quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Livro: Já matei por menos



E um belo dia - nem sei se foi belo mesmo, mas deixemos assim - acabei me deparando com a Juliana Cunha e o seu jeito muito bacana de escrever. O blog dela, Já Matei por Menos, me conquistou de cara. Pelo estilo dos textos, pela diversidade dos assuntos, pela acidez aqui e ali... Coloquei logo no finado (e saudoso) GReader. De lá, o feed  mudou pro Feedly e acompanhei (já não lembro de no blog ou em outro lugar) que alguns de seus textos virariam livro, editado pela Lote42, que estava nascendo. De cara, e porque sempre gostei dos textos da Juliana, comecei a gostar da Lote42.

Daí veio aquela promoção maluca da editora durante a Copa do Mundo: para cada gol que o Brasil tomasse, eles dariam 10% de desconto nos livros. E aí, "gol da Alemanha" veio avassaladoramente, por sete vezes em 90 minutos. Comprei o Já matei por menos, o Manual de sobrevivência dos tímidos e o Seu Azul.

Já matei por menos é uma delícia! Foram escolhidos 70 textos do blog da Juliana. Cada um com um toque especial, um traço único, uma narrativa consistente e gostosa. Entre eles, destaco O idiota completo, em que ela começa falando de pessoas que não conseguem se colocar no lugar dos outros e termina falando que a ficção cumpre o papel de "desidiotizar" as pessoas. Perfeito!

Em Personal Capataz, Juliana dá uma zoada geral num tipo de empreendedorismo bem comum atualmente e que utiliza muito os "personais", aqueles seres que não estão ali pra te ajudar, mas para te fazer cumprir o que eles determinam. Em The Champios, ela começa falando sobre como as festas de casamento são chatas e têm "uma megalômana com sonhos de princesa tardios se diverte enquanto as pessoas olham pra ela". Algo com o que super concordo, há tempos. E aí vai também para as festas de formaturas e outras festas, com suas ilusões de grandeza.

Em Sócrates e a escrita, ela fala sobre a falta de obras escritas por Sócrates, o filósofo grego que é o divisor de águas na história da Filosofia. Sócrates achava que a leitura e a escrita emburreciam o homem, porque o deixavam preguiçoso. Isso abre as portas para um texto delicioso sobre compreensão, crítica, afinidade e amor. E meu último destaque vai para Generalismo Zen, em que a Juliana fala sobre pessoas focadas, que ficam tempos se dedicando a um só tema e deixando o resto de lado.

Claro que, depois de ler o livro, deu vontade de escrever mais, de ler mais, de estudar mais... Recomendadíssimo!

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...