quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O que 2014 me trouxe

Há algum tempo, disse no Twitter que 2014, no horóscopo chinês, é o ano do capeta. Reafirmo.

Mas como há uma Pollyana que mora em mim - mesmo que agora ela esteja deitada em posição fetal no chão do banheiro, chorando - acredito que tudo tem um lado bom. E se há uma coisa boa que 2014 me trouxe foi muito aprendizado. Foi um ano em que aprendi pra caramba. Talvez tenha sido o que mais estudei também, contando a faculdade e cursos livres. Acho até que foi o período da minha vida em que mais fiz cursos. Também aprendi muito com todas as porradas que levei, a começar pelo mês de janeiro, que abriu a temporada do ano mais tosco de todos os tempos.

Aprendi:

- que não há como medir dores. Bom, já sabia disso, mas vivenciar é bem diferente. Foram duas perdas enormes este ano, com quatro meses de diferença. Não sei dizer o que doeu mais. Não sei dizer o que dói mais;

- que é mesmo uma boa não criar expectativas com relação às pessoas. Das pessoas que eu esperava X, recebi Y. De quem esperei Y, recebi Z. O interessante é que todas, pro bem ou pro mal, me surpreenderam. Especialmente aquelas de quem eu não esperava nada. Foi delas que recebi um grande presente este ano;

- que aquele sexto sentido que eu sempre duvidei que existia esteve mais afiado do que nunca em 2014. Mesmo que tenha havido erros em expectativas, tudo o que bateu primeiro este ano aconteceu ipsis litteris. E a expectativa  veio do fato de eu não confiar no meu sexto sentido e não acreditar que a pessoa X não seria capaz da atitude Y e por aí vai. Lição pra 2015: confiar mais no sexto sentido;

- que eu preciso parar pra ouvir o Leo. Que eu preciso parar pra prestar atenção no que o Leo fala. Coisas que ele me dizia há cinco anos e que eu deixei pra lá tiveram reflexo em 2014. Ele poderia muito bem levantar aquela plaquinha "Bem que eu avisei". Lição pra 2015: ouvir mais o Leo;

- que estudar é ainda melhor do que eu pensava. Se eu não tivesse estudado tanto, tudo teria sido mais difícil;

- que a babaquice não tem fim. E houve muita gente babaca passando na minha vida neste ano;

- que mesmo com a babaquice reinando, é possível desviar e seguir só com quem acrescenta;

- que algumas vezes, só um sorriso basta. Ou um resgate em plena tarde, quando o mundo conspira outros assuntos.



E sempre é preciso agradecer. Não vai ser em ordem de importância, porque nem existe isso. Os nomes abaixo virão na medida em que a minha memória os soltar.

- Tia Ylza, por ter sido uma das minhas três figuras maternas. Por ter me ensinado tanta coisa - e isso vai além do tricô que eu nunca aprendi direito. Por ter me deixado tantas histórias pra contar, por ter espalhado tanta coisa bonita entre os meus amigos;

- Vovó Zina, por ter sido uma das minhas três figuras maternas. Por ter me possibilitado uma convivência intensa, especialmente nos últimos onze anos e meio. Por todas as palavras de afeto e incentivo, pelo cuidado e carinho, pelo abraço mais apertado de saudade que ganhei este ano. Pela doçura e por ser tão Adelina. Pela pressa e por ser tão Camilo. Pelas lembranças queridas, pelos passos leves. Por tantas coisas que nem cabem aqui. E sim, vai ter um texto só pra ela quando eu conseguir parar de chorar;

- Leo, o melhor parceiro que eu poderia ter. Paulo, o melhor tio-pai do mundo. Sem vocês, nada tem graça, nada dá certo;

- Às equipes médicas que cuidaram da Tia Ylza e da Vovó. Em especial à equipe da UTI da Santa Casa de Ouro Preto, ao Dr. Paulo Brandão e aos enfermeiros (Priscila, Antônio, Neide, Gislene e a quem não me lembro o nome), aos fisioterapeutas (Ricardo, Talisson, Ludmila)  e à psicóloga Flávia Perdigão. A ela, em especial, pelo cuidado com a Laura. Ao pessoal do Samu, ao PA (Mariane, Ana Paula, Cíntia e equipe), ao pessoal da Semi (Núbia e equipe), do 3º andar (Sinay e equipe). Vocês foram fantásticos;

- À família mais linda do mundo (porque os Mendes Barros são tudo de lindo mesmo). Especialmente, Tio Jésus e Tia Vera, João Batista, Marita e Gui, Joanna e Nathália, Tio Zé e Tia Carmem, Andréa, Tio Luiz, Sérgio, Maria Luiza e Ana Beatriz, Tina, Gilmar, Beatriz, Laurinha, Betinho e Gil, Maristela, Paulinha, Evandro, Rafaela e Fabrício. Tenho certeza de que me esqueço de alguém...;

- À Laura, ao Daniel, à Maria Emília, ao Otávio e à Letícia, os melhores irmãos que eu poderia ter. Se tivesse tido a chance de escolher, com certeza escolheria vocês;

- Ao Renato, à Creusa, à Fioca e à Conceição, que foram a minha família enquanto Tia Ylza precisava de apoio. Nunca conseguirei agradecer à altura;

- À Ana Paula,  à Adriana, à Dreisse, à Michelle, pelo apoio durante o segundo semestre. Em especial, por tudo durante a semana em que vovó esteve no hospital. Eu não conseguiria sem vocês;

- Ao Valter e ao Zélio, pelas longas horas de conversa, pelo carinho e pela parceria, pela compreensão e por terem aberto sua casa pra mim o tempo todo. À Nanda, por ser essa pessoa linda, iluminada, de astral e energia inenarráveis. Ao Leo e à Cris pelo carinho e pelas disposição em me aturar. À Vanessa e ao Ronan, por serem presenças constantes, mesmo que não seja fisicamente. À Ju Machado, minha cretina favorita, pelas conversas, pelas trocas, pelo apoio. À Ju Reis, sempre presente em todos os momentos da minha vida. À Nancy, pelo abraço-quebra-costela, em que cabe todo o amor do mundo. À Walkiria, que acompanhou vovó por muitos anos e, mesmo de longe, nunca deixou de ter um carinho enorme por ela. Ao Vandeir e à Cláudia, amigos queridos, sempre atenciosos. Ao Victor, à Magda, à Laurinha e ao Lucas, pessoas maravilhosas;

- Aos Borges, que me proporcionam sempre bons momentos. Em especial, Margá, Tanner e Flavinha, Telmo, Ana Lúcia, Bruno, Lulu e Breno, Ana Sílvia e Pedro, Lito, Eliana, Tati, Candy, Leandro e Marcelo. Vocês fazem tudo ser melhor;

- Às meninas da Laje: Anabel, Dani, Ju, Juuuh, Ana e Bbel. Vocês são lindas e fazem minha vida mais feliz;

- Às meninas da Filô: Danily, Fernanda, Mayúra, Jacque, Géssica, Belize, Marilene, Eduarda. Aos meninos da Filô: Fred, Vinícius, Fernando, Juliano, Isaac. E ao Mário, pela compreensão com esse segundo semestre maluco. Sem a Filô, não sei o que seria de mim este ano, esta vida;

- Ao Luk, ao Lauro, ao Fifi e ao Ratinho, em especial. Vocês facilitaram muito aquele dia para o Leo. A todos do No Nando. Amo vocês.


Agora é chutar tudo de ruim de 2014 pra bem longe e abrir os braços pro novo. E que venha leve.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Citações 81

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:


"(...) Hoje, indivíduos como Francis são considerados atrações de feita que se passeiam por parques ingleses e são fotografados indiscriminadamente pelos turistas. Evoluímos? Para onde? Para o quê? O homem transformou-se nisto, em uma criatura demasiado inteligente para se contentar com telefones ligados a satélites no espaço e demasiado estúpida para ouvir a pessoa que está ao seu lado"

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 28 de dezembro de 2014

Sossego



Daqui.

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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Carta para alguém de 14 anos

Há certos momentos em que “o mundo rodou de repente nas voltas do meu coração”, como diria o Chico Buarque. 2014 teve altos e baixos – mais baixos do que altos. E esse tipo de período é daqueles em que, por mais que haja sofrimento, há, acima de tudo, aprendizado. Como a vida é cíclica, é a terceira vez em minha vida que há uma reviravolta. Por isso – e aproveitando um post da Bah [não encontrei o link, shame on me] que me encantou há algum tempo, resolvi escrever uma carta pro meu “eu” que, um dia, teve 14 anos. Que estava no olho do furacão, na primeira grande virada que vivia.


Parece clichê – e é – que só o tempo cura as feridas. Porém, nada mais certo para dizer agora. Quando se tem 14 anos, inevitavelmente há um mundo enorme pela frente. A ser desfraldado e desfrutado, sorvido às vezes com calma, outras com sofreguidão. Hoje sei que não é assim que o mundo se apresenta na sua idade, mas, de longe, posso afirmar: o tempo é fundamental para que saibamos lidar com o mundo.

Lembro bem de quando tudo aconteceu. Da dor e do sofrimento durante um ano inteiro e de como essas sensações de perda de sentido da vida fez tudo chegar ali, na quase-morte, na necessidade da ausência. Não acho – olhando da posição privilegiada de hoje – que você agiu errado. Penso que era mesmo o caminho natural, o que mais combinou com a sua história de vida. E, ao fim e ao cabo, tudo acabou bem.

Se há conselhos a serem dados – e, sim, sei que agora eles não seriam ouvidos –, eu te digo:

- não se apegue a nada. Nem ao sofrimento, nem às dores, nem às pessoas, nem à vida. É sério: o apego leva a ainda mais sofrimentos e desilusões, e saber dizer “adeus” a tudo é um dos trunfos do mundo;

- escute mais o seu avô. Ele mesmo, o velho senhor de nariz curvado que parece cansado de viver. Quando você tiver mais de 30 anos e viver a terceira reviravolta da sua vida – é verdade, mais duas estão a caminho –, você vai se lembrar quase diariamente de coisas que ele dizia. E vai se arrepender por não ter prestado mais atenção;

- não precisa – não mesmo – tentar agradar a todo mundo. Este é mais um conselho clichê: agrade a você mesma. Isso você vai aprender em poucos anos, mas vai demorar um pouco mais a praticar. Porém, se for possível acelerar esse aprendizado, você não sairá perdendo;

- escute mais seu coração. Sei que durante esse tempo, e além, você tentou agir racionalmente. Não há mal nenhum nisso, claro. Só tente dar espaço à sua voz interior. Pode parecer que ela não é tão sábia quanto a razão. Mas ela deve ter seu lugar;

- acredite: você vai conhecer pessoas que percebem mais a realidade. E isso não quer dizer que você seja louca. Apenas que tem uma forma diferente de ver e de sentir o mundo. Uma dessas pessoas que você vai conhecer vai te chamar de ingênua e, garanto, você não vai gostar. Mas isso não vai impedir a amizade de vocês – vai até fortalecê-la. Porque – e isso é algo que você também vai aprender – amizade de verdade é aquela que aceita, que compartilha, que apoia;

- durante a segunda virada da sua vida, você vai perceber que é capaz de fazer muitas coisas. E aquela voz interior vai gritar. Escute com atenção. O que ela disser vai ser muito útil durante a terceira virada;

- você vai se decepcionar, sim. Com várias situações, com várias pessoas, com os caminhos da vida. O melhor é que todas essas situações trazem um aprendizado grandioso. E, cada vez que vier uma decepção e um aprendizado, você vai se lembrar daquilo que seu avô dizia;

- cultive a saudade. Seja aquela sofrida, seja aquela gostosa. Saudade é saudável;

- cultive também os amigos. Uma das melhores coisas da vida é ter amigos e você vai ter e perder com o passar do tempo. Mas aqueles que realmente valem a pena ficarão. Mesmo que vocês fiquem anos sem se ver. E, não se preocupe, mesmo sendo ingênua, como dirá uma de suas melhores amigas, você saberá escolher a dedo quem realmente merece a sua confiança.


Até o momento, só três grandes viradas. Possivelmente não serão as únicas. Prepare-se: o inesperado é o que tempera a vida.

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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Citações 80

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:


"Um mártir é alguém que tem a razão do seu lado e ainda assim fracassa", explicou ele. "Um mártir morre porque tem razão e a única maneira de o mostrar, para que os outros vejam e entendam - ou, pelo menos, aceitem -, é abdicar da própria vida."

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #56

1 - Sobre o filho dos outros e nós mesmos
Da Leonor, sobre como não ter aspirações na vida faz ela ficar bem chata. Pra pensar.

2 - Professor universitário precisa de mestrado?
Mais um post sobre o desligamento do Fernando Lacerda e do João Carlos Firpe Penna do curso de Jornalismo da Puc-Minas. Uma pena que isso aconteça. Da Kika Castro.

3 - Desabafo sobre a minha bipolaridade
Do Mente Inquieta, um texto sobre como é pro bipolar se defrontar com o diagnóstico. Qualquer transtorno mental (exceto a psicopatia) traz sofrimento para o portador. O bipolar é só um deles... Especialmente quando a pessoa tem que lidar com a aceitação. Vejo isso de perto com a Laura. É triste demais.

4 - Chega de Fiu Fiu, o documentário
Do Lugar de Mulher, sobre o documentário sobre assédio que o Think Olga está buscando fazer via financiamento coletivo. Bora colaborar? O projeto está aberto até 16/01/2015.

5 - Vai difamar alguém nas redes sociais? Leia isto antes
Do Sakamoto, sobre como é fácil - mas não sem consequências - difamar alguém nesse mundo louco que é a internet e as redes sociais. Bom pra pensar antes de fazer besteira.

6 - A banca Tatuí
Projeto lindinho da Lote 42 - editora pequenininha que é uma fofura. Fico torcendo pra dar tudo certo, tanto pra editora quanto pra banca :-). Vi no Trilhos Urbanos.

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domingo, 21 de dezembro de 2014

Vento



Daqui.

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Bom Será: A joia do Barroco Mineiro

Em agosto deste ano, antes do turbilhão que tomou conta da minha vida, tive a oportunidade de visitar a Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, em Cachoeira do Campo, e fazer uma matéria sobre as obras de restauro do templo para a Revista Em Minas. Foi uma das matérias que mais gostei de fazer na vida. Falo muito que não sou repórter, que meu lugar é na cozinha ("gíria" jornalística pra quem fica na redação fazendo serviços de revisão, edição, pauta, diagramação etc). Mas fazer essa matéria acendeu de novo aquela chama de repórter que eu tenho aqui dentro.

A matéria foi publicada depois no Bom Será e pode ser lida na íntegra aqui.

Orgulho de ter escrito issaê, viu?

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Livro: Sejamos todos feministas



O livro é a transcrição adaptada da palestra da Chimamanda Adichie no TEDxEuston sobre feminismo. Já tinha indicado o vídeo aqui. A editora Companhia das Letras e a Amazon liberaram o livro para baixar de graça. E, olha, é tão bom que até procurei a versão impressa pra comprar, mas ainda não achei.

Chimamanda é uma autora nigeriana com histórias lindas pra contar. Dela, já li Hibisco roxo e Meio sol amarelo, todos muito bem escritos e emocionantes. Comprei o novo, Americanah, que está na minha eterna pilha de livros a serem lidos.

Sejamos todos feministas é um libelo a favor da igualdade entre as pessoas. Não, feminismo não é o contrário do machismo, nem prega a opressão masculina. O objetivo do feminismo é a igualdade de tratamento, de oportunidades, de remuneração. É pelo fim da opressão às mulheres. É por podermos sair na rua sem sermos importunadas por quem quer que seja ou por qual motivo seja.

O vídeo da palestra vai abaixo. E que sejamos todos feministas.




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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Citações 79

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:


"Um mártir, uma rosa, uma catástrofe. Se repetirmos as palavras demasiadas vezes, elas transformam-se em nada, em precisamente aquilo que são: sons sem qualquer significado." Peguei o copo de whisky com a ponta dos dedos e hesitei. Depois levei-o aos lábios e provei: soube-me, também, aquilo, a nada. Kapus prosseguiu: "Existem várias maneiras de destruir um assunto, de deteriorar a realidade até não sobrar coisa nenhuma. Passa-se com as palavras o mesmo que com as coisas: quantas mais vezes as proferimos menos substância têm, as palavras e as coisas, porque as palavras podem tirar ou roubar às coisas o seu sentido. Experimenta dizer dez vezes seguidas a palavra 'cadeira'."

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #55

1 - Alain de Botton - A Arte de Viajar
Já indiquei o Livrada! por aqui? Acho que não (memória, onde anda você?). De toda forma, tá indicadíssimo. O Nego Dito é super espirituoso, seus textos e seus vídeos são ótimos e inspiradores. E Alain de Botton, por mais que seja pop e muita gente torça o nariz, é um cara legal. Estou lendo A Arte de Viajar e comento depois. Vale ler o texto do Livrada! porque sempre é bom ler um texto dele.

2 - Stephen Fry versus Jair Bolsonaro
Mais um post necessário da Kika Castro. Desta vez, ela traz um documentário do Stephen Fry que mostra como é ser homossexual em diversos países, entre eles o Brasil. O embate entre Fry e Bolsonado é dessas coisas que merecem ser divulgadas. A Cristina ainda lembra que o Brasil não criminalizou a homofobia e morre um homossexual a cada 26 horas no Brasil. Mesmo com esses dados alarmantes, o Bolsonaro é campeão de votos no Rio e apoiado em várias partes do País. Não, a gente não merece isso.

3 - Me pone loca: Gaslighting
Mais um post bacana do Lugar de Mulher, sobre uma técnica de manipulação que eu já vi ser usada com uma pessoa. E da qual eu vivo lutando pra me livrar, já que a minha memória não é confiável. Vale a pena ler e tentar se proteger.

4 - A queda
Da Mary, sobre desilusões amorosas. Que eu acho que vale para desilusões em geral. Sobre como tentamos aprender com as situações e que nem sempre esse aprendizado vale ~na prática~ quando a situação se repete. Mas ao menos, sempre sobra uma coisa boa.

5 - Coisa de vagabunda
Mais um do Lugar de Mulher. Liberdade é coisa de vagabunda? Então, muito prazer, sou vagabunda.

6 - Teste anti-hipocrisia para quem esbraveja contra a roubalheira na Petrobrás 
Do Mário Magalhães. Porque o mundo não é só Sim-ou-Não, Preto-ou-Branco, Eu-ou-Você e outros antagonismos. É bem mais complexo do que andam tentando te fazer acreditar.

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domingo, 14 de dezembro de 2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Amigo Oculto no Clube de Leitura

Já falei que sou a louca nos Amigo-ocultos, né? É só chamar que eu vou. Acho que é uma forma prática de fazer confraternizações sem que se gaste demais. Mesmo que digam que sempre tem um que sai perdendo e tal... acho melhor que qualquer experiência em que é preciso dar presentes para um-por-um.

No Clube de Leitura da Set Palavras, combinamos que cada participante levaria um livro do seu próprio acervo para o encontro de fim de ano e que realizaríamos lá mesmo o sorteio. A obra que comentamos desta vez foi Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf. E o livro que escolhi pra presentear foi Vanessa & Virginia, sobre a relação delicada da Virginia Woolf com a Vanessa Bell, sua irmã mais velha. É um livro lindo, depois vou falar dele por aqui.

Nós durante a confraternização

Escolhemos o restaurante Tabuleiro, que fica numa área afastada do centro de Ouro Preto, e que tem uma vista linda.

Fizemos o sorteio do amigo oculto e a Creusa, sempre uma doçura de pessoa, sorteou um marcador de livro. Que veio pra mim!!! Mais um pra minha coleção :-)

Tirei a Bárbara e acho que ela vai gostar do Vanessa & Virginia. Quem me tirou foi a fofa da Aline Mangaraviti. O livro foi Arte e ciência de roubar galinha, do João Ubaldo Ribeiro, um autor que gosto bastante, mas li bem pouco. Se eu gostei? AMEI!!!


Olha o embrulho e a cartinha! Coisa mais linda!


O livro, a cartinha e o marcador do sorteio da Creusa

Foi uma ótima maneira de abrir a temporada dos Amigo-ocultos!

E o próximo livro do clube é O irmão alemão, do Chico Buarque.

E essa paisagem linda aí atrás??? :-)


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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Livro: O lobo do mar



Nunca tinha lido Jack London, mas sabia da fama. Quando tinha uns dez anos, ganhei o livro Lobo do mar no supermercado, de Julieta de Godoy Ladeira. É a história de um menino, Zizo, que é empacotador de um supermercado. Lá conhece um moço rico que diz que tem um barco e Ilhabela. Os dois ficam amigos e Zizo é convidado para passear no barco. Como é apaixonado pelas histórias do mar, ele encontra vários personagens das clássicas histórias de navios. Um desses personagens é Lobo Larsen, inspirado em Wolf Larsen, o Lobo do Mar de Jack London. O Lobo no mar no supermercado é uma gracinha, muito indicado pra crianças com imaginação fértil e que possam, um dia, se apaixonar pela literatura.

Então, ler Lobo do mar, do Jack London, foi um projeto de longa data. E quando decidi pela leitura, não me arrependi.

Humphrey van Weyden é um literato morador de São Francisco, na Califórnia. Está tranquilo, sem grandes problemas na vida, a não ser ler e escrever. Ele vai visitar um amigo e pega um barco para atravessar a baía. Ao retornar, sofre um naufrágio e está a ponto de morrer quando se agarra a uma tábua. É resgatado pela escuna Ghost, liderada por Wolf Larsen, um capitão duro, cruel e, ao mesmo tempo, envolvente. Van Weyden implora para ser levado de volta a São Francisco, mas Wolf Larsen o incorpora ao seus comandados: a escuna está indo em direção ao Japão para a caça de focas.

Van Weyden é humilhado, ferido e vê seus valores serem questionados em uma situação em que é necessário apenas sobreviver. Suas mãos, que só seguram livros e canetas, são obrigadas a verem surgir calos, seja no trabalho como ajudante do cozinheiro ou, porteriormente, como imediato. Larsen faz questão de levar seus comandados no laço, não suporta qualquer insubordinação e fica contente em fazer demonstrações públicas de força. Mesmo assim, é um homem de leituras e tem conversas filosóficas muito interessantes com Van Weyden. Pra mim, o ponto alto do livro são os embates verbais entre os dois.

O livro tem alguns pontos mais chatos, mais lentos, mas não perde o ritmo nem o tom. Uma leitura muito gostosa, que faz pensar e ainda diverte. E, pra mim, ainda trouxe a saudade do Lobo do mar no supermercado. :-)

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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Citações 78

De Claros sinais de loucura:


Sei que ele está querendo conduzir a conversa para livros versus revistas, mas, se me conhecesse, saberia que eu já li mais que a maioria das pessoas da minha idade. Especialmente se contar os resumos de livros que meu pai pede para os alunos fazerem. E há montes de livros que não li, mas posso esperar. Livros não estragam. Não azedam como leite, que é preciso beber dentro do prazo de validade. 

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #54

1 - 05 poemas que se tornaram belas canções
Do Livros e Pessoas. Cinco poesias lindas, cinco músicas lindas, cinco recordações de épocas muito legais da minha vida :-)

2 - Por que amar o Snoopy
Do Blog da Companhia das Letras, um texto delícia sobre um dos pontos altos da minha infância: Peanuts. Charles Schutz mora no meu coração desde que eu era baby.

3 - Uma montanha russa chamada "fala"
Da Déa, sobre os processos com a fala do Theo, que é um autista não-verbal ainda. Ele faz progressos. E eu vibro a cada um deles, acompanhando de longe.

4 - Pelos "valores da família"
Texto da Kika Castro sobre essa coisa maluca que é definir o que é família. Juro que tem horas que penso: qual a necessidade disso? Venho de uma família que se enquadra no padrão "pai, mãe e filhos", que é o que querem impor por aí. E digo, era - e ainda é - uma família completamente disfuncional. Então, pra mim, família é a relação onde há amor. Pode ser eu e minha cachorra. Há amo? É família. E phoda-se o resto.

5 - #somostodospedestres
Texto lindo - como todos - da Nathália Pandeló. Sobre mobilidade urbana, respeito, liberdades. Pra pensar sobre nosso papel no mundo.

6 - "Vivo em meio a um conflito"
O texto da Caroline Beraja no Ser Sustentável é emocionante. Ela tem 17 anos e vive na Faixa de Gaza, em meio aos conflitos entre israelenses e palestinos. Ela é judia e acredita na coexistência, tanto dos países quanto das religiões. Falta só os grandões pensarem assim também, né?

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domingo, 7 de dezembro de 2014

Math



Daqui.

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A falta que ela me fez lá em Goiás

Já contei aqui a falta que ela me faz. Agora quero falar sobre a falta que ela me fez durante a minha visita a Goiás.

Tia Ylza sempre foi uma ouvinte atenta. Curioso porque, quando eu era criança, era a ela a quem eu recorria quando queria ouvir histórias. Com o passar do tempo, acabamos trocando de papel. E ela passou a ser a ouvinte que eu mais ansiava. Tudo na minha vida virava história a ser contada pra ela. Ainda hoje, depois de três meses de ausência, ainda escolho o que contar, o que mostrar, o que dizer. E me frustro por não tê-la pra me ouvir.

Estava com medo de ir pra Goiás. Eu sabia que, chegando lá na casa da D. Lídia, ia começar a chorar só por lembrar que a minha ouvinte predileta, que sempre esperava pelas nossas aventuras goianas, não estava mais aqui para me ouvir. Pensei em desistir várias vezes. Conversei com o Leo várias vezes sobre isso. Porque, ao mesmo tempo em que eu queria estar lá, também tinha muito medo de destoar o clima da festa com essa tristeza que teima em bater na minha porta e fazer morada em mim.

Depois que decidi enfrentar esse meu mais novo monstrinho de estimação, arrumei as malas e fui encarar. E me deixar chorar, se fosse tempo de chorar. Mesmo que fosse escondida no banheiro. Ou na frente de todos. Assim foi.

Acho que a primeira pessoa que me abraçou, depois que desci do carro, foi o Telmo. E já vieram lágrimas nos meus olhos. Elas caíam à medida de eu abraçava cada um dos que já estava lá. O sentimento que eu tinha era de acolhimento e, ao mesmo tempo, uma vontade enorme de fugir, de voltar pra casa, pra não ter nenhuma história pra contar, já que não haveria quem ouvisse. Meu monstrinho ainda insistia que eu deveria não chorar. Mas chorei - acho que discretamente - em cada abraço e fui deixar minha mala no quarto.

Cada coisa que aconteceu lá teve sua graça, seu riso, seu momento especial. Guardei vários deles. E sempre me pegava contando como contaria aquilo pra Tia Ylza. O Bruno, o Breno e a Lulu insistiram para que eu contasse pra ela, mesmo ela não estando fisicamente aqui. Ainda não sei se consigo fazer isso...

Desta vez, escrevi pouco sobre o encontro. Fiz poucas fotos. Fiquei mais distante. Saí mais vezes de perto do agito. Chorei no banheiro. Fugi.

Foi minha primeira visita a Goiás sem a Tia Ylza. Eu não sabia - aprendi agora - que a cada vez que ia pra lá, levava ela comigo. Desta vez, levei só a memória. E doeu. O desejo é que, em 2015, a memória esteja mais leve e não traga com ela esse excesso em minha bagagem.

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Os filmes mais assustadores do cinema

Ando ausente do Cinema de Buteco, mas vez por outra participo das listas que o grupo organiza. Desta vez, foi sobre filmes assustadores - não necessariamente de terror. Como não gosto de filmes de terror, fiz a minha lista com poucos deles, mas com os que realmente me deixaram com medo até de cochilar.

A lista completa poder ser vista aqui.

A minha lista (modestíssima) é esta:
- O Exorcista
- O gabinete do Dr. Caligari
- O Iluminado
- Alien
- Cemitério maldito



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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Citações 77

De Claros sinais de loucura:


"Sr. Wistler, isso é muito sem graça."
Ao que o Sr. Wistler retruca:
- A maioria das pessoas não sabe o que realmente pensa até colocar no papel. Vocês não querem descobrir o que realmente pensam?


Olha, o Sr. Wistler, parecia que o senhor estava falando pra mim!

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #53

1 - Como os introvertidos interagem com o mundo? Aqui estão 10 características bem diferentes
A cada dia eu me pego mais introvertida. Hoje, já não acho mais tão ruim. Tem lá suas vantagens. Melhor do que isso: há salvação. Do Brasil Post.

2 - 10 livros que estão na lista de favoritos de Carl Sagan
Do Livros e Pessoas. Porque é sempre bom saber o que as mentes brilhantes gostavam de ler.

3 - Daniel Galera e sua Barba ensopada de sangue
Um texto bem bacana do Homo Literatus sobre o Daniel Galera, esse escritor fera, e o livro Barba ensopada de sangue, que foi uma leitura maravilhosa pra mim.

4 - O passado
Um ponto de vista interessante sobre o passado, vindo da Bah. Não concordo com tudo - pra mim, o passado está entranhado em quem somos no presente e em quem seremos no futuro. Mas é blog da Bah é sempre uma leitura agradável.

5 - História: nos 97 anos da Revolução Russa, resplandece tesouro de Eisenstein
Do Blog do Mário Magalhães. E porque Eisenstein é um daqueles cineastas apaixonantes. Toda a forma do filme criada por ele é magnífica. E merece ser reverenciada.

6 - Meia Adnet - Meia Calabresa no país onde tudo acaba em pizza
Da Rosana Hermann. Porque... o que é mesmo que a gente tem a ver com a vida íntima dos outros?

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domingo, 30 de novembro de 2014

Torcido



Daqui.

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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Borgeando

Pela primeira vez na vida, não estava animada para um encontro da família Borges. Mas falo sobre isso em outro post. Na minha mala deste ano ia menos animação, mas a saudade era gigante, talvez até maior. Além de estar chateada porque a Tia Ylza, a principal ouvinte das minhas histórias da família do Leo, não estar mais aqui para me ouvir, ainda tinha a ausência da Aninha, do Pedro e do Bê, que são grandes companheiros. Também fizeram falta a Kennya, o Maurício e o Samuel, além do Pedrinho. E lá fomos nós, tomar o rumo de Goiás para desanuviar e matar saudades. E foi ótimo, mesmo com os momentos de tristeza de caminharam ao meu lado o tempo todo.

Nossa tradicional "Foto Contraste"


Teve quem:
- criou uma cotação econômica bem interessante, em que um kibe valia uma pedra de gelo. E a cotação foi ficando mais forte ao longo dos dias;
- tinha oito pedras de gelo num copo de coca-cola e ficou ostentando;
- falou palavrão na frente de uma criança de cinco anos. E se virou direitinho pra contornar a situação ("vou abrir essa garrafa com o quê? Com meu cu? Cuelho, eu tenho um abridor de cuelho");
- nunca bebe nada mas resolveu beber três copos de cerveja acompanhados por alguns pacotes de Doritos e passou muito mal (não fui eu!!!);
- ficou frustrado porque, desta vez, não teve picolé de groselha - ainda não entendo essa fixação com groselha que a família tem...;
- contou que, há alguns anos, matou um sapo: "esse sapo morreu vivo. De cajadada";
- proibiu o bullying com o Turene. "Bedece sua vó", galera!;
- mesmo com a proibição, praticou bullying contra o Turene;
- se sentiu na Bahia e comandou uma aula de aeróbica.


Cantoria noturna

Cantonia noturna #2


Também teve:
- Dona Lídia falando pro Leo ser mal educado, desde que mal educado seja comer à vontade;
- Mateus resolvendo o problema do café da manhã dos micos pendurando vários biscoitos de polvilho numa árvore;
- Thiago afirmando, com certeza absoluta, que quando o Marcelo nasceu, a mãe dele [Marcelo] estava parindo;
- muita comida, como sempre. E uma esfiha de queijo que estava deliciosa;
- Turene pisando repetidamente no fio que carregava celulares. Queria ter visto isso. Só vi a Ana Lúcia quase tendo um filho de tanto rir;
- A Lara sendo fofa, rindo, fazendo caretinhas, fazendo ginástica e deixando todos admirados com sua esperteza;
- Toda a produção de uma foto "go-pobre", com muitas risadas;
- O pássaro azul, famoso no quintal e nas poesias da D. Lídia, sendo atacado por outros passarinhos e indo se esconder na sala de visitas.


A nossa foto "go-pobre"

E os bastidores da foto, com um cabo de vassoura, uma escada e um celular


A coisa mais linda do encontro:
Um dos momentos mais lindos do encontro foi quando a Lulu, toda tímida - e sempre linda - contou pra todo mundo o sonho que ela teve com o Godó (o avô do Leo, que eu não conheci e a Lulu também não). No sonho, o Godó dizia pra cada um dos familiares uma mensagem especial. Ao acordar, ela só se lembrou de uma, a que ele disse pro pai dela, o Telmo. E foi tão lindo, tão lindo... Ela me contou bem cedinho e depois contou pra família toda e fez praticamente todos se emocionarem.

Isso pra mostrar que não se vive só de gargalhadas por lá.

Também tive conversas muito bacanas com a Ana Lúcia, o Leandro, o Breno, o Bruno, a Lulu e o Marcelo. Cada um deles me ensinou muita coisa, e isso é o barato da vida.


O café da manhã dos micos. Obra do Mateus

O pássaro azul na sala
Foto do Leandro


Diálogos marcantes envolvendo o Mateus:

#1
Mateus: cadê o...
Lito: o Leo.
Mateus: não, o do cabelinho assim [e faz um gesto indicando cabelo curtinho]...
Lito: o Leo.
Mateus: não, o maluquinho!
Lito: o Leo.

#2
Mateus: você tem que lutar
Leo: e se eu for a favor da paz?
Mateus: você não é não!
Leo: e se eu for o Dalai Lama?
Mateus: vem cá, porquinho da lama! [e sai correndo atrás do Leo com uma espada de brinquedo na mão]

#3
Mateus encontra uma joainha e vem com ela no dedo mostrando pra todo mundo.
eu: qual o nome dela?
Mateus: Leonardo [homenagem ao Leo? Ou ao Leonardo das Tartarugas Ninjas? Jamais saberemos]
Passa um tempo e ele volta sem a joainha.
eu: cadê a joaninha, Mateus?
Mateus: soltei na natureza!


Fim de festa

Certezas:
Esses poucos dias em Goiás me trouxeram algumas certezas. A principal é que um encontro anual é muito pouco... precisamos de mais! As outras são as seguintes:

1- Leo é mesmo filho do Tanner;
2- Thiago é mesmo primo do Leo;
3- Ana Lúcia é mesmo tia do Leo;
4- Bruno é mesmo sobrinho do Tanner.

E não me perguntem o motivo! :-)

Mais dos encontros da família Borges:
2010 (aquiaquiaquiaquiaqui)
2011 (aquiaquiaquiaqui)
2012 (aqui)

2013 (aqui)

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Livro: Just Listen



Mais um livro para o projeto Leitor Parceiro da Set Palavras. O livro da vez foi Just Listen - A garota que esconde um segredo,  de Sarah Dessen, publicado pela Editora Difusão Cultural do Livro - Selo Farol Literário

Desde que A menina que roubava livros surgiu, trouxe a reboque uma série de livros que tinham "a menina", "o menino", "a garota" ou "o garoto" no título. E uma parte significativa desses livros não era lá grande coisa. Então, quando abri o pacote, escolhido entre uma pilha de livros possíveis para a leitura do mês em parceria com a Set Palavras, fiquei decepcionada com o título Just Listen - A garota que esconde um segredo. E com a capa. Achei que seria mais um chick-lit, estilo que não gosto.

Acabei me surpreendendo. O livro está mais para YA (Young Adults), uma faixa etária que transita entre a juvenil e a adulta e que está em alta na literatura atual. A autora, Sarah Dessen, recebeu vários prêmios pelo livro e tem relativa fama nos círculos da YA. A história aborda temas comuns para jovens em idade escolar, como a amizade, a popularidade, os grupos, as fofocas. Mas também toca em coisas mais pesadas, como distúrbios alimentares, depressão, abusos, violência. Vamos à trama…

Annabel Greene é a narradora e personagem principal da história. É uma adolescente no último ano da escola, preocupada com a volta às aulas. No último dia de aula do ano anterior, sua melhor amiga Sophie pegou o namorado, Will Cash, com Annabel. A garota não conseguiu se explicar e passou as férias sozinha. A volta à escola parece um pesadelo: sempre que pode, Sophie chama Annabel de vadia. Seus amigos não a procuram mais e ela fica isolada na hora do almoço, sentada no muro da escola, ao lado de Owen, um colega que também não tem amigos.

A menina trabalha como modelo, apesar de não gostar muito, e tem que lidar com uma família que prefere varrer as coisas para debaixo do tapete. Sua irmã Whitney está enfrentando um distúrbio alimentar, mas ninguém em casa fala disso, especialmente porque sua mãe já teve depressão há alguns anos e todos ficam tentando fazer com que essa situação não volte. Enquanto parece querer alguém para conversar, para contar de sua dor, Annabel não consegue falar com ninguém e se fecha cada vez mais. Owen, com sua paixão pela música, consegue quebrar parte da casca sob a qual Annabel se esconde, mas nem isso é suficiente.

A história é um tanto previsível. É simples saber qual o segredo de Annabel - nem é preciso esperar 13 capítulos para confirmar. Também é fácil descobrir o final de praticamente todos os personagens, até dos secundários. Isso não tira o mérito do livro ao abordar temas mais sérios, apenas o faz perder um pouco do fôlego.

Uma coisa que o projeto Leitor Parceiro da Set Palavras está me ensinando é a não julgar o livro pela capa - ou, neste caso, pelo título. Just Listen é daqueles que jamais faria parte da minha estante – pelo nome, pela capa, pelo conteúdo –, mas tem lá suas qualidades, em especial tocar em temas mais sérios do que a literatura juvenil costuma oferecer.


* A postagem original pode ser vista aqui

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 25 de novembro de 2014

Citações 76

De Lendo Lolita em Teerã, de Azar Nafisi:

Era irônico que o senhor Bahri, o defensor da fé, descrevesse o véu como um pedaço de pano. Tive que lembrá-lo de que precisávamos ter mais respeito por aquele "pedaço de pano", em vez de forçá-lo sobre pessoas relutantes. O que ele imaginou que nossos alunos pensariam a nosso respeito se nos vissem usando um véu que juramos jamais usar? Não acha que eles diriam que vendemos nossas crenças por uns poucos tumans por mês? O que o senhor acha, senhor Bahri?
O que ele poderia pensar? Um aiatolá, um filósofo-rei cego e improvável, decidira impor seu sonho sobre um país e sobre um povo, e nos recriar segundo sua própria visão míope. Desse modo, ele formulara um ideal de mim, como mulher muçulmana, como professora muçulmana, e queria que eu parecesse, agisse e, em resumo, vivesse de acordo com aquele ideal. Laleh e eu, quando recusamos aceitar aquele ideal, não tomamos uma posição política, mas, sim, existencial. Não, eu poderia dizer ao senhor Bahri, não era o pedaço de pano que eu rejeitava, era a transformação que era imposta a mim, que me fazia olhar no espelho e odiar a estranha na qual me tornara. 

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #52

1 - Ao mestre Fernando, com carinho
Texto lindo da Ana Paula Pedrosa sobre a polêmica envolvendo o curso de Jornalismo da Puc-Minas. Ela só foi aluna do Fernando. Eu tive a sorte de aluna do Fernando e do João Carlos e aprendi pra caramba com eles. Acho que a Puc e os novos alunos perdem demais com o desligamento desses dois mestres. Que podem não ter título acadêmico, mas que são mestres de verdade, detentores de grande saber e que, gentilmente, passam esse saber pros alunos. Se eu pudesse, estaria lá, subindo na mesa e gritando Oh, capitan, my capitan pros dois.

2 - Esqueça tudo o que você sabe sobre HIV
Vi no Brasil Post e fiquei horas com o texto na cabeça. Escrito por alguém que se autodenomina Jovem Soropositivo. Que tira da obscuridade vários pontos sobre o HIV e sobre como se relacionar com alguém soropositivo. Muito bom.

3 - Casa de festeiro, espeto de pau
Do André Barcinski, sobre vizinhos, respeito, festas, perda de limites e essas coisas com as quais somos confrontados cotidianamente ao viver em sociedade.

4 - De mãe pra filha
Já falei que adoro a Clara Averbuck, com seus textos sempre incríveis? Acho que já... Também já falei o tanto que curto o blog Lugar de Mulher. E a Clara escreveu essa lindeza pra Catarina, filha dela. É de chorar de emoção.

5 - A chave do sucesso
Da Rosana Hermann, sobre sucesso, insucesso, parâmetros, genialidade, representatividade e tantas outras coisas. O texto é curtinho, mas dá pano pra manga.

6 - Os mistérios do autismo
Mais um texto lindo da Andréa sobre o Theo, o autismo e tudo o que podemos aprender com esses mistérios insondáveis que aparecem na vida da gente.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 23 de novembro de 2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Citações 75

De Lendo Lolita em Teerã, de Azar Nafisi:

Um romance não é uma alegoria, disse, enquanto a aula estava perto do fim. É a experiência sensual de um outro mundo. Se vocês não entrarem nesse mundo, segurarem sua respiração com os personagens e se deixarem envolver pelo seu destino, vocês não serão capazes de se solidarizar, e a empatia está no âmago do romance. É assim que se lê um romance: vocês inalam a experiência. Desse modo, comecem a respirar. Quero apenas que vocês lembrem disso. Isso é tudo; a classe está dispensada. 
E...

(...) não podemos experimentar tudo o que os outros vivenciaram, mas podemos compreender até mesmo os indivíduos mais monstruosos das obras de ficção. Um bom romance é aquele que mostra a complexidade dos indivíduos; e que cria espaço suficiente para que todos esses personagens tenham uma voz; desse modo, um romance é chamado de democrático - não porque defenda a democracia, mas porque ele é assim, por sua natureza. A empatia está no centro da questão, no âmago de Gatsby, como no de tantos outros grandes romances - o maior pecado é ficar cego diante dos problemas e dos sofrimentos das outras pessoas. Não enxergar esse problema e esses sofrimentos significa negar sia existência.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

De quando as coisas andam

Hoje eu entro na casa dela e vejo tudo diferente. Há mais pó por todos os cantos. Há papéis espalhados, sacolas, coisas agrupadas. Móveis que foram arrastados. Objetos tirados do lugar. Um cheiro diferente no ar. Menos vasos de “folhagens”, como diria a Tia Leda.

Quando o Renato e a Mônica subiram as escadas e escolheram duas imagens – um São José e uma Santa Terezinha –, meu coração deu um longo suspiro de alívio. Uma imagem de santo pode não ser nada, pode ser pequena perto da enormidade de coisas que há naquela casa. Mas estão em mãos que a Tia Ylza aprovaria e isso basta.

Quando o Mário me chamou pelo celular dizendo que passaria na porta da casa e descemos com uma caixa e uma sacola cheia de livros, sabia que eles seriam – e serão – lidos por quem realmente valoriza aqueles volumes.

Quando a Nanda respondeu meu pedido de ajuda, eu soube que, mesmo que demore, tudo vai se resolver. Que o olhar lindo dela vai encontrar solução, destino ou uso para coisas que eu não imagino o que mais podem ser.

Quando passei pelo corredor, meus olhos se detiveram na Folhinha do Coração de Jesus, onde cada marcação de dia é arrancada. E estava lá: 23 de agosto de 2014. O dia em que o seu mundo – e o meu – parou.

Já entrei na casa sozinha, morrendo de medo de desabar de chorar. De novo, pedi desculpas pela invasão e fiquei imaginando que estava ali só para resolver o problema do gato – um dia em que um gatinho caiu no pátio e Leo e eu ficamos tentando tirá-lo de lá, devolvê-lo para a mãe, enquanto a Tia Ylza, que tinha pavor de gatos, ficou no quarto escondidinha. Como se todas as ações de agora e posteriores naquela casa fossem devolver um gatinho à ninhada enquanto a Tia Ylza está por ali, apenas confiando em minhas ações.

Seria bom se tudo fosse tão simples quanto foi solucionar o problema do gatinho. 



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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...