terça-feira, 30 de junho de 2015

Citações 107

Do livro Anjos do universo:


É evidente que entendo a realidade tão pouco quanto ela me entende. Quanto a isto estamos quites. Porém, ela não me dev explicação alguma a respeito de qualquer coisa, ao passo que eu continuo a ter que responder perante a ela.
Claro que seria bom poder dizer o que disse o filósofo alemão Hegel quando alguém afirmou que suas teorias não correspondiam à realidade: 
- Pobre realidade, não deve ser nada fácil para ela. 
Escritores podem escrever isto. 
Filósofos podem dizer isto. 
Já nós, que estamos internados em sanatórios e instituições, não temos qualquer defesa quando nossas ideias não correspondem à tealidade, pois, em nosso mundo, os outros é que têm razão e conhecem a diferença entre o certo e o errado. 

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 29 de junho de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #75

1 - Cinco dicas para criar filhos mais abertos à diversidade
Mais um texto mara da Déa, do Lagarta Vira Pupa. Pra levar pra vida, pra ler e reler, pra aplicar.

2 - Lado monstro
Da Aline Valek, um texto que desvela o que somos de verdade. Porque todo mundo tem um lado monstro. Uns se mostram com mais facilidade; outros são mais escondidos. Alguns monstros são maiores e mais cruéis, outros são mais simples ou mais cotidianos. Não importa, todos temos nosso lado monstro.

3 - Quando a informação é a arma da libertação
Post do Think Olga sobre consumo, produção, escravidão, publicidade e outras coisas mais, pra gente repensar esse padrão consumista em que estamos mergulhados.

4 - A carta de Stieg Larsson
Sou fã do cara e da Trilogia Millenium (aqui e aqui). O blog da Companhia das Letras trouxe essa carta que Stieg Larsson mandou para sua editora, falando um pouco sobre o processo de escrita dos livros.

5 - Hate Dove
Da Patrícia, que tem uma visão bem interessante sobre as propagandas da Dove, aquelas que todo mundo ama e que tem gente que não gosta. Olhando como profissional, acho que a Dove acerta. Mas como mulher, acho uó, super compartilho a visão da Pi.

6 - Minimalismo pra quê?
Gosto muito dos textos da Lud. E muito do que ela fala sobre minimalismo. Fale a leitura para repensar a vida :-)

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 28 de junho de 2015

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Mesmo que mude

Não conhecia a banda Bidê ou Balde até esta semana. E conheci por acaso. Muito porque trabalhar com música de fundo me ajude bastante a fazer fluir o que está mais agarrado. Me ajuda a focar, a me dedicar mais.

~ ultimamente, ando ouvindo J. S. Bach pra caramba, especialmente pra escrever pro mestrado ~

Também escuto muita coisa aleatória, e foi assim que conheci a música Mesmo que mude. Gostei, de cara, do ritmo. Quando parei pra prestar atenção na letra, fiquei apaixonada. Porque me lembrou muita coisa, muita gente querida, muitas situações da vida que ficaram lá atrás e que foi preciso ressignificar, depois de uns bons anos de análise.

E, sim, teve looping durante um bom tempo.

Porque é sempre amor, mesmo que mude <3 nbsp="" p="">



_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Filme: Birdman

Birdman: Or (The Unexpected Virtue of Ignorance) - 2014 (mais informações aqui)
Direção: Alejandro González Iñarritu
Roteiro: Alejandro González Iñarritu, Nicolás Giacobone
Elenco: Michael Keaton, Zach Galifianakis, Edward Norton, Emma Stone, Naomi Watts

O que é deixar uma marca no mundo? Por que, em algumas pessoas, a vontade exacerbada de "ser alguém", ou de ser reconhecido como "alguém", leva a um caminho que é, ao mesmo tempo, de afirmação e de desespero?

Riggan Thompson é um ator holywoodiano que fez sucesso há alguns anos com a trilogia do Homem pássaro. Ao recusar o quarto papel da franquia, porque acreditava ser um ator melhor para aquele tipo de produção, acaba caindo em uma espécie de ostracismo produtivo. Seus fãs se lembram dele como o Homem pássaro, mas ele quer esquecer. Para provar ser um ator de verdade, ele resolve se aventurar pela Broadway. Porque, como em várias partes do mundo, o teatro é uma arte considerada superior ao cinema de simples entretenimento. Podemos ver isso no Brasil, na oposição novela x teatro. Riggan escuta o seu alter-ego, o Homem pássaro, provocando-o constantemente, durante os momentos mais caóticos da produção da peça - um ator se acidenta e é substituído por outro, que é bastante estrelinha e causa uma série de problemas; sua filha, irritada com o pai ausente, está estressada por ser obrigada a trabalhar na peça e ainda está lidando com sua saída de uma clínica de reabilitação; a namorada de Riggan pode estar grávida e o produtor da peça já está desesperado com a falta de dinheiro e um processo vindo do ator acidentado.

Enquanto isso, Riggan segue com sua mania de grandeza: acredita - ou quer acreditar - que consegue mexer objetos sem tocá-los; que é maior que as picuinhas de seu elenco; que é um ator de verdade e que vai conseguir provar isso a quem quer que seja. Porém, uma frase colada no espelho de seu camarim mostra que não é bem assim: "Uma coisa é uma coisa, não o que é dito dela". Riggan tem medo da crítica. Ele tem certeza de sua capacidade como ator, diretor e roteirista da peça, mas se contorce de medo do que os críticos podem dizer sobre ele. Sua necessidade de admiração, de reconhecimento, não abre possibilidades para o outro lado da moeda, que é a crítica em todas as suas vertentes.

Hoje, a exposição de um ator, de um artista de maneira geral, não se basta nos palcos ou nas galerias: é preciso estar na mídia. Sam, filha de Riggan, em um momento de discussão, diz que o pai não existe: ele odeia bloggers, tira sarro do Twitter e não está no Facebook. É preciso "causar" para ser alguém, para conquistar a notoriedade. Ser trending topic é ter poder, diz Sam. A crítica teatral do New York Times, confrontada por Riggan em um bar, é direta: ele está ocupando um teatro onde deveria estar a verdadeira arte, verdadeiros atores: "Você não é um ator, é uma celebridade", diz ela. Uma celebridade que, por mais que queira negar o passado, vive dele, de seu sucesso como ator de uma série barata de super-heróis. É curiosa a cena em que Riggan caminha por Nova York no dia da estreia da peça e que, dando ouvidos ao Homem pássaro, promove uma série de explosões, com monstros enormes invadindo a rua. É uma crítica ao cinema de entretenimento atual, em que o sucesso se conta pelo número de explosões, armas e perseguições. Riggan podem explodir, ele pode "causar". E, juntando os cacos de tudo o que aconteceu nos dias anteriores à estreia, ele encontra a forma certa de "causar", na cena final da peça. Outra crítica à Academia Hollywoodiana, que adora premiar os atores que fazem grandes sacrifícios físicos?

O fim da peça é o começo de um novo Riggan, que leva multidões ao teatro - fato muito comemorado pelo produtor, que não quer saber de qualidades técnicas, apenas dos números de bilheteria e do tempo que a peça ficará em cartaz. É bem emblemático que, nas cenas externas, o outdoor de O fantasma da Ópera, o musical mais antigo da Broadway, que está desde 1988 em cartaz, domine o campo visual. O produtor quer ser o novo Fantasma da Ópera. Riggan quer ser a mais nova revelação dar artes, um ator com um passado duvidoso, que renasceu nas cinzas do ostracismo para bilhar onde reina a verdadeira arte dramática.

Sobre a técnica de filmagem, ela foi discutida previamente entre Iñarritu e o diretor de fotografia para dar a ilusão de que o filme se passa num plano-sequência único. Alguns cortes são reconhecidos com facilidade. Outros, bem mais sofisticados, podem necessitar uma nova visita ao filme. Mas surge a pergunta se, para nós, que somos apenas apreciadores de uma boa história bem contada, é necessário descobrir as técnicas por trás da produção. Fiz isso em Festim diabólico, do Hitchcock, especialmente após ler Hitchcock Truffault, para ficar mais encantada com o Hitch, mas acredito não ser necessário aqui, quando toda a técnica de produção é outra, bem mais sofisticada e com mais recursos narrativos.


_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 23 de junho de 2015

Citações 106

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:


(…) é um romance sobre as nossas vidas, nós que, tal como ela, fomos apoderados sem o sabermos, fomos apoderamos pelo tempo e pelo dinheiro e pelo amor e pela própria morte, nós que sem o sabermos também temos razão e também iremos fracassar, nós que carregamos as bandeiras de todos os partidos e de todas as religiões e de todas as ideologias de cada recanto de cada província de cada país; nós que, à nossa maneira tosca e provinciana, decidimos desafiar a realidade na sua frieza, na sua indiferença e na sua crueldade e caímos num rol de equívocos cujos fios invisíveis e emaranhados s´ø conseguiremos destrinçar quando alguém escrever a nossa história (…) 

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 22 de junho de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #74

1 - Terapia contra o vício da CCL (Compra Compulsiva de Livros)
Texto do Juan Pablo Villalobos, no Blog da Cia das Letras. É um texto mais antigo, mas bem a calhar. Faço parte do grupo em recuperação :-)

2 - Do avesso
Texto lindo-lindo-lindo da Déa sobre o Theo, agora que ele completa sete aninhos.

3 - Olha, filho, um jornalista empregado! Fotografa que é bicho raro
Texto do Sakamoto sobre os passaralhos recentes na imprensa e como é importante não comemorar, especialmente quando é um veículo de que não gostamos. Porque, quanto menos veículos, mais fácil o discurso único, mais simples o autoritarismo entrar em cena. Então, mesmo discordando da linha editorial de vários veículos, antes a pluralidade que o discurso único.

4 - Pedi demissão
Texto phoda do João Varella, do Trilhos Urbanos, sobre a profissão de jornalista, o mercado, a vida. Vale muito a pena ler. Hoje, o Varella está comandando a Lote 42, uma editora mara, e a Banca Tatuí. Sucesso e prosperidade, é meu desejo.

5 - Você é violento de nascença ou foi doutrinado nas redes sociais?
Do Sakamoto, um poeminha bem interessante sobre as redes sociais e o discurso de violência que anda solto por aí

6 - Paulo Coelho: "Roberto Carlos manipulou Chico, Caetano e Gil"
Do Livros e Pessoas. E mais lenha na fogueira do problema da biografias. Inevitável ficar com nojinho do RC.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 21 de junho de 2015

Mundo



Daqui.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quinta-feira, 18 de junho de 2015

Motivos

Vamos comemorar que:

- definiu-se o orientador da dissertação. Parece que vamos nos dar bem, já que temos gostos em comum;
- delimitamos, juntos, o objeto de pesquisa. Ainda falta acertar detalhes, mas é algo que me agradou e o agradou também;
- vai ter muita leitura sobre transmídia sim! Basicamente, só pra começar, três livros. Mas o orientador está preparando uma lista com outros;
- vai ter literatura e séries e cultura pop também! #todascomemora!
- amigos já acharam o tema legal e já estão colaborando com a pesquisa (quem tem amigos, tem tudo!);
- vai ter muito grupo de pesquisa também;
- no grupo, tenho que ler um livro de 300 páginas em uma semana pra apresentar na próxima reunião. O fato do livro ser em espanhol é um detalhe insignificante. O que importa é que é um dos teóricos que vai entrar pra dissertação;
- já temos temas definidos para quatro artigos, e isso é muito mais do que eu achei que fosse capaz de delimitar. Claro que o orientador auxiliou, e muito, nesse trabalho;
- um dos três seminários do semestre já passou. Amanhã tem mais um; o último é no início de julho;
- vai ter estágio de docência também, mas só em 2016.

E a vida segue bem colorida por aqui!

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Livro: O poder do hábito



Ao contrário do que o título indica, O poder do hábito não tem nada de auto-ajuda, nem de dicas para se mudar de vida ou coisas do tipo. É um livro-reportagem. Foi escrito por um jornalista e traz muitas informações de pesquisas em neurociências que podem, sim, ajudar algumas pessoas a mudaram de hábitos. Mas o objetivo não é esse.

O autor, Charle Duhigg, investiga como um hábito é criado e como os hábitos, sejam bons ou ruins, interferem em nossa relação com o mundo. Há muitos casos e personagens que foram e estão sendo estudados. Como o da americana que radicalizou em uma mudança de vida e, em um ano, tinha parado de fumar, emagrecido, conseguindo um emprego novo com um salário melhor e participado de uma corrida no deserto. O caso dela é extremo, e por isso é estudado. Também tem a história muito curiosa pro pessoal que estuda Marketing e Propaganda sobre um produto de limpeza que elimina cheiros e que, para ter sucesso no mercado, levou a equipe de trabalho a estudar os hábitos para descobrir onde estava o erro na estratégia de posicionamento.

Tem um caso sobre a Starbucks e outro sobre uma jogadora compulsiva, além de uma pessoa que teve uma doença grave, que levou a uma lesão cerebral e não sabia descrever como chegar à cozinha de casa, mas sabia se virar quando estava com fome. Todos os casos trazem explicações de pesquisas, o que faz com que tudo fique mais interessante.

Facilita, também, a linguagem e a escrita do autor. Por mais que ele tenha aquele "quê" de autor americano (não sei o resto do mundo, mas eu reconheço um autor americano lendo poucas páginas), a escrita não é arrastada ou enrolada. E, mais uma vez, não tem nada de auto-ajuda. Nem a parte "Um guia para o leitor de como usar estas ideias" pode ser considerado de auto-ajuda.

Comprei o livro em Curitiba, porque já tinha terminado de ler Nova gramática finlandesa e precisava de outro volume pra dar conta do meu medo de avião. Li mais da metade entre o pós-café da manhã do último dia lá e a chegada em Ouro Preto. O resto fluiu um pouco mais devagar, por conta de tempo mesmo, e continuou uma leitura super agradável. As mais de 400 páginas pesam na mão, mas o livro é muito leve, muito bom de ler. E, de quebra, a gente aprende um bocado. Como eu gosto pacas de aprender, fiquei com muita vontade de ler mais sobre neurociência. Quem sabe, né?

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 16 de junho de 2015

Citações 105

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:



Foi neste estado de espírito que cheguei a casa nesse dia; foi neste estado de espírito - derrotado, vencido - que me encontrei, durante as quarenta e oito horas que se seguiram, a passear-me pelo apartamento que tinha sido dos meus pais, revistando as coisas da infância e remexendo nos objetos silenciosos e adormecidos que lhes tinham feito companhia, primeiro aos dois, depois apenas a um, durante tantos anos. Decidi, após muito pensar e repensar, que não queria fiar com nada daquilo: que, por mais que tentasse agarrar-me às coisas que lhes haviam pertencido, seria mais uma quimera, uma vã tentativa de recuperar as coisa que eu perdera. Não haveria magia, nem qualquer sortilégio, nenhuma epifania: os meus pais estavam mortos, tão mortos como Catarina, mas, ao contrário desta (e uma vez que a morte não era como a vida), eles não sobreviveriam à morte e, portanto, era a chegada do nada. 

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 14 de junho de 2015

Balões



Daqui.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Livro: Elena, a filha da princesa



Burlei uma das regras não escritas do mestrado, que diz que mestrando só pode ler textos técnicos. Em um sábado à noite desses, deixei de lado as 300 páginas semanais de leitura pras aulas (sim, a média é essa, e é só pras aulas, sem contar as leituras da pesquisa) e comecei a ler Elena, a filha da princesa, da Mariana Carvalho. A história é o spin-off  de Simplesmente Ana e De repente, Ana

Elena é a filha única de Ana e Alex. Ela é uma garota bem tranquila, avessa às badalações de pertencer a uma família real. Está na faculdade, mas resolve viajar para a Nigéria, oferecendo ajuda humanitária, junto com estudantes da universidade. Porém, um imprevisto a faz voltar. Ana, sua mãe, está grávida de gêmeos, com uma gravidez de risco. De volta à Krósvia, Elena vai se deparar com revoltas populares contra a monarquia, o que atinge diretamente seu avô, Andrei, o rei, e sua família. Também é preciso enfrentar a ovelha desgarrada da família, seu primo Luka. Depois dos acontecimentos de De repente, Ana, Luka cresceu e acabou se revoltando, brigando com a família e se afastando do convívio de todos. Mas Elena guarda uma forte impressão do primo, desde que era criança, e tem que se haver com um turbilhão de sentimentos.

A trama tem um tom menos juvenil que os dois livros anteriores, o que é bem interessante. Quando terminei de ler De repente, Ana, eu já sabia que viria outro livro da família, mas não consegui imaginar como seria, já que aquele fechava a história de uma forma bem legal. Elena foi  uma surpresa porque deu um fôlego novo à história de Ana e, ao mesmo tempo, conseguiu seguir com vida própria.

Peguei Elena numa noite de sábado. Não larguei até terminar. Valeu a pena burlar as regras não escritas do mestrado :-)

Da Marina Carvalho também li Ela é uma fera! Azul da cor do mar, meu preferido.
_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 9 de junho de 2015

Citações 104

De Anatomia dos mártires, de João Tordo:



"Achei que precisavas de uma lição", disse ele, peremptório, olhando novamente na direção da janela. "Achei que precisavas de perceber que, neste mundo, tudo o que fazemos tem conseqüências, que a impunidade é uma ficção: tudo o que dizemos, escrevemos ou compomos afeta irremediavelmente os outros". 

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 8 de junho de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #73

1 - Matar o tempo ou multiplicá-lo: qual a real função da literatura?
Postagem bem legal do Homo Literatus, sobre a literatura, a leitura e os livros. Como já dizia Umberto Eco em O nome da rosa, o bem de um livro está em ser lido. Quando não é lido, ele é morto. Sou do grupo que acha que ler quase nunca é perder tempo. É só saber escolher o que realmente faz sentido e pronto. Pena que nesses tempos de mestrado estou deixando a literatura de lado :-(

2 - Projeto Breaking Bad - So1-Eo1 - Piloto
Um projeto muito bacana do Pablo Villaça sobre o melhor seriado de todos os tempos (perde apenas pra Anos Incríveis, por uma questão afetiva), Breaking Bad. O Pablo vai analisar todos os episódios das seis temporadas do seriado. E já no texto inicial ele mostra que o trabalho vai ser muito bacana. Os textos seguintes estarão disponíveis apenas para assinantes do Cinema em Cena. Vale muito a pena assinar, seja pelo projeto, seja pra manter o site no ar.

3 - Queridos diários - sobre se corresponder consigo mesma, através dos anos\
Texto lindo e emocionante da Sabrina Abreu sobre diários. Que, claro, me fez lembrar dos meus, de tudo o que já escrevi e já se perdeu, do que ficou guardado, do que foi digitalizado. É fato que escrevemos mais na tristeza e que a felicidade merece poucos registros escritos. Vale super a leitura. Vale mais ainda se for o gatilho pra começar (ou voltar) pros diários.

4 - A era do aluno-cliente
Do Alec Duarte, que sempre é uma luz pro jornalismo e, volta e meia, acaba respondendo às minhas inquietações. Sobre a universidade, os alunos, as formações e a vontade de ensinar. E sobre quem não quer realmente aprender. Tudo isso num texto muito curto e preciso.

5 - Consentimento é tão simples como chá - só dê uma xícara a quem quer
Do B9. Precisa falar mais alguma coisa? Só reforçar: seja chá ou sexo, consentimento é necessário e tem que ser respeitado.

6 - A gênese de uma religião
Texto muito bacana do João Varella para o Trilhos Urbanos sobre a diva Marina Abramovic, suas performances muito loucas e seu instituto. O texto é bem crítico, como é comum na produção do João Varella, e é muito bacana pensar nas nossas loucuras e como a Marina se aproveitou do momento para criar suas performances.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 7 de junho de 2015

Cabelo



Daqui.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Em Ouro Preto, uma igreja que pede socorro

Retomei a escrito pro Bom Será, que agora está no Medium, essa nova plataforma que conheço há pouco tempo e já considero pacas. Tenho gostado muito de tudo o que leio no Medium. Até usei a plataforma para pesquisas de temas que me deslocam. Há muita qualidade por lá, o que é ótimo. Há quem diga que o Medium vai matar os blogs. Pode até ser, mas não acredito. Acho que as mídias podem correr paralelas pela vida afora, que tem lugar pra todo mundo.

Meu primeiro texto no Medium foi uma matéria sobre uma igreja de Ouro Preto, no distrito de Cachoeira do Campo. É uma graça, com o forro da nave pintado com inspiração medieval. Muito lindo, mas sem verba para restauro e com risco de ser perdido. O link da postagem original é este aqui.


Em Ouro Preto, uma igreja que pede socorro
Igreja de Nossa Senhora das Dores, no distrito de Cachoeira do Campo, precisa de restauro


Foto: Leo Homssi


Era 2008 quando a Igreja de Nossa Senhora das Dores, no distrito de Cachoeira do Campo, em Ouro Preto, deu um sinal. Numa quinta-feira, uma das tábuas do forro se soltou e cai no chão com grande estrondo. A comunidade do entorno se assustou com o barulho. Felizmente, não havia ninguém lá dentro na hora da queda e não houve feridos. Porém, a tábua solta dizia muito: a igreja precisava, urgentemente, de uma intervenção no telhado, para não perder ainda mais o forro da nave e o outro, da capela-mor. A infiltração era grande, já podendo ser vista em várias partes do teto. A decisão foi fechar o templo e batalhar pela reforma.

Dois anos depois, em 2010, um motivo de comemoração: a igreja obteve o tombamento municipal e, em seguida, foi liberado um recurso do Fundo Municipal de Preservação, que possibilitou o conserto do telhado. O trabalho retirou oito caçambas de entulho e mostrou mais: mesmo que uma tábua do forro da nave tivesse se soltado, era o telhado da capela-mor que mais precisava de auxílio. Dele, quase nada foi aproveitado. Com o telhado pronto, a igrejinha pôde, enfim, voltar a ser aberta e a ter missas, que são celebradas uma vez por mês.

Em vez de respirar aliviada com a reforma, que protegeu os dois forros, a comunidade das Dores de Cachoeira do Campo precisou correr para conseguir mais intervenções na igreja. Os projetos elétrico, arquitetônico e de elementos artísticos foram licitados pela Prefeitura e estão prontos e aprovados. Mas ainda não foram captados.

“Como a igreja só tem o tombamento municipal, temos dificuldades em conseguir o patrocínio de empresas e órgãos públicos”,
explica Rodrigo Gomes, morador do distrito e um dos articuladores pelo restauro completo da igreja. A comunidade, a arquidiocese, a prefeitura de Ouro Preto e empresas privadas podem contribuir para o restauro, mas até o momento não houve avanços concretos. O valor total dos projetos está em torno de um milhão de reais.

Rodrigo explica que igrejas e outros bens com tombamento estadual ou federal podem conseguir verbas com mais facilidade, via bancos de incentivo. Foi o que aconteceu com a Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, também em Cachoeira do Campo, a primeira igreja brasileira a ser restaurada com recursos do PAC Cidades Históricas. “Sem esses outros níveis de tombamentos, estamos fora da prioridade”, esclarece. Mas ele acredita que, mesmo tendo apenas o tombamento municipal, a Igreja das Dores merece um olhar mais atento das autoridades. “Vendo como ficou a Matriz de Nazaré, a gente queria o mesmo para a Igreja das Dores. Isso dá esperança. Depois de ter batalhado tanto pela Matriz, meu próximo objetivo é conseguir o restauro daqui, mesmo que seja mais difícil”, pontua.

Rodrigo destaca que esta é a primeira igreja com invocação de Nossa Senhora das Dores construída no Brasil. “Encontramos um documento no Arquivo Ultramarino de Lisboa (Portugal) com a petição dos Irmãos das Dores para captarem esmolas a fim de construir a igreja. A Coroa Portuguesa concedeu. A data do documento é de 35 anos antes da data inscrita na cantaria do óculo: 1761”, conta Rodrigo. Depois desta, outras igrejas com a mesma invocação foram criadas no país.

Há uma tradição, não confirmada por registros históricos, que diz que a Igreja das Dores de Cachoeira do Campo foi utilizadas pelos Inconfidentes para fazer suas reuniões e, também, para vigiar o palácio de campo do governador. A casa pode ser avistada do alto da torre. Hoje, funciona ali um colégio de freiras.


Cemitério
O cemitério, ao lado da igreja, é anterior à construção do templo. Isso porque o local foi escolhido às pressas, para sepultar os corpos dos combatentes da Guerra dos Emboabas, que teve o seu apogeu no distrito, em frente à Matriz de Nossa Senhora de Nazaré. Foi chamado de Monte Calvário o alto do morro escolhido para o sepultamento, sem identificação, dos mortos em combate. Posteriormente, foi construído o muro de pedras que cerca a área. A Igreja das Dores foi construída ao lado, alguns anos depois. O cemitério passou a ser responsabilidade da irmandade. Por conta disso, não foi necessário utilizar campas de madeira no interior da igreja, e o chão foi calçado com lajotas de barro cozido. Em duas delas, destaca-se o registro das patas de um cachorro, que provavelmente foram feitas no mesmo local.

Foto: Leo Homssi



Interior
A Igreja de Nossa Senhora das Dores se destaca pela simplicidade. O interior singelo tem elementos bastante simples e, por isso mesmo, harmônicos. O chão de lajotas de barro cozido já informa: é uma igreja mais sóbria, com menos elementos artísticos, tão característicos do período barroco. O púlpito e sua escada, ambos em madeira, também deixam claro que a irmandade responsável pela construção do templo não era rica.

Porém, uma coisa salta aos olhos de qualquer visitante. O forro da nave, que retrata os passos da Paixão de Cristo, do Horto das Oliveiras até a ressurreição, foi pintado por um artista anônimo com inspiração medieval. “Na época, chegaram ao Brasil bíblias ilustradas com imagens medievais. É possível que elas tenham servido de inspiração para quem trabalhou aqui”, explica Rodrigo Gomes. Os quadros foram pintados com esmero e trazem um estilo totalmente diverso do barroco mineiro. Eles terminam com três imagens após a ressurreição de Jesus, que mostram anjos segurando os objetos do flagelo de Cristo (os cravos e a coroa de espinhos) e a toalha que secou o rosto do Messias, onde sua face ficou gravada. Faz parte desse forro a tábua caída em 2008. Ela está guardada, no coro, aguardando o restauro. A reforma do telhado possibilitou o escoramento do forro, o que impede que outras tábuas se soltem.

Com a construção posterior das torres, dois desses últimos quadros da via sacra do forro foram cortados. Apenas uma das torres tem sinos, com data de 1810 e 1898, e somente por ela é possível avistar o antigo palácio de campo do governador.

Ainda na nave, o solitário altar lateral possui retábulo em madeira, imitando elementos artísticos que seriam feitos em madeira talhada e posteriormente dourada, caso houvesse recursos para isso. Em cantaria, apenas duas pias de água benta, ladeando a porta de entrada.

A capela-mor tem uma particularidade, também no forro. Há uma pintura primitiva, vista apenas por meio de dois recortes, já que várias camadas de tinta foram passadas por cima. É possível que o restauro consiga mostrar mais dessa pintura original.

Por cima da tinta há um enorme ex-voto, feito a mando de um fidalgo da região, não identificado. A pintura retrata Nossa Senhora das Dores morena e de sandálias, com o coração transpassado por seis espadas. A sétima é infligida pela própria santa no peito de um fiel que está aos seus pés. Em latim, a inscrição “Consoladora dos aflitos”. No chão, uma tentativa de representar o piso de cerâmica da capela. “Este é considerado um dos maiores ex-votos do Estado”, afirma Rodrigo, apontando para o teto.

Uma das tábuas do teto da capela-mor também caiu, após o fechamento da igreja e antes da reforma do telhado.


Imagem
A imagem de Nossa Senhora das Dores foi construída em roca e pintada, sob as roupas, com finos desenhos de motivos florais. O mesmo desenho está na parte interna do oratório que abrigava a imagem quando ela chegou à igreja. O coração da virgem, como é tradicional na iconografia cristã, é cravejado por sete espadas. A imagem tem os braços articulados.

Quando a tábua do forro caiu, a imagem foi retirada da igreja e está, até hoje, guardada em local seguro e não revelado. Além do risco de danos, com o problema do telhado, ainda há a questão da segurança, contra roubos. Porém, ela volta ao altar em todas as missas que são celebradas no templo. Também é a imagem que sai às ruas em Cachoeira do Campo, durante a celebração da Semana Santa.

Foto: Leo Homssi

  

Devoção a São Judas Tadeu
Quando a comunidade das Dores estava aflita, ansiando pela solução do problema do telhado, foram feitas novenas e encontros de oração. Veio, aí, a decisão de apelar para São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis e desesperadas. Quando a igreja teve o telhado reformado e pôde ser aberta novamente, a devoção a São Judas Tadeu continuou. A imagem do santo foi inserida durante uma cerimônia oficial, devidamente abençoada.


Visitação
A Igreja de Nossa Senhora das Dores de Cachoeira do Campo está fechada para visitação. Porém, é possível agendar com a paróquia, pelo telefone (31) 3553–1796, visitas com acompanhamento dos paroquianos, seja para turistas ou para escolas.

Devido à proximidade com a Igreja Matriz, as missas na igreja são realizadas sempre no quinto sábado dos meses impares, às 19h.

A novena perpétua em honra a São Judas Tadeu é realizada todo dia 28, com a abertura da igreja às 18 h e a celebração às 19h, exceto aos domingos, onde a igreja fica aberta de 15 às 17 hs.


Serviço:

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Livro: Dois irmãos



Estou prevendo que os dois anos de mestrado serão de muita leitura técnica, muitas estatísticas, muitos gráficos,  muitos textos em inglês e espanhol, muitos livros extras e quase nenhuma literatura. Por isso, estou valorizando ainda mais o Clube de Leitura da Set Palavras. O último livro foi Dois Irmãos, do Milton Hatoum. A indicação foi da minha xará, a Aline. E que livro legal!

O livro se passa em Manaus, de pouco antes da Segunda Guerra até os anos 2000, e conta a história da família de Halim e Zana. Os dois são descendentes de libaneses e se conhecem no restaurante do pai de Zana. A paixão é imediata e logo vem o casamento. Halim não quer ter filhos, mas após a morte do pai, Zana é implacável e resolve engravidar. Nascem o gêmeos Yaqub e Omar. Logo depois, vem Rania. Como não poderia deixar de ser em um livro com esse título, os gêmeos são opostos, quase como as duas faces de uma mesma moeda. Yaqub é muito racional, estudioso, obediente. Omar é pura sensualidade, muito sedutor e malandro. Ao nascerem, Omar passou por um problema de saúde e, desde então, Zana ficou cheia de cuidados com ele, a ponto de não mais esconder sua preferência pelo caçula dos gêmeos. Yaqub ficou sendo cuidado por Domingas, a garota indígena que serviu a família quase que como uma escrava. Óbvio que o mais velho se ressente, tanto da falta de carinho da mãe quanto da falta de atitude do pai. Halim só quer saber de estar com Zana na rede e acredita que os filhos vieram para atrapalhar seus momentos de amor.

Mas aí aparece a Lívia, sobrinha de uma das vizinhas da casa, e a relação dos irmãos, que já era tensa, fica ainda pior. Omar agride Yaqub e Halim acha que é hora de mandar os dois para o Líbano. Mas Zana se revolta e não deixa Omar ir. Quem é apartado da família é Yaqub, com uma cicatriz no rosto, provocada pelo irmão.

Quem conta a história é Nael, filho de Domingas. É um observador atento e curioso, com uma narrativa muito envolvente. Ele quer descobrir uma questão importante de sua vida, que envolve a família dos patrões de sua mãe. Enquanto observa o caçula Omar sendo paparicado por Zana, Yaqub e sua fuga para São Paulo, o papo arrastado de Halim, o sofrimento de Domingas e a força de Rania. A força da tecitura do texto é grande. Foi inevitável me lembrar de Cem anos de solidão. Não pelo tamanho - Dois irmãos é um livro até bem fininho. Mas pela forma com que a história da família é contada.

Além da forma, da organização do texto, da trama de uma cidade tão misteriosa como Manaus, da forma sutil como o autor toca nas relações estilo casa grande e senzala, o silêncio de Domingas, a loucura de Zana (falam tanto da mãe judia... acontece que depois de ler, fiquei com medo é da mãe árabe), ainda tem Nael tentando encontrar um caminho em meio a tantas pontas soltas, tantas histórias sem um ponto final.

Uma parte da história me tocou profundamente, mas não vou falar sobre ela, porque ainda dói. Foi a única parte do livro que marquei, mas o post-it foi retirado da página para ser dado a uma pessoa que precisava. Mesmo assim, consigo alcançar o texto, reler os três parágrafos e deixar as lágrimas correrem. Que livro intenso!

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 2 de junho de 2015

Citações 103


De Anatomia dos mártires, de João Tordo:


"Preocupo-me com os meus colegas, torno a dizer." Juntou os dedos das duas mãos. "Uma redação é como um corpo de elementos integrados. Se um falha, os outros ressentem-se. Para além disso, e embora me custe dizei-lo, até acho que és um bom jornalista". 


_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 1 de junho de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #72

1 - Parabéns pra mãe que a mídia não mostra
Mais um texto lindo da Déa, do Lagarta Vira Pupa, sobre o Dia das Mães, a publicidade, a exclusão. Importante falar sobre isso. E a Déa faz um trabalho muito bacana.

2 - Minha avó
Um texto bastante interessante sobre família e aceitação e, de quebra, sobre ficção. Do Santiago Nazarian, que é um autor muito bacana. O texto me fez lembrar da minha avó e de como ela era cabeça aberta, muito à frente do seu tempo. Saudades, vó!

3 - Quando o assunto é racismo, os "Fofos" não são tão fofos assim
Do Lugar de Mulher, sobre a black face no teatro e como esse recurso é perverso. Acabou que a discussão descambou pra outros tipo de preconceito. Vale a pena ler e aprender sobre representações.

4 - Quatro mulheres e uma história de sobrevivência
Texto muito bacana da Aline Valek sobre Four Women, uma história em quadrinhos que trata de abuso e sobrevivência. Não tenho noção alguma de quadrinhos, hq, mangás e as outras variações. Depois do texto, tive vontade de ler este.

5 - Ser mãe não é sobre filho
Texto lindo da Clara Averbuk no Lugar de Mulher. Ela avisou, pelo Twitter, que o que iria escrever iria desagradar muitas pessoas. Não me desagrada, gosto muito dos textos dela. E concordo que existe essa cobrança absurda.

6 - Não pode: ser uma megera indomável
Mais Lugar de Mulher. Dessa vez, com a Mari Messias. Porque tem gente que ainda pensa que o lugar da mulher é o da docilidade, da aceitação. E não é. Amo esse Lugar de Mulher!

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...