domingo, 30 de novembro de 2014

Torcido



Daqui.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Borgeando

Pela primeira vez na vida, não estava animada para um encontro da família Borges. Mas falo sobre isso em outro post. Na minha mala deste ano ia menos animação, mas a saudade era gigante, talvez até maior. Além de estar chateada porque a Tia Ylza, a principal ouvinte das minhas histórias da família do Leo, não estar mais aqui para me ouvir, ainda tinha a ausência da Aninha, do Pedro e do Bê, que são grandes companheiros. Também fizeram falta a Kennya, o Maurício e o Samuel, além do Pedrinho. E lá fomos nós, tomar o rumo de Goiás para desanuviar e matar saudades. E foi ótimo, mesmo com os momentos de tristeza de caminharam ao meu lado o tempo todo.

Nossa tradicional "Foto Contraste"


Teve quem:
- criou uma cotação econômica bem interessante, em que um kibe valia uma pedra de gelo. E a cotação foi ficando mais forte ao longo dos dias;
- tinha oito pedras de gelo num copo de coca-cola e ficou ostentando;
- falou palavrão na frente de uma criança de cinco anos. E se virou direitinho pra contornar a situação ("vou abrir essa garrafa com o quê? Com meu cu? Cuelho, eu tenho um abridor de cuelho");
- nunca bebe nada mas resolveu beber três copos de cerveja acompanhados por alguns pacotes de Doritos e passou muito mal (não fui eu!!!);
- ficou frustrado porque, desta vez, não teve picolé de groselha - ainda não entendo essa fixação com groselha que a família tem...;
- contou que, há alguns anos, matou um sapo: "esse sapo morreu vivo. De cajadada";
- proibiu o bullying com o Turene. "Bedece sua vó", galera!;
- mesmo com a proibição, praticou bullying contra o Turene;
- se sentiu na Bahia e comandou uma aula de aeróbica.


Cantoria noturna

Cantonia noturna #2


Também teve:
- Dona Lídia falando pro Leo ser mal educado, desde que mal educado seja comer à vontade;
- Mateus resolvendo o problema do café da manhã dos micos pendurando vários biscoitos de polvilho numa árvore;
- Thiago afirmando, com certeza absoluta, que quando o Marcelo nasceu, a mãe dele [Marcelo] estava parindo;
- muita comida, como sempre. E uma esfiha de queijo que estava deliciosa;
- Turene pisando repetidamente no fio que carregava celulares. Queria ter visto isso. Só vi a Ana Lúcia quase tendo um filho de tanto rir;
- A Lara sendo fofa, rindo, fazendo caretinhas, fazendo ginástica e deixando todos admirados com sua esperteza;
- Toda a produção de uma foto "go-pobre", com muitas risadas;
- O pássaro azul, famoso no quintal e nas poesias da D. Lídia, sendo atacado por outros passarinhos e indo se esconder na sala de visitas.


A nossa foto "go-pobre"

E os bastidores da foto, com um cabo de vassoura, uma escada e um celular


A coisa mais linda do encontro:
Um dos momentos mais lindos do encontro foi quando a Lulu, toda tímida - e sempre linda - contou pra todo mundo o sonho que ela teve com o Godó (o avô do Leo, que eu não conheci e a Lulu também não). No sonho, o Godó dizia pra cada um dos familiares uma mensagem especial. Ao acordar, ela só se lembrou de uma, a que ele disse pro pai dela, o Telmo. E foi tão lindo, tão lindo... Ela me contou bem cedinho e depois contou pra família toda e fez praticamente todos se emocionarem.

Isso pra mostrar que não se vive só de gargalhadas por lá.

Também tive conversas muito bacanas com a Ana Lúcia, o Leandro, o Breno, o Bruno, a Lulu e o Marcelo. Cada um deles me ensinou muita coisa, e isso é o barato da vida.


O café da manhã dos micos. Obra do Mateus

O pássaro azul na sala
Foto do Leandro


Diálogos marcantes envolvendo o Mateus:

#1
Mateus: cadê o...
Lito: o Leo.
Mateus: não, o do cabelinho assim [e faz um gesto indicando cabelo curtinho]...
Lito: o Leo.
Mateus: não, o maluquinho!
Lito: o Leo.

#2
Mateus: você tem que lutar
Leo: e se eu for a favor da paz?
Mateus: você não é não!
Leo: e se eu for o Dalai Lama?
Mateus: vem cá, porquinho da lama! [e sai correndo atrás do Leo com uma espada de brinquedo na mão]

#3
Mateus encontra uma joainha e vem com ela no dedo mostrando pra todo mundo.
eu: qual o nome dela?
Mateus: Leonardo [homenagem ao Leo? Ou ao Leonardo das Tartarugas Ninjas? Jamais saberemos]
Passa um tempo e ele volta sem a joainha.
eu: cadê a joaninha, Mateus?
Mateus: soltei na natureza!


Fim de festa

Certezas:
Esses poucos dias em Goiás me trouxeram algumas certezas. A principal é que um encontro anual é muito pouco... precisamos de mais! As outras são as seguintes:

1- Leo é mesmo filho do Tanner;
2- Thiago é mesmo primo do Leo;
3- Ana Lúcia é mesmo tia do Leo;
4- Bruno é mesmo sobrinho do Tanner.

E não me perguntem o motivo! :-)

Mais dos encontros da família Borges:
2010 (aquiaquiaquiaquiaqui)
2011 (aquiaquiaquiaqui)
2012 (aqui)

2013 (aqui)

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Livro: Just Listen



Mais um livro para o projeto Leitor Parceiro da Set Palavras. O livro da vez foi Just Listen - A garota que esconde um segredo,  de Sarah Dessen, publicado pela Editora Difusão Cultural do Livro - Selo Farol Literário

Desde que A menina que roubava livros surgiu, trouxe a reboque uma série de livros que tinham "a menina", "o menino", "a garota" ou "o garoto" no título. E uma parte significativa desses livros não era lá grande coisa. Então, quando abri o pacote, escolhido entre uma pilha de livros possíveis para a leitura do mês em parceria com a Set Palavras, fiquei decepcionada com o título Just Listen - A garota que esconde um segredo. E com a capa. Achei que seria mais um chick-lit, estilo que não gosto.

Acabei me surpreendendo. O livro está mais para YA (Young Adults), uma faixa etária que transita entre a juvenil e a adulta e que está em alta na literatura atual. A autora, Sarah Dessen, recebeu vários prêmios pelo livro e tem relativa fama nos círculos da YA. A história aborda temas comuns para jovens em idade escolar, como a amizade, a popularidade, os grupos, as fofocas. Mas também toca em coisas mais pesadas, como distúrbios alimentares, depressão, abusos, violência. Vamos à trama…

Annabel Greene é a narradora e personagem principal da história. É uma adolescente no último ano da escola, preocupada com a volta às aulas. No último dia de aula do ano anterior, sua melhor amiga Sophie pegou o namorado, Will Cash, com Annabel. A garota não conseguiu se explicar e passou as férias sozinha. A volta à escola parece um pesadelo: sempre que pode, Sophie chama Annabel de vadia. Seus amigos não a procuram mais e ela fica isolada na hora do almoço, sentada no muro da escola, ao lado de Owen, um colega que também não tem amigos.

A menina trabalha como modelo, apesar de não gostar muito, e tem que lidar com uma família que prefere varrer as coisas para debaixo do tapete. Sua irmã Whitney está enfrentando um distúrbio alimentar, mas ninguém em casa fala disso, especialmente porque sua mãe já teve depressão há alguns anos e todos ficam tentando fazer com que essa situação não volte. Enquanto parece querer alguém para conversar, para contar de sua dor, Annabel não consegue falar com ninguém e se fecha cada vez mais. Owen, com sua paixão pela música, consegue quebrar parte da casca sob a qual Annabel se esconde, mas nem isso é suficiente.

A história é um tanto previsível. É simples saber qual o segredo de Annabel - nem é preciso esperar 13 capítulos para confirmar. Também é fácil descobrir o final de praticamente todos os personagens, até dos secundários. Isso não tira o mérito do livro ao abordar temas mais sérios, apenas o faz perder um pouco do fôlego.

Uma coisa que o projeto Leitor Parceiro da Set Palavras está me ensinando é a não julgar o livro pela capa - ou, neste caso, pelo título. Just Listen é daqueles que jamais faria parte da minha estante – pelo nome, pela capa, pelo conteúdo –, mas tem lá suas qualidades, em especial tocar em temas mais sérios do que a literatura juvenil costuma oferecer.


* A postagem original pode ser vista aqui

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 25 de novembro de 2014

Citações 76

De Lendo Lolita em Teerã, de Azar Nafisi:

Era irônico que o senhor Bahri, o defensor da fé, descrevesse o véu como um pedaço de pano. Tive que lembrá-lo de que precisávamos ter mais respeito por aquele "pedaço de pano", em vez de forçá-lo sobre pessoas relutantes. O que ele imaginou que nossos alunos pensariam a nosso respeito se nos vissem usando um véu que juramos jamais usar? Não acha que eles diriam que vendemos nossas crenças por uns poucos tumans por mês? O que o senhor acha, senhor Bahri?
O que ele poderia pensar? Um aiatolá, um filósofo-rei cego e improvável, decidira impor seu sonho sobre um país e sobre um povo, e nos recriar segundo sua própria visão míope. Desse modo, ele formulara um ideal de mim, como mulher muçulmana, como professora muçulmana, e queria que eu parecesse, agisse e, em resumo, vivesse de acordo com aquele ideal. Laleh e eu, quando recusamos aceitar aquele ideal, não tomamos uma posição política, mas, sim, existencial. Não, eu poderia dizer ao senhor Bahri, não era o pedaço de pano que eu rejeitava, era a transformação que era imposta a mim, que me fazia olhar no espelho e odiar a estranha na qual me tornara. 

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #52

1 - Ao mestre Fernando, com carinho
Texto lindo da Ana Paula Pedrosa sobre a polêmica envolvendo o curso de Jornalismo da Puc-Minas. Ela só foi aluna do Fernando. Eu tive a sorte de aluna do Fernando e do João Carlos e aprendi pra caramba com eles. Acho que a Puc e os novos alunos perdem demais com o desligamento desses dois mestres. Que podem não ter título acadêmico, mas que são mestres de verdade, detentores de grande saber e que, gentilmente, passam esse saber pros alunos. Se eu pudesse, estaria lá, subindo na mesa e gritando Oh, capitan, my capitan pros dois.

2 - Esqueça tudo o que você sabe sobre HIV
Vi no Brasil Post e fiquei horas com o texto na cabeça. Escrito por alguém que se autodenomina Jovem Soropositivo. Que tira da obscuridade vários pontos sobre o HIV e sobre como se relacionar com alguém soropositivo. Muito bom.

3 - Casa de festeiro, espeto de pau
Do André Barcinski, sobre vizinhos, respeito, festas, perda de limites e essas coisas com as quais somos confrontados cotidianamente ao viver em sociedade.

4 - De mãe pra filha
Já falei que adoro a Clara Averbuck, com seus textos sempre incríveis? Acho que já... Também já falei o tanto que curto o blog Lugar de Mulher. E a Clara escreveu essa lindeza pra Catarina, filha dela. É de chorar de emoção.

5 - A chave do sucesso
Da Rosana Hermann, sobre sucesso, insucesso, parâmetros, genialidade, representatividade e tantas outras coisas. O texto é curtinho, mas dá pano pra manga.

6 - Os mistérios do autismo
Mais um texto lindo da Andréa sobre o Theo, o autismo e tudo o que podemos aprender com esses mistérios insondáveis que aparecem na vida da gente.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 23 de novembro de 2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Citações 75

De Lendo Lolita em Teerã, de Azar Nafisi:

Um romance não é uma alegoria, disse, enquanto a aula estava perto do fim. É a experiência sensual de um outro mundo. Se vocês não entrarem nesse mundo, segurarem sua respiração com os personagens e se deixarem envolver pelo seu destino, vocês não serão capazes de se solidarizar, e a empatia está no âmago do romance. É assim que se lê um romance: vocês inalam a experiência. Desse modo, comecem a respirar. Quero apenas que vocês lembrem disso. Isso é tudo; a classe está dispensada. 
E...

(...) não podemos experimentar tudo o que os outros vivenciaram, mas podemos compreender até mesmo os indivíduos mais monstruosos das obras de ficção. Um bom romance é aquele que mostra a complexidade dos indivíduos; e que cria espaço suficiente para que todos esses personagens tenham uma voz; desse modo, um romance é chamado de democrático - não porque defenda a democracia, mas porque ele é assim, por sua natureza. A empatia está no centro da questão, no âmago de Gatsby, como no de tantos outros grandes romances - o maior pecado é ficar cego diante dos problemas e dos sofrimentos das outras pessoas. Não enxergar esse problema e esses sofrimentos significa negar sia existência.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

De quando as coisas andam

Hoje eu entro na casa dela e vejo tudo diferente. Há mais pó por todos os cantos. Há papéis espalhados, sacolas, coisas agrupadas. Móveis que foram arrastados. Objetos tirados do lugar. Um cheiro diferente no ar. Menos vasos de “folhagens”, como diria a Tia Leda.

Quando o Renato e a Mônica subiram as escadas e escolheram duas imagens – um São José e uma Santa Terezinha –, meu coração deu um longo suspiro de alívio. Uma imagem de santo pode não ser nada, pode ser pequena perto da enormidade de coisas que há naquela casa. Mas estão em mãos que a Tia Ylza aprovaria e isso basta.

Quando o Mário me chamou pelo celular dizendo que passaria na porta da casa e descemos com uma caixa e uma sacola cheia de livros, sabia que eles seriam – e serão – lidos por quem realmente valoriza aqueles volumes.

Quando a Nanda respondeu meu pedido de ajuda, eu soube que, mesmo que demore, tudo vai se resolver. Que o olhar lindo dela vai encontrar solução, destino ou uso para coisas que eu não imagino o que mais podem ser.

Quando passei pelo corredor, meus olhos se detiveram na Folhinha do Coração de Jesus, onde cada marcação de dia é arrancada. E estava lá: 23 de agosto de 2014. O dia em que o seu mundo – e o meu – parou.

Já entrei na casa sozinha, morrendo de medo de desabar de chorar. De novo, pedi desculpas pela invasão e fiquei imaginando que estava ali só para resolver o problema do gato – um dia em que um gatinho caiu no pátio e Leo e eu ficamos tentando tirá-lo de lá, devolvê-lo para a mãe, enquanto a Tia Ylza, que tinha pavor de gatos, ficou no quarto escondidinha. Como se todas as ações de agora e posteriores naquela casa fossem devolver um gatinho à ninhada enquanto a Tia Ylza está por ali, apenas confiando em minhas ações.

Seria bom se tudo fosse tão simples quanto foi solucionar o problema do gatinho. 



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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Citações 74

De Lendo Lolita em Teerã, de Azar Nafisi:

Todo conto de fadas oferece o potencial para superar os limites presentes e, assim, num certo sentido, os contos de fadas oferecem liberdades que a realidade nos nega. Em todas as grandes obras de ficção, independente da impiedosa, sinistra ou implacável realidade que apresentam, existe uma afirmação da vida contra a transitoriedade daquela vida, um desafio essencial. Essa afirmação reside na maneira que o autor toma controle da realidade, recontando-a do seu próprio modo, criando, dessa maneira, um mundo novo. Toda grande obra de arte, declararia pomposamente, é uma celebração, um ato de insubordinação contra as traições, os horrores e as infidelidades da vida. A perfeição e a beleza da roma se rebelam contra a feiúra e a miséria do tema. É por isso que amamos Madame Bovary e choramos por Emma, por isso que lemos Lolita avidamente, enquanto nosso coração se parte de dor por uma heroína órfã e desafiadora, pequena, vulgar e poética. 

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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Livro: As aventuras de Pi



Já tinha pensando em comprar este livro antes de ver o filme. Mas não comprei, não sei o motivo. Ganhei da Ana Paula, de presente de aniversário. Com uma condição: que eu emprestasse pra ela depois de ler. Antes que eu começasse, Leo pegou o livro e leu numa rapidez impressionante. E ficou insistindo para que eu lesse logo. Combinamos de ver o filme depois.

Esta é a história de Piscine Molitor Patel, um garoto indiano, caçula de uma família de dois filhos, proprietária de um zoológico em Pondicherry. Pi, como gosta de ser chamado, é um jovem curioso que pratica, ao mesmo tempo, três religiões: é hinduísta, islamita e católico. Seu interesse por Deus, seja em que forma for, faz com que a sua família e seus mentores religiosos aceitem suas três religiões, não sem antes um pequeno estresse.

Desgostoso com os rumos da política na Índia nos fins da década de 1970, o sr. Patel resolve se mudar com a família para o Canadá e vender o zoológico. Alguns dos animais também foram vendidos para zoológicos na América, e a família e esses bichos embarcam num cargueiro japonês com tripulação chinesa e bandeira panamenha, cruzando o oceano Pacífico. Aí o cargueiro afunda e Pi está, de repente, num bote salva-vidas, acompanhado por uma zebra com uma das patas quebradas, uma hiena, uma orangotango e um tigre-de-bengala. Seu dilema, agora, é sobreviver ao naufrágio, à fome e aos animais. Ele é presa fácil e não aparece ajuda à vista. Seu conhecimento sobre animais, por conta do zoológico da família, é que vai fazer a diferença entre a sua vida e a sua morte. E mais não dá pra contar.

O que é possível dizer é que a história é bastante envolvente, mas tem partes bastante cansativas. Em um determinado momento, no meio do livro, Pi conta que ficou 227 dias à deriva. Juro que pensei que ele narraria detalhadamente cada um desses dias e desanimei. Fiquei uns três dias sem voltar a ler. Mas o retorno foi direto: só parei na última página. E meio que perdendo o fôlego na reta final.

Foi uma história que me fez pensar em coisas que parecem completamente desconexas, mas que, no fundo, têm um fio em comum. Pensei muito na Laura e nos delírios que ela tem durante os surtos. Pensei em Clube da Luta. Em narrativas mitológicas. Na minha conversa com a Flávia quando falamos sobre como ter uma religião pode ser um paleativo para o luto - ou não. E também naqueles livros que aparecem na vida da gente na hora certa (já falei sobre isso aqui). Sobre como há equilíbrio em algumas situações em que, olhando de fora, nem sempre conseguimos ver isso. Em uma certa rosa vermelha na sola do pé. Em criatividade. Em desespero. Em luzes e túneis.

E pra quem se deixou enganar, como eu, como um aparente marasmo da história, basta ter paciência pra chegar ao final. É espetacular.

Espero que o filme também seja...

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Citações 73

De Lendo Lolita em Teerã, de Azar Nafisi:

Lemos aquele livro com uma certa inocência; nós os lemos à parte da nossa própria história e das nossas próprias expectativas, como Alice correndo atrás do Coelho Branco e pulando dentro do buraco. Essa inocência valeu a pena: não creio que sem ela teríamos compreendido nossa própria inarticulação. Curiosamente, os romances nos quais nos enredávamos acabaram nos levando finalmente a questionar e a espicaçar nossas próprias realidades, sobre as quais nos sentíamos tão desesperadamente emudecidas. 


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...