terça-feira, 31 de março de 2015

Citações 94

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:



(…) porque desistir era mais fácil do que continuar em frente - porque desistir era, em muitos sentidos, uma maneira de aplacar a realidade que tinha sido enfurecida e contestada na sua frieza, na sua indiferença e na sua crueldade por um artigo insensato e um editor ainda mais insensato; de repente, todas as minhas convicções haviam caído naquele lugar misterioso chamado dúvida, que se alimenta de si própria como uma cadela louca dos próprios filhos. 

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 30 de março de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #66

1 - Monica Lewinsky: o preço da vergonha
Palestra necessária da Monica Lewinsky sobre cyberbulling, no TED. Acredito que é impossível não se emocionar com a história dela, pós escândalo de 1998. E não pensar na responsabilidade do que fazemos hoje na internet.

2 - Crescer dói
Texto liiiiindo da Nathália Pandeló sobre a vida. É bem melancólico, e me fez lembrar de tanta coisa da minha vida...

3 - Viver para vender
Do Santiago Nazarian, sobre o panorama atual da literatura brasileira. Sobre feiras, eventos, marketing, sobre ser um autor de sucesso.

4 - Por que a publicidade não gosta das mulheres
Da Aline Valek. Sobre o mundo da publicidade e de como as mulheres se inserem nesse espaço. Ótima reflexão.

5 - A ineficiência da Delegacia da Mulher - Parte I
Da Clara Averbuck, no Lugar de Mulher. É de chorar a situação...

6 - GIF animado foi resposta do Youtube para um pergunta da imprensa
Do B9. Morri de rir. Deu um pouco de vergonha alheia também... O melhor foi o GIF mesmo.

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domingo, 29 de março de 2015

quarta-feira, 25 de março de 2015

Livro: Antes que eu morra

Sim, eu sei que a luz estourou...

Comprei Antes que eu morra depois de ver uma palestra do autor no Fórum das Letras de 2014. Estava decidida a só comprar os livros do Rafael Montes lá (Suicidas e Dias perfeitos), mas a palestra do Luis Erlanger foi decisiva: comprei o livro e ainda passei ele na frente de outros que queria ler, os do Rafael Montes inclusos aí.

A premissa é bem bacana: uma pessoa conta uma história para seu analista. A relação dos dois se inicia com a necessidade do narrador-personagem contar sua história. Ele estava saindo de uma consulta médica quando se depara um com mulher sangrando e desmaiada. A partir daí, se envolve em uma história de suspense que envolve política, dinheiro, sexo, drogas. O autor falou muito da construção da narrativa em capítulos que seriam as sessões de análise. Ou seja: tudo que eu gosto reunido num único volume. Eu tinha mesmo que comprar.

Quando veio o carnaval - e eu precisei passar o período estudando -, escolhi apenas um livro de literatura para levar pra BH. E deixei os do Rafael Montes pra trás, apostando que essa história seria muito boa. E foi, no fundo, uma decepção completa.

Não, não tinha suspense. Não, os capítulos até tenta se parecer com sessões de análise, mas isso se perde várias vezes. Sim, o protagonista é chato pra caramba! Ele me lembrou o Umberto Eco, porque está pronto só para mostrar sua erudição e seus conhecimentos inúteis. Tem até receita de torta durante a narrativa... e o narrador diz que, como paga o tempo do analista, faz dele o que quiser, até mesmo falar sobre uma receita de torta austríaca. É isso mesmo, produção???

A única coisa que gostei do livro foi a lista de Adventos indispensáveis à formação do ser humano, que até trouxe aqui pro blog, fazendo a minha lista.

Durante a leitura, eu estava um tanto quanto irritada, porque queria ter passado o carnaval em casa (nunca consigo, é impossível ficar em OP e eu não estava - e não estou - com espírito de sair de casa e ter que socializar), porque tive que passar muito tempo estudando, porque estava um calor de matar, porque fiquei gripada... Mas j-u-r-o que isso não interferiu na minha relação com o livro. Simplesmente, não bateu.

Resumindo... devia ter seguido o plano e não comprado o livro. Devia ter levado Suicidas pro carnaval.

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terça-feira, 24 de março de 2015

Citações 93

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:



"Vou contar-lhe uma coisa. Conheci um homem, por exemplo… um bom homem, que foi um desses resistentes que fez a luta e que, com amargura, me confessou que hoje em dia lhe chamam 'estalinista', quando tudo o que queria era sair daquela ditadura". Olhou momentaneamente para as mãos pousadas na mesa e, nesse instante, adivinhei, pela expressão do seu rosto que falava do avô. "Acha que é importante que, nessa altura, ele fosse comunista, anarquista ou outra coisa qualquer? O importante é lembrar que foi por causa dele, e de outros como ele, que estamos aqui hoje. Devemos-lhe esta sociedade que temos. Devemos-lhe este mundo que temos, a todos, os que agora são velhos e acabados e estão a chegar ao final e foram esquecidos. Pergunta-me se essa apropriação é legítima? Talvez não o seja. Talvez seja a única ou a última maneira de relembrar os mortos e os quase mortos, de não deixar que eles se sumam completamente neste abismo fundo a que chamamos de História."

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segunda-feira, 23 de março de 2015

Caminho Jedi

Quando comecei a programar meu TCC, há muitos anos, eu queria fugir da prática de jornalismo. Meu objetivo era investir em algo da área de Sociologia ou História. Por isso, o tema do meu grupo TCC não era beeeem o que a faculdade queria. Mas era o que o grupo queria e peitamos o olho ruim de algumas pessoas com relação ao tema: as reações ao adultério feminino na literatura, no direito e na sociologia. Depois acabamos incluindo a imprensa. O projeto foi aprovado, o TCC também e todo mundo ficou feliz. Em seguida, fiquei sabendo que o supervisor do nosso trabalho o utilizava como exemplo de um bom trabalho que abarcava a sociedade e a mídia.

Na época, a nossa orientadora me incentivou muito a seguir a carreira acadêmica. Era o que eu queria: continuar a estudar, fazer um mestrado, projetos de pesquisa, depois um doutorado, das aulas. Mas... eu não tinha como me manter na época e acabei indo pro mercado de trabalho. Passou-se um ano e a orientadora me chamou de novo pro mestrado, com a possibilidade de bolsa. Que, na época era menos de um terço do meu salário. Optei pelo mercado, porque eu precisava da grana. E porque acreditava que um dia eu conseguiria fazer um mestrado, com dedicação exclusiva ou não.

O tempo passou, mudei de empregos, de cidade, de vida. Mas a vontade de estudar sempre esteve por aqui. Comecei a fazer isoladas no mestrado em Filosofia e vi que não entendia muito, daí passei para a graduação. Lembro muito que a Bel me deu muito apoio, mas sempre dizendo que eu deveria partir pro mestrado e deixar a graduação de lado. O conselho da Bel ficou aqui, mas não havia possibilidades de mestrado em Comunicação aqui perto - e eu tinha Vovó e Tia Ylza para cuidar.

Eis que abre-se um mestrado em Comunicação na cidade aqui do lado. Fui tentar, porque era o que eu queria, porque muitas pessoas me incentivaram, porque a vida está com menos amarras agora (agradecimentos especiais ao ano de 2014, que foi péssimo, mas decisivo para que muitas mudanças positivas acontecessem). Foram alguns meses de tensão: desde que foi anunciado o mestrado eu comecei a estudar e tinha três projetos engatilhados. Quando saiu o edital, escolhi o mais adequado dos três e terminei a primeira versão exatamente no mesmo dia que o edital foi publicado. Daí vieram muitas revisões, até a versão final. E muitos dias de estudo pesado, muita leitura, muita escrita, muita conexão entre temas. Também teve muita tensão, muito medo, muita expectativa. Ao todo foram cinco etapas e, como era de se esperar, me saí melhor na prova teórica escrita. Minha pior nota foi no projeto. As quatro notas (a primeira fase foi só homologação de documentos) foram suficientes e eu passei, em quarto lugar. Eram 20 vagas, passaram 12 pessoas.

Agora a coisa começa a complicar. Estudar pra um mestrado exige mais dedicação. E eu vou me dedicar pra caramba, porque esse é só o começo de um projeto de vida que foi traçado há anos, mas que só agora estou podendo colocar em prática.

Então, antes de começar, quero agradecer a todos que participaram disso. A começar pela Luciana, minha orientadora do TCC em jornalismo. E ao Paulo, que sempre foi um grande incentivador, desde quando ele estava terminando o doutorado e eu, começando o TCC. Ao Otávio, que me deu dicas valiosas (e é em quem eu me espelho). Ao Leo, apoio fundamental e compreensão pros dias em que eu só estudo e ele faz todo o resto. À Ana Paula, que deu contribuições fundamentais ao projeto; pelos planos que fizemos, pelas conversas enormes, entre cervejas e águas, pela torcida constante. Margá, Dri, Dreisse e Stênio, que estavam o tempo todo lá, me dando forças pra seguir. Bel, pelos conselhos :-)

Sei que estou esquecendo pessoas, mas essas são as que estiveram mais por dentro do processo todo. E não poderia esquecer da Vovó e da Tia Ylza, que não estão mais aqui, mas que estavam o tempo todo me indicando que eu deveria tomar esse caminho. Tia Ylza, em especial, pelas conversas ao longo de 2014, que me levaram a tomar muitas decisões.

Se tudo der certo, daqui a dois anos eu viro Jedi!  :-)


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domingo, 22 de março de 2015

quarta-feira, 18 de março de 2015

Livro: Teogonia



Desde que comecei a estudar filosofia, tropeço com a Teogonia. Praticamente todas as disciplinas que cursei falam da Teogonia e de Trabalhos e Dias, ambos de Hesíodo. Assim como Homero, Hesíodo é um aedo (um poeta autor) e não há nada que comprove sua existência. Isso, não importa, na verdade. O que vale é que os dois são geniais e suas histórias estão aí, até hoje, super sendo importantes para que a gente possa entender o mundo.

A Teogonia conta a história dos deuses. Por meio da narrativa é possível saber como cada deus grego surgiu, como eram as suas ligações, seus problemas, suas brigas e suas guerras. Quando criança, li muitas histórias da mitologia grega, mas elas sempre tinham Zeus como deus supremo, e traziam os mitos apenas com os deuses do Olimpo. Então, nunca imaginei que haveria muitas histórias e muitos personagens antes de Zeus.

Havia o Abismo [Khaos], de onde nasceram a Escuridão e a Noite. E daí com nascimentos muito diferentes, vieram uma série de personagens, até que chegamos ao Céu e à Terra (que não são céu e terra como entendemos hoje). Deles nasceram outros tantos personagens, até chegarmos a Crono, o caçula, que toma o poder do pai de uma maneira muito curiosa. Crono, casado com Reia, tem vários filhos mas, com medo de ser destronado por eles, engoliu um a um. Terra e Reia o enganaram no parto de Zeus e deram uma pedra a Crono. Ele passa mal e vomita tanto a pedra quanto seus filhos antes engolidos. Assim, Zeus toma o poder.

Porém, há uma guerra entre os deuses do Olimpo e os Titãs, de que fazem parte as antigas gerações. A Titanomaquia mostra a astúcia de Zeus em colocar cada "classe" de deuses em seu lugar e, ainda, seu poder.

E ainda tem um toque da história de Prometeu e dos homens, e o que aconteceu com Zeus depois que ele se tornou o principal deus do Olimpo.

O livro foi traduzido direto do grego por Christian Werner e publicado pela Hedra em edição bilíngue: nas páginas pares está o original em grego (e como a escrita grega é linda!!!); nas ímpares está o texto em português, com os pés de página, que trazem os nomes gregos citados acima e algumas explanações geográficas ou com informações sobre o texto. É lindo, tá?

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terça-feira, 17 de março de 2015

Citações 92

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:



"Nestas memórias de resistência às ditaduras ou à opressão temos, curiosamente, de pensar nos termos da tauromaquia. Nos apoderados. São aqueles que têm direitos sobre um terceiro, como, por exemplo, um toureiro mais velho que se apodera de um toureiro mais novo O mesmo sucede com os partidos políticos ou com as instituições da História: existem os apoderados da memória, isto é, gente que acha que tem mais direito do que outros a ser dona dessa memória."

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segunda-feira, 16 de março de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #65

1 - A boçalildade do mal
Da Eliane Brum, sobre como o mal tem tomado conta do cenário atual. Estamos, mesmo, mais agressivos. E, cara, como isso me assusta!

2 - 15 curiosidades para marcar os 15 anos da morte de Charles Schulz
Charles Schulz é muito amor, né? O texto, no blog da L&PM, traz coisas muito bacanas da vida do criador do Charlie Brown. Ah, vontade de ler a biografia o autor...

3 - Fotógrafos registram os 35 lugares abandonados mais bonitos do mundo
Coisa mais linda!!! Do BHZaz. As fotos são maravilhosas; os lugares, mesmo abandonados, são lindos.

4 - Da falta de gentileza
Da Simone Miletic, sobre agressividade, sobre sofrimento, infância, vida, coletividade. Bom pra pensar.

5 - Pacotinhos cheios de amor
Da Déa, do Lagarta Vira Pupa, sobre o primeiro aniversário da fofa da Lola, a golden mais delícia desse mundo. Só amor, gente!

6 - Jovem deixa celular de lado e registra cenas de viagens em bordados
Do Defender, coisa mais linda! Fiquei toda boba com as imagens porque eu sempre quis bordar, mas nunca consegui aprender. Não foi por falta de ensino, viu? Tia Ylza bem que tentou...

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domingo, 15 de março de 2015

Move!



Daqui.

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sexta-feira, 13 de março de 2015

I got a name

Nunca tinha prestado atenção na música I got a name, do Jim Croce, até assistir Django Livre.  Já falei aqui sobre o filme e de como curti pra caramba. Ainda lembro da cara de boba que eu fiz quando a música começou a tocar durante a trama. É fato, consigo lembra mesmo da expressão que fiz ali, no escurinho do cinema chupando drops de anis.

Comprei a trilha sonora logo depois que vi o filme e ouço bastante (já contei que vivo repetindo as músicas que gosto, certo?). E sempre que escuto I got a name me emociono. A única coisa que não gosto é o ritmo, porque não sou chegada nesse estilo meio folk. Mas a letra sempre me deixa pensando em superação, em caminhos. E eu a-do-ro cantar, mesmo não tendo afinação. Me jogo, hahahaha.

Taí, I got a name, porque sim.








I got a name - Jim Croce

Like the pine trees lining the winding road
I got a name, I got a name
Like the singing bird and the croaking toad
I got a name, I got a name
And I carry it with me like my daddy did
But I'm living the dream that he kept hid

Moving me down the highway
Rolling me down the highway
Moving ahead so life won't pass me by

Like the north wind whistling down the sky
I've got a song, I've got a song
Like the whippoorwill and the baby's cry
I've got a song, I've got a song
And I carry it with me and I sing it loud
If it gets me nowhere, I go there proud

Moving me down the highway
Rolling me down the highway
Moving ahead so life won't pass me by

And I'm gonna go there free

Like the fool I am and I'll always be
I've got a dream, I've got a dream
They can change their minds but they can't change me
I've got a dream, I've got a dream
Well, I know I can share it if you want me to
If you're going my way, I'll go with you

Moving me down the highway
Rolling me down the highway
Moving ahead so life won't pass me by
Moving me down the highway
Rolling me down the highway
Moving ahead so life won't pass me by



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quarta-feira, 11 de março de 2015

Confissões de uma bibliófila

Vi essa tag no canal da Tatiana Feltrin e adorei. Resolvi fazer também.

Perguntas:
1. Qual é o gênero de literatura que você se mantém longe?

São dois, de fato. Não curto autoajuda, acho um saco. Também fujo de chick-lit, acho o formato muito cansativo. Leio raramente e quase sempre me decepciono. 

2. Qual é o livro que você tem na estante e tem vergonha de não ter lido?

Além de Ulisses, que é meu calo, eu tenho O jogo da amarelinha, Odisséia, Ilíada, Eneida e Dom Quixote sem ler. Shame on me. Um dia serão lidos, com certeza

3. Qual é o seu pior hábito enquanto leitor(a)?

Abandonar livros. Fico com raiva de mim quando abandono (e nem sempre o motivo é porque a leitura é ruim. Vai do momento... tem livros que deixei de lado porque precisei ler outra coisa e quando apareceu oportunidade, não voltei). Odeio isso. Daí que tenho os livros a serem lidos e os livros a serem retomados. 

4. Você costuma ler a sinopse antes de ler o livro? 

Sempre leio sinopses, procuro saber do que o livro se trata, peço indicações pro Valter (meu livreiro favorito), pro pessoal do Clube de Leitura, pros amigos. Não compro ou escolho livro pela capa, mas por um contexto que envolve, sim, as sinopses. 

5. Qual é o livro mais caro da sua estante?

O livro mais caro que comprei foi um dicionário de Filosofia, que uso bastante pra estudar. De literatura, não consigo lembrar. Mas o livro mais caro que tenho é uma edição lindíssima de A divina comédia, ilustrado pelo Gustave Doré. Tenho duas edições, que foram impressas na década de 1960 e que ganhei de presente do meu padrinho.

6. Você compra livros usados/em sebo?

Sempre. Uso muito a Estante Virtual, apesar de ter passado uma raiva recente lá. Comprei um livro e pedi envio via sedex, mas o livreiro resolveu que só me enviaria o livro em cinco dias úteis. Sedex pra quê, né? Fora esse estresse, gosto muito da Estante Virtual e de sebos bacanas. Aqui em OP não tem mais. Adoro os sebos de BH. 

7. Qual é a sua livraria (física) preferida?

Set Palavras, aqui em Ouro Preto. Além de linda, com livros muito bacanas, ainda tem a equipe que trabalha lá, que é sempre muito atenciosa. E tem o Valter, meu livreiro favorito, e o Zélio, mais um amigo muito querido. Ainda tem filme, cadernos da Cavalini e da Cícero, o café, que é delicioso e o bolo de limão, que não tem igual. 

8. Qual é a sua livraria online preferida?

Em geral, a que tem o livro que eu quero. Mas sempre procuro, na ordem: Amazon, Submarino, Saraiva, Americanas, Travessa e Cultura. Deixo a Cultura por último por pendengas pessoais. 

9. Você tem um orçamento (mensal) para comprar livros?

Já tentei, mas não rolou. Gosto de não ter nada separado para livros e comprar só o que eu quero, quando eu quero e quando eu posso. Compro mais do que consigo ler. Justamento por isso, tenho pensado em fazer aquele desafio 10 + 1: ler dez livros e, só então, comprar um. Não sei se vai dar certo, então ainda estou analisando.  

10. Quem você "tagueia"?

Ninguém e todo mundo :-)

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terça-feira, 10 de março de 2015

Citações 91

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:



"(…) Ou aceitamos os fatos, ou não os aceitamos. Dizer que as coisas são invenções do homem é o mesmo que dizer que o Sol nasce todos os dias ou que dois é igual a dois. É uma tautologia. Se não  aceitamos os fatos, então pertencemos a uma outra categoria de gente, à categoria que não escreve nos jornais nem tem influência na opinião pública".

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segunda-feira, 9 de março de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #64

1 - Sobre as fotos que vazam
Post da Tayra sobre a campanha da Always com a Sabrina Sato. Ela tem uma visão um pouco positiva sobre isso, mas o melhor do texto é que ela fala sobre como lidou com uma situação de vazamento de fotos (não dela) há alguns anos. O legal é que ela mostra como se comportou e como mudou de ideia. Vale muito ler.

2 - A irresponsável campanha da Always
Outro ponto de vista sobre a campanha da Always com a Sabrina Sato. A Nádia Lapa tem uma visão mais pessimista que a da Tayra, e eu concordo com ela em praticamente tudo. A campanha é irresponsável sim. Compara um crime com uma situação normal da vida da mulher. Até agora estou tentando entender o motivo de linkarem as duas coisas.

3 - 20 mulheres que mandam nas suas cabeças (e cabelos)
Da Sabrina Abreu, sobre como as mulheres acabam recebendo "ordens" de pessoas que se arvoram ao direito de direcionar nossas vidas. Amei!

4 - Sobre os outros
Um texto lindo, lindo, lindo da Leonor Macedo, sobre os outros e sobre nós mesmos. Chorei muito lendo.

5 - Trauma (não) dançante
Post da Mila que me fez voltar à minha infância e me deparar com o momento em que a dança morreu em mim. Mila, obrigada por isso! Vou tentar mudar, porque foda-se quem matou a dança, ela ainda está lá, pronta pra renascer.

6 - Queria me costurar no mundo
Da Chez Noelle, um texto lindo e emocionante sobre o que eu chamo de "inadequação". Já me senti assim, exatamente no mesmo contexto, e me sinto assim com certa frequência. Por isso, acabei gostando muito do texto.

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domingo, 8 de março de 2015

sexta-feira, 6 de março de 2015

Sobre fórmulas de escrita e leitores de fórmulas

Outro dia estava me perguntando por que as pessoas gostam de ler sempre as mesmas coisas. Não me refiro, aqui, a gêneros, mas a fórmulas. Minha questão é saber por que as pessoas lêem histórias que já sabem como vai acabar. 

Um exemplo: eu adoro Agatha Christie e ela segue uma fórmula em praticamente todos os seus livros. O livro é dividido em três atos e há um assassinato no primeiro ato, que abre a trama. No segundo ato se dá a investigação e várias pistas são deixadas para o leitor. Ao final, um segundo assassinato, que chama para o terceiro ato, quando vem a solução. Mesmo sabendo que quase todos os livros dela são assim (excluo desse modelo O assassinato de Roger Ackroyd, Passageiro para Frankfurt e O caso dos dez negrinhos) por quê eu leio e me divirto?

No caso dos livros da Agatha, pela diversidade de personalidades que ela cria. Ela fazia isso com maestria, os personagens são bem trabalhados e coerentes. Mas vez ou outra, as históricas acabam sendo iguais, como em Um corpo na biblioteca e Nêmesis. E, mesmo assim, eu leio e curto. Acho que a Agatha é a única autora com fórmulas que eu leio muito. As outras fórmulas me cansam. 

Vejamos: Dan Brown escreve livros com uma fórmula e um deles fez muito sucesso. É inegável que O código Da Vinci gerou uma série de filhotes no mundo todo. De uma hora pra outra, todo mundo queria escrever uma trama com um personagem carismático e muito didático que desvenda mistérios da humanidade. O personagem Robert Langdon esteve em um livro anterior, Anjos e demônios, e nos posteriores O símbolo perdido e Inferno. E na cola vieram outros personagens, protagonizando tramas tão malucas quanto: cheias de didatismo, de situações inverossímeis, de aventuras malucas e soluções de crimes ou problemas. Ou seja: independente das situações, você já sabe o que vai acontecer. 

Outro exemplo é a chick-lit. Não consigo ter paciência para livros que vão terminar exatamente do mesmo jeito: a mocinha desajeitada e cheia de boas intenções passa por alguns perrengues e conquista o amor da sua vida e/ou a solução de todos os seus problemas. Tão previsível… e, aqui, não consigo ver vantagens na leitura, porque acho que os chick-lit, de maneira geral, são muito mal escritos. Não consigo achar um chick-lit bacana, mesmo que tenham alguns de que gostei, como O diário de Bridget Jones e O diabo veste Prada. Mesmo estes, por mais que a leitura seja divertida e sirva pra arejar a cabeça, não são livros marcantes ou que tragam algum tipo de aprendizado. 

É o meu gosto, claro. Não gosto de chick-lit nem do modo-de-fazer-como-Dan-Brown, mas curto muito Agatha Christie. Não vejo a literatura como entretenimento. Vai na mesma direção do que falei sobre cinema aqui: acho que a literatura é pra fazer pensar, pra gerar aprendizado. Não aprendo com Agatha Christie. Ela é responsável pelos meus momentos de entretenimento em termos de leitura. Ou seja: quero ler mas não quero coisas aprofundadas: vamos de Agatha. Quero ver um filme, mas não quero pensar: vejo bobagens, comédias, coisas leves. Pra cumprir o papel de cinema e da literatura, na minha vida, tem que ser coisa séria. Sem fórmulas, sem pastelaria. 


Isso vale pra mim. Pode ser a verdade de outra pessoa e pode não ser. Ok?

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quarta-feira, 4 de março de 2015

Livro: República Paradiso



Assim que esse livro surgiu, me interessei. Afinal, não é todo dia que a sua cidade vira pano de fundo de um romance... e eu procuro sempre ler coisas que trazem Ouro Preto, de alguma forma. Comprei logo que começou a ser vendido na Set Palavras (a melhor livraria do mundo), mas não li de imediato. Há sempre uma pilha de livros por ele o volume foi parar lá. Comecei logo depois da morte da vovó, ainda sem vontade de fazer nada, mas sabendo que era muito necessário voltar logo à rotina. Terminei no dia 31 de dezembro, pouco antes do Ratinho chegar para o nosso modesto reveillon (número reduzido de participantes, com três mega perdas em volta da mesa...)

República Paradiso conta a história de Thomas, um geólogo morador de Nova York e ex-aluno da Escola de Minas de Ouro Preto, que volta à cidade para a tradicional festa do 12 de outubro, acompanhado por uma amiga norte-americana e mulata, apaixonada pelo Brasil. Uma vez na terrinha, Thomas começa a se confrontar com um crime do passado, que abalou a cidade quando ele era estudante: a morte de um adolescente, emasculado, cujo corpo foi deixado na entrada da Igreja de Nossa Senhora Rosário dos Pretos, conhecida como de Santa Efigênia, uma construção feita por negros e cheia de referências à cultura africana. Essa igreja foi reaberta há pouco tempo, após restauro, e está muito linda. Vale  uma visita, pela igreja em si e pela vista que se tem lá do alto da ladeira e que é deslumbrante.

Voltando ao livro, achei a história bem fraca, mas com certo potencial. A trama do assassinato do menino Bentinho, a morte do Padre Anselmo que, na época, foi considerado culpado, e o reencontro dos amigos estão na parte interessante, que poderia ser melhor explorada. O resto da trama é bastante bobo. A personagem feminina, Geena Brown, é tão inverossímil que chega a ser chata. Sua obsessão com o Brasil e com a cultura negra poderiam ser mais legítimas, mas parecem coisa de menina minada, sem propósito. Ela acaba sendo uma personagem clichê, daquelas pessoas que, por ter a alma brasileira, tem samba no pé e quase pira quando ouve bater um tambor, além de ter a sexualidade à flor da pele. Ao fim da história dela, não consegui acreditar que o autor se deixou levar tanto pelo jeito O código Da Vinci de ser. O fato de um dos personagens resolver o antigo crime após bater um papo pra lá de chato com um morto, enquanto ele mesmo está sendo considerado morto, é outra coisa que foi praticamente chupada do Dan Brown, em O símbolo perdido, e que, meodeos, qual a necessidade?

Muitas coisas da história de Ouro Preto parecem ter sido misturadas à trama sem um propósito específico, mas apenas por estarem lá. Tem a tradição das repúblicas e a Festa do 12 (mas a Festa do 12 do livro está um pouco longe de uma festa legítima, em que os participantes ficam só por conta das comemorações); tem congado e o Chico Rei; tem Mariana,  a Catedral da Sé (que também esteve em outro livro chupado do Dan Brown, O código Aleijadinho, em uma situação mais do que inverossímil: um erro de pesquisa) e os seminários; tem a Inconfidência Mineira e seu personagem misterioso, que avisou os inconfidentes que o plano tinha dado errado. Junte-se a isso rituais malucos de estudantes, envolvendo invasão de museus, encenações e praticamente magia negra. Tem ainda visitas dos personagens principais a monumentos e igrejas de Ouro Preto e Mariana e, como não poderia deixar de ser, já que segue-se a cartilha Dan Brown, explicações didáticas que destoam da narrativa.

Resumindo: pra mim, o autor tinha uma ótima história nas mãos, mas se deixou levar pelo apelo da "manufatura Dan Brown" e acabou se perdendo. Lógico que eu adoro ver Ouro Preto nos livros, e o autor levantou muita coisa interessante da história da cidade, de suas lendas e de seus costumes, mas me senti lendo O samba do criolo doido (e eu faria um acréscimo aqui, mas seria spoiler demais, deixa pra lá). Espero que no próximo livro, ele não se deixe levar por fórmulas prontas, porque tem potencial pra fazer muito mais do que seguir o sucessinho do momento.

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Aline, que prefere ser chamada de . Ou de Nine...


terça-feira, 3 de março de 2015

Citações 90

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:


"Um fascínio é um fascínio, não tem de ser de natureza sexual", continuou. "Mas eu lembro-me do seu artigo, ou julgo lembrar-me mais ou menos bem. Na altura não parecia nada fascinado, pelo contrário. Como é que escreveu? Que, se ela tivesse vivido para chegar a velha, hoje ninguém se lembraria dela?" 
"O que eu quis dizer foi que os mártires são uma invenção nossa". 
"Como a História é uma invenção nossa", respondeu, parando de regar o cacto que pareceu, de repente, ter crescido. "Quer dizer, ao sentido em que foi escrita por alguém. Lemos nos livros que Napoleão morreu em Santa Helena e dizemos que Napoleão morreu em Santa Helena, mas quem sabe, na verdade, se a informação é verdadeira? Que a História não é uma sucessão de boatos que passam de ouvido em ouvido, como uma espécie de cadáver esquisito onde, no final, aparece tudo trocado?"



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segunda-feira, 2 de março de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #63

1 - Grandes obras de arte recriadas na escala Pantone
Do B9, que sempre tem posts bacana. Aqui, um artista plástico britânico recriou quadros famosos com a escala Pantone e ficou bem bacana. Destaque para o brinco de pérola da moça do Vermeer.

2 - Brilho eterno
Da Nathália Pandeló. Começa falando sobre casas e condomínios, passa por um hábito meio estranho com relação ao lixo doméstico e termina como uma reflexão bem legal sobre o que fazemos com o lixo - ou com que julgamos que é lixo - que carregamos em nós mesmos.

3 - Por que tantos machistas usam as mesmas ofensas?
Da Mari, no Lugar de Mulher, um lugar que só tem texto bacana! O tema é feminismo, além da misoginia, que parece que anda se multiplicando, quando deveria ser ao contrário. Enfim, bom pra refletir como nós todos acabamos reforçando o machismo e a misoginia com essas ofensas tão comuns.

4 - Eu te desafio a pensar outra vez sobre aborto
Outro do Lugar de Mulher, desta vez da Renata Corrêa, sobre o desafio que rolou nas redes sociais há alguns dias com mulheres colocando fotos de gravidez e se posicionando sobre o aborto. Pq se o tema fosse tão simples assim, né? Tenho "n" razões para ser a favor do aborto. A principal delas é que filhos precisam ser desejados. Só assim serão crianças com vidas positivas. Não deseja, melhor abortar mesmo. Algo que a minha progenitora deveria ter feito.

5 - Assassinaram o camarão! Por que nos interessamos tanto por crimes?
Do Literatura Policial, com perguntas e - talvez - respostas sobre o motivo de lermos tanta literatura policial. Adoro literatura policial e gostei demais do texto.

6 - Ouvir de um aluno que 'o HIV já não é grande coisa' dá frio na espinha
Do Sakamoto. É assustador o que ele conta, ainda mais para quem cresceu com a sombra da Aids por todos os cantos. Vale a reflexão: onde estamos falhando ao mostrar para a geração Y que a doença é, ainda, algo que merece atenção?

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 1 de março de 2015