quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Livro: Dias de abandono


Quando fui pra Curitiba apresentar um trabalho num congresso, coloquei só o Ipad na mala, porque estava estudando muito e os textos eram em .pdf. Mas aí, quando cheguei lá, tinha uma feira do livro em alguns pontos da cidade, uma livraria ao lado do hotel e a venda de livros técnicos no congresso. Acho que voltei com dez volumes na mala. Dias de abandono foi o único de ficção, porque estamos empenhados em estudar cada vez mais.

Fazia tempo que eu queria ler Dias de abandono. O livro é bem fino (perto da Tetralogia Napolitana, é um conto), mas denso pra caramba. E cheio de camadas, como é bom. A narradora é Olga, uma mulher que já começa dizendo que o marido disse que a deixaria. Ela está com os dois filhos, sem entender o motivo de ter sido abandonada. Ela sofre, fica sem saber o que fazer, para onde ir, como conseguir o marido de volta, como cuidar dos filhos. Como sobreviver quando o chão desaparece?

Porém, É Elena Ferrante, né? Nada é simples, nada é limpo, nada é linear. Olga não é uma narradora confiável. Parece que temos duas histórias acontecendo ao mesmo tempo: a que Olga conta e a que se passa com ela. Então, não tem como deixar de dizer o óbvio: Elena Ferrante é genial!

Tirando Um amor incômodo, que foi meio estranho (mas um ótimo livro de estreia), a obra da Elena Ferrante é muito boa. Dá para tirar algumas coisas que se repetem, mesmo que se desenvolvam de forma diferente: a relação mãe e filha, a violência entre os casais, a sempre presente superioridade masculina, os gritos e a violência familiar, a fuga dos lugares de origem e a impossibilidade do desvencilhamento.

Da Elena Ferrante, ainda não li Frantumaglia, mas tô doidinha pra ler!

O que já li da autora:
Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
Sobre História do novo sobrenome
Sobre História de quem foge e de quem fica

Sobre Story of the lost child
Sobre A filha perdida

Sobre Um amor incômodo

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #162

1 - Estado civil
Da Priscila Cattoni. Um texto muito bonito sobre luto e sobre as transformações da vida. Chorei muito na leitura.

2 - Amor ou telemarketing?
Ainda da Priscila Cattoni. Sobre a invasão absurda de uma campanha de marketing de funerária. E outras coisas quetais.

3 - Por que o Brasil não ganha o Nobel de Literatura
Do André Forastieri. Uma reflexão bem interessante sobre a literatura contemporânea brasileira. Com pesquisa para embasar e mostrar que, no fim, não temos Nobel porque realmente falta qualidade. Bem de leve, ele pergunta onde estão os nossos escritores com o porte de Svetlana Alexievitch (tenho três livros dela e só li um, que é arrebatador)

4 - Corpinho de Biquini
Da Ludmila. Sobre corpos, biquínis, verões, padrões.

5 - I made it!
Da Amanda Lourenço. Acompanhei pelo blog e pelo Instagram a caminhada da Amanda pela Apalachian Trail, nos Estados Unidos. Muita vontade de fazer o mesmo. Pouquíssima coragem, né? Vou seguir acompanhando, porque a ideia dela é escrever um livro e deve ser muito bom, melhor do que o da Cheryl Strayed, que é bem interessante, mas meio chatinho.

6 - 3 semanas
Da Helô Righetto. Sobre as separações necessárias quando um casal é quase uma pessoa só. Muito bonitinho, e foi muito engraçado me identificar com a Helô no quesito "só eu lavo roupa" e "nunca cozinho".

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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #161

1 - 0013
Do Draminha, esse blog fofinho. Sobre Elena Ferrante e a Tetralogia Napolitana. Delícia de texto. A autora ainda concorda comigo sobre o Enzo, melhor personagem da série. Talvez o único que presta. Não sei se eu concordo com ela sobre a Lila, mas acho que ela é melhor que a Lenu, sim.

2 - Por que a cultura nerd odeia as mulheres
Do Think Olga. Uma reflexão sobre o ódio às mulheres e, ainda, aos negros, dentro da cultura nerd. Vale a pena ler e pensar a respeito.

3 - A cura
Do Ramon Cotta. Sobre uma cura para algo que não é doença. Sobre esses tempos loucos que estamos vivendo no Brasil.

4 - 2007-2017 Uma década de transformações
Da Lady Bug. Como foi bacana ver a Lúcia revisando esse período! Eu acompanhava o trabalho pela lista super ativa, então, dos Jornalistas da Web, sempre com discussões muito ricas. Seguia de longe os encontros no Gafanhoto, por motivos de estar longe o suficiente, e fiquei fascinada com o modelo de desconferência. Aprendi muito! E deu saudade.

5 - A terrível verdade sobre o golpe comunista em curso no Brasil
Do Sakamoto. Porque é bom rir um pouco quando a situação está caótica.

6 -  Quinze maneiras de identificar relações abusivas e o que podemos fazer
Da Karina Kuschnir. Um ótimo texto, com caminhos interessantes, tanto para ver que há relação abusiva quanto para levantar ações para se livrar delas. É preciso começar por algum lugar...

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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Livro: História do Lance!



Quando me vi acadêmica de Jornalismo, no século passado (g-zus!!), meu primeiro movimento foi para o jornalismo esportivo. Desde que comecei a ler jornais, ainda sem nem me imaginar no jornalismo, era o caderno de esportes que eu pegava primeiro. Depois cultura, depois o primeiro. Sempre fui doida com esportes, mesmo não sendo boa praticante. Já contei a saga de viver sem televisão em meio à principal disputa esportiva no planeta. Falo sempre que há uma televisão lá na agência apenas porque eu queria ver a Copa do Mundo. E que eu sabia, há uns anos, o Guia dos Curiosos - Esportes quase de cor, em especial as partes das Olimpíadas e da Copa do Mundo.

Porém, na faculdade eu acabei indo pra outro lado, o da produção de TV, enquanto a vida profissional me levou para as assessorias de imprensa. Continuei gostando de esportes, mas dei uma desencantada geral com o jornalismo esportivo. Só voltei a olhar de novo pra essa área no mestrado, quando comecei um estágio de docência informal na disciplina de Jornalismo Esportivo. Daí pra começar a ler mais sobre a área, ver a teoria e tal foi um pulo. E o Lance! surgiu assim meio do nada, porque é o único jornal diário do Brasil dedicado totalmente aos esportes, com foco em futebol. Foi quando esse livro do Mauricio Stycer (que eu conheço mais como crítico de TV) pulou na minha frente.

O livro é fruto da dissertação de mestrado do Maurício, na área de Sociologia. Como um dos editores do Lance! quando o jornal foi lançado, ele tem muita história de bastidores pra contar, mas não é isso que faz aqui. Ele pesquisa a história do jornalismo esportivo brasileiro, levantando desde os primórdios das notícias de esportes, perdidas em uma edição normal, até o lançamento dos primeiros jornais dedicados, com destaque para dois: a Gazeta Esportiva (que hoje é um site, sem edição impressa) e o Jornal dos Sports (já falecido). Ele conta como o Lance! foi pensado, criado, investido, todo o trabalho de projeto editorial criado junto ao projeto gráfico, como as duas redações (uma no Rio, outra em São Paulo) se coordenavam, para terem material específico e conjunto.

O texto tem aquela forma acadêmica própria, mas tem muito do estilo que a Sociologia preserva. Tive um pouco de dificuldade em encontrar no clima correto do texto, porque escreve-se, na Comunicação, de forma bastante diferente. Maurício é muito minucioso e levanta detalhes bem interessantes sobre cada momento da pesquisa, o que deixa o trabalho bastante rico. Porém, não entra em questões próprias do jornalismo, o que me deixou um pouco frustrada. O único momento em que acredito que o jornalismo prevaleça é quando ele fala sobre o projeto editorial, criado com o auxílio de um profissional espanhol, e das dificuldades que esse projeto trouxe para o corpo de repórteres e editores. Foi bem interessante poder acompanhar isso.

No fim, foi uma leitura boa, mas que me deixou um pouco frustrada, porque eu esperava mais de jornalismo, menos de história e sociologia. Por outro lado, me deixou com várias ideias...


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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Livro: Tesouros enterrados de Lost



Ganhei o Tesouros enterrados de Lost O guia não-oficial para tudo o que os fãs de Lost precisam saber do meu orientador do mestrado. Foi um dia muito louco: ele me ligou, me chamando pra ir à casa dele e me mostrou uma montanha de livros que iria doar, e eu seria a primeira pessoa a ver. Pude escolher o que quisesse. Saí de lá com muitos livros, de literatura, cultura popular, filosofia, comunicação, fotografia e ciência. Um dos livros que ganhei deles é Vozes de Tchernóbil, de que já falei aqui.

O que me deu vontade de pegar esse livro foi a paixão por Lost. Quando comecei a ver a série, já estava passando a quarta temporada na TV. Aluguei, baixei, peguei dvds emprestados e cheguei ao ponto em que a série estava, para poder acompanhar pela TV. Foi muito louco acompanhar tudo. Motivou muito tempo da minha vida - motiva até hoje, na verdade. Lost foi uma experiência muito bacana de transmídia, que é o que eu pesquiso. E tem muito material sobre Lost por aí. Um dos teóricos que eu pesquiso, o Carlos Scolari, escreveu Lostologia, que é um livro que quero ler há anos e não consigo encontrar em papel. Ok, posso comprar o e-book para Kindle, mas mesmo assim eu queria em papel.

O livro traz uma pesquisa longa dos três autores sobre as três primeiras temporadas de Lost. Eles trazem listas de episódios, de livros citados e inspiradores (aumento bruto na lista de livros que quero ler), de músicas (uma playlist muito legal), de séries de TV que também são utilizados como inspiração, de filmes que são usados como referência, de cultura pop citada, especialmente pelos personagens de Hurley e Sawyer.

Quando peguei o livro da pilha oferecida pelo orientador, fui muito guiada pela fome de Lost e menos por tempo pra ler. Mesmo que o tema seja caro pra minha pesquisa sobre transmídia, tempo não é uma coisa que sobra por aqui. Mas daí, um dia, resolvi ir pra BH e queria uma leitura leve, nada do que ando lendo academicamente, nada de filosofia, nada para estudar o que quer que fosse. Mas como a viagem seria curta, não teria tempo pra me dedicar aos muitos romances que preciso ler. Daí peguei o livro e... putz... devorei.

A edição é bem ruinzinha. A diagramação é péssima, o volume está cheio de erros de revisão, tanto de texto como de pesquisa. Mas, mesmo assim, é um alento pra quem gosta de Lost. E foi ótimo ler enquanto estou revendo a série, pela quinta vez, enquanto não faço nada (tipo de meia noite às 6h).

Quando estive em Curitiba, apresentando um trabalho num congresso, acabei comprando A filosofia de Lost, que quero ler em breve (sabe-se lá quando).

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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Livro: Sobre a escrita


Tinha esse livro há um tempão na estante. Desde que foi lançado em português. Mas deixei ele lá, sabe-se lá o motivo (deve ter sido o mestrado, esse sugador de energia das pessoas). O fato é que um dia desses, tirei da estante e li rapidão.

O livro é dividido em três partes. Na primeira, o autor conta sobre sua vida de uma forma muito divertida e bem humorada. Ele mostra como foi, desde cedo, capturado pela escrita. E traz uma série de coisas de sua vida que levaram a histórias, que depois viraram livros. Também conta o percurso penoso da busca por publicação. De como histórias foram deixadas de lado e tomaram outro rumo. Sobre o primeiro livro publicado, Carrie, a estranha, e como ele mudou sua vida. De como conhecei Tabby, sua esposa, e a vida dos três filhos, em meio aos muitos perrengues enfrentados. Fala também sobre o alcoolismo e tudo de ruim que trouxe para a sua vida pessoal e profissional.

Na segunda parte, chamada de Caixa de Ferramentas, King elenca uma série de qualidades que devem ser exercitadas por quem quer ser escritor. É engraçadíssima a sua defesa pelo não uso do advérbio. Não era algo com que eu me preocupava, mais depois do autor dizer que "a estrada para o inferno está pavimentada por advérbios", fiquei mais atenta, tanto nos meus textos quanto nos que leio. E preciso concordar com o Stephen: advérbio é muito feio!

Também fala sobre história, trama, texto, construção de personagens e mais um monte de coisas, como se fosse, realmente, uma caixa de ferramentas para autores, na terceira parte. É um guia pra ser lido, relido e consultado.

Não sou boa leitora do Stephen King. Só li O Iluminado, e não curti muito. Não é o tipo de livro que curto. Mas é preciso tirar o chapéu pro autor, porque ele publica muito e tem muita criatividade. Gostei muito deste Sobre a escrita, acho que é um bom guia para qualquer pessoa que quer escrever.
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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Citações #218

De Man Repeller:


- Quais são suas competências?
Eu estava preparada para essa pergunta, porque meu pai tinha me avisado que eles a fariam.
- Word, Powerpoint, Excel... todo do Microsoft Office, na verdade.
Em 2007, essas competências levavam a um caminho chamado Contratado. Se eu tivesse divulgado minhas verdadeiras competências - Facebook e Net-a-Porter -, a reunião provavelmente teria acabado ali mesmo. Cinco anos mais tarde, talvez essas fossem as duas únicas competências importantes.  


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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Livro: Pequenas grandes mentiras



Quando Ana Paula me passou o livro, não fiquei lá muito entusiasmada. Estava #lendovidaedestino e caminhando devagar com a trama. Mas uma hora dessas pensei que uma leitura levinha ia ser bacana pra desanviar. Pensa bem se não parece um livro levinho... 400 páginas de romance água com açúcar...

Só que não.

Li o livro em dois dias. E foi uma porrada na cara. A autora foi muito feliz em fazer com que uma das personagens principais fosse bem leve (e meio louca, meio gente como a gente), com problemas comuns do dia a dia: um emprego de meio horário, uma filha adolescente, dois filhos ainda crianças. A entrada da filha caçula no jardim de infância. O contato com as outras mães, a "política da escola". Madeline é real demais, em especial no seu relacionamento com a filha mais velha e o ex-marido, com as mágoas e dores que o fim da relação deixou.

No dia da orientação dos novos alunos do jardim de infância, enquanto tenta "salvar a vida" de um grupo de jovens, ela se machuca e conhece Jane, nova no bairro, que levava o filho Ziggy para a mesma turma de Chloe, a caçula de Madeline. Há também a deslumbrante e rica Celeste, mãe dos gêmeos Max e Josh. Quando vão buscar os filhos na escola, Amabella ("não é Annabella, é um nome francês"), filha de Renata, reclama que foi agredida por um menino e, na confusão, a culpa cai em Ziggy. Renata se estressa e quer um pedido de desculpas, enquanto Jane tem certeza de que seu filho não machucaria a coleguinha.

Esse é o pano de fundo para uma investigação de assassinato, que acontece dentro da escola. Logo no primeiro capítulo sabemos que alguém morreu, mas não sabemos como nem quem matou. Só sabemos que a morte aconteceu no dia do Festival de Perguntas e Respostas da Escola, em que os pais deveriam ir fantasiados de Elvis e as mães de Aldrey. Alguns capítulos contam com depoimentos de pais de alunos do jardim de infância sobre as outras mães e pais, sobre as crianças, a professora, a diretora e sobre todas as situações decorrentes do bullying que Ziggy é acusado de praticar.

Porém, mais além, vamos encontrar uma situação de muita, mas muita violência. E, também, de como a violência se espalha, silenciosa, capilar, destruindo vidas e criando monstros.

Foi uma história que me tocou muito, por conta do meu histórico de vítima de violência doméstica. Vi minha vida passada em várias situações do livro, agarrada ao volume esperando ver se haveria um fim digno para aquela história. Sim, o fim é digno. Tem um lado bem romanceado, mas há o principal, lá nos últimos capítulos, sobre as mentiras que as vítimas de violência contam para se encaixar na sociedade. Só por isso, o livro valeu pra mim. Mas não é só isso. É preciso discutir abertamente essa questão.

Verei a série, sim, assim que for possível.
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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Citações #217

De Número Zero:


- Não é necessário inventar notícias - observei -, é só requentar.
- Como?
- As pessoas têm memória curta, Pensando por paradoxos: todos deveriam saber que Júlio César foi assassinado nos idos de março, mas essas ideias são confusas. Pega-se um livro inglês recente que faça uma revisão da história de César, depois basta um título de efeito, Sensacional descoberta dos historiadores de Cambridge. César foi mesmo assassinado nos idos de março, reconta-se tudo e tem-se um artigo delicioso.  

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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Livro: Fahrenheit 451



Fahrenheit 451 é um daqueles livros que estava na minha pilha de leituras há anos. Vai saber o motivo de ter passado tanto tempo lá... Até coloquei ele na mala pra NY, mas ele permaneceu por lá. Quando desfiz a mala foi que pensei em adiantar a leitura. Foi rápido, li em um fim de semana.

A história é bem conhecida. Fahrenheit 451 é a temperatura do fogo para que o papel seja queimado. O autor cria uma distopia em que os livros são proibidos e os bombeiros existem não para combater o fogo - as casas são anti-chamas -, mas para criá-lo. A sirene do Corpo de Bombeiros soa sempre que alguém denuncia que há livros guardados em alguma casa. Assim, os profissionais do fogo vão até o local indicado para queimar todos esses objetos considerados inúteis e, mais que isso, perigosos. O personagem principal, Montag, é um bombeiro.

Há várias formas de entretenimento nessa distopia. Uma delas é a televisão com múltiplas telas, que é configurada para que os atores conversem com as pessoas. Assim, o conteúdo é direcionado para envolver a audiência. Mildred, esposa de Montag, é uma das donas de casa que fica completamente envolvida com essa e com outra forma de entretenimentos: fones de ouvido que tocam música incessantemente. Ela é capaz de ler os lábios do marido e conversar com ele sem retirar os fones. Ela dorme de fones. Talvez esse tipo de situação justifique o que acontece com Mildred logo no início do livro: ela toma muitos remédios para dormir e Montag a encontra quase morta.

O encontro de Montag com Clarice McClellan, a nova vizinha, muda a forma como o bombeiro vê a vida. A família de Clarice - e ela mesma - é considerada subversiva, e há uma grande vigilância sobre eles. Montag gosta da menina e do seu jeito meio petulante, meio sem filtro. A partir da presença e, posteriormente, da ausência de Clarice, Montag vai começar a questionar o mundo em que vive.

É curioso como o livro é uma declaração de amor aos livros, ao mesmo tempo em que foge um pouco das distopias da mesma época (como em Admirável mundo novo), ao ter um final com uma mensagem de esperança. É bonito o fim do livro, muito mesmo, mas me pareceu deslocado do que eu esperava da distopia. Mesmo assim, é um ótimo livro. Mais fácil de ler - talvez até por esse clima mais positivo - do que Admirável mundo novo.

Fahrenheit 451 virou filme, dirigido por François Truffaut em 1966. É um bom filme, a adaptação foi muito bem feita. Vi há muitos anos, mas estou querendo ver de novo.
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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Citações #216

De Número Zero:



A questão é que os jornais não são feitos para divulgar, mas para encobrir as notícias. Ocorre o fato X, você não pode deixar de falar dele, mas cria problemas para gente demais, então no mesmo número você põe manchetes de arrepiar o cabelo, mãe degola os quatro filhos, a nossa poupança talvez vire pó, descoberta uma carta de insultos de Garibaldi a Nino Bixio e assim por diante, a sua notícia se afoga no grande mar da informação.  

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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Livro: Um amor incômodo



Olha a Elena Ferrante aí de novo...

Em Um amor incômodo, temos Delia às voltas com a morte da mãe, Amalia. Ela morreu, no dia do aniversário da filha, afogada no mar; foi encontrada vestindo apenas um sutiã novo. Esse detalhe chama a atenção de Delia: a mãe só vestia roupas velhas, reformadas e remendadas; até mesmo roupas íntimas. O que levou Amalia, que saiu de Nápoles a caminho de Roma para visitar a filha, a parar em uma praia e ficar dois dias por lá, depois entrar no mar apenas de sutiã e não mais voltar?

Delia está às voltas com a parte burocrática da morte: reconhecimento do corpo, velório e enterro, entrega do apartamento onde a mãe vivia. Ao mesmo tempo, tem que se haver com a própria mãe, com quem tinha uma relação complicada, em que estão presentes a vontade de ser Amalia e a vontade de repeli-la sempre.

Há uma história do passado pulsando: Amalia se comportava de forma diferente longe do pai de Delia. Houve um caso de infidelidade, anos depois veio a separação. O ex-marido continua a seguir Amalia, continua a aterrorizar a ex-mulher. O amante quase morreu, devido à violência quando caso veio à tona. Porém, surge novamente nos últimos dias de Amalia.

A Nápoles de Elena Ferrante é bastante repulsiva. Nela, pulsam a sujeira, a violência, o dialeto forte, as obscenidades. As dores de um passado sempre marcante. Talvez por ter lido a Tetralogia Napolitana antes dos demais livros, me parece que os dois que li depois são um ensaio para essa obra maior. Isso não diminui os livros, de forma alguma.

Neste Um amor incômodo, em especial, é possível ver um horror mais marcante. Tão forte, no desenvolvimento da ação, que, ao terminar, não sabia se tinha gostado ou não. Escrevo ainda sem ter certeza. Porém, esse incômodo é um dos fatores que me leva a gostar de um livro: a história permanecer retumbando na minha mente mesmo após lida. Isso é sinal de que o livro me tirou do lugar. Pra mim, como leitora, isso não tem preço. Então, aposto que o veredito final será positivo.

De toda forma, a narrativa da Elena Ferrante é muito envolvente. Ela sabe narrar, ela enreda a trama e o leitor de uma forma muito especial. Mesmo que a história seja um tanto repulsiva, você fica ali, grudado no livro, esperando para chegar ao final e entender o que um gatilho simples pode gerar. Nesse ponto, ela me lembra muito das crônicas de Laços de família, da Clarice Lispector.

Da Elena Ferrante, ainda não li Frantumaglia e Dias de abandono. O primeiro ainda será lançado em português.

O que já li da autora:
Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
Sobre História do novo sobrenome
Sobre História de quem foge e de quem fica

Sobre Story of the lost child
Sobre A filha perdida

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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Citações #215

De Número Zero:


Percebam que hoje, para contra-atacar uma acusação não é necessário provar o contrário, basta deslegitimar o acusador. Portanto, aqui está o nome e o sobrenome do sujeito, e Paratino dá um pulo em Rimini, com um gravador e uma máquina fotográfica. Siga esse íntegro servidor do Estado, ninguém nunca é cem por cento íntegro, mesmo que não seja pedófilo, não tenha matado a avó, nem embolsado proprinas, terá feito alguma coisa estranha. Ou então, se me permitem a expressão, estranhifica-se aquilo que ele faz todos os dias. Palatino, use a imaginação. Entendido? 


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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

De volta a NY - Parte 5

Pensa num refrigerante horrível...

Acordamos cedo no sábado. Na sexta, antes de acontecer a zica com meu pé, tínhamos ido à Times Square, aquele inferno de lugar, em busca de presentes pros sobrinhos, na loja da Disney. Estava infernal. Daí, quando voltamos pro hotel, tinha um sujeito distribuindo essas latinhas de Pepsi de canela. Uma pra mim, uma pro Leo. Ele bebeu na hora, eu deixei pra tomar na manhã de sábado, quando voltaríamos pra Times Square, num momento mais vazio da loja da Disney, pra procurar com calma o presente das crianças.

Meu pé continuava inchado e dolorido. Coloquei a pomada anti-inflamatória na bolsa e prometi pra mim que andaria devagar, com bastante cuidado. Até então, estava usando a minha wanna-be-Birkenstock, mas precisei voltar pro tênis, amarrado bem apertado pra dar um suporte melhor pro pé. Loja da Disney, lá fomos nós. Estava frio, bem mais do que nos outros dias.

Sacolinha

A lista de presentes envolvia um Minion pro Lucas, uma Pequena Sereia pra Lara, uma roupinha fofa pro Mateus e uma Moana pra Maria. Não achamos o Minion (será que é porque não é da Disney? - ficaria para outro momento). A roupinha do Mateus foi fácil. A Pequena Sereia da Lara também. A Moana da Maria não foi. A menor não cabia na mala compacta que tínhamos. Acabei escolhendo um grupo de Kakamoras pra ela, morrendo de medo dela odiar.

De lá, passamos no hotel pra deixar as compras e rumamos pra Brooklyn, querendo fazer o mesmo trajeto que tínhamos feito com o Pedro em 2013. Isso incluía uma loja de esportes, onde tínhamos comprado um Camelback pro pai do Leo. Agora estávamos em busca de uma bota de escalada pro Leo mesmo. Foi um pouco difícil achar a loja, porque descemos de metrô desta vez - antes, tínhamos ido à pé - e não sabíamos o nome dela nem a localização exata. Descemos de metrô por motivos de pé-zicado-da-Aline.

Pausa pra falar que no metrô a gente encontra pessoas lendo calhamaços, mesmo em pé. Preciso aprender esse malabarismo.

Olha o tamanho do livro! Ao menos as edições desse tipo são leves. 

Conseguimos achar a Patagon e Leo encontrou a bota que queria. Eu levei um casaco, que fez muito bem pra mim na descida até o Brooklyn, porque estava bem frio.

Nosso plano era almoçar na feirinha de comidas do Brooklyn e depois ir pra cervejaria. Mas a feira estava tão lotada, tudo tão muvucado, que não aguentamos cinco minutos por lá. Não tinha lugar pra sentar, e eu não estava dando conta de ficar muito tempo em pé. Fomos procurar um restaurante ou algo assim e achamos um dinner lindinho (o Brooklyn é uma região muito fofa! Dá até vontade de ficar hospedado por lá, da próxima vez).


Meu almoço absurdamente gostoso!

Saímos de lá e rumamos pra cervejaria Brooklyn, um dos lugares onde Leo mais queria voltar.

Se a ciência diz, a gente acredita!

Diz o mural da Brooklyn...

Chegamos e tinha uma fila considerável na porta. Eles trabalham com uma capacidade de carga que não sei qual. Mas só entra um número X de pessoas. Então, para entrarmos, várias pessoas tinham que sair. Ficamos lá, em pé, esperando. E dá pra imaginar a dor de ficar em pé, né? O pé direito doendo horrores, não dava para servir de apoio. O pé esquerdo era o apoio oficial e já estava pedindo pra sair zero-dois. Foram uns quarenta minutos de fila. Me lembrei muito do Jaime Lannister: as coisas que a gente não faz por amor... Leo, por amo à cerveja, topou pegar a fila, coisa que ele odeia fazer; eu, por amor a ele, estava ali, quase chorando de desespero.

Entramos, finalmente! Arrumei um cantinho perto do banheiro pra sentar, ao lado de um moço bem simpático, que estava sozinho. Leo foi comprar as fichas e pegar a segunda fila do dia, a da escolha dos chopps. Enquanto esperava, tirei o tênis e taquei pomada anti-inflamatória na bola imensa que eu insistia em chamar de pé. Estar sentada era um alívio imenso... podia descansar os dois pés e ser feliz.


Garoto propaganda (olha meu tênis aqui, no canto inferior direito!)

Ficamos um tempo lá, com Leo experimentando os chopps "ao pé da vaca", como ele gosta de dizer. Passamos la lojinha e fizemos a "nossa" feira, além de comprarmos presentes pra Debora e pro Marcelo. Depois, fomos embora, caminhando devagar (a.k.a. pé direito pedindo socorro) pra também fruir o bairro, tão encantador.

NY tem disso, muitas flores nas ruas

Me sentindo local, com o pé direito estragado

Voltamos, pegamos o metrô, voltamos pro hotel. À noite, voltamos pra Penn Station, pro Shake Shack e pro mesmo pedido do dia anterior. Porque adoramos repetir as coisas que gostamos.

Mas ao passarmos na Duane Reade, ao lado do Shake Shack, comprei um suporte pro tornozelo, pra poder seguir a vida a flanar pela cidade.

Suporte e pomada anti-inflamatória a postos. 




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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Livro: A filha perdida


Meu primeiro Elena Ferrante após a Tetralogia Napolitana!

A filha perdida é um daqueles livros que você lê de supetão. Comprei na rodoviária e li na viagem entre BH e Ouro Preto, e voei nas 174 páginas das férias de Leda na praia. Ela é professora universitária e se vê sozinha pela primeira vez, podendo usufruir de férias como quisesse, já que suas duas filhas, Marta e Bianca, mudaram-se para o Canadá, para viver com o pai.

Em meio às férias de professora, cheia de leituras e estudos, ela resolve passar o dia na praia. Escolhe o lugar, a barraca, a espreguiçadeira. Está tranquila, usufruindo a calma longe das filhas e do trabalho. Mas aí aparece uma família napolitana, que desperta em Leda lembranças de um passado que ela gostaria de manter esquecidos. O grupo é grande e, entre os gritos e o jeito espalhafatoso, destaca-se uma moça jovem e sua filhinha. Leda acha a moça graciosa e se diverte vendo a relação de mãe e filha.

Porém, as lembranças das filhas e de suas falhas como mãe também pulam à sua frente e, novamente, incomodam. Finalmente, ela trava contato com os napolitanos. Nina é a moça, mãe de Elena, que sempre carrega uma bonequinha. Rosaria, que está grávida, é irmã do marido de Nina, que só vem nos fins de semana, e é casada com o senhor mais velho. Há mais crianças e adolescentes, que irritam Leda por serem espalhafatosos. Um dia, ao sair da praia, Leda é atingida nas costas por uma pinha seca, ficando uma marca feia no local. Ela tem certeza que foram os napolitanos.

Na sequência, Elena se perde na praia e Leda se mobiliza, junto com a família napolitana, para encontrar a garota. É ela quem encontra a menina, apavorada, chorando muito. Quando leva a criança para os pais, vê o êxtase da família napolitana ao ver que está tudo bem com Elena. Mas, novamente, um conflito se estabelece. Elena perdeu Mina, sua boneca. O choro da menina incomoda a todos. A praia é revirada e nada é encontrado.

O sumiço da boneca desencadeia uma série de acontecimentos que vão levar Leda a rever sua vida, a relação com o ex-marido, com as filhas, com os amantes, com o mundo. A tensão é constante e a escrita da autora é muito envolvente. É fácil entender Leda, da mesma forma que é fácil ficar horrorizada com suas atitudes, passadas e presentes.

Elena Ferrante é uma delícia de ler!

O que já li da autora:
Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
Sobre História do novo sobrenome
Sobre História de quem foge e de quem fica

Sobre Story of the lost child

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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Citações #214

De Número Zero:


- Certo. Os jornais ensinam como se deve pensar - atalhou Simei. 
- Mas os jornais seguem as tendências ou as criam?
- As duas coisas, senhorita Fresia. As pessoas no início não sabem que tendências têm, depois nós lhes dizemos e elas percebem que as tinham. É bom não fazermos filosofia demais e trabalharmos como profissionais.  


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


segunda-feira, 31 de julho de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #160

1 - The Handmaid's Tale x Game of Thrones: a diferença entre retratar e banalizar o estupro
Do Conversa Cult. A discussão é sobre como o seriado Game of Thrones banaliza a violência contra a mulher. Tenho alguns problemas em aceitar o argumento da autora, mas de toda forma, acho importante o debate. Como leitora de As crônicas de gelo e fogo, sei que o Martin tem uma motivação diferente dos produtores da série. Ainda não vi The Handmaid's Tale, vou ler o livro antes e comentarei a respeito.

2 - O que o correspondente do 'Guardian' descobriu após 5 anos no Brasil
Do José de Souza Castro no Blog da Kika Castro. Após a leitura, é impossível não pensar como o Brasil cresceu nos últimos tempos e como uma série de decisões voltadas à direita fizeram tudo ir por água abaixo. Ver o país regredir me dói muito.

3 - The ryse of dystopian fiction: from soviet dissidents to 70's Paranoia to Murakami
Do Eletric Literature. Um canal muito bacana sobre literatura. Esse texto, em especial, sobre distopias, tem muitas indicações bacanas de leitura, além de contar como o gênero teve início.

4 - Itabirito
Do Ramon Cota. O texto é muito mais sobre o encontro, o lar de verdade, que pode ser a cidade natal, como é no texto, a família, os amigos, um quintal. Onde o coração fica aquecidinho.

5 - O professor de histeria e a História
Da Agência Spotlight, sobre o jornalista e historiador que anda falando umas bobagens por aí, no microfone de uma rádio paulista. A Agência Spotlight vale muito a pena. Sempre textos excelentes.

6 - Loras Tyrell e a estereotipização de personagens LGBT em Game of Thrones
Do Nó de Oito. Há uma série de críticas para o seriado Game of Thrones no tratamento dos personagens LGBT. Esse texto fala disso. E fala bem.



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sexta-feira, 28 de julho de 2017

De volta a NY - Parte 4

Do alto da High Line

Nosso terceiro dia em Nova York começou cedo. Porque a gente tem os fins de semana dos dias comuns pra levantar tarde. Férias é pra bater perna de cedinho até tardão.

O café da manhã foi na 7Eleven, que tem o melhor donut dessa vida, do qual eu já estava com muitas saudades. Leo não tinha gostado do café da manhã lá da vez anterior, e estava com o pé atrás. Porém, escolheu um sanduíche de atum e ficou bem satisfeito. Tomamos o café Vanilla do Starbucks, na versão gelada e engarrafada, vendida só em delis. Achei melhor que a versão de caramelo, mas inferior ao Caramell Machiato do amor, somente nas Starbucks. Tomamos o café na rua 34, sentados nos bancos de um prédio, vendo o corre-corre da cidade.

Dali, seguimos para a High Line, que queríamos ter visitado na vez anterior, mas não conseguimos. Em teoria, a entrada da High Line é na rua 33 com a 10ª avenida. Estávamos na 34 com a 8ª. Andamos até lá só para descobrir que não é a 33, mas a rua 31. Isso porque havia uma obra enorme na rua 33. Custamos a achar a entrada, mas lá, escondidinha, estava a escadinha que leva à antiga linha de trem que foi ampliada para receber esse lindo parque suspenso.

Uma vez na High Line, foi lindo! Andamos bastante, fizemos várias fotos, foi lindo! Só que estava quente pra dedéu. 33 graus, um calor grudento. Quando chegamos, a linha estava bem vazia. Depois, foi enchendo de gente, de escolas, crianças de jardim de infância e seus cuidadores. As crianças seguravam uma cordinha, levada pelos cuidadores, para não se perderem. Tô pensando em usar a mesma coisa com o Leo, hahahaha.

Algumas partes em reforma

Outras bem ao ar livre

Obras de arte em vários pontos

E também protestos políticos

Descemos da linha uma vez, para comprar água, porque estava difícil viver naquele calor. No café que entramos estava tocando Should I stay or should I go, do The Clash, pra alegria do Leo. Voltamos e andamos até o Chelsea Market, que era nossa opção para o almoço. Ou seja: andamos pra caramba.

Conhecer o Chelsea Market estava na nossa lista de coisas a fazer. Descemos pouco depois do meio dia e o local já estava abarrotado de gente. Tinha várias opções para comer, de italianos a frutos do mar. A proposta do market é reunir produtores de produtos frescos e artesanais, então tinha de tudo, com muita variedade.

Mercado das pulgas muito fofo!

Mil temperos diferentes

Escolhemos, para o almoço, a Dicksons Farmstand, uma charcutaria ou um açougue-boutique, cheio de carnes especiais e sanduíches muito loucos. Foi uma experiência muito interessante. Os dois sanduíches que comemos estavam ótimos.

Brownie de Bacon, que não experimentamos

Depois do almoço, andamos pelo mercado, tentando ver o máximo possível do local. Um bar só de lagostas e frutos do mar estava lotado de asiáticos comendo as ditas. O mercado das pulgas tinha coisas muito interessantes, mas bem carinhas. Tinha uma loja só de chocolates artesanais, muito fofa.

Do Chelsea Market tínhamos duas opções, para usar o City Pass que compramos. Ou era o Intrepid Sea, Air and Space Museaum, um museu sediado em um porta aviões, ou o Memorial e Museu do 11 de setembro. Optamos pelo 11 de setembro, porque museu militar é sempre meio nhé. Descemos de metrô (vou comemorar a vida inteira que chego a qualquer lugar de Nova York com um mapa do metrô na mão!). A viagem até lá, a partir do Chelsea Market, é um pouco longa, mas é isso mesmo: melhor ficar no metrô, porque descer à pé é muito trampo e o dia estava muitíssimo quente.

Primeiro, fomos ao Memorial do 11 de setembro. É bonito e tocante.




O vento fazia a fonte espargir água tanto no nome dos mortos quanto nas pessoas que estavam por lá. Tomamos vários banhos de água, o que foi ótimo, devido ao calor.

O Memorial estava tão cheio e tão quente que a gente nem conseguiu pensar direito no significado daquele monumento. São muitos nomes inscritos na borda da fonte, o que mostra a dimensão do que foi o 11 de setembro. O espaço, aberto, com todos aqueles nomes, faz ficar ainda mais forte a extensão daquele dia. Eu achei que não conseguiria me emocionar, mas chorei igual um bebê enquanto andávamos por lá. Se não estivesse tão tumultuado, imagina o tamanho da experiência...

Nosso City Pass dava direito à entrada no Museu, mas a fila estava enorme e... exposta ao sol escaldante. Ponderamos que era melhor deixar a visita pra depois ou, até mesmo, deixar pra lá. Havia outras possibilidades na lista, além do Museu e do Intrepid. O museu Guggenheim já era parada certa. Faltava só escolher a outra opção.

Para voltar ao hotel, usamos a estação de metrô do Memorial, que é a mais moderna do mundo (pelo menos, foi o que disseram). A linha nos levaria direto para a esquina do hotel.

No metrô, essa propaganda bem a calhar para o momento brasileiro

Descemos na Penn Station e, ao zanzar por lá para achar a nossa saída, vi um Shake Shack, que era, de longe, o lugar onde mais namoramos comer nessa viagem. Guardei bem a localização, pra voltarmos no jantar. Fomos pro quarto tomar banho e descansar, de pés pra cima, pra continuar depois.

Voltamos à Penn Station bem na hora do rush. Milhares de pessoas subindo e descendo escadas, correndo atrás do metrô ou do trem, e a gente lá, no meio do fluxo. Na descida da escada principal, enquanto esperava a multidão à minha frente andar - Leo já estava láááá longe - senti um click no meu pé direito. Fudeu!, pensei na hora. A dor foi imediata. Quando isso aconteceu, eu estava parada no degrau, sem me mexer. Não torci o pé, não caí, não aconteceu nada além do click. Continuei a descer, seguindo o fluxo. Doía só de tocar o chão.

Não falei nada com o Leo. O Shake Shack estava lotado! Pegamos a fila (eu em pé, com o pé direito urrando de dor). Pedimos o Smocked Burger e o shake de baunilha. Foi maravilhoso, como todo mundo já tinha dito. Melhor sanduíche dessa vida.

Só quando estávamos sentados é que contei ao Leo o que tinha acontecido com o meu pé. Pensei que se usasse um creme anti-inflamatório seria lindo e, no dia seguinte, poderia correr pra todos os lados de NYC. Então, saímos do Shake Shack, passamos na Duane Reade, compramos coisas de farmácia e cervejas e voltamos pro hotel. Passei o creme, esfreguei bastante e fomos dormir, pra seguir com a saga de percorrer Nova York.

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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Livro: O Vestido



O Vestido foi um duplo presente. Primeiro, porque me foi dado pela Ju, amiga de longa data desse mundo bloguístico. Foi pra ela que enviei o Vozes de Tchernóbil. No dia que o livro chegou lá no Piauí, O Vestido chegou aqui em casa. Comecei a ler imediatamente.

Ananda Sampaio é cunhada da Ju e escreve com uma delicadeza invejável. O Vestido reúne crônicas de um olhar apurado e sensível, que capta beleza nas coisas mais simples. Como quando ela fala sobre os livros mais velhos ou quando compara a avó a Dona Canô, a mãe do Caetano Veloso e da Maria Bethania. Foi muito emocionante ler sobre a avó, especialmente porque me peguei pensando na minha e na falta que ela me faz.  Chorei muito quando ela conta da morte da avó e assinei embaixo quando ela fala sobre a parceria com o marido, até nas coisas mais simples, como a limpeza da casa.

Outro ponto que me tocou profundamente foi quando ela conta da sua mudança para Brasília e de ter se sentido estrangeira por lá. Lembrei de quanto morei no Maranhão e tive a mesma sensação. No meu caso, ficou o séééssenta e o sééétenta, que ficaram para sempre no meu sotaque. Essa sensação de não pertencimento é muito curiosa, e a Ananda trata com muita delicadeza.

Enfim, o livro foi um presente e tanto! Foi uma delícia conhecer a escrita da Ananda, por intermédio da Ju. Um texto simples, sem academicismos, mas tão intenso que toca, diretamente. Obrigada pelos presentes, Ju!

Uma das coisas que me chamou a atenção foi a diagramação do livro. Amei a forma como ele foi montado. Fiquei pensando em como foi criar o projeto gráfico para a obra. Achei muito bacana.

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terça-feira, 25 de julho de 2017

Citações #213






- A história dos celulares não pode durar - rebateu Simei. - Primeiro, custam uma nota, e são poucos os que podem se dar esse luxo. Segundo, as pessoas daqui a pouco vão descobrir que não é indispensável ficar telefonando para todo mundo a toda hora, vão sentir falta da conversa pessoal, cara a cara, e no fim do mês vão perceber que a conta do telefone atingiu picos insustentáveis. É uma moda destinada a desaparecer no espaço de um ano, no máximo dois. Por enquanto, o celular é útil só para os adúlteros, para poderem ter seus casos sem usar o telefone de casa, e talvez para os encanadores, que podem ser chamados a qualquer momento enquanto estão circulando. Para ninguém mais. Portanto o nosso púbico, que em sua maioria não tem celular, não se interessaria pela matéria, e para os poucos que têm celular ela não ia cheirar nem feder aliás, iam nos considerar esnobes, radicais chiques.  

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segunda-feira, 24 de julho de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #159

1 - Anônimo, você tem toda razão
Da Helô Righetto. Sobre julgamentos sem sentido. Muito bom!

2 - Gaslighting
Da Cheshire Cat. Olha só... ela resumiu bem o que é o gaslighting. E dá uma tristeza imensa ver que isso é tão comum...

3 - A economia "compartilhada" e o apê descolado
Da Nina Lemos. Não tinha visto esse caso até ela escrever sobre ele. Meodeos, que mundo é esse???

4 - Após amizade com meus próprios demônios, o luto me assombra menos
Da Cláudia Collucci, na Folha. Muito bom, sobre o luto. Com quase um mini-guia pra lidar com a ausência, com o vazio e com o medo.

5 - Como funciona a engrenagem das notícias falsas no Brasil
Da Folha de S. Paulo. Era pra ter vindo pra cá em fevereiro, quando a matéria foi publicada, mas não sei o motivo de não ter vindo. Esse texto é fundamental para entender porque há tanta notícia falsa circulando por aí. Não é algo polarizado, não é só esquerda, não é só direita. Pra variar, o viés é financeiro.

6 - ANNA K, CADÊ VC?
Da Gabriela Pedrão. Ela fala sobre um livro em especial, Anna Kariênina, da Cosac Naify. Com o fim da editora, é difícil encontrar as edições. Aliás, você até consegue no Mercado Livre ou na Estante Virtual, mas todas ao preço de um rim e meio. BTW, o canal da Gabriela no YouTube é muito interessante.


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terça-feira, 18 de julho de 2017

Citações #212

De Número Zero:







- E os que ainda não eram maiores de idade na época viram isso nos filmes de Fellini - acrescentei, porque quem não tem recordações na memória as toma da arte.  

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sexta-feira, 14 de julho de 2017

De volta a NY - Parte 3



Começamos o dia 2 em NY tomando café da manhã na Starbucks, na saída do hotel pra rua 32. Na nossa viagem anterior, no mesmo local havia uma deli bem caidinha, onde o Leo comprou uma cerveja Guiness passada. A Starbucks dali é bem espaçosa. De fato, tem uma Starbucks em cada esquina em NY. Perto do hotel, tem três. Achei essa a melhor e mais confortável.

Como estava muito quente, pedimos o nosso querido Caramel Machiatto, gelado. Foi bom, mas o quente ainda mora no meu coração. Nosso primeiro compromisso foi comprar sapatos. Isso porque o Leo não tinha trago tênis para caminhada. E eu, mais uma vez, já estava cheia de bolhas. Porque meu pé é assim: não dá dois passos sem ter uma bolha nova. Consegui achar uma wannabe Birkenstock bem confortável, que me ajudou bastante durante alguns dias. Depois de um tempo, ela também começou a me dar bolhas. Leo comprou um tênis de caminhada e resolveu o problema dele. Dali, fomos para o Central Park, que já tínhamos visitado e amado, em 2013.

O dia estava lindo, mas muito muito muito quente. Haja protetor solar! Entramos no Central Park próximo à Represa Jackie Onassis, que é lindona. Leo se esbaldou nas fotos.

Tentei, mas minhas fotos nunca ficam como as dele...

Era um dia de semana, quente à beça, e o parque estava lotado! Muita gente utilizando as áreas verdes para jogar bola, ficar no sol (enquanto eu fugia do sol, uma galera tava correndo pra ele!!). Muitas crianças correndo por lá. Daí, demos de cara com um balanço, que estava frequentado por adultos. Fiquei de cara, porque eu sempre amei balanços. Fui lá e - cara!!! - que delícia! Não ia num balanço desde 1989!!! Claro que há fotos, mas elas não serão publicadas.

Depois de caminhar bastante no Central Park, fomos ao MET (êêêê!!!). O Met estava entre os passeios possíveis no NY City Pass e foi a nossa primeira escolha. Vivo dizendo que queria voltar a NY só pra poder visitar o MET novamente e ver o que não tinha visto na viagem anterior. Com o mapa disponível no site, eu já sabia onde ir. Meu principal objetivo era ver Van Eyck, que eu tinha visto na Frick Collection, mas não tinha conseguido ver no MET.



Quando chegamos na sala, tinha uma senhorinha com um grupo de turistas, explicando cada detalhe do quadro. Ouvi um pouco, mas logo perdi a paciência. Eu queria ver o quadro e não podia. Daí rodamos por outras salas, vendo cada obra mais linda que a outra. Voltei a Van Eyck, felizmente com a sala completamente vazia. Foi lindo!








MET, que experiência maravilhosa!!!

Saímos com fome, já bem no meio da tarde. Decidimos almoçar no Whole Food Market, um supermercado muito bacana, cheio de opções frescas. Pegamos o metrô e andamos um bocado até chegar a ele. No caminho...


Era um sebo muito completo, cheio de livros lindos! Quase comprei a trilogia do Senhor dos Anéis, numa coleção lindíssima, mas também cara demais. Se não fosse o problema com o câmbio, criado pela instabilidade política no Brasil, até que arriscava trazer os livros pra casa.

O almoço no Whole Food foi delicioso! Muitas opções, em ilhas diferentes, pra você montar seu prato. Suco orgânico, comida bem feita... a melhor refeição que fizemos, desta vez, foi no Whole Food. Voltamos várias vezes por isso.

De volta ao hotel, para descanso, banho, pés pra cima (necessário, quando você passa o dia inteiro andando de um lado pro outro). À noite, voltaríamos ao Rattle n Hum, bar que tínhamos ido com o Pedro e que o Leo curtiu demais. Pertinho do hotel e cheio de cervejas artesanais. Leo escolheu as que ele queria - o cardápio de chopps muda toda semana - e também uma tábua de degustação. Terminamos a noite no Wendy's, onde ele comeu um sanduíche e eu fui de sorvete.

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terça-feira, 11 de julho de 2017

Citações #211

De Número Zero:






Notícias para se dar há infinitas no mundo, mas por que dizer que houve um acidente em Bergamo e ignorar que houve outro em Messina? Não são as notícias que fazem o jornal, e sim o jornal que faz as notícias. E saber pôr juntas quatro notícias diferentes significa propor ao leitor uma quinta notícia.  

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segunda-feira, 10 de julho de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #158

1 - "Ser uma pessoa melhor"
Da Renata. Um texto que ficou retumbando na minha mente depois de lido. Pra quer ser uma pessoa melhor? Pra quem? Vale a pena ler e pensar sobre o assunto.

2 - Sete coisas invisíveis na vida de uma professora
Da Karina Kuschnir. Sobre a profissão que quero seguir e seus percalços, muitos deles exaustivos e que não aparecem. Aquela piada de "você trabalha ou só dá aula" retrata bem essa invisibilidade aí.

3 - Minha seleção pessoal de notícias boas que ajudei a divulgar
Da Kika Castro. Há alguns dias, ela tem falado sobre notícias boas escasseando na mídia, enquanto as más se multiplicam. Aqui, ela linka várias notícias boas em que foi repórter. Vale a pena ler.

4 - Sindrome de impostora, burra e inútil
Da Nina Lemos. Uma coisa curiosa é que a maior parte dos acometidos pela síndrome do impostor é... mulher. A Nina explica o que pode ser o motivo.

5 - Querida ansiedade
Da fofa Dreisse Drielle. Ansiedade, essa querida conhecida, que acompanha a gente a vida inteira. Né?

6 - Carta aberta à Gazeta do Povo
Do Duas Fridas. Olha... essa Gazeta do Povo tá de dar vergonha...


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sexta-feira, 7 de julho de 2017

De volta a NY - Parte 2

No aeroporto, prestes a embarcar

Marcamos a viagem para uma terça-feira. Nosso voo era noturno, mas resolvemos sair cedo de OP. Quem me conhece sabe que odeio me atrasar. Prefiro esperar, esperar, esperar... a chegar tarde ou em cima da hora. De manhã, bem cedinho, deixamos a Cuca na casa da Ana Paula e do Elias. Alguns dias antes, tínhamos feito uma ambientação entre ela e o Chico, e eles se deram muito bem. Com relação à Cuca, estávamos tranquilos.

Porém, veio a notícia de um acidente grave, com 11 feridos, que deixou a estrada que liga OP a BH fechada durante toda a manhã. Adiantamos nossa saída, pensando em qual atalho pegaríamos se, ao chegar em Itabirito, ainda estivesse tudo fechado. O taxista que nos levou a Confins estava antenado, já tinha notícia de que a estrada tinha sido liberada. Assim, chegamos ao aeroporto cerca de 4h antes do voo sair. Mineiro não perde o trem, nem o voo.

Ainda no taxi, comecei a ler O mundo assombrado pelos demônios, do Carl Sagan. Gostei de cara! Mas esqueci de colocar na bolsa uma caneta marca-textos ou as flags que uso constantemente. Tentei achar a marca-textos no aeroporto, mas não tinha. Acabei com uma caneta colorida, de gel, que utilizei pra marcar as partes mais importantes da leitura.



O voo de Confins a Guarulhos foi super tranquilo. Mas o tempo entre os voos estava bem apertado. Desembarcamos e corremos pro novo portão de embarque, chegando na hora da chamada pro voo pra NY. Ao contrário da última viagem, o avião era maior e com muito menos espaço. Não mais poltronas duplas nas laterais, uma pena. Espaço minúsculo entre as linhas de poltronas. Ao nosso lado, veio uma senhora americana muito simpática. O comissário do voo foi muitíssimo atencioso. Também foi um voo tranquilo, com apenas uma grande turbulência, que me assustou muito, mas não me apavorou, como sempre.

No JFK, o de sempre: longa fila na imigração. Ao menos dessa vez tinha leitor eletrônico do passaporte, o que facilitou muito as coisas. As malas demoraram horrores pra chegar. Do aeroporto, pegamos o NYC Airportes em direção à Penn Station. O ônibus para na porta lateral do hotel em que ficamos. Enquanto Leo ficava na fila do check-in, corri na Starbuks para acionar o 4G do celular. A Starbucks e sua internet livre sempre salva!

Como o check-in começa às 15h, não pudemos subir pro quarto. Fizemos o procedimento, ganhamos as chaves do quarto e deixamos as malas no subsolo, prontos pra voltar só quando o quarto estivesse liberado. Fomos, direto, fazer coisas que estavam na nossa lista de prioridades. O sol estava muito forte, estava quente demais. Leo já saiu fotografando...

Andamos, andamos, andamos. Resolvemos as três primeiras coisas da lista de prioridades. Já eram quase 14h e não tínhamos comido - dispensamos o café da manhã do avião. Pegamos o metrô e saímos bem pertinho do apartamento onde o Pedro morava quando fomos a NY da outra vez. Bateu aquela saudade... ia ser perfeito se ele estivesse ali conosco novamente. De férias, de preferência.

Pertinho da casa do Pedro, paramos num dinner chamado Harold's. Como em todo dinner, muita comida (dá até enjoo, juro!)

Meu almoço: croque monsieur

Almoço do Leo: sanduíche da casa

Voltamos pro hotel, para finalizar o check-in, pegar as malas e, finalmente, subir pro quarto. Ufa!

Só que... o quarto tava horrível! O chão, tanto do quarto quanto do banheiro estava impraticável. A vantagem do hotel é somente a localização, bem central, perto de mais de 10 linhas de metrô, com muita coisa boa por perto. Penso que, se um dia a gente voltar a NY, vamos procurar outro hotel na mesma região. Mas o Pennsylvania, nunca mais!

Descansamos um pouco, tomamos banho e fui acessar a internet pra saber das notícias do Brasil e ver se o trabalho, que deixamos pronto, estava fluindo. Qual não foi o susto ao saber da delação de um empresário do ramo do agronegócio, colocando um senador mineiro e o senhor que não reconheço bem no olho do furacão! O Twitter estava pegando fogo. Fui olhar o dólar: disparado em relação ao real. Os nossos planos financeiros incluíam moeda em espécie, travel money e saques na conta do Banco do Brasil. Deixamos essa última opção de lado, com medo das surpresas com o câmbio. Bateu aquele medo... Mas pensamos bem: tínhamos comprado os passeios ainda no Brasil - eles estavam garantidos -; estávamos viajando apenas para nos divertir, sem necessidades de fazer compras. Teríamos que observar a grana mais diretamente, dia a dia. Fora isso, tava tudo ótimo.

Fomos caminhar novamente. Tínhamos hora marcada no Rockfeller Center, para visitar o Top of the Rock, um prédio bem alto que proporciona uma boa vista da ilha de Manhattan. Compramos a visita ainda no Brasil, marcada pra hora do pôr do sol. Seguimos pela quinta avenida, para passarmos na Barnes & Noble - só passar mesmo, porque voltaríamos outro dia, com tempo para vasculhar estantes - e na St. Patrick's Cathedral. Olha, que catedral maravilhosa!!


Olha esse órgão, meodeos!

Fomos pro Top of the Rock, que é quase em frente à Cathedral. Estava muito muito muito cheio, mas a vista é linda e estava do jeito que a gente queria. Foi lindo.





A noite caiu, voltamos pro hotel abastecidos com comida e cerveja pro Leo. Loucos pra descansar, porque o dia da chegada é sempre intenso. Quando decidimos dormir, foi cair na cama e apagar. No dia seguinte, teríamos muita coisa pra fazer.

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