terça-feira, 18 de julho de 2017

Citações #212

De Número Zero:







- E os que ainda não eram maiores de idade na época viram isso nos filmes de Fellini - acrescentei, porque quem não tem recordações na memória as toma da arte.  

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sexta-feira, 14 de julho de 2017

De volta a NY - Parte 3



Começamos o dia 2 em NY tomando café da manhã na Starbucks, na saída do hotel pra rua 32. Na nossa viagem anterior, no mesmo local havia uma deli bem caidinha, onde o Leo comprou uma cerveja Guiness passada. A Starbucks dali é bem espaçosa. De fato, tem uma Starbucks em cada esquina em NY. Perto do hotel, tem três. Achei essa a melhor e mais confortável.

Como estava muito quente, pedimos o nosso querido Caramel Machiatto, gelado. Foi bom, mas o quente ainda mora no meu coração. Nosso primeiro compromisso foi comprar sapatos. Isso porque o Leo não tinha trago tênis para caminhada. E eu, mais uma vez, já estava cheia de bolhas. Porque meu pé é assim: não dá dois passos sem ter uma bolha nova. Consegui achar uma wannabe Birkenstock bem confortável, que me ajudou bastante durante alguns dias. Depois de um tempo, ela também começou a me dar bolhas. Leo comprou um tênis de caminhada e resolveu o problema dele. Dali, fomos para o Central Park, que já tínhamos visitado e amado, em 2013.

O dia estava lindo, mas muito muito muito quente. Haja protetor solar! Entramos no Central Park próximo à Represa Jackie Onassis, que é lindona. Leo se esbaldou nas fotos.

Tentei, mas minhas fotos nunca ficam como as dele...

Era um dia de semana, quente à beça, e o parque estava lotado! Muita gente utilizando as áreas verdes para jogar bola, ficar no sol (enquanto eu fugia do sol, uma galera tava correndo pra ele!!). Muitas crianças correndo por lá. Daí, demos de cara com um balanço, que estava frequentado por adultos. Fiquei de cara, porque eu sempre amei balanços. Fui lá e - cara!!! - que delícia! Não ia num balanço desde 1989!!! Claro que há fotos, mas elas não serão publicadas.

Depois de caminhar bastante no Central Park, fomos ao MET (êêêê!!!). O Met estava entre os passeios possíveis no NY City Pass e foi a nossa primeira escolha. Vivo dizendo que queria voltar a NY só pra poder visitar o MET novamente e ver o que não tinha visto na viagem anterior. Com o mapa disponível no site, eu já sabia onde ir. Meu principal objetivo era ver Van Eyck, que eu tinha visto na Frick Collection, mas não tinha conseguido ver no MET.



Quando chegamos na sala, tinha uma senhorinha com um grupo de turistas, explicando cada detalhe do quadro. Ouvi um pouco, mas logo perdi a paciência. Eu queria ver o quadro e não podia. Daí rodamos por outras salas, vendo cada obra mais linda que a outra. Voltei a Van Eyck, felizmente com a sala completamente vazia. Foi lindo!








MET, que experiência maravilhosa!!!

Saímos com fome, já bem no meio da tarde. Decidimos almoçar no Whole Food Market, um supermercado muito bacana, cheio de opções frescas. Pegamos o metrô e andamos um bocado até chegar a ele. No caminho...


Era um sebo muito completo, cheio de livros lindos! Quase comprei a trilogia do Senhor dos Anéis, numa coleção lindíssima, mas também cara demais. Se não fosse o problema com o câmbio, criado pela instabilidade política no Brasil, até que arriscava trazer os livros pra casa.

O almoço no Whole Food foi delicioso! Muitas opções, em ilhas diferentes, pra você montar seu prato. Suco orgânico, comida bem feita... a melhor refeição que fizemos, desta vez, foi no Whole Food. Voltamos várias vezes por isso.

De volta ao hotel, para descanso, banho, pés pra cima (necessário, quando você passa o dia inteiro andando de um lado pro outro). À noite, voltaríamos ao Rattle n Hum, bar que tínhamos ido com o Pedro e que o Leo curtiu demais. Pertinho do hotel e cheio de cervejas artesanais. Leo escolheu as que ele queria - o cardápio de chopps muda toda semana - e também uma tábua de degustação. Terminamos a noite no Wendy's, onde ele comeu um sanduíche e eu fui de sorvete.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 11 de julho de 2017

Citações #211

De Número Zero:






Notícias para se dar há infinitas no mundo, mas por que dizer que houve um acidente em Bergamo e ignorar que houve outro em Messina? Não são as notícias que fazem o jornal, e sim o jornal que faz as notícias. E saber pôr juntas quatro notícias diferentes significa propor ao leitor uma quinta notícia.  

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segunda-feira, 10 de julho de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #158

1 - "Ser uma pessoa melhor"
Da Renata. Um texto que ficou retumbando na minha mente depois de lido. Pra quer ser uma pessoa melhor? Pra quem? Vale a pena ler e pensar sobre o assunto.

2 - Sete coisas invisíveis na vida de uma professora
Da Karina Kuschnir. Sobre a profissão que quero seguir e seus percalços, muitos deles exaustivos e que não aparecem. Aquela piada de "você trabalha ou só dá aula" retrata bem essa invisibilidade aí.

3 - Minha seleção pessoal de notícias boas que ajudei a divulgar
Da Kika Castro. Há alguns dias, ela tem falado sobre notícias boas escasseando na mídia, enquanto as más se multiplicam. Aqui, ela linka várias notícias boas em que foi repórter. Vale a pena ler.

4 - Sindrome de impostora, burra e inútil
Da Nina Lemos. Uma coisa curiosa é que a maior parte dos acometidos pela síndrome do impostor é... mulher. A Nina explica o que pode ser o motivo.

5 - Querida ansiedade
Da fofa Dreisse Drielle. Ansiedade, essa querida conhecida, que acompanha a gente a vida inteira. Né?

6 - Carta aberta à Gazeta do Povo
Do Duas Fridas. Olha... essa Gazeta do Povo tá de dar vergonha...


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sexta-feira, 7 de julho de 2017

De volta a NY - Parte 2

No aeroporto, prestes a embarcar

Marcamos a viagem para uma terça-feira. Nosso voo era noturno, mas resolvemos sair cedo de OP. Quem me conhece sabe que odeio me atrasar. Prefiro esperar, esperar, esperar... a chegar tarde ou em cima da hora. De manhã, bem cedinho, deixamos a Cuca na casa da Ana Paula e do Elias. Alguns dias antes, tínhamos feito uma ambientação entre ela e o Chico, e eles se deram muito bem. Com relação à Cuca, estávamos tranquilos.

Porém, veio a notícia de um acidente grave, com 11 feridos, que deixou a estrada que liga OP a BH fechada durante toda a manhã. Adiantamos nossa saída, pensando em qual atalho pegaríamos se, ao chegar em Itabirito, ainda estivesse tudo fechado. O taxista que nos levou a Confins estava antenado, já tinha notícia de que a estrada tinha sido liberada. Assim, chegamos ao aeroporto cerca de 4h antes do voo sair. Mineiro não perde o trem, nem o voo.

Ainda no taxi, comecei a ler O mundo assombrado pelos demônios, do Carl Sagan. Gostei de cara! Mas esqueci de colocar na bolsa uma caneta marca-textos ou as flags que uso constantemente. Tentei achar a marca-textos no aeroporto, mas não tinha. Acabei com uma caneta colorida, de gel, que utilizei pra marcar as partes mais importantes da leitura.



O voo de Confins a Guarulhos foi super tranquilo. Mas o tempo entre os voos estava bem apertado. Desembarcamos e corremos pro novo portão de embarque, chegando na hora da chamada pro voo pra NY. Ao contrário da última viagem, o avião era maior e com muito menos espaço. Não mais poltronas duplas nas laterais, uma pena. Espaço minúsculo entre as linhas de poltronas. Ao nosso lado, veio uma senhora americana muito simpática. O comissário do voo foi muitíssimo atencioso. Também foi um voo tranquilo, com apenas uma grande turbulência, que me assustou muito, mas não me apavorou, como sempre.

No JFK, o de sempre: longa fila na imigração. Ao menos dessa vez tinha leitor eletrônico do passaporte, o que facilitou muito as coisas. As malas demoraram horrores pra chegar. Do aeroporto, pegamos o NYC Airportes em direção à Penn Station. O ônibus para na porta lateral do hotel em que ficamos. Enquanto Leo ficava na fila do check-in, corri na Starbuks para acionar o 4G do celular. A Starbucks e sua internet livre sempre salva!

Como o check-in começa às 15h, não pudemos subir pro quarto. Fizemos o procedimento, ganhamos as chaves do quarto e deixamos as malas no subsolo, prontos pra voltar só quando o quarto estivesse liberado. Fomos, direto, fazer coisas que estavam na nossa lista de prioridades. O sol estava muito forte, estava quente demais. Leo já saiu fotografando...

Andamos, andamos, andamos. Resolvemos as três primeiras coisas da lista de prioridades. Já eram quase 14h e não tínhamos comido - dispensamos o café da manhã do avião. Pegamos o metrô e saímos bem pertinho do apartamento onde o Pedro morava quando fomos a NY da outra vez. Bateu aquela saudade... ia ser perfeito se ele estivesse ali conosco novamente. De férias, de preferência.

Pertinho da casa do Pedro, paramos num dinner chamado Harold's. Como em todo dinner, muita comida (dá até enjoo, juro!)

Meu almoço: croque monsieur

Almoço do Leo: sanduíche da casa

Voltamos pro hotel, para finalizar o check-in, pegar as malas e, finalmente, subir pro quarto. Ufa!

Só que... o quarto tava horrível! O chão, tanto do quarto quanto do banheiro estava impraticável. A vantagem do hotel é somente a localização, bem central, perto de mais de 10 linhas de metrô, com muita coisa boa por perto. Penso que, se um dia a gente voltar a NY, vamos procurar outro hotel na mesma região. Mas o Pennsylvania, nunca mais!

Descansamos um pouco, tomamos banho e fui acessar a internet pra saber das notícias do Brasil e ver se o trabalho, que deixamos pronto, estava fluindo. Qual não foi o susto ao saber da delação de um empresário do ramo do agronegócio, colocando um senador mineiro e o senhor que não reconheço bem no olho do furacão! O Twitter estava pegando fogo. Fui olhar o dólar: disparado em relação ao real. Os nossos planos financeiros incluíam moeda em espécie, travel money e saques na conta do Banco do Brasil. Deixamos essa última opção de lado, com medo das surpresas com o câmbio. Bateu aquele medo... Mas pensamos bem: tínhamos comprado os passeios ainda no Brasil - eles estavam garantidos -; estávamos viajando apenas para nos divertir, sem necessidades de fazer compras. Teríamos que observar a grana mais diretamente, dia a dia. Fora isso, tava tudo ótimo.

Fomos caminhar novamente. Tínhamos hora marcada no Rockfeller Center, para visitar o Top of the Rock, um prédio bem alto que proporciona uma boa vista da ilha de Manhattan. Compramos a visita ainda no Brasil, marcada pra hora do pôr do sol. Seguimos pela quinta avenida, para passarmos na Barnes & Noble - só passar mesmo, porque voltaríamos outro dia, com tempo para vasculhar estantes - e na St. Patrick's Cathedral. Olha, que catedral maravilhosa!!


Olha esse órgão, meodeos!

Fomos pro Top of the Rock, que é quase em frente à Cathedral. Estava muito muito muito cheio, mas a vista é linda e estava do jeito que a gente queria. Foi lindo.





A noite caiu, voltamos pro hotel abastecidos com comida e cerveja pro Leo. Loucos pra descansar, porque o dia da chegada é sempre intenso. Quando decidimos dormir, foi cair na cama e apagar. No dia seguinte, teríamos muita coisa pra fazer.

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terça-feira, 4 de julho de 2017

Citações #210

De Número Zero:



Observem os grandes jornais de língua inglesa. Quando fala, sei lá, de um incêndio ou de um acidente de carro, evidentemente não podem dizer o que acham daquilo. Então inserem no artigo, entre aspas, as declarações de uma testemunha, um homem comum, um representante da opinião pública. Podo-se aspas, essas afirmações se tornam fatos, ou seja, é um fato que aquele sujeito tenha expressado tal opinião. Mas seria possível supor que o jornalista tivesse dado a palavra somente a quem pensasse como ele. Portanto, haverá duas declarações discordantes entre si, para mostrar que é fato que há opiniões diferentes sobre um caso, e o jornal expõe esse fato irretorquível. A esperteza está em pôr antes entre aspas uma opinião banal e depois outra opinião, mais racional, que se assemelhe muito à opinião do jornalista. Assim o leitor tem a impressão de estar sendo informado de dois fatos, mas é induzido a aceitar uma única  opinião como a mais convincente.  

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segunda-feira, 3 de julho de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #157

1 - O que esperar e o que não esperar de um orientador
Do PesquisaTec. Dei muita sorte com meu orientador do mestrado. Muita mesmo. Nossos gostos são parecidos e foi muito bom tê-lo do meu lado. Em alguns momentos, me senti sozinha. Mas é um sentimento normal. Sempre que precisei dele, mesmo que demorasse, tinha uma resposta. O texto é um bom guia pra quem acha que orientador vai resolver todos os seus problemas de pesquisa. Não vai. Orientação não é isso.

2 - Escrever é escavar histórias
Da Aline Valek, sobre Stephen King e o livro Sobre a Escrita, que estou lendo. Muito bacana!

3 - O Brasil precisa voltar a amar Chico Buarque
Do Xico Sá, para o El País Brasil. Chico é necessário. Quem não gosta de Chico, bom sujeito não é.

4 - Apesar do perigo
Da Cláudia Gabriel, sobre como os perigos que a gente enfrenta, alguns por curiosidade, outros por necessidade, tocam a vida pra frente. Bem bacana.

5 - Temer e os "soviéticos": Cinco provas de que ele vive no início dos anos 90
Do Sakamoto. Gente, que vergonha desse ser vivo... que vergonha...

6 - Como a depressão mudou minha vida
Da Dreisse Drielle, essa linda. Depressão é uma coisa séria demais. Merece ser vista com cuidado e tratada com muito carinho. Esse depoimento da Dreisse é lindo!


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sexta-feira, 30 de junho de 2017

De volta a NY - Parte 1



Daí que o mundo gira, a lusitana roda e lá fomos, Leo e eu, pra Nova York novamente. Falei rapidamente sobre as mini-férias aqui. O destino original eu vou manter em segredo, porque é plano pra próxima viagem quando der. O que acontece é que estava caro. Daí, Leo resolveu pesquisar quanto ficaria pra ir pra Nova York e, pimba, tava beeeem mais barato. Dava pra encaixar a viagem numa promoção de passagem e num preço bom de hospedagem, no mesmo hotel em que ficamos da vez passada. Foi assim, num rompante, que mudamos de destino e resolvemos viajar. Corremos para guardar dinheiro e começamos a fazer planos: onde queríamos ir, onde queríamos voltar, o que não faríamos de jeito nenhum. O tempo era mais curto do que da última vez. Seria apenas uma semana, corrida, em meio ao trabalho. Então, além de tudo, tivemos que adiantar tudo o que faríamos nessa semana.

A viagem, também, só foi possível porque a Nathálya, nossa estagiária, foi ótima, como sempre, sendo um ponto de apoio fundamental no quesito adiantar-tudo e, ainda, ficou bem de boa sozinha na semana em que estivemos fora. Outra ajuda mais do que especial foi da Ana Paula e do Elias, que abrigaram a Cuca com muito amor e carinho, ainda mais levando-se em conta a idade dela. Amigos como os dois são raros!

Sobre os planos pra viagem, mantivemos o básico da última vez. Voo da Tam (desta vez, com escala em São Paulo, na ida e na volta) e hospedagem no Pennsylvania, que é ótimo em termos de localização, mas tava tão decadente que nunca-mais-na-vida eu piso lá. A CelTravel foi a fornecedora dos chips de celular, e mais uma vez foi perfeita. Compramos aqui no Brasil mesmo os passeios que faríamos. O Top of the Rock foi a primeira aquisição. Depois, compramos o NY City Pass para três atrativos. Escolhemos daqui mesmo os que queríamos visitar mas... lá, mudamos de ideia com relação a dois deles. Voltamos ao MET!!! Desta vez, nada de compras, além das que a gente faz em toda viagem. Conhecemos coisas novas, andamos por onde conhecíamos.

Finalmente, compramos o cartão infinito do metrô e andamos pra cima e pra baixo, com um mapa na mão. O mapa e o metrocard te levam pra qualquer lugar!


A volta a NY foi essencial pra gente descansar. Eu estava esgotada após dois anos do mestrado, misturados com o trabalho e, ainda, com a ressaca da perda da Tia Ylza e da Vovó. Foi muita coisa acumulada. Quanto tive um descanso do trabalho, mergulhei no mestrado, e vice-versa.

Se você parar pra pensar, uma semana não é nada em termos de tempo. Uma semana em Nova York é muito frenética. Porém, é uma ótima maneira de descansar, de tirar a cabeça o trabalho e do quem-sabe-talvez doutorado. Teve bom...

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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Livro: Livre


Antes veio o filme... depois dele, uma vontade danada de ler o livro. Comprei. Leo leu antes de mim e gostou muito. Ele ficou um bom tempo na estante, enquanto só as leituras do mestrado estavam fluindo. Mas aí, quando saiu, foi bem o que eu esperava.

Livre, de Cheryl Strayed, é um relato da autora sobre sua travessia pela Pacifc Crast Trail (PCT), trilha que atravessa o lado oeste dos Estados Unidos de norte a sul, passando por terrenos e altitudes variadas. Cheryl está precisando se encontrar, após a morte da mãe, que acarretou a dissolução de sua família e de seu casamento. Também está às voltas com a heroína e quer, desesperadamente, ficar sozinha para descobrir como pode viver após tantas coisas terem acontecido. Quando ela decide fazer a PCT, não há mais esperança. Ela passa meses se preparando para pegar a trilha, trabalhando com o objetivo único de comprar os equipamentos, a comida e os suprimentos que a levarão a se manter na trilha.

Quando o livro começa, Cheryl está no ponto onde pega a trilha (ela não fez o percurso inteiro, como parece ter acontecido no filme), às voltas com tudo o que comprou e uma mochila gigantesca, que ela mal consegue carregar quando está pronta. O peso absurdo, a falta de conhecimentos básicos sobre trilhas, a falta de leitura sobre o uso correto dos equipamentos que comprou, fazem com que o percurso seja penoso. Uma nevasca - a maior dos últimos anos - também parece ser um obstáculo intransponível. Mas Cheryl deseja se encontrar, deseja deixar pra trás a vida de tristezas e excessos, de escolhas erradas e da opção pelo sofrimento.

A leitura é bem interessante, apesar de ser um tanto quanto arrastada. Acredito que a autoria conseguiria um efeito melhor com uma história mais concisa. Na reta final, fica bem chato, porque o leitor sabe que virá mais do mesmo: Cheryl enfrentando obstáculos, Cheryl sofrendo por falta de grana, Cheryl com muita fome, Cheryl fazendo amigos de trilha. Tudo o que já tinha lá no começo. Porém, a forma como ela entremeia as histórias do passado às da trilha fazem o livro fluir. Pena que são poucas essas partes.

Vale a pena a leitura, sim. Mesmo que dê preguiça em alguns momentos. E, claro, dá vontade de fazer uma trilha como a dela. Aproveito para indicar o blog da Amanda Lourenço, o Duas mil milhas. Ela está fazendo a Apalachian Trail, a trilha do leste estadunidense. É uma leitura bem boa pra entender esse mundo das grandes caminhadas.
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terça-feira, 27 de junho de 2017

Citações #209

De Número Zero:



Os jornais mentem, os historiadores mentes, a televisão hoje mente. Você não viu os telejornais há um ano, com a Guerra do Golfo, o pelicano coberto de óleo, agonizando no Golfo Pérsico? Depois foi apurado que naquela estação era impossível haver pelicanos no Golfo, e as imagens eram de oito anos antes, no tempo da Guerra Irã-Iraque. Ou então, como disseram outros, pegaram uns pelicanos no zoológico e lambuzaram de petróleo. O mesmo devem ter feito com os crimes fascistas. Veja bem, não é que me afeiçoei às ideias do meu pai ou do meu avô, nem quero fazer de conta que não houve massacre de judeus. Por outro lado alguns dos meus melhores amigos são judeus, imagine. Mas não confio em mais nada. Os americanos foram mesmo até a Lua? Não é impossível que tenham construído tudo num estúdio, se você observar as sombras dos astronautas depois da alunissagem não são verossímeis. E a Guerra do Golfo aconteceu mesmo ou nos mostraram só trechos de velhos repertórios? Vivemos na mentira e, se você sabe que lhe estão mentindo, precisa viver desconfiado. Eu desconfio, desconfio sempre.  

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Enfim, a defesa



28 de março chegou e lá estava eu, morrendo de medo. Eu tinha muita certeza da minha pesquisa, do que descobri e do que tinha escrito, mas estava com muito medo da banca. Ok que, em geral, quando a sua banca é marcada, é um sinal de que você tem capacidade para defender sua pesquisa. Tem gente que diz que a banca só protocolar. Não sei se é a sim. Levei a minha a sério, como se fosse a última etapa do mestrado.

Por outro lado, estava bem mais tranquila do que na banca de qualificação. Isso porque a qualificação é o momento crítico, em que a banca vai dizer onde você acerta, onde erra, o que deve corrigir, o que deve refazer. A minha banca de qualificação foi a mesma da defesa, o que significa que eu teria que ter levado a sério tudo o que foi dito, fazer todas as correções de rumo, etc.

Uns dias antes, a Bel chegou. É um privilégio danado ter uma amiga que vem lá de Ilhéus pra estar com você. Foi com a Bel que falei das minhas angústias sobre a banca. Foi ela (e Leo acompanhando) que serviram de "cobaias" pra minha apresentação, apontando onde eu deveria mudar, o que poderia aprofundar e como deveria alterar a forma de passar de um slide a outro. Bel foi comigo pra Mariana, me dando todo o apoio possível.

Na rodoviária de OP, antes de ir pra Mariana
Lá na sala, com a banca montada e a defesa começando pontualmente, optei por não olhar pra plateia, pra não me emocionar. Não vi os rostos queridos que estavam lá, me dando apoio. Amigos que estavam comigo no início do curso, no início da vida, que chegaram no meio do caminho, que vão continuar comigo pra sempre. Destaco, além da Bel, a Rosinha, essa queridona que a vida me deu de presente, e que veio de Lafaiete só pra estar do meu lado também. Fiquei super emocionada com a saga dela em vir pra Ouro Preto, de ônibus, pra estar lá, na defesa. E ainda voltar pra Lafa no mesmo dia, porque tinha que dar aulas no dia seguinte. Sério: meus amigos são tão especiais que não consigo imaginar o que fiz pra ter eles perto de mim.

Bel, Rosinha e eu, pós-defesa, indo pro bar comemorar


Além da Bel e da Rosinha, a Nancy, que foi minha babá quando eu ainda vivia em OP, e deixou de ir trabalhar naquela terça-feira à tarde. O Paulo, que deixou os compromissos na universidade para seguir comigo. As amigas queridas que fiz no mestrado: Dayana, Luana, Kamilla, Ana Luísa. E os amigos do mestrado que não puderam ir, mas que me encheram de carinho. Os amigos que não são do mestrado e que inundaram minhas redes de mensagens lindas, me fazendo chorar de alegria. O Fred, coordenador do mestrado, que assistiu à defesa. A banca, muito generosa comigo. Não tenho palavras pra agradecer.

Obviamente, comecei a apresentar os resultados da pesquisa bem nervosa. Gaguejei, falei rápido demais, a mão suou. Aos poucos, a segurança do que eu tinha descoberto veio e tudo fluiu. Usei minha meia hora sem precisar correr no final. Apresentei o que eu precisava. Mostrei as minhas bolinhas coloridas - na pesquisa, uma coisa que eu queria fazer e não consegui foi apresentar meus resultados visualmente; por isso, os três slides de bolinhas coloridas me deixaram felizes demais.

Um dos slides de bolinhas - o mais básico
Não vou mostrar o complexo por motivos de foi uma das minhas descobertas

Quando terminei e me senti para ouvir a banca, a apreensão voltou. O medo de levar umas chapuletadas era imenso. Porque acontece. Porque, por mais que a minha pesquisa estivesse boa - está muito boa e posso me orgulhar disso sim -, não sou a dona da verdade. A primeira pessoa a falar foi a professora visitante. Em sua primeira pergunta, eu me perdi. Achei que não teria capacidade de responder e quis chorar. Ela fez três perguntas juntas e, enquanto eu as anotava, a resposta à primeira, que tanto me assustou, veio naturalmente. Quando a banca terminou, a Ana Luísa veio falar comigo sobre a facilidade e a segurança com que eu a respondi. Não sei como isso se deu: de uma hora pra outra, a insegurança foi embora e estava tudo lá. A outra membro da banca também fez seus questionamentos, e eu já estava bem mais segura, sabendo, enquanto a arguição foi passando, que a banca tinha sido bem generosa e que eu teria poucas coisas a acertar para a versão final. Respeitei aliviada.

O último a falar foi o orientador, e eu fiquei extremamente agradecida pela parceria por esses dois anos. Aprendi demais com ele - e ainda aprendo, porque, segundo ele, a orientação é para sempre. Queria ter um pouco da inteligência absurda que ele tem, para poder seguir carreira nessa selva de pedra chamada mundo acadêmico.

A assinatura da ata. Ufa!

Depois da saída, de praxe, para que a banca deliberasse, foi uma delícia abraçar todo mundo que esteve naquela sala. Foi amor demais, de todos os lados. Por último, a aprovação, com uma surpresa: a banca indicou o trabalho para publicação. Até hoje - mais de dois meses depois - a ficha sobre isso não caiu. Já depositei a versão final no repositório da Ufop (em breve, estará disponível para download) e agora é partir pra tentar uma publicação e, ainda, o estabelecimento de um produto, como também indicado pela banca. Dedos cruzados!

Só gente querida! Faltou a Nancy, que voltou correndo pro trabalho

Bel e eu, pós-defesa, fingindo que bebemos cerveja

Foi lindo. Foi intenso. Foi tão bom que quero mais. Estou estudando para desenvolver um projeto de doutorado. Sei que vou dar continuidade. Não sei quando serei aprovada no doutorado. Sei que, não importa quando a aprovação vier, estarei lá, pra cursar mais quatro anos e seguir pra onde está o meu futuro.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Livro: A garota na teia da aranha



O caso é grave. Por gostar muito-muito-muito da Trilogia Millennium, fique até empolgada quando vi que teria uma continuação. Já sabia que não seria a mesma coisa, visto que o Stieg Larsson estava morto. Mas até então, a notícia que tinha é que o autor novo tinha sido aprovado pela família do Larsson. Um indicativo bem pequeno de qualidade, eu sei. Mas, mesmo assim, fiquei tentada a continuar lendo. Meu primo João Batista me deu o livro (ele sempre me manda livros; eu amo!) e fui logo encaixando pra ler.

Daí que, né?, não foi fácil. A expectativa pra uma legítima história do Larsson era enorme. E o livro acabou sendo uma grande decepção. Talvez porque os nomes dos personagens tenham se mantido - era esse o objetivo, não? -, mas suas personalidades tenham se tornado difusas. Impossível reconhecer a Lisbeth da trilogia nesta história. Mikhael também não é o mesmo. O ambiente é outro, o clima é outro. Não dá pra aceitar essa história como parte da trilogia original. Talvez, se o autor levasse a mesma história, mas sem se apropriar dos personagens, até passava como um romancezinho fácil desses que prende o leitor por conta de um plot twist no fim de cada capítulo.

A história começa com Frans Balder, um sueco gênio da computação tendo roubado informações importantes de um bando de hackers que se traveste de empresa de segurança de dados. A NSA, agência de inteligência de dados estadunidense, está de olho nessa situação, mas não leva a sério o risco à vida do cientista. Este, por sua vez, tem um filho autista inteligentíssimo com números e capaz de desenhar com tanta perfeição que deixa todos de boca aberta. Acontece que, até então, ninguém sabia dessas duas habilidades da criança. Sim, isso é sério.

Essas características do garoto só surgem quando seu pai é brutalmente assassinado, na frente do filho, por um frio matador de aluguel. Que, é claro, pertence à tal organização criminosa. Movido sabe-se lá por qual motivo, o assassino poupa a criança, que é, então, levada como testemunha. Mas com seu autismo grave, não sabe fazer nada além de desenhar. O gênio sueco assassinado era amigo - uma amizade nunca esclarecida, por mais que o autor tente desenvolver essa questão - de Lisbeth Salander, a hacker que a gente ama. Ela, por sua vez, está às voltas com uma invasão nos computadores da NSA, quebrando a segurança e instalando um vírus espião. Mikhael, há tempos sem notícias de Lisbeth, sofre porque, mais uma vez, a revista Millennium está ameaçada de ser fechada. Algo que não condiz com o último livro da trilogia, veja bem.

Não se sabe quanto tempo se passou entre o terceiro volume, o último escrito pelo Larsson, e este, do David Lagercrantz. Porém, acredito que só uns dez anos de espaço entre uma história e outra poderiam colocar a revista Millennium em risco novamente. O autor justifica dizendo que foram péssimas decisões empresariais (mesmo depois de tudo o que o Mikhael e a Erika viveram nos últimos livros???) e pela perda de credibilidade do jornalista, a partir de uma campanha na internet orquestrada - veja bem - pelo executivo que comanda a empresa que comprou parte da revista. Não faz muito sentido, se formos pensar em como o Stieg Larsson construiu a Millennium.

Mas, vá lá... Mikhael é levado por uma fonte bem obscura a tentar uma entrevista com Frans Balder, buscando alavancar novamente sua carreira como jornalista. O cientista, então, marca com ele um encontro de madrugada. Quando Mikhael chega, Balder já está assassinado. Assim, o jornalista também entra na trama. No fim das contas, as ligações de Mikhael e Lisbeth com Balder são muito fracas para justificar a história. Nem vou comentar a ligação de Lisbeth com August, o filho autista de Balder. Idem para a aparição de Camilla, irmã de Lisbeth (e aqui, pelamor, precisava a personagem ser uma femme fatale? Não faz o menor sentido!!!)

Enfim, a história é até interessante. Mas seria mais se não tivesse qualquer ligação com a Trilogia Millennium. Não dá pra ser feliz vendo os personagens e o universo sendo distorcidos, ao mesmo tempo em que o autor tenta "imitar" o estilo do Larsson.

Sobre a Trilogia Millennium, escrevi:
Os homens que não amavam as mulheres
A menina que brincava com fogo
A rainha do castelo de ar
A garota com a tatuagem de dragão e a filosofia: tudo é fogo
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terça-feira, 20 de junho de 2017

Citações #208

De Número Zero:




Por outro lado, parece que nosso editor disse uma vez que seus telespectadores estão numa faixa média de idade (digo, idade mental) de doze anos. Os nossos leitores não, mas é sempre útil atribuir uma idade a eles: os nossos terão mais de cinquenta anos, serão bons e honestos burgueses que desejam a lei e a ordem, mas adoram fofocas e revelações sobre várias formas de desordem. Partiremos do princípio de que não são aquilo que se costuma chamar de leitor assíduo, aliás, grande parte deles não deve ter nem livro em casa, mas, quando necessário, falaremos do grande romance que está vendendo milhões de exemplares em todo o mundo. O nosso leitor não lê livros, mas gosta de pensar que existem grandes artistas excêntricos e bilionários, assim como nunca verá de perto a vida de pernas compridas e mesmo assim quer saber tudo sobre seus amores secretos.  


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segunda-feira, 12 de junho de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #156

1 - Por que muitos acham que bom jornalismo é lixo e que lixo é bom jornalismo?
Do Sakamoto. Texto bem interessante sobre a relação do público com os textos jornalísticos. Hoje, essa polarização tem proporcionado que pessoas pensem que bom jornalismo é texto opinativo, quando está bem longe disso. Leitura super recomendável.

2 - Relacionamento abusivo nas amizades
Da queridíssima Rosinha. Ainda bem que me livrei das pessoas tóxicas que me cercavam. Algumas se posicionavam como amigas, outras como colegas, até mesmo familiares. Gente tóxica, que faz mal, quero ver longe. E a Rosinha dá um passo a passo de como identificar essas pessoas.

3 - Escrevo porque preciso, me calo porque canso
Da queridíssima Bel. Sobre escrita como catalisador, ou como forma de expressar/organizar melhor os sentimentos. Muito bom!

4 - E se o Brasil fosse governado pelas mídias sociais?
Do Eduardo Vasques. Um alívio cômico mas, ao mesmo tempo, um tapa de realidade na nossa cara, nesse momento bizarro que o país vive.

5 - Livre. Vive
Da Cláudia Giudice. Uma reflexão mais prática sobre o minimalismo

6 - Livro X Filme: estereótipos machistas e racistas pautaram a adaptação das Serpentes de Areia para a TV
Do Nó de Oito. Um texto longo e muito bacana sobre Dorne, nos livros de As crônicas de gelo e fogo e em Game of Thrones. Muito bacana, porque casa com a sensação que eu tive, mas mais ainda, porque tem muito a ver com a minha dissertação.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Se puder

Post inspirado em Se puder, da Bel, com um adendo meu.

Se puder faça terapia. Melhor decisão da minha vida foi partir pra análise. Mudou tanta coisa em mim e em minha relação com o mundo... 

Se puder cozinhe em casa. Não sei cozinhar. Não consigo aprender. Não consigo gostar. Mas valorizo, muito, quem cozinha.

Se puder encontre alguma atividade que você goste e pratique sempre que tiver vontade. Caminhada, quebra-cabeça, leitura. Tudo que seria sempre bom praticar quando eu tivesse vontade, mas não é assim que a banda toca. 

Se puder se dê um gosto. Ultimamente, têm sido os livros mesmo. Mas sempre tem uma viagem ali à espreita. As mini-férias foram isso. 

Se puder estude ou faça um curso que não tenha nada a ver com a sua profissão. Jardinagem eu estou tentando. Mas ainda não chego nem perto de fazer direito.

Se puder separe uns minutos para não fazer nada com o seu amor. Tem rolado. Menos do que eu gostaria, porque estou trabalhando no projeto-doutorado. 

Se puder medite, nem que seja por um minuto.  Não consigo. Acho que é por falta de tentar mesmo. Queria muito, especialmente porque ajuda a desacelerar

Se puder abrace alguém que você gosta todos os dias. Tento. Tenho problema com abraços (isso é tema pra um texto, um dia). 

Se puder corte pessoas tóxicas da sua vida. Sempre. Alivia a jornada de forma tão espetacular, que às vezes me pego pensando se não tem mais gente pra cortar da vida. 

Se puder não deixe de tomar café da manhã. Nem posso. Se eu não tomo café da manhã, é desmaio na certa. 

Se puder tome uma tacinha de vinho todos os dias. Rola não. Minha relação com o vinho está em eterno processo de luta. 


Acrescendo, aqui, a minha parte:

Se puder, foque nos processos. A gente, em geral, se fixa muito no objetivo e esquece os processos. Porém, um bom processo leva a um resultado mais eficaz, de forma bem mais rápida.

Se puder, não pare de se mexer. Hoje, sinto as consequências daquele ano, lá atrás, quando precisei ficar quieta, sem fazer qualquer atividade física. Nem dançar podia. Daí, de uma hora pra outra, tudo ficou difícil. "Mexa-se, Aline" é algo que tento falar comigo mesma todo dia.

Se puder, exercite os músculos do rosto com mais sorrisos do que com caras feias.

Se puder, sonhe de olhos abertos. Os sonhos noturnos podem ser confusos, mas sonhar acordado oferece metas e objetivos mais palpáveis e realizáveis.

Se puder, exercite a sororidade. É necessário que as mulheres sejam solidárias umas com as outras. Já basta de patriarcado, de machismo, de opressão masculina.

Se puder, leia livros. Se puder, compre livros. Se puder, doe livros.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 6 de junho de 2017

Citações #207

De As aventuras de Pi:



- O mundo não é apenas do jeito que ele é. É também como nós o compreendemos, não é mesmo? E, ao compreender alguma coisa, trazemos alguma contribuição nossa, não é mesmo? Isso não faz da vida uma história?

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segunda-feira, 5 de junho de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #155

1 - Sim - Usar até acabar
Da Beth Salgueiro, no Primeira Fonte. Sobre tempos de escassez e reaproveitamento. E sobre o que esses tempos podem nos ensinar.

2 - Esquerdo-macho é pior que machista
Da Marcela Zaidan. Taí um serzinho que me dá engulhos. Pior é reconhecer um entre seu círculo de amigos ou conhecidos. Colegas de trabalho, idem. Há um desses que cruzou meu caminho ano passado. O horror, o horror.

3 - Aécio Neves e o que não se lia na imprensa mineira até recentemente sobre ele
Do José de Souza Castro no Blog da Kika Castro. Jornalistas mineiros sabem. Atenção para o livro que está linkado no post!

4 - Férias, agora entendi
Da Cláudia Giudice, do A vida sem crachá. Li o texto enquanto ainda estava em mini-férias e pensando justamente no fruir. Já tive férias correria, dessas de tentar aproveitar o máximo no maior tempo possível. Hoje, não vejo mais motivo para correr. O que tiver que vir vai ser aproveitado. Será influência do minimalismo?

5 - O discurso de Helen Mirren para mulheres que não se consideram feministas
No El Pais. Cara, tem tanta gente que tem postura feminista, mas não se afirma como, por ter medo do nome, por entender o feminismo como oposição ao machismo, por tanta coisa... O discurso é bem interessante.

6 - Assassinato no Expresso Oriente e eu
Da Luciana Nepomuceno. Ela traduz o que eu sinto ao ler Agatha Christie. Uma leveza que é praticamente incompatível com assassinatos, porque a autora consegue falar muito bem da alma humana. Foi uma delícia ler esse texto e lembrar da minha coleção de livros, que foi doada pra Biblioteca Pública de Ouro Preto.

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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Livro: Vozes de Tchernóbil - a história oral do desastre nuclear



Quando o Nobel de 2015 anunciou Svetlana Aleksiévitch como vencedora, fiquei querendo conhecer a sua obra. Uma mulher, uma jornalista, uma história sobre a União Soviética. Meu conhecimento sobre Tchernóbil era nulo, só sabia que rolou um desastre nuclear e que, em seguida, teve um vazamento de Césio 137 em Goiânia. Lembro até da musiquinha: "eu amo Goiânia, Goiânia me ama...".

Fiquei com vontade de ler ao menos três livros da autora. Esse As vozes de Tchernóbil era um deles. Dei de presente para uma amiga, mas não comprei pra mim. Durante a Semana Santa deste ano, ganhei do Marcelo e da Debora, o casal de professores que tem me incentivado muito na vida acadêmica; ele, meu orientador, ela, participante das minhas bancas e sempre me botando pra pensar. Comecei a ler e foi uma porrada. Não tem outra palavra.

A autora não escreve. Ela transcreve a fala de diversos personagens, anônimos ou não, que viveram Tchernóbil de alguma forma. As esposas dos liquidadores, os homens que foram enviados para tampar o buraco no reator e que receberam cargas altíssimas de radiação; as crianças que não entendiam o que estava acontecendo; os militares, preparados para uma guerra, mas não para um acidente nuclear. Os moradores das aldeias, que não compreendiam nada e até hoje choram por terem sido forçados a deixar a terra onde nasceram e viveram.

Chorei em diversos momentos. A voz ficava embargada. O aperto na garganta era severo. Deixei o livro de lado. Voltei a ele. Impossível não terminar, impossível ler com sofreguidão, sem ter repulsa pela história, pela humanidade, pelo governo. A dor do povo doeu em mim. Mas sei que a minha empatia é só uma tentativa minúscula e inexpressiva perto do que viveram.

Já tenho o segundo livro dela pra ler. E este vai viajar pro Piauí, pra minha amiga Ju. Pra alguém que sei que vai viver a experiência e vai espalhar luta por onde passar.

Quando puderem, leiam. É sofrido, mas é necessário.

Já falei algumas vezes como preciso de literatura e de cinema que me tirem do conforto, que sacudam a minha vida. Os textos estão aqui e aqui. Vozes de Tchernóbil veio assim, atropelando tudo, e trazendo pra mim o que eu mais gosto em um livro: abrir o horizonte.

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terça-feira, 30 de maio de 2017

Citações #206

De As aventuras de Pi:



Como é terrível uma despedida gorada… Sou uma pessoa que acredita nas formalidades, na harmonia da ordem. Sempre que possível devemos dar às coisas uma forma significativa. Por exemplo, será que eu poderia lhe contar essa minha história tão confusa em exatamente cem capítulos, nem um a mais, nem um a menos? Sabe que a única coisa que detesto no meu apelido é o jeito que esse número tem de se estender indefinidamente? Na vida, é importante concluir as coisas do modo certo. Só então a gente pode deixar aquilo para trás. Caso contrário, ficamos remoendo as palavra que podíamos ter dito, mas não dissemos, e o nosso coração fica carregado de remorso.

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segunda-feira, 29 de maio de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #154

1 - Merlí: como não amar?
Do Pequenina e Gigante, sobre a série catalã Merlí, que é uma delícia. Ensinar Filosofia de olho no cotidiano é muito bacana. Preciso escrever sobre a série...

2 - No thanks, Heloisa
Da Helô Righetto. Sobre os "nãos" que os jornalistas freelancers recebem. Sobre a dificuldade da vida de quem quer trabalhar com escrita.

3 - Os medos de Belchior
Do Mário Magalhães. Sério, leiam o Mário Magalhães. E ouçam Belchior. Vai fazer falta esse rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes militares importantes e vindo do interior.

4 - Filmic pizza: our top 10 scenes for pizza lovers
Do The Guardian, uma lista muito bacana de filmes e séries em que pizzas têm algum papel relevante. Tem Breaking Bad, Gilmore Girls, Home Alone  e Back to the future. Muito bom!

5 - Ian McEwan: "O amor não é sempre uma virtude"
Do El Pais, uma entrevista muito bacana com um autor que eu respeito.

6 - Vendido como mocinho pela irmã, Aécio garantiu blindagem da imprensa por 30 anos
Do Lucas Figueiredo no The Intercept. Jornalistas de Minas já sabiam. Mais pessoas precisam saber.

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domingo, 28 de maio de 2017

Dez



Daqui.

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sábado, 27 de maio de 2017

Resumão das mini-férias

Teve mini-férias, aê!

Foi na correria, a decisão foi mutcho loka, mas rolou. Não era pra onde eu queria ir, mas foi pra onde a grana dava pra bancar.

Um resumo basicão, porque vou falar das mini-férias com mais detalhes, depois:

- planejamento continua sendo a chave do sucesso. Planejar tudo, do onde-ir, onde-comer até a grana a gastar;
- o governo do seu país pode surtar exatamente no dia em que você chega ao seu destino, e seu plano financeiro pode sofrer abalos, mas se tudo for bem planejadinho, dá pra sobreviver sem sofrer;
- imprevistos acontecem. Uma alergia horrenda no rosto (o meu ficou parecendo uma pipoca adolescente), um ligamento rompido no pé, um produto que você só podia encontrar num lugar X e que foi vendido um dia antes de vc chegar;
- é preciso ter espírito positivo pra continuar turistando com alergia e pé bichado;
- entrar em livrarias com listas de livros a serem buscados é maravilhoso;
- voltar pra casa cansa muito e é frustrante;
- fazer mala compacta é uma capacidade que eu domino plenamente;
- agora também domino a arte de trazer cerveja na mala despachada;
- cartão ilimitado do metrô é vida;
- você pode comer muito bem sem ter que ir a restaurantes "oficiais";
- o app de clima da Apple é bem certinho. Mas só por três dias de antecedência;
- teve todo tipo de clima, só não teve neve. E eu só não tinha roupa e sapato pra enfrentar neve.

Teve bom.

Espero que as próximas mini-férias sejam pro destino que seria agora...

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terça-feira, 23 de maio de 2017

Citações #205

De As aventuras de Pi:


Concluí que tinha enlouquecido. É triste, mas é verdade. A infelicidade adora companhia, e a loucura atende prontamente a esse desejo.


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domingo, 21 de maio de 2017

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Desatinos

Daí que um dia, não lembro qual, alguém, que não lembro quem, me apresentou a essa música espetacular chamada Triste, Louca ou Má, da banda francisco, el hombre.





Essa música é uma maravilhosidade sem tamanho. Idem para o clipe.

Virou quase um hino, que escuto com muita frequência.

Uma parte da letra diz "ela desatinou, desatou nós, vai viver só". Na hora, claro, lembrei da Ela desatinou, do Chico-deuso-muso-Buarque.





A moral da história: bora desatinar, gente!


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terça-feira, 16 de maio de 2017

Citações #204

De As aventuras de Pi:



Podemos nos acostumar a tudo. Já não disse isso? Não é o que dizem todos os sobreviventes?


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domingo, 14 de maio de 2017

Quero



Daqui.

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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Avós e bisavós

A bisavó da minha estagiária morreu. A garota estava comigo, na agência, quando a mãe dela ligou avisando. Foi uma coisa muito maluca, porque me fez pensar em várias coisas. Em especial, em uma que ela disse pra mim: "Ela estava doente, mas eu não achei que ela fosse morrer. A minha outra bisavó já morreu, mas eu não achei que esta iria agora". Não fiquei pensando nessa coisa inevitável que é a morte, mas que a gente tenta evitar o tempo todo, acreditando piamente que não vai acontecer nunca com quem a gente ama.

O que me pegou pra pensar foi o fato dela ter pego duas bisavós vivas.

As gerações vão mudando, e nós estamos com uma maior qualidade de vida, não tem como negar.

Quando eu era criança, ficava super feliz por ter os quatro avós vivos. Os maternos, bem próximos da gente. Os paternos, distantes e estranhos, mas vivos. A maior parte dos meus amigos já tinha perdido ao menos um dos avós.

Pra mim, foram 14 anos com os quatro vivos. Vovô morreu em 1993. Os paternos, em 1996 e 1997. Vovó, em 2014. Convivi 36 anos com ao menos um dos quatro (e foi um privilégio sem tamanho!) Porém, não convivi com qualquer dos bisavós. Conheci algumas histórias dos bisavós pelo lado materno: vovó Adelina e vovô Camillo, pais da Vovó; vovó Enoe e vovô Procópio, pais do vovô. Do lado paterno, só que a mãe da vovó Ernestina era italiana e se chamava Laurencina, mas todo mundo a chamava de Dona Laura.

Vovô Zina não teve tempo de ter bisnetos. Aliás, a família dela parou de crescer em 1984, quando Otávio nasceu. Eu ainda tenho esperança de ter sobrinhos. Lelê quer ter filhos e em breve devemos ter notícias sobre isso. Mas a vó do Leo, D. Lídia, é mais nova que vovó (faz 91 em 2017) e já tem oito bisnetos. E entre as minhas amigas, a Pat, que é pouco mais velha que eu, acabou de ter a primeira netinha, a Pietra. A mãe da Pat, super jovem, já é bisavó.

A moçada mais jovem (a estagiária tem 22 anos) já pode conviver de perto com bisavós, e isso é muito lindo! Porque avós são uma delícia. Bisas devem ser ainda mais.

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terça-feira, 9 de maio de 2017

Citações #203

De As aventuras de Pi:



Preciso dizer uma coisa sobre o medo. Ele é o único adversário efetivo da vida. Só o medo pode derrotá-la. É um adversário traiçoeiro, esperto… Como eu sei disso! Não tem nenhuma cedência, não respeita leis nem convenções, não tem dó nem piedade. Procura o nosso ponto mais fraco e o encontra com a maior facilidade. Começa pela mente, sempre. Num momento, estamos nos sentindo calmos, confiantes, contentes. Aí o medo disfarçado sob a capa de uma ligeira dúvida, se infiltra na nossa mente como um espião. A dúvida vai ao encontro do descrédito e o descrédito tenta expulsá-la dali. Mas ele não passa de um soldado de infantaria com armamento deplorável. Sem maiores problemas, a dúvida consegue vencê-lo. Começamos a ficar ansiosos. A razão entra em cena para lutar por nós. Ficamos mais tranquilos. Afinal, ela está inteiramente equipada com armamentos da mais avançada tecnologia. Mas, para nossa surpresa, apesar da superioridade de suas táticas e de uma quantidade inegável de vitórias, a razão é derrotada. Nós nos sentimos enfraquecidos, hesitantes. A nossa ansiedade se transforma em pavor.

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segunda-feira, 8 de maio de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #153

Depois que montei o post é que percebi que só dei indicações de Sakamoto e Mário Magalhães. Não foi intencional, mas ambos merecem o destaque. 

1 - "Vagabundo" não é quem faz greve. É quem se nega a estudar História
Do Sakamoto. Impressionante o discurso da mídia contra um direito constitucional. Os direitos dos trabalhadores que temos hoje vieram por muita luta, por meio de greve e outros tipos de enfrentamento. Estudar um cadinho de história não dói, gente.

2 - Ódio contra a greve retrata o atraso do Brasil
Do Mário Magalhães. Um tanto do complexo de viralata mostrado didaticamente.

3 - Primeiro de abril: como uma mentira se torna verdade na internet
Do Sakamoto. Outro post bem didático. Imprescindível nesses temos de ~pós-verdade~

4 - Dez sintomas de que você virou hater e não percebeu
Mais um do Sakamoto. Tá difícil viver nesse mundo em que todo mundo se odeia. Para não cair nessa, basta ver os comportamentos recorrentes e parar de repeti-los (sei que não é simples, mas querer mudar já ajuda um tantão!)

5 - Por que Marine Le Pen é de extrema direita e Jair Bolsonaro não é?
Do Mário Magalhães. Cara, ler o Mário Magalhães é mais do que necessário pra estar bem informado hoje em dia. Ok, não gosto tanto quando ele fala do Flamengo, mas as outras análises são sempre bem fundamentadas e importantes. Essa pergunta dele desnuda a nossa mídia...

6 - Há 80 anos, ataque aéreo nazista levava horror e morte a Guernica
Mais um do Mário Magalhães. Guernica é uma obra tão forte, tão intensa, que me faz crer que a arte não é subjetiva. Há muitos anos, escrevi um pouco sobre a pintura e sobre o que ela me causa. No texto, o Mário lembra o ataque aéreo que causou horror ao mundo todo e levou Picasso a pintar.

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domingo, 7 de maio de 2017

o/



Daqui.

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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Vamos viver o que se há pra viver...

Vi no blog da Bel e trouxe pra cá. É uma lista de coisas feitas/não feitas/a serem feitas.

Curioso que já fiz um post parecido há algum tempo...



Morar sozinho 
Comprar carro novo - Não
Fazer um cruzeiro - Não
Casar 
Divorciar - Não
Casar novamente - Não
Se apaixonar 
Faltar a escola 
Ver alguém nascer - Não
Ver alguém morrer 
Visitar o Nordeste 

Conhecer o Sul 

Conhecer os EUA 

Conhecer Paris - Não
Conhecer Amsterdam - Não
Conhecer Alemanha - Não
Conhecer Londres - Não
Conhecer a África - Não
Conhecer a China - Não
Conhecer a Argentina  

Aparecer na TV 
Aparecer em um filme - Não
Se apresentar numa peça de teatro 
Se apresentar num espetáculo de dança 

Tietar alguém famoso
 
Dançar na chuva 
Tocar guitarra 

Cantar no karaoke - Não
Ver neve caindo - Não
Chorar de tanto rir 
Andar em uma ambulância 

Fazer xixi de tanto rir 

Chorar de soluçar 
Realizar um sonho 

Tomar um porre 

Ter um filho - Não
Perder um filho - Não 
Plantar uma árvore 
Comprar uma bicicleta 

Comprar um patins 

Escrever um livro  

Ter um animal doméstico 
Curtir a praia olhando o pôr do sol 

Ver o sol nascer sentado na areia da praia - Não
Nadar sem roupa - Não
Andar de trenó - Não
Andar de Jet Ski - Não
Andar de moto 

Saltar de um avião - Não
Saltar de bungee jump - Não
Fazer uma loucura de amor - Não
Andar a camelo - Não
Andar a cavalo 

Aparecer no jornal 
Aparecer em revistas 
Fazer uma cirurgia 
Ficar internado 
Achar que ia morrer 
Andar de helicóptero - Não
Doar sangue - Não
Ir ao cinema sozinho 

Por um piercing - Não
Fazer uma tatuagem 

Dirigir um carro automático  

Fazer mergulho - Não
Viajar sozinho ✔
Ficar na parte de trás do carro de polícia - Não
Ganhar multa por excesso de velocidade 

Ter um osso quebrado 

Ter pontos em algum lugar do corpo - Não
Mudar de cidade 

Ganhar na mega sena - Quem dera...
Ganhar um prêmio em um bingo 

Colocar tudo num carro e começar a vida num novo lugar - Não
Virar noite acordado festejando 
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