como a Marina escreve. Além de ser bastante correto (e vamos combinar que está cheio de livro mal escrito por aí, vendendo horrores, como a trilogia dos 50 tons), é envolvente, divertido, tocante. É fácil perceber o cuidado com a preparação do texto. Talvez por não ser uma boa leitora de Chick-Lit eu não esteja sabendo comparar. O fato é que não lembro de um bom livro dessa categoria que tenha lido. Ainda que alguns me divirtam, o texto é sempre muito truncado, bem ruizinho mesmo. Mas como leio bastante outros estilos, posso comprar com eles e digo que o texto da Marina não deixa nada a dever. Fico, agora, aguardando os próximos livros dela (já são mais dois sendo escritos). E já sei pra quais amigas queridas eu vou enviar um exemplar de Simplesmente Ana logo!


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Um pouco de orgulho

Uma das coisas de que mais me orgulho é de ter um certo grau de independência. Não estou falando de independência financeira, embora ela também seja bem querida. Mas de ~não depender~ de coisas ou pessoas em várias situações. Já falei um pouco disso aqui, e terminei o texto dizendo que ensinei pro Leo como se troca a resistência do chuveiro.

Daí que outro dia eu estava lendo o Reader (já com saudades enormes dele, que finda no meio do ano), quando vi um texto publicado pelo Leonardo Sakamoto. É o relato de uma mulher que se viu às voltas com o chuveiro queimado e como uma simples troca de resistência pode ser - e é - uma questão de gênero. É bem interessante. O texto pode ser lido aqui.

Entretanto, foi inevitável dar aquele sorrisinho no fim. Eu sei, há anos, trocar a resistência. E fazer um monte de outras coisinhas que são, até hoje, consideradas "de homem". E tenho um orgulho enorme de ter aprendido cada uma delas e, hoje, poder me virar sozinha. Queria viver em uma época em que não existisse isso de "tarefas de homem", "tarefas de mulher". O que me faz lembrar que, um dia, levei uma bronca enorme do meu progenitor porque pedi ao meu irmão mais novo para tirar uma travessa de comida da mesa e levar para a cozinha. Ele logo foi me ajudar, mas o sujeito lá gritou para ele largar: aquilo era coisa de mulher e eu que me virasse.

O fato é que, desde pequena, (dizem que) sempre briguei pra ser independente. Tia Ylza conta que era fácil cuidar da Laura, porque ela sempre ficava quietinha brincando. Já eu, quando comecei a andar, queria era correr, subir nos móveis, nas janelas, nas árvores. A tia conta que uma vez me viu em cima da cristaleira da sala de jantar e quis me tirar de lá no colo. Eu resisti, dizendo que desceria sozinha. E assim foi. E há várias outras histórias.

Gosto de saber que posso me virar sozinha. Mas também gosto de saber que posso sempre pedir ajuda aos universitários aos amigxs e parentes. Paulo é um que sempre me ajuda. Devo a ele saber trocar a resistência do chuveiro.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Filme: Laranja mecânica

A Clockork Orange - 1971 (mais informações aqui)
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stanley Kubrick
Elenco: Malcom McDowell, Patrick Magee, Michael Bates, Warren Clarke, John Clive, Adrienne Corri, Carl Duering

Vi Laranja Mecânica pela primeira vez nos tempos de faculdade de Jornalismo. Foi um impacto enorme. Ainda hoje, é um filme contundente e atual, apesar de não ser mais tão violento assim (porque, veja bem, o cinema tem, cada vez mais, empregado a violência nas telas e nós acabamos por nos acostumar).

O texto faz parte do especial do Cinema de Buteco em homenagem a Stanley Kubrick, um grande diretor que tem obras icônicas do cinema. Pode ser lido aqui.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

De novo, o arroz (eca!)

Já contei inúmeras vezes aqui que tenho uma relação bem esquisita com arroz (aqui, aqui, aqui, aqui). ma mistura de nojo e de medo que eu não consigo explicar e vem desde que eu tinha uns seis anos. Até então, comia arroz numa boa. A partir dessa idade, nunca mais.

Quem convive comigo sabe e até brinca com isso. São muitos amigos que me chamam pra comer uma galinhada ou pra enfrentar o PF do Manjuba (tenho pavor só de pensar no ambiente. Quem come PF no Manjuba derrama arroz por todos os lados, é nojento). Muitos disseram que jogariam arroz cozido em mim no dia do meu casamento. Quem é avisado da minha repulsa ao arroz pela primeira vez invariavelmente me pergunta "afinal, o que é que você come?", como se a comida do mundo fosse só arroz.

Gente, existe vida além do arroz! 

Minha relação com essa comida é praticamente uma fobia. Existem algumas fobias alimentares e a fobia de arroz parece não ser muito comum. O nome já é esquisito o suficiente: Oryzasativafobia ou Zizaniafobia

Acredito que seja algo fóbico porque já me descontrolei ao encontrar um único grão de arroz no meu prato, junto com o feijão (que eu adoro). Já troquei de prato porque o meu tinha sido "contaminado" por arroz. Já quase vomitei na mesa quando a travessa de arroz veio parar na minha frente (depois, adquiri a capacidade de comer sem olhar para o que mais está na minha frente). Otávio, meu irmão mais novo, adora me irritar com isso. Ele se senta à mesa de almoço e começa a mexer o arroz da travessa com uma colher para encerrar qualquer tipo de conversa comigo. 


Um dia, comecei a pensar que isso poderia mudar. Não que eu queira comer arroz algum dia... meu objetivo é não me importar tanto mais em estar perto de arroz ou de ver alguém comendo. Um passo importante foi ter conseguido, um dia, ir ao Manjuba com o Leo. Consegui encontrar uma mesa e uma cadeira sem grão espalhados, não olhei pro chão lotado de arroz e nem pro Leo comendo a feijoada de lá (que dizem que é muito boa). Não comi nada, mas consegui sobreviver. Também já consegui não entrar em pânico com um grão perdido no meu prato (como está mais ou menos nesse conto aqui). Outra coisa positiva é que consigo ir à degustação de risoto do Escadabaixo com o Leo sem pirar. Tenho conseguido conversar normalmente enquanto ele come.


Em nossa última ida à degustação, o chef veio conversar conosco e perguntar como estavam os pratos. Leo elogiou bastante e chef perguntou se ele comeria também o risoto de sobremesa (a degustação, toda quarta, tem cinco risotos salgados e um doce). Leo disse que sim e ficamos lá esperando sair o prato. Quem veio servir foi o próprio chef. Com dois pratos, um pro Leo e outro pra mim. Era um risoto com chocolate e avelãs. O cheiro estava delicioso, bem "achocolatado". Mas... era arroz. Abri um sorriso amarelo e, morrendo de vergonha, expliquei que não como arroz. Ele pediu desculpas e eu fiquei com vontade de virar avestruz e esconder o rosto num buraco do chão. Leo, claro, estava rindo da situação.

Se vou conseguir me acostumar com o arroz, não sei. Comer, jamais!