domingo, 29 de novembro de 2015

Belo



Daqui.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Portugal - O artigo e a apresentação

Saga Portugal, parte 2.

Resumo aceito, tava na hora de fazer o artigo. Ok, essa não é a forma ideal. Primeiro você escreve, depois submete. Mas como alguns contrários funcionam na minha vida, dessa vez calhou de ser assim: primeiro o resumo, depois o artigo.

Meu artigo previa uma coleta de dados enorme. Foi ingenuidade propor isso. Não havia tempo hábil pra tudo o que eu propus. O que aconteceu? Enlouqueci fazendo a coleta em cada microtempo disponível. Terminei em cima da hora, quase indo pra prorrogação. Ufa! Foi um alívio sem nome quando botei um ponto final na coleta. E ainda faltava análise, escrita, apresentação. Foi pirante, mas foi muito legal. A lição: cuidado com o tamanho do que você se propõe a fazer.

Tudo pronto, bora pra Portugal. O congresso aconteceria em Coimbra e já tínhamos decidido passar uns dias no Porto. Enquanto estivesse no Porto, eu iria me divertir, fazer bastante turismo, me entupir de pastel de nata e arrumar umas bolhas nos pés, porque iria caminhar muito. Mas na ida pra Coimbra, defini que seria hora de estudar a apresentação. E assim foi: na estação de Campanhã, à espera do trem, e dentro do trem, revi a pesquisa e a apresentação, li coisas adicionais, listei possíveis perguntas.

Dormi mal - ok que tinha uma festa no andar de cima, mas nem foi por isso. Sempre fico nervosa em apresentações, odeio falar em público. Ossos do ofício de um mestrado acadêmico... Minha apresentação era às 10h. Pelo menos, o tremor e o suor nas mãos iam passar logo.


Foto: Leo Homssi

Os meus companheiros, Leo e Lu, disseram que me saí bem. Foram poucas perguntas, mas tive segurança pra responder - afinal, valeram as horas e horas em cima da coleta de dados e da análise. Foi uma ótima segunda experiência em congressos, porque tirou o trauma da primeira - talvez, se ele passar, eu conto como foi.

À tarde ainda teve as apresentações das minhas colegas de mestrado. Tudo certo, tudo em ordem.

A primeira parte da ida a Portugal pode ser lida aqui.
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Citações 127

De O outro pé da sereia:


A mãe, serena, explanou: o assassínio nasce da torpeza da alma. Mas não: a vontade de matar nasce das miudezas do dia-a-dia, desse amanhecer sem história em que se convertem as nossas vidas. Não são os grandes traumas que fabricam as grandes aldades. São, sim, as miúdas arrelias do cotidiano, esse silencioso pilão que vai esmoendo a esperança, grão a grão. 

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #91

1 - Emanuelle, Aylan e nós
Do Rovai. Da tristeza que foi Mariana, a barragem, o Bento e os outros distritos, o rio, o curso da vida. Estive em Mariana no dia seguinte ao rompimento da barragem. Havia um clima cinza no ar. Estranho falar em cor para clima, mas era exatamente isso. Doeu ver pessoas chorando pelas ruas. Por outro lado, foi bom ver a corrente de solidariedade. Fica o desejo de que não sejamos cúmplices desse enredo.

2 - Da tristeza...
Da Simone Miletic, também sobre Mariana, mas com o acréscimo de Paris e das intolerâncias que vêm com as trocas de avatares. Sobre como os brasileiros têm algumas dificuldades para com a solidariedade, talvez porque não tenham passado por grandes guerras. Acho que faz sentido.

3 - Lama de Mariana: como o jornalismo é engolido nas grandes tragédias
Do Sakamoto. Considerações importantes sobre Mariana.

4 - "Você é corrupto ou estava dormindo?": a arte de entrevistar
Do André Barcinski. Pena que pros lados de cá a gente não vê esse tipo de coisa...

5 - Respeito é o mínino
Do Lugar de Mulher, por Mari Messias. Conheço um caso semelhante ao que apresentam aqui. Aliás, conheço vários. E só penso que tá tudo ao contrário, que tá precisando mesmo chegar o segundo sol, o meteoro, o apocalipse.

6 - Pugliesi e a cultura da magreza a qualquer custo
Do Lugar de Mulher, texto da Clara Averbuck. Gente, gente!!! Em que planeta mora esse ser vivo que propõe divulgação de nudes se sair do peso atual??? Meodeos, alguém sacode essa menina, pra ela acordar pra vida?

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domingo, 22 de novembro de 2015

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Portugal - A partida

Obra de Rogério Fernandes no Terminal 3 de Confins

Tudo começou na minha primeira reunião com meu orientador. Ele me sugeriu enviar um resumo para um congresso internacional. #medo. Portugal, Coimbra, novembro. Uma semana para propor o resumo. Uma semana enlouquecedora para ter um resumo decente e enviar. Depois, alguns meses esperando a resposta do congresso. Ela veio positiva, e lá fomos nós começar a planejar a ida a Portugal.

Pra chegar em Coimbra, podíamos escolher duas possibilidades: por Lisboa ou pelo Porto. Por questões orçamentárias, decidimos pelo Porto. Queríamos, muito aproveitar um pouco do tempo para fazer turismo. A Europa é um sonho antigo, desde a minha época de leitora voraz do Tesouro da Juventude. Meu foco sempre foi a Itália, mas Portugal também estava na lista de prioridades. Lisboa e sua Torre de Belém me arrancam suspiros. Por outro lado, o Porto é a terra natal de dois grandes amigos meus, o Emanuel e o Eduardo. Sempre tive um carinho enorme pela cidade, mesmo sem conhecê-la.

Batido o martelo para o lado do Porto, fomos operacionalizar a ida. Primeiro, as passagens aéreas, conseguidas em uma mega-promoção da TAP. Avisei as duas companheiras de mestrado que iriam conosco e todos marcamos as datas. Uma delas resolveu ir para Lisboa. A outra, Leo e eu adotamos. Foi com ela que decidimos os lugares onde ficaríamos (tudo pelo AirBnb, que nos proporcionou três apartamentos maravilhosos) e o que faríamos durante os dias de turismo e de congresso. Queríamos muito que tudo fosse legal.

E foi. Desde o nosso encontro no aeroporto de BH (de onde vem a imagem acima, num painel do Rogério Fernandes) até a nossa separação, na rodoviária de Ouro Preto. Andamos muito, rimos muito, vimos muita coisa linda, fizemos planos, fotografamos. E viajamos pra Coimbra, e fomos juntos ao congresso, eles me dando força em minha apresentação; Leo e eu dando força a ela em sua vez. Dividimos casa, compras, pizzas, a subida dos 225 degraus da Torre dos Clérigos, o pôr-do-sol na beira do Douro, a noite de Coimbra, as mancadas com o jeito português de ser.

Vou contando aos poucos como foi. :-)

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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Livro: Palavras cruzadas



O livro Palavras cruzadas é o lançamento da escritora (e minha professora) Guiomar de Grammont. Foi escolhido para o Clube de Leitura da Set Palavras, para o mês de novembro. Uma coisa bem bacana é que vamos receber a autora para uma pequena palestra sobre a obra.

Esta é a história da busca de Sofia pelo paradeiro do irmão, Leonardo foi um dos participantes da Guerrilha do Araguaia, e não há notícias dele, muitos anos depois do fim da ditadura. Sofia sente um vazio no peito, uma necessidade que só pode ser preenchida com conhecimento: o que aconteceu com Leonardo? Terá morrido? Terá sobrevivido? Pode ter fugido? Para onde? Viveria sem poder entrar em contato com a família? São muitas perguntas e quase nenhuma resposta. Mas Sofia é uma jornalista que quer procurar. E entre entrevistas e viagens, recebe um relato diferente: o diário de uma guerrilheira do Araguaia, contando o dia a dia dos treinamentos, a dureza da vida, a aspereza do comando, a esperança daquela guerra acabar.

O pai de Sofia já é falecido. Morreu sem saber o destino do filho, sem conseguir se perdoar por ter sido tão duro com ele. A mãe vive até hoje na mesma casa, na esperança que Leonardo volte e chame por ela, do quintal, ou que entre de surpresa pela porta da cozinha e cubra seus olhos com as mãos, para que ela adivinhe sua presença. Na ânsia de descobrir a verdade, Sofia corre atrás de pistas que podem levar ao irmão.

O livro é de uma sensibilidade tremenda! Até a metade, me peguei perguntando como aquela história terminaria, já que a tendência era não haver surpresas. A trama pode não ter sido surpreendente, mas a forma foi. Foram muitas lágrimas durante a segunda metade do livro, partilhando essa sensação de vazio, de história não escrita, de ferida aberta. Muita dor para ser expurgada, posta pra fora, lavada, ressignificada.

Lido em dois dias, sentido por muito tempo.

Da Guiomar, já li Don Juan, Fausto e o Judeu Errante em Kierkegaard


Olha que fofo!
Se ela disse (pela segunda vez) que eu sou escritora, vou começar a acreditar! 


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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Citações 126

De O outro pé da sereia:


De vestido escuro, vergada sob o peso da tristeza, Filipa Caiado confessou:
- Sabe uma coisa? Não há momento em que não me chegue a imagem do elefante afundando nas águas...
- A senhora viu essa cena tão triste?
- Não era triste, Dia. 
- Não era triste? O bicho fechado na jaula, afogando-se no mar?
- Para quem vive numa jaula, afogar-se é o melhor que pode suceder. 

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domingo, 15 de novembro de 2015

Anyone else but you

Hoje completamos sete anos de casados. A comemoração vai ser um jeito bem diferente do que sempre fizemos. Depois conto.

O que eu queria dizer hoje é que, quanto mais o tempo passa, mas eu tenho certeza.





E aqui tem o link pra música completa, também da trilha de Juno.

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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Citações 125

De O outro pé da sereia:


Quando Mwadia se apercebeu estava no cemitério da Vila. A mãe apontou uma sombra e sentou-se no chão. A filha imitou-a, entendendo o propósito daquela visita. Do cesto retirou um livro antigo e começou a ler. Mão e filha cumpriam o velho costume caseiro de respeito pelos ausentes. Como dizia Constança:
- Os mortos não querem flores, mas companhia. 

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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #90

1 - Rastros de ódio
Do Mário Magalhães, sobre aquele episódio lamentável na Livraria Cultura. Fico sem entender como tem gente que acha que vai mudar a opinião de quem pensa diferente dele aos gritos e com agressões. Em tempo: não tive estômago pra ver o vídeo inteiro.

2 - Libertar-se do papel de macho-idiota ou ser vetor do sofrimento alheio?
Do Sakamoto. Sobre como a criação de crianças do sexo masculino (sexo, não gênero) é prejudicial a elas e às mulheres. Criam-se monstros, espalha-se o terror. Todo mundo sofre. Bonito isso, não? #ironiamodeon

3 - Saudades do futuro
Texto lindo do João Carlos Firpe. Como sempre.

4 - A maior barreira na adoção da tecnologia são as pessoas
Do Mauro Segura, sobre a nossa resistência em mudar. O blog A quinta onda é muito bacana, uma das minhas leituras favoritas. E o texto faz pensar em qual, afinal, é o nosso Uber, aquele que nos coloca de frente com a mudança.

5 - Sobre o "outro tipo" de abuso
Em dias em que, finalmente, os abusos têm sido tema da agenda pública, eis que o site Temos que falar sobre isso traz um texto necessário sobre um tipo de abuso infantil que me é caro. Meus amigos sabem que não corro atrás dos filhos deles, não faço gracinhas pra eles, não peço beijo ou abraço. Porque penso que criança precisa ter seu próprio espaço e esse espaço não deve ser violado. Criança não é bem público, que tem que ser obrigada a ir no colo da galera, ter bochechas apertadas e distribuir beijos e abraços sem ter vontade de fazer isso. E é esse toque forçado que pode favorecer o silêncio num caso de outros tipos de abuso, especialmente o sexual. Sou super favorável a deixar as crianças na delas.

6 - Uma mulher tem sofrido ameaças por causa de um site fake e ninguém faz nada. O que está acontecendo com a gente?
Da Carol Patrocínio, no Medium. Juro que ando mesmo torcendo pro meteoro. No fundo, pra ele atingir que dá audiência pros Olavos e pros Rogers da vida.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 8 de novembro de 2015

Pra Portugal de navio




Trilha sonora do dia, porque uma hora dessas eu vou, mas não é de navio :-)

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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Prioridades

Passei a semana reclamando que nada ia dar tempo. Muita coisa esquisita aconteceu. E sempre acontece quando preciso adiantar coisas do trabalho. Terça-feira e o desespero já estava batendo.

Daí que ontem um amigo de um jornal de BH me liga pedindo contatos para falar sobre a barragem que se rompeu em Mariana, no distrito de Bento Rodrigues. Pensei que não seria algo tão sério, já que ele pedia o telefone de autoridades e de moradores do distrito. Mas as notícias que foram vindo eram mais do que terríveis. Ainda desencontradas, falando em 16, 20, mais de cem mortos. Imagens de sobrevoo do local, muita lama, tudo fora do lugar. Imagens sem som, mas que gritavam, ainda gritam. 

Fiquei pensando na volta pra casa. De quem conseguiu sair do distrito, mas perdeu tudo. Não tem casa pra voltar. Não tem lar, não tem abrigo, não tem colo. Não no sentido do aconchego. Pq casa é mais que construção onde se habita. Casa é muito mais que isso. É a certeza de ter um lugar - físico ou espiritual - pra onde se pode voltar sempre. E esse desamparo de perder a casa quase nunca é consertado com um outro abrigo, outra construção. 

Perde-se referências demais, numa tragédia como essa. Coisas sem preço, sem qualquer tipo de reposição. Fotos, laços, cartas, objetos de afeto. Um sem número de "porcarias boas", como dizia a Tia Ylza para se referir aos seus guardados que só o amor explicava. Como reconstruir uma vida sem esse tipo de âncora?

Entre parênteses: o que é o meu desassossego do dia a dia frente a uma dor como essa? 




terça-feira, 3 de novembro de 2015

Citações 124

De O outro pé da sereia:


Nesses últimos dias, Mwadia fechava-se no sótão e espreitava a velha documentação colonial. Agora, ela sabia: um livro é uma canoa. Esse era o barco que lhe faltava em Antigamente. Tivesse livros, ela faria a travessia para o outro lado do mundo, para o outro lado de si mesma. 

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


domingo, 1 de novembro de 2015