terça-feira, 28 de junho de 2016

Citações 158

De A elegância do ouriço:


Não, o interessante eram os dois humanos na ponta das duas coleiras. Porque, nas cidades, são os cães que mantêm os donos na coleira, embora ninguém pareça entender que escolher voluntariamente um cão - um estorvo permanente, por é preciso levá-lo para passear duas vezes por dia, chova, vente ou neve - significa passar em si mesmo uma coleira no pescoço. 


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 Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...

segunda-feira, 27 de junho de 2016

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #119

1 - Abandonar um animal de estimação é falta de caráter
 Da Marcela Zaidan. E ela tem razão. Especialmente quando faz a distinção entre adultos e crianças que abandonam. Vale a leitura.

2 - Não ligo de "dar trabalho"
Da Luciana Nepomuceno. Nem sei dizer direito como esse texto mexeu comigo. Por conta das duas mortes que me abalaram (Tia Ylza e Vovó), por conta das duas falarem que não queriam dar trabalho, por conta do que eu tive de revirar de armários e gavetas por aqui.

3 - A máquina de moer mulheres
Da Aline Valek. Bora destruir essa máquina e todas as suas engrenagens a-go-ra!

4 - Brasil: um projeto vitorioso
Do Luiz Antônio Simas. Pode começar a chorar e nunca mais parar?

5 - Mamilos 71 - Cultura do Estupro
Mamilos é o melhor podcast das internês. Este é sobre a terrível cultura do estupro, que precisa ser erradicada o mais rápido possível para o mundo se tornar mais habitável. Mas recomendo fortemente todos os episódios.

6 - Feminismo até na dança
Da Bel, essa linda! Feminista desde que nasceu, a Bel mostra que é possível manter a posição até mesmo na dança, em que o parceiro direciona :-)


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...

domingo, 26 de junho de 2016

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Uma jornada de pesquisa


Essa #vidademestranda não é nada fácil. Ainda mais pra quem tem problemas para falar em público, como eu. "Ah, mas você não é jornalista?", sempre perguntam quando eu digo isso. Sim, sou. E prefiro falar olhando para uma câmera do que para uma plateia. É muito mais fácil e confortável. Mas temos que ir em frente, porque não dá pra ser pesquisador sem apresentar a pesquisa pra geral, em eventos por aí.

Já disse que a minha primeira experiência apresentando artigo foi desastrosa, né? Depois dela, eu pensei em nunca mais apresentar nada nessa vida. Porque dá pra ter uma vida acadêmica sem participar de eventos sim, mas ela fica incompleta, e não é legal. Aliás, pelos critérios acadêmicos, vale mais publicar artigo em revista de qualis alto do que participar de eventos. Mas é nos eventos que conhecemos pessoas e trocamos informações.

Enfim, poucos dias depois de levar porrada no primeiro congresso, veio o segundo, lá em Coimbra (saudades imensas de Portugal!). Foi bem mais tranquilo, mas nem por isso menos tenso. Não apanhei desta vez, soube argumentar quando me perguntaram coisas ou apontaram outros caminhos para a pesquisa.

E daí veio o terceiro, a Jornada de Pesquisa do programa de mestrado. Ele aconteceu dentro de um simpósio coordenado por um dos grupos de pesquisa vinculado ao PPG. No primeiro dia, se apresentaram os integrantes da linha 1, no segundo dia as da linha 2. Duas das minhas companheiras de linha estavam, na época, fazendo intercâmbio na Rússia e se apresentaram em vídeo. Na véspera, Dayana e eu apresentamos nosso trabalho uma pra outra, via Skype, para afinar as arestas. Sou muito grata a ela por isso.

Como eu deu o azar de me chamar Aline, fui a primeira a apresentar o trabalho de pesquisa, na mesa da linha 2. Tremia igual vara verde. Gaguejei. Esqueci de falar algumas coisas. Falei outras que tinha me programado para não dizer. Tentei não olhar pro meu orientador, sentado na primeira fileira, pra não começar a chorar de nervoso. Também tentei me lembrar das aulas de oratória, feitas há um milhão de anos, quando eu começava a trabalhar na TV universitária. Olhei pra o horizonte, de um lado a outro, tentando dar a impressão de que encarava a plateia sem medo. Fluiu, acho.

No dia anterior, a linha 1 tinha se apresentado sem que houvesse abertura de perguntas para a plateia. Foi um alívio pra mim ter visto isso. Mas a linha 2 é bem menor, e sobrou tempo. Então a Debora, professora que mediou a mesa, abriu para perguntas sem nos avisar que faria. Foi quase um infarto. A plateia, ao fim, não quis se manifestar, mas a Debora, então, fez uma pergunta para cada integrante da mesa. Foi tranquilo de responder, em meio à tremedeira (mas eu tenho uma técnica ninja para não parecer que estou tremendo, rá!)


A mesa: eu, Debora, Dayana e Luana
Enfim, sobrevivi. E já mandei trabalho novo pra outro congresso, que acontece em novembro. Esta semana sai o resultado. Uma coisa eu aprendi: o "não", de verdade, eu já tenho. Isso porque aquele primeiro congresso em que fui massacrada resolveu selecionar os artigos apresentados para um ebook. Depois de mexer um tanto no meu, enviei para a seleção, por desencargo de consciência. O "não" eu já tinha, ainda mais depois do que aconteceu na apresentação. Mas aí, surpresa... recebi a carta de aceite, com dois pareceres aprovando, mas pedindo algumas mudanças. Tenho 15 dias para entregar. Vai ser, afinal, meu primeiro artigo publicado em livro (ebook ainda é considerado livro, tá?). Espero que seja o primeiro de muitos!

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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Livro: Canção Silenciosa - Contos


É curioso que muita gente que eu conheço escreve. E, mais que isso: muita gente que eu conheço publica livros. E sempre materiais de qualidade. Este Canção Silenciosa foi escrito por Ananias Zeca de Freitas, que eu conheci como Zeca, nos tempos de faculdade de Jornalismo. Foi meu professor de Ética e de Política (não me lembro ao certo o nome da segunda disciplina). O que eu me lembro bem foi do tanto que aprendi com ele. Zeca foi um professor rígido, desses que faz chamada cedinho (e as aulas começavam às 7h), impondo bastante disciplina. Lembro do silêncio da turma nas aulas e dos meus cadernos cheios de anotações (guardo até hoje, a letra ainda redonda, mas a escrita bem rápida, para dar tempo de acompanhar tudo). Meu caderno salvou alguns colegas nas vésperas de prova, de tão completinho que era. Enfim, Zeca foi um ótimo professor, que deixou em mim um legado. Quando trabalhei na assessoria de comunicação de uma das secretarias da Prefeitura de BH, ele era o chefe da Comunicação geral e, apesar de ser meu superior final, não nos encontramos nesse período.

Somos amigos no Facebook (carinhosamente chamado, também, de A outra rede social por quem prefere o Twitter o/) e foi lá que recebi o convite para o lançamento do livro Canção Silenciosa, o primeiro dele. Infelizmente, não consegui ir ao lançamento (essa #vidademestranda não nos dá muitas opções de interação social...), mas comprei o livro por email e, quando ele chegou, comecei a ler.

A leitura de Canção Silenciosa é bem rápida e fluida. O texto é suscinto, os contos são bem curtos. Mas isso não significa que sejam leves. Cada um deles é um aviso denso de que a vida é dura e cruel, que nós não estamos preparados para viver em comunidade, que fechamos os olhos, sempre, à dor e ao sofrimento dos nossos companheiros de jornada. Os contos se conectam, não só pelos temas, mas também pelos personagens. É a vida árida nas cidades pulsando. É a vida em Belo Horizonte latejando, pulando na nossa frente, mesmo que nós, habitantes de cidades (ou "da" cidade) façamos questão de desviar os olhos, de não ver.

Todos os 25 contos têm essa força. Mesmo assim, alguns se sobressaíram na minha leitura. Fragmentos; Miguilim moderno; Tédio (precisei de alguns minutos, após a leitura, para voltar ao "normal"; Matraca. Talvez seja o tema da invisibilidade, permeando as quatro histórias, que tenha gritado bem fundo por aqui. Ou pode ser a forma, de dizer tanta coisa com tão poucas palavras. O fato é que reli os quatro contos com o coração apertado, os olhos já bem molhados.

Uma curiosidade é que o Zeca utilizou alguns nomes gregos para personagens e, nos casos de Penélope e de Caronte, foi inevitável sorrir. Penélope é a costureira que cria fuxicos sentada na calçada, murmurando uma canção infantil. Caronte é o motorista de ônibus que precisa resolver uma queimação no estômago. Tem o Hércules também, mas este realizou trabalhos nem um pouco honrosos.

Enfim, Canção Silenciosa é um livro lindo, forte, contundente. Que merece várias releituras. Especialmente para fazer lembrar que vivemos em sociedade. E em tempo como os atuais, em que o Brasil se vê às voltas com o desmonte de programas sociais, é importante lembrar quem são as pessoas ao nosso lado, nas cidades ou não, que merecem ser vistas por inteiro.

Que venham novos livros, Zeca!



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terça-feira, 21 de junho de 2016

Citações 157

De A elegância do ouriço:

 
Em suma, acho que o gato é um totem moderno. Por mais que se diga, por mais que se façam grandes discursos sobre a evolução, a civilização e um monte de palavras em "ção", o homem não progrediu muito desde os primórdios: continua a crer que não está aqui por acaso e que deuses em sua maioria benevolentes zelam por seu destino. 



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segunda-feira, 20 de junho de 2016

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #118

1 - A confissão do golpe - Nós, os invisíveis
Da Patrícia Daltro, que fala aqui sobre uma coisa que eu já vinha elaborando há anos, mas nunca consegui expressar direito. Somos um bando de invisíveis. Lamentável.

2 - Será o ócio mesmo criativo?
Da Lígia Fascioni. Os textos dela são sempre maravilhosos! Aqui ela fala sobre experimentos com animais na natureza e em gaiolas e a possibilidade do ócio gerar curiosidade e, em seguida, criatividade. É bem bacana. Não sei se o ócio é criativo. Comigo não rola muito ócio, porque sempre tô fazendo alguma coisa. Mas minha criatividade (se é que ela existe) vem quando faço trabalhos manuais mais pesados.

3 - Aproveitar os nãos
Da Lud. Os nãos parecem ser terríveis, mas ajudam pra caramba. Um viva pros nãos que nos põem pra frente!

4 - Dez dicas para descobrir se uma notícia é falsa
Do Sakamoto. Utilidade pública, nesses momentos em que as pessoas andam compartilhando mais notícias falsas do que verdadeira.

5 - Minimanual do Jornalismo Humanizado
Do Think Olga. Utilidade pública.

6 - Afinal, existe vida após o autismo?
Da Déa, em mais um texto inspiradíssimo! Acho lindo que ela fala que a lagarta não é o Theo, mas ela mesma. E vc prova, todo dia, que existe vida sim, e que ela pode ser bem vivida. Déa, que vontade de ter dar um abraço apertado!



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domingo, 19 de junho de 2016

Boatos



Daqui.

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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Livro: Eu, poeta



Hoje eu vou ostentar. O livro Eu, poeta é velho conhecido meu. Ops, não tão velho assim! É que a Juliana Machado Cruz, minha cretina favorita, é aquela pessoa que de tão querida, de tão próxima, tem direito a uma pastinha na sessão "Meus documentos" no meu computador e outra na minha caixa de e-mails. E é nessas duas pastas que eu deposito os poemas que ela me manda já há algum tempo. Posso dizer que li Eu, poeta antes dele virar um livro - apesar de que a versão que eu tenho impressa e encadernada aqui já estava nesse formato. Já tinha as sessões O Lúdico, A Revolta e A Estrada bem separadinhas. E é na parte Lúdico que tem uma poesia pra mim. Tão fofa, tão bonita! Chamada Para Nine. A Ju é uma das pessoas que me chama de Nine e eu adoro! Enfim, li Eu, poeta antes de ser publicado. E li depois também.

Eu, poeta é um livro lindo. A Ju joga com as palavras de uma forma tão especial, tão bonita! É muita habilidade pra uma pessoa só. O som das palavras, os significados, as sínteses... Aliás, a Ju é chamada de "a senhora da síntese poética" pelos seus colegas do Clube de Letras de Sete Lagoas/MG. Não tenho certeza, mas acredito que O Muro foi o primeiro poema que ela me mandou. É de uma sonoridade incrível, de uma construção límpida. Os poemas, em geral, são curtos. Mas muito intensos. Daqueles pra saborear aos poucos: ler, parar, pensar, voltar, ler de novo, experimentar em voz alta, ouvir, sentir. E querer mais.

Olha o privilégio: eu tenho mais! Além dos poemas publicados, tenho certeza de que ela tem material pra pelo menos mais um livro. Dois desses poemas que devem aparecer em um segundo livro foram pra mim também (tô me achando, hahahaha): um pelo meu aniversário de 2015 e outro quando a vovó faleceu. E tem outros que eu já recebi por email e por WhatsApp.

Mas o principal é A resposta de José, um poema que não está publicado ainda, mas que é tão, mas tão bom que abriu as portas da Academia Sete-Lagoana de Letras pra ela. Ou seja: eu tenho uma amiga imortal! O poema é a resposta para o famoso E agora, José?, de Carlos Drummond de Andrade. E ficou maravilhoso. Vem mais livro bom por aí, tenho certeza. Porque da alma da Ju sempre vem algo bonito, poético, trabalhado, refinado.

Quando a Ju tomou posse na Academia, não pude prestigiar. No mesmo dia, estava numa mesa da jornada de pesquisa do mestrado (depois eu conto como foi). Aí, não podia deixar de ir ao lançamento de Eu, poeta. E lá fui, conhecer Sete Lagoas. Só vi uma lagoa lá, o que significa que preciso voltar pra ver as outras e, também, pra ir de novo na gruta Rei do Mato, que visitei quando pequena. Finalmente pude conhecer a casa da Ju e dois de seus irmãos, mais a cunhada. Além deles, também conheci pessoas muito bacanas do Clube de Letras. Foi muito divertido.

Museu do Ferroviário, onde foi o lançamento do livro da Ju



Vamos falar da Ju, agora. Nos conhecemos na faculdade, nos corredores do famoso prédio 13. Lembro da minha primeira impressão sobre ela: essa menina é alta pra caramba! Por outro lado, sou baixinha pra caramba... Trabalhamos juntas na PUC TV, tínhamos altos papos no fundo do prédio, na cantina, nas salas de edição e de controle. A Ju estava comigo quando fui buscar meu diploma de Jornalista. Lembro até hoje do tanto que conversamos na pracinha da PUC.

Perdemos contato e nos reencontramos em 2010, virtualmente. Depois, nos encontramos em OP algumas vezes. Facilitou muita coisa o irmão mais novo dela ter morado aqui por um tempo. Foi quando conheci a Dona Elva, que é uma pessoa maravilhosa!

Foi a Ju que me recomendou o livro Dona Benta, pra ver se eu aprendia a cozinhar. Fail total pra mim, mas não pro Leo. Foi com ela que aprendi que existe Paraíso Astral, e não só inferno. Foi ela quem me apresentou a Mafalda. Já recebi cartão postal de Sete Lagoas. E livro; e jornal do Clube de Letras; e cartas escritas a mão. Compartilhamos o pavor por comida cinza. Dei uma navete de família pra ela (e ainda espero ver alguma arte em frivolité por aí). Ela me deu uma pashmina azul que me acompanha por aí. E uma pimenteira que veio bem a calhar. Também me deu motivo pra que eu goste mais do meu aniversário. Sempre rimos muito em nossas conversas - pelos finados MSN e Orkut, pelo messenger do Facebook, pelo WhatsApp. Com a Ju, aprendo muito, todo dia. Ela é uma irmã pra mim, dessas que a vida nos oferece de presente.

Pra ver a prosa da Ju, que também é ótima - mas um tanto bissexta pro meu gosto -, só entrar no Stella e seus absurdos.

Certos momentos precisam de registro: única vez na vida que fiquei maior que ela :-)


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terça-feira, 14 de junho de 2016

Citações 156

De A elegância do ouriço:

 
"Ela não leu Marx", me disse Manuela um dia. 
A persistência dessa constatação, vindo de uma boa portuguesa que, no entanto, era pouco dada ao estudo dos filósofos, chamou minha atenção. Não, Violette Grelier certamente não leu Marx, pela simples razão de que ele não figurava em nenhuma lista de produtos de limpeza para prataria de ricos. Para compensar essa lacuna, ela herdou um cotidiano salpicado de catálogos intermináveis que falam de goma e de panos de prato de linho.  
 
 
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segunda-feira, 13 de junho de 2016

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #117

1 - Filosofia de ponto de ônibus, parte II
Da Lud. Mais um texto gostoso de ler. Depois de um tempo por aí, vivendo, percebi que é bem assim com as oportunidades mesmo. Sempre é tempo de descer do ônibus errado e fazer a coisa certa!

2 - Contra a homofobia e pelo amor: recomendamos 11 filmes do universo LGBT para propagar o amor
Dos lindos do Cinema de Buteco. Indicações de filmes muito bacanas, para mais tolerância e mais amor no mundo.

3 - Os vagabundos que acham cultura importante
Texto mara da Denise, que conheci pela Central do Textão. Sobre o fim do Minc (e seu renascimento também), mas com ênfase em quem defende que não é preciso ter um ministério dedicado à Cultura porque ele só sustenta vagabundo.

4 - Seja Helena Bonhan Carter
Da Simone Miletic. Uma imagem, um "seja" e muita coisa a dizer. Viva Helena!

5 - Você vive em mim, eu vivo em você
Texto da Renata Piza no site Vamos falar sobre o luto? Renata era casada com Daniel Piza, um dos melhores jornalistas que eu já vi atuar. E ele morreu prematuramente, quando os dois se preparavam, com os filhos, para mudar de país. O texto fala sobre a perda, a dor, o vazio, o luto. E sobre Ubuntu, esse conceito lindo.

6 - A tentativa de assassinato de Ana Hickman e os malucos soltos por aí
Da Marcela Zaidan, de O meu indizível. Sobre esse fato que rolou em BH e que me confunde um pouco. Não sei se dá pra classificar tudo isso como maluquice, porque vejo uma boa carga de misoginia e até mesmo de "mimadice" (existe isso?) mesmo. Enfim, é preciso falar sobre isso.



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domingo, 12 de junho de 2016

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Livro: O chamado selvagem


 O chamado selvagem é daqueles livros que a gente lê em um dia. Li em uma noite, pra ser mais exata. Cheguei em casa depois de uma reunião de orientação pensando nas mil coisas que tinha que fazer pra qualificação e decidi desanuviar para ter mais ânimo par encarar o trabalho. O livro estava para ser lido, porque foi escolha do Clube de Leitura da Set Palavras, então mandei ver.

Buck é um cão da raça São Bernardo que vive em paz em uma fazenda. Ele é bem próximo do dono das terras e, também, dos filhos e netos dele. A vida é tranquila, até que acham ouro no Alasca e cães fortes são necessários para puxar trenós na neve severa. Os trenós eram o único meio de transporte possível. Buck é roubado da fazenda e vendido para comerciantes de cachorros.

Quando entende que perdeu a vida boa, que passou a ser empregado, força de trabalho, Buck se revolta e começa a sofrer as consequências. Porretes e pauladas, frio, fome, privações de todas as formas. Logo, ele entende que precisa se adequar ao seu espaço naquela engrenagem, se quiser sobreviver. O contato com os guias e com os outros cachorros do grupo fazem Buck endurecer. Aquele cachorro bondoso de fazenda vai, aos poucos, morrendo e deixando vir à tona um animal mais preparado para a vida selvagem.

O texto é uma bela metáfora para a vida capitalista. Tem lá a exploração sem limites, os que só têm sua força para trocar por alimentos, os que querem fugir desse modelo, os que nunca vão conseguir se encaixar. O livro é duro, bruto com quem acha que um cachorro protagonista só pode oferecer uma história leve. Dá pra chorar, sorrir, pensar, ter vontade de fugir disso tudo aí.

Achei a tradução um pouco descuidada. Nada que uma boa revisão não acerte. 

Do Jack London, já li O lobo do mar e amei. Nos dois livros, ele fala sobre a inadequação à vida, sobre revolta, sobre as perdas que a vida impõe.
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terça-feira, 7 de junho de 2016

Citações 155

De A elegância do ouriço:



Eu era sincera. Fazia muito tempo que me acostumara com a perspectiva de uma vida solitária. Ser pobre, feia e além do mais inteligente condena, em nossas sociedades, a percursos sombrios e sem ilusões, aos quais é melhor se habituar desde cedo. À beleza se perdoa tudo, até mesmo a vulgaridade.  A inteligência deixa de parecer apenas uma justa compensação das coisas, algo como um reequilíbrio que a natureza oferece aos filhos menos favorecidos, e fica parecendo um brinquedo supérfluo que realça o valor da joia. A feiura, em compensação, já é sempre culpada, e eu estava fadada a esse destino trágico, sentindo mais dor ainda na medida em que não era boba. 


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segunda-feira, 6 de junho de 2016

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #116

1 - A vida depois de sobreviver a uma tentativa de suicídio
Do blog Mente Inquieta. O texto é bem forte, e é bem importante saber que por trás de um suicida existe muito mais do que a simples chamada de atenção.

2 - O fim do Ministério da Cultura no Teatro dos Vampiros
Do Beto Trajano, no Blog da Kika Castro. Um relato sobre os pontos de cultura e vários outros avanços que o MinC trouxe para o Brasil. #FicaMinC

3 - Machistas e fascistas não passarão
Da Nina Lemos. É um horror pensar que estamos, ainda, precisando combater esse tipo de coisa. Tô cansada, sabe?

4 - Rondó da liberdade
Do Teia de Renda, com um poema de Marighella escrito há cerca de 80 anos e que é perfeito pro momento atual do Brasil. De encher os olhos de lágrimas, porque não tá fácil viver com esse turbilhão de coisas que tomou conta do país.

5 - Por que eu não decidi ter filhos
Da Fernanda, do Minimalizo. Compartilho muito dessa visão. O que eu teria a acrescentar aí pode ser que vire um texto no futuro. Vamos só esperar o que pode acontecer até o fim deste ano.

6 - Central do Textão
É um site que reúne posts legais de gente legal, mas que é old school nessa coisa de blog e que num tá nem aí pra preguiça geral de ler textão. Que felicidade ver tanta gente boa reunida produzindo conteúdo de qualidade!


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domingo, 5 de junho de 2016

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Aos sete

Depois de toda a história do filho do presidente ilegítimo ter um patrimônio de dois milhões de "dilmas" em imóveis, uma galera começou a listar o que tinha aos sete anos. Vi essa postagem no blog Fragmentos e resolvi fazer o meu inventário (mas, com certeza, vou ser traída pela memória)...

Aos sete anos eu tinha:

- Um livro lindo, As aventuras  de Alice no país das maravilhas, presente da Tia Sandra (a capa dele pode ser vista neste post). Editado pelo Círculo do Livro, cheio de gravuras. O livro me acompanha até hoje, já bem surradinho. Lido, muitas vezes relido, muitas vezes reverenciado e referenciado.

- Uma coleção com os livros infantis de Monteiro Lobato, presente da Tia Ylza. Também me acompanha até hoje. O volume 4, com A viagem ao céu, foi o mais lido de todos.

- Um caderno de caligrafia, porque a gente tinha que ter isso lá nos idos de mil-novecentos-e-ninguém-quer-saber-o-ano-certo. Todo mundo odiava. Eu me divertia. Ok, não ajudou muito, já que letra bonita não é meu forte. Mas era legal treinar letras diferentes e compará-las com a letra maravilhosa da Tia Ylza, uma perfeição caligráfica que nunca vi igual.

- Uma bicicleta verde. Nessa época, já sem rodinhas. E, nessa época, já não era mais a minha original, que passou a pertencer ao Daniel. A dos sete anos era, antes, da Laura. Mas ela nunca foi da turma da bicicleta. E quando a verdinha dela passou pra mim, se transformou no meu brinquedo favorito da vida.

- Uma pasta cheia de cartõezinhos que recebi dos meus tios durante esses sete - até então, longos - anos. Era muito carinho dispensado pra mim :-)

- Poucas bonecas - nunca gostei delas - e poucos ursinhos de pelúcia - me dão alergia.

- Alguns discos de vinil. Balão Mágico, Verde-que-te-quero-ver e Menudos eram os mais queridos. E como memória afetiva pega sempre a gente de jeito, tenho isso tudo aí em mp3. Talvez os vinis ainda estejam escondidos por aí.

- Um apontador de lápis em formato de máquina de costura, que sempre me lembrava a Vovó e o tempo que ela passava ali, costurando. Logo o apontador perdeu o fio, mas guardei, justamente porque me lembrava dela. Infelizmente, perdi em uma das mudanças.

- Um peixe, desses que vendem (ainda vendem?) em saquinhos. Presente da Tia Ylza. E "cuidado" na casa dela. Não durou muito tempo, claro. Curioso é que peixe esteve sempre permeando a minha vida desde então, até pouco depois de eu ter conhecido o Leo. Até hoje não entendo qual a graça de ter peixes...

Mas acho que o que eu mais tinha, aos sete anos, era vontade de voar. Literal e figurativamente. Talvez por isso a Viagem ao céu do Monteiro Lobato fosse um dos meus livros favoritos de então.

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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Livro: What is media archaeology?



Volto a dizer: quanto mais eu leio coisas para a dissertação, mais aparecem coisas a serem lidas. What is media archaeology é um livro que relatei para o grupo de pesquisa e que vai me ajudar na pesquisa, mesmo que só por uma pequena parte. O livro se aproxima muito da abordagem da Ecologia de Mídias, que é o grande universo que estudo, mas propõe uma nova forma de ver a mídia, seu surgimento, sua função no mundo, as alterações pelas quais passou.

O autor, Jussi Parikka, é um inglês interessado em resgatar o nascimento das mídias que consideramos contemporâneas. Por isso, ele volta ao berço do nascimento das principais mídias: o fim do século XIX. Foi por esse período que surgiram as estradas de ferro, que abriram caminho para o telégrafo, e também a fotografia e o cinema. A pesquisa se inicia com formas pré-cinematográficas, como o panorama e o diorama (e eu descobri que tenho um estereoscópio do início do século XX em casa!). E passa pela arte e pela mídia fantasma (é o capítulo mais divertido, apesar de ser bem pesado, especialmente nas discussões de gênero). Há, também, muito do texto dedicado à função da arte como arqueóloga da mídia, a apontar o que pode vir por aí.

Escrevi mais de 20 páginas sobre o livro para fazer o relato e, sinceramente, não dá pra trazer isso pra cá. A discussão é mais árida e cheia de pontos que precisariam ser explicados com mais detalhes, o que não cabe agora. Sendo assim, fica aqui só pra lembrar de que é uma abordagem bem interessante para quem quer estudar algo diferente sobre mídia.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...