quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Livro: As aventuras de Pi



Já tinha pensando em comprar este livro antes de ver o filme. Mas não comprei, não sei o motivo. Ganhei da Ana Paula, de presente de aniversário. Com uma condição: que eu emprestasse pra ela depois de ler. Antes que eu começasse, Leo pegou o livro e leu numa rapidez impressionante. E ficou insistindo para que eu lesse logo. Combinamos de ver o filme depois.

Esta é a história de Piscine Molitor Patel, um garoto indiano, caçula de uma família de dois filhos, proprietária de um zoológico em Pondicherry. Pi, como gosta de ser chamado, é um jovem curioso que pratica, ao mesmo tempo, três religiões: é hinduísta, islamita e católico. Seu interesse por Deus, seja em que forma for, faz com que a sua família e seus mentores religiosos aceitem suas três religiões, não sem antes um pequeno estresse.

Desgostoso com os rumos da política na Índia nos fins da década de 1970, o sr. Patel resolve se mudar com a família para o Canadá e vender o zoológico. Alguns dos animais também foram vendidos para zoológicos na América, e a família e esses bichos embarcam num cargueiro japonês com tripulação chinesa e bandeira panamenha, cruzando o oceano Pacífico. Aí o cargueiro afunda e Pi está, de repente, num bote salva-vidas, acompanhado por uma zebra com uma das patas quebradas, uma hiena, uma orangotango e um tigre-de-bengala. Seu dilema, agora, é sobreviver ao naufrágio, à fome e aos animais. Ele é presa fácil e não aparece ajuda à vista. Seu conhecimento sobre animais, por conta do zoológico da família, é que vai fazer a diferença entre a sua vida e a sua morte. E mais não dá pra contar.

O que é possível dizer é que a história é bastante envolvente, mas tem partes bastante cansativas. Em um determinado momento, no meio do livro, Pi conta que ficou 227 dias à deriva. Juro que pensei que ele narraria detalhadamente cada um desses dias e desanimei. Fiquei uns três dias sem voltar a ler. Mas o retorno foi direto: só parei na última página. E meio que perdendo o fôlego na reta final.

Foi uma história que me fez pensar em coisas que parecem completamente desconexas, mas que, no fundo, têm um fio em comum. Pensei muito na Laura e nos delírios que ela tem durante os surtos. Pensei em Clube da Luta. Em narrativas mitológicas. Na minha conversa com a Flávia quando falamos sobre como ter uma religião pode ser um paleativo para o luto - ou não. E também naqueles livros que aparecem na vida da gente na hora certa (já falei sobre isso aqui). Sobre como há equilíbrio em algumas situações em que, olhando de fora, nem sempre conseguimos ver isso. Em uma certa rosa vermelha na sola do pé. Em criatividade. Em desespero. Em luzes e túneis.

E pra quem se deixou enganar, como eu, como um aparente marasmo da história, basta ter paciência pra chegar ao final. É espetacular.

Espero que o filme também seja...

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...