sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Adventos indispensáveis à formação do ser humano

Em Antes que eu morra (leitura de carnaval, daqui a pouco falo sobre ele), o narrador-personagem faz uma lista de "adventos indispensáveis à formação do ser humano". Ele cita coisas como roupas de certas marcas, jóias, bebidas, músicas, livros e filmes. Achei a lista dele meio maluca, mas bem interessante e resolvi fazer a minha. Como o narrador, nada de explicações: apenas uma lista. 

Adventos indispensáveis à formação do ser humano (não necessariamente nesta ordem) - por Aline

Palavras
Sol
Grande Sertão Veredas
Brigadeiro com cacau de Ilhéus
Pão-duro (a ser utilizado em latas de leite condensado
O próprio leite condensado
Lord Henry, de O retrato de Dorian Gray
Sorvete de doce de leite da Hägen Dazs
Liz Bennett e Mr. Darcy
Azeite Herdade do Esporão Seleção
Metropolitan Museum
Coletor
Filosofia
Sakê
Aromatizador de ambientes
Manjericão
Ária na quarta corda
Time, do Pink Floyd
Agatha Christie
Puzzle
Nova York
Picolé de limão
Tesouro da Juventude
WI-FI
Copa do Mundo de Futebol 2014
Cinema
Veneto
Literatura
Alecrim
Baixa
Tesouras
Marcadores de livro
Construção, do Chico Buarque
Ouro Preto
Stabilo
Nasceres do sol
Pôres do sol
Goiabada (cascão) com queijo Minas (meia cura)
Conteúdo
Sudoku
iPod
Cadernos
Praça da Liberdade
Monteiro Lobato
Freud
Pianos
Melancia
Novelas de cavalaria 
Kant
Edredon


Óbvio que a lista está aberta a inclusões e retiradas. Assim é a vida...

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Livro: Anjos do Universo

Mais um livro como Leitora Parceira da Set Palavras. O texto completo pode ser lido aqui. E que livro lindo!




Anjos do universo, de Einar Már Gudmundsson

Por Aline Monteiro

O primeiro estranhamento, quando abri o pacote com o livro Anjos do Universo, foi com a capa, toda vermelha e com um homem de escafandro caminhando num mar raso e calmo. O segundo foi com o nome do autor: Einar Már Gudmundsson. O terceiro: o autor é islandês. Isso mesmo, ele é da Islândia. Sei muito pouco sobre o país, talvez apenas que é uma ilha, faz bastante frio e é a terra natal da cantora e compositora Björk. Nunca tinha ouvido falar em literatura islandesa - o que, é claro, não quer dizer que ela não exista. Einar é considerado um dos mais célebres autores islandeses da sua geração.
O livro conta a história de Páll, um garoto islandês, morador da capital, Reiquiavique. Ele vive com os pais e dois irmãos mais novos e, em meio às brincadeiras de criança e início da adolescência, acaba passando por crises que vão resultar em uma esquizofrenia. Enquanto a família tenta lidar com essa situação nova, Páll acaba precisando ser internado no Kleppur, o hospital psiquiátrico da cidade, que fica num prédio parecido com um castelo à beira-mar. O Kleppur habitou alguns dias da infância de Páll, quando ele via pessoas sendo trazidas pela polícia enquanto brincava no alto de um morro nas redondezas. De repente, lá está ele, entre os loucos.
Sua visão do mundo, das coisas, das relações humanas e dos acontecimentos são um olhar posterior, quando ele tenta entender os motivos por trás de suas escolhas e das consequências delas para sua vida. Páll consegue perceber que foi o término de um namoro que o fez entrar na primeira crise, quando ainda era aluno do ensino médio. Ele se confronta como os interesses dos amigos, que foram se diferenciando dos seus. Também surge o preconceito e o desconhecimento das pessoas ao lidarem com portadores de qualquer tipo de deficiência mental.
A narrativa traz muitas alegorias e bastante sensibilidade poética. É uma história densa, pesada, mas narrada de uma forma linda, aberta e corajosa. O autor se baseou em seu irmão mais velho para escrever e parece ter captado bem a extensão da visão de mundo de um portador de esquizofrenia.
Na capa há uma recomendação do livro feira pelo inglês Ian MacEwan, um dos meus autores contemporâneos favoritos. Anjos do Universo ganhou o Prêmio Nórdico de Literatura, que é concedido pela mesma academia do Premio Nobel. É realmente notável que a editora Hedra traga para o Brasil autores bons que, normalmente, não seriam editados por aqui. Importante: o livro foi traduzido direto do islandês, o que é um ganho enorme para os leitores brasileiros.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Citações 89

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:


"Seria mais normal que fosse um homem a liderar esse grupo, ou estou enganado?"
"Claro que estás enganado. Olha para o país à tua volta: quem é que grita à porta dos tribunais hoje em dia? São as mulheres. Quem é que vai à frente das manifestações contra o governo? São as mulheres. Historicamente, elas tornam a repressão mais suave. Por um lado e em certos contextos, são muito mais histriônicas; por outro, têm a seu favor o poder da comoção, que lhes permite desafiar a autoridade." Ouvia-a pigarrear. "Seria impensável que um polícia, hoje, se atrevesse a tocar numa mulher que carrega um filho ao colo, pelo menos numa sociedade democrática. Ou talvez tenha sido isso que pensou Catarina e as outras mulheres que a acompanhavam: que, apesar de não conhecerem a democracia ou nunca terem ouvido falar nela, que nem uma besta como o tenente Carrajola se atreveria a tocar-lhe mesmo debaixo de um regime que usava a força como como de repressão. Teoricamente, está correto: é uma demonstração de força e, ao mesmo tempo, de fragilidade. Faz parte do repertório da resistência, em situações de manifestação, que os mais frágeis tomem a liderança." 

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #62

Hoje é temático, sobre blogs brasileiros e a tal da blogosfera.

1 -  O que aconteceu com a blogosfera brasileira?
Da Bia Granja, sobre quando os blogs eram outros e a coisa fluía de outra forma. Lembrei demais da minha monografia da pós, em 2002, que foi sobre blogs e etc.

2 - O que aconteceu com a blogosfera brasileira?
Texto a Lúcia Freitas, partindo do texto da Bia Granja. Também com aquele ar saudosista. E com alguns pontos para pensar sobre o hoje e as transformações da vida. E fala sobre a existência de várias blogosferas.

3 - O que vai ser da blogosfera brasileira?
Do André Marmota, com outro ponto de vista, bem interessante também. Ele fala da evolução dos blogs e questiona se existe uma blogosfera.

4 - Nós somos a resistência
Do Tecnocracia, ainda sobre o texto da Bia Granja. O texto levanta alguns erros do texto da Bia e aponta o que seria a verdadeira resistência dos blogs.

5 - Blogs estão com os dias contados? Velho debate, mesma resposta
Do Manual do Usuário. Outro ponto de vista ao texto da Bia Granja, que traz informações sobre o que é um blog e afirma que os blogs não vão morrer.

6 - A Blogosfera morreu, viva a blogosfera - um texto sobre um texto sobre um texto
Da Simone Miletic, pra encerrar - ou recomeçar o assunto. Porque a blogosfera (se é que ela existe) é plural e tem muita coisa boa por aí. De raiz ou  não.

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domingo, 22 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Livro: Clube da Luta



Comprei Clube da Luta em outubro de 2014, mas nem tirei do plástico. Fazia tempo que queria ter o livro, mas nada de comprar. E quando ele chegou, eu não estava em condições de ler (#lutofeelings).

Daí veio a viagem pra Piracanjuba e o Marcelo comentou, em nosso último dia lá, que queria muito ler o livro. Combinamos, então, que Leo e eu iríamos ler e depois enviaríamos pro Marcelo. E no próximo encontro, vamos conversar sobre o livro. Como se fosse um Cube de Leitura familiar. Yeah!

Clube da Luta é um filme que eu nunca canso de ver. Acreditei, por isso, que teria uma identificação imediata com o livro que originou o roteiro. Ledo engano... Talvez porque as coisas mais fortes do livro não foram parar no filme, acabei deixando a imaginação rolar solta e algumas partes foram tão fortes que precisei parar, deixar o livro de lado, pensar um pouco, engolir aquilo tudo e só então retomar a leitura.

Como no filme, não sabemos o nome do personagem principal. Só que é uma pessoa com características de yuppie, com uma vida bastante certinha e sem nenhuma emoção. O trabalho é chato e desinteressante - ele avalia se empresas devem fazer recall em produtos com defeito ou se é melhor enfrentar um processo judicial. Com a frustração rondando, ele começa a ter crises de insônia e descobre "remédio" nos grupos de apoio a todos os tipos de doença. Quando participa de um encontro, ele consegue dormir. A cada encontro, dá um nome diferente. E é frequentando esses grupos que ele conhece Marla Singer, uma moça meio maluca que também vaga de um encontro a outro. Ele odeia Marla. Acha que ela roubou sua paz: desde que Marla surgiu, ele não dorme mais.

E tem também Tyler Durden, um cara que ele conhece em uma praia de nudismo. Tyler é mais descolado, tem uma vida mais interessante, uma presença cativante e carismática. Rapidamente, o narrador começa a se relacionar com Tyler e o alça ao posto de melhor amigo. Os dois vão morar juntos e começam alguns empreendimentos. Entre eles, o Clube da Luta, em que homens se reúnem apenas para lutar. Ninguém tem nome, ninguém tem história. E o Clube da Luta tem suas regras básicas. A primeira delas é não falar sobre o Clube da Luta. A segunda é não falar sobre o Clube da Luta. Mas há outras: só dois homens por luta; luta-se sem camisa e sem sapatos; a luta é encerrada quando um dos dois pede para parar ou quando um dos dois não tem mais condições de lutar; se é a sua primeira vez no Clube da Luta, você tem que lutar.

Quem já viu o filme sabe o que acontece, certo? Quem não viu, se possível, devia começar pelo livro. Não só porque é a história que deu base ao filme, mas porque apresenta a história de uma maneira diferente do filme, e confrontar as duas narrativas sem ter as imagens pra moldar os personagens e situações é bem mais bacana. Mas, se não der pra ler, corre pra ver o filme. E pra rever, porque há coisas lá que você só percebe na segunda vez. E na terceira, na quarta, na quinta...

Tanto o livro quanto o filme falam de coisas que estão arraigadas na contemporaneidade: solidão, falta de esperança, inadequação, necessidade de ser amado - não só de amor carnal, mas de acolhida mesmo -, ansiedade, insônia, loucura, escapismo, rebeldia... Parece que cada um de nós carrega um pedaço do protagonista e que, em cada momento, deixamos fluir mais uma ou outra característica.

Minha relação com o livro Clube da Luta foi de amor e ódio. Amei a escrita do Chuck Palahniuk, curti cada pista que ele dá no decorrer da trama, revivi a história do filme. Mas ser confrontada com esses sentimentos do personagem principal foi um soco bem forte, um sacode caprichado. O saldo foi positivo, porque até os momentos em que a trama me incomodou são muito bons. Talvez o incômodo venha da percepção de que o livro é atemporal, que estamos sujeitos a tudo aquilo, a fazer o mesmo que o protagonista faz, apenas porque existimos nesse mundo maluco.

2015 está só começando, mas Clube da Luta já é uma das melhores leituras do ano.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Citações 88

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:



"Continuas um pateta ingênuo, estou a ver", disse. "Há acertas ocasiões em que as lendas são a única realidade. E as pessoas agarram-se a elas com unhas e dentes, não porque acreditem em tudo, mas porque precisam de acreditar em qualquer coisa. Agora, se as pões em causa, terás de lidar com a intempestividade de quem, ao ver a sua realidade ameaçada, te pedirá um ajuste de contas."

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #61

1 - Harper Lee publicará segundo livro 55 anos após O sol é para todos
Da Elaine Elesbão. Ainda não li O sol é para todos, mas está na minha lista de livros a serem lidos. Especialmente depois de ler Claros sinais de loucura. Comemorando o lançamento desse livro novo e já pensando em ler os dois.

2 - Tatuador Miro Dantas ajudam mulheres que tiveram câncer de mama a recuperar a autoestima
Do Brasil Post. Muito bacana a iniciativa do tatuador. O projeto chama Uma tattoo por uma vida melhor e é de uma delicadeza...

3 - Saúde na Inglaterra e na Suécia
Um post muito bacana da Déa sobre as diferenças entre os programas de saúde do Brasil, da Inglaterra e da Suécia. Ela fala sobre a saúde pública, a questão dos impostos e a mania brasileira de correr pro hospital por qualquer coisinha. Vale pra conhecer e pra pensar em nossa relação com a saúde.

4 - Biólogo ateu Richard Dawkins lê cartas de ódio que recebe de cristãos
Outro do Brasil Post. O vídeo é até engraçado, por conta das incoerência. E por elas mesmo, é algo a se pensar. Caridade cristã é algo que realmente existe?

5 - Após caso de sexting, professora do DF cria projeto e ganha prêmio
Do Livros e Pessoas. Um projeto muito bacana para pensar sobre como estamos expostos - e como contribuímos pra exposição. Pra pensar sobre valores, carência, educação etc.

6 - Você teve o azar de ser batizado com o mesmo nome que eu?
Do Leonardo Sakamoto. Sobre homônimos. Ah, esses homônimos... E sobre ódios virtuais.

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domingo, 15 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Pra outra Aline Monteiro

Coleciono as minhas homônimas. Tem a jornalista do Pará, a primeira que apareceu. Tem uma outra jornalista em São Paulo. Tem psicóloga, especialista em moda, nutricionista, psicóloga e professora universitária. Tem a que sempre renova o seguro do carro. Tem a que trabalha em uma grande empresa e precisa acessar planilhas.

Para cada pessoa que me envia um e-mail procurando uma outra Aline Monteiro, respondo falando que a pessoa confundiu os endereços. Às vezes me canso de fazer isso, mas nunca deixei de avisar que estão fazendo contato com a pessoa errada.

Esta semana, recebi uma mensagem bem longa que não era para mim. Contatei o remetente e avisei do engano. A pessoa me retornou pedindo desculpas pelo engano, agradecendo o contato e dizendo isso: "Aceite os versos celtas, pois de alguma forma eles devem ter a ver com você!"

Olha, em geral não perco tempo lendo o que não é pra mim. E a mensagem era bastante longa. Como a pessoa chamou a atenção para os "versos celtas", fui procurá-los na mensagem original. E não é que eram o que eu estava precisando ler?


"Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, 
para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, 
e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!"

                                                                      (sabedoria celta)


Era pra outra Aline Monteiro. Mas coube muito bem pra mim. :-)

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Livro: Ansiedade



Não é bem o tipo de livro que eu gosto. Mas, ao ler a contracapa, ainda na livraria, decidi que deveria ler este livro algum dia na vida. O texto pergunta se "você sofre por antecipação? Acorda cansado? Não tolera trabalhar com pessoas lentas? Tem dores de cabeça ou musculares? Esquece-se das coisas com facilidade? Se você respondeu 'sim' a algumas dessas questões, é bem provável que sofra da Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA)". Só ter respondido "sim" a todas essas questões foi suficiente para querer ler.

Porém, como não é o tipo de livro que eu gosto, não comprei. Mas acabei "ganhando" ele emprestado. Isso porque a Ana Paula comprou e me passou direto pra ler. Ou seja, li antes da dona do livro.

Ansiedade - Como enfrentar o mal do século fala aquilo que todo mundo já sabe: os tempos atuais aceleraram os pensamentos das pessoas de forma geral. Isso faz com que nos tornemos imaturos emocionalmente: não sabemos ouvir críticas, não conseguimos ficar satisfeitos, tudo é ruim, tudo incomoda, sentimos dores, adoecemos, ficamos despreparados para o contato social. A Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA) é, segundo o autor, a principal doença que afeta as pessoas no mundo contemporâneo. Ela é a causa oculta dos principais males da humanidade atualmente.

As dicas para reverter o quadro da SPA são simples, e podem ser resumidas em uma só: desacelere. A proposta é voltar a um modelo que valoriza mais a vida e menos o trabalho, menos o imediatismo. O autor fala muito sobre a conversa, a interação. Diz que vivemos um mundo fast-food e que o ideal seria o modelo à la carte.

Enfim, é um livro que fala tudo o que já sabemos. Ou, pelo menos, tudo o que eu converso com a minha analista desde 2008. Continuo ansiosa, claro, mas tudo melhorou de lá pra cá. E foram muitas coisas da análise que me fizeram mudar. O livro é legal pra quem nunca deve ter parado pra pensar na ansiedade, mas pra mim foi mais do mesmo.


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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Citações 87

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:


O que ressaltava, porém, era o motivo que as suscitara a todas, a idêntica pedra de toque que incitara aqueles leitores a darem-se ao trabalho de responder ao artigo: a história de Catarina Eufémia ou, nesta caso, aquilo que eu começava a suspeitar ter deixado há muito de ser uma história para se transformar numa lenda. Como as lendas são aquilo que sobres da realidade quando esta importa demasiado para ser apenas aquilo que é - na sua frieza, na sua indiferença, na sua crueldade -, de certa maneira acabam por a substituir na sua natureza equívoca e transformam-se em verdade. 

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #60

1 - Nunca leia os comentários
Da Lady Bug (Lúcia Freitas), que eu leio há tanto tempo... Fala sobre os comentadores de internet, essas pessoas que mereciam um Globo Repórter (quem são? de onde vêm? o que os motiva? o que comem?) e porque ler os comentários pode fazer mal.

2 - CPBR8 - Como lidar com a irracionalidade dos comentários na internet
Um vídeo da Rosana na Campus Party sobre o mesmo assunto acima. Ela traz dados bem interessantes e histórias assustadoras de trolls e stalkers. Muito bacana, instrutivo e assustador.

3 - Não leituras
Do Homo Literatus, sobre livros que compramos e não lemos. Não, não vou contar quantos eu tenho nessa situação. Por outro lado, uma decisão pra vida é ler os que tenho e doá-los. E comprar menos.

4 - E não sobrou nenhum! - 6 motivos para ler O Caso dos 10 Negrinhos
Outro do Homo Literatus, sobre um dos meus livros favoritos da Agatha Christie. Ele divide lugar com O assassinato de Roger Ackroyd  e Assassinato no Expresso Oriente. 

5 - Carta amarela #101 - dos sentimentos inflacionados
Mais uma carta linda do Gui Poulain, que me emocionou horrores (ainda estou na fase de chorar até com comercial de cimento, me deixem!). Fala sobre felicidade e simplicidade. Sobre como estamos complicando as coisas quando o ideal seria investir no simples.

6 - BBB, espancadores de mulher e comentaristas de portal
Do Lugar de Mulher, texto da Clara Averbuck. Voltando ao tema das indicações 1 e 2, sobre os comentadores de portal. Mas aqui ela também fala sobre o cara do BBB que contou que bateu na namorada, como se tivesse sido obrigado a fazer isso.

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domingo, 8 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Livro: O outro pé da sereia



Aê! Finalmente!

Ganhei o livro no início de 2014, como presente do Amigo Secreto na Laje de 2013. Quem me deu foi a Bel, essa baiana linda! Já tinha tempo que eu queria ler, e a Bel foi linda em me dar de presente. Acontece que muita coisa veio em 2014. Logo que ganhei o livro, estava envolvida com um problema que me tirou o sono ao longo do ano e que se materializou justamente em janeiro. Então, coloquei na pilha pra ser lido e comecei, ainda no primeiro semestre. Aí vieram as provas da faculdade e parei a leitura. Depois veio a morte da Tia Ylza e custei a engrenar qualquer leitura. Quando voltei, adiantei bastante a leitura. Aí veio a morte da vovó e custei de novo a pegar. Porém, como estou trabalhando a questão do foco (depois falo sobre isso), uma das minhas metas de janeiro era terminar esse livro.

O outro pé da sereia narra duas histórias em tempos diferentes. A primeira é em 2002 e a outra em 1560. A história de 1560 é baseada em fatos reais, sobre um navio português que sai de Goa, na Índia, para Moçambique. Esse navio transporta uma imagem de Nossa Senhora, em madeira. E a relação dos padres e dos escravos que trabalham no navio com a imagem gera uma série de conflitos, a maior parte deles focada na religião dos brancos versus a religião dos negros.

Em 2002, Zero é um burriqueiro que mora em Antigamente e vê uma estrela cadente caindo na terra. Assustado, ele resolve enterrar a estrela e, ao chegar em casa e contar o fato para a esposa, Mwadia, os dois decidem consultar o curandeiro Lázaro Vivo. O curandeiro manda levarem a estrela pra mais longe da vila e, durante a caminhada, Zero e Mwadia encontram um baú cheio de escritos e uma imagem de Nossa Senhora sem um dos pés. Lázaro Vivo manda que levem a imagem imediatamente para uma igreja. A mais próxima fica em Vila Longe, onde Zero e Mwadia viviam antes de se casar. Zero não quer voltar e Mwadia vai sozinha levar a imagem e se livrar da maldição que, segundo o curandeiro, ela trazia.

É o segundo Mia Couto que li, e gostei bastante. Achei a linguagem bem poética e envolvente. Por outro lado, a linguagem mais metafórica - e a situação em que estava enquanto li - fez com que eu me dispersasse várias vezes durante a leitura, o que não é bom. Mesmo assim, é um livro lindo. E triste pra caramba!

Porque entre as duas histórias e seu cruzamento, o autor fala de temas metafísicos muito pesados. Como a morte, a aceitação da morte, o esquecimento, a mudança de perspectiva, a invenção da realidade. Há uma série de situações em que a tristeza perpassa as situações, mesmo as que tratam de alguma coisa mais cômica ou mais leve.

O que mais me impressionou na leitura foi ela ter sido picada durante o ano e eu ter terminado depois das duas mortes que marcaram tanto a minha vida. Acho que se eu tivesse terminado ainda no primeiro semestre de 2014, não teria sentido com tanta intensidade. Porque o desenrolar das históricas "casou" perfeitamente com o momento do luto que estou vivendo. E o final da história é tão bonito, tão intenso, que não tem como desligar da ausência que estou vivendo agora. Ou seja: por caminhos tortos, foi o livro ideal pra mim, durante esse luto FDP que estou vivendo.

Deu vontade de ler outros livros do Mia Couto... Já li A varanda do frangipani e gostei bastante.
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Citações 86

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:



(…) o leitor menos atento, como o é, normalmente, o leitor dos jornais, será levado a concluir que a redução da importância de um fato ou acontecimento, de certa maneira, anula a sua existência. O perigo é o negacionismo: oblitera-se a realidade para fugir de uma verdade desconfortável. 

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #59

1 - Carta aberta de um estudante de Letras ao jornalista Alexandre Garcia
É antigo, mas é bem bacana. Eu estava vendo o jornal quando o Alexandre Garcia disse que "um curso de medicina não é um curso de letras neolatinas, é algo que vai afetar a vida das pessoas". Foi um comentário bem idiota e um estudante de Letras resolveu responder. Post no blog da Lola, bom pra pensar um cadinho.

2 - 12 dicas para evitar roubos e furtos durante a viagem
Do Catraca Livre. É sempre bom ficar de olho, né?

3 - Sobre trabalho escravo e seu jeito de comprar as coisas
Texto da Dai, do TPM Moderna. Sobre o mundo da moda, os negócios, valores, humanização. Dá pra pensar bastante sobre nossos comportamentos atuais.

4 - Querido Papai Noel
Não, nunca é tarde pra ler um texto da Déa no Lagarta Vira Pupa. Ainda mais um lindo desses!

5 - Carta amarela #97 - deixar ir
Texto liiiiiindo do Gui Poulain sobre desapegos emocionais.

6 - Mulheres inspiradoras de 2014
Do Think Olga, com a reunião de mulheres que fizeram coisas bacanérrimas durante o ano passado. Tem muita coisa inspiradora. Vale a pena dar uma olhada em cada ação, em cada mulher citada.

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domingo, 1 de fevereiro de 2015