sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #11

Mais coisas legais que ando lendo:

1 - Pra que um livreiro compraria um Kindle?
Uma reflexão muito legal do Valter, meu amigo, dono da melhor livraria de Ouro Preto, a Set Palavras. O blog já é uma graça, sempre com textos interessantes. Este fala sobre livros virtuais e livros "de papel" e suas respectivas experiências de leitura.

2 - Can't pay, cant't play
A Inaiê Ramalho me foi apresentada pela Bel e eu me divirto lendo suas aventuras pelo mundo. Há alguns meses ela se mudou, com a família, para o meio dos Estados Unidos e tem sofrido bastante com as diferenças culturais. Tudo tem gerado histórias muito bacana. Esta, em especial, é bem triste. E faz a gente valorizar um pouco certas coisas que temos aqui no Brasil.

3 - Oficina literária
O blog do Santiago Nazarian é muito bacana para quem gosta de literatura e de escrito. Aqui ele fala sobre algumas técnicas para escrever. Vale ler.

4 - Edição luxo de O retrato de Dorian Gray
Este é o meu livro favorito de todos os tempos. Li várias vezes quando mais nova, sempre amando cada página, cada linha. Reli agora, para o Clube de Leitura, e foi a mesma delícia de sempre. Aí fico sabendo que a editora Globo lançou, pela Biblioteca Azul, uma edição maravilhosa, que vale como um presente de aniversário ou de Natal. Alguém se habilita?

5 - Personagens femininas
Coisa linda da Nathália Pandeló, que é uma jornalista antenada em cinema, literatura e cultura. O texto é uma reflexão sobre personagens femininas e livros femininos e é muito, mas muito bacana.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Citações 37

De Hannah Arendt, em A condição humana:

Para os gregos, forçar alguém mediante alguma violência, ordenar ao invés de persuadir, eram modos pré-políticos de lidar com as pessoas, típicos da vida fora da polis, característicos do lar e da vida em família, na qual o chefe da casa imperava com poderes incontestes e despóticos, ou da vida nos impérios bárbaros da Ásia, cujo despotismo era frequentemente comparado à organização doméstica.


Certos progenitores deveriam ter lido isso antes de se aventurar a ter filhos.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Inhotim

Inhotim sempre pareceu um sonho. Um cara que abre um museu de arte contemporânea em uma cidadezinha da periferia de BH, com obras grandiosas - fala se não parece coisa da sua imaginação...
Tem sei lá quantos anos que o museu foi aberto e eu nunca fui visitar. Sempre com vontade, sempre querendo e nunca podendo.

Daí que no dia 3 de agosto Leo e eu fomos tomar um café na Set Palavras antes do Leo ir pra uma oficina de fotografia de estúdio que ele estava fazendo. Pausa pra dica: os bolos da Set são ma-ra-vi-lho-sos. O de limão, então, é o melhor do universo. Com o capuccino Pasoline então, fica perfeito.

Voltando... fomos entrando na Set e o Valter foi logo dizendo que tinha acabado de me mandar uma mensagem, mas com o celular dentro da bolsa, não escutei. A mensagem era essa: "vamos pra Inhotim amanhã?". Não tinha mais nada pra dizer a não ser "sim, claro, super quero". E lá fomos nós no dia seguinte: Leo e eu, Valter, Zélio e Valéria.

Passamos o dia todo lá e não deu pra ver tudo. E como tem coisa pra ver! Uma das nossas decisões acertadas foi comprar o transporte por carrinho de golf. São vinte reais a mais no preço da entrada, você pode optar por isso ou não. Mas tem tanta coisa tão longe que sem o carrinho a gente não teria visto a metade do que vimos.

O que eu achei sensacional foram duas instalações (não lembro os nomes) sonoras. A primeira, na galeria pertinho da entrada do museu, é tão emocionante, mas não emocionante que foi preciso me segurar pra não começar a chorar. Também foi muito bacana a instalação de Chris Burden com metais, as cinco Cosmococas, do Hélio Oiticica, a galeria do Miguel Rio Branco (uma porrada, viu?). As duas instalações do Cildo Meireles acabaram comigo. Sabe quando você fica tão afetado pela obra que perde o ar? Foi uma coisa  tão forte, mas tão forte que a visita acabou ficando vários dias na minha memória. A instalação de Marilá Dardot é muito bacana. São vários vasos de plantas em formato de letras em uma colina e todo mundo monta frases e nomes. Claro que fiz meu nome, mas deve ter ficado na câmera do Leo e eu não consegui pegar ainda.

Os jardins de Inhotim foram projetados por Burle Marx e são lindos! Fotografamos muito os lagos, as carpas, as plantas, as árvores. Os jardins podem ser fotografados, mas a maior parte das obras não. O que é uma pena...

Abaixo, algumas fotos do nosso dia divertidíssimo em Inhotim (e que turma boa pra estar junto, né?).

Leo quando a gente estava iniciando a visita

Leo, Valéria, Valter, na frente do Zélio, que está de blusa preta comprando água

Instalação de John Ahearn e Rigoberto Torres, que usou pessoas de Brumadinho como modelos

Nós e as carpas, as carpas e nós

Jardins

Leo fotografando um dos lagos

Obra de Jarbas Lopes (achei suuuuuper sem graça...)

Autofoto e carão (tamos gordinhos, né?)

Uma das obras de Chris Burden, sensacional

Galeria da Adriana Varejão (gostei mais do prédio que das obras)
Obra de Mathew Barney

Obra de Doug Aitken, com o som da terra


Na galeria de Doug Aitken aconteceu algo muito engraçado. No início de cada obra tem a explicação tanto do objetivo do autor quanto do processo de construção. A obra é um "buraco" de 202 metros chei de microfones para captar o som da terra. Daí que é preciso entrar lá e ficar calado escutando o barulho. Entramos junto com outras pessoas. Aí veio uma mulher pra perto da gente e perguntou, indignada, como é que tinham cavado tanto e não achado água. E o Leo, com todo aquele jeito legal dele #not, começou a falar sobre a existência dos lençois freáticos. Foi impossível não rir...

Enfim, quero muito voltar lá, ver o que não vi, rever o Cildo Meireles e a Cosmococa, caminhar mais, desbravar o espaço enooooorme. Quem vier a BH ou OP deve separar um dia pra visitar Inhotim. É de babar, de verdade.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sábado, 24 de agosto de 2013

Livro: Meditações sobre a Filosofia Primeira

Esse foi um dos últimos livros publicados por Descartes, salvo engano. Ele já tinha bagunçado o mundo com a publicação de O discurso do método, em que lançou a famosa frase "penso, logo existo" (ou cogito, ergo sum). Nas Meditações ele fala sobre a dúvida lançada anteriormente e explica como a razão deve ser a base para todos os pensamentos.

Até então, o mundo tinha algumas verdades inabaláveis e elas vinham da Bíblia e dos textos de Aristóteles (São Tomás de Aquino dizia que Aristóteles era pagão, mas escreveu inspirado por Deus). Alguns filósofos começaram a questionar essas verdades. Descartes começou a questionar os sentidos. Algo que eu vejo de longe e que parece uma coisa, mas de perto é outra diferente. Ou um bastão que, ao ser colocado na água, parece estar quebrado mas, ao ser retirado da água está inteiro. Para Descartes, estava muito claro que os sentidos são enganadores.

São seis meditações que explicam como Descartes vê o mundo e como ele pensa a razão. Em duas meditações ele prova a existência de Deus. Em geral (e bem, mas bem grosso modo), ele diz que a nossa mente não pode criar algo que não exista no mundo. Mesmo que possamos imaginar um unicórnio, juntamos duas coisas que existem: cavalos e chifres. Criamos um ser que não existe baseado no que já conhecemos. E se a nossa mente consegue pensar em alguém tão bom e tão perfeito como Deus, é porque Deus existe.

Não fiquei muito satisfeita com essa explicação. Mas, vá lá, o pensamento da época era assim e essa é considerada, na Filosofia, uma das provas da existência de Deus, mesmo que não prove nada efetivamente.

A linguagem é um facilitador do livro. Descartes escreve de modo bem didático, o que faz com que seja fácil assimilar um conteúdo que é, à primeira vista, bem complexo. É bacana perceber o caminho que ele faz até decidir que os sentidos nos enganam e que devemos nos guiar pela razão. E, por mais que ele tenha sido criticado por outros filósofos e até por nós mesmos, é muito bacana demais seguir o caminho traçado por Descartes.

Li o livro pra disciplina História da Filosofia - Filosofia Moderna I e adorei.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Ou isso ou aquilo?

Adoro um meme. Esse, vi no blog Leitora Compulsiva há muitos anos. E resolvi fazer agora.

1 - Audiobook ou livro?
Livro, sem dúvida. Apesar de nunca ter optado por um audiolivro. Acho que só deve valer a pena para quem costuma "frequentar" engarrafamentos, o que não é o meu caso.

2 - Capa dura ou capa mole?
Acho que cada uma tem o seu lugar. Capa dura é sempre bom, dá mais segurança ao livro, fica mais bonito na estante. Mas a capa mole ajuda a ler, especialmente em livros de bolso. Engraçado que, quando compro livros em sebo, em geral procuro os da editora Círculo do Livro, que são de capa dura.

3 - Ficção ou não-ficção?
Ficção sempre. Mas também curto não-ficção. Na verdade, gosto de aprender com livros. E dá pra fazer isso com os dois tipos. Há certos livros de não-ficção que são maravilhosos, que entram fácil na lista de "livros da vida".

4 - Harry Potter ou Crepúsculo?
Nunca li Crepúsculo nem quero ler. E amei a série Harry Potter.

5 - E-book ou livro?
Livro. Mas também curto e-book. No geral, quando gosto de um e-book acabo comprando o livro em papel.

6 - Comprar ou pegar emprestado?
Emprestado só se não tiver como comprar. E se for bom, pra comprar depois. Lembro que peguei Vastas emoções e pensamentos imperfeitos com uma colega de cursinho, acabei de ler e fui comprar o meu.

7 - Livro único ou série?
Prefiro único porque é bom terminar a história e não ficar morrendo de curiosidade pra ler o resto. Fui ler Os homens que não amavam as mulheres e Jogos vorazes e tive que ler os outros livros em sequência. É por isso que não me aventuro a ler Guerra dos Tronos porque teria que ler em seguida os outros livros e, atualmente, não tenho tempo pra isso.

8 - Livraria física ou on-line?
On-line só se a física não resolver. Nada é melhor do que entrar numa livraria, passear pelos corredores, escolher livros, folhear, ler a quarta capa, as orelhas. E a melhor livraria do mundo fica aqui em Ouro Preto, é a Set Palavras.

9 - Livro longo ou curto?
Não importa. A história precisa ser boa. E só.

10 - Drama ou ação?
Os dois.

11 - Prefere ler no seu canto ou tomando sol?
Em qualquer canto, em qualquer lugar, a qualquer hora.

12 - Chocolate quente, café ou cha?
Chocolate quente.

13 - Prefere ler a resenha ou decidir por si?
Uma boa indicação tem seu lugar. Por isso que é bom ter um livreiro favorito (né, Valter?) e fuçar blogs. Mas se eu tiver muito a fim de ler um livro, só leio as resenhas depois.

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terça-feira, 20 de agosto de 2013

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #10

Mais algumas coisas interessantes que tenho lido por aí:

1 - O conceito de família é amplo e o único fator invariável é o amor
Leio o blog Teia de Renda há um tempinho e adoro. A Tayra é bastante espirituosa e traz sempre alguma coisa interessante. Neste texto ela fala sobre um livro que trata muito naturalmente dos relacionamentos homoafetivos. É uma aula de respeito. E me fez lembrar a minha amiga Simone, que sempre diz que é a favor do amor. E ponto.

2 - Adivinharam o futuro
Uma animação ao estilo mais clássico da Disney que tem muito a ver com os dias de hoje. No blog do Pablo Villaça. Ah, essa mídia...

3 - O parto da Constança
A Luiza Diener, que tem um blog muito legal sobre maternidade, optou por ter um parto natural e em casa de sua segunda filha. Enquanto lia ela falando sobre isso, achava que seria uma loucura. Mas depois que vi o vídeo do parto, foi impossível não me emocionar. Pra começar, ela deixou pra saber o sexo na hora do nascimento. E em todo o vídeo ela e a família passam a emoção que foi a chegada do novo bebê. O vídeo é todo lindo, mas é especial o momento em que ela vê que era uma menina. No post é possível ter acesso ao relato do parto, que também é lindo e emocionante.

4 - Deu vontade de agarrar o livro a-go-ra
O blog é o Livrada! que tem sempre resenhas incríveis sobre livros que dão muita vontade de ler. Aqui o Nego Dito fala de A sonata a Kreutzer, de Lev Tosltói. E, olha, deu vontade de conseguir esse livro pra ontem.

5 - Cigarros e chocolate
A Lud, que tem um blog delicioso junto com o marido Leo, fez uma reflexão curtinha, mas muito interessante sobre o vício em cigarros e chocolate. Vale ler.

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domingo, 18 de agosto de 2013

Da net

Já indiquei a tirinha Malvados aqui. E essa aqui é sensacional.





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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Pra entender

Sempre digo que, ao menos uma vez por mês, eu queria ter nascido homem.

Aí a página da Arquitêta no Facebook publicou exatamente o motivo:


Estamos entendidos?
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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Citações 36

De Meio sol amarelo, de Chimamanda Adichie.

"Olanna pôs delicadamente um travesseiro sob sua cabeça e sentou-se, pensando em como um único ato podia reverberar através do tempo e do espaço e deixar manchas que nunca mais poderiam ser lavadas. Pensou que a vida era efêmera e que o melhor era não optar pela tristeza."

domingo, 11 de agosto de 2013

Livro: A metamorfose

Minha analista (ou será ex-analista) sempre me disse que as coisas acontecem na hora certa. Talvez seja por isso que só agora eu li A metamorfose, de Franz Kafka. Acho que, se tivesse lido há alguns anos, não teria sido bom pra mim.

O livro conta a história de Gregor Samsa, um caixeiro-viajante que mora com os pais e a irmã. A família foi à bancarrota e Gregor é obrigado a trabalhar para saldar a dívida dos pais. A irmã caçula, Grete, é ainda jovem e muito mimada por todos da família.

Mas Gregor acorda um dia se sentindo diferente. Ele tem dificuldades de se virar na cama e percebe que perdeu a hora para o trem das sete. Faltam 15 minutos para o trem sair e ele não consegue ao menos se sentar. Ele não é mais humano, foi transformado em um inseto.

Sempre que ouvia falar do livro era isso: o homem que virou um inseto (e geral falam em barata, mas a única hora em que há uma definição é "besourão"). E eu ficava imaginando como seria o processo de mudança, como seria a vida dele antes e o que aconteceu depois. O susto inicial é que a história começa logo com a transformação. E o desenrolar da história é praticamente uma patada atrás da outra. Não acredito que seja possível ler e não se abalar com a narrativa.

O mais impressionante não é a mudança repentina de Gregor, mas a forma como todos a encaram. Ele parece sereno, julgo que até entende a reação de sua família. A dificuldade de todos em olhar para ele está sempre presente. A mãe tem problemas sérios para entrar no quarto de Gregor. E, para facilitar a vida de todos, ele se esconde, de modo que a irmã possa entrar no quarto e levar comida.

Mas a falta do provedor da família faz com que todos precisem se virar. O pai volta a trabalhar, a irmã arruma um emprego, a mãe começa a costurar. E a família ainda aluga um quarto da casa para três senhores. Enquanto isso, Gregor permanece preso em seu quarto, longe dos olhos dos forasteiros e longe da família.

O livro é curto e bem direto, é possível lê-lo em poucas horas. Mas o impacto é enorme! Fiquei dias tentando digerir aquele monte de informações e fazendo links imediatos com a história de vida da minha irmã, porque parecia estar tudo bem com ela até que um dia ela surtou. E a reação da minha família foi bem parecida (ainda hoje algumas pessoas agem como se o transtorno dela fosse passível de ser escondido, trancafiado, ignorado.

Doeu, viu?


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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Filme: Na Estrada

On the road - 2012 (mais informações aqui)
Direção: Walter Salles
Roteiro: Jose Rivera, com livro de Jack Kerouac
Elenco: Sam Riley, Garrett Hedlun, Kristen Stewrt

O livro On the road é um clássico da literatura americana e do segmento Beat. Marcou tanto uma época e o espírito dessa época que muita gente achou que seria impossível transportá-lo para o cinema. Vários projetos foram iniciados e não concluídos. Um deles envolvia Johnny Deep.

Aí veio Walter Salles e levou a empreitada a diante. E foi alvo de várias críticas. Achei essas críticas injustas. Gostei mais do filme do que do livro (apesar de não ser possível compara obras de mídias tão diferentes), provavelmente por ter visto o filme antes.

Sal Paradise, um garoto de Nova York que sonha ser escritor, mas também quer curtir a vida sem ter amarras, é quem conta a história. Ele escuta falar de Dean Moriarty, um aventureiro vagabundo, sempre na estrada. E é com Dean e sua esposa Marylou que Sal cai na estrada, em viagem para San Francisco.

O filme é mais solar que o livro - até por limitações da própria mídia, o que faz a história ficar mais leve, menos densa, menos depressiva. Mesmo os momentos de crise de Sal são mais abertos e esperançosos. Por outro lado, o filme melhora bastante a personalidade destrutiva de Dean. Pelo filme dá até pra tentar imagina que diabos Sal viu em Dean para idolatrá-lo tanto. E Sal continua bobão, tanto no livro quanto no filme.

Um mérito do diretor é fazer Kristen Stewart atuar, tirar o rosto a eterna cara de blasé sem sentimentos (exagerada!). É o primeiro filme que vejo com ela em que a atuação é, ao menos, favorável.

Achei um bom filme, no geral. Li o livro depois (e este texto está bastante atrasado...) e não curti muito - achei que era mais adequado para idades mais jovens. Já no filme, não senti essa diferença.

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domingo, 4 de agosto de 2013

Livro: Um passarinho me contou

Sou fã incondicional do Twitter. Muito, mas muito mesmo. Pra mim, não tem nada melhor no mundo nas redes sociais. Porque o Twitter é democrático, acessível, direto, um mar de informações (boas e ruins, claro), um monte de ideias novas, muita gente interessante. O trabalho não tem me deixado ficar muito tempo à disposição da ferramenta, mas continuo sendo leitora fiel. Abro o Hootsuite (que é o melhor gerenciador do Twitter que eu conheço) assim que chego no trabalho e fecho quando estou indo embora. Estou sempre com ele aberto quando estou vendo um jogo de futebol ou de vôlei, e até quando vejo novela, porque acompanhar os comentários de novela no Twitter é muito divertido.

Quando a Bel comentou comigo sobre o livro Um passarinho me contou, da Rosana Hermann, fiquei bem interessada em ler. A Rosana é uma pessoa bem singular. É formada em Física, mas vive no mundo do jornalismo. Tem conhecimento de tudo pra dar e vender, é uma pessoa multiconectada, que acompanha todas as novidades do mundo virtual e mantém o pé no chão de uma forma admirável. Sigo ela há uns bons anos, antes do Twitter e na ferramenta desde sempre, acho.

No livro, Rosana desvenda o passarinho azul. Fala sobre as principais questões que envolvem a ferramenta, para qualquer pessoa que se aventure a criar uma conta. Com uma linguagem leve e envolvente, ela fala de aplicativos, de eventos, de vaidade, de hackers, de erros e acertos, de possibilidades. Uma delícia pra quem gosta do Twitter e pra quem trabalha com ele. E conta histórias e casos e conhecimentos que só puderam acontecer porque quatro amigos decidiram criar o site e se abriram para receber o uso que foi feito dele. Como o caso do RT, que não foi uma possibilidade do início, pensada pelos criadores, mas algo que veio dos próprios usuários.

"Mas o mais bonito do Twitter, acho eu, é aprender o que há tantos anos os budistas nos mostram: só existe o agora. O passado já foi, o futuro não veio. O agora é tudo o que temos. E o Twitter é exatamente isso, um agregador de centenas de milhões de pessoas reportando o agora, tuitando o mesmo momento". Lindo isso, Rosana.

Mas a Rosana não fala só do lado bom do Twitter. Ela também fala de como a rede (todas as redes sociais, na verdade) têm a capacidade de transformar quase tudo num ringue, "mesmo quando as pessoas não estão brigando". Pois é, né... nem numa coisa bacana nós perdemos a capacidade de achar que estamos sendo ofendidos...

Vida longa ao Twitter!

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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Yes, we C.A.M.

Ou: de como fui parando de falar de times de futebol nas redes sociais

Já falei algumas vezes do meu time aqui, aqui, aqui e aqui. Não contei como comecei a torcer pro Galo e, pra isso, devo fazer uma reverência ao meu vizinho Ike. Quando me mudei pra BH, tinha 6 anos. E o prédio tinha um playground enorme e era cheio de crianças mais ou menos da minha idade. Tinha muito mais meninos que meninas, e como eu sempre fui mais pro lado das brincadeiras masculinas, me identifiquei logo de cara. E o Ike, com uma bola de futebol nas mãos, foi logo perguntando pra que time eu e meus irmãos torcíamos. Como aqui em casa ninguém era fanático por futebol, eu nem sabia que tinha essa coisa de time. Perguntei que times existiam e ele disse: "Atlético e Cruzeiro". Como, na época, Cruzeiro era o nome da moeda do Brasil e eu não queria torcer pra dinheiro (desde pequena desapegada, hahaha), resolvi ali que ia torcer pro Atlético. Pra felicidade da maior parte dos meninos do prédio (custou a ter um cruzeirense por lá) e pra minha também, porque sou feliz por ser atleticana. Mesmo nas derrotas, mesmo nas humilhações. Como dizia o Roberto Drummond: Se houver uma camisa branca e preta pendurada num varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento. Eu torço contra o vento. 

E daí que é natural fazer piadinha com os amigos cruzeirenses ou de outros times. É natural brincar com os amigos, seja o tema que for. Mas a gente vai aprendendo que existem pessoas que não sabem brincar. Com essas, a gente só fala a sério. Eu sei, hoje, com quem eu posso brincar e quem vai se ofender com qualquer coisa que eu falar. Só que apareceram as redes sociais e a coisa foi ficando feia. Primeiro com o Orkut, depois com o Twitter (que eu amo de paixão) e com o Facebook. E cada postagem de futebol começava a envolver briga. Começou com uma pessoa que eu conheço e que o Leo não gosta. Leo é cruzeirense, mas não é torcedor. Só que o garoto foi mexer com ele. Assim, de graça, do nada. E eu comecei a reparar como essa pessoa faz questão de ser chata quando o assunto é futebol. Daí pra reparar em mais um monte de pessoas, foi um pulo. 

E eu comecei a notar o quanto a torcida do futebol em geral é machista e sexista. Isso veio com o aumento das minhas leituras sobre feminismo porque, até então, eu não via nada de mais. Cruzeirense é chamado, em geral, de Maria ou de Smurfete. Atleticano é chamado de Franga. São-paulino é chamado de Bambi. Gente, pra quê isso???



Sério mesmo: por que reduzir uma coisa boa, que é o esporte, a um campo de batalha verbal e física, cheio de agressões pra todo lado? Isso acaba estragando o bonito do esporte, que é a torcida apaixonada e dedicada ao time. E só ao seu time. Enfim...

Assim, fui parando de comentar sobre o Galo nas redes sociais. No Facebook, então, praticamente me proibi. Só comento quando sou marcada em alguma postagem, desde que ela não seja excludente, sexista ou ofensiva. Nesses casos, desmarco meu nome e sigo a vida feliz. No Face, só comento quando é jogo do Brasil, seja de que esporte for. Mas ainda estou em fase de recuperação. Falo mais sobre o Galo no Twitter, mas mesmo assim é bem pouco, pra evitar passar raiva com essa animosidade ridícula que tem tomado conta das redes sociais.

Isso, por outro lado, não me impede de torcer, e muito, pelo Galo. Sempre. Como num casamento: na alegria e na tristeza. E ultimamente, veio muita alegria! Mas como ainda ando sofrendo com taquicardia causada por estresse (é sério!), optei por não ver os últimos jogos da Libertadores da América. Não vi Galo X Tihuana, nem a defesa fantástica do Vitor ao pegar um pênalti no final da partida. Não vi Galo x Newells Old Boys e tudo ser definido nos pênaltis. Não vi a final contra o Olimpia e os gols sofridos, a defesa do Vitor e a bola na trave do jogador do Olimpia ao final. Só vi cada jogo depois. Só chorei em cada lance depois. Só vibrei e tive vontade de gritar depois. Porque só assim pra garantir minha integridade física (e eu ando precisando muito dela). E, mesmo com a vontade de gritar, de falar, de comentar, me abstive de comentar nas redes sociais. Porque nada poderia ser mais bonito que a vitória do Galo, com sofrimento, como sempre. Nada, nenhum torcedor idiota, do meu time ou de outros, poderia manchar a vitória do Galo. E foi melhor assim. Me abstendo de ver os comentários sexistas, as piadinhas sem graça, as besteiras publicadas em cada canto. Cada um é livre pra falar o que quiser, desde que não ofenda o outro. E eu sou livre pra não compactuar com esse clima de guerra que tem cercado, cada vez mais o futebol.

Porque, pra mim, esporte é diversão. É para aliviar a alma do peso do dia a dia, é para juntar amigos e rir bastante, para rir e contar piadas que sejam realmente brincadeiras saudáveis. É para ter muita emoção, como foi a do meu amigo Ricardo, atleticano roxo, que chorou após a vitória e fez o Yann, filho dele (e meu sobrinho do coração) comentar que nunca tinha visto o pai chorar. Não é pra brigar, ofender, desqualificar, agredir (com palavras, com gestos ou atos).

Para ler um texto lindo sobre as vitórias do Galo no Libertadores, tem este aqui, do blog da jornalista Ana Paula Pedrosa.

E, só pra completar, tem Leo e eu, há alguns anos. Ele com a camisa do Cruzeiro, eu com a camisa do Galo, e a gente juntos, sendo felizes, mesmo com as nossas diferenças.

Eu de cabelo curto, ele sem barba. 


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