terça-feira, 30 de setembro de 2014

Citações 68

Do Manual de sobrevivência dos tímidos, de Bruno Maron:


São desgastes inseparáveis da condição humana, que somados ao ritmo acelerado da vida pós-moderna e à exigência de uma felicidade facebookiana, pró-ativa e empreendedora, podem provocar uma fundição no motor dos tímidos mais desesperados. Muitos acordam no meio da madrugada se abanando com o voucher do fracasso e a certeza de que não estão protagonizando corretamente a própria vida. Acreditam ser coadjuvantes de si mesmos. Alguns até figurantes e, em muitos casos, desfigurantes. A preocupação com o próprio erro é uma epidemia mundial.
E...


A falta de tolerância com o próprio erro é o erro mais intolerável da vida.

Coisas que aprendi na análise e que vi de novo no livro :-)

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #47

1 - 'Ice bucket challenge', marketing pessoal e conscientização
Do Madeira de Deriva, da fofa Nathália Pandeló. Sobre o desafio do balde de gelo e o tanto que uma coisa que poderia ser bacana e conscientizar as pessoas virou uma vitrine para celebridades fazerem graça.

2 - Post pioneiro com a nova ortografia simplificada
Da Kika Castro, sobre a história que circulou na internet sobre uma possível alteração para simplificar a língua portuguesa. O texto é ótimo, divertido e informativo. Jeniau!

3 - Ditadura: Miriam Leitão conta como, grávida e nua, foi torturada com uma jiboia
Do blog do Mário Magalhães. A Miriam Leitão é uma jornalista global especializada em economia. Não curto muito o posicionamento dela, mas isso não me impede de me solidarizar com ela e com essa história de horror do período da ditadura. Forte, muito forte.

4 - E-book faz leitor lembrar menos que papel, diz estudo
Do Livros e Pessoas. Um estudo - e não sabemos mais detalhes sobre ele - diz que ler em e-book não traz mais memórias, como a leitura em livros de papel. Sem saber nada sobre a pesquisa, apenas baseado em minha própria experiência, sou forçada a concordar.

5 - Em nome de uma sociedade mais plural, entrevista uma mulher
Do Blog do Sakamoto, sobre feminismo, sobre o trabalho do Think Olga e sobre igualdade de gênero. Boa leitura.

6 - Dez dicas de Denise Bottmann para quem quer ser tradutor
O blog da L&PM traz esse texto super bacana com as dicas de uma das melhores tradutoras do País, com dicas para quem quer fazer um bom trabalho. Vale a leitura (e dá até vontade de enveredar por esse caminho...)

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 28 de setembro de 2014

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Cartas e fotografias

Sempre que um bicho-carpinteiro vem me sacudir e me mostrar a necessidade de colocar coisas em ordem, eu me lembro da música Tendo a lua, dos Paralamas do Sucesso:




Ela começa assim:

Eu hoje joguei tanta coisa fora
Vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias, gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim.


Tenho pensado muito nessa parte da música ultimamente. Porque estou "trabalhando" na casa da Tia Ylza. Mexendo nas coisas dela. E me sinto muito mal por isso. É como se eu estivesse invadindo o espaço dela - algo que ela preservava muitíssimo bem. Todos os dias em que vou lá peço desculpas a ela pela invasão.

É difícil decidir por outra pessoa o que deve ser guardado, doado, presenteado ou jogado fora. Há coisas que eu sei que ela gostaria de guardar - tanto que guardou -, mas que não fazem mais sentido. Outras, nem sob tortura sairão de perto de mim.

Encontrei muitas fotos. Da família, de amigos, de comemorações, de passeios. Muitas com dedicatórias. Algumas delas ficavam numa caixa, que foi presente da Lelê. Essas eram as que ela mais gostava. Outras estavam em gavetas e envelopes. Encontrei um álbum com muitas fotos de primos quando bebês. Hoje, estão adolescentes.

Cartas, muitas cartas recebidas. Uma pasta, só com cartas minhas pra ela. Coisas da época em que eu comecei a rabiscar papel e que escrevia o "A" do início do meu nome quase maior que a folha. Desenhos, declarações de amor, recortes, dobraduras. Tudo organizadinho. E separado dos demais. É uma medida de amor ou não é?

Entre essas cartas minhas, encontrei uma da época da minha crisma. Tia Ylza sempre foi muito especial pra mim, mas não foi minha madrinha de batismo. Se, na época, eu pudesse escolher, teria sido ela. Como não foi possível, a escolhi para a minha crisma. Porém, ela estava doente e não pode ir a BH. Na carta, eu digo que tudo bem ela não ir. Eu teria outra madrinha (a minha amiga Lu), mas enfatizava que a Tia Ylza seria sempre a minha madrinha. "De batismo, de crisma, de casamento, da vida". Eu tinha 15 anos quando escrevi essa carta. E nem me lembrava mais disso.

O fato é que, quando me casei, foi a Tia Ylza a primeira pessoa a saber e a ser convidada. E a primeira pessoa a apoiar nosso casamento secreto. Além disso, claro, ela estava lá como nossa madrinha. E foi, toda linda, com uma blusa branca com um trabalho de crochê feito pela mãe dela. E ainda um camafeu de família, com a foto do seu pai.

Olha ela, toda sorridente, no nosso casamento

Como ela sempre foi apaixonada pelo Leo, tenho certeza que o nosso casamento foi um dia muito feliz pra ela.

Além da pasta com as minhas cartas, uma outra coisa que eu vou levar pra vida é outro pacote de cartas. Eu já tinha comentado sobre uma dessas aqui. É a carta que meu bisavô José Procópio escreveu para esposa, minha bisavó Enoe (não, você não leu errado). Foi a última carta escrita, ele morreu dias depois. Tia Ylza, quando me mostrou a carta e me contou essa história, tinha dito que era a única que tinha sobrado. Posso estar enganada a esse respeito - até porque a minha memória não é lá uma Brastemp (#velha) -, mas é disso que me lembro.

Acontece que achei um pacote cheio de cartas. Dele para ela, consegui identificar ao abri-lo.

Na hora, comecei a chorar. Sim, ando super chorona, depois desse mês de ausência da Tia Ylza. Não tive coragem de abrir o pacote e ver se havia cartas dela pra ele ou de ler qualquer uma delas. Trouxe pra casa e guardei.

Quando comentei com a vovó sobre as cartas, ela me perguntou se eu não queria ler as que meu avô e ela trocaram durante os três anos de namoro e o começo do casamento. E sim, essas eu tive coragem de ler. São de uma beleza, de uma leveza... descobri um novo avô. Para os dois conjuntos de cartas, estou pensando em algo que os preserve. No mínimo, escaner e criar um arquivo digital. Quem sabe, um álbum. Vou trazer pra cá também.

Enquanto isso, vou revirando a casa que, ao contrário da música, não está nem um pouco legal estando vazia.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Livro: Lendo Lolita em Teerã



Desde que este livro foi lançado, pela editora A Girafa, me candidatei a ler. Mas não comprei, deixei de lado, fiquei esperando uma oportunidade. Daí que, quando fui a Goiás em 2013, um dos tios do Leo estava devolvendo o livro, que pegara emprestado, para a avó do Leo. Perguntei se tinha gostado, se o livro era dele. E a avó do Leo, D. Lídia, essa pessoa maravilhosa, me emprestou o livro. Com devolução marcada para novembro de 2014. Trouxe pra casa e deixei na pilha de livros a serem lidos este ano - ela só aumenta, putz!!! Aí, com a proximidade de novembro, foi a vez de tirar Lendo Lolita em Teerã da pilha e iniciar a leitura.

A autora, Azar Nafisi, é de uma família com certa influência em Teerã. Seus pais ocuparam cargos públicos na época em que o Irã ainda vivia uma democracia e ela pode estudar na Europa e nos Estados Unidos, onde se especializou em literatura. Casada pela segunda vez e de volta ao Irã, ela passou pela revolução que fez com que as leis de antigamente retornassem e a liberdade e a democracia fossem banidas. Enquanto dava aulas na Universidade de Teerã, viu as leis mudarem e a independência das mulheres desaparecer. Ela e as outras professoras e alunas foram obrigadas a usar o véu, a não usar maquiagem, a esconder os cabelos e qualquer tipo de adorno e a só conversarem, em público, com homens que fossem seus familiares. A revolta com o uso obrigatório do véu fez a professora ser expulsa da universidade.

Por alguns anos ela ficou sem dar aulas, mas viu uma oportunidade em outra universidade. Dessa vez, já dentro das novas regras. E as aulas em que discutia livros clássicos da literatura universal apresentavam aos alunos temas para a reflexão sobre suas próprias vidas e sobre o estado constante de tensão no Irã. Saindo dessa universidade, a professora montou, em casa, um grupo de estudos com antigas alunas. Os livros que elas liam, estudavam e comentavam estavam proibidos há muitos anos, mas a determinação de Azar fez com que a literatura não se perdesse com as leis que cercearam as liberdades.

O início do livro é bem emocionante. Confesso que fui surpreendida e achei que as suas 500 páginas fluiriam com rapidez. Ele é dividido em partes, em que os autores Nabokov, Fitzgerald, Henry James e Jane Austen são observados mais de perto. A cada parte, a situação política e social do Irã é confrontada com situações das obras desses autores. E, assim, ela vai desenrolando a história da divulgação da literatura para seu grupo de alunos.

Porém, o livro vai ficando chato e repetitivo. Os conflitos abordados nas partes acabam sendo os mesmos, e acabei me cansando. Não é uma depreciação da história, que é linda e emocionante, mas uma questão de forma e estilo. O livro é comprido demais, enredando o mesmo assunto indefinidamente. Parece que a autora queria escrever uma obra comprida e se dedicou a isso, sem tentar ser objetiva. E também quando ela começa a falar de sua rebeldia e de como seu trabalho era extraordinário. O fato é que foi um trabalho extraordinário mesmo. Mas o leitor consegue observar isso sem que a autora precise repetir.

O estilo, pra mim, foi bastante cansativo. Azar optou por uma narrativa não cronológica e por não entrar em certos detalhes sobre suas alunas e seus encontros. E esses pontos fizeram falta para se ter um quadro completo. Parece, por vezes, que ela conta um segredo que não pode ser contato por inteiro e, assim, omite muitos pontos. Entendo que ela tentou proteger as alunas, mas algumas informações fizeram falta para o bom andamento da história.

Em resumo: aprendi bastante coisa sobre a história do Irã e sobre literatura, que foram as coisas que achei mais legais no livro. Mas a narrativa foi, muitas vezes, aborrecida. Vou devolver à dona em novembro e não lerei de novo. Até porque ando tentando ser mais racional nas minhas releituras.

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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Ecos do pior aniversário da vida

Começa assim:

- você acorda cedo. Não porque é o seu aniversário. Mas porque às 7h tem a missa de um mês de falecimento da pessoa que sempre ocupou o lugar de mãe na sua vida.

- você volta da missa e Aécio NEVER está sendo entrevistado na TV.

- você precisa ser gentil e responder aos amigos lindos que te desejam feliz aniversário. Mesmo quando o que você mais quer fazer é se trancar no banheiro e chorar no chão, em posição fetal, até morrer.

Mereço um desconto hoje? Obrigada.

P.S.: e pensar que eu vinha progredindo no sentido de "fazer as pazes" com esse dia...

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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #46

1 - Se minha mãe tivesse me abortado
Do Blogueiras Feministas, sobre o aborto e esse argumento ridículo do "e se a sua mãe tivesse te abortado". Aborto não é questão religiosa, é de saúde pública!

2 - A biblioteca de Van Gogh
Do Livros e Pessoas, sobre um dos meus pintores favoritos e sua paixão por literatura. O texto só reforçou minha vontade de ter em mãos o livro Cartas para Theo, que namoro há anos, mas nunca tive coragem de comprar.

3 - Casal dedica 30 anos de suas vidas a ensinar crianças em escolas por falta de professores
Mais um texto muito bacana do Livros e Pessoas, sobre como a solidariedade e a determinação podem reverter situações ruins. Um exemplo

4 - Mulheres famintas
Do Lugar de Mulher, um texto sobre como os padrões de beleza impostos pelo mundo deixam as mulheres completamente sem noção do que é razoável. Bom para refletir.

5 - Instruções para escrever um romance corrupto
Texto do Juan Pablo Villalobos no blog da editora Companhia das Letras. Fala sobre o mercado editorial, a escrita, as mazelas desses mundos. Interessante.

6 - #stopthebeautymadness
Do Teia de Renda, um blog que eu curto demais. A Tayra fala sobre o desafio da foto sem maquiagem que rolou no Facebook uns dias pra trás e que, apesar de ter o mote de acabar com essa loucura da beleza, é uma coisa tão bobinha...

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domingo, 21 de setembro de 2014

Amigo


Essa tirinha me lembrou muito o Rhaine, um grande amigo.

Daqui.

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Das coisas estranhas da morte

Muita coisa estranha acontece quando alguém morre. Desde que a Tia Ylza morreu, tenho reparado em várias coisas que antes me passavam despercebidas ou eram indiferentes.

- algumas pessoas entraram no velório sem nem saber quem ela era. Passaram pela capela-velório, viram que havia movimento, entraram, olharam pro caixão e vieram nos perguntar quem era, por que tinha morrido, qual a nossa relação com ela;

- uma pessoa entrou lá e perguntou se "o professor Ney ainda vai chegar?". O detalhe é que meu avô morreu há 21 anos. Depois o cara disse que se confundiu e se mandou;

- outras pessoas entraram lá e, ao chegar perto do caixão, sopraram os pés da minha tia. Não entendi o motivo e nem quis perguntar. Mas achei muuuuuuito estranho;

- o moço que toma conta da capela-velório colocou um copinho com sal embaixo do caixão. Segundo ele, era para espantar moscas e para evitar que o corpo inchasse. Um copinho de café cheio de sal não vai suportar a umidade de uma sala, moço. E nem é capaz de espantar moscas. Mas diz a tradição que tem que ser feito, vamos lá fazer, então;

- algumas pessoas nos param na rua e, sem o menor tato, falam coisas que não queremos ouvir. Umas que eu sei que não gostavam dela ou de quem ela não gostava. E que contam histórias que sabemos ser mentira. Uma dessas pessoas até me disse que passou de carro por Tia Ylza na rua, num determinado local e em determinada hora em que: 1) a rua estava interditada porque as ambulâncias estavam socorrendo a tia. 2) ela não passou por aquele ponto da rua em direção à sua casa porque caiu 200 metros antes. Fico me perguntando: qual a necessidade de mentir?

- quem fica acaba encontrando muita gente boa pelo caminho. A maior parte das pessoas que foi ao enterro e ao velório era conhecida. Com muitas delas eu convivi. Uma pequena parte não conhecia a Tia Ylza, mas foi em solidariedade à família. Uma coisa que eu esperava que acontecesse, mas nnao com a intensidade que foi. Pessoas que ficaram lá conosco durante a noite e durante o dia do velório, dando um apoio que nem sei nomear. Essas pessoas têm minha gratidão eterna;

- muito estranho é conseguir falar com uma pessoa superimportante pra Tia Ylza apenas 24 dias depois do falecimento. E foi por acaso que consegui o telefone da Lea Leda e consegui falar com ela. Choramos juntas, choramos muito. A dor foi reavivada - ela está aqui, me machucando, o tempo todo -, mas veio junto a uma gratidão imensa pelo carinho que a Lea Leda sempre teve com a minha tia.

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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Livro: Manual de sobrevivência dos tímidos



Comprei esse livro numa promoção maluca da editora Lote 42 - ela dava 10% de desconto para cada gol que o Brasil sofresse na Copa do Mundo. E aí a Seleção perdeu por 7 a 1 pra Alemanha naquele dia que ninguém gosta de se lembrar. Pensava, há tempos, em comprar Já matei por menos, mas vendo o acervo da editora - que é pequeno, mas muito respeitável -, encontrei Seu Azul e este Manual de sobrevivência dos tímidos. E como timidez aqui é mato, ele veio pra mim, mas não foi lido de imediato.

A morte da Tia Ylza ainda está batendo com muita força - é a razão da minha tristeza, da minha falta de apetite, da falta de vontade de socializar e conversar e de mais tanta coisa... Leo anda dizendo que eu vou desidratar de tanto chorar. Foi aí que decidi ler o Manual de sobrevivência dos tímidos, pra ver se esse sentimento tão ruim melhorava um cadinho. E foi um alento, apesar de, em vários momentos, o livro me lembrar da Tia Ylza.

O texto de Bruno Maron é bem divertido, as ilustrações são ótimas e é bem descomplicado ler: em algumas horas o livro estava terminado e havia menos dor em mim. O início pode até parecer um pouco técnico, quando o autor fala sobre as causas psíquicas da timidez. Mas até nisso ele tira sarro dos que foram mordidos pela timidez com frases como "Penso, logo hesito. Penso muito, logo desisto".


Dicas: de que tipo de pessoa fugir.
Ei, eu sou sobrevivente do coma! 

Quando o Bruno fala das situações que a timidez acarreta, super me identifiquei com as questões de inanição, hipotermia, retratofobia e urina travada. A inanição é básica: aquela vergonha enorme de comer em público, mesmo quando te oferecem sua comida favorita. A hipotermia vem da vergonha de pedir mais um cobertor quando se vai dormir na casa de um amigo, com medo de incomodar. O resultado é uma noite de frio mal dormida e sorrisos no dia seguinte, quando perguntam se você dormiu bem. A retratofobia também é bastante comum: você prefere fugir na hora das fotos. Só pessoas muito especiais conseguem uma foto decente sua. Porque, de tanta vergonha, você sempre aparece terrivelmente nas fotos em que não queria aparecer. E a urina travada é aquele medo que te trava em banheiro público quando tem alguém por perto. Acho que é mais comum em homens, mas me acomete, às vezes.

Às vezes é inevitável mesmo


Bruno também dá dicas para quando é impossível não socializar. A que eu mais gosto são as formas de se usar o celular para seu melhor objetivo: a incomunicabilidade. Um celular na mão pode salvar de várias situações (e eu já contei aqui que recorro a ele algumas vezes).

Lembrei muito da Tia Ylza quando o autor fala sobre como fugir de um conhecido na rua. Porque ela rezava todo dia pra não encontrar pessoas na rua. Era introspectiva e detestava abordagens que invadissem o seu espaço. E, justamente por isso, evitava invadir o canto dos outros. Com certeza, Tia Ylza ia gostar do livro.



Sim, faço isso às vezes. Mas, no geral, não reconheço
as pessoas a tempo :-(

Super recomendado para quem quer rir um pouco, desanuviar ou aprender técnicas ninja de sobrevivência nesse mundo cão.

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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #45

1 - João foi morto para que ninguém soubesse que seu assassino era gay
Essas histórias de homofobia e de homocismo (que é um terno defendido pelo autor do texto) me enojam bastante. Qual a dificuldade em compartilhar direitos? Em conviver com a diferença? Em praticar a tolerância? Texto muito bacana do Van Filosofia.

2 - A função social da literatura
Do Livros e Pessoas, de onde eu sempre tiro coisas boas. Compartilho com a autora o pensamento de que literatura não é puro entretenimento, mas uma espada para que possamos nos defender do mundo. Ao menos, pra mim, sempre foi assim.

3 - Pelo voto justo (?!)
Texto fino da Ana Paula Pedrosa sobre o voto e sobre as pessoas que pensam em cercear o direito a voto de certo grupo de pessoas. Adorei!

4 - Por que fiquei?
Do Lugar de Mulher, sobre os motivos das pessoas que sofrem qualquer tipo de violência física e psicológica e não conseguem se desvencilhar do agressor. Porque é uma coisa complicadíssima mesmo. Eu mesma nem consigo explicar porque fiquei tanto tempo sofrendo violência sendo que podia simplesmente sair pela porta e não voltar nunca mais. Demorou, mas aconteceu. Que outras pessoas possam sair desse ciclo também.

5 - Bolo de caneca e a superficialidade da rede
Texto incrível da Pollyana Ferrari, que é fera em redes, internet, mobile; uma referência pra quem estuda esses temas (eu tento, mas não estudo com afinco). Aqui, ela fala sobre como a rede nos fez ficar superficiais ao ponto de preferir um bolo de caneca. Perfeito!

6 - Os 25 maiores one-hit wonders da música (dos anos 90 pra cá)
Pra descontrair, um post do Vida Ordinária com músicas "sucesso-único-de-uma-banda-qualquer". Lembro da maioria das músicas e fiquei ofendida pelo comentário sobre More than words, que diz que a música é brega. Como a música que marcou a sua oitava série pode ser brega? Ok, é brega sim. Mas faz parte das músicas do coração :-)

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domingo, 14 de setembro de 2014

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Livro: Adorno & a arte contemporânea



Li Adorno & a arte contemporânea para fazer um trabalho de Filosofia da Arte. O livro não foi indicado por ninguém. O trabalho em questão era para analisar a posição de dois filósofos contemporâneos sobre algum tema de cultura ou arte. E como eu já conheço Adorno da outra graduação, resolvi que ele seria um dos escolhidos. O outro seria Arthur Danto, que tem uma posição bem interessante sobre arte - estou lendo um de seus livros e gostando muito. Procurei referências na internet sobre a posição de Adorno a respeito arte contemporânea e encontrei o livro. Comprei pela Amazon e li no Kindle.

O livro faz parte da Coleção Passo a Passo, da Zahar, que é uma iniciação a vários assuntos de filosofia e psicologia. Li dessa mesma coleção o Adorno & Horkheimer e a dialética do esclarecimento, do Rodrigo Duarte. Os dois livros são bastante introdutórios. Por isso mesmo, é a partir deles que dá para direcionar para leituras mais complexas.

O texto fala sobre como Adorno se posiciona frente a arte contemporânea, sempre comparando sua posição com relação à Indústria Cultural. Além de Dialética do Esclarecimento, outro livro utilizado como fonte é Teoria Estética, que pretendo ler um dia (cadê tempo???).

Gosto muito da posição de Adorno sobre a arte contemporânea. Ele morreu antes de ver algumas obras que transformaram a arte, mas tinha pensamento aberto às obras que pudessem trazer reflexão ao homem, que o tirassem do lugar comum e do ponto chapado em que é colocado pelos produtos da Indústria Cultural.

O autor, Verlaine Freitas, é professor da UFMG. Depois de ler o livro, comecei a acompanhar seu blog e seu perfil no Facebook. Gosto muito do que ele escreve. E fiquei com vontade de ler mais Adorno.

BTW, meu trabalho consistiu em contrapor a visão de Adorno e de Danto com a obra Através, de Cildo Meirelles, que está exposta no Inhotim.

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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Quanto tempo dura um luto?

É curioso como se dá o processo de "digerir" uma morte.

Conversando com o Leo dia desses, cheguei à conclusão que não sofri muito a morte da Tia Leda porque eu tinha a Tia Ylza pra cuidar. Então, era preciso ser forte para ajudar a Tia Ylza a ser forte também. Além disso, a Tia Leda passou por um processo mais longo. Foram três anos desde o AVC e três meses de hospital. Ao final, a morte dela foi um alívio, porque não queríamos vê-la sofrer (e ela estava sofrendo há tempos). E ter estado ao lado dela o tempo todo acabou fazendo parte do processo de absorver a morte.

Com a Tia Ylza, não. Tudo aconteceu muito rápido. Ela estava bem, tenho certeza. Se não estivesse, não teria saído de casa. Ela não saía quando estava com qualquer probleminha, podia até ser um aborrecimento simples. Se saiu, estava bem. E aí veio o ataque cardíaco, a queda, o trauma, a morte, três horas depois.

Eu não estava preparada. E tem sido muito duro conviver tanto com a forma da morte quanto com a ausência. Por enquanto, só dor.

O problema é que eu ando precisando de força para resolver a vida, ver as questões burocráticas, os objetos, essas coisas. E voltar à casa dela tem sido uma tortura. Rever as coisas dela, arrumadas daquele jeitinho que só ela sabia, ter que subir as escadas sabendo que ela não está lá... tudo isso dói demais.

A pergunta, agora, é quanto tempo vai durar isso tudo. Porque, dependendo do tempo, vai ser inevitável ter ajuda.

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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #44

1 - O crime que compensa: a literatura policial se mantém viva
Um texto bacana para quem gosta de literatura policial (meu caso). Vivo procurando novos autores e acho que vale super a pena se perder nesse mundo. Do Livros e Pessoas.

2 - Caso Grêmio: o silêncio nos torna responsáveis pela ignorância dos outros
Do Sakamoto, sobre o caso de racismo da torcida do Grêmio com o Aranha, que é goleiro do Santos e já foi goleiro do Galo. Sempre que acontece uma coisa dessas me lembro das aulas de Sociologia da Comunicação...

3 - Como lidei com a ansiedade
Um vlog do Gui sobre a ansiedade no Serendipity. Gostei das dicas, até porque vivo lutando com a minha ansiedade, tentando fazer ela ficar quietinha no cantinho dela.

4 - Sobre fotos nuas, Jennifer Lawrence, eu e você
Uma reflexão da Chez Noelle sobre o vazamento de fotos íntimas e o que a intimidade de cada um tem a ver com isso. Boa leitura.

5 - Mulheres maravilhosas: Irmãs Brontë
Do Lugar de Mulher, sobre as irmãs mais famosas da literatura. Admiro muito as duas que já li, a Emily e a Charlotte. Ainda não li a Anne, mas tenho certeza de que deve ser tudo de bom.

6 - Olhos azuis
Sobre a morte do Eduardo Campos e sobre a pessoa que disse ter reconhecido o corpo do político ao abrir seus olhos. Texto do Marcelo Coelho que faz pensar sobre o impulso que o ser humano tem de mentir. Até em casos como esse.

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domingo, 7 de setembro de 2014

Esperando virar saudade



Houve um tempo em que você gostava muito de sete de setembro. Foi antes, quando ainda havia vaidade, cabelos bem cuidados, muitas bijuterias e não sei quantos pares de sapatos de salto alto. Eu me lembro bem, como era sempre uma festa. Sempre doces e presentes. Sempre alegrias. Seu aniversário, um dia feliz.

Aí veio a morte do tio Yvan, exatamente no dia sete de setembro. Ele era pracinha e teve um ataque cardíaco ali, durante o desfile cívico. E você se fechou.

Minha memória se confunde. Não lembro se foi em 1986 ou em 1987. Só sei que fomos orientados a nunca mais te desejar feliz aniversário. Não tinha como ser um dia feliz, já que seria sempre tempo de relembrar a morte do seu irmão. Junto com o luto do Tio Yvan vieram outros encerramentos. Não mais natais felizes, não mais sorrisos em certas épocas do ano. Mas mesmo com a tristeza reinando, você se manteve forte.

Foi forte o suficiente para ficar do lado de Tia Leda durante todo o tempo em que ela sofreu, sem poder caminhar e, mais ainda, depois do AVC. Vi você chorar muito, mas também te vi forte, nos chamando sempre que precisava de apoio. Mas a Tia Leda era frágil e morreu há sete anos. Exatos nove dias depois de sete de setembro de 2007.

Quando a Tia Leda morreu, achei que você não ia suportar. E fiz um pacto comigo mesma de não te abandonar nunca. Acho que consegui cumprir. Estive presente nesses sete anos. Falei besteira, te fiz rir, te fiz defender o Leo de mim mesma - você sempre ficou do lado dele, não importava qual o assunto. Vi praticamente cada dia da sua vida. Sabia de suas visitas, do que você comia, do que bebia, o que fazia (e sempre incluí demandas de tricô na sua lista do que fazer). Meu coração está tranquilo com relação a isso: estive sempre do seu lado, em especial nos últimos sete anos.

Mas não está tranquilo com relação ao resto.

Era 22 de agosto quando eu deixei você, te dei um beijo e prometi voltar no dia seguinte. E fiquei de te dizer qual era aquela palavra que eu esqueci enquanto conversávamos. Eu estava pronta para voltar à sua casa e te contar, entre risadas, que a sua memória era muito melhor que a minha. Iria logo depois do almoço, como sempre. Mas não tive tempo.

Eram 11h35 quando tocaram a campainha lá de casa. Era o empregado da quitanda dizendo "Dona Ylza caiu na Ponte dos Contos". Eu larguei pedaços de uma melancia num prato de sobremesa, corri no quarto, troquei os chinelos por um tênis, peguei a bolsa e saí. O garoto ainda me disse pra correr, que ele fecharia a porta de casa. E assim eu fiz.  E foi aí que o meu mundo começou a ruir. Porque, ainda na praça do cinema encontrei o Renato correndo em minha direção. E o fato do Renato ficar do meu lado o tempo todo já me mostrava que o seu tombo não tinha sido simples.

Quando eu te vi no chão, cercada de pessoas, com uma senhora fazendo massagem cardíaca em você, eu só pensava em como você estaria constrangida por estar ali, exposta, com uma pessoa estranha manipulando seu corpo. E chorei em desespero, porque eu não queria isso pra você. E porque sabia que, se você pudesse escolher, também não teria optado por isso. A moça que te atendia me disse que você estava morrendo. Foi duro demais ouvir. Chamei os bombeiros, outras pessoas já tinham chamado o Samu. O Renato tentou me fazer voltar pra realidade, e foi comigo à sua casa buscar seus documentos. Ele me lembrou de pegar uma camisola, mas eu não encontrei e, assim, peguei o primeiro vestido que vi pela frente.

De volta à rua, fiquei sabendo que a moça que te atendia conseguiu fazer seu coração voltar a bater. E o Samu e os bombeiros, estavam lá, providenciando sua remoção. Me sentei no banco da frente da ambulância, tentando ouvir alguma coisa, tentando captar alguma informação. TCE e PCE eram frequentes na boca dos paramédicos. O médico me disse: você teve um traumatismo craniano sério. Era bem provável a necessidade de uma cirurgia. Mas não tinha vaga na emergência do hospital e precisamos ir para a UPA. E lá você teve assistência de mais três médicos. Mas seu coração não conseguia reagir. Foram mais quatro paradas cardíacas - uma delas eu assisti pela fresta aberta da porta da emergência.

Foi o Renato quem me tirou de lá, enquanto eu ligava como louca pro Leo, pro Paulo, pros meus irmãos. Eu queria ter a minha família por perto - e você é minha família, sempre foi. Queria você comigo, queria estar ao seu lado, segurar a sua mão, te confortar. Queria dizer que estava tudo bem, que você ia sair dessa. Mas não deu. Quando me deixaram entrar na sala de emergência já não tinha mais o que fazer. Você não reagia mais. Não havia vida no seu olho aberto.

Não foi a despedida que eu imaginei. Não foi fácil ver seu rosto inchado pela queda, os olhos sem vida, a cabeça machucada com sangue coagulado. Não foi fácil entender que você estava me deixando. E foi o Renato, mais uma vez, que me tirou de perto de você. Por mim, eu ficaria ali até o fim. Mas os médicos não queriam, e o Renato estava certo. Seria pior se eu ficasse lá, lutando pra entender e guardando na memória uma imagem sua que eu não quero ter.

Dessa vez, não precisei escolher a urna. Fiz isso com a Tia Leda e foi a pior experiência que tive na vida. Por outro lado, precisei escolher o terço que você segurou. E o vestido que eu peguei correndo na sua casa foi o que te vestiu. Fiquei do seu lado lá no velório o máximo de tempo possível. Ajudei a fechar a urna. Segui o féretro à pé. Fiquei ao lado da sepultura enquanto jogavam terra por cima. E me senti a pior pessoa do mundo ao te deixar lá, sozinha. Leo me abraçava e me apoiava, mas eu ainda me sinto absurda por não estar do seu lado agora.

Você sempre esteve num lugar especial na minha vida, e eu sempre fiz questão de falar isso pra você e pra todo mundo. Já até contei aqui como a minha primeira experiência de amor veio com você e com Tia Leda. Você duas e a vovó ocupam, de fato e de direito, o lugar que sempre foi destinado a uma mãe que não houve. Tive muita sorte de ter vocês três na minha vida. E hoje eu choro, me desespero, me revolto por ter perdido uma das minhas mães.

Hoje é sete de setembro. É seu aniversário. Se você estivesse aqui, faria 93 anos. Hoje eu não iria à sua casa, em respeito ao seu luto pela morte do Tio Yvan, justamente no dia em que você comemorava seus anos de vida. Era assim que você queria.

Você me deixou no dia 23 de agosto. Exatamente um mês antes do meu aniversário... Não quero sofrer ao me lembrar de você. Quero que esse tempo ruim, dolorido, passe logo. Estou aqui, tentando ser paciente, esperando que tudo isso se transforme em saudade. E que seja sempre assim: uma saudade linda.

Amor desde sempre

Em tempo: é preciso sempre agradecer.
- À Dona Marta, a senhora que acudiu a Tia Ylza na rua. Ela é socorrista em Curitiba e estava em Ouro Preto para a formatura do filho. Agradeço pelo socorro e pelo desprendimento;
- Ao garoto que foi lá em casa me chamar. Não sei seu nome, só sei que sou eternamente grata;
- Às equipes do Corpo de Bombeiros, do Samu e da UPA que cuidaram com muito carinho da Tia Ylza, fazendo o que foi possível.

- Ao Renato, que sempre foi chamado pela Tia Ylza de "meu amigo Renato". Pelo apoio irrestrito, por ter ficado do meu lado até o fim, por ter sido a pessoa que me fez ter um pouco de racionalidade num momento tão difícil;
- À Creusa, que me viu na ambulância a caminho da UPA e foi imediatamente para lá, também ficando ao meu lado até a retirada do corpo da Tia Ylza, enquanto deveria estar em casa recebendo seus familiares, já que era a comemoração do seu aniversário. Solidariedade e desprendimento eu aprendi na prática, com a Creusa;
- À Fioca, grande amiga da Tia Ylza, que também foi para a UPA e me deu muito apoio.
- À Conceição, que foi enfermeira da Tia Leda e visitava a Tia Ylza todo sábado. Que esteve com ela pela manhã e cuidou do corpo, lavou, vestiu, arrumou e conseguiu deixar Tia Ylza com menos hematomas;
- À Martiniana, que estava na UPA com o filho febril e, mesmo assim, foi me apoiar.

Vocês (Renato, Creusa, Fioca, Conceição e Martiniana) foram a família que eu tive durante as três horas entre a queda da Tia Ylza e a sua morte. Sempre afirmei que amigos são a família que a gente escolhe. Mas também recebemos uma família da vida. Serei eternamente grata.

- Ao Leo, que adotou a Tia Ylza, que sempre foi extremamente carinhoso com ela, que sempre buscava levar um presente, um sorriso, uma história pra ela. Não é à toa que a Tia Ylza gostava tanto dele;
- Ao Paulo, que sempre esteve lá, com ela. Ele sempre foi o sobrinho favorito, e mereceu todo esse destaque.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Em BH: Visões na Coleção Ludwig

Depois que foi criada a Aeciolândia, também conhecida como Cidade Administrativa de Minas Gerais, a praça da Liberdade, em BH, ficou com vários prédios lindos, que antes abrigavam secretarias do governo do Estado, prontos pra receber um circuito cultural. Como não tenho ido muito a BH, acabei não vendo o CCBB abrir as portas. Nem vi o Memorial de Minas e Metal e os outros pontos abertos apenas pra cultura. Mas aí calhou de participar de um congresso que seria na nova Casa Fiat de Cultura, que ocupa o antigo Palácio dos Despachos. Foi a oportunidade pra voltar a ver essa praça linda e conhecer o CCBB. A exposição da vez é Visões na Coleção Ludwig, reunida pelo casal alemão Peter e Irene Ludwig na segunda metade do século XX. Tem de pop-art americana a neo-expressionismo alemão. O folheto da exposição diz que a coleção está distribuída por 14 instituições e que a mostra que está em BH veio do Museu Russo de São Petersburgo.

Foi uma experiência linda! Meu único ponto contra é que passei por lá no intervalo de almoço do congresso e tive que correr. Queria ter ficado mais, apreciado mais. Se voltar a BH até 20 de outubro, vou voltar lá.



O folder com o mapa

O interior do prédio, que é lindo de morrer
Esqueci de pegar o nome da obra aí na esquerda

De Pavlos (Dionyssopoulos), Guarda-roupa IV
Com cartazes cortados. Genial!

Andy Warhol e Basquiat, Sem título
Imagina a emoção de ver isso!!!

Vincent Desiderio,  Hiperrealização

Richard Artschwager, ICS - Centro de Computação
com acrílico e grafite

Nikolai Ovchinnikov, Entre livro e imagem
Sou contra usar livro desse jeito
Mas achei lindo mesmo assim

Jörg Immendorff, Cadeiras
A minha favorita
Esse cogumelo aí na frente é óteeemo

A. R. Penck, Branca de neve
Tenho dificuldades com esculturas contemporâneas

Anne Berning, Livros de arte
Queria esse na minha casa

Claudio Bravo, Madona

Segundo o Leo, a inspiração pra Anton Chigurh,
de Onde os fracos não têm vez, veio dessa tela 

Leonid Sokov, Stalin
Olha que phoda esse pé esquerdo!

Leonid Sokov, Encontro de duas esculturas
Amei!!! Essa eu tb queria em casa

Vladimir Yanklievsky, Tríptico nº 14. Autorretrato
Muuuuuuito bom!

A exposição fica no CCBB-BH até o dia 20 de outubro, com visitação de quarta a segunda, das 9h às 21h. Entrada franca.
E pode fotografar, sem flash. :-)

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Livro: Os Goonies



E então relançaram o livro dos Goonies. Foi a editora Dark Side, que fez duas edições: uma comum e outra em capa dura. Quando o Leo viu, ficou doido pra comprar e foi logo escolhendo a de capa dura. E ele começou a ler logo que chegou. E gostou bastante. Quando ele terminou, deixou o livro na minha interminável pilha de livros para serem lidos.

Foi quando eu resolvi tirar ele de lá. Foi um fim de semana em que tive febre alta e passei muito mal. Infelizmente, tudo fez com que eu me sentisse mais mal ainda. Mas o livro não. Foi a parte boa do fim de semana.

O livro é o filme quase inteiro. Ele foi baseado no filme e tem praticamente tudo o que já vimos (e amamos) na telona. Claro que há alguma diferenças: o livro é narrado em primeira pessoa, pelo Mickey. Assim, algumas coisas ficam diferentes, como a sequência do Gordo com a família Fratelli. O Mickey para a narrativa para encaixar a parte do Gordo, que - ele conta - só foi ouvida ao final, quando todos se reuniram na praia.

Há também alguns pontos diferentes, que não tem no filme. Destaco dois deles. Um são as sanguessugas na água do poço dos desejos e a forma como os meninos se livraram dela. É engraçado... melhor é uma referência a um orgasmo de Stef e Andy por conta dessa maneira de espantar as sanguessugas. O segundo ponto é o polvo gigante que ataca os meninos enquanto eles nadam para o navio do Willy Caolho. O curioso dessa parte é que parece que ela foi filmada, mas não passou na montagem do filme. Isso porque, já na praia, quando os repórteres cercam os Goonies, o Dado fala - tanto no filme quando no livro - que tinha um polvo gigante.

Em alguns momentos, fiquei sem paciência com o livro. Pode ser porque, acostumada com o filme, que vi e revi muitas vezes, senti que a história não rendeu tanto. Como em um dos momentos do grupo nos túneis de Willy Caolho, numa jangada (essa parte também não tem no filme). Achei lento e arrastado.

No fim, foi uma boa diversão para um fim de semana preso em casa, com febre e passando bem mal. E deu uma vontade louca de ver o filme de novo :-)

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #43

1 - Xico Sá te abraça
Texto que eu queria ter escrito sobre coisas que não entendo. Uma dessas coisas é a glorificação do Xico Sá quando parece que tudo que ele escreve é machista e opressor. Finamente, talvez, mas não deixa de ser. Juliana Cunha arrasando, de novo.

2 - Por que meu filho não leva mais palmada
Um texto esclarecedor da Déa sobre a palmada e o que ela acarreta. De uma mãe que decidiu não dar mais palmada no filho. Assino embaixo.

3 - Visão distorcida: nem tudo o que você vê na TV é o que é
Da Rosana Hermann. Publicado já há um tempinho. Lendo o texto e vendo os vídeos é possível perceber que, de fato, é preciso estar muito atento à informação que se consome.

4 - "Por que escrevo?" - 19 depoimentos que você precisa conhecer
Textinhos legais de gente bacana. Do Livros e Pessoas.

5 - Desabafo de um gordinho
Da Kika Castro.  Sobre brincadeirinhas, bullying, inadequações, suportar ou não suportar, ter força ou não ter... enfim, um relato de um gordinho sobre como é ser gordo "em sociedade".

6 - Velhos hábitos
Texto lindo da Mila sobre coisas com as quais nos acostumamos. Pode ser um anel. Pode ser uma situação. Pode ser tanta coisa... que pode ser só um anel que não serve mais. E quando a gente muda e desacostuma?

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...