sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

2017

Foi um ano louco e rápido. Passou tudo voando, uma coisa atrás da outra, muita coisa acontecendo. 

  • Terminei da dissertação, defendi, virei Mestra, tem até diploma emitido! Foi um trabalhão em volume e em desgaste emocional. Também em amor, tenho muito orgulho do que produzi. Meus agradecimentos a todos que estiveram comigo nesse período. Fiz amigos, na turma no mestrado, com meu orientador e sua família; reforcei laços com amigos de longa data também. A defesa, aquele momento tenso, foi muito especial;
  • Escrevi artigos, capítulos de livros, projetos. Terminei o ano lançando um livro organizado por mim e por colegas, na mesa de abertura de um congresso, dividindo a mesa com três professores da minha vida acadêmica: um da graduação, um da especialização e um do mestrado. Fiquei orgulhosa sim;
  • Teve banca de TCC sim! Muitas e todas muito bacanas. Adoro!;
  • Teve um convite de trabalho muito especial. Fiquei feliz e honrada, mesmo não podendo corresponder; 
  • Completei um ano de pilates! Desde a adolescência, não ficava tanto tempo fazendo uma atividade física externa;
  • Voltei pro QiGong, depois de um ano e meio parada. Sério, QiGong é vida!;
  • Li pouca literatura, mas no geral, foi muito bom: Tetralogia Napolitana (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), Vozes de Tchernóbil, O vestido, Sobre a escrita, Pequenas grandes mentiras, Fahrenheit 451, Um amor incômodo, A filha perdida, As três Marias, Dias de abandono. Um viva pra Elena Ferrante, que salvou meu ano literário!; 
  • Mas teve também aquelas leituras meio chulé: Livre, A garota na teia da aranha; 
  • E teve leitura acadêmica de várias formas. Só trouxe pro blog as menos puxadas: Tesouros enterrados de Lost, História do Lance!Net-ativismo, A produção do jornalismo esportivo na internet. Me recuso a falar das outras leituras acadêmicas, porque são densas demais. Ninguém merece vir aqui pra ver semiótica, teoria ator-rede, metodologias e quetais; 
  • Teve leitura beta também, de um dos melhores livros que li este ano, mas sobre o qual ainda não posso falar nada;
  • Terminei Gilmore Girls e não escrevi sobre isso. Voltei a ver Lost e AMO!!. Vi algumas outras sérias, como Strager Things 2, Mindhunter, Punho de Ferros, Os Defensores, 13 reasons wht, Gilmore Girls. Outras que não lembro;
  • Vi Blade Renner, versão do diretor e, no dia seguinte, Blade Renner 2049, no cinema. Fiquei louca com a sala confort, porque ninguém faz barulho; 
  • Acabei escrevendo pouco também, aqui pro blog. Especialmente entre setembro e outubro. Falta de tempo generalizada. 2017 foi o ano em que menos publiquei aqui, exceto 2009, quando ainda tinha o outro blog e não conseguia concentrar tudo;
  • Teve mini-férias delícia (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui. Falta o resto, eu sei. Vou contando. 
  • Foi ano de dar "até logo" pra uma das pessoas mais importantes da minha vida. E, mais uma vez, me acostumar com aquela ausência que grita o tempo todo. Ainda estou me acostumando;
  • Foi um ano de muitas viagens e muitos reencontros. De sorrisos e abraços. E de sobrinhos! Teve muita gente linda por perto. Agradecimentos especiais aos que mais estiveram por aqui: Bruno, Luciana, Breno, Marcelo e Leandro; Ana Paula, Elias e Chico; Leo, Cris, Lucas e Hugo; Marcelo, Debora e Maria; Alan e Marcão; Aninha, Pedro, Bernardo e Gabriel; Vanessa, Ronan e Tomás; Stênio; Rosinha e Anabel; Mário. Relacionamento quase diário com esses queridões e muito, muito amor. 


O que eu queria em 2017 e que o que aconteceu:

  • mais automação nos processos do trabalho - Uhu!!! Caminho sem volta, com tudo fluindo muito bem. É das melhores coisas que consegui no trabalho, com muito investimento pessoal, muitas tentativas e erro e, no fim, muito sucesso. Felizona!; 
  • calma para terminar a dissertação - calma não teve. Mas teve fim da dissertação, teve defesa, teve diploma e teve tudo indo muito bem.
  • mais calma ainda para defender a dissertação - calma não teve, nunca tem. Mas fluiu. E foi uma defesa cheia de amor. 
  • um belo projeto pro doutorado. Ou melhor, três belos projetos pro doutorado, ao menos - só teve um projeto, e eu não gostei dele. Cheguei até a entrevista do doutorado e bati na trave por alguns motivos específicos. Meu orientador disse que o projeto estava ótimo, mas o fato de eu não ter gostado dele deve ter contribuído pra não ter passado. Mas não me importo, um dia eu passo. 
  • uma viagem bem legal pra comemorar o fim do mestrado e a abertura de novas possibilidades - teve, e foi lindo! Mesmo rápido, mesmo com o dólar nas alturas, foi uma das viagens mais legais da vida!
  • mais sala de aula! Como aluna ou professora, o que vier é lucro - teve só no segundo semestre, quando voltei pra Filosofia e fiz vários cursos online. 
  • mais amor no mundo - não está rolando, definitivamente. 
  • mais interpretação de texto - vixi… 
  • mais encontro com os amigos - rolou demais! Acho que foi o ano mais social da minha vida. E foi ótimo!
Se 2018 viver com tanta sintonia com os amigos, com tantas realizações pessoais, como foi 2017, vai ser lindo. 



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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

De volta a NY - Parte 6

Sempre uma surpresa em cada esquina
Começamos o domingo prontos pra conhecer o Guggenheim. Tanto o prédio quando a arte que nele habita eram coisas que eu queria ver desta vez. O ingresso estava incluso no City Pass, e foi ótimo ter feito essa compra ainda no Brasil. Pegamos o metrô e subimos pro museu. Meu pé em chamas, mas menos inchado devido ao suporte, me fazia andar bem devagar. Por isso, custamos a chegar.




O prédio é uma coisa linda! Um vão livre enorme e as espirais, por onde se desce e se vê os nichos, com as obras. Não pode entrar com bolsas grandes, então deixamos as mochilas no guarda-volumes e pegamos o elevador para ver as obras. Sim, pode-se fotografar. O que é ótimo.



Olha esse vão!!! Olha esse caracol maravilhoso!

Pollock

Pollock

Pollock

Teve Max Ernst, Yves Tanguy, Paul Delvaux, René Magritte,  Duchamp (em tela, não em ready-made), Piet Mondrian, Paul Klee, Robert Delaunay, Amedeo Modigliani, Degas (pinturas e esculturas), Paul Gauguin, Van Gogh, Paul Cézanne, Edouard Manet, Toulouse-Lautrec, Claude Monet,

Picasso

Kandinsky
Kandisky

Cara, emocionante demais ter contato com todas essas obras, nesse prédio maravilhoso. Juntando MET, MoMA e Guggenheim, tá tudo lindo e cheio de emoção. A única coisa que atrapalhou foi... meu pé, meu querido pé que me aguenta o dia inteiro. O bichinho sofreu. Volta e meia eu precisava sentar, repetir a pomada analgésica, tomar remédio pra dor. Não foi fácil.

Saímos e fomos, mais uma vez, para o Central Park. Atravessamos de um lado para o outro, em meio ao muitas famílias, cachorros e corredores.



Dalí, pegaríamos o metrô para seguir pro Brooklin. Nosso objetivo era almoçar por lá e depois atravessar a ponte do Brooklin à pé. Algo que queríamos ter feito na visita anterior e que era beeeem não recomendável para agora, visto a situação do meu pé. Mas a gente estava de mini-férias comemorativas, então pensei que teria todo o tempo do mundo pra cuidar do meu pé depois que voltasse pra casa. Iria devagar, mas não deixaria de ir.

Pegamos o metrô, mas como haveria uma manutenção numa das linhas que vão ao Brooklin, acabamos saindo em um lugar diferente do programado. Foi ruim? Claro que não! Saímos do lado do Shake Shack, o melhor sanduíche desse mundo. Óbvio que nosso almoço foi lá.


Aí seguimos pra ponte, que não era lá muito longe - um "logo ali" de mineiro -, mas que, no fundo, pareceu muito longe pro meu pé direito.







Se tudo fosse normal, teríamos continuado flanando por aí. Mas não rolou. Por motivos de pé direito. Então, saímos da ponte, pegamos o metrô e fomos pro hotel.

Única solução possível pra um dia de caminhada hard

E o dia ainda não tinha terminado... Tínhamos uma entrada do City Pass para utilizar, e não sabíamos o que fazer. Já estávamos quase voltando pro Brasil e não queríamos perder o investimento. Daí, revisamos a lista de opções e resolvemos ir pro Empire State Building. Só conhecíamos o bar no subsolo, que tínhamos visitado com o Pedro na visita anterior. Agora, era a possibilidade de subir no mirante e ver NY por outro ângulo.

Essa cidade é muito linda!
Depois da visita, que foi menos do que esperávamos, porque o Rockfeller Center foi mais legal. Ainda assim, foi muito bacana. Daí, passamos no bar, o Heartland Brewery, mas super rápido, por motivos de que eu precisava mesmo colocar o pé pra cima. 

Matando as saudades de 2013. Faltou o Pedro. 

E lá fomos nós dormir, para passar o nosso último dia em NY, antes de voltar pra casa. 

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Livro: Net-ativismo



2017 vai ficar marcado como o ano em que eu menos li literatura. Foi ruim? Sim e não. Sim, porque eu sinto muita falta de literatura, muita mesmo. E não porque botei em dia várias leituras técnicas que eu precisava - afinal, trabalhamos com a necessidade de seguir carreira acadêmica. Este Net-ativismo comprei em um congresso e li quase em tempo recorde, entre voos e esperas em aeroporto. Só larguei numa turbulência daquelas em que o avião parece que vai cair, pra soltar um "eita!", sentir o coração palpitar e tentar voltar ao normal ou ao menos fingir que não tenho pavor de voar.

Calho que tinha um artigo pra escrever sobre o tema. Calhou que é um tema muito bacana - visto as redes de jornalismo livre, mídia alternativa, midiativismo e etc que estão surgindo e fazendo bonito por aí. Calhou que o Di Felice escreve muito bem. E que as histórias que ele traz são muito, mas muito interessantes.

O autor fala muito de como a contemporaneidade trouxe novos arranjos sociais. Aliado a isso, a internet - e a chamada de Web 2.0, embora eu tenha vários problemas com o termo - possibilitou acesso à produção e à distribuição de conteúdos, em especial os que eram considerados de nicho. Muitas pautas saíram das sombras e atingiram quem jamais tinha imaginado tais temas. Hakin Bey, Luther Blisset (que eu achei muito a cara de Banksy) e os Neozapatistas são os exemplos tratados. A carta do desaparecimento do subcomandante Marcos é tão linda, tão intensa, tão conectada com o mundo cheio de diferenças... Só por ter partes dela no livro, já vale a leitura.

Além disso, a reflexão sobre as formas de ativismo em rede são muito bem exploradas. O autor caminha no sentido de uma percepção ecológica da vida, coisa que me escapa, mas não deveria. Ou seja: preciso estudar mais.

Também há um capítulo que explora a Teoria Ator-Rede, que é outro assunto que preciso estudar mais. A abordagem, aqui, é compatível com que tenho visto no grupo de pesquisa, e cabe uma reflexão interessante.

Enfim, ótimo livro para quem gosta de redes e vê perspectivas de uso que saem do tradicional e da publicidade.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Livro: A produção do Jornalismo Esportivo na internet



E lá sigo eu na saga de ler sobre jornalismo esportivo, porque eu gosto sim.

Nas este livro me decepcionou um tantão. Por ser da minha área de atuação acadêmica (acho chique falar assim, dá até a entender que eu super atuo na área acadêmica, #sqn), fui esperando muito do assunto, do autor, da dissertação. Sim, o livro é fruto de uma dissertação defendida na Cásper Líbero e o autor é jornalista esportivo. Em si, o volume corrobora a afirmação do meu orientador de que há pouca produção de qualidade na área do jornalismo esportivo. A maior parte dela é de jornalistas contando como atuaram e tentando montar um conjunto de regras. Mas vamos ao livro.

Marcelo analisa os relatos de quatro partidas da Copa do Mundo de 2014 (Brasil x Croácia, Brasil x Chile, Brasil X Alemanha - o famigerado 7 a 1) em quatro sites de jornalismo esportivo: Globo Esporte, ESPN, Gazeta Esportiva e Folha de S. Paulo. A proposta é trabalhar com os conceitos de Sociedade do Espetáculo, de Debord. Ou seja: é bacana, porque traz um olhar sobre espetacularização do esporte, do jornalismo e do jornalismo esportivo, mas sem abordar a televisão, que é o veículo sempre lembrado quando se trata do tema. Porém, não sei se foi na hora de transformar a dissertação em livro ou se a própria dissertação é assim, faltou muito de metodologia. Aliás, quase não se fala de método de pesquisa. Ficou um buraco, um vácuo grande.

Uma das coisa que discordo do autor é que ele chama tudo de reportagem. E o que eu vejo nos sites de jornalismo esportivo hoje está muito longe de ser reportagem. Em especial, quando ele apresenta as matérias que nortearam a pesquisa, na cobertura da Copa de 2014. Relato de jogo não é reportagem. Pode até ser análise, mas reportagem não é. Ou estamos em uma época em que qualquer texto supostamente jornalístico pode ser chamado de reportagem? Pra mim, nem matéria jornalística é reportagem... que dirá cobertura de jogo de futebol...

Outra coisa que não gostei foi do texto. Também não sei se é algo só do livro ou se também está presente na dissertação original. O fato é que Marcelo adjetiva demais. Parece que estamos lendo um texto de jornalismo esportivo, daqueles bem classicões, com uma chuva de adjetivos exaltando o time do autor. Isso tira todo o caráter sério de pesquisa. E, em vários momentos, cheguei a questionar se tinha mesmo pesquisa aqui. Tem um momento que o autor diz que os sites de jornalismo esportivo se propõe a registrar "ao menos tudo" o que acontece no esporte. "Ao menos tudo" me deixou tão de boca aberta! Há ainda momentos em que o autor se contradiz, em que fala que uma coisa confunde o leitor e, em outro momento, que a mesma coisa já fez o leitor se acostumar.

Claro que há coisas interessantes. O referencial teórico é bacana, mesmo que eu ache que foi meio mal aproveitado. O fato do Marcelo ser repórter esportivo também traz muitas coisas interessantes sobre o dia a dia da profissão e dos bastidores dos quatro veículos analisados. Mas, no geral, achei que faltou cuidado na pesquisa, na redação e na revisão. Como esta é a primeira edição, espero que essas coisas sem corrigidas para as próximas.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Livro: As Três Marias



E finalmente eu assinei a TAG Livros. Depois de muito relutar, depois de muitas tentações, de muito choro e ranger de dentes ponderar... me rendi. E estou bem satisfeita. Até agora, recebi quatro livros e o primeiro que li foi o último que chegou. Isso porque tempo é artigo em falta por aqui (um dia eu conto tudo o que tá rolando).

As Três Marias é um livro quase autobiográfico de Rachel de Queiroz. Isso porque a personagem principal, Maria Augusta, chegou ao colégio interno Imaculada Conceição, em Fortaleza, aos 12 anos, mesma idade em que o mesmo se deu com a autora. Lá, Guta fez duas fortes amizades, com Maria da Glória e Maria José, personagens inspiradas em duas grandes amigas que Rachel fez no internato e que a acompanharam por toda a vida. As três meninas eram chamadas pelas freiras de "as três Marias", tal como Rachel e suas amigas. A história de Glória e de Maria José antes de entrarem no Imaculada também é semelhante às das amigas da autora.

Mas a história segue e toma rumos muito interessantes. As meninas têm, cada uma, uma dor do passado, relacionada à família. Glória é órfã de pai e mãe; Maria José teve o pai trocando a mãe por outra mulher; Guta é órfã de mãe e viu o pai se casar novamente com a madrasta, que é boa, mas rígida, e insiste que deve ser chamada de Madrinha. Juntas, as três trocam impressões do mundo e veem a vida passar pelos pátios do colégio, pela vontade de contato com a vida exterior, pela ansiedade dos romances.

Ao saírem da escola, cada uma segue um caminho, mas sempre estão em contato. A vida sobrevem e mostra às meninas caminhos não antes imaginados. Guta, que conduz a história, em primeira pessoa, é levada pela ânsia de conhecer o mundo, enquanto se apercebe de coisas que não pode controlar. O suicídio de um amigo, a perda de um amor, um amor considerado ilícito, o casamento e os filhos dos amigos, a devoção de Maria José, a plenitude de Glória... tudo é contato de uma forma tão intensa e ao mesmo tempo tão simples...

Foi uma delícia de ler. O livro é curtinho, a história é instigante, cheia de detalhes, com um toque feminista, embora Rachel não aceitasse ser tomada como feminista. Chorei em alguns pontos e, em especial, no final. Fiquei com a trama na cabeça, pensando em Guta e em seus caminhos.

A edição da TAG é lindíssima! Desde o papel, à fonte, passando pela encadernação, pela capa dura, pelo projeto gráfico, pela arte da capa. Dá muito gosto de ler, é confortável e facilita muito a vida do leitor. Junto a cada edição vem uma revista que fala do curador do mês, que escolheu a obra, sobre a obra em si e suas repercussões e, ainda, sobre o curador do próximo mês, com dicas para o próximo livro. A edição de agosto, a primeira que recebi, veio com Ragtime. Na revista, a indicação da próxima obra me fez descobrir, de cara, que era Quase memória, do Cony, livro que tenho e que já li várias vezes. Pedi para não receber e a TAG trocou pela edição de O anjo pornográfico, do Ruy Castro, curador do mês. A edição do Quase memória ficou linda, mas não me arrependo da troca. Li O anjo pornográfico da biblioteca da PUC, na graduação, e sempre quero checar alguma coisa no livro, mas não tenho o volume. Problema resolvido!

Ah, as edições da TAG sempre vêm com um brinde. Para As Três Marias veio um baralho literário da Copag, muito lindo!

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Livro: Dias de abandono


Quando fui pra Curitiba apresentar um trabalho num congresso, coloquei só o Ipad na mala, porque estava estudando muito e os textos eram em .pdf. Mas aí, quando cheguei lá, tinha uma feira do livro em alguns pontos da cidade, uma livraria ao lado do hotel e a venda de livros técnicos no congresso. Acho que voltei com dez volumes na mala. Dias de abandono foi o único de ficção, porque estamos empenhados em estudar cada vez mais.

Fazia tempo que eu queria ler Dias de abandono. O livro é bem fino (perto da Tetralogia Napolitana, é um conto), mas denso pra caramba. E cheio de camadas, como é bom. A narradora é Olga, uma mulher que já começa dizendo que o marido disse que a deixaria. Ela está com os dois filhos, sem entender o motivo de ter sido abandonada. Ela sofre, fica sem saber o que fazer, para onde ir, como conseguir o marido de volta, como cuidar dos filhos. Como sobreviver quando o chão desaparece?

Porém, É Elena Ferrante, né? Nada é simples, nada é limpo, nada é linear. Olga não é uma narradora confiável. Parece que temos duas histórias acontecendo ao mesmo tempo: a que Olga conta e a que se passa com ela. Então, não tem como deixar de dizer o óbvio: Elena Ferrante é genial!

Tirando Um amor incômodo, que foi meio estranho (mas um ótimo livro de estreia), a obra da Elena Ferrante é muito boa. Dá para tirar algumas coisas que se repetem, mesmo que se desenvolvam de forma diferente: a relação mãe e filha, a violência entre os casais, a sempre presente superioridade masculina, os gritos e a violência familiar, a fuga dos lugares de origem e a impossibilidade do desvencilhamento.

Da Elena Ferrante, ainda não li Frantumaglia, mas tô doidinha pra ler!

O que já li da autora:
Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
Sobre História do novo sobrenome
Sobre História de quem foge e de quem fica

Sobre Story of the lost child
Sobre A filha perdida

Sobre Um amor incômodo

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #162

1 - Estado civil
Da Priscila Cattoni. Um texto muito bonito sobre luto e sobre as transformações da vida. Chorei muito na leitura.

2 - Amor ou telemarketing?
Ainda da Priscila Cattoni. Sobre a invasão absurda de uma campanha de marketing de funerária. E outras coisas quetais.

3 - Por que o Brasil não ganha o Nobel de Literatura
Do André Forastieri. Uma reflexão bem interessante sobre a literatura contemporânea brasileira. Com pesquisa para embasar e mostrar que, no fim, não temos Nobel porque realmente falta qualidade. Bem de leve, ele pergunta onde estão os nossos escritores com o porte de Svetlana Alexievitch (tenho três livros dela e só li um, que é arrebatador)

4 - Corpinho de Biquini
Da Ludmila. Sobre corpos, biquínis, verões, padrões.

5 - I made it!
Da Amanda Lourenço. Acompanhei pelo blog e pelo Instagram a caminhada da Amanda pela Apalachian Trail, nos Estados Unidos. Muita vontade de fazer o mesmo. Pouquíssima coragem, né? Vou seguir acompanhando, porque a ideia dela é escrever um livro e deve ser muito bom, melhor do que o da Cheryl Strayed, que é bem interessante, mas meio chatinho.

6 - 3 semanas
Da Helô Righetto. Sobre as separações necessárias quando um casal é quase uma pessoa só. Muito bonitinho, e foi muito engraçado me identificar com a Helô no quesito "só eu lavo roupa" e "nunca cozinho".

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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #161

1 - 0013
Do Draminha, esse blog fofinho. Sobre Elena Ferrante e a Tetralogia Napolitana. Delícia de texto. A autora ainda concorda comigo sobre o Enzo, melhor personagem da série. Talvez o único que presta. Não sei se eu concordo com ela sobre a Lila, mas acho que ela é melhor que a Lenu, sim.

2 - Por que a cultura nerd odeia as mulheres
Do Think Olga. Uma reflexão sobre o ódio às mulheres e, ainda, aos negros, dentro da cultura nerd. Vale a pena ler e pensar a respeito.

3 - A cura
Do Ramon Cotta. Sobre uma cura para algo que não é doença. Sobre esses tempos loucos que estamos vivendo no Brasil.

4 - 2007-2017 Uma década de transformações
Da Lady Bug. Como foi bacana ver a Lúcia revisando esse período! Eu acompanhava o trabalho pela lista super ativa, então, dos Jornalistas da Web, sempre com discussões muito ricas. Seguia de longe os encontros no Gafanhoto, por motivos de estar longe o suficiente, e fiquei fascinada com o modelo de desconferência. Aprendi muito! E deu saudade.

5 - A terrível verdade sobre o golpe comunista em curso no Brasil
Do Sakamoto. Porque é bom rir um pouco quando a situação está caótica.

6 -  Quinze maneiras de identificar relações abusivas e o que podemos fazer
Da Karina Kuschnir. Um ótimo texto, com caminhos interessantes, tanto para ver que há relação abusiva quanto para levantar ações para se livrar delas. É preciso começar por algum lugar...

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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Livro: História do Lance!



Quando me vi acadêmica de Jornalismo, no século passado (g-zus!!), meu primeiro movimento foi para o jornalismo esportivo. Desde que comecei a ler jornais, ainda sem nem me imaginar no jornalismo, era o caderno de esportes que eu pegava primeiro. Depois cultura, depois o primeiro. Sempre fui doida com esportes, mesmo não sendo boa praticante. Já contei a saga de viver sem televisão em meio à principal disputa esportiva no planeta. Falo sempre que há uma televisão lá na agência apenas porque eu queria ver a Copa do Mundo. E que eu sabia, há uns anos, o Guia dos Curiosos - Esportes quase de cor, em especial as partes das Olimpíadas e da Copa do Mundo.

Porém, na faculdade eu acabei indo pra outro lado, o da produção de TV, enquanto a vida profissional me levou para as assessorias de imprensa. Continuei gostando de esportes, mas dei uma desencantada geral com o jornalismo esportivo. Só voltei a olhar de novo pra essa área no mestrado, quando comecei um estágio de docência informal na disciplina de Jornalismo Esportivo. Daí pra começar a ler mais sobre a área, ver a teoria e tal foi um pulo. E o Lance! surgiu assim meio do nada, porque é o único jornal diário do Brasil dedicado totalmente aos esportes, com foco em futebol. Foi quando esse livro do Mauricio Stycer (que eu conheço mais como crítico de TV) pulou na minha frente.

O livro é fruto da dissertação de mestrado do Maurício, na área de Sociologia. Como um dos editores do Lance! quando o jornal foi lançado, ele tem muita história de bastidores pra contar, mas não é isso que faz aqui. Ele pesquisa a história do jornalismo esportivo brasileiro, levantando desde os primórdios das notícias de esportes, perdidas em uma edição normal, até o lançamento dos primeiros jornais dedicados, com destaque para dois: a Gazeta Esportiva (que hoje é um site, sem edição impressa) e o Jornal dos Sports (já falecido). Ele conta como o Lance! foi pensado, criado, investido, todo o trabalho de projeto editorial criado junto ao projeto gráfico, como as duas redações (uma no Rio, outra em São Paulo) se coordenavam, para terem material específico e conjunto.

O texto tem aquela forma acadêmica própria, mas tem muito do estilo que a Sociologia preserva. Tive um pouco de dificuldade em encontrar no clima correto do texto, porque escreve-se, na Comunicação, de forma bastante diferente. Maurício é muito minucioso e levanta detalhes bem interessantes sobre cada momento da pesquisa, o que deixa o trabalho bastante rico. Porém, não entra em questões próprias do jornalismo, o que me deixou um pouco frustrada. O único momento em que acredito que o jornalismo prevaleça é quando ele fala sobre o projeto editorial, criado com o auxílio de um profissional espanhol, e das dificuldades que esse projeto trouxe para o corpo de repórteres e editores. Foi bem interessante poder acompanhar isso.

No fim, foi uma leitura boa, mas que me deixou um pouco frustrada, porque eu esperava mais de jornalismo, menos de história e sociologia. Por outro lado, me deixou com várias ideias...


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Livro: Tesouros enterrados de Lost



Ganhei o Tesouros enterrados de Lost O guia não-oficial para tudo o que os fãs de Lost precisam saber do meu orientador do mestrado. Foi um dia muito louco: ele me ligou, me chamando pra ir à casa dele e me mostrou uma montanha de livros que iria doar, e eu seria a primeira pessoa a ver. Pude escolher o que quisesse. Saí de lá com muitos livros, de literatura, cultura popular, filosofia, comunicação, fotografia e ciência. Um dos livros que ganhei deles é Vozes de Tchernóbil, de que já falei aqui.

O que me deu vontade de pegar esse livro foi a paixão por Lost. Quando comecei a ver a série, já estava passando a quarta temporada na TV. Aluguei, baixei, peguei dvds emprestados e cheguei ao ponto em que a série estava, para poder acompanhar pela TV. Foi muito louco acompanhar tudo. Motivou muito tempo da minha vida - motiva até hoje, na verdade. Lost foi uma experiência muito bacana de transmídia, que é o que eu pesquiso. E tem muito material sobre Lost por aí. Um dos teóricos que eu pesquiso, o Carlos Scolari, escreveu Lostologia, que é um livro que quero ler há anos e não consigo encontrar em papel. Ok, posso comprar o e-book para Kindle, mas mesmo assim eu queria em papel.

O livro traz uma pesquisa longa dos três autores sobre as três primeiras temporadas de Lost. Eles trazem listas de episódios, de livros citados e inspiradores (aumento bruto na lista de livros que quero ler), de músicas (uma playlist muito legal), de séries de TV que também são utilizados como inspiração, de filmes que são usados como referência, de cultura pop citada, especialmente pelos personagens de Hurley e Sawyer.

Quando peguei o livro da pilha oferecida pelo orientador, fui muito guiada pela fome de Lost e menos por tempo pra ler. Mesmo que o tema seja caro pra minha pesquisa sobre transmídia, tempo não é uma coisa que sobra por aqui. Mas daí, um dia, resolvi ir pra BH e queria uma leitura leve, nada do que ando lendo academicamente, nada de filosofia, nada para estudar o que quer que fosse. Mas como a viagem seria curta, não teria tempo pra me dedicar aos muitos romances que preciso ler. Daí peguei o livro e... putz... devorei.

A edição é bem ruinzinha. A diagramação é péssima, o volume está cheio de erros de revisão, tanto de texto como de pesquisa. Mas, mesmo assim, é um alento pra quem gosta de Lost. E foi ótimo ler enquanto estou revendo a série, pela quinta vez, enquanto não faço nada (tipo de meia noite às 6h).

Quando estive em Curitiba, apresentando um trabalho num congresso, acabei comprando A filosofia de Lost, que quero ler em breve (sabe-se lá quando).

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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Livro: Sobre a escrita


Tinha esse livro há um tempão na estante. Desde que foi lançado em português. Mas deixei ele lá, sabe-se lá o motivo (deve ter sido o mestrado, esse sugador de energia das pessoas). O fato é que um dia desses, tirei da estante e li rapidão.

O livro é dividido em três partes. Na primeira, o autor conta sobre sua vida de uma forma muito divertida e bem humorada. Ele mostra como foi, desde cedo, capturado pela escrita. E traz uma série de coisas de sua vida que levaram a histórias, que depois viraram livros. Também conta o percurso penoso da busca por publicação. De como histórias foram deixadas de lado e tomaram outro rumo. Sobre o primeiro livro publicado, Carrie, a estranha, e como ele mudou sua vida. De como conhecei Tabby, sua esposa, e a vida dos três filhos, em meio aos muitos perrengues enfrentados. Fala também sobre o alcoolismo e tudo de ruim que trouxe para a sua vida pessoal e profissional.

Na segunda parte, chamada de Caixa de Ferramentas, King elenca uma série de qualidades que devem ser exercitadas por quem quer ser escritor. É engraçadíssima a sua defesa pelo não uso do advérbio. Não era algo com que eu me preocupava, mais depois do autor dizer que "a estrada para o inferno está pavimentada por advérbios", fiquei mais atenta, tanto nos meus textos quanto nos que leio. E preciso concordar com o Stephen: advérbio é muito feio!

Também fala sobre história, trama, texto, construção de personagens e mais um monte de coisas, como se fosse, realmente, uma caixa de ferramentas para autores, na terceira parte. É um guia pra ser lido, relido e consultado.

Não sou boa leitora do Stephen King. Só li O Iluminado, e não curti muito. Não é o tipo de livro que curto. Mas é preciso tirar o chapéu pro autor, porque ele publica muito e tem muita criatividade. Gostei muito deste Sobre a escrita, acho que é um bom guia para qualquer pessoa que quer escrever.
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 29 de agosto de 2017

Citações #218

De Man Repeller:


- Quais são suas competências?
Eu estava preparada para essa pergunta, porque meu pai tinha me avisado que eles a fariam.
- Word, Powerpoint, Excel... todo do Microsoft Office, na verdade.
Em 2007, essas competências levavam a um caminho chamado Contratado. Se eu tivesse divulgado minhas verdadeiras competências - Facebook e Net-a-Porter -, a reunião provavelmente teria acabado ali mesmo. Cinco anos mais tarde, talvez essas fossem as duas únicas competências importantes.  


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Livro: Pequenas grandes mentiras



Quando Ana Paula me passou o livro, não fiquei lá muito entusiasmada. Estava #lendovidaedestino e caminhando devagar com a trama. Mas uma hora dessas pensei que uma leitura levinha ia ser bacana pra desanviar. Pensa bem se não parece um livro levinho... 400 páginas de romance água com açúcar...

Só que não.

Li o livro em dois dias. E foi uma porrada na cara. A autora foi muito feliz em fazer com que uma das personagens principais fosse bem leve (e meio louca, meio gente como a gente), com problemas comuns do dia a dia: um emprego de meio horário, uma filha adolescente, dois filhos ainda crianças. A entrada da filha caçula no jardim de infância. O contato com as outras mães, a "política da escola". Madeline é real demais, em especial no seu relacionamento com a filha mais velha e o ex-marido, com as mágoas e dores que o fim da relação deixou.

No dia da orientação dos novos alunos do jardim de infância, enquanto tenta "salvar a vida" de um grupo de jovens, ela se machuca e conhece Jane, nova no bairro, que levava o filho Ziggy para a mesma turma de Chloe, a caçula de Madeline. Há também a deslumbrante e rica Celeste, mãe dos gêmeos Max e Josh. Quando vão buscar os filhos na escola, Amabella ("não é Annabella, é um nome francês"), filha de Renata, reclama que foi agredida por um menino e, na confusão, a culpa cai em Ziggy. Renata se estressa e quer um pedido de desculpas, enquanto Jane tem certeza de que seu filho não machucaria a coleguinha.

Esse é o pano de fundo para uma investigação de assassinato, que acontece dentro da escola. Logo no primeiro capítulo sabemos que alguém morreu, mas não sabemos como nem quem matou. Só sabemos que a morte aconteceu no dia do Festival de Perguntas e Respostas da Escola, em que os pais deveriam ir fantasiados de Elvis e as mães de Aldrey. Alguns capítulos contam com depoimentos de pais de alunos do jardim de infância sobre as outras mães e pais, sobre as crianças, a professora, a diretora e sobre todas as situações decorrentes do bullying que Ziggy é acusado de praticar.

Porém, mais além, vamos encontrar uma situação de muita, mas muita violência. E, também, de como a violência se espalha, silenciosa, capilar, destruindo vidas e criando monstros.

Foi uma história que me tocou muito, por conta do meu histórico de vítima de violência doméstica. Vi minha vida passada em várias situações do livro, agarrada ao volume esperando ver se haveria um fim digno para aquela história. Sim, o fim é digno. Tem um lado bem romanceado, mas há o principal, lá nos últimos capítulos, sobre as mentiras que as vítimas de violência contam para se encaixar na sociedade. Só por isso, o livro valeu pra mim. Mas não é só isso. É preciso discutir abertamente essa questão.

Verei a série, sim, assim que for possível.
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 22 de agosto de 2017

Citações #217

De Número Zero:


- Não é necessário inventar notícias - observei -, é só requentar.
- Como?
- As pessoas têm memória curta, Pensando por paradoxos: todos deveriam saber que Júlio César foi assassinado nos idos de março, mas essas ideias são confusas. Pega-se um livro inglês recente que faça uma revisão da história de César, depois basta um título de efeito, Sensacional descoberta dos historiadores de Cambridge. César foi mesmo assassinado nos idos de março, reconta-se tudo e tem-se um artigo delicioso.  

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Livro: Fahrenheit 451



Fahrenheit 451 é um daqueles livros que estava na minha pilha de leituras há anos. Vai saber o motivo de ter passado tanto tempo lá... Até coloquei ele na mala pra NY, mas ele permaneceu por lá. Quando desfiz a mala foi que pensei em adiantar a leitura. Foi rápido, li em um fim de semana.

A história é bem conhecida. Fahrenheit 451 é a temperatura do fogo para que o papel seja queimado. O autor cria uma distopia em que os livros são proibidos e os bombeiros existem não para combater o fogo - as casas são anti-chamas -, mas para criá-lo. A sirene do Corpo de Bombeiros soa sempre que alguém denuncia que há livros guardados em alguma casa. Assim, os profissionais do fogo vão até o local indicado para queimar todos esses objetos considerados inúteis e, mais que isso, perigosos. O personagem principal, Montag, é um bombeiro.

Há várias formas de entretenimento nessa distopia. Uma delas é a televisão com múltiplas telas, que é configurada para que os atores conversem com as pessoas. Assim, o conteúdo é direcionado para envolver a audiência. Mildred, esposa de Montag, é uma das donas de casa que fica completamente envolvida com essa e com outra forma de entretenimentos: fones de ouvido que tocam música incessantemente. Ela é capaz de ler os lábios do marido e conversar com ele sem retirar os fones. Ela dorme de fones. Talvez esse tipo de situação justifique o que acontece com Mildred logo no início do livro: ela toma muitos remédios para dormir e Montag a encontra quase morta.

O encontro de Montag com Clarice McClellan, a nova vizinha, muda a forma como o bombeiro vê a vida. A família de Clarice - e ela mesma - é considerada subversiva, e há uma grande vigilância sobre eles. Montag gosta da menina e do seu jeito meio petulante, meio sem filtro. A partir da presença e, posteriormente, da ausência de Clarice, Montag vai começar a questionar o mundo em que vive.

É curioso como o livro é uma declaração de amor aos livros, ao mesmo tempo em que foge um pouco das distopias da mesma época (como em Admirável mundo novo), ao ter um final com uma mensagem de esperança. É bonito o fim do livro, muito mesmo, mas me pareceu deslocado do que eu esperava da distopia. Mesmo assim, é um ótimo livro. Mais fácil de ler - talvez até por esse clima mais positivo - do que Admirável mundo novo.

Fahrenheit 451 virou filme, dirigido por François Truffaut em 1966. É um bom filme, a adaptação foi muito bem feita. Vi há muitos anos, mas estou querendo ver de novo.
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 15 de agosto de 2017

Citações #216

De Número Zero:



A questão é que os jornais não são feitos para divulgar, mas para encobrir as notícias. Ocorre o fato X, você não pode deixar de falar dele, mas cria problemas para gente demais, então no mesmo número você põe manchetes de arrepiar o cabelo, mãe degola os quatro filhos, a nossa poupança talvez vire pó, descoberta uma carta de insultos de Garibaldi a Nino Bixio e assim por diante, a sua notícia se afoga no grande mar da informação.  

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Livro: Um amor incômodo



Olha a Elena Ferrante aí de novo...

Em Um amor incômodo, temos Delia às voltas com a morte da mãe, Amalia. Ela morreu, no dia do aniversário da filha, afogada no mar; foi encontrada vestindo apenas um sutiã novo. Esse detalhe chama a atenção de Delia: a mãe só vestia roupas velhas, reformadas e remendadas; até mesmo roupas íntimas. O que levou Amalia, que saiu de Nápoles a caminho de Roma para visitar a filha, a parar em uma praia e ficar dois dias por lá, depois entrar no mar apenas de sutiã e não mais voltar?

Delia está às voltas com a parte burocrática da morte: reconhecimento do corpo, velório e enterro, entrega do apartamento onde a mãe vivia. Ao mesmo tempo, tem que se haver com a própria mãe, com quem tinha uma relação complicada, em que estão presentes a vontade de ser Amalia e a vontade de repeli-la sempre.

Há uma história do passado pulsando: Amalia se comportava de forma diferente longe do pai de Delia. Houve um caso de infidelidade, anos depois veio a separação. O ex-marido continua a seguir Amalia, continua a aterrorizar a ex-mulher. O amante quase morreu, devido à violência quando caso veio à tona. Porém, surge novamente nos últimos dias de Amalia.

A Nápoles de Elena Ferrante é bastante repulsiva. Nela, pulsam a sujeira, a violência, o dialeto forte, as obscenidades. As dores de um passado sempre marcante. Talvez por ter lido a Tetralogia Napolitana antes dos demais livros, me parece que os dois que li depois são um ensaio para essa obra maior. Isso não diminui os livros, de forma alguma.

Neste Um amor incômodo, em especial, é possível ver um horror mais marcante. Tão forte, no desenvolvimento da ação, que, ao terminar, não sabia se tinha gostado ou não. Escrevo ainda sem ter certeza. Porém, esse incômodo é um dos fatores que me leva a gostar de um livro: a história permanecer retumbando na minha mente mesmo após lida. Isso é sinal de que o livro me tirou do lugar. Pra mim, como leitora, isso não tem preço. Então, aposto que o veredito final será positivo.

De toda forma, a narrativa da Elena Ferrante é muito envolvente. Ela sabe narrar, ela enreda a trama e o leitor de uma forma muito especial. Mesmo que a história seja um tanto repulsiva, você fica ali, grudado no livro, esperando para chegar ao final e entender o que um gatilho simples pode gerar. Nesse ponto, ela me lembra muito das crônicas de Laços de família, da Clarice Lispector.

Da Elena Ferrante, ainda não li Frantumaglia e Dias de abandono. O primeiro ainda será lançado em português.

O que já li da autora:
Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
Sobre História do novo sobrenome
Sobre História de quem foge e de quem fica

Sobre Story of the lost child
Sobre A filha perdida

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Citações #215

De Número Zero:


Percebam que hoje, para contra-atacar uma acusação não é necessário provar o contrário, basta deslegitimar o acusador. Portanto, aqui está o nome e o sobrenome do sujeito, e Paratino dá um pulo em Rimini, com um gravador e uma máquina fotográfica. Siga esse íntegro servidor do Estado, ninguém nunca é cem por cento íntegro, mesmo que não seja pedófilo, não tenha matado a avó, nem embolsado proprinas, terá feito alguma coisa estranha. Ou então, se me permitem a expressão, estranhifica-se aquilo que ele faz todos os dias. Palatino, use a imaginação. Entendido? 


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

De volta a NY - Parte 5

Pensa num refrigerante horrível...

Acordamos cedo no sábado. Na sexta, antes de acontecer a zica com meu pé, tínhamos ido à Times Square, aquele inferno de lugar, em busca de presentes pros sobrinhos, na loja da Disney. Estava infernal. Daí, quando voltamos pro hotel, tinha um sujeito distribuindo essas latinhas de Pepsi de canela. Uma pra mim, uma pro Leo. Ele bebeu na hora, eu deixei pra tomar na manhã de sábado, quando voltaríamos pra Times Square, num momento mais vazio da loja da Disney, pra procurar com calma o presente das crianças.

Meu pé continuava inchado e dolorido. Coloquei a pomada anti-inflamatória na bolsa e prometi pra mim que andaria devagar, com bastante cuidado. Até então, estava usando a minha wanna-be-Birkenstock, mas precisei voltar pro tênis, amarrado bem apertado pra dar um suporte melhor pro pé. Loja da Disney, lá fomos nós. Estava frio, bem mais do que nos outros dias.

Sacolinha

A lista de presentes envolvia um Minion pro Lucas, uma Pequena Sereia pra Lara, uma roupinha fofa pro Mateus e uma Moana pra Maria. Não achamos o Minion (será que é porque não é da Disney? - ficaria para outro momento). A roupinha do Mateus foi fácil. A Pequena Sereia da Lara também. A Moana da Maria não foi. A menor não cabia na mala compacta que tínhamos. Acabei escolhendo um grupo de Kakamoras pra ela, morrendo de medo dela odiar.

De lá, passamos no hotel pra deixar as compras e rumamos pra Brooklyn, querendo fazer o mesmo trajeto que tínhamos feito com o Pedro em 2013. Isso incluía uma loja de esportes, onde tínhamos comprado um Camelback pro pai do Leo. Agora estávamos em busca de uma bota de escalada pro Leo mesmo. Foi um pouco difícil achar a loja, porque descemos de metrô desta vez - antes, tínhamos ido à pé - e não sabíamos o nome dela nem a localização exata. Descemos de metrô por motivos de pé-zicado-da-Aline.

Pausa pra falar que no metrô a gente encontra pessoas lendo calhamaços, mesmo em pé. Preciso aprender esse malabarismo.

Olha o tamanho do livro! Ao menos as edições desse tipo são leves. 

Conseguimos achar a Patagon e Leo encontrou a bota que queria. Eu levei um casaco, que fez muito bem pra mim na descida até o Brooklyn, porque estava bem frio.

Nosso plano era almoçar na feirinha de comidas do Brooklyn e depois ir pra cervejaria. Mas a feira estava tão lotada, tudo tão muvucado, que não aguentamos cinco minutos por lá. Não tinha lugar pra sentar, e eu não estava dando conta de ficar muito tempo em pé. Fomos procurar um restaurante ou algo assim e achamos um dinner lindinho (o Brooklyn é uma região muito fofa! Dá até vontade de ficar hospedado por lá, da próxima vez).


Meu almoço absurdamente gostoso!

Saímos de lá e rumamos pra cervejaria Brooklyn, um dos lugares onde Leo mais queria voltar.

Se a ciência diz, a gente acredita!

Diz o mural da Brooklyn...

Chegamos e tinha uma fila considerável na porta. Eles trabalham com uma capacidade de carga que não sei qual. Mas só entra um número X de pessoas. Então, para entrarmos, várias pessoas tinham que sair. Ficamos lá, em pé, esperando. E dá pra imaginar a dor de ficar em pé, né? O pé direito doendo horrores, não dava para servir de apoio. O pé esquerdo era o apoio oficial e já estava pedindo pra sair zero-dois. Foram uns quarenta minutos de fila. Me lembrei muito do Jaime Lannister: as coisas que a gente não faz por amor... Leo, por amo à cerveja, topou pegar a fila, coisa que ele odeia fazer; eu, por amor a ele, estava ali, quase chorando de desespero.

Entramos, finalmente! Arrumei um cantinho perto do banheiro pra sentar, ao lado de um moço bem simpático, que estava sozinho. Leo foi comprar as fichas e pegar a segunda fila do dia, a da escolha dos chopps. Enquanto esperava, tirei o tênis e taquei pomada anti-inflamatória na bola imensa que eu insistia em chamar de pé. Estar sentada era um alívio imenso... podia descansar os dois pés e ser feliz.


Garoto propaganda (olha meu tênis aqui, no canto inferior direito!)

Ficamos um tempo lá, com Leo experimentando os chopps "ao pé da vaca", como ele gosta de dizer. Passamos la lojinha e fizemos a "nossa" feira, além de comprarmos presentes pra Debora e pro Marcelo. Depois, fomos embora, caminhando devagar (a.k.a. pé direito pedindo socorro) pra também fruir o bairro, tão encantador.

NY tem disso, muitas flores nas ruas

Me sentindo local, com o pé direito estragado

Voltamos, pegamos o metrô, voltamos pro hotel. À noite, voltamos pra Penn Station, pro Shake Shack e pro mesmo pedido do dia anterior. Porque adoramos repetir as coisas que gostamos.

Mas ao passarmos na Duane Reade, ao lado do Shake Shack, comprei um suporte pro tornozelo, pra poder seguir a vida a flanar pela cidade.

Suporte e pomada anti-inflamatória a postos. 




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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Livro: A filha perdida


Meu primeiro Elena Ferrante após a Tetralogia Napolitana!

A filha perdida é um daqueles livros que você lê de supetão. Comprei na rodoviária e li na viagem entre BH e Ouro Preto, e voei nas 174 páginas das férias de Leda na praia. Ela é professora universitária e se vê sozinha pela primeira vez, podendo usufruir de férias como quisesse, já que suas duas filhas, Marta e Bianca, mudaram-se para o Canadá, para viver com o pai.

Em meio às férias de professora, cheia de leituras e estudos, ela resolve passar o dia na praia. Escolhe o lugar, a barraca, a espreguiçadeira. Está tranquila, usufruindo a calma longe das filhas e do trabalho. Mas aí aparece uma família napolitana, que desperta em Leda lembranças de um passado que ela gostaria de manter esquecidos. O grupo é grande e, entre os gritos e o jeito espalhafatoso, destaca-se uma moça jovem e sua filhinha. Leda acha a moça graciosa e se diverte vendo a relação de mãe e filha.

Porém, as lembranças das filhas e de suas falhas como mãe também pulam à sua frente e, novamente, incomodam. Finalmente, ela trava contato com os napolitanos. Nina é a moça, mãe de Elena, que sempre carrega uma bonequinha. Rosaria, que está grávida, é irmã do marido de Nina, que só vem nos fins de semana, e é casada com o senhor mais velho. Há mais crianças e adolescentes, que irritam Leda por serem espalhafatosos. Um dia, ao sair da praia, Leda é atingida nas costas por uma pinha seca, ficando uma marca feia no local. Ela tem certeza que foram os napolitanos.

Na sequência, Elena se perde na praia e Leda se mobiliza, junto com a família napolitana, para encontrar a garota. É ela quem encontra a menina, apavorada, chorando muito. Quando leva a criança para os pais, vê o êxtase da família napolitana ao ver que está tudo bem com Elena. Mas, novamente, um conflito se estabelece. Elena perdeu Mina, sua boneca. O choro da menina incomoda a todos. A praia é revirada e nada é encontrado.

O sumiço da boneca desencadeia uma série de acontecimentos que vão levar Leda a rever sua vida, a relação com o ex-marido, com as filhas, com os amantes, com o mundo. A tensão é constante e a escrita da autora é muito envolvente. É fácil entender Leda, da mesma forma que é fácil ficar horrorizada com suas atitudes, passadas e presentes.

Elena Ferrante é uma delícia de ler!

O que já li da autora:
Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
Sobre História do novo sobrenome
Sobre História de quem foge e de quem fica

Sobre Story of the lost child

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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Citações #214

De Número Zero:


- Certo. Os jornais ensinam como se deve pensar - atalhou Simei. 
- Mas os jornais seguem as tendências ou as criam?
- As duas coisas, senhorita Fresia. As pessoas no início não sabem que tendências têm, depois nós lhes dizemos e elas percebem que as tinham. É bom não fazermos filosofia demais e trabalharmos como profissionais.  


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segunda-feira, 31 de julho de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #160

1 - The Handmaid's Tale x Game of Thrones: a diferença entre retratar e banalizar o estupro
Do Conversa Cult. A discussão é sobre como o seriado Game of Thrones banaliza a violência contra a mulher. Tenho alguns problemas em aceitar o argumento da autora, mas de toda forma, acho importante o debate. Como leitora de As crônicas de gelo e fogo, sei que o Martin tem uma motivação diferente dos produtores da série. Ainda não vi The Handmaid's Tale, vou ler o livro antes e comentarei a respeito.

2 - O que o correspondente do 'Guardian' descobriu após 5 anos no Brasil
Do José de Souza Castro no Blog da Kika Castro. Após a leitura, é impossível não pensar como o Brasil cresceu nos últimos tempos e como uma série de decisões voltadas à direita fizeram tudo ir por água abaixo. Ver o país regredir me dói muito.

3 - The ryse of dystopian fiction: from soviet dissidents to 70's Paranoia to Murakami
Do Eletric Literature. Um canal muito bacana sobre literatura. Esse texto, em especial, sobre distopias, tem muitas indicações bacanas de leitura, além de contar como o gênero teve início.

4 - Itabirito
Do Ramon Cota. O texto é muito mais sobre o encontro, o lar de verdade, que pode ser a cidade natal, como é no texto, a família, os amigos, um quintal. Onde o coração fica aquecidinho.

5 - O professor de histeria e a História
Da Agência Spotlight, sobre o jornalista e historiador que anda falando umas bobagens por aí, no microfone de uma rádio paulista. A Agência Spotlight vale muito a pena. Sempre textos excelentes.

6 - Loras Tyrell e a estereotipização de personagens LGBT em Game of Thrones
Do Nó de Oito. Há uma série de críticas para o seriado Game of Thrones no tratamento dos personagens LGBT. Esse texto fala disso. E fala bem.



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