quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Filme: Mesmo se nada der certo

Begin again - 2013 (mais informações aqui)
Direção: John Carney
Roteiro: John Carney
Elenco: Keira Knightley, Mark Ruffalo, Adam Levine

Alerta! Mais um filme cujo título traduzido não tem nada a ver com a trama. Qual o problema dos tradutores de títulos, minha gente??? Custa ser mais fiel e menos absurdo?

Um filme que tem Mark Ruffalo no elenco sempre me atrai (mesmo depois daquele trem ridículo dele apoiando a Marina Silva no Twitter). E também gosto da Keira, aí foi fácil furar essa bolha do luto pra ver o filme.

Mark é Dan, um produtor musical bem perdido, separado da esposa, sem contato com a filha adolescente, bebendo demais e que acaba de ser demitido da empresa que ele mesmo criou. Keira é Gretta, uma inglesa que acabou de ser traída pelo namorado, um cantor que começa a fazer sucesso nos EUA. Seu único amigo em Nova York toca num bar e convida uma Gretta arrasada e envergonhada a subir no palco e tocar uma de suas composições. Ninguém presta muita atenção, mas Dan está lá e vê todo o potencial da garota. Com passagem comprada pra voltar pra casa, ela reluta em ser produzida por ele. Mas como é comum nesse tipo de filme, muda de ideia.

O filme é previsível sim. Mas é uma gracinha. Porque tem músicas lindas (comprei o CD na iTunes e estou ouvindo igual louca), porque tem o Mark Ruffalo, porque a história é fofinha e porque o final não é tão previsível assim. Ou melhor, o final quebra um pouco com o que seria o normal desse tipo de filme. E deu pra sair do cinema feliz com o conjunto da obra. Afinal, é isso que importa. :-)


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Citações 72

De Lendo Lolita em Teerã, de Azar Nafisi:

A primeira coisa que nos choca lendo Lolita - já na primeira página - é o modo como a menina é descrita como uma criatura de Humbert. Nós somente a vemos em relances passageiros. "O que eu possuíra loucamente", ele nos informa, "não fora ela, mas a minha própria criação, outra Lolita fantasiosa - talvez mais real que Lolita... sem vontade, sem consciência - de fato, sem qualquer vida própria". Humbert enjaula Lolita primeiro pelo nome que lhe atribui, um nome que se torna eco de seus desejos. Ali, na primeira página do livro, ele prefigura vários nomes, nomes para diferentes ocasiões, Lo, Lola e, em seus braços, sempre Lolita. Também somos informados que seu "verdadeiro" nome é Dolores, a palavra espanhola para dor.
Para reinventá-la, Humbert precisa tirar de Lolita a história dela mesma, e substituí-la por sua própria, transformando Lolita na reencarnação do seu jovem e irrealizado amor perdido, Annabel Leigh. Não conhecemos Lolita diretamente, mas por meio de Humbert, e não por meio do passado dela, mas por meio do passado, ou do passado imaginário, do narrador/molestador. 

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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #51

1 - O poeta Thiago de Mello existe?
Um texto delicioso sobre criação literária. Do Altino Machado, publicado no Blog da Amazônia, no Terra Magazine.

2 - Como o mundo se tornou louco por causa do marketing
Texto bem legal para quem trabalha com comunicação. O Jorge Eduardo fala, no CRM Zen, sobre como era o relacionamento entre comerciantes e clientes, e como se dava a oferta e a demanda antes do marketing dar uma enlouquecida no mundo.

3 - Sobre a falta
Da Anna Flávia. Porque falta, por aqui, anda sobrando. E, pelo jeito, vai continuar presente por muito tempo.

4 - Muito feminista
Pra não perder o costume, texto da Clara Averbuck no Lugar de Mulher. Que além de feminismo fala sobre literatura. E é muito bom.

5 - Ensina-me a viver
Texto super bacana da Sabrina Abreu. Sobre como as pessoas em geral (o/) adoram palpitar na vida dos outros. E odeiam que palpitem nas suas. E que, se formos seguir todos os palpites, não ia sobrar tempo pra viver. Ou só sobraria tempo pra viver com ajuda psiquiátrica. Ou sei lá. O texto fala sobre eleições e, vou te contar, pra mim, essas foram as eleições mais chatas da história. Nunca vi tanta inverdade circulando, de todos os lados.

6 - Eleições, tio Arthur e a geladeira
Do Antonio Prata, que é fera. E é filho do Mario Prata, o que, pra mim, conta pra caramba. Aqui ele fala sobre as eleições e sobre como apontamos o dedo pra todo lado pra falar de corrupção, mas a praticamos diariamente. Minha luta é diminuir a minha cota de participação nisso tudo. Não é fácil, mas é possível.


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domingo, 26 de outubro de 2014

Bzzzzzz



Daqui.

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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A falta que ela me faz

Tomei emprestado de Fernando Sabino o título desse post. Porque é adequado ao momento.

Hoje faz dois meses da morte da Tia Ylza. São dias de muita dor. Em que cada momento me lembra dela e que, logo em seguida, lembro que ela não está mais aqui. E é como um choque perceber que não tenho mais ela aqui do meu lado. Talvez eu deveria contar quantas vezes ao longo do dia me pego pensando em algo para contar pra ela. E aí "cai a ficha", não tenho pra quem contar. Não tem mais casa dela todo dia e histórias pra contar.

Tem havido casa dela ao menos uma vez por semana. Para molhar as plantas, pegar correspondências e continuar a mexer nas coisas dela, separar o que for pra doar, pra guardar, pra presentear. Já consegui dar andamento para algumas coisas.

Uma das que mais me emocionou foi a baiana que a Tia Ylza ganhou do Tio Almyr sei lá quando e que ela queria dar para a Bel. Mas não deu quando a Bel a visitou porque ficou com vergonha da saia curta da boneca. A baianinha já está em Ilhéus, fazendo graça pra Jorge Amado.

Com certeza Tia Ylza aprovaria

A Ivete, uma grande amiga da Tia Ylza, ficou com a imagem de São José que ficava na sala de visitas. A imagem de Nossa Senhora - acho que da Imaculada Conceição, não tenho certeza - foi para a igreja de Botafogo, uma localidade aqui de OP, perto do distrito de Rodrigo Silva. As receitas de tricô estão devidamente escaneadas e montadas em um arquivo .pdf. Algumas coisas já estão encomendadas. Outras, têm destino certo por decisão minha. Mas a maior parte ainda não sei que rumo vai tomar.

Enquanto falo, vejo, separo coisas, a presença dela é constante. Como se, ao sair da cozinha, eu pudesse vê-la na sala de jantar. Ou que, ao entrar no quarto, pudesse encontrar com ela sentada ao lado da cama, debruçada sobre o tricô. Como se, ao vê-la ali, no quarto, eu pudesse dizer, de novo, "Oi, Aya", e me sentar na cama e contar do meu dia.

Não imaginava que eu gostava tanto dela. Nunca poderia imaginar o tamanho da falta que ela me faz.

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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Livro: Anatomia dos mártires

Anatomia dos mártires foi o segundo livro que li como Leitora Parceira da Set Palavras. O primeiro foi A culpa é das estrelas. Num primeiro momento, achei que foi dos melhores livros que li este ano. Depois, voltei às minhas leituras para comparar e concluí: foi o melhor que li em 2014.

Para ler o texto no site da Set Palavras, clique aqui.



O que mais me atraiu na proposta de ser Leitora Parceira da Set Palavras foi a possibilidade de conhecer livros e autores que, por alguma razão, não estão na minha lista de leituras. Na segunda rodada, podendo escolher entre três obras, e desta vez sabendo de antemão quais seriam, optei por Anatomia dos mártires, de João Tordo, publicado pelo selo Novíssimos, daEditora Leya.
O que me atraiu, além do título, é que o selo publica novos autores que começam um caminho de sucesso. Nunca havia ouvido falar de João Tordo, e o fato dele ser português me interessou. Fora isso, a sinopse fala de um jornalista às voltas com um mistério, que envolve uma mártir da ditadura salazarista. Praticamente todos os ingredientes que me fariam gostar da trama.
O escritor português João Tordo.
O personagem principal não tem nome. Ele narra a história que viveu há poucos anos, quando era jornalista da imprensa portuguesa e, ao viajar com seu editor, este o faz parar junto ao túmulo de Catarina Eufémia, camponesa que foi assassinada pela polícia salazarista durante uma greve, na década de 1950. O editor comenta vagamente a história e diz que visita o túmulo anualmente. Já embalado por muitos goles de álcool, faz declarações que ecoam na cabeça de nosso jornalista. Posteriormente, ele viaja a Berlim para entrevistar o autor da biografia de um homem que se jogou do alto de um prédio com um manuscrito amarrado ao peito. Ao escrever seu artigo, ele une a história do suicida à da camponesa e tece várias críticas à forma como os mártires são criados. A repercussão do artigo é bastante negativa e o jornalista passa a desenvolver uma obsessão sobre a vida e a morte de Catarina Eufémia, procurando decifrar sua vida, sua história, sua militância.
Em meio às questões jornalísticas, amorosas, de pesquisa ou de teorias da conspiração, o autor traz uma série de reflexões sobre o mundo contemporâneo, a economia volátil, a fragilidade das pessoas, dos encontros, das ideologias, dos discursos políticos e sobre a força das apropriações e dos apoderamentos. O estilo de João Tordo é um pouco complexo, com frases mais longa, mas muito bem elaboradas. A história é bastante amarrada e tem momentos de tensão, de reflexão e até mesmo de comédia – um deles envolvendo a mãe do narrador. Enquanto se acompanha a história é possível pensar na vida que se quer levar, nos erros e acertos, nas obsessões e nas coisas que deixamos para lá.
Seguindo o critério do Skoob, cinco (*****) estrelas. Um dos melhores livros que li em 2014.
Em tempo: a história de Catarina Eufémia é real. Após sua morte – foi assassinada com três tiros, pelas costas – tornou-se a figura da resistência portuguesa contra a ditadura salazarista.
Mais sobre João Tordo e seus livros em http://joaotordo.blogs.sapo.pt/
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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Citações 71

De Lendo Lolita em Teerã, de Azar Nafisi:

Nós que vivíamos na República Islâmica percebíamos tanto a tragédia quanto o absurdo da crueldade a que éramos submetidos. Nós tínhamos que achar graça em nossa própria miséria para sobreviver. Também reconhecíamos instintivamente o poshlust - não somente nos outros, mas em nós mesmos. Essa era a única razão pela qual a arte e a literatura se tornaram tão essenciais para nossas vidas: não eram luxo, mas necessidade. O que Nabokov capturou foi a textura da vida numa sociedade totalitária, onde se está completamente sozinho, num mundo ilusório, cheio de falsas promessas, onde não se pode mais diferenciar entre seu salvador e seu carrasco.
(...)
Fosse lá quem fôssemos - e realmente não é importante a que religião pertencíamos, se queríamos usar o véu ou não, se observávamos certas normas religiosas ou não -, tornamo-nos a fantasia dos sonhos de outras pessoas. Um implacável aiatolá, um autoproclamado filósofo-rei, chegou para dominar nossa terra. Ele chegou em nome de um passado, passado que lhe havia sido roubado, afirmou. E agora ele queria nos recriar à imagem daquele passado ilusório. Serviria de consolo ou gostaríamos de lembrar que o que ele nos dez foi o que permitimos que fizesse?


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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #50

1 - A era da homofobia e do machismo incontestados
Texto da Kika Castro sobre cenas de machismo e homofobia comuns em nossos dia a dia, mas que não deviam estar ali. Já deu, né?

2 - Sobre bullying e coisas afins
Texto da Paula Ignácio, no blog Trilhos Urbanos. Fala sobre com o bullying está sendo visto apenas nas escolas, sendo que ele acontece o tempo todo, em todos os lugares. E como isso prejudica relacionamentos e espalha mal para todos os lados.

3 - Os cem autores indicados por José Mindlin
Do Livros e Pessoas, o texto traz as indicações de leitura do maior bibliófilo brasileiro. E, claro, uma pessoa que vivia para os livros sabia muito bem do que estava falando.

4 - Editorial de setembro de 2014
Ok, o texto está atrasado aqui - como muitos outros, que acabo deixando pra linkar depois. A Thais Godinho, do Vida Organizada, mudou a sua vida em 2014 e, além de ser uma inspiração diária pra mim, sua mudança também me inspirou para pensar em uma mudança em minha vida em 2014.

5 - Links legais: você não TEM QUE ser bonita
Do Coisas de Diva, uma reunião de links bacanas sobre padrões de beleza e as suas imposições às mulheres.

6 - Gabriel García Márquez entrevista Pablo Neruda
Do blog da Set Palavras, uma pérola!

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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

De quando a vida te presenteia

Em agosto de 2012, uma pessoa bateu aqui em casa pedindo um dos livros escritos pelo meu padrinho. Contei essa história aqui. Mandei o livro pro moço pelo correio e recebi a resposta dele, que o livro tinha chegado. E que ele leria logo. Mas não voltamos a conversar.

Daí que hoje, novamente, a campainha toca e alguém me chama. Era ele, o Alexandre, o moço para quem enviei o livro.

Ele me entregou uma caixa de chocolates e agradeceu o envio do livro, disse que gostou muito e estava muito feliz com ele. Que o meu padrinho, mesmo não estando mais aqui, continuava ensinando pessoas por aí.



E como eu ando chorando até em comercial de cimento, caí no choro. Que foi sofrido, como têm sido esses dos últimos dias, mas também de felicidade. Uma mistura que foi até bem gostosa.

É a segunda sexta-feira seguida em que coisas boas acontecem por aqui. :-)

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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Livro: Claros sinais de loucura

Foto tremida devido ao chororô com o fim do livro


Lembro muito da minha analista me falando que algumas coisas acontecem na hora certa. Acredito bastante nisso, e posso ampliar: certos livros se apresentam pra gente na hora certa e do jeito certo.

Vi Claros sinais de loucura pela primeira vez numa foto que a Dreisse publicou no Instagram. O título já me deixou com vontade de ler. E quando a Dreisse comentou que gostou e que eu provavelmente ia gostar, perguntei se rolava um empréstimo. Ela me entregou o livro numa quinta-feira. No dia seguinte, à noite, eu já tinha terminado a leitura. E estava em prantos, destruída, e com a sensação de que eu tinha mesmo que ter lido naquele momento. Obrigada, Dreisse!

O livro é narrado pela primeira pessoa pela Sarah Nelson, uma garotinha de 12 anos que tem uma vida bem conturbada. Aos dois anos, Sarah sofreu uma tentativa de assassinato. Nesse episódio, seu irmão gêmeo, Simon, morreu. E quem tentou matar Sarah e matou seu irmão foi a própria mãe dos meninos. Desde então, a mãe de Sarah foi presa e, depois do julgamento, vive em um hospital psiquiátrico. Seu pai, Tom, é professor universitário e se esconde atrás do uísque - o que o ajuda a se levantar e a dormir todos os dias, mas prejudica bastante seu relacionamento com a filha. Enquanto tentam tocar a vida, os dois acabam mudando de cidade a cada vez que alguém os reconhece como o marido e a filha daquela mãe louca.

Sarah sabe que o gene da loucura mora nela. E se preocupa ao perceber que algumas atitudes que toma podem ser um claro sinal de loucura. Por exemplo: sua melhor amiga é uma planta, com quem ela conversa e conta segredos. Planta responde, o que é um sinal de que Sarah não bate bem. Outro sintoma é que ela também conversa com Simon, seu irmão morto. E, ainda, ela gosta de ficar de pé no toco de árvore que tem no jardim da sua casa. A garota é bem madura e espirituosa e está enfrentando dois problemas sérios: 1) conseguir não passar as férias de verão na casa dos avós 2) no próximo ano escolar, ela terá que fazer e apresentar a árvore genealógica de sua família, e isso implica contar para todo mundo que sua mãe é louca e que ela também pode ser.

Além disso tudo, Sarah é uma adolescente preocupada em fugir dos colegas bully, em passar despercebida na sala de aula, em tentar conversar com o garoto que ela gosta e, finalmente, beijar de língua pela primeira vez. Ela vive às voltas com palavras favoritas, um diário falso e um verdadeiro, o livro O sol é para todos (que me deu muita vontade de ler) e cartas que escreve para um dos personagens desse livro. E quando ela consegue resolver o problema 1 e passar as férias em sua própria casa, uma onda de coragem a invade e muita coisa vai mudar.

O "novo eu" da Sarah me emocionou muito. A transformação, o amadurecimento, a forma de encarar os problemas e ainda desenvolver afeto foram coisas que passaram como um caminhão sem freio descendo ladeira em cima da minha cabeça. Não sei nem falar quantas vezes chorei com o texto. Nos últimos dez capítulos, chorei sem parar.

Acabei fazendo um paralelo com o Precisamos falar sobre o Kevin, que também me abalou muito. E, não se engane, a protagonista de Claros sinais de loucura tem 12 anos e conflitos adolescentes, mas este não é um livro sobre adolescência. É sobre coragem, amadurecimento e enfrentamento. Super recomendado.

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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Citações 70

Do Manual de sobrevivência dos tímidos, de Bruno Maron:

Perca-se do se grupo, sem constrangimento, e só reapareça no final da tarde. Ou, quem sabe, suma para sempre e recomece uma vida com menos pessoas.

E...


Se a pessoa se sente mal sendo tímida na língua nativa, podemos imaginar a tortura de ser tímido também em outros idiomas. É a globalização do vexame.

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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #49

1 - Precisamos falar sobre depressão
Texto pontual da Nadia Lapa. É realmente importante que se divulgue que a depressão não é tristeza nem falta de vontade, e que não passa: é uma condição para a vida toda, que tem tratamento mas não tem cura. A Nadia é uma pessoa que sofre de depressão e tem muita lucidez ao falar sobre o assunto.

2 - Robin Williams, um ator que nos fez rir e chorar
Texto do Pablo Villaça a propósito do suicídio do Robin Williams. Como sempre, o Pablo traz coisas bem bacanas pra gente pensar. Ele também sofre de depressão e reflete sobre como essa doença terrível afeta a vida das pessoas.

3 - A importância do aviso de gatilho
Mais um texto que cita o Robbin Williams. Nesse caso, o Lugar de Mulher trata dos avisos que podem - e devem - preceder um texto que trata de temas mais pesados, para evitar que pessoas que, por qualquer motivo, estejam com a sensibilidade aflorada, evitem ler coisas que possam interferir em seu bem estar. Imprescindível para quem escreve.

4 - Exposição 20 anos do Castelo Ra-Tim-Bum
A Cinthya Rachel, que fez a Biba no Castelo, traz esse vídeo de sua visita à exposição comemorativa aos 20 anos do programa, no MIS, em São Paulo. Para quem cresceu vendo o Castelo, é uma emoção enorme ver tudo, mesmo que pela telinha. Queria ter ido lá em Sampa só pra ver a exposição, mas não foi possível, infelizmente.

5 - Pai e pró-feminismo
Texto lindo do Hilan Diener sobre como seus filhos mudaram sua perspectiva com relação aos preconceitos enraizados em nós. Um aprendizado que devia ser espalhado por aí.

6 - O leitor brasileiro
Mais um texto bacana do Juan Pablo Villalobos no blog da Companhia das Letras. Fala sobre as particularidades do leitor brasileiro que o autor, nascido no México, percebeu ao se mudar para cá.

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domingo, 12 de outubro de 2014

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Do tricô

A blusa mais difícil que ela já fez.
Essa é da Lelê. Eu ganhei duas. 


Quem via o tricô da Tia Ylza sempre admirava. Acho que nunca vi alguém colocando defeito ou falando que não era bonito. Como sempre tem quem não goste, deve ter nesse caso também, mesmo que eu não saiba.

A blusa da Lelê em processo


Tia Ylza começou a fazer tricô por necessidade. A mãe dela, minha bisavó Enoe, foi criada por uma mulher prafrentex, que foi muito bem educada e fez questão de que as filhas também fossem. Além de ter professores particulares - coisa incomum na época - vovó Enoe aprendeu o que era considerado básico para as moças da sua idade: costurar, bordar, fazer tricô, crochê, macramê, bordados e todas essas coisas que são tão lindas e tão complexas. Ela se casou com meu bisavô José Procópio, que também era de uma família que valorizada os estudos. Ele era formado em Farmácia e Engenharia e dava aulas em escolas e universidades. Ele era muito novo quando morreu. Deixou sete filhos. O mais velho, vovô, tinha 9 anos. Tia Ylza tinha sete e o mais novo, Tio Almyr, tinha três. Eram 1927 e não havia nenhum tipo de seguridade social. Assim, vovó Enoe estava sozinha no mundo, com sete crianças. Sua mãe veio morar com ela e trouxe a Tia Olga. As duas passaram a ajudar vovó Enoe, mas só isso não foi possível.

Fazendo pompom


Como sabia costurar, fazer tricô, crochê e todo o resto, vovó Enoe começou a oferecer o serviço para quem pudesse pagar por ele. Meu avô, em paralelo, foi começar a trabalhar, como ajudante de um comerciante de Ouro Preto. Foi aí que Tia Ylza entrou na história. Vovó Enoe começou a ensiná-la a fazer tricô. A começar a pôr linha na agulha, a fazer acabamentos com biquinho de crochê. Como era muito boa no que fazia, vovó Enoe começou a ter muitas encomendas e Tia Ylza, aos sete anos, começou a ajudar e a aprender. Foi vovó Enoe que ensinou que não bastava estar bom. Como o trabalho seria vendido, deveria estar perfeito. E Tia Ylza teve que recomeçar e refazer várias vezes.

Esse gorrinho foi presente pra Aninha


Aos poucos, Tia Ylza foi tomando a frente e fazendo o tricô mais complexo. Ela contava que, na escola, uma professora pediu um trabalho em tricô para o dia seguinte. Como já sabia fazer há tempos, ela fez um par de sapatinhos de bebê. A professora deu zero. Duvidou que era ela quem tinha feito, já que o trabalho estava perfeito. Tia Ylza se defendeu e a professora a desafiou: queria vê-la fazendo. Na mesma hora, linha e agulha a postos, saiu o sapatinho. A professora ficou sem graça e virou freguesa.

O sapatinho feito na aula, pra provar que ela sabia, era desse modelo aí


O tempo passou, Tia Ylza e Tia Leda (que também era uma tricoteira de mão cheia) arrumaram trabalho na Central do Brasil, meu avô continuou a trabalhar e a estudar até se formar em Farmácia, os outros irmãos seguiram suas vidas. As duas não precisaram mais fazer tricô ou costura para fora. Como a Tia Ylza passou a falar, "só faço para dentro", só para a família e os amigos.

Teste de um gorrinho em forma de gatinho


E muita gente ganhou peças feitas por elas. Fui privilegiada nesse sentido, claro. Desde bebê, com um enxoval lindo, cheio de detalhes. Muitas blusas, pulôveres, suéteres, cachecóis, gorros, luvas e tudo o mais. Ultimamente, ela estava tentando fazer um elefante de tricô pra mim. E uma blusa pra Paulo. O elefante e a blusa ficaram inacabados. A blusa estava em cima da cama dela, com a receita ao lado, esperando só ela voltar para continuar o trabalho.

Meu sapatinho preferido da vida, modelo "Trenzinho"


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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Livro: De repente, Ana



E finalmente li De repente, Ana, continuação de Simplesmente Ana, da Marina Carvalho. Comprei na pré-venda e li logo que chegou (mas demorou a chegar. Acho que a pré-venda foi mais extensa). Devido a vários problemas por aqui, acabei deixando pra falar dele só agora.

Estamos às voltas com Ana, dois anos depois da história narrada no primeiro livro. Ela está namorando Alex, trabalha na embaixada do Brasil na Krósvia e está passando férias na Bahia, quando tem um pressentimento de que algo ruim acontece com seu pai, o rei Andrej. Alguns dias depois, já em Belo Horizonte, na casa da mãe, Ana é chamada ao telefone: Andrej sofreu um acidente de helicóptero e ela tem que voltar correndo para a Krósvia, para estar ao lado do pai e, principalmente, para assumir como regente de seu novo país.

Enquanto Andrej está em coma, Ana tem que enfrentar todas as questões políticas do seu país de uma hora para a outra. E ainda precisa lidar com os jornalistas, sempre atrás de um deslize seu, e com a oposição, que questiona sua gestão como regente. Mas, como nada na vida da Ana é simples, ainda surge uma grande crise com Alex e uma conspiração que envolve pessoas bem próximas.

Mais uma vez, a escrita é limpa e bem conduzida - algumas comparações me incomodaram um pouco, mas eu sou meio chata com isso mesmo #relevem - e a história é bem articulada. De novo, há o recurso das músicas, o que torna o texto mais leve. Ana é divertida e até as situações mais tensas ficam engraçadas. Aqui também é possível ter o ponto de vista do Alex em momentos decisivos da trama, o que foi bastante interessante. E a Marina está escrevendo o final da história, o terceiro volume das aventuras de Ana.

Da Marina Carvalho também li Ela é uma fera! e Azul da cor do mar, meu preferido.


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terça-feira, 7 de outubro de 2014

Citações 69

Do Manual de sobrevivência dos tímidos, de Bruno Maron:


Atenção, tímido! Hoje em dia é possível passar a vida inteira em casa, resolvendo todas as necessidades pela grande rede. O perigo de não sair de casa para nada é deixar de tomar sol e ficar com os ossos moles. Vamos resolver a vida da seguinte maneira: internet banda larga, varandinha e/ou bronzeamento artificial.

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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #48

1 - Legado
Um texto lindo do Pablo Villaça sobre seu legado como professor e divulgador do cinema e da crítica de cinema. Lembro quando ele pediu, no grupo de seus ex-alunos, pessoas que começaram a escrever sobre cinema a partir do que aprenderam com ele. Faço parte dessa lista. E, tempos depois, ele anunciou o fim do Cinema em Cena. Mas ainda espero que coisas boas venham por aí.

2 - Making of de Condor, o livro
Texto muito bacana e informativo da Alexandra Lucas Coelho sobre a Operação Condor, coordenada pela Cia e que envolver vários países da América Latina, incluindo o Brasil. Bom pra conhecer mais a fundo a nossa história.

3 - A coerência em três atos
Texto muito bacana da Ana Paula Pedrosa sobre a coerência das pessoas que gritam por aí conta da corrupção mas é corrupto no dia a dia. Corrupção não tem tamanho. É, por si só, e ponto final.

4 - Entre o genial e o ridículo
Texto da Nathália Pandeló sobre críticas e críticos. Muito bacana para quem se aventura a escrever críticas de cinema, de literatura, de arte...

5 - Selfie de estátuas
Do Bem Legaus, um projeto muito bacana que lida com a questão das selfies, essas fotos que invadiram as redes sociais, as ruas, as casas e a vida da gente.

6 - Os dez melhores livros de Agatha Christie segundo o Goodreads
A lista, publicada no Livros e Pessoas, é bem bacana. Posso dizer que concordo com ela, mas talvez mudasse a ordem de preferência. Agatha é tudo de bom!

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domingo, 5 de outubro de 2014

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Livro: Histórias extraordinárias



É a minha segunda vez com este livro.  Li pela primeira vez em 2001 e achei bem uó. Que me perdoem os adoradores do Poe. Não consegui gostar dele. Achei as histórias bobas. Mesmo que eu ache que ele escreve muito bem, não consegui me envolver. Acabei doando o livro pra um amigo do Otávio que é fascinado com o autor.

Aí veio o Clube de Leitura com a sugestão de O senhor das moscas (que eu adorei) e Histórias extraordinárias. Comprei um novo exemplar o Poe, da Companhia de Bolso. Me propus a ler, de todo coração, com a mesma dedicação com que me doei para O senhor das moscas. Mas não rolou, de novo. Alguns dos contos eu até li em voz alta para o Leo, pensando que ele poderia gostar e ganhar o livro de presente. Mas ele também não curtiu.

Como disse antes, meu problema não é com o estilo do Poe. Acho que ele escreve lindamente. Só não curto o tipo de literatura que ele faz. Sei lá, acho que é o zeitgeist do período em que ele viveu que já me comoveu há muitos anos, mas que hoje me dá preguiça. Juro que eu tentei!

E, para não fazer o livro ficar parado aqui em casa, acabei perguntando no Twitter se alguém queria recebê-lo de presente (frete por minha conta). E a Gianna se manifestou. Quando ela me mandou seu endereço, vi que ela mora em São Luís, onde morei em 1989. Fiquei feliz com a coincidência e com o fato do livro ser lido.

Livro, marcador e bilhetinho, antes do envio

Ter feito essa doação me animou a fazer mais vezes, com livros que eu tenho aqui e que não lerei de novo. Em vez de investir numa biblioteca lotada, como já foi meu sonho um dia, estou mais interessada em fazer meus livros serem lidos por aí :-)


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