domingo, 31 de maio de 2015

sexta-feira, 29 de maio de 2015

As vitrines

Flanar pelas ruas de uma cidade - nem tão grande, nem tão pequena - é se deparar com um mar de espelhos: um grande número de superfícies que refletem a rua, as esquinas, o trânsito de carros e de pedestres. É como duplicar, triplicar, quadruplicar a visão da cidade. Ampliar o ambiente e, ao mesmo tempo, diminui-lo, já que mais edifícios, muros e grades pulam no caminho da visão.

Um loja expõe na vitrine caixas, livros, papéis, canetas. Mesclados a esses objetos, como que estampados no vidro, estão pontos da cidade - uma janela, a torre de um edifício, o telhado de uma casa.

Uma pessoa sentada à porta de um prédio toca violão. Sozinho. Talvez seja uma ode à solidão, numa cidade cheia de gente, cheia de barulho, vazia de calor humano.

Seria ele capaz de ver da cidade?

Ou seriam as vitrines, espelhando seu redor, quem melhor vê a cidade passar?

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 26 de maio de 2015

Citações 102

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:



"Preocupo-me com os meus colegas, torno a dizer." Juntou os dedos das duas mãos. "Uma redação é como um corpo de elementos integrados. Se um falha, os outros ressentem-se. Para além disso, e embora me custe dizei-lo, até acho que és um bom jornalista". 

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segunda-feira, 25 de maio de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #71

1 - 70 anos depois da libertação de Auschwitz, a internet nos dá um tapa na cara
Texto da Rosana Hermann que ficou perdido entre os meus favoritos. É de janeiro de 2015, mas não é datado. Porque fala da intolerância nossa de casa dia, aí pulando nas nossas vidas constantemente. Mesmo que se tenham passado 70 anos daquele pesadelo, parece que não mudou muita coisa.

2 - Meu blog é um dinossauro que se recusa a virar fóssil
Da Aline Valek, sobre a blogosfera, o saudosismo, a evolução, a audiência, a publicidade... essa menina é fera!

3 - 11 coisas que você não sabe sobre o filme Clube da Luta
Do Brasil Post. Não sou muito chegada nesses posts de lista - e antes que alguém reclame, as minhas indicações nunca são uma lista, são só um agrupamento aleatório de seus coisas legais que andei lendo por aí - mas gostei desses. Deve ser porque sou fã do filme e do livro.

4 - Fotógrafa registra restos da União Soviética
Do Catraca Livre, também antigo, mas muito bacana. E pensar que foi um país tão rico, tão importante pra história do mundo, polarizando com os EUA... Sem entrar no mérito político da questão, as fotos são lindas e muito tristes.

5 - 10 coisas que só jornalistas conseguem entender
Do Duda Rangel, também um post antigo, mas daqueles que nunca canso de reler, porque acabo dando boas risadas.

6 - A história de Chernobyl contada em 148 imagens
Do B9, segundo a onda das fotos da União Soviética acima. A explosão da usina foi em 1986 e há repercussão até hoje, porque não se tem ainda uma medida exata das consequências. É bem assustador, tanto a história como as fotos. Por outro lado, é bom perceber o que podermos causar a nós mesmos e fazer o possível para que isso não se repita.

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domingo, 24 de maio de 2015

Asas



Daqui.

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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Minha história em 10 músicas

Vi no blog da Gabi e resolvi fazer também :-)


1 - Uma música que te lembre um momento bom
Tanto amar, do Chico Buarque. Que marcou uma virada muito bacana na minha vida. Não uma virada dessas "tava ruim e melhorou", mas uma virada de atitude. Conheci o Chico com essa música e muita coisa mudou desde então.






2 - Uma música que defina a sua vida
Neste momento, é Pouco a Pouco, da Pequena Morte. Porque é hora de catar os cacos, fazer um mosaico e seguir em frente.






3 - Uma música que te faz dançar na balada
C.V., da Pequena Morte, que me faz querer dançar "até gastar a sola do sapato"






4 - Uma música que foi tema de algum relacionamento
Resposta, do Skank, que marcou o meu namoro com o Gleison, há muito-muito-tempo. É inevitável: escuto Resposta e lembro dele, daquele tempo.






5 - Uma música que sempre te faz chorar
Eleanor Rigby, dos Beatles, tem essa capacidade. É tão triste que sempre me pego com os olhos cheios d'água quando a escuto.





6 - Uma música que seria toque do seu celular
Come Together, dos Beatles. O início é lindo, é tudo lindo :-)





7 - Uma música que você gostaria de tatuar
Society, do Eddie Vedder, com certeza. É lema de vida. No vídeo, abaixo, ele toca com Johnny Deep, que é pra ficar melhor ainda.





8 - Uma música que te deixa com vontade de ficar com alguém
Vai na contramão de quase tudo, mas é inevitável. Acho o Bolero, de Ravel, uma música extremamente sensual.





9 - Uma música que você está viciada agora
Não é uma. É toda a trilha do filme Begin Again. Tô paxonadinha com ela :-) E como exemplo, deixo Like a fool





10 - Uma música que faz as pessoas lembrem de você
Qualquer uma dos Beatles. Mas vou apostar em She's leaving home, porque sim, ora bolas.





E acrescento uma categoria: uma música que te lembre alguém especial
E esse alguém é o Bruno. E essa música é Amor pra recomeçar. 





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terça-feira, 19 de maio de 2015

Citações 101

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:



(…) embora a razão não me interessasse deveras; o que me interessava (que é o que interessa a qualquer louco) era entender as coisas para as poder ordenar em beleza, em palavras, em sentido. 


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segunda-feira, 18 de maio de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #70

1 - Sou dessas
Da Aline Valek. E essa Aline aqui assina embaixo. Porque também sou dessas.

2 - O machismo também mora nos detalhes
Do Think Olga. Texto necessário. Como praticamente tudo que o Think Olga faz. E porque é preciso reconhecer essas formas aparentemente pequenas de opressão.

3 - Tome espaço do estado da justiça
Da Alexandra Lucas Coelho, jornalista portuguesa autora de Caderno Afegão, que viveu alguns anos no Brasil. Aqui ela fala sobre a questão da maioridade penal no País e, como sempre, tem uma visão muito especial.

4 - Antipática!
Mais um texto mara da Clara Averbuck no Lugar de Mulher. Apoio super.

5 - O autista no Brasil
Mais um texto bem esclarecedor da Déa, do Lagarta Vira Pupa, com informações relevantes sobre o autismo no Brasil

6 - De que adianta fazer 30 anos?
Texto lindo da Kika Castro sobre os 30. :-)

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domingo, 17 de maio de 2015

Procura



Daqui.

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sexta-feira, 15 de maio de 2015

O caso da mala voadora

Já contei que fiquei super ansiosa pro reencontro com os colegas do Colégio, certo? Pois então... lá estava eu, com frio na barriga, indo pra BH pra encontrar com eles.

Como sempre faço, juntei minhas coisas numa mochila e fui pra rodoviária pegar o ônibus pra capitarrr. Sempre levo um livro em viagens. Dessa vez era Dialética do esclarecimento, de Adorno e Horkheimer - esse livro me persegue. Era leitura pra uma das aulas do mestrado. Sentei, aguardando o ônibus chegar, e comecei a ler. Esse tipo de leitura exige um pouco mais de concentração. Não é o tipo de coisa que gosto de ler em viagens, mas era tão necessário adiantar as leituras da semana seguinte que não teve jeito.

Eu tentava ler e não conseguia. Isso porque, nos bancos à minha frente, havia um casal de meia idade conversando bem alto. A mulher tinha um sotaque gostoso do nordeste. O moço era espanhol. E eles falavam da visita a Ouro Preto, que iriam pro aeroporto direto, que tinham comprado tal e tal artesanato, panela de pedra, um divino e outras coisas. E eu lá, tentando estudar.

Na hora de entrar no ônibus, fui atrás do casal e esperei o senhor colocar a mala no bagageiro superior. Achei que eles se sentariam nas poltronas ao lado da minha, pela posição em que a mala ficou no bagageiro. Mas não, o casal veio na minha frente. Conversando alto enquanto eu tentava me concentrar no texto da Indústria Cultural.

Até que... na primeira curva mais fechada da estrada... ploft! Alguma coisa grande e pesada atingiu a minha cabeça. Bateu na minha têmpora esquerda e no meu peito. Acho que demorei uns dois minutos pra entender o que tinha acontecido: a mala do casal falante voou do bagageiro direto pra minha cabeça, me atingindo em cheio.

A dona da mala veio buscar aquele "trem" voador e perguntar se estava tudo bem. Falei que sim, pra ela não se preocupar. Mas a dor não parava. A têmpora latejava forte. E ainda tínhamos mais uma hora e meia de viagem, se tudo corresse bem. Avisei o Leo do acontecido, pra ele não assustar quando me visse.

Enquanto me recuperava, sem saber se conseguiria voltar pro Adorno/Horkheimer, lembrei da conversa do casal ainda na rodoviária de Ouro Preto: dentro da mala ia uma panela de pedra, artesanato típico da cidade e que sabe ser bem pesadinho. Ou seja...

Cheguei à casa dos pais do Leo e fui logo colocar gelo no rosto. Foi bom, melhorou a dor e o inchaço. Sobraram dois hematomas leves na têmpora e um daqueles que fica verde e depois roxo no peito. O hematoma no peito dava pra esconder. Os do rosto não. O pai do Leo recomendou passar bastante protetor solar, pra não ficar manchado (lição de quem assiste Bem Estar: a pelo que sangrou e pegou sol fica marrom por um bom tempo). Tentei tampar com maquiagem pra não ir muito horrível pro reencontro da turma, mas não teve muito jeito.

Acabou que foi engraçado: enfrentei muitos perigos para reencontrar os colegas: só não consegui me desviar de uma mala voadora com uma panela de pedra dentro!


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terça-feira, 12 de maio de 2015

Citações 100

De Just Listen:

Sentada e vendo a minha irmã, eu fiquei imaginando o que seria mais difícil no final das contas. O ato de contar ou para quem contar. Ou talvez se, depois de ter colocado tudo para fora, o que realmente importava era a história. 

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segunda-feira, 11 de maio de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #69

1 - Cosmopolitan inverte entrevista e faz perguntas sexistas para ator em coletiva da Marvel
Do B9. Tava na hora de alguém fazer isso. É parte da campanha #askhermore, que pretende que, nas entrevistas com atrizes, as perguntas não girem em torno de suas roupas, suas relações pessoais e seu corpo. Show!

2 - Meça suas piadas, parça
Da Mari, no Lugar de Mulher. Sobre como o humor que investe em ridicularizar minorias ou situações não risíveis diz muito de quem o produz.

3 - As consequências da escrita de Charlotte Brontë
Do Homo Literatus. Sobre uma das minhas autoras favoritas, e como sua obra impactou o mundo. Muita gente torce o nariz, mas a Charlotte, assim como suas irmãs Emily e Anne abriram caminho, junto a Jane Austen, para uma escrita feminina e, até mesmo, feminista, muito antes do feminismo surgir.

4 - Caçadores de discos perdidos
Já falei que adoro vinis, né? Aqui o André Barcinski fala sobre a diferença entre colecionadores de vinis e acumuladores de coisas.

5 - O que aprendi na VejaBH
Da Sabrina Abreu. Não sou fã da Veja e não curtia muito a vibe das matérias da Veja BH. Mas lastimo muito o fim da revista. Aqui, a Sabrina fala sobre sua experiência na redação da revista, onde ela assinou uma coluna. É um texto lindo, especialmente indicado pra quem vive essa vida louca de ser jornalista.

6 - Felicidade todo dia?
Da Anita Efraim, que sempre tem uns textos bons pra provocar pensamentos profundos.

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domingo, 10 de maio de 2015

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Haja coração: 23 anos depois

Para ler ouvindo: Losing my religion (R.E.M.)




Em dois períodos da minha vida, estudei em escola particular. Uma delas foi durante a faculdade de Jornalismo. A outra foi da 4ª à 8ª séries. Durante a 5ª, morei em São Luis (já falei aqui, aqui, aqui e aqui). Na 4ª, 6ª, 7ª e 8ª, estudei na escola particular do bairro, que então se chamava Arnaldinum São José. Fui pra lá não porque a escola pública em que eu estudava era ruim. Era uma ótima escola, com professoras muito dedicadas, bom espaço, da qual tenho ótimas lembranças. Saí de lá porque havia muita greve. Ainda hoje há, claro. Se não fossem as greves, teria continuado lá ao menos até a 4ª série, com certeza.

Ainda lembro do frio na barriga às vésperas do primeiro dia de aula na escola nova. #soudessas que sente frio na barriga antes de primeiro dia de aula até hoje... Como era um colégio de bairro, a maioria dos meus amigos do prédio estudava lá. Havia só duas salas para cada série. A Laura e o Daniel já eram alunos, apenas eu continuava na escola pública. Otávio ainda nem pensava em ir pra escola... Além dos vizinhos, tinha a Érika, que era coleguinha da escola pública e tinha ido pra particular no ano anterior, também por conta das greves. Minha ansiedade era pra encontrar com ela, que era a única pessoa da minha série que eu já conhecia. Dei sorte: fomos da mesma sala. E eu ainda conheci um monte de gente bacana: Gabriela, Luciano, Carla, Cristiane, Marco Aurélio, Cristiano, Henrique e mais outros que a memória não me deixa lembrar. Foi o Luciano quem começou a me chamar de Alile, que depois virou Lile e é o apelido que eu mais gosto nessa vida.

Dois anos depois, lá estava eu sentido o mesmo frio na barriga de sempre. Dessa vez, porque voltava pra mesma escola, após um ano morando em outra cidade. Queria os mesmos amigos, na mesma sala, do mesmo jeito de antes. Mas algumas coisas haviam mudado. Ainda havia duas salas para cada série, até a 7ª, mas elas tinham se misturado. E havia muita gente nova também. Foi quando eu conheci o Jorginho, que veio a ser o meu melhor amigo daqueles anos. Tinha também a Érika - continuamos na mesma sala, ufa!, o Luciano, o Cristiano. E vieram a Carol, a Juliana, o Wither, o Ézio, o Luiz Alberto, o Pezão, as Lucianas, a Luciane, a Viviane, o José Alberto, o Rodrigo, o Marco Antônio. E, mais uma vez, outros que a memória não guardou.

Com a situação ~estranha~ da minha família, era meio natural que eu amasse a escola. Queria, muito, que ela fosse integral, para que eu passasse o dia por lá. Sempre gostei de estudar. E ainda tinha as quadras em que a gente jogava vôlei e handball e os meninos jogavam futebol - eu só jogava futebol com os meninos do prédio. E o jambeiro, que servia pra gente subir naqueles galhos nem tão altos, pra jogar conversa fora e ainda comer os frutos, na época certa. Tudo era pretexto pra voltar pro colégio à tarde (nem que fosse pra buscar os meus irmãos, que estudavam à tarde), pra "treinar" vôlei, pra ver os garotos jogando futebol.

Na 8ª série, as duas turmas se juntaram em uma só. Foi quando conheci melhor algumas pessoas da outra turma: Flávia, Alysson (que era meu vizinho lá no prédio - ele se mudou pra lá enquanto eu morava em São Luis), Jaka, Rodrigo Soneca, Thiago, além dos colegas novatos, como o Marcel, a Graziela, a Eliane Paulista e... gente, que memória ruim eu tenho, pqp!!! A sala era enorme. Acho que éramos em 50 alunos. Claro que tinha muita bagunça com essa turma enorme. Uma das que mais me lembro era que alguém pegava a mochila de um dos alunos que se sentava lá na frente e ia passando pro aluno que ficava atrás, na fila de carteiras, até a mochila ir parar lá no fundão. E o incauto aluno demorava um tempão pra perceber que tinha "perdido" a mochila pro pessoal do fundão, que, a essa altura, estava morrendo de rir. Como a sala era muito grande, rolava um rodízio: a cada semana, passávamos para uma carteira atrás da utilizada na semana anterior. Assim, nunca tinha uma "turma do fundão fixa".

O colégio era como uma grande família pra mim. Uma família que eu optei por ter, o que fazia toda a diferença. Todos os professores nos conheciam pelo nome, sabiam de nossas histórias de vida. Conhecíamos a família dos colegas - pais, irmãos, amigos, vizinhos. A mãe do Jorge, por exemplo, é uma pessoa que eu admiro muito, tenho um amor enorme por ela, mesmo que a gente não se encontre mais com frequência. Lembro com carinho de alguns professores: Maria Luiza (História), Sampaio, Gaudêncio e Kleber (Matemática), Nívea e Gisele (Português), Rita (Inglês), Eldo (Ciências), Márcia (Educação Física), Marilda (Geografia). A Marilda era a professora mais séria que já tive. Morria de medo dela!

Passou a 8ª série e eu mudei de escola. Voltei pra escola pública, onde conheci a Vanessa, uma das pessoas que mais amo nesse mundo. Era uma escola longe de casa, que tinha alunos de todos os cantos da cidade, e onde aprendi muito sobre diversidade, estilos de vida, lutas pessoais... Foi um aprendizado enorme. Mesmo assim, o Arnaldinum sempre foi uma referência pra mim. Quase como um casulo seguro, como aquele clichê saudosista do "eu era feliz e não sabia". Verdade que eu era feliz lá. Verdade também que eu sabia muito bem disso. Voltei ao colégio bem pouco, só pra buscar meu irmão caçula enquanto ele ainda estudava à tarde. Depois, passou a ser o lugar onde eu votava, enquanto mantive o título em BH. E voltar lá pra votar era encher meu coração de saudade. A escola mudou de nome - agora é Arnaldo Unidade Anchieta, o que me deixa desolada.

Daí que o Facebook me proporciona encontrar virtualmente como alguns dos amigos do colégio. E, no início de 2015, eles resolvem organizar um encontro. Para quem ficou estudando lá, seria um encontro 20 anos depois do término do 3º ano do 2º grau. Pra mim, seria #23anosdepois. Haja coração! Lá estava eu, de novo, com aquele frio na barriga dos primeiros dias de aula, dessa vez pra reencontrar os amigos de muito tempo atrás. Será que continuava todo mundo igual? Será que tínhamos mudado muito? Será que nos reconheceríamos como a família de antes?

Do encontro, quando ainda estávamos sérios


Fui a segunda a chegar (#ansiedade) e o Luciano já estava lá, acho que mais ansioso do que eu. Vieram os outros: Flávia, Juliana, Emanuele. Depois a Érika, a Carol, o Ézio, a Aline, a Grazi, o Cristiano, o Wither, o Rodrigo Soneca, a Bruna. E dois que entram na turma depois que eu saí: o Marcelo e a Carol. Foi um festival de abraços e de histórias de então, muitas risadas, muita alegria. Já estávamos alegres em nos rever. Foi quando o garçon do restaurante nos pedir pra tirarmos uma foto, para o site deles. Leo, que estava comigo, também tirou esta aí de cima. Nós parecidíssimos com um povo alegre, mas sério. Depois das fotos, ninguém mais se sentou à mesa. E foi aí que o negócio pegou fogo. Mais abraços, mais histórias, mais risadas, gargalhadas. O Cristiano querendo fazer mil perguntas porque, segundo ele, somos icebergs: só 10% à mostra; e ele queria conhecer os outros 90%.

Ao contrário de quando encontramos colegas de faculdade, não houve perguntas sobre o que cada um estava fazendo, se estava empregado na área ou não. Nada que constrangesse as pessoas. Só harmonia, só respeito. Foi lindo! E foi tão divertido que até o Leo, que deveria boiar por lá, se integrou com a galera e saiu dizendo que fazia tempo que não ria tanto.

Agora, é preciso que marquemos novos encontros, porque ainda temos muito pra conversar, pra lembrar, pra rir, pra abraçar, pra refazer esses laços, que deveriam durar pra sempre!

P.S.: Losing my religion é uma das músicas que mais me lembra o colégio, porque foi tema de uma das aulas de inglês e cantávamos praticamente o tempo todo. Também tem Winds of change, do Scorpions, nessa categoria que eu chamo de "músicas da 8ª série".

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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Livro: Dias perfeitos


Segundo livro do Raphael Montes, Dias perfeitos é um livro claustrofóbico, desses que dá agonia, dá vontade de abrir as portas, as janelas e procurar ar.

É a história do relacionamento entre o estudante de medicina Teo e a estudante de história da arte Clarice. Teo é aquele cara fechadão, na dele, sem amigos - sua única amiga é Gertrudes, o cadáver das aulas de anatomia. Imagina o tanto que o cara é esquisitão... ele mora com a mãe, Patrícia, que é paraplégica e bastante independente. Também com eles vive Sansão, um cachorro enorme. E, por insistência de Patrícia, ele vai a um churrasco, bastante contrariado. Lá, num canto observado as pessoas, Clarice puxa conversa com ele. Após poucos minutos de conversa, Teo decide - a palavra é essa - que está apaixonado por Clarice e que deve mostrar a ela que é o par ideal.

Imagine: ele arma para conseguir o celular da menina, liga para ela fingindo ser pesquisador do IBGE para pegar informações e passa o dia seguindo a guria por toda a cidade. Até, no dia seguinte, bater na casa dela com um presente nas mãos: um livro de Clarice Lispector, em capa dura. Quando Clarice recusa seu "amor", Teo parte pra agressão e sequestra a garota. A partir daí começa uma relação absurda, com um nível de abuso de espantar. Até então, Teo era uma pessoa bizarra. A partir daí, passa a ser um abusador FDP.

Enquanto Clarice é sedada e machucada, Teo a leva para um hotel, para tentar convencê-la de que ele a ama e de que ela também vai amá-lo assim que o conhecer melhor.

Cara, essa história dói muito. É impossível deixar de pensar nas pessoas que passam por relacionamentos abusivos de todos os tipos. E não são só relacionamentos amorosos, há abuso em todos os níveis de relacionamento (ei, eu já passei por isso, sei como dói, sei como pesa). Mesmo que o livro dê esse enfoque "amoroso", as situações vividas por Teo e Clarice podem se encaixar em todos os outros níveis.

Foi impossível não lembrar do vídeo da Jout Jout, Não tira o batom vermelho. Porque, né... temos que nos proteger dessas coisas.





Mesmo angustiante, sufocante, maluco, com um final que balança as certezas, é um livro muito bacana. Li super rápido, de tão envolvida com a história. Sofri, chorei e deixei de lado, mas a história ficou pesando pra mim durante dias e dias... Sinal de que me tirou do lugar de conforto, e é isso que eu gosto ao ler um livro.

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terça-feira, 5 de maio de 2015

Citações 99

De Just Listen:

(...) pensei que era impossível saber o que está se vendo com uma olhada rápida e em movimento. Bom ou mau, certo ou errado. Sempre havia muito mais. 

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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Espelho

Comemorando coisas boas em Curitiba

Já dizia Caetano que "Narciso acha feio o que não é espelho". E espelho pode ser muitas coisas além daquela superfície reflexiva a que estamos acostumados. Em sentido figurado, pode ser algo que nos mostra alguma coisa ou algo que, ao ser contemplado, nos lega algum tipo de ensinamento, ou ainda que nos mostre alguma outra coisa. Como na frase que diz que "os olhos são o espelho da alma".

Hoje é aniversário do meu espelho. Além de ser o dia em que ele alcança a minha idade, até que setembro chegue e eu volte a ser mais velha. É o 14º aniversário dele que passamos juntos. Lá se vão 14 anos que dei a ele o primeiro presente. Nem lembro o que foi, acho que ele também não se lembra. Memória não é mesmo o nosso forte.

Leo é meu espelho porque me completa. Porque em tudo que eu empaco ele me põe pra frente. Porque sempre tem uma habilidade que eu almejo ter, mas não tenho capacidade pra tanto. Porque eu chego em casa, vindo do trabalho ou da faculdade ou do mestrado, e sempre tem uma coisinha especial que ele fez pra mim. Porque, mesmo depois de 14 anos, ele me manda mensagens lindas durante o dia (ainda mais agora, que não trabalhamos mais no mesmo espaço físico). Porque ele cuida de mim, no dia-a-dia, na saúde e na doença, e até mesmo no caso de malas voadoras). Porque pesquisamos juntos nossas próximas paradas, cada um pensando em como agradar o outro. Porque não importa meu grau de mau humor, ele está lá, com o melhor abraço desse mundo pra me acalmar. Tudo isso e mais outras mil coisas (aqui, aqui, aqui e aqui tem algumas amostras).

E mais: é meu espelho porque, caetanamente, só tenho olhos pra ele.

Feliz aniversário, Pé. Que venham mais muitas comemorações juntas pra gente!

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domingo, 3 de maio de 2015

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Curitiba

Parque Tanguá num dia sem sol

Em 2006 fui a Curitiba e amei a cidade. Passei um feriado estendido lá e curti tudo o que vi (exceto o real motivo da viagem, que foi uma bomba e não vem ao caso). Vivia falando em voltar. E voltei, correndo, mas com um ótimo aproveitamento.

Antes de ir, planejei (ando fã de planejamentos executáveis!) e fui ver o que a Matraca recomendava. Como tinha pouco tempo, não queria ver o que já tinha visto na primeira visita. Então peguei as recomendações pra Linha Turismo e mandei ver.

Pra começar, marcamos a viagem para ir a um show, que acabou sendo cancelado quase na véspera. Resolvemos não desmarcar e fomos curtir a cidade assim mesmo. Ficamos hospedados no Ibis Centro Cívico, que é super bem localizado, fácil de acessar pela linha de ônibus que vem o aeroporto e perto do ponto inicial da Linha Turismo. O mais importante, pro Leo, é que era na mesma rua do bar Hop'n'Roll, que ele fazia questão de visitar. Com o show cancelado, acabamos indo lá duas vezes, num dia normal e durante o St. Patrick's Day.

Leo pirando nos chopps do cardápio

Fala sério: mais de 24 torneiras de chopp! Leo quase teve um troço! A comida é ótima, o atendimento é muito atencioso e o ambiente é muito bacana. Sem contar a música! Pra quem gosta de cerveja, o bar é parada obrigatória! Até mesmo pra quem quer produzir. Lá você pode fazer a sua própria cerveja, acompanhado pelo mestre da casa, e volta depois de um tempo para buscar.

Fomos lá logo que chegamos em Curitiba (apenas depois de passar rápido no hotel e esperar o resultado do mestrado, que saiu exatamente uma hora depois que chegamos na cidade). Voltamos no dia seguinte para a festa do St. Patrick's Day, que teve muita cerveja, comida típica irlandesa, banda de rock (esqueci o nome, muito boa) e pessoas com gaitas de fole.

Olha a felicidade do garoto!

Típicamente... escocês????

Antes do St. Patrick's, acordamos cedo e pegamos a Linha Turismo, seguindo as dicas da Matraca e evitando os locais que já conhecíamos. Primeira parada: Bosque Alemão. Gente, que lugar gostoso! A Matraca fala que é bom para levar crianças, e as crianças devem amar mesmo. O Bosque tem a trilha de João e Maria e, na casa da Bruxa, tem uma biblioteca infantil com contação de histórias e outras atividades. A trilha é muito agradável! Além dela, lá tem o Oratório Bach, uma lanchonete com comida típica alemã (e um strudel de maçã delícia), além da Torre dos Filósofos #meidentifiquei.

Oratório Bach ao fundo

Do alto da Torre dos Filósofos

Um lago na Trilha João e Maria

Fim do passeio

A casa da Bruxa

Vai uma torta de maçã aí?

Segunda parada: Parque Tanguá. Que não estava 100% funcionando, mas é lindo pra dedéu!

Depois dessa nuvem negra tinha um céu azul

Ia ficar beeeem melhor com sol, né?

Mesmo assim, é muito lindo!

Vista láááá do alto, com uma pedreira láááá embaixo

Terceira parada: Memorial Ucraniano. Gente, que lugar lindo! Por pouco a gente não desce, porque é bem pertinho do ponto do Parque Tingui e o áudio do ônibus não avisou. Ao menos o motorista parou e deu tempo de perceber onde estávamos e descer. Tinha uma família lá, fazendo fotos para o "save the date" de um casamento. O casal que fotografava os noivos tinha um filho, chamado Brian. O garotinho não parava quieto e seus pais o repreendiam o tempo todo, perguntando onde estava aquele "menino bonzinho"... tadinho do Brian!

A entrada do Memorial Ucraniao

A réplica de uma igreja, fofa demais!

Dentro da igreja: o altar fica atrás dessas passagens


Ao fundo, a família do Brian, aquele menino bonzinho

Uma pêssanka (ovos decorados) gigante
Ficamos bastante tempo por lá, quase perdemos a hora pro St. Patrick's. Voltamos pra Linha Turismo e deixamos a outra parada a que tínhamos direito pra uma próxima vez. Almoçamos no Victor Fish and Chips do Shopping Mueller, ao lado do hotel, e de lá fomos pro Hop'n'Roll.

Saindo do St. Patrick's, voltamos ao shopping pra comer algo que não fosse irlandês. E foi lá que comi o melhor sanduíche da minha vida (sorry, Cumadre, vocês passaram pro segundo lugar). Foi no Madero Express, e agora quero voltar pra Curitiba só por causa deles.

Curitiba ainda me rendeu a leitura de um livro lindo (Nova gramática finlandesa), um livro novo (depois que o lindo acabou), uma paleta mexicana, uma turbulência do capeta, um chá de cadeira em São Paulo e um cheesecake com doce de leite Havana (em Garulhos, mas que fez parte do Pacote-Curitiba).

Olha que abuso!


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