domingo, 30 de março de 2014

Treze

Dia desses, li um texto do Trilhos Urbanos sobre uma pessoa que ia viajar sozinha e contava que as pessoas estavam preocupadas em como ele aguentaria viajar sem uma companhia. O autor diz que todos os questionamentos falam muito sobre como as pessoas lidam com a solidão. E esse texto me fez pensar muito em mim, na minha solidão, na minha vida.

Houve uma época, há muitos anos, em que o que eu mais queria era estar sozinha. Já falei sobre isso aqui. Mas retomo o tema porque há certos dias em que a solidão me apavora. E hoje, quando Leo e eu completamos trezes (treze!!!!!) anos juntos, acho que é algo bem apropriado.

Por alguns motivos familiares, de trabalhos e de estudos, quase não tenho ido a BH com o Leo. Mas todo fim de semana ele bate ponto lá. Fico aqui em OP mesmo, com vovó, Tia Ylza e Cuca, estudando, trabalhando, fazendo quebra-cabeça (produção temporariamente parada por falta de espaço), lendo, vendo filme.

Durante a semana, Leo pode atestar, durmo cedo. Minha bateria já começa a falhar lá pelas 21h. Raramente passo de meia-noite, mas, quando isso acontece, estou acabada, destroçada, zumbizada no dia seguinte. Mas quando Leo não está aqui comigo, meu corpo resiste a dormir. Fico até altas horas acordada, lendo, escrevendo, ouvindo música, vendo filme. Em geral, na minha mesa. Sempre pensando em coisas pra fazer ou pra adiantar.

Depois de ler o texto do Trilhos Urbanos é que parei pra pensar. Talvez (hipótese bastante plausível) eu relute em ir dormir quando o Leo não está aqui porque é muito, muito difícil encarar a cama sem ele. É difícil ver aquela imensidão de colchão sem a presença calorosa dele. Mesmo que eu ajeite os travesseiros dele de modo a ficar a impressão de que há alguém ali do lado. Não adianta tentar um autoengano: Leo não está lá. E eu fico com saudade do abraço, do morno regaço onde eu deixei um pedaço de mim, como diz a música do Skank. Então, pra que dormir? Mesmo que eu seja a pessoa que nunca tem insônia, que encosta e dorme, que apaga cedo ou que, um dia, já se questionou sobre a necessidade de dormir já que há sempre tanta coisa a ser feita.

Nesses treze anos juntos, aprendi muita coisa. Já falei várias vezes que o Leo é a pessoa que me coloca no rumo, que puxa meus pés pro chão quando tudo parece desmoronar. Ele é o companheiro perfeito pra mim, porque completa as minhas falhas, quase como as peças que completam um quebra-cabeças. E, como diz Chico Buarque, "nós, nas travessuras das noites eternas, já confundimos tanto as nossas pernas" - nas noites solitárias, "diz com que pernas eu devo seguir"?

Ano passado, quando completamos doze anos juntos, o texto foi mais feliz, mais pra cima. Mas nada mudou de lá pra cá. O amor, a gratidão, o companheirismo são os mesmos. Talvez, apenas mais depurados. Ou, ainda, a saudade esteja maior nesses dias solitários; e esteja gerando uma vontade ainda maior de ficar com o Leo.

E dessa vez, vamos de Skank.

Os Exilados
Meu coração tá batendo de amor e cansaço
Saudade do abraço, do morno regaço onde eu deixei
Um pedaço de mim, um pedaço de mim

Meu coração parecendo um lobo rubro aço
Ficou mudo no abraço, é de veludo o laço com que eu atei
Um pedaço de você, um pedaço de você

Com você eu vou mais longe
Que os cristos, que as crenças
Que o bonde de valença
Com você eu vou mais longe ê

Meu coração é o seu
Seu coração é o meu
Meu coração é o seu
Seu coração é o meu

Meu coração tá batendo de amor e cansaço
Saudade do abraço, do morno regaço onde eu deixei
Um pedaço de mim, um pedaço de mim

Com você eu vou mais longe
Que a ilha de mallorca
Onde a porca torce o rabo
E o diabo nos esconde

Meu coração parecendo um troço, um erro crasso
Tipo "lost in the space", não entende o estilhaço
Que é só, eu sei
Um balaço de amor, um balaço de amor

Com você eu vou mais longe
Que os cristos, que as crenças
Que o bonde de valença
Com você eu vou mais longe ê

#ficamaisemOP #voltaLeo #tretanafirma #desculpaísogra #amoreternoamorverdadeiro #saudadesmil


#Cucatáteesperando

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...



sexta-feira, 28 de março de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #25

1 - Gourmetização da vida
Olha, tem muita coisa na vida sendo "gourmetizada". Esse Tumblr é só sobre comidas. E tem coisas muito ~estranhas~ por lá. Vale dar uma conferida.

2 - Tempo, tempo, tempo, tempo
Do Bichinhos de jardim, uma reflexãozinha sobre o tempo e como ele, às vezes, dá umas rasteiras na gente.

3 - Mentirinhas
Uma tirinha do Fábio Coala sobre como a internet dá uma espécie de ~poder~ para as pessoas.

4 - Inteiro
Uma das Cartas Amarelas do Gui Poulain em que ele fala sobre ser inteiro. É um texto super gracinha, como são todos os das cartas amarelas dele.

5 - Nossos próprios paparazzi
Post da Nadja sobre como adquirimos uma necessidade de publicar sobre coisas aleatórias da nossa vida. Bom pra refletir sobre como estamos nos portando atualmente.

6 - Woody Allen, yada yada
Mais um texto sobre Woody Allen e a acusação de pedofilia que ele está sofrendo. A Juliana Cunha fala, aqui, sobre motivações, confissões e outras coisinhas que estão à volta do caso.

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quarta-feira, 26 de março de 2014

Pílulas do momento #12

1 - Travesseiro
Ainda sob o impacto de ter dado um travesseiro de presente de Amigo Oculto. Mas gostei do caso e estou pensando em listar pessoas que tenham cara de receber um travesseiro de presente.

2 - Carnaval da distensão
Uma semana antes do carnaval, arrumei uma distensão no músculo atrás da bunda, na perna esquerda. Além da dor de sempre, parecia que tinha uma mão invisível me dando beliscões na bunda o tempo todo. Não foi legal. Por outro lado, me indicaram o remédio Musculare. Resolveu o problema da dor, mas me deu um sono tão, mas tão intenso que acabei descobrindo um ótimo remédio pra dormir. Sério: três horas depois de tomar o Musculare, não dava conta nem de pronunciar meu nome. Acho que nunca dormi tão intensamente em toda a vida.

3 - A morte e seus efeitos
Ainda no carnaval, uma amiga perdeu a mãe. E lá fomos nós ao velório. Foi inevitável encher os olhos de lágrimas pensando em quanto a vida é frágil, em quanto é simples deixar de existir.

4 - As crianças
No carnaval também foi tempo de rever dois dos sobrinhos fofos, filhotes dos meus amigos. O Miguel e a Júlia. Cada um mais fofo que o outro, e cada um à sua maneira. O Miguel divertiu todo mundo correndo atrás do Leo e falando "Leúúúú". A Júlia, risonha o tempo inteiro, super curiosa, engatinhando pra todos os lados. Delícia reencontrar essas crianças, seus pais e outros amigos. Mesmo sentindo dor na perna o tempo todo :-s

5 - Ouro Preto e BH
Neste ano teve carnaval em Ouro Preto, como sempre, e carnaval em BH, como nunca. Na capital foram cerca de 150 blocos de rua, algo inédito. Se em 2013 alguns blocos foram chegando de mansinho, neste ano a coisa pegou fogo. Um reflexo, aprontado pelo motorista que nos trouxe de volta a OP e pelo meu irmão, que sempre fica em OP nessa época: teve menos gente nas ruas. Para eles, o carnaval de BH tirou turistas de OP, o que é ótimo, porque há tempos a cidade não comporta o tanto de gente que vem pra cá. Por outro lado, teve facada, tiro e muitos assaltos em OP. Ah, carnaval...

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segunda-feira, 24 de março de 2014

Livro: Como ver um filme



Comprei esse livro, da Ana Maria Bahiana, há muitos anos. Comecei a ler e estava amando, mas alguma coisa - não me lembro o quê - fez com que eu adiasse a leitura. Retomei agora e foi muito bom poder terminar.

Como ver um filme é como uma grande aula básica sobre cinema. A autora é crítica de cinema e atua há vários anos em Hollywood. O tempo dedicado ao cinema fez com que ela pudesse construir o livro com um olhar mais técnico e, ao mesmo tempo, mais didático. É um bom livro para quem está começando a gostar de cinema e quer entender algumas características dos filmes de Hollywood (por exemplo, que se um personagem em um drama/ação olhar carinhosamente para uma foto da família, ele não vai sobreviver - o máximo de sua vida, no filme, é de 15 minutos após o contato com a foto). De fato, ela se dedica mais ao cinema americano, com pouca atenção ao cinema mundial. Não acho que isso prejudicou o livro, já que a linguagem do cinema americano é padrão no mundo. E, afinal, sabendo um pouco mais sobre ele, é possível pensar e analisar filmes de outras partes do mundo, que têm linguagem própria.

Gostei muito do livro, é um guia muito bacana. Mas, como já tinha feito o curso de Teoria, Linguagem e Crítica do Pablo Villaça, muita coisa foi dispensável pra mim como conhecimento novo. Mas foi bacana demais relembrar.

Uma coisa bem legal do livro são as listas que a autora faz, com sugestões, metáforas visuais, alguns filmes de determinado estilo. Com elas é possível direcionar o olhar para pontos importantes do modo de se fazer filmes e para filmografias.

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sábado, 22 de março de 2014

Citações 53

Do sábio catalão que foi amigo do último Aureliano, em Cem anos de Solidão:


No entanto, não houve ser humano capaz de persuadi-lo de que não levasse com ele os três caixotes quando regressou à sua aldeia natal, e soltou impropérios cartaginenses contra os inspetores do trem que tratavam de despachá-los como carga, até conseguir ficar com eles no vagão de passageiros. "O mundo terá se fodido de vez - disse então - no dia em que os homens viajarem de primeira classe e a literatura no vagão de carga".

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quinta-feira, 20 de março de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #24

1 - O escritor que adotou órfãs para criar a mulher 'perfeita'
Do Livros só mudam pessoas, sobre como o escritor Thomas Day, após tomar um pé na bunda de duas noivas, resolver adotar duas órfãs pra criar a mulher perfeita. Uma mulher que tava mais pra escrava do lar e sexual do que qualquer outra coisa. Um nojo, mas vale a leitura. Quantas vezes não tentamos fazer coisas parecidas com quem está ao nosso redor?

2 - Quero registrar meu som, tá ligado?
Post da Biblioteca Nacional, sobre como registrar músicas. Em fevereiro deste ano, um "compositor" do Acre apresentou a letra de uma música em homenagem a Chico Mendes. O problema é que a letra é de um compositor de Ouro Preto e foi samba-enredo de uma escola de samba daqui há aproximadamente 20 anos. Registrar é o caminho pra evitar esse tipo de coisa. O negócio foi tão feio que a página que divulgava a "homenagem" do cara a Chico Mendes até saiu do ar.

3 - Por que saí do Facebook, que está fazendo 10 anos
Post da Rosana Hermann sobre o Facebook e como ele está perdendo o sentido. Ela fez o que eu queria fazer, mas ainda não posso, por conta do trabalho. Pena...

4 - Kindle e o amor pelos livros de papel podem andar juntos
O texto é da Anita Efraim e, sim, concordo bastante.

5 - Woody Allen e meu machismo
Texto super bacana do Darllan Cruz sobre esse mundo que cria homens para serem machistas e opressores. O texto vai por um caminho que eu não concordo muito, que iguala autor e obra, e são coisas diferentes, na minha opinião. Mesmo assim, vale a reflexão. Ainda mais pras mães de meninos: será que elas querem que seus filhos sejam opressores?

6 - Beijo de novela
Da Juliana Cunha, sobre o beijo do casal Félix e Nico na novela das 21h da Vênus Platinada.

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terça-feira, 18 de março de 2014

Os 100 melhores filmes do Cinema de Buteco

O Cinema de Buteco promoveu a eleição dos 100 filmes favoritos da equipe e dos colaboradores. Votamos e o Lucas fez a compilação. Foram mais de 50 pessoas participando e cerca de 400 filmes eleitos. O resultado está aqui.

Depois de ver a lista completa, decidi que a minha estava toda errada, porque não citei vários filmes que amo. Mas não dá pra resumir em 15 filmes todo o amor pelo cinema. Voltei à minha lista e decidi que estava bom mesmo. A minha lista segue abaixo (com os links do que já falei sobre esses filmes):

Aline Monteiro
(Cinema de Buteco)
1- O Poderoso Chefão / O Poderoso Chefão 2
3- Festim Diabólico
4- Os Bons Companheiros
5- Asas do Desejo
6- 12 Homens e Uma Sentença
7- Morangos Silvestres
8- Filhos do Paraíso
9- Alien
10- Interlúdio
11- A Ostra e o Vento
12- Morango e Chocolate
13- Os Famosos e os Duendes da Morte
14- Conta Comigo
15- O Mágico de Oz

É possível ver quem votou e suas listas de 15 melhores filmes aqui.

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domingo, 16 de março de 2014

Livro: As relações perigosas



Pela segunda vez, li As relações perigosas, de Chordelos de Laclos. Na primeira, li para o meu TCC em Jornalismo. Não foi um dos principais analisados para o projeto experimental, mas continha o nosso ponto central, o adultério feminino, e por isso a obra foi lida. Na época, estava muito focada no adultério e não percebi várias outras coisas do romance.

Agora, o livro foi o escolhido da vez do Clube de Leitura da Set Palavras e foi uma ótima oportunidade de retomar o texto e deixar que as nuances do livro pulassem à minha frente com toda a intensidade. Até comentei com o Valter que, desta vez, os personagens estavam mais maldosos. Ao terminar, o sentimento foi de ter lido um grande livro. E deu, ainda, vontade de ver três dos filmes baseados nele: As ligações perigosas, Valmont e Cruel Intensions. Vou trabalhar nisso.

O livro foi escrito em 1782, de forma epistolar. Não há um narrador, não há um "eu" que toque o romance. Cada personagem é responsável por sua própria narrativa. Isso é muito bacana, porque cada carta tem um estilo próprio, cada autor tem uma forma diferente de escrever e de narrar suas aventuras. Também é pelas cartas que as personalidades são construídas, e é fácil ver que é mau, que é ingênuo, quem é manipulável.

Os personagens principais são o Visconte de Valmont e a Marquesa de Merteiul. Os dois foram amantes e mantém um contato bem próximo. Gostam da boa vida e das intrigas, e não se intimidam quando surge a oportunidade de uma vingança. É pelas ações dos dois que a trama é urdida. Ainda estão no centro da ação a jovem Cécile de Volanges e seu ~namorado~, o Cavaleiro Danceny, e ainda a Presidenta de Tourvel. Costurando daqui e dali, Valmont e Merteiul fazem com que os destinos das outras três personagens seja traçado, em um caminho sem volta.

As relações perigosas é um romance denso. Achei difícil a leitura engrenar nas primeiras 20 páginas, nas duas primeiras vezes em que li. Mas depois, tudo flui e fica impossível desgrudar do livro. É impressionante ver como a maldade de Valmont e Merteiul traz consequências graves para a vida de quase todos os outros personagens da história. Enfim, é um romance maravilhoso, que faz pensar demais sobre as nossas relações sociais e como os atos podem destruir reputações. Mesmo hoje, quando a vida em sociedade não é tão regrada quando na França à época do livro, é muito fácil fazer com que a reputação de uma pessoa seja jogada fora. E, sendo verdade ou não um boato, é muito difícil fazer com que as pessoas se esqueçam do que foi fofocado.

Curioso que as notas do editor e do autor, no pé de página, façam referência a um livro de memórias de Cécile de Volanges, mas não consegui encontrar mais nenhuma obra do autor. Se alguém souber de algo, me avise, por favor.

P.S.: tentarei, a partir de agora, voltar a fotografar os livros que leio :-)

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sexta-feira, 14 de março de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #23

1 - Morador de rua vende livros embaixo de viaduto em BH e conquista clientela
Uma dessas histórias que emocionam a gente. E que me lembrou muito do tempo em que eu saía com o pessoal da Toca de Assis para dar comida a moradores de rua de BH. Vi no Livros só mudam pessoas.

2 - Da Antologia Poética de Carlos Drummond de Andrade
Esse poema do Drummond é uma gracinha! E é tão atual... O post é do grifeinumlivro, mas vi no blog da Alice.

3 - Como estar juntos
O texto foi publicado para homenagear o documentarista Eduardo Coutinho, que morreu de forma trágica no mês passado. Foi publicado no jornal argentino Pagina 12 e compartilhado pelo blog da CosacNaify.

4 - Faça uma dieta de leituras
Do blog do Danilo Venticinque. Aqui ele trata das fontes de leitura como aquela pirâmide alimentar que os nutricionistas adoram. A proposta ficou bem bacana.

5 - Imagens contam a história: vingança, herança da escravidão e impunidade
Do blog do Mário Magalhães. Nem tenho palavras pra comentar esse fato.

6 - Chega de brinquedo cor-de-rosa pra meninas
Um post da Rosana Hermann sobre aquele vídeo super bacana de um brinquedo para meninas espertas, que rolou já há alguns meses. O que me deixa feliz é que, se na minha época de criança era tudo dividido (fui proibida de jogar futebol porque era "coisa de menino"), hoje já dá pra fugir dessa divisão ridícula de gêneros nos brinquedos.

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quarta-feira, 12 de março de 2014

Citações 52

Sobre o Coronel Aureliano Buendía, em Cem anos de solidão:


Na verdade, o que interessava a ele era o trabalho e não o negócio. Era preciso tanta concentração para engastar escamas, incrustar minúsculos rubis nos olhos, laminar guelras e montar barbatanas e nadadeiras, que não sobrava um único vazio para ser preenchido com a desilusão da guerra. Tão absorvente era a atenção exigida pelo preciosismo de seu artesanato, que em pouco tempo envelheceu mais do que nos anos de guerra, e a posição torceu sua espinha dorsal e trabalhar com milímetros desgastou-lhe a vista, mas a concentração implacável o premiou com paz de espírito.



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segunda-feira, 10 de março de 2014

E a leitura virtual?

Em 2011, quando decidi voltar a estudar, decidi comprar um leitor virtual para não ter mais que comprar livros - ou ao menos evitar comprá-los, já que o volume complica a vida e eu ando querendo ser minimalista. Pesquisei um bocado até decidir comprar o iPad, que na época era o mais indicado para livros e textos em .pdf. Não me arrependi da compra. Uso muito o iPad, pra estudar, pra navegar, pra anotar coisas, pra organizar minha agenda e pra compromissos. Já usei pra jogar (Sudoku, um jogo de caça palavras e um de estourar bolinhas), mas hoje não tenho mais jogos.

Eu era uma pessoa feliz e satisfeita com o iPad até que ele começou a pesar na minha mão. O iPad é ótimo pra várias coisas, mas o meu ainda é pesado (é a versão 2) e a tela, apesar de ser melhor que o computador para a leitura, ainda não é a ideal. O peso me fez pensar em outra alternativa e eu fiquei de butuca ligada no Kindle, doida pra comprar um. Era uma das minhas propostas ao viajar pra NY no ano passado. Mas não rolou: o preço tava praticamente o mesmo e eu preferi deixar pra pensar mais um pouco. Afinal, um Kindle não era prioridade ou necessidade, era só uma vontade bem presente.

Daí que, em novembro de 2013, o Valter, meu amigo livreiro, decidiu vender o Kindle dele. O motivo era bem justo: ele comprou um iPad Mini, mais leve e mais adequado às necessidades dele. Claro que me candidatei e comprei o Kindle, modelo 4, bem básico e bem adequado às minhas necessidades: sem 3G, sem acesso à internet. Só tem wi-fi para comprar na Amazon. Ou seja: ideal para não perder o foco. E, o principal, leve. Bem leve.

Hoje, o Kindle substituiu o livro que sempre levei na bolsa. Não carrego mais pesos variados a cada leitura: o peso é um só e os livros lá dentro são vários. E aquela leitura de fila de banco, de fila de espera, de rodoviária, de ônibus, de avião, de ai-que-saco-ficar-aqui-sem-fazer-nada fica toda a cargo dele.

Não, jamais vou substituir os livros "de verdade". Só estou tentando melhorar minha relação com o peso que carrego na bolsa e com a praticidade. E, claro, com o espaço em casa, que anda pouco. E há livros que, mesmo lidos no Kindle ou no iPad, são necessários em papel. Necessários mesmo.

E pra descontrair, segue uma tirinha que vi na página do Prost e tudo no Facebook:



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sábado, 8 de março de 2014

Os dez livros mais importantes

Dia desses a Aline Mangaraviti me marcou numa postagem do Facebook para que eu dissesse os dez livros mais importantes da minha vida, entre ficção e não ficção. Resolvi ficar só nos de ficção, porque são, afinal, os que eu mais gosto. Assim, de supetão. Eu fui sincera com o que me veio à mente na hora, mas deixei algumas coisas de lado. E vou tentar reparar o erro. Vale lembrar que as minhas listas não estão em ordem de importância, mesmo que a primeira delas comece com O retrato de Dorian Gray, que é meu livro favorito da vida.

A lista que publiquei é:

• O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
• Grande sertão, veredas - Guimarães Rosa
• O encontro marcado - Fernando Sabino
Antígona - Sófocles
O evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago
Hibisco roxo - Chimamanda Adichie
• Admirável mundo novo - Aldous Huxley
• O nome da rosa - Umberto Eco
• Todos do Sítio do Pica-pau Amarelo, em especial Viagem ao Céu - Monteiro Lobato
• Por quem os sinos dobram - Ernest Hemingway

Mas há algumas falhas irremediáveis nessa lista. Que fui me lembrando depois. E que fizeram muito por minha vida de leitora. Alguns deles estão aqui:

• Aventuras de Alice no país das maravilhas - Lewis Carroll
• Aventuras de Xisto - Lúcia Machado de Almeida
• A marca de uma lágrima - Pedro Bandeira
• A droga da obediência - Pedro Bandeira
• Brim azul, a história de uma calça - Ganymedes José
• Chapeuzinho amarelo - Choco Buarque
• Todos da Laura Ingals Wilder
• Os crimes ABC - Agatha Christie
• O caso dos dez negrinhos - Agatha Christie
• Assassinato no Expresso Oriente - Agatha Christie
• O assassinato de Roger Ackroyd - Agatha Christie
• O vermelho e o negro - Stendhal
• A moreninha - Joaquim Manoel de Machedo
• Dom Casmurro - Machado de Assis
• O menino no espelho - Fernando Sabino
• Um estudo em vermelho - Conan Doyle
• Uma rua como aquela - Lucília de Almeida Prado
• Tesouro da Juventude
• O diário de Anne Frank
• O diário de Zlata
• Vastas emoções e pensamentos imperfeitos - Rubem Fonseca
• A cavalaria vermelha - Issac Bábel
Jane Eyre - Charlotte Brontë
Orgulho e preconceito - Jane Austen
• Mrs Dollaway - Virgina Wolf
• Pergunte ao pó - John Fante
• Olhai os lírios do campo - Érico Veríssimo
• Crime e castigo - Dostoievski
• O estrangeiro - Albert Camus
• A menina que roubava livros - Mark Zuzák
• Trilogia Millenium - Stieg Larson

Há outros, que não me recordo agora (já falei que a minha memória não presta, né?).

O Danilo Venticinque recolheu as listas de algumas pessoas e publicou aqui. Vale a pena pra se inspirar, né?

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quinta-feira, 6 de março de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #22

1 - Dez passos para combater o nosso machismo ridículo
É fato que o mundo é machista. E é dureza ser mulher em um mundo machista. O ideal seria que o machismo acabasse e as pessoas pudessem viver em equidade. O texto do Sakamoto fala sobre uma educação diária para se deixar o machismo de lado e caminhar para a equidade. Vale a leitura.

2 - "Contra o Facebook", por Marion Strecker
Do blog do Mário Magalhães, um desabafo sobre como o Facebook faz a gente perder tempo. E tempo pode ser aproveitado com coisas mais - digamos - adequadas.

3 - Véi, mano, coitada da Clarice Lispector
Texto da Tati Bernardi repliacado pela equipe do Livros só mudam as pessoas. Fala sobre como a autoria de certos tem enganado as pessoas. Especialmente porque, na maior parte das vezes, não paramos para pensar que é impossível que Fulano tenha dito tal coisa.

4 - Offline por obrigação
Texto super bacana da Cecilia Arbolave, no Trilhos Urbanos. Ela fala sobre a dificuldade de ficar offline por conta da vida e do trabalho (super me identifico) e como algumas surpresas da vida, ao nos forçarem a desligar as redes, podem render coisas muito legais.

5 - Sem futuro
Texto delícia, pra variar, da Ana Paula Pedrosa, sobre a profissão de jornalista. Acho que todos os jornalistas já passaram por uma situação parecida uma vez na vida.

6 - Cinco resoluções de ano novo que deveriam viralizar em 2014
Texto da Ana Carolina Moreno no Pensar enlouquece, sobre coisas que deveríamos fazer "pra ontem" pra viver melhor.

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terça-feira, 4 de março de 2014

Citações 51

De O chamado do cuco, de Robert Galbraith (pseudônimo de J. K. Rowling):

Esta noite, porém, ele não podia deixar de ver a mãe como uma irmã espiritual da garota bela, deprimida e carente que se arrebentou numa rua congelada, e com a sem-teto simples e intrometida que agora jazia no necrotério gelado. Leda, Lula e Rochelle não foram mulheres como Lucy, ou a tia Joan; não tomavam precauções sensatas contra a violência e o acaso; não se prenderam à vida com hipotecas e trabalho voluntário, maridos seguros e dependentes de cara limpa: suas mortes, portanto, não eram classificadas como 'trágicas', como aquelas de donas de casa moderadas e respeitáveis.  
Como era fácil tirar proveito da tendência de uma pessoa à autodestruição; como era simples empurrá-la para a inexistência, depois recuar, dar de ombros e concordar que este fora o resultado inevitável de uma vida caótica e catastrófica.

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domingo, 2 de março de 2014

Filme: Os suspeitos

Prisioners - 2013 (mais informações aqui)
Direção: Dennis Villeneuve
Roteiro: Aaron Guzikowski
Elenco: Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Viola Davis

Curto muito um suspense, bem na linha deste filme. Suspense mais psicológico, sem rios de sangue correndo, mas com muita coisa pra se pensar. Amei Os suspeitos. Só lamento que a tradução tenha sido essa, e não Prisioneiros, numa linha mais literal.

O filme conta a história de duas famílias, os Dover e os Birch, que levam uma vida normal até o dia em que, durante um almoço, as filhas pequenas de cada família, Anna Keller e Joy Birch, ao saírem de casa para brincar, não voltam. Keller Dover fica alucinado para encontrar a filha. E a polícia parte em busca de um trailler que estava estacionado próximo às casas e que chamou a atenção das meninas no passeio de mais cedo, com o irmão de uma delas. O trailler é encontrado e o motorista levado para a delegacia. Mas nem sinal das meninas.

O motorista é uma pessoa com uma deficiência mental aparentemente leve. Alex tem o Q.I. de uma criança de 10 anos e parece ser inofensivo. Vive com a avó numa casa simples. A polícia logo o libera. Mas Keller Dover não se conforma: para ele, Alex está envolvido no sumiço da filha. Keller confronta Loki, o policial encarregado do caso, e começa uma investigação paralela, que vai movimentar ainda mais a história e mostrar que nem tudo é como parece.

O que mais me chamou atenção no filme, além do roteiro amarradinho e da tensão que diretor e roteirista souberam passar tão bem, foi a paleta de cores. Tudo é acinzentado, não se vê uma cor quente. Essa frieza na paleta de cores faz parte da construção do ambiente de cena e dá muito mais dramaticidade à trama.

E o final... putz... Muito por causa do fim da história é que eu acredito que o título original seria bem mais adequado. Shame on you, tradutores-de-títulos-de-filmes!

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