segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #13

Alguns links que salvei no Reader para ler depois e que continuaram me impactando.

1 - Preconceito
Mais um texto da Inaie Ramalho, sobre a vida dela no Estados Unidos. Aqui, ela fala sobre o preconceito racial a partir de um fato vivido por sua filha adolescente.

2 - O maior inimigo dos blogueiros
O Eduardo Monteiro (que não é parente) escreve sobre cinema. E aqui ele fala sobre o plágio. Ele tem sido uma das pessoas que mais briga, atualmente, contra o plágio e para a punição dos plagiadores. Aqui ele mostra vários casos e como algumas instituições preferem fechar os olhos a coibir os copiadores. Boa reflexão.

3 - mulher
Reflexão bem interessante da Clara Averbuck sobre as muitas coisas que envolvem a vida de uma mulher atualmente. Não são poucas, são impositivas, são invasivas e, putz, que raiva desse mundo machista!

4 - Boas razões para não largar um livro
Texto muito bom (como são todos) do Danilo Venticinque, editor da Revista Época e colunista no site para o assunto Livros. Vale dar uma viajada pelo blog, que só tem textos bacanas.

5 - De repente 30 (e algo...)
A Tayra sempre traz alguma coisa interessante. Aqui, ela mostra um "tutorial" para se dançar Thriller, do Michael Jackson. O que me lembra os meus ensaios com o Breno para os casamentos da família Borges.

6 - 10 livros para idiotas
Não, não são livros idiotas. São livros para idiotas. Pra vários tipos de idiotas. Até o meu livro favorito, O retrato de Dorian Gray, está lá. Dá para dar umas boas risadas. O texto é do Livros só mudam pessoas.

7 - "10 livros para idiotas [?]" e 1 texto para o maior deles
E o texto acima deixou algumas pessoas bem irritadas. Uma delas foi o Gustavo Magnani, que publicou no Literatortura um artigo resposta. E ele falou muita coisa interessante também, vale a leitura.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sábado, 28 de setembro de 2013

Livro: A casa dos budas ditosos

Quando li a Trilogia 50 Tons, fique bem brava com o livro, que, entre outros defeitos, é muito mal escrito. No texto que escrevi na época, comentei que A casa dos budas ditosos era bem melhor e, ainda, bem escrito. E deu vontade de voltar ao livro.

Ele fez parte da coleção Plenos Pecados da editora Objetiva. Ainda me arrependo de não ter lido todos os livros da coleção. Fazem parte da coleção:

- Preguiça: Canoas e marolas, de João Gilberto Noll;
- Luxúria: A casa dos budas ditosos, de João Ubaldo Ribeiro;
- Gula: O clube dos anjos, de Luiz Fernando Veríssimo;
- Inveja: Mal secreto, de Zuenir Ventura;
- Avareza: Terapia, de Ariel Dorfman;
- Soberba: O voo da rainha, de Tomás Eloy Martinez;
- Ira: Xadrez, truco e outras guerras, de José Roberto Torero.

Li A casa dos budas ditosos, O clube dos anjos  e  Xadrez, truco e outras guerras (que foi o que eu mais gostei).

A casa dos budas ditosos é um romance narrado em primeira pessoa por uma mulher baiana de 68 anos. Ela não tem nome e isso pouco importa. Ela conta suas aventuras sexuais desde criança e é bem verborrágica, seja nas descrições, seja quando resolve pensar na vida e analisar o mundo. E ela vai desfiando histórias, algumas engraçadas, outras mais sérias, todas bem picantes. A justificativa pra escrever é que ela tem pouco tempo de vida e resolver registrar a sua história. E é uma super história.

A personagens mais marcante do livro, fora a narradora, é Norma Lúcia, melhor amiga de juventude da baiana. Ela é tipo a guia sexual da narradora, uma mulher liberal e aberta a toda e qualquer experiência. A liberdade de pensamento e ação de Norma Lúcia é de se admirar, levando-se em conta sua "posição social" e a sociedade da época. E as duas mostram que é possível ser livre, sem amarras.

No preâmbulo, o autor afirma que recebeu a história anônima e decidiu publicar. Aí fica aquela dúvida: a história é verídica? Ou é uma ficção muito bem engendrada pelo autor? De toda forma, o que vale é a experiência da leitura. E a releitura, como foi o caso agora, é ainda mais enriquecedora.

Como eu já tinha dito: quem quer uma boa história erótica ou pornográfica muito bem escrita, este livro é uma ótima pedida.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

É o amor...

Naquelas crises em que a gente quer ser mesmo muito amado...

Eu: Pé, você me ama mais que tudo no mundo?
Leo: Sim, eu te amo mais que tudo. Só menos que quiabo. Adoro quiabo.

Tem como não amar esse Leo?

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Citações 39

Do conto O marinheiro, em Triângulo das águas, de Caio Fernando Abreu:

Talvez num novo outro, o outro antigo voltará. Junto com as palavras claras vinha um cheiro vivo de mar. Parado ali no chão, eu sentia que dentro de mim alguma coisa nova estava nascendo. Ou pressagiava o que viria também de fora e seria completo, pois são completas as coisas quanto acontecem depois de anunciadas por dentro, criando um estado capaz de receber o que virá de fora. Como um telegrama, um telefonema, um aviso qualquer previamente anunciando a chegada, para que se possa arrumar a casa, tirar a poeira dos cantos, preparar a cama, trocar lençóis, limpar pratos, poltronas, recebendo o hóspede ao mesmo tempo desejado e inevitável. 

domingo, 22 de setembro de 2013

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #12

Citei em algum post aí pra trás que estou meio viciada nos canais literários do Youtube. Desde que conheci, pela indicação da Aline Mangaraviti, fiquei fascinada. E hoje vou linkar aqui os que eu acho mais legais.

1 - Tatiana Feltrin
Ela é a brasileira que começou a fazer vídeos sobre livros. Se tem uma porrada de canais hoje, tudo é influência da Tati. Ela é professora de inglês e leitora voraz. E sempre tem uma coisa bacana pra falar. Os vídeos dela são os meus preferidos.

2 - LidoLendo
Cheguei no canal da Isa por uma indicação da Tati Feltri e adorei. Ela tem uma voz tão bacana, tão levinha... Também é uma leitora voraz e sempre traz um ponto de vista interessante sobre os livros que lê.

3 - Patrícia Pirota
Mais uma indicação da Tati Feltrin. A Patrícia é a mais engraçada de todas. Ela tem um estilo bem rocker e tem umas tiradas muito divertidas.

4 - O batom de Clarice
Canal da Juliana Gervason, que é professora de Literatura e tem as análises mais profundas sobre literatura. Desde a graduação até o doutorado, ela estudou Clarice Lispector.

5 - Garota It
Não sei onde achei esse canal, comandado pela Pam. Mas gosto bastante, é bem informativo.

6 - Respira, Mariana
Canal da Mariana Gastal, uma mocinha que mora em Brasília e que também é apaixonada por livros.

Esses são os meus preferidos, nessa ordem.
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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Livro: [manual prático de bons modos em livrarias]

Foi o Valter quem encontrou a Hillé e seu blog [manual prático de bons modos em livrarias]. E eu virei fã. Coloquei no Reader e sempre leio as atualizações. Algumas histórias são hilárias. Outras parecem surreais.

Mas o tempo passou e a Hillé, que na verdade se chama Lilian, lançou o livro [manual prático de bons modos em livrarias] e eu logo fiquei na pilha pra comprar. Comprei e deixei na minha pilha quilométrica de leitura. A questão é que não consegui esperar muito. Terminei o livro que estava lendo e, na sequência, abri o da Hillé. E li numa sentada. Rindo horrores. Pensando muito. Foi muito divertido.

Além dos casos já consagrados no blog, ela levanta outros e dá um tratamento diferente, alguns agrupados por tema. Os casos são deliciosos. Alguns levam a pensar sobre a educação no Brasil, sobre a falta de bons modos em geral, sobre a falta que a leitura faz na vida das pessoas. Outros são completamente insanos, parecem absurdos. O que envolve o livro Água para elefantes me fez parar, fechar o livro e ficar alguns minutos gargalhando sem parar.

No final, a Hillé lista algumas das melhores livrarias do país, aquelas que não são megastore e que proporcionam amor os leitores. E a Set Palavras (a minha livraria preferida e a melhor de Ouro Preto) está lá. Também tem uma série de links de blogs e sites sobre livros. Alguns eu conheço, outros não. E vou tratar de conhecer, em breve.

Leitura pra "desopilar o fígado". Super recomendado.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Os sete pecados capitais da leitura

Olha, vi essa tag em vários canais literários que tenho seguido por aí. Não sei nem mais dizer em qual vi primeiro. Depois vou linkar os principais canais que tenho seguindo e que estou curtindo.

A proposta é responder a sete perguntas sobre livros. Vamos a elas:

1 - Ganância: qual o seu livro mais caro? E o menos caro?
O mais caro é O Aleijadinho, organizado por Márcio Jardim e outros dois autores. É uma compilação das obras reconhecidas e das atribuídas ao mestre do Barroco mineiro. Não lembro exatamente quanto paguei nele, mas foi mais de cem reais e foi há alguns anos.
O mais barato foi The best in the jungle, do Henry James, numa edição lindíssima da CosacNaify. Estava numa espécie de saldão na Fnac do BH Shopping e custou dois reais. Isso mesmo, um dos livros mais lindos que eu tenho, de um dos mestres da literatura universal, de uma editora reconhecida pelo capricho de suas edições. Dois reais...

2 - Ira: com qual autor você tem uma relação de amor/ódio?
Essa é muito fácil. Umberto Eco é o cara. Eu amo o trabalho dele, admiro demais como pensador, filósofo, linguista, comunicador. E adoro o trabalho dele como romancista. Mas... nos romances, sempre fico com preguiça da erudição que ele sempre "vomita" nas obras. Pô, cara, todo mundo sabe que você é muito erudito (e eu te admiro demais por isso), mas lugar de erudição é nos livros técnicos, nas obras de reflexão, não na literatura. Em todos os romances dele, lá pelo meio do livro eu quero jogar o volume na parede, de tanta raiva. Mas aí insisto, chego no final e me apaixono de novo pelo Eco.

3 - Gula: que livro você devorou sem vergonha alguma?
Eu devoro vários. E em geral não tenho vergonha disso. Eu tive vergonha de devorar a Trilogia 50 Tons. Vergonha por ter lido, por E. L. James ter escrito, pela editora ter publicado e pelas pessoas que se apaixonaram pelo personagem de Christian Gray, o cara mais machista e imbecil do romance atual.
Talvez seja a série Harry Potter, porque comecei a ler quando eu já estava formada, no meu segundo emprego como jornalista. E uma das minhas colegas de trabalho me criticou muito por ler esses "livros infantis, nessa idade". E eu li todos e amei, sem vergonha nenhuma de já ser adulta lendo os mesmos livros que garotos de 10 anos estavam devorando no momento.

4 - Preguiça: qual livro você tem negligenciado devido à preguiça?
Atualmente é o Zen e a arte da manutenção de motocicletas. Li esse livro antes de ler Harry Potter, há alguns anos. E gostei, mas não achei sensacional. Daí, quando voltei pra faculdade e escolhi cursar Filosofia, decidi voltar a ele. Eu gosto da história, do cara que viaja com o filho numa moto, acompanhado por um casal de amigos em outra moto, por estradas vicinais dos Estados Unidos, falando sobre motos e filosofia, juntando Hegel com carburadores. Mas comecei a ler e fui deixando de lado, para investir em outras leituras.

5 - Orgulho: qual livro tem mais orgulho de ter lido?
Não sei. Acho que a gente lê o que faz bem pra gente. E não acredito que ler alguma coisa seja motivo de orgulho. Escolho meus livros pelo estilo que me faz bem. Quando pego algo que não combina comigo, não me forço a terminar (mas em geral termino, pela curiosidade). E por isso, evito os estilos de livro que não curto, como auto-ajuda e chick-lit.
Ainda nesse mesmo pensamento, talvez eu possa encaixar aqui Os delírios de consumo de Becky Bloom, porque foi quase um suplício terminar de ler. E porque, talvez, o sentimento que eu tive ao fechar o livro possa ser comparado ao orgulho por ter vencido um livro tão ruim. Mas acho que o sentimento tá mais pra alívio.

6 - Luxúria: quais atributos você acha mais atraentes em personagens masculinos e femininos?
No geral, eu gosto de personagens que transgridam. Que tenham algum tipo de rebeldia. Que saibam fazer diferença sem serem quadrados.
Um exemplo é o Lorde Henry de O retrato de Dorian Gray, que é sarcástico, divertido, transgressor e sempre fala alguma coisa que me leva a pensar. Curto muito as passagens dele no livro.
Outro é Lisbeth Salander, da Trilogia Millenium (aqui, aqui e aqui).
Por outro lado, também sou apaixonada pelo Mr. Darcy, de Orgulho e Preconceito. Talvez porque ele não é um mocinho convencional e quadradinho, desses romances mais comuns, mas é autêntico, tem um bom toque de sarcasmo e de romantismo ao mesmo tempo.

7 - Inveja: que livros você gostaria de receber de presente?
Fica chato se a resposta for "todos"? Hehehe.
Na verdade, eu adoro ganhar livros. Seja um que eu não conheça, ou que já ouvi falar, que desejo, que já tenha, que tenha odiado. Gosto porque vejo que o "presenteador" me conhece um pouquinho. Gosto porque sempre tem lugar pra mais um livro (mesmo que não haja mais estantes disponíveis. Gosto porque antes um livro que eu possa ler, viajar, me divertir do que um perfume, que me provoca alergia, flores, que vão morrer, bombons, que vão acabar (e me fazer ter remorso depois), roupas, que são tão impessoais.
Nada melhor que livros. Se bem que também amo ganhar puzzles. :-)


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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Se nada der certo...

Há um milhão de anos, quando o Orkut bombava, tinha lá uma comunidade super cheia de gente. Era a Se nada der certo, viro hippie. Eu não fazia parte dela, mas conhecia gente demais que fazia.

Lembrei dessa comunidade outro dia, quando descobri o que eu posso fazer da vida se nada mais der certo. Não é virar hippie, não é fazer jardinagem (que sempre foi a minha primeira opção, apesar de eu matar plantas com frequência), não é dar aulas de filosofia, de música, de crochê, de pólo aquático ou de sei lá o quê, não é tomar conta de idosos (e acho que estou me especializando isso).

Se nada der certo, vou ser trocadora de rolo de papel higiênico. Sério.

Ultimamente, é a coisa que eu mais faço na vida.

Seja em casa, seja no trabalho, quase toda vez que entro no banheiro vejo que meu antecessor usou o resto do papel higiênico que tinha e não trocou o rolo. E não é por falta do dito cujo no banheiro não! Não trocou porque não quis.

Gente!!! Gente!!!

É tão difícil assim trocar o rolo vazio por um novo? Tão complicado assim? Faz a pessoa perder o braço???

Cadê o senso de coletividade? Quando se vive em comunidade (e qualquer lugar hoje as pessoas estão convivendo), deve-se pensar nos outros, não?

Mas já que tá difícil pro pessoal, me candidato. Se nada der certo, viro trocadora de rolo de papel higiênico. E, claro, como mais ninguém faz isso, vou cobrar muito caro, ficar rica e mudar pra Europa.

#prontofalei

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sábado, 14 de setembro de 2013

Livro: O livro da ignorância generalizada

Minha história com esse livro começou no Fórum das Letras de 2012, aqui em Ouro Preto. Havia, na programação, uma série de debates sobre como se faz um livro, e um deles era sobre as capas de livros. Um dos participantes era o capista da editora Record e ele mostrou o processo de trabalho de capa para vários volumes. O livro da ignorância generalizada era um deles. Se estou certa, o nome do moço era Leonardo, e ele falou que foi difícil chegar a essa capa porque ele e o editor não entraram em acordo logo. Coisas do trabalhos dos designers... Daí que fui na abertura do café da Set Palavras e vi esse livro ali, na estante bem ao lado da minha mesa. Estiquei a mão, peguei o livro, abri na primeira página e comecei a ler. Acabei trazendo ele pra casa.

O livro é um compilado de 230 perguntas para as quais o senso comum dá uma resposta X. E, na verdade, a resposta não é aquela a qual estamos acostumados. Por exemplo, a pergunta que abre o livro é: "quantas mulheres teve Henrique VIII?". Quem estudou história no colégio deve saber que foram seis, não é? Bom, os dois autores dizem que não: foram duas. Porque Henrique VIII e a Igreja Católica declararam alguns desses casamentos como inválidos, ou seja, como não existentes. E houve uma anulação e uma espécie de punição de uma das esposas, que perdeu esse título. Então, tecnicamente foram duas mesmo.

A tônica o livro é essa: apresentar coisas que nosso senso comum nos acostumou a ver de um jeito mas que, na verdade, são outra coisas. Outro exemplo é o modo como os imperadores romanos sinalizavam a morte de um gladiador. Estamos acostumados a pensar que é com o polegar virado para baixo, mas na verdade é com o polegar para cima - isso significava a espada. Para salvar o gladiador, o imperador deixava o polegar paralelo ao chão, significando que a espada estava abaixada.

E tem várias outras perguntas, sobre ciências, história, descobertas. Não é um livro para se adquirir conhecimento. É mais para fazer uma ou outra brincadeira com amigos no bar, brincar com os sobrinhos. É o que eu costumo chamar de literatura de banheiro. Se vc deixar o livro lá no banheiro, muita gente vai se divertir com ele.

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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Filme: Anna Karenina

Anna Karenina - 2012 (mais informações aqui)
Direção: Joe Wright
Roteiro: Tom Stoppard
Elenco: Keira Knightley, Jude Law, Aaron Taylor-Johnson, Matthew Macfadyen

Taí um dos filmes mais lindo que vi nos últimos tempos. Uma direção geral muito firme e uma direção de produção brilhante!

A história é aquela que todo mundo já conhece (e, se não conhece, vale a pena parar tudo pra ler o livro). Ana, mulher de Karenin, vive sua vida simples de dona de casa com o marido e o fiilho. Ao fazer uma viagem para ajudar o irmão a contornar mais uma de suas puladas de cerca, ela conhece o Conde Vronsky, um nobre muito bonito e sedutor. Logo, os dois estão vivendo uma história de amor que vai escandalizar a sociedade russa.

O melhor para ver quanto a traição feminina é cheia de preconceitos é a cena em que Anna e Vronsky vão a uma recepção e todos os presentes confraternizam com ele, mas não dirigem uma só palavra a ela. Tudo bem ele estar em uma relação vista como errada, mas ela, a mulher, não merece crédito ao deixar o marido. Eita sociedade machista de hoje sempre!

A cenografia do filme é maravilhosa. Boa parte da história é contada em um teatro, com cenários móveis, e a trama incorpora várias questões do teatro, como a atuação de um coro, as emoções mais fortes, a presença cênica. O figurino é de babar, de tão perfeito. A atuação é muito bacana, com destaque para Keira Knightley e Matthew Macfayden (ai, ai...).

O filme tem a dose certa de romance, drama, suspense, até um certo terror. É lindo, vale a pena ser visto e revisto.

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Livro: Morte Súbita

Morte Súbita é o primeiro livro de J. K. Rowling após os sete livros da série Harry Potter e dos três livros sobre o mundo do mago que ela publicou. Foi apresentado por ela como o primeiro livro "adulto" que escrevia. Comprei meu exemplar logo na semana de lançamento e ele ficou enfeitando a minha estante até agora.

O livro é completamente diferente de Harry Potter. Acredito que deve ter frustrado muito quem começou a ler pensando que encontraria uma narrativa tão confortável como era a do bruxinho (mesmo que o mundo dele fosse povoado do mal, com Voldermort e seus asseclas). Morte Súbita é um livro adulto e muito pesado.

A história começa com a morte por AVC aneurisma do conselheiro distrital Barry Fairbrother. Ele era morador de Pagford, um distrito da cidade de Yarvil. O Conselho Distrital era uma espécie de Câmara de Vereadores do local, que decidia questões públicas e levava as decisões ao Conselho Municipal de Yarvil. O maior problema de Pagford é o bairro Fields, resultado de uma compra de terras e com a construção de casas populares para abrigar pessoas que dependiam de ajuda do governo para viver. Essas pessoas eram bem pobres e marginalizadas, sendo boa parte delas usuárias de drogas, tratadas na Clínica Bellchapel. O Conselho Distrital de Pagford quer "devolver" Fields a Yarvil e pedir de volta o prédio alugado pra a clínica. Barry, ex-morador de Fields, defendia o bairro, a assistência do governo e a manutenção da clínica. Com a sua morte, a facção que não queria Fiels pertencendo a Pagford ganha força e inicia-se o processo eleitoral para ocupar a vaga aberta.

Tudo o que acontece na narrativa gira em torno de Barry Fairbrother e da eleição para o conselho. Os personagens vão sendo apresentados aos poucos e praticamente ninguém ali é bom o suficiente como era Barry. Tem os corruptor e os corruptores, tem que vá na onda do poder, quem só fofoca, quem se droga, quem se prostitiu, quem faz bullying, quem tenta sobreviver, quem bate, quem apanha, que briga, quem grita. Cada personagem tem a personalidade bem trabalhada e bem definida. E chega uma hora em que foi inevitável perguntar se haveria salvação para cada um deles.

Há trechos como o que mostra o pensamento de Howard, o presidente do Conselho Distrital de Pagford, que podem ser postos em paralelos com a situação do Brasil, comparado, por exemplo, com os usuários do Bolsa  Família e dos moradores de áreas degradadas de periferia: "Na sua opinião, não havia nada que impedisse os moradores de Fields de ter uma horta, nada que os impedisse de dar alguma educação àquela filharada sinistra encapuzada, sempre às voltas com latas de spray; nada que os impedisse de se unir e, em mutirão, dar cabo da sujeira e consertar tudo que estava caindo aos pedaços; nada que os impedisse de se lavar e procurar emprego... Absolutamente nada. Só podia ser uma coisa, era a conclusão a que chegava necessariamente: eles tinha, escolhido viver daquele jeito por livre e espontânea vontade, e a aparência de degradação um tanto ameaçadora do local nada mais era que uma manifestação física de ignorância e indolência daquela gente". Lembra o argumento de algumas pessoas em nosso país.

Dois personagens me deixaram com muito, mas com muito nojo. O primeiro foi Simon Price, gerente de uma gráfica em Yarvil e morador de Pagford. Ele é extremamente violento da porta pra dentro de casa. Não sei se o que ele faz pode ser chamado de assédio moral (acho que o termo só é válido para relações de trabalho). No mínimo, é violência doméstica das pesadas. Além da violência física o tempo todo, Simon pratica com "louvor" uma violência psicológica pesada com os filhos Andrew (a quem ele chama de Cara de Pizza, por causa das espinhas) e Paul (que recebe o apelido "carinhoso" de Paulinha). Ruth, esposa de Simon, tenta sempre colocar panos quentes na situação da família, mas também é abusada por ele, psicológica e fisicamente.

Outro que deu nojo foi Stuart Wall, um adolescente de 16 anos com os dois pés na sociopatia. A diversão dele era fazer os outros sofrerem. Especialmente se fosse Suhkvinder, a filha da médica paquistanesa, sua colega de escola. É um bullying tão forte que chega a dar vontade de entrar na história e dar uns sopapos no garoto.

Fora eles, tem uma série de personagens meio assustadores. E, ainda, O_Fantasma_de_Barry_Fairbrother, que deixa recados nada simpáticos no site do Conselho Distrital de Pagford.

A história é bem pesada. Os temas tratamos são corrupção, assédio sexual, drogas, pedofilia, violência domésttica, bullying. Impossível não se abater pensando que, mesmo que a autora diga que Morte Súbita é uma "grande história sobre uma cidade pequena", a história fala é sobre o mundo em geral. Pagford pode ser a sua cidade, o seu estado, o seu país. Mas também pode ser o seu bairro, seu condomínio, sua rua.

Sinceramente? Amei! Agora espero o lançamento do livro da autora escrito sob pseudônimo. Já vi comentários positivos a respeito.
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 8 de setembro de 2013

Citações 38

Do conto O marinheiro, em Triângulo das águas, de Caio Fernando Abreu:

Não sei quem são os vizinhos. Vejo alguns rapazes, algumas moças, mas tantos e sempre tão diferentes - na verdade não sei se diferentes ou os mesmos, apenas não presto muita atenção neles cada vez que os vejo, porque não me interessam. Como supunha que eu não interessaria a eles. As cidades grandes como esta têm dessas coisas - você não precisa simular interesse algum pelas pessoas em volta, elas não exigem mais que um bom-dia, boa-tarde, boa-noite, às vezes nem isso, silêncio nas horas em que se costuma fazer silêncio, ruídos nas horas em que usualmente se faz ruído. Não faço ruídos nem mesmo nessas horas, eliminei máquinas, televisões, rádios, embora goste de música. Mas quando quero ouvi-la, conto para mim mesmo quase sem voz um som irregular, cheio de altos e baixos, que vem do fundo da garganta, sem palavras. Talvez seja essa ausência de ruídos que os interessa, os vizinhos, ou quem sabe os intriga a muralha de vidros coloridos interposta entre o de-dentro de minha casa e o de-fora dela, não sei. 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Livro: A livraria 24h de Mr. Penumbra

Olha, quando vi a sinopse do livro (enviada pro meu e-mail pelo Leo) achei meio sem graça. O texto na capa diz: "Uma divertida e emocionante aventura sobre conspiração internacional, códigos secretos, amor platônico - e o segredo da vida eterna". Fiquei pensando que seria mais um filhote de O código DaVinci. E não me interessei por ele.

Mas acontece que o Leo tinha ouvido falar do livro num podcast (acho que foi no Brainstorm9) e foi mordido pela mosca da leitura. Estávamos no aeroporto de Confins esperando a hora do embarque e fomos na livraria. Leo viu o livro e estava pensando em levar. Como eu acho que devemos incentivar a leitura, dei o livro de presente pra ele. Saímos da livraria, sentamos, ele abriu o livro e não parou mais de ler. Ele curtiu muito, e eu fiquei muito feliz, principalmente porque ele não é muito de literatura. E eu acredito que precisamos só encontrar o tipo certo de livro pra gente pra gostar de ler.

A livraria 24h de Mr. Penumbra mistura alguns elementos interessantes. Tem mistério, tem romance, tem pesquisa e dados históricos, tem mídias sociais, tem o Google. E tem o Clay Jannon, o personagem principal, que é muito espirituoso. Clay é formado em artes e sempre trabalhou com publicidade e mídias sociais. Mas perde o emprego e acaba como o funcionário do turno da noite da livraria do título. Não é uma livraria comum. Tem pouquíssimos clientes. E funciona também como uma espécie de biblioteca. Esses livros, que Clay chama de "Catálogo Pré-histórico", são procurados por figuras muito curiosas. E Mr. Penumbra pede que Clay anote num livro de registros quem pegou qual livro e como a pessoa estava, com o máximo de detalhes possível. O funcionário começa a ficar intrigado e, com a ajuda de amigos, tenta desvendar o que está por trás dos livros mais antigos da livraria.

Parece bobo, né? Mas lá pra metade, o livro engrena em um mistério mais interessante. Que inclui grandes computadores, tipografia antiga, a prensa de livros, o século 15, museus, criptografia. Dá pra divertir um cadinho.

Clay tem tiradas ótimas. Como quando ele diz que a livraria vive vazia porque não tem obras com magos adolescentes e vampiros detetives, mas que ela é exatamente "o tipo de loja que dá vontade de comprar um livro sobre um mago adolescente". Ou quando ele compara o Google aos Estados Unidos: "ainda o maior de todos, mas inevitável e irreversivelmente em declínio". Em uma visita ao Google, Clay vê sua namorada Kat conversando com um sujeito com roupa de skatista. Ele logo conclui: "está vestido como skatista, imagino que seja ph.D em inteligência artificial". Ou quando ele fala de um certo personagem que era de um jeito há algumas décadas e se transformou em outra pessoa: "Em que momento você deveria dar outro nome a uma pessoa? Desculpe, não, você não é mais o Corvina. Agora é o Corvina 2.0, um upgrade dúbio". E quando critica a publicidade e o marketing de forma geral: "Por que as organizações precisam marcar tudo com sua insígnia? É como um cachorro que faz xixi em cada árvore que encontra".

No fundo o livro trata do embate entre os livros e a tecnologia digital. O autor, Robin Sloan, trabalhou no Twitter e certo dia (era uma terça-feira) se apaixonou por livros raros. Em dado momento, Clay diz: "Livros, antigamente, eram algo de altíssima tecnologia. Não são mais". Em outro momento, ele também diz: "Livros: chatos. Códigos: fantásticos. Essas são as pessoas que mandam na internet".

Enfim, é um livro para quem gosta de livros. Quase como uma enorme dedicatória àqueles que amam os livros e que os defendem até o fim. E, talvez mais, para quem acredita que os livros não vão acabar.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Pílulas do momento #9 ou Da ansiedade

1 - Ansiedade
Já perdi a conta de quantas vezes passei mal e o médico diagnostica estresse ou estafa. Pelo número de vezes, sou um estresse ambulante (!!!). No último mês de agosto estive muito cheia de coisas e fiz e refiz exames pra confirmar o que tinha de errado. Um exame dizia uma coisa. Quando refeito, dizia outra. Diagnóstico: virose estresse. Dicas de sobrevivência: tenha calma, respire fundo, diminua suas atividades. Conclusão: vou morrer logo. Porque até consigo ter calma em certos momentos, respirar fundo em outros, mas nada de diminuir as minhas atividades. Leo outro dia me disse que eu ando ríspida com as pessoas. Desculpaê se fui ríspida com você, vou tentar mudar. Né?

2 - Ansiedade dela
Dizem que os cachorros se parecem com os donos. Olhando por esse ângulo, faz sentido concluir que a Cuca é mesmo minha. Ela também anda estressada, ansiosa e irritável. Essa ansiedade dela é bem antiga. Há mais tempo, ela arrancava os pelos das patinhas traseiras quando ficava mais nervosa. Ainda bem que passou. Hoje, a atração é morder a pata dianteira esquerda. Daí que ela vai no petshop toda semana pra tomar banho e o pessoal me liga dizendo que ela foi encaminhada pra consulta com o veterinário porque tinha uma ferida no corpo. Agradeço muito a atenção (depois fico me criticando por estar muito cheia de coisas pra fazer e por não ter tempo de prestar atenção na Cuca e em seus problemas) e espero a mocinha chegar. Ela vem toda fofa, limpinha, cheirosinha (o perfume atual é de bala de abacaxi) e de lacinho. E com um tanto de remédios para serem administrados ao longo de 15 dias. Um dele é... um floral para ansiedade. Ou seja, minha ticutica anda estressada, ansiosa e irritável e está se tratando com florais. Tô me perguntando se aproveito e tomo o floral dela ou se arrumo vergonha na cara pra procurar ajuda floralística com alguém aqui em OP mesmo - e que este alguém não seja o veterinário da Cuca.

3 - Ansiedade da outra ou "Camillando"
Vovó é uma pessoa muito ansiosa também. E isso é de família, porque o pai dela, meu bisavô Camillo, era um homem bastante ansioso e preocupado. Aqui em casa a gente brinca com a vovó que, quando ela está muito preocupada à toa (do tipo "fulano ainda não chegou pra almoçar, vai tudo esfriar, como é que vamos sobreviver?" - juro que é assim), falamos que ela está Camillando, ou seja, que está agindo igual ao pai. E eu ainda brinco que, no caso dela, nem precisa de DNA, ela é mesmo filha do Sô Camillo.
Acontece que daqui a uns dias Leo e eu vamos viajar. Vamos ficar 12 dias fora (é, só isso mesmo, nhé). A última vez que viajamos assim, no meio do ano, foi na nossa lua-de-mel, há cinco anos, e ficamos só 9 dias fora. Mas a vovó, filha de Sô Camillo, está pirando. Ela não fala que preferiria que a gente não viajasse. Mas arruma um milhão de dores, problemas e confusões. E a gente precisa dar atenção. Com a viagem se aproximado, ela está cada vez mais ansiosa, mais falante, mais doidona. Não tá fácil.

4 - Ansiedade filosófica
Super continuo me achando burra na faculdade, apesar de reconhecer que já aprendi algumas coisinhas por lá. Já tenho alguns filósofos favoritos (Kant ocupa o primeiro lugar, no momento), alguns temas que curto mais (estética em primeiro lugar, ainda) e já acho que tem esperança pra mim. Mas, contudo, todavia, entretanto, não tenho muita certeza de que darei certo como bacharel em Filosofia. É coisa demais pra aprender e muito pouco tempo. Ainda mais trabalhando em dois lugares. Ainda mais tendo que cuidar da vovó e da Tia Ylza. Ainda mais com a Cuca estressadinha. E o Leo. E meus livros. E meus filmes. E a minha urgente necessidade de diminuir o ritmo, antes que eu tenha um colapso. Decidi que vou fazer menos matérias no próximo semestre (que começa em outubro). E vamos ver no que vai dar.

5 - Ansiedade videográfica
Virei uma viciada em vídeos do youtube. Mas em vídeos de livros e de literatura. Quem me levou pra esse mundo foi a Aline Mangaraviti, que mora aqui em OP, quando me apresentou o canal da Tatiana Feltrin. E eu amei. Por isso, tô pensando em fazer videos para o blog também. Estou testando algumas coisas (até porque eu sou uma negação em edição de vídeos) e se eu achar que vai ficar menos ridículo do que está até agora, posto aqui.

6 - Ansiedade viajante
Faltam 20 dias!

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 1 de setembro de 2013

Filme: Tão forte e tão perto

Extremely Loud & Incredibly Close - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Stephen Daldry
Roteiro: Eric Roth, Jonathan Safran Foer
Elenco: Thomas Horn, Tom Hanks, Sandra Bullock

Estava meio relutante em ver este filme. Tinha visto o trailer e não me comovi. Acabei indo porque o cinema é aqui pertinho e é bem em conta. E não gostei.

É a história do garoto Oskar Schell, que tem um grau leve de autismo (acho que é Asperger). Ele é filho de Thomas (Tom Hanks) e Linda (Sandra Bullock). O pai está no World Trade Center no dia 11 de setembro de 2001 e, ao perceber que pode morrer, liga para casa e deixa um recado na secretária eletrônica. Oskar tenta viver com a ausência do pai, mas a dor é tão grande que ele vai tentar fazer alguma coisa. Mesmo com suas limitações, ele caminha por toda Nova York para tentar encontrar pistas do pai e, assim, diminuir a dor da ausência. Grosso modo, é o que os psicólogos chamam de "viver o luto".

O que não gostei foi este ter sido um filme feito para comover, para fazer chorar. Cada passo de Oskar na rua, cada vez que ele recorre ao colo da mãe, a relação com a avó, o refúgio no quarto e seus mapas, tudo milimetricamente calculado para te fazer chorar. E eu morro de preguiça de ser joguete de um diretor.

Claro que todo filme é milimetricamente calculado. E é louvável quando esse cálculo é sutil. Se a sutileza fosse o forte desse filme, iria fazer uma grande diferença. Porque a história é bacana, os atores são bons, o desfecho é interessante. Ia emocionar por si só, sem forçar a barra melancolicamente.

Enfim, vale naqueles dias em que tudo o que se quer é se desmanchar em lágrimas. E só.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...