segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #102

1 - Longe da árvore
Texto phoda da Cris Bartis no Lugar de Mulher. A Cris é uma das comandantes do melhor podcast do Brasil, o Mamilos. E aqui ela fala sobre o episódio dos pais adotivos que vestiram o filho de macaco no carnaval, em BH. Com uma visão muito bacana, a Cris põe o dedo na ferida.

2 - As livrarias se tornaram supermercados
Do Afonso Borges (do Sempre um Papo), no Globo. Sobre o mercado de venda de livros. E agradeço imensamente à Set Palavras, por ser uma daquelas livrarias em que se pode conversar sobre livros. E ao Valter, meu livreiro favorito, que indica livros como ninguém. Amor eterno, amor verdadeiro.

3 - Carta de adeus para as startups
Da Nina Lemos. Que texto phoda! Nina, te amo!

4 - As mulheres e as roupas
Do Lugar de Mulher, sobre o desfile com o uniforme novo do Galo, a objetificação da mulher e a resposta do Domenico, da assessoria do clube. Não, Galo, não! Você fez tudo isso errado! E está me deixando com muita vontade de abandonar a vida de torcedora.

5 - Os dez maiores filmes mudos
Do Luiz Zanin, com uma lista muito bacana de filmes mudos. Adoro! Não vi alguns indicados, então fica uma lista de indicações pra mim mesma :-)

6 - Umberto Eco: lembre 15 frases do autor italiano
Do Portal EBC. Foi-se um dos meus ídolos. Com quem sempre mantive uma relação de amor-ódio. Isso porque o Eco é tão erudito, mas tão erudito que dá raiva. Porque eu sempre quis ser como ele e nunca vou conseguir. A parte do amor é porque todos (sem exceção) os livros dele que são são maravilhosos. Teóricos ou de literatura. Ele é o cara. Sempre será!

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...

domingo, 28 de fevereiro de 2016

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Nos muros de Coimbra

Coimbra tem muitas coisas interessantes. Uma das que mais me chamou atenção foram os muros pixados da cidade velha. Aqui em Ouro Preto quase não há pixações, ao menos no centro histórico. Exceto um bando de babacas que veio de Vila Velha e assinou o nome da cidade em várias casas do centro - e sim, só um babaca pixaria a cidade -, quase não há esse tipo de intervenção. Na parte nova da cidade há grafites, mas pixações são raras.

Lá em Coimbra há pixações e, também, grafites com stêncil. Gostei mais desses, com palavras de ordem feministas, crítica social, crítica política. Segue um pouco do que vimos por lá:

Leo pira: capa de um disco do NOFX nas ruas de Coimbra!
 
Cartaz de show de banda punk! Leo pira - parte 2

Adesivos de todos os tipos
 
Críticas ao então presidente português, atualmente ex-presidente

Feminismo nos muros!

Mais feminismo nos muros!

E se reclamar, vai ter mais! 

Muros de Coimbra, um caso de amor!

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Livro: Indefensável



O caso do goleiro Bruno mexeu muito comigo. Por conta da crueldade, por conta da cobertura jornalística. Com certeza, daria um livro. Nasceu Indefensável, escrito por três jornalistas que se envolveram na cobertura do caso, um deles ainda quando Eliza Samúdio denunciou Bruno e seus amigos por cárcere privado e otras cositas más. Leslie Leitão, Paula Sarapu e Paulo Carvalho mergulharam na história e narraram a triste história do goleiro que se achava superior a todo mundo, inalcansável pela lei, com um prestígio que o poderia se livrar das consequências de qualquer ato.

Indefensável conta a história de Bruno, da infância pobre em Ribeirão da Neves, a família desestruturada, o começo nos campinhos de futebol, nas peneiras, tentando fazer do esporte sua profissão. Também fala do início do namoro com Dayanne, a primeira namorada e primeira esposa, com quem teve duas filhas. O livro dá a entender que ela não teve participação no assassinato de Eliza, mas também aponta que sua absolvição pela justiça veio por conta de um acordo entre defesa e promotoria.

Também traz a história de Eliza, sua vida familiar conturbada, a escolha por tentar a vida em São Paulo, por fazer filmes pornô e tentar entrar no mundo do futebol. A narrativa apresenta a moça como ótima mãe, muito preocupada com o filho. Não sei... não consegui comprar o tanto que insistiram nisso. Pode ser porque um dos jornalistas conhecia Eliza e via de perto sua atuação como mãe. Mas a repetição de "Eliza era uma ótima mãe" ao longo do texto me indicou que queriam forçar isso para o leitor.

Também me incomodei com o tanto de vezes que os autores escrevem que Bruno estava normal depois do assassinato de Eliza, que talvez estivesse mais introspectivo, que talvez pensasse em seus atos, mas pontuam com um "nunca saberemos", que distoa completamente da narração jornalística que a obra segue. As adjetivações são bem cansativas, ao longo do texto. Tiram o caráter jornalístico da pesquisa.

Como apuração jornalística, o livro é bem interessante. Tem informações que não vi na imprensa (podem, sim, terem passado batidas, podem nunca terem sido publicadas). Tem apuração mesmo. Mas também tem algumas informações imprecisas. A cor da mala da Eliza é uma delas. Mas tem outras ao longo do texto. Há momentos em que a narrativa fica bem confusa, quase como uma colcha de retalhos ainda em construção, ou as peças de um quebra-cabeças desconectadas, espalhadas pela mesa. Faltou revisão, será? Foi pressa para publicar o livro e não perder o calor dos acontecimentos?
Acho que sim. O que não é um pecado, mas atrapalha a edição.

Enfim, acho que é uma boa história jornalística, mas o tratamento do texto não foi legal. Li a 2ª edição, então acredito que devem ter corrigido algumas coisas. Mesmo assim, acredito que ainda precise de mais uma revisão atenta.

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Citações 140

De Nova gramática finlandesa:


Em finlandês, 'Bíblia' se diz Raamattu, isto é, 'Gramática'. A vida é um conjunto de regras. Fora da regra, é o erro, a incompreensão, a danação. 


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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #101

1 - A vida não tem backup
Da Nina Lemos. Recentemente, ela perdeu todos os textos de um blog que tinha, e do qual não havia backup. Gostei porque eu já deletei coisas que não poderia e, não satisfeita, deletei a lixeira. Sem ter backup. E também porque gosto da visão positiva da Nina sobre a falta do dito.

2 - O segundo luto do autismo
Da Déa, um texto muito lindo, muito sensível, como sempre. Pra pensar em toda a idealização que carregamos conosco e como isso pode ser frustrante. Pra aprender que o que vem na nossa vida, por pior que pareça, de início, pode render um ótimo aprendizado.

3 - Saudades dos Pierrots apaixonados ou deixem as minas em paz, porra!
Da Claudia Giudice. Sobre a machistice generalizada, mas mais intensa durante os dias de carnaval. Deixem as minas em paz, porra!

4 - Alguma coisa está mudando...
Da linda da Bel, sobre as músicas de carnaval (em especial a do Bell Marques e a Paredão Metralhadora) e o empoderamento feminino. Belzinha detecta mudança, que é mais do que bem vinda.

5 - Os encontros amorosos de uma menina de 11 anos
Da Nádia Lapa. Porque dá vergonha viver em um mundo em que, além de culpar a vítima, a mulher ou qualquer oprimido, ainda tem uma mídia que reforça essa cultura. Mais do que vergonha, dá raiva mesmo.

6 - Não me ligue, mande mensagem
Do El Pais Brasil. Desde que nasci sou adepta: não me liguem! Prefiro muito mais resolver por email, messenger, WApp, ICQ, sinal de fumaça que telefone.

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domingo, 21 de fevereiro de 2016

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Coimbra, a Ouro Preto do mundo bizarro

Coimbra num sábado de sol

O objetivo da nossa viagem pra Portugal era o congresso em Coimbra. Passamos pelo Porto pra turistar e amamos a cidade. Muito mais do que gostamos de Coimbra. É que, depois do Porto, pouca coisa teria a capacidade de nos deslumbrar. Além do mais, por ser uma cidade universitária, Coimbra nos lembrou muito Ouro Preto. Daí, começamos a falar dela como a Ouro Preto do mundo bizarro.

O Mundo Bizarro é um planeta fictício das histórias do Super-Homem. É em tudo oposto à Terra, como se fosse o nosso planeta visto por um espelho. A proposta era mostrar o outro lado. O meu mundo bizarro - é meu e eu monto ele como eu quiser - é baseado na semelhança, não no contrário. Vejamos como Ouro Preto e Coimbra se parecem:

Cidade universitária
Diz a lenda que a instalação da Escola de Minas e da Escola de Farmácia em Ouro Preto seguiu o modelo da Universidade de Coimbra, bem mais antiga e uma referência no Brasil. Os filhos da elite brasileira, na época da colônia e do império, iam a Coimbra estudar.

Os estudantes de Coimbra que estão no último ano usam uma capa preta - inspiração para J. K. Rowling quando criou os uniformes de Hogwarts. Os calouros de Ouro Preto costumavam usar placas indicando seus apelidos e em que república moram. Hoje, só poucas repúblicas particulares mantêm as placas. Nas federais, as placas são usadas dentro das casas, não mais nas ruas.

Pátio da Universidade de Coimbra

Biblioteca Joanina, famosa pelo acervo, pela arquitetura e pelos morcegos!!


Repúblicas
As duas cidades recebem estudantes de todos os cantos. Eles se agrupam em repúblicas e usam de muita irreverência durante sua estadia nos municípios. Em Ouro Preto, moro em frente a quatro repúblicas. Em Coimbra, fomos vizinhos de uma, a República dos Kágados.

Olha essa fachada na cidade velha!

Ruas estreitas e transporte público especial
Aqui em Ouro Preto, temos ônibus intrabairros pequenos, chamados pelo pessoal da concessionária de "cabritinhas". Em Coimbra, o ônibus que vai pra Sé Velha consegue ser ainda menor. Cabem apenas oito pessoas sentadas. É o transporte dos idosos, porque eles, realmente, têm dificuldades para subir as ladeiras.

Aqui na porta da minha casa passa um ônibus que também vai pra Santa Cruz!

Ladeiras
Todo mundo sabe que, pra andar em Ouro Preto, tem que ter disposição pra subir e descer ladeiras. E não é que em Coimbra também? A cidade baixa é bem plana, mas a cidade velha fica no alto de uma colina. É lá que tem as ruelas e muitos becos, com muita subida e muita descida.

Uma das ladeiras mais famosas de Coimbra é a rua de Quebra Costas. É um charme, super gostoso pra passear descendo, mas um tanto difícil pra subir. Tal como as ruas de OP.


Sobe ladeira - desce ladeira

Festas às quintas
Aqui em Ouro Preto, as quintas-feiras são dias de "social", quando uma república masculina visita uma feminina, e vice-versa. É hora de descontrair, beber, dançar, namorar e sabe-se lá o quê mais. A Isabel, nossa anfitriã em Coimbra, nos contou que quinta também é dia de festa por lá, porque não há aulas às sextas-feiras. As sextas são dedicadas às orientações e reuniões de pesquisa. Assim, os estudantes aproveitam as noites de quinta para fazer a festa.

Nas noites de quinta, Coimbra e Ouro Preto se encontram em festa
Foto: Leo Homssi

Ruas de Coimbra que lembram Ouro Preto
Não deu pra fotografar tudo, mas em algumas ruas da cidade velha de Coimbra, senti que esta em Ouro Preto.

Parece a ladeira de São José, de OP




Tal como a Igreja do Pilar, de OP, a Igreja de São Bartolomeu, de Coimbra,
não pode ser fotografada por inteiro, de frente

Nomes curiosos nas ruas
Além da rua do Quebra Costas, Coimbra tem outras ruas com nomes curiosos, tal como Ouro Preto, tem que tem a rua da Escadinha, o Largo da Alegria e outras.

Nesta rua fica o Grande Hotel de Paris! 

Olhei bem pro chão pra ter certeza de que não haveria rãs por lá


Achei um gato por lá, mas ele não me deixou publicar sua foto


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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Livro: A garota no trem



Fiquei muito a fim de ler este livro, mas fui deixando o hype passar. Primeiro porque, na capa, tem uma frase que o compara a Garota exemplar, que eu amei. Depois, porque eu li o outro livro da Gillina Flynn,  Objetos cortantes, e queria dar um tempo desse topo de leitura. E tem o agravante: tem "a garota" no título. Então, deixei de lado, mas o volume caiu em cima de mim e lá fui eu descansar no capítulo um da dissertação com a leitura de A garota no trem, durante dois dias, antes de dormir.

A garota do título é a Rachel, a protagonista que mais precisa de um choque de realidade nesse mundo. Ela é insegura, mente compulsivamente, bebe loucamente e tem uma fixação com uma certa família que vê, todo dia, do trem que a leva do subúrbio a Londres, onde ela finge que trabalha. Rachel é divorciada - seu marido se casou com outra mulher e tem uma filhinha - e a dissolução do casamento mexeu com ela a ponto de viver querendo voltar, de intensificar o álcool em sua vida e ser demitida do trabalho por aparecer bêbada por lá. Ela mora de favor com uma amiga e a engana, porque não tem coragem de contar que perdeu o emprego. Por isso, todos os dias ela pega o trem para Londres pontualmente, como se fosse pro trabalho, e volta também no horário de sempre. O trem para, sempre, num mesmo ponto. De lá, ela observa essa família e cria uma história para eles: são a Jess e o Jason, um casal de comercial de margarina. Há três casas dali vive seu ex-marido com a nova esposa e a filhinha.

Numa de suas idas a Londres, numa sexta-feira, Rachel vê Jess sendo beijada por outro homem. Nesse momento, ela se sente traída. Isso porque sua história de Jess e Jason, a família perfeita, cai por terra. Rachel passa o dia atormentada, bebe demais e resolve descer do trem na estação da sua antiga casa e seguir até a casa de Jess e Jason. Mas ela está tão bêbada que não sabe o que aconteceu: acorda em sua cama, no sábado. Vomitou na sala, tem uma ressaca absurda, um ferimento na cabeça, está suja de sangue e só tem alguns flashes de memória: encontrou com Tom, seu ex-marido, e com Anna, a atual esposa. Houve discussão. Algo de muito ruim aconteceu nesse encontro, mas Rachel não se lembra.

Na segunda-feira, de volta ao trem, ela vê a foto de Jess nos jornais. A moça, que na verdade se chama Megan, está desaparecida, desde a sexta à noite em que Rachel perdeu a memória. Ela tem certeza que o homem que viu beijando Megan pode estar implicado em seu desaparecimento e tenta ajudar. Mas aí, como num filme de sessão da tarde, acontece toda a sorte de confusão.

Rachel é daquelas personagens que a gente tem raiva. Que faz você querer entrar na história e sacudir. Pra justificar sua história, ela conta uma série de mentiras e nem pensa em como sustentá-las. Mergulha de vez na bebida. Passa por situações vexamosas. Sofre violências de quase todo tipo, porque está tão passada que não tem discernimento para não cair nas armadilhas da vida nem dignidade para se manter ilesa.

Enfim, o mistério da história é o que aconteceu com Megan e como Rachel está implicada nisso tudo. A trama é narrada por Rachel, Megan e Anna, que se alternam narrando capítulos. Mas a autora não deu vozes diferentes às personagens. Elas falam do mesmo jeito, então fica difícil acreditar que a protagonista do capítulo mudou. Se não estivesse escrito quem fala lá no alto do capítulo ficaria bem difícil, só pela voz narrativa, saber qual delas está falando.

A garota no trem passa muito longe de Garota exemplar. Talvez a questão "o que aconteceu com Megan?" possa indicar que é um livro de suspense, mas não. É um livro meio que sem identidade. Os personagens não são empáticos, não têm histórias verossímeis, o encerramento do mistério é bem fuén.

Valeu pro meu entretenimento de fugir do capítulo um da dissertação, e só.


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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Citações 139

De Nova gramática finlandesa:


Se Deus precisa da nossa imperfeição e dos nossos limites, ele vale tanto quanto nós. Não é Deus mas demônio, e da sua maldade fundadora provêm todas as coisas. É verdade que nestes tempos de hoje é mais fácil crer no demônio do que em Deus. Eu, que pelos olhos dos soldados que vi morrer pude olhar para o além, só vi a mais densa escuridão. E então, em vez de me imaginar submisso a um espírito do mal, prefiro pensar que o universo não é animado por uma vontade onipotente, mas pelo jogo casual da química. As mil substâncias que o compõem se chocam e se misturam toda vez quem se encontram, e suas reações podem ser desmedidas como uma explosão estelar ou minúsculas como uma eletrólise, impressionantes como a fissão do átomo ou sublimes como a floração das cerejeiras. Quando tudo estiver misturado, quando toda oxirredução estiver consumada, quando a matéria for feita de núcleos pequenos como grãos de areia mas pesados como este planeta e todo elétron estiver encerrado em órbitas incindíveis, então haverá paz no universo. A morte e a paz. 

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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #100

E chegamos à 100ª indicação de textos e links deste blog! Êêêê! #todascomemora

Esse formato foi o que encontrei após a morte do saudoso Google Reader, que permitia a formação de uma rede de compartilhamento muito bacana. Conheci muita coisa boa via GReader e também muita gente interessante, até o neto bastardo do meu bisavô. O Feedly substituiu o leitor, mas não veio com a ferramenta maravilhosa de compartilhamentos. Então tá aí. O que eu compartilharia no GReader veio parar aqui :-)

1 - Vidas extraordinárias
Da Ligia Fascioni, que sempre traz bons textos. Este fala sobre pessoas com deficiência. Me lembrei da época em que trabalhei com a coordenadoria municipal de pessoas com deficiência, em BH. Foi um aprendizado e tanto, com muita coisa bacana pro meu caderno de memórias. Leitura recomendadíssima!

2 - Tiago Leifert, BBB e a cultura do estupro
Da Nadia Lapa. Porque, entra ano e sai ano, o BBB oferece algumas pérolas para o debate social. E, entra ano e sai ano, a maioria das pessoas continua a culpar a vítima.

3 - A nova Barbie e os padrões de beleza: uma mercadoria pode ser revolucionária?
Do Sakamoto. Aqui, ele desconstrói a felicidade geral pela Barbie, agora, vir com tipos diferentes de corpo, cor de pele, cor de olhos e cabelos. É uma mudança bacana, mas que não veio porque a empresa está sensibilizada. A não ser que o sensível tenha sido o caixa mesmo.

4 - Estudo da universidade de Roma prova que ler deixa as pessoas mais felizes
Do Livros e Pessoas. Cadê minha plaquinha de "Eu já sabia"? Ok que não tem a metodologia ou parâmetros para definir que felicidade é essa (e como eu tenho uma queda pela filosofia, não acho que felicidade pode ser medida), mas só de ter livros no meio já me conquista. Sem contar que ler dá uma autonomia incrível pras pessoas. Só saber juntar as letras e interpretá-las. Que dirá gostar de ler, então...

5 - Um guia para "enxugar" o excedente de livros da sua estante
Também do Livros e Pessoas. Tem umas dicas bem interessantes. Algumas delas são as que me norteiam sempre que quero manter um livro. E é por dicas assim que tenho me guiado ao tirar volumes que não são apaixonantes e doá-los para quem vai, realmente, lê-los.

6 - Dez impactos imediatos causado por uma mentira difundia pela rede
Mais um do Sakamoto. Aqui, ele fala sobre a manchete de capa de uma das edições do jornal Edição do Brasil que foi algo que nem sei classificar. Vergonha da imprensa, viu?

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Portugal - motivos para rir

Anúncio em um ponto de ônibus do Porto

Antes de irmos para Portugal, já sabíamos que havia uma série de cuidados linguísticos a tomar. Ok, falamos a mesma língua, mas temos contextos diferentes, e é importante saber que há palavras ou expressões que são comuns para nós mas não podem ser ditas lá. "Moça/moço", por exemplo, é um xingamento considerável por lá. Agora imagine que eu falo "moça/moço" o tempo todo, até pra chamar as pessoas que eu conheço e sei bem o nome. Há outras expressões, mas esta foi a que mais me preocupou.

Outra coisa é que os portugueses são muito mais literais do que nós. As perguntas precisam ser bem elaboradas, para obterem a resposta precisa. A nossa inaptidão em fazer as perguntas certas gerou uma série de situações curiosas. Na verdade mesmo, foram engraçadas. Passamos muito temo rindo das palas que demos por lá. Aqui vão algumas delas:

No aeroporto de Lisboa
Enquanto esperávamos o nosso voo para o Porto, passeamos bastante na sala de embarque do aeroporto de Lisboa. Uma sala de embarque mara, cheia de opções de entretenimento. Leo estava com uma nota de U$100 e queria trocar por euros, para buscar um câmbio mais favorável. Fomos ao quiosque (!!) do câmbio e Leo perguntou ao senhor quanto estava o euro por dólar. O atendente disse o valor e Leo, satisfeito, entregou a ele a nota de U$100. O senhor ficou bravo e disse que Leo estava enganado: tinha perguntado o valor de euro por dólar, mas queria mesmo saber era dólar por euro. Então tá!

Diversão no aeroporto de Lisboa

Saindo do aeroporto do Porto
Pelas nossas pesquisas anteriores, sabíamos que, ao sair do Aeroporto Sá Carneiro, no Porto, deveríamos caminhar até a estação do Metro, no próprio terminal, e seguir para o centro da cidade.

Os portugueses não falam metrô, é méééétro mesmo. Já sabíamos que teríamos que pronunciar corretamente, mas a ansiedade era tanta que perguntamos para um dos guardas do aeroporto:

- Onde compramos o cartão de embarque no metrô?

E o senhor nos respondeu:

- Os senhores querem dizer o "metro"? [enfatizando a sílaba tônica no mé!]

Foram muitas risadas, mas não na frente do austero segurança do terminal.


Na máquina Andante
Entramos na estação do Metro e fomos em direção à máquina que vende as passagens de transporte público Andante. O sistema é bem interessante e intuitivo, e o valor muda dependendo de para que ponto da cidade você vai. Basta olhar nos quadros que ficam ao lado das máquinas.

Porém, não fica claro que o cartão é individual. Eu sei, fomos bem ingênuos nessa...

Assim, pensamos que poderíamos comprar um só cartão e carregá-lo com as três passagens e pagar com cartão de crédito. Daí vem o fiscal e diz que não, não pode pagar com cartão. Tem que ser com dinheiro mesmo.

Ok, separamos o dinheiro e fomos comprar o número de passagens. Três, para agora. Mas só havia as opções de 1, 2, 5 ou 10. Comentamos que, pôxa, não tinha três. Volta o fiscal: o cartão é individual. É um para cada, ora pois!

Tóin! Compramos os três cartões, carregamos com o valor da viagem para o nosso destino e fomos embora.


Indo para o 17º
Fomos comemorar o aniversário da Lu e o nosso primeiro dia em Portugal no restaurante 17º, indicação do meu amigo Josélio. Olhamos nos mapas (além do mapa do Guia Lonely Planet, recebemos um mapa do Porto assim que saímos da área de desembarque do aeroporto. Olhamos também no Google Maps, ainda no Brasil. O aplicativo nos mostrou que deveríamos pegar o metro onde descemos (Estação Aliados) e descer na Estação Trindade, daí passar por duas ruas e virar à esquerda. Acontece que nos perdemos. Pois é...

Enquanto caminhávamos em torno da Estação Trindade, procurando as ruas que deveríamos atravessar, vimos que estávamos ao lado do supermercado onde tínhamos feito compras poucas horas antes. Ou seja: era tão perto que não precisávamos ter pegado o Metro.

Perguntamos para algumas pessoas e logo achamos a rua do 17º e fomos comemorar!

O mapa enganador. Tudo é perto por lá :-)



No Hotel Dom Henrique
O Hotel Dom Henrique é onde fica o restaurante 17ª. Não sabíamos disso. Só tínhamos o número do prédio, então entramos no saguão e perguntamos ao recepcionista se o 17º ficava ali. O "moço", bem sorridente, disse que ele ficava no elevador!!!

Fomos, rindo muito, acessar o elevador e subir ao 17º andar.

O Porto à noite. Vista da varando do 17º


No Forte do Queijo
Descemos felizes do ônibus hop-on hop-off e fomos visitar o Castelo do Queijo, na praia de Matozinhos. Um dos senhores que cuidam do local - um grupo de ex-combatentes é responsável por isso - já foi logo gritando fifty cents pra nós. Quando a Lu falou "cinquenta centavos", o senhor já foi dizendo "são brasileiros" e falando que gosta muito do Brasil. E que só no Brasil se fala centavos.


Na Universidade do Porto
O prédio central da Universidade do Porto é bem próximo do nosso primeiro apartamento e da livraria Lello & Irmão. Ficamos rodando por lá, na praça que tem, ainda, duas igrejas revestidas de azulejos, muito lindas. Quando decidimos entrar na Universidade e perguntar sobre uma possível visita, topamos com todas as portas de vidro com um adesivo circular, vermelho, com um traço branco horizontal. No nosso entendimento, isso significava que não era pra abrir aquelas portas, que a entrada não era ali.

Passa um tempo, vem um senhor e abre uma das portas. Dois segundos depois, outra pessoa faz a mesma coisa. Ou seja: não conseguimos entrar porque tinha um adesivo na porta, que só sinalizava que aquilo ali era um vidro. Hahahahahaha.

Depois que nos recuperamos da crise de riso, entramos e visitamos uma exposição de objetos de trabalho de Fernando Pessoa, um dos meus poetas favoritos da vida. Cadernos de notas, lápis, máquina de escrever... Muito lindo! Do outro lado do saguão tinha uma livraria com vários livros bacanas, a maioria de Engenharia e Filosofia. Pirei! Mas, como não era o objetivo da viagem, deixei de lado e fomos continuar o passeio, ainda rindo do adesivo que nos impedia a entrada.

O prédio da Universidade do Porto

No Chiado Coffee & Beer
Nossa primeira noite em Coimbra. Tínhamos saído à pé do apartamento e descido para a Praça da República, onde andamos e comemos. Entramos bo Chiado Coffee & Beer que, àquela hora (aproximadamente 20h) estava vazio. Como estávamos em uma rua em que não passavam carros, e por não saber bem como funcionava o trânsito na parte histórica da cidade, perguntei ao barman:

- Os táxis da praça vão até a Sé Velha?

Ao que ele, prontamente, me respondeu:

- Eles vão até onde você quiser, só não sobem escadas!

Tóin! Mais um monte de risadas do lado de cá, e o barman sem entender o motivo de tanta folia.

No Chiado Coffee & Beer tinha Estrella Galícia.
E preciosas informaçõe ssobre os táxis de Coimbra :-)

No táxi para a ESEC - parte 1
Descemos da cidade alta em direção à baixa para pegar um táxi e ir à Escola Superior de Educação e Comunicação de Coimbra (ESEC). Perguntamos pro motorista:

- O senhor sabe onde fica a ESEC?

- Sim. A ESEC fica na ESEC - disse o senhorzinho sorridente.

Lu e eu na porta da ESEC, que fica na ESEC

No táxi para a ESEC - parte 2
Passamos por uma coluna, na Praça da República, em homenagem a Camões. O motorista engraçadinho e metido a guia de turismo explica que o leão da coluna foi roubado. Nós, doidos por uma boa história, ficamos de ouvidos atentos, mas nada veio em seguida. Leo pergunta:

- Quem roubou?

- Um ladrão, ora pois. Desonesto. Porque se fosse honesto, não roubava.


Outro táxi de Coimbra
Nosso sistema de pagamentos conjuntos era bem dividido. Cada hora, um pagava o táxi ou o que fosse preciso. Pegamos um táxi para voltar da Praça da República, onde estávamos com meu amigo português. A corrida deu 4 euros. Luana queria dar 10 euros para o motorista, Leo queria dar 4, trocados. O motorista, parado, não dizia nada, mas estava de cara feia. Alertei os meninos que poderiam estar irritando o senhor, e Leo disse que ele poderia preferir as moedas, já que era grana trocada. Meio sem paciência, o senhor disse:

- Estou esperando vocês decidirem.


Outras situações mais herméticas:
- A Lu descobriu sua vocação. Caso nada der certo na Comunicação, ela pode tentar odontologia. Vai se dar bem!
- Os portugueses colocam os interruptores de luz dos banheiros do lado de fora. Isso nos gerou algumas situações cômicas. Por várias vezes, um de nós estava no banheiro e alguém passou pelo lado de fora e apagou a luz. Não entendi até agora qual o sentido do interruptor de luz do banheiro ficar fora dele.
- O Guaraná Brasil, made in Portugal, é tudo, menos guaraná. Tem gosto de remédio, cheiro de remédio, jeito de remédio. Um viva pro Guaraná Antarctica, o melhor do mundo.
- Enquanto fazíamos degustação de vinho do Porto na Cálem, uma brasileira, se sentindo a esperta, a inteligente, a diferentona, dizia pra quem quisesse ouvir que o problema do Brasil eram os brasileiros. Quase bati no ombro dela pra perguntar, afinal, qual a nacionalidade dela. Porque, né?, se fosse brasileira, ela também era um problema do Brasil. Ah, esse povo incoerente!
- Ainda não descobri a lógica da numeração dos assentos nos trens portugueses. Alguém me dá uma luz?
- Tem lojas Galo Louco por todo o Porto. Isso porque o Galo é o símbolo da cidade. Meu coração atleticano vibrou!
- Os desodorantes portugueses vêm com o dobro de conteúdo por metade do preço brasileiro. Fuén.


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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Filmes que definem o jornalismo

Outra participação para o Cinema de Buteco!

A Larissa Padron organizou uma eleição dos principais filmes que definem o jornalismo. Depois, convidou pessoas para escrever sobre eles. Escrevi sobre dois, que gosto muito: Frost/Nixon e Boa noite e boa sorte.

Seguem os textos e a minha lista individual de votos:

Frost/Nixon (Idem, Ron Howard, 2008) - “O escândalo Watergate é famoso nos livros de história e na história do jornalismo, pois até hoje serve como exemplo de apuração e reportagem. O filme resgata a entrevista que o ex-presidente americano Richard Nixon deu ao apresentador inglês David Frost sobre o escândalo. Nixon renunciara à presidência há pouco tempo, depois que documentos provaram sua participação no caso Watergate, e Frost se propõe a entrevistá-lo. Dirigido por Ron Howard, o filme traz toda a tensão dos bastidores de uma entrevista com essa amplitude, com o preparo do entrevistador, as exigências do entrevistado, o clima pesado das gravações, as perguntas espinhosas e o trabalho duro de sedução do entrevistado. Uma boa aula para quem acha que entrevistar é apenas fazer perguntas”.


Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck, George Clooney, 2005) - “George Clooney se aventura na direção deste belo filme, o segundo de sua carreira por trás das câmeras. Robert Elswit, diretor de fotografia, aproxima as cenas das imagens de arquivo utilizadas sempre que o senador Joseph McCarthy aparece. O filme trata do embate entre o jornalista Edward R. Morrow, apresentador da rede de TV CBS (que terminava seus programas desejando ‘boa noite e boa sorte’ aos espectadores), e o senador McCarthy, que iniciava sua política de caça às bruxas, em combate ao comunismo. Além do que já se conhece da história, é interessante notar, no filme, como a intimidação da imprensa se dá, e como um jornalismo responsável pode realmente informar. Morrow desnuda as mentiras e manipulações de McCarthy e oferece espaço em seu programa para que o senador responda às acusações, mas a intimidação é o caminho escolhido. Táticas de manipulação, relação tensa entre política e imprensa, uso da câmera como arma não ficaram restritos na década de 1950: ainda hoje podemos ver tudo isso e muito mais”. 


Lista individual: 
Aline Monteiro
  1. A Montanha dos Sete Abutres
  2. O Abutre
  3. Cidadão Kane
  4. O Mercado de Notícias
  5. Nos Bastidores da Notícia
  6. A Fogueira das Vaidades
  7. A Primeira Página
  8. Boa Noite e Boa Sorte
  9. A Vida de David Gale
  10. Frost/Nixon
  11. Mera Coincidência
  12. O Quarto Poder
  13. Ônibus 174
  14. Profissão: Repórter
  15. Rede de Intrigas

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Citações 138

De Nova gramática finlandesa:



"E alguém por acaso se importa com o começo das histórias? É para saber o fim que, quando criança, a gente fica acordado ate tarde, com o livro escondido debaixo do lençol, encolhido junto à vela, se arrepiando com os barulhos desconhecidos que toda casa faz à noite."


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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #99

1 - "O que estou fazendo da minha vida?"
Da Nina Lemos. Um texto pra pensar na vida, nas escolhas, no tempo. E nas fases da vida.

2 - Um texto de despedida do filho, por Márcio Santos
Do Tudo bem ser diferente. Aqui o Márcio, o pai do Pedro, fala sobre o filho. O texto foi lido na cerimônia de despedida do Pe. Pra quem acompanhou a vida do Pedro, é um texto muito emocionante. Porém, acredito que até quem não conhece a Sonia, o Marcio e o Pe vai se emocionar.

3 - Os 10 melhores podcasts do Brasil em 2015
Do A quinta onda. E porque podcasts são legais. A lista é bacana. Não acesso todos, mas tem todos os que eu acesso. E, de quebra, alguns que preciso conhecer. Pra mim, Mamilos é o melhor podcast dessa terrinha, vale demais. Aliás, toda a produção do B9 vale.

4 - Amar é dormir abraçadinho na king size
Da Déa Werner, mais um texto tocante, bonito, gostoso de ler e que conforta. Vida longa ao Lagarta Vira Pupa, que agora vai virar livro! Eu já contribuí.

5 - "Por favor, me dê um beijo": formas de sentir vergonha alheia no Carnaval
Do Sakamoto. Texto necessário. Porque parece que passa tudo nessa vida, menos o discurso e a postura machistinhas.

6 - Pontualidade
Da minha amiga Rosinha. Concordo com ela. Pontualidade é respeito. E respeito é primordial.

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domingo, 7 de fevereiro de 2016

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Portugal - 7º dia


Manhã de nosso último dia em Portugal
Foto: Leo Homssi

Foi um dia triste. Acordamos bem cedo para irmos embora. Juro que eu queria ficar mais. Talvez pra sempre. Quero muito voltar ao Porto.

Quase na estação São Bento
Foto: Leo Homssi

Cenas da estação de metro

Cenas da estação de metro

Mas como não tinha jeito, lá fomos nós puxar malas até a estação São Bento e pegar o metro para Trindade, onde trocamos para a linha que vai ao aeroporto. Que tristeza fazer o caminho inverso de uma semana antes...

Chegamos ao aeroporto e tomamos café da manhã por lá. Depois, fomos pra sala de embarque e resolvemos presentes pros familiares no freeshop. Pegamos um avião comum pra ir pra Lisboa. Lá, na área em embarque, encontramos a Nair e o Henrique. Almoçamos e embarcamos. De volta pra casa. Dando um tchau pra Portugal, mas - ao menos comigo foi assim - com tempero de "até breve"!

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Livro: Morte na Mesopotâmia


Um Agatha! Há tanto tempo não lia nada dela! Este foi presente da Jullyanne, essa linda. Foi uma delícia ler novamente a Rainha do Crime. Li durante algumas noites, sozinha, e passei alguns sustos, porque Dona Christie faz isso com a gente. Acabei me lembrando de quando, adolescente, li O assassinato de Roger Ackroyd e fiquei com medo de terminar de ler e dormir; daí fui dormir pra ler o final de manhã, com a luz do sol #besta.

O livro, escrito em 1936, é narrado pela enfermeira Amy Leatheran, que está no Iraque. Inicialmente, ela foi acompanhando um casal com um filho pequeno, e deveria voltar logo para a Inglaterra, mas consegue um emprego para cuidar de Louise Leidner, uma mulher muito bonita, esposa do arqueólogo Eric Leidner. Ele está no país em uma expedição arqueológica, com um grupo que o acompanha há alguns anos. Algumas pessoas dessa turma compõem o grupo pela primeira vez: o tradutor das placas encontradas, o fotógrafo, o assistente e Louise Leidner, recém casada com o arqueólogo.

Louise está com os nervos em frangalhos, com muito medo de ser assassinada. Seu ex-marido, tido como morto há vinte anos, pode estar vivo. Ela vem recebendo cartas com ameaças e tem certeza que são de seu ex-marido ou do irmão dele. A enfermeira Leatheran chega a acreditar que foi Louise mesmo quem escreveu as cartas. Porém, o assassinato acontece e todos os membros da expedição, inclusive a enfermeira, se tornam suspeitos. É aí que aparece M. Poirot, que estava passeando pelo Iraque (e, ao fim do livro, ele vai embora pelo Expresso Oriente, onde se envolve em mais uma confusão um crime, o famoso Assassinato no Expresso Oriente).

Obviamente, Poirot resolve o mistério unindo pontos que pareciam não estar conectados e descartando tudo aquilo que achamos que faz parte da trama do assassino. Não consegui imaginar quem seria o culpado, nem por um minuto. Não só porque não pensei no personagem como sendo o assassino, mas também por não ter visto nenhum dos outros no papel. Ou seja, não fui uma boa detetive, neste caso (hahahaha).

Uma das coisas que não gosto nos livros da Agatha é quando ela usa o recurso de deus ex-machina, com um personagem que não tinha aparecido até o final do livro e, de repente, olha ele lá fazendo parte da solução! Aqui, o deus ex-machina não resolve o assassinato, mas está envolvido na trama. Dá pra desconfiar dessa solução dela desde o começo, porque é bem apropriada para a história, mas fica bem chato ser assim. Outra, que é plenamente desculpável pela época em que escreveu, é a posição da mulher. Quando uma das personagens tem um ataque histérico - com medo de ser assassinada também -, ela é contida com bofetadas. Os homens se referem às mulheres como "sexo fraco" e levantam características femininas baseadas em estereótipos. Acredito que se a Tia Agatha escrevesse hoje, não faria tal coisa.

Enfim, gostei demais do livro. Dois dias de leitura, uns sustos, um mistério bacana e muita vontade de voltar a ler romances policiais, abandonados há um tempo. Tenho mais uns aqui pra ler. Vamos ver se consigo conciliar com a dissertação.

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Citações 137

De Nova gramática finlandesa:



A Finlândia é um osso de sépia, um grande seixo côncavo em cujo ventre arenoso as árvores crescem apressadas como mofo perfumado sob a luz interminável do norte. Mordiscada pelo gelo e desfeita em milhares de ilhotas, é essa figura que está no mapa, ao lado da carnuda Rússia e da ossuda mas robusta Escandinávia. A Finlândia é aquilo que sobra de alguma coisa: tire os eslavos, os escandinavos, os ortodoxos, os católicos, o sal, o mar, as bétulas das florestas, raspe algumas centenas de milhares de toneladas de granito, e o que resta é ela, a Finlândia. Se um dia você foi um finlandês, você encontrará tudo isso dentro de si mais cedo ou mais tarde, porque essa coisa não está na memória, não pode se perder. Está no sangue, nas vísceras. Somos o que resta de uma coisa antiquíssima, uma coisa que é maior do que nós e não pertence a este mundo. 

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #98

1 - A morte do Pedro: Chacalaca!
Uma sensibilidade sem limites, da Sônia Pessoa, do blog Tudo bem ser diferente. Ela foi uma das minhas chefes, em meu primeiro emprego como jornalista, depois da formatura. Aprendi a admirar a Sônia ali: super profissional, tranquila, comedida, dedicada. Depois que saí de lá, nos encontramos pela internet e já tinha o Pedro, um menino fofo, cheio de personalidade e que, infelizmente, faleceu no início de 2016. Minha solidariedade.

2 - Quantos retuítes são necessários para criar uma mentira?
Do Sakamoto, sobre como certas coisas tomam uma proporção gigantesca na era da internet e até se provar que focinho de porco não é tomada, lá se foi um tempo enorme. E, não, nunca tem conserto total. E quem se interessa pelo conserto, afinal, se o que move a vida, atualmente, é a facilidade de malhar a tudo e a todos?

3 - Já está em clima de Carnaval? Aprenda o hit deste ano e escolha a sua fantasia!
Da Kika Castro, com a marchinha de Carnaval da vez nesse planeta estranho chamado Belo Horizonte, governada por um prefeito bem estranho. As marcinhas de carnaval de BH têm surpreendido pela crítica ao contexto político da capital. Vale a pena ouvir.

4 - Eliane Brum fala do despreparo da geração mais preparada
Publicado no Portal Raízes. Fico me perguntando onde foi que a conexão se perdeu. Em que momento lidar com as emoções, com a frustração, com o "não" passou a ser um problema. E fico com medo das crianças que estão vindo aí, especialmente daquelas que são criadas por pais permissivos. Que dó!

5 - Você é um leitor ou um acumulador de livros?
Do Homo Literatus. Pra que eu vista a carapuça de acumuladora em tratamento. Porque meus livros estão deixando as minhas estantes, para ficarem com quem os leia, mas mesmo assim continuo acumulando. #fail

6 - Minha vida de compradora online
Da Ana Paula Pedrosa, com muitas dicas para quem faz compras online


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