terça-feira, 29 de julho de 2014

Citações 66

De A culpa é das estrelas:

- Está tudo bem. - Mas não estava, e depois de alguns instantes ele disse:
- Se você for ao Rijksmuseum, o que eu realmente gostaria de fazer, mas, a quem estamos querendo enganar? Nenhum de nós consegue passar horas andando num museu. Bem, de qualquer forma, dei uma olhada na coleção de pinturas deles pela internet, antes de virmos. Se você fosse lá, e espero que um dia consiga ir, veria várias pinturas de pessoas mortas. Veria Jesus na cruz, um cara sendo esfaqueado no pescoço, pessoas morrendo no mar, outras numa batalha, e um desfile de mártires. Mas nem. Uma. Criança. Com. Câncer. Sequer. Ninguém batendo as botas por causa da praga, nem da varíola, nem da febre amarela, nem nada, porque não existe glória na doença. Não há propósito nela. Não há honra em se morrer de

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 28 de julho de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #38

1 - A Taça não é nossa, a Copa sim...
Texto mara do Pablo Villaça sobre a Copa do Mundo e como ela repercutiu por aqui. Desde o pessoal que considerou fortemente que não ia ter copa, que daríamos vexame, que mil e uma coisas ruins aconteceriam; até por quem viu o lado positivo e por quem tentou se aproveitar desse lado positivo, passando ainda por uma diferença básica no perfil de quem vive no Twitter e quem vive no Facebook.

2 - Sobre Pikachus, parasitas sociais e a disputa pelo terceiro lugar da Copa
Do Sakamoto, sobre aquelas discussões que só a web proporciona. Porque sempre tem alguém pra reclamar e dizer que vc tem que fazer isso ou aquilo. Sério, não sei como o Sakamoto aguenta tanta gente maluca palpitando...

3 - Vamos nos unir contra os boatos!
Post fundamental da Kika Castro, também relacionado à Copa. Aqui ela fala sobre os inúmeros boatos que surgiram (e que sempre surgem) por aí e que uma porrada de gente compartilha sem nem parar pra pensar se aquilo faz sentido. Pior, sem procurar uma fonte confiável pra informação. O mundo anda muito chato com essa boataria sem fim!

4 - Teoria da conspiração: qual é a sua?
A Ana Paula Pedrosa arrasou aqui. O texto é, como diria Fichte (o alemão que me deixa doida), "claro como o sol". E muito divertido, sem deixar de ser reflexivo.

5 - Qual será o legado da Copa do 7 a 1?
Do André Barcinski, ainda sobre a Copa. Eu amei a Copa (adoro futebol, não é segredo pra ninguém), mas nem por isso deixei de pensar sobre a estrutura do futebol brasileiro. E o Barcinski fala sobre o que é humilhante no futebol brasileiro e que vai muito além dos 7 a 1.

6 - Autópsia de um boato
E fechando as indicações temáticas sobre a Copa, volto ao tema dos boatos e volto ao Pablo Villaça. Tudo beeeem explicadinho, pra não ter confusão.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 27 de julho de 2014

terça-feira, 22 de julho de 2014

Citações 65

De A culpa é das estrelas:

O Isaac me lançou um olhar ferino. 
- Tá, tem razão. Mas você cumpre a promessa mesmo assim. Amar é isso. Amar é cumprir a promessa mesmo assim. Você não acreditam em amor verdadeiro? 
Não respondi. Não tinha uma resposta para aquela pergunta. Mas tive a sensação de que se o amor verdadeiro existisse, aquela seria uma definição bastante boa para ele. 

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segunda-feira, 21 de julho de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #37

1 - 7 tipos de pessoas que você encontra em livrarias
Post antigo, mas gracinha, do Livros e Pessoas. Tem ocasiões em que é até engraçado encontrar um desses tipos nas livrarias.

2 - "Ermitanismo" virtual
Outro post antigo, da Tati Feltrin. Ela fala sobre as redes sociais, os aplicativos e como o mundo parece que usa essas ferramentas para deixar a gente louco. Muitas informações usadas por pessoas que fazem questão, apenas, de infernizar os outros.

3 - Quem são os nossos moradores de rua?
A Kika Castro fala sobre a pesquisa que mapeou os moradores de rua de BH. Ela reúne dados muito interessantes, mas bastante tristes. Vale a leitura, até mesmo pra pensar bastante sobre a sociedade em que vivemos.

4 - Vida de escriba
Um post super bacana da Rosana Hermann sobre a vida de redatores de programas de tv. Deu um pouco de saudade da época em que eu trabalhei com tv. E deu saudade de escrever como louca, como já fiz algumas vezes.

5 - Dez anotações sobre quartos fechados
Texto delícia do Marcelo Ferroni no blog da Companhia das Letras sobre o famoso "crime do quarto fechado" e todas (todas???) as suas formas de resolução. Pra quem gosta de literatura policial, é uma ótima leitura.

6 - OMG: um peito!
Mais um do Lugar de Mulher, dessa vez sobre o auê que fazem por aí por conta de peitos. E por conta de piadas que a gente não entende o motivo de serem consideradas piadas.

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domingo, 20 de julho de 2014

Opinião


Hahahahahaha!

Daqui.

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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Declaração de princípios

Depois que li esse texto da Camila, resolvi me inspirar e também escrever a minha declaração de princípios. Não que alguém tenha perguntado ou queira saber. Só acho legal deixar registrado.

- Lorde Henry é o melhor personagem da literatura universal.
- Breaking Bad é infinitamente melhor que Lost (mesmo assim, ainda amo Lost)
- Quem não gosta de cachorro não tem meu respeito.
- Chocolate, sorvete, pizza e feijão tropeiro, não necessariamente nesta ordem.
- Hoje admiro quem bebe chá.
- Alguns fast food são bons.
- McDonalds não pode sequer ser classificado como fast food.
- Twitter >>>>>>>>>>> qualquer outra mídia social.
- Chico > Caetano, Gil e os Novos Baianos juntos.
- Vôlei > futebol >>>>>>>>>> F1.
- Amor é algo construído. E isso não o diminui, de forma alguma.
- Aproveita-se muito mais a segunda graduação.
- A Copa de Futebol 2014 foi a melhor que eu já vi (e vejo desde 1986).
- A maior parte das comédias me dá preguiça.
- A totalidade das pessoas dramáticas me dá preguiça.
- TV só pra ver esportes.
- Foco não é meu forte. Seja em termos oculares, seja em termos de objetivo de vida.
- O Tesouro da Juventude me abriu as portas do mundo.
- Nunca vou conseguir ler tudo o que eu quero.
- Montar puzzles me acalma.
- Não voto em Aécio nem fudendo

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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Livro: Wittgenstein - o dever do gênio



Na primeira aula de Filosofia da Mente que tive, o professor indicou esse livro. Disse que é um ótimo livro e que sua leitura com certeza ajuda a entender a filosofia de Wittgenstein. Fiquei interessada e, como as bibliotecas da universidade estavam fechadas por conta da greve, tentei comprar. Aí veio o susto. Procurei em livrarias, sebos virtuais e até no Mercado Livre. E foi lá que encontrei o único exemplar à venda. Por R$ 500. Puxa... caro demais. Deixei de lado. Mas acabei encontrando o professor e comentei com ele sobre o livro-com-um-único-exemplar-caríssimo-disponível. Ele me emprestou sei livro, todo marcado e comentado. Pedi 15 dias para devolver. Mas não deu pra ler todas as 515 páginas. Devolvi já na metade e lamentei no Instagram que não consegui comprar o livro.

Aí veio a Tati, prima do Leo, engenheira e, pelo que vi, admiradora de Wittgenstein. Ela me prometeu que procuraria o livro em feiras no Rio e eu me comprometi em pagá-la, caso encontrasse o livro. E foi então que a Tati viu o livro na Estante Virtual. Três dias após uma livreira cadastrá-lo lá. E me passou o link. Foi aí que tive um Wittgenstein: o dever do gênio para chamar de meu. Valeu, Tati!

O livro foi escrito por Ray Monk e é uma pesquisa enorme sobre a vida de Wittgenstein, desde a vida de seu avô até a morte do filósofo. Monk explorou cadernos de anotações e diários de W. (escrever Wittgenstein o tempo todo é duro, hahaha), conversou com familiares e amigos e, assim, pode construir uma biografia isenta e completa. Com a leitura é possível entender os principais motivos das atitudes de W. e saber como a sua filosofia foi norteada.

W. teve uma vida muito rica, cheia de acontecimentos. Foi uma pessoa dura, muito dura consigo mesmo. Exigia de si mesmo uma atitude altruísta e considerava que sempre podia melhorar como pessoa. Tinha poucos, mas bons amigos. Para alguns deles, foi um tormento, já que sempre queria discutir filosofia exaustivamente. Mas sempre foi um bom amigo, leal.

Foi uma mente brilhante, que revolucionou a filosofia, apresentou novas formas de pensar e acabou mudando muitas coisas que já estavam consolidadas, especialmente no campo da linguagem.

W. não está no meu campo de interesse em filosofia, mas gostei demais de estudá-lo. A biografia ajudou demais a entender a matéria e ter vontade de conhecer mais sobre a sua obra. Estou lendo outro livro sobre W., depois falo sobre ele.

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segunda-feira, 14 de julho de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #36

1 - Não pode: ser bonita
Do Lugar de Mulher (tá ficando chato o tanto que indico leituras de lá?). Sobre beleza e seus padrões. E como o mundo anda chato com esses padrões.

2 - 18 de junho - Dia do Orgulho Autista
Eu sei que a postagem está muito atrasada. Quase um mês depois. Mas não acho que o conteúdo está datado. A Déa fala do Theo, seu filhote autista. E a Déa escreve bem demais, emociona, faz a gente viver cada palavra. Lagarta vira Pupa, um dos blogs mais lindos desse mundo.

3 - Tempo de viradas
Do Marcelo Coelho, sobre política, futebol e sobre nós, no meio disso tudo.

4 - Meu pequeno cinéfilo (não mais tão pequeno)
Sou fã do Pablo Villaça, ainda mais depois do curso de crítica que fiz com ele. E vê-lo ensinando o Luca a apreciar os filmes é uma delícia. Mas ver o Luca caminhando sozinho é melhor ainda.

5 - Guia turístico de BH com 90 dicas de passeio
Utilidade pública da Kika Castro. Pra mostrar que BH é show de bola!

6 - Desafio literário: livros esquecidos
Proposta da Camille para voltar a ler os livros que começou e não terminou. Eu deveria fazer algo do tipo, porque o número de livros que eu abandono é enorme. Vou pensar se tem como funcionar por aqui.

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domingo, 13 de julho de 2014

Males



Daqui.

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sexta-feira, 11 de julho de 2014

A dor de 1986 e a de hoje

Foi em 1985 que eu comecei a entender o que é futebol. Contei aqui como foi que conheci meus vizinhos e como o primeiro papo entre nós envolve futebol e a escolha do meu time do coração, o Atlético Mineiro. Foi nessa época que comecei a jogar futebol com os meninos do prédio e não, eu nunca joguei bem. Mas sempre gostei de jogar. Mesmo que eles pegassem leve comigo no começo (mas depois, me tratavam de igual pra igual). Futebol sempre foi uma paixão. E me abriu as portas pra gostar de outros esportes. Na verdade, pra gostar de quase todos.

Aí veio a Copa de 1986. E a meninada do prédio estava toda em polvorosa. Porque era futebol, porque era Copa, porque era o Brasil jogando. E o Brasil perdeu. Pra França. Nos pênaltis. Depois do Zico ter errado um pênalti no tempo normal. Sócrates errou uma das cobranças finais. E o Brasil perdeu o jogo e deu adeus à Copa, que foi da Argentina, daquela vez.

Por que estou me lembrando disso agora? Porque, naquele dia, há quase trinta anos, eu achei que a culpa era minha. Acabou o jogo, chorei, chorei, chorei e fui pro playground do prédio, tentando me esconder e controlar o medo, porque eu tinha certeza de que logo logo alguém vinha me buscar pra exigir explicações. Ao mesmo tempo em que me achava culpada, eu não conseguia definir o motivo. O quê, afinal de contas, eu tinha feito de errado pra fazer o Brasil perder o jogo? Só sabia que eu tinha feito alguma coisa, que a culpa era minha.

Muitos anos depois, quando já fazia análise, comentei com a Flávia esse sentimento de culpa. Claro que, com mais de vinte anos transcorridos, foi mais fácil entender o motivo de todo aquele medo, de toda aquela culpa. Naquele período da minha vida não havia outra alternativa a não ser sentir culpa e medo. Porque tudo me levava pra isso. Medo da violência física e emocional que se repetia diariamente; culpa por ter causado problemas em casa (mesmo que fosse deixar um lápis fora do lugar, todos os irmãos sofriam), no playground (em geral, a gente não podia gritar quando brincava naquela imensidão que era o play do prédio; também era proibido se machucar), na escola (qualquer nota que não fosse a melhor).

Comparando com a derrota de 7 a 1 na Copa de 2014, dá pra tirar algumas conclusões. Talvez, a principal é que a gente cresce e aprende a separar as coisas. É melhor perder de 4 a 3 nos pênaltis do que de 7 a 1 no tempo normal. É melhor entrar no campo de igual pra igual do que se achando superior. É melhor saber lidar com crianças e despejar suas frustrações em outro lugar. É melhor ter acompanhamento psicológico do que tentar lidar com medo e culpa sem ajuda. É melhor saber olhar pra trás e ver que o que passou, passou, do que ainda reviver os fantasmas do passado.

Meu sonho é que não haja uma criança, hoje, que se sinta culpada ou com medo, como eu me senti há alguns anos. Que os pais, enfim, entendam e executem seus papeis como pai, e não como carrascos.

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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Nome mimimi e blablablá

Já perdi a conta de quantas vezes falei do meu nome aqui. Algumas delas:

- Quando erraram o dito no meu certificado de conclusão da pós;
- Quando me chamavam no MSN ou no Adium, ou enviavam (ainda enviam) e-mail pensando contactar outra Aline Monteiro;
- Quando abriram minha correspondência e a grafia fez com que pensassem que o pacote era pra uma Oline;
- Quando ligaram pra casa do Leo procurando uma Aline Monteiro que trabalharia nas eleições e não era eu;
- Quando me ligaram achando que eu era outra Aline e o sujeito ainda me chamou de horrorosa;
- Quando tudo isso começou, com o Leo me fazendo descobrir uma Aline Monteiro jornalista, da minha idade, no Pará;
- Quando contei como me sinto com relação a um nome que não tem apelido fixo (no nº 1 dessa postagem linkada).

Também falei sobre o nome da minha bisavó, Enoe (não, você não leu isso errado. Não, eu não escrevi errado), e de como o nome serve pra diferenciar as pessoas #piadafamiliar. E também sobre a minha trisavó, Felicidade Perpétua, que era bem mal-humorada.

Acontece que outro dia parei pra pensar em como eu ando assinando os posts do blog: Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine. E me lembrei de quando, numa sessão de análise, disse pra Flávia que, quando alguém me chama de Aline, pronunciando o nome inteiro, me dá até medo. Porque parece que não sou eu. Como se o nome não combinasse comigo. Como se alguém chamasse uma bola de garrafa.

E, como tenho estudado Wittgenstein e as convenções da linguagem, ando matutando aqui com meus botões que alguém olha pra um bebê cabeludinho, enrugadinho e, de repente, coloca um nome nele (no meu caso foi assim, na época nem era possível saber o sexo do bebê antes do nascimento, e diz a história familiar que eu me chamaria Natália ou Letícia, até que minha mãe me viu, nascida, e mudou de ideia). Você decide um nome. E pode ser um nome legal, de família, estranho, ridículo, não importa. É um nome. É como vão identificar o outro pelo resto da vida. Phoda-se se ele não gostar. Alguém escolheu e assim está sacramentado em cartório.

Lembro de uma amiga cujo pai foi registrado com um nome e batizado com outro. Ele só descobriu o nome de registro quando estava prestando vestibular. E uma tia que possui uma letra a mais no nome de registro: Lélia no papel, Léia para os íntimos.

Tudo isso pra dizer que "Aline" não me representa. Ou, ao menos, não é adequado pra mim. Lile, Line, Nine são mais a minha cara. Talvez porque eu mesma tenha escolhido esses apelidos como meus. Talvez porque haja mais carinho neles, na forma como são usados, que fazem com que eu me sinta acolhida.

P.S.: nada contra quem me chamem de Aline, queria deixar isso claro. Só que sempre demoro um pouco pra responder, alguns segundos pra me dar conta de que é comigo mesmo :-)
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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Livro: A culpa é das estrelas

E então eu li A culpa é das estrelas, primeiro livro como Leitora Parceira da Set Palavras.

Gostei bem do livro, chorei demais, lembrei pra caramba dos meus dias de hospital com a Tia Leda, do medo que eu tinha dela morrer, do medo que eu tinha dela sofrer, dos poucos dias em que passamos com a certeza de que ela viveria muito pouco. Foram realmente poucos dias com essa sentença de morte. Imagina o que é viver três anos com um câncer terminal... A história de Hazel Grace me comoveu bastante. E fez o Leo rir de mim, do tanto que chorei.

E que venham mais livros como Leitora Parceira da Set!


culpa é das estrelas

Ser Leitora Parceira da Set Palavras se apresentou como um desafio, logo de cara. Entre três possibilidades de livros, em pacotes fechados, sem saber quais eram os títulos, escolhi o de médio porte, que se revelou um livro que não leria tão cedo. Não porque haja algum tipo de preconceito com culpa é das estrelaso grande sucesso da editora Intrínseca. Apenas uma questão de prioridades (e romances adolescentes não são prioridade no momento). Dito isso, vamos ao livro. 

culpa é das estrelas, de John  Green, é narrado por Hazel Grace Lancaster, uma adolescente de 16 anos que, desde os 13, está em fase terminal de um câncer nos pulmões. Após os três anos de luta diária contra a doença, ela já está irritada, cansada, irônica. Para se locomover, ela precisa estar conectada a um balão de oxigênio, num carrinho que é puxado, como se fosse um anexo ao corpo. Para dormir, ela tem um galão maior, a quem chama de Felipe. Alguns minutos desconectada do oxigênio, logo Hazel está ofegante e precisa ser hospitalizada. 

Conviver com um câncer em estágio terminal não deve ser algo simples. Mesmo que haja os "privilégios do câncer", algo que levou Hazel a completar o ensino médio antes da hora e ainda poder acompanhar aulas de uma universidade comunitária. A mãe de Hazel tenta estimular a filha a sair mais de casa, conhecer pessoas e tentar levar uma vida menos pesada. O Grupo de Apoio a Crianças com Câncer é uma opção, apesar de Hazel não gostar de lá. A única coisa boa é seu amigo Isaac, que também anda bastante impaciente. Atendendo um pedido da mãe, Hazel vai ao grupo de apoio e conhece Augustus, amigo de Isaac. O garoto, de 17 anos, teve um osteossarcoma que levou à amputação de parte de sua perna direita. Ele está SEC (Sem Evidências de Câncer) há algum tempo. 

O encontro de Hazel e de Augustus leva a uma mudança na vida dos dois. Juntos, eles descobrem que o mundo nãoé uma fábrica de realização de desejos, mesmo que alguns deles possam, sim, ser realizados. E, ainda, que alguns infinitos são maiores que outros. 

A leitura é rápida e fluida. E, o principal, emocionante. culpa é das estrelas é um livro que pode te levar dos sorrisos às lágrimas num minuto. E que, inevitavelmente, vai levar a alguma reflexão sobre a vida, as prioridades (como a minha sobre os romances adolescentes…), sobre os valores que carregamos por aí. 

Usando o critério Skoob de pontuação, culpa é das estrelas  merece três (***) em cinco estrelas


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terça-feira, 8 de julho de 2014

Citações 64

De O visconde partido ao meio, de Italo Calvino:


- Que se pudesse partir ao meio toda coisa inteira - disse meu tio, de bruços, no rochedo, acariciando aquelas metades convulsivas de polvo -, que todos pudessem sair de sua obtusa e ignorante inteireza. Estava inteiro e para mim as coisas eram naturais e confusas, estúpidas como o ar: acreditava ver tudo e só havia a casca. Se você virar a metade de você mesmo, e lhe desejo isso, jovem, há de entender coisas além da inteligência comum dos cérebros inteiros. Terá perdido a metade de você e do mundo, mas a metade que resta será mil vezes mais profunda e preciosa. E você há de querer que tudo seja partido ao meio e talhado segundo sua imagem, pois a beleza, sapiência e justiça existem só no que é composto de pedaços. 


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segunda-feira, 7 de julho de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #35

1 - Um período mais verde com o copo menstrual
Post da Rita, sobre o coletor menstrual. Além de ser uma opção super confortável (e eu já falei sobre isso aqui e aqui), ainda ajuda o meio ambiente e o bolso. Aposentar absorventes é o que há, sou super defensora dos coletores.

2 - Livro "BH nas Ruas"
Um trabalho super bacana pra quem é da área da comunicação. O Carlos D'Andrea comandou esse projeto, em parceria com a Joana Ziller e 15 alunos da UFMG. Eles foram para as ruas de BH durante as manifestações de julho de 2013 e realizaram uma cobertura jornalística colaborativa. O livro já está na minha lista de compras.

3 - O mimimi do Otário!
Texto muito bacana da Lucia Freitas que aborda o Marco Civil da Internet e explica o motivo dele ser uma conquista sem par para todo mundo que lida com a internet. E como tá cheio de gente por aí falando bobagem sem ao menos saber o que está em jogo e por que o Marco é necessário. Necessário ler.

4 - Segregar não é proteger
Sério, nem sei o que falar sobre essa publicidade ridícula que reforça a ideia de um vagão exclusivo para mulheres. Gente, pelamor! Pensar assim é atestado de ter parado no tempo! É não tem o mínimo de sensibilidade e reforçar que a culpa de assédio e estupro é da vítima. O post é do Lugar de Mulher, minha leitura preferida atualmente.

5 - Mulheres e publicidade: um caso de horror
Mais um do Lugar de Mulher, ainda sobre o tema da publicidade e mulheres. Aqui, a Mari fala do processo de criação publicitária e mostra um vídeo que fez bastante sucesso ao mostrar que "como uma menininha" é uma construção que faz adultas negarem o feminino, reprimirem suas vontades e "entrarem no sistema" do machismo.

6 - Receita fit: crepioca
Do Morando Sozinha. Só de olhar a foto, deu fome :-)

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domingo, 6 de julho de 2014

Engenharia artística

Três tirinhas fofinhas da Clara, com Os Microbinhos:








Daqui, daqui e daqui.

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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Um presente

Eu tinha uma vida bem diferente antes de 2001. Era tão diferente que parece outra vida, um passado tão distante que nem parece ter sido meu. E nesse passado tinha a Vanessa.

Conheci a Vanessa em 1993. Entrei numa escola nova, numa turma nova, onde ninguém se conhecia. Eu sempre fui travada e preocupada, principalmente com relação aos primeiros-dias-de-aula. Imagine isso numa escola nova... Entrei na sala, já relativamente cheia, e achei um lugar perto da janela. E perto da Vanessa. Começamos a conversar logo e acho que não paramos nunca mais. Foi uma ligação imediata, com muita cumplicidade. Trocávamos cartas nas férias e bilhetes enormes e engraçadíssimos durante as aulas. Um dia, a Thati chegou e entrou nas nossas vidas também. Mas a Vanessa sempre foi diferente, sempre foi única. Estudamos juntas do primeiro ao terceiro ano do ensino médio. Nos encontramos algumas vezes durante o ano em que fizemos cursinho. Mantivemos conversas e cartas durante a faculdade. Ela foi à minha formatura. Eu fui à dela. Fui também ao casamento dela, um momento muito feliz pra mim.

E aí veio 2001, o ano que mudou o rumo da minha vida. Foi um ano de rompimentos. E de muita coisa nova. A Vanessa estava lá. Ela foi a primeira pessoa pra quem liguei quando instalaram o telefone no apartamento onde eu morava. Lembro que ficávamos horas ao telefone, sempre com muita coisa pra conversar, sempre muita coisa pra contar.

Não me lembro exatamente quando perdemos contato. Envolveu um celular meu que apagou todos os meus contatos (e eu não tinha um back-up no mundo físico), um e-mail que nunca era respondido e só silêncio. Durou muito esse silêncio. De certa forma, aprendi que a Vanessa fazia parte de um passado que eu queria esquecer. Não que ela fosse algo ruim do passado. Ela estava na parte boa. E pagou o pato. Assim como outras pessoas daqueles tempos, de quem eu não era tão próxima, mas que também ficaram pelo caminho. O Otávio, sempre me provocando, me perguntava volta e meia da Vanessa, "aquela sua melhor amiga que você não vê há dez anos".

Um dia, a Vanessa encontrou meu e-mail (que já não era aquele de antigamente - o dela também não era). Não sei descrever a emoção que senti ao ver a mensagem com o nome dela, ali, na caixa de entrada. Finalmente, voltamos a nos falar. Muito a ser dito, muito a ser ouvido. Mas o encontro físico não vinha.

E a Vanessa ficou grávida. E o Tomás nasceu. E esse menininho não tem noção da emoção que senti ao ver suas primeiras fotos. Não sabe (mais um dia saberá) que eu chorei muito com a emoção de ver o filho da minha amiga mais querida ali, no suporte de uma tela de computador. Faltava, é claro, vê-lo ao vivo.

Um sábado desses, fui a BH para um casamento. E fui cedo pra casa da Vanessa. A casa que permeou nossas conversas quando ainda era um projeto, negociado para se tornar realidade. Enquanto subia à pé a rua onde ela mora, muitas coisas se passaram sobre a minha cabeça. A mais importante delas é se eu conseguiria conversar feito gente, se eu não ia morrer de vergonha por ter sido negligente por tanto tempo. E quando toquei a campainha e o Ronan abriu a porta, o Nestor veio todo lindo abanando o rabo; quando entrei por aquela porta e vi a Vanessa no quarto, amamentando o Tomás, tão linda, tão serena... foi como se o tempo que passamos sem nos ver se apagasse. Foi como se não existisse o hiato que se passou. Tudo, tudo, tudo parecia nos remeter ao tempo de sempre, na escola, quando a conversa vinha fácil e tínhamos mil assuntos o tempo todo. Como se nada tivesse mudado.

Meus planos eram passar, no máximo, uma hora lá. O Tomás tem dois meses, eu não queria atrapalhar a vida dos três. Mas fiquei cinco horas (juro, cinco horas) lá. Pareceram cinco minutos. Sendo quem eu sou, estaria me sentindo muito mal por ter tomado tanto o tempo dele. Mas, não. Recebi um presente enorme da Vanessa: passar as cinco horas mais agradáveis dos últimos tempos com duas pessoas que eu amo e admiro e com um pacotinho lindo, muito amado, que fez essa tia aqui quebrar barreiras. Nunca peguei no colo um bebê tão novinho. Não levo jeito, tenho medo de machucar. E veio o Tomás pro meu colo, me provando, com seus dois meses de vida, que eu posso, sim, ser capaz de retomar contatos, de carregar crianças, de segurar a emoção e de recuperar, daquela vida terrível pré 2001, o que havia de bom e que fazia com que eu me sentisse gente.

Obrigada, Vanessa, por insistir; por fazer parte da minha vida.

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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Livro: Anna e o beijo francês

Foto do Ipad, não gostei.


Li esse livro há um tempo e esqueci de falar sobre ele.

A história é super bobinha, dá pra ler em um dia. É sobre Anna Oliphant, uma garota americana com a vida toda em ordem, em Atlanta. Seu pai, um autor de subliteratura, acha chique ter uma filha estudando fora, então manda Anna para um colégio interno na França. E viver em um país diferente sabendo quase nada dele e de seu idioma, é um desafio para Anna. Na escola, ela vai ter que enfrentar o francês e as tradições do país e algumas daquelas situações que só existem no ensino médio.

Logo de cara, ela conhece Meredith, uma garota descolada, disposta a ajudar na adaptação de Anna. Na sequência, ela também conhece Rahimi, Josh e St. Clair. A atração por St. Clair é imediata, mas ele tem namorada, e Anna constrói com ele uma grande amizade. E, como todos os livros do gênero, o amor por St. Clair vai mudar os rumos da história.

Anna é apaixonada por cinema, e descobre, com a ajuda de St. Clair, os cinemas franceses, muitos deles dedicados apenas a filmes clássicos. Nos momentos de lazer, ela sempre está às voltas com filmes, e isso faz o livro ficar mais interessante.

Enfim, romance bobinho, pra ler nas horas de ócio, sem nenhum tipo de compromisso, a não ser desanuviar.

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terça-feira, 1 de julho de 2014

Citações 63

De O visconde partido ao meio, de Italo Calvino:


Ó, Pamela, isso é o bom de ser partido ao meio: entender de cada pessoa e coisa no mundo a tristeza que cada um e cada uma sente pela própria incompletude. Eu era inteiro e não entendia, e me movia surdo e incomunicável entre as dores e feridas disseminadas por todos os lados, lá onde, inteiro, alguém ousa acreditar menos. Não só eu, Pamela, sou um ser dividido e desarraigado, mas você também, e todos. Mas, agora, tenho uma fraternidade que antes, inteiro, não conhecia: aquela com todas as mutilações e as faltas do mundo. Se vier comigo, Pamela, vai aprender a sofrer com os males de cada um e a tratar dos seus tratando deles.

Lindo!

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