sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Noel Rosa e a mulher indigesta

Um dos meus compositores favoritos é Noel Rosa. Comecei a escutar suas músicas por volta dos 16 anos e foi amor à primeira audição. Lembro de como fiquei assustada ao saber que Aracy de Almeida era uma de suas melhores intérpretes. Para mim, ela era apenas uma jurada chata do Show de Calouros do Sílvio Santos, e eu não gostava nem dela nem do programa.

No primeiro período da faculdade de jornalismo, precisei escrever um texto, entre outras coisas, sobre tramas. E escolhi como objeto a música Três apitos, uma das que considero mais bonita. Não tenho mais o trabalho, coisa que lamento muito, mas lembro que tirei nota máxima e um elogio significativo da professora.

As músicas mais conhecidas no Noel sempre estiveram ao meu lado. Seja Pastorinhas ou o Gago apaixonado. Ou mesmo Três apitos, Palpite infeliz, Não tem tradução, Filosofia e Conversa de botequim.

Acontece que, recentemente, fui escutar Noel na Rádio Uol (é, sou dessas antiquadas que usa Rádio Uol). E foi quando escutei pela primeira vez Mulher Indigesta. Pôxa, que horror, seu Noel!

A mulher indigesta, segundo o compositor, é aquela que fica no pé do cara. E que deveria receber “um tijolo na testa”.





Mulher Indigesta
Noel Rosa

Mas que mulher indigesta! (Indigesta!)
Merece um tijolo na testa

Essa mulher não namora
Também não deixa mais ninguém namorar
É um bom center-half pra marcar
Pois não deixa a linha chutar

E quando se manifesta
O que merece é entrar no açoite
Ela é mais indigesta do que prato
De salada de pepino à meia-noite

Essa mulher é ladina
Toma dinheiro, é até chantagista
Arrancou-me três dentes de platina
E foi logo vender no dentista

  

Menos, Noel Rosa, menos!


Se Mulher Indigesta me faz gostar menos dele? Não, de forma alguma. Porque o resto vale muito a pena. O negócio é só pular essa música indigesta quando ela insistir em tocar.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...