sexta-feira, 31 de março de 2017

Agradecimentos

Amigos e família pós-aprovação da dissertação


Tenho muito a falar sobre o mestrado, mas vai ser por partes. Por hora, só quero registrar que foi tudo lindo, uma experiência maravilhosa, intensa e cheia de amor. Ter o trabalho aprovado e, ainda, indicado para publicação, é algo que me deixa sem palavras no momento. Então, vou só reproduzir aqui os agradecimentos que compõem o texto apresentado à banca. Porque é preciso agradecer a todos.

Se a pesquisa é solitária, como costumam dizer, posso afirmar que o pesquisador nunca está sozinho. Portanto, é preciso agradecer a todos que contribuíram com o meu trabalho “solitário”. 
Ao Leo Homssi, companheiro de todas as horas, mesmo daquelas realmente solitárias. Ao Paulo Monteiro, melhor tio-pai que a vida poderia me proporcionar. 
Laura; Daniel; Otávio e Letícia, irmãos e cunhada que, se eu pudesse, teria escolhido. Sorte que nem precisei escolher. Otávio, em especial, pela troca constante sobre literatura, desde que éramos crianças até agora, quando me ajudou com tantos autores e conceitos do mundo das Letras e me apresentou a Vladimir Propp. 
Aos amigos queridos Ana Paula Martins e Elias Figueiredo; Valter Nascimento e Josélio Ferreira; Juliana Cruz; Cristina Saleme, Leonardo Tropia e Lucas; Daniel Fernandes e seu #resetGoT; Adriana Moreira; Michelle Borges; Dreisse Drielle; Stênio Lima; Daniela Barros; Nathália Costa; Nancy Carvalho; Ricardo Costa. Ana Paula Martins, em especial, por ter me acompanhado desde a publicação do edital do Mestrado, pelas revisões textuais e de regras ABNT, por ser essa pessoa maravilhosa que eu tenho a sorte de ter como amiga. 
À tia Vera e aos primos João Batista, Marita e Guilherme Mendes Barros; Bruno, Luciana e Breno Portella; Leandro e Marcelo Cavalcanti. À Anabel Mascarenhas, incentivadora fundamental. 
Ao Prof. Dr. Marcelo Freire, orientador paciente que me proporciona tantos aprendizados e que trilhou este percurso ao meu lado, sempre me oferecendo luz quando eu não conseguia encontrar caminhos. 
Aos colegas do PPGCom-Ufop, turma 2015: Andriza, Ana Luisa, Ana Paula, Bruna, Daniela, Dayana, Dayane, Flávio, Kamilla, Luana e Nara. À Dayana, especialmente, pela nossa parceria ao longo desses dois anos. 
Aos professores do PPGCom-Ufop, em especial à Profª. Drª. Debora Lopez, sempre atenta e colaborando com a minha pesquisa, proporcionando aprendizados constantes, até mesmo em conversas corriqueiras. Ao ConJor e sua equipe; às ricas discussões proporcionadas. À Profª. Drª. Lorena Tarcia, por compor a banca de qualificação e de defesa deste trabalho e tantas contribuições valiosas trazer. À Profª Drª. Guiomar de Grammont; ao Prof. Dr. Mario Nogueira, por todo o incentivo à minha vida acadêmica, seja na Filosofia ou na Comunicação. 
Àqueles que me fizeram chegar até aqui e que sempre estarão presentes: vovô Ney Monteiro, vovó Zina Monteiro, tia Ylza Monteiro, tia Leda Monteiro, padrinho Padre Mendes, tio Jésus Mendes Barros. Saudades muitas.  
A José Procópio Fernandes Monteiro, meu bisavô, primeiro professor brasileiro do Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá, hoje Universidade Federal de Itajubá (Unifei), que iniciou a história familiar de amor aos estudos e ao ensino. 
Foi uma aventura fascinante percorrer a saga criada por George R. R. Martin. Tenho certeza de que fiz a escolha certa ao optar por analisar uma narrativa literária. Se “toda arte é inútil”, como disse Oscar Wilde, no prefácio de O retrato de Dorian Gray, que haja, constantemente, muitas inutilidades na vida.



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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...

quinta-feira, 30 de março de 2017

Dezesseis

Envelhecer é aquela coisa que a gente sempre quer fugir, mas não tem jeito: estamos lá, rumo ao envelhecimento, quer a gente queira ou não.

Leo e eu temos conversado bastante sobre o nosso envelhecer. São muitos planos pra irmos cumprindo ao longo do tempo. Algumas coisas grandes, outras pequenas. Umas complexas, outras bem singelas. Coisas que nos farão felizes. Enfim, o tempo vai passando, vamos ficando mais velhos e muita coisa tem mudado.

Hoje completamos 16 anos juntos. Já contei um pouquinho da nossa história juntos aquiaquiaquiaqui e aqui. Muita coisa aconteceu daquele primeiro beijo esquisito em frente a uma livraria em BH pra cá, quando estamos vivendo uma vida completamente nova, inimaginável naquela época e, talvez, até há uns três anos. Não só pelas ausências que a vida nos impôs, mas por conta das muitas escolhas que fizemos e que nos trouxeram pra onde estamos hoje: mais felizes, mais integrados, mais em sintonia.

É engraçado perceber como as nossas aspirações mudaram. Como uma escolha simples - batemos o martelo em 2016 - fez com que replanejássemos muitas coisas e afinássemos o olhar para um horizonte comum. E o caminho se mostra bem aberto e transitável, o que é ótimo.

Lá vamos nós. Para mais alguns anos, quem sabe?

Pra embalar, Ed Sheeran e sua Thinking out loud, que é linda e tem muito do que eu gostaria de dizer hoje.



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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 28 de março de 2017

Citações #197

De O sol é para todos:


- [...] Não tem nada de errado com ele. Olha, Jem, eu acho que só existe um tipo de gente: gente.
[...]
- Eu também achava isso - ele disse, por fim -, quando tinha a sua idade. Se só existe um tipo de gente, por que as pessoas não se entendem? Se são todos iguais, por que se esforçam para desprezar uns aos outros? Scout, acho que estou começando a entender uma coisa. Acho que estou começando a entender por que Boo Radley ficou trancado em casa tanto tempo... é porque ele quer ficar lá dentro.  



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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 22 de março de 2017

Livro: The Story of the Lost Child


Tem spoiler sim!!!

Comecei a leitura deste último volume com uma vontade secreta de que a Lenú fosse atingida por um asteróide. A raiva dela era imensa, mas a vontade de continuar a ler era ainda maior.

Quando tudo começa, Lenú estava na França com Nino Sarratore, vivendo um romance tão idealizado por ela quanto aparenta ser falso. A narradora joga o tempo todo com as desconfianças que o leitor já possui e ela, como autora tardia dessa história, tem condições de construir. Enquanto diz o tanto que Nino se declara e a cobre de beijos e de amor, sempre tem uma informação solta, aquela pulguinha que permanece atrás da orelha. Lenú está cega, obviamente, acreditando, enfim, que seu amor de infância, finalmente correspondido, é maior que o mundo. Então, Pietro e suas filhas ficam de lado. Quando ela volta ao apartamento, Pietro está aborrecido, mas disposto a se manter com ela. Por mais seco que seja, Pietro a ama. E ama as filhas, que ficam sem entender o que está acontecendo.

Elena volta a Nápoles para viver com Nino. Leva as filhas e as apresenta para a mesma cidade de onde fugiu às pressas, assim que pôde. Nino, por sua vez, não abandona a esposa, mas mantém o apartamento onde Elena e as meninas vivem. O fato de Nino não assumir Lenú causa alguns problemas, mas na maior parte do tempo ela se mantém de acordo com a situação. Até que a esposa dele engravida. E Lenú entende que ele não vai deixar a oficial para ficar com a amante.

Lina tenta ficar ao lado de Lenú, sempre deixando claro que não concorda com o relacionamento com Nino Sarratore. Aliás, acho que só Lenú concorda com essa história... os amigos de Nápoles a cercam de carinho, mas sempre deixam claro que não gostam de Nino. A fama do mocinho parece ser a pior possível em todos os círculos em que Lenú se apresenta. Mesmo assim, ela se mantém firme. Lina voltou a morar na vizinhança e a trabalhar com dados e informática, junto com Enzo. Michelle Solara a contrata para organizar a informatização de suas empresas e é daí que Lina vai conseguir dinheiro para, depois, abrir sua própria empresa de processamento de dados com Enzo. É a virada da personagem,  que passa a ter muito dinheiro e a manter os amigos por perto, ajudando-os sempre que possível. Ela ajuda até mesmo Stefano, seu ex-marido, que sempre fez tão mal a ela. Consegue comprar o apartamento onde os pais vivem e dar a eles uma vida mais tranquila.

Uma das coisas que me impactou na leitura deste volume foi a narração do terremoto de Nápoles. É muito vívida; dá pra sentir o abalo em si e suas consequências na vizinhança, com Lina e Lenú juntas, se ajudando, enquanto tentam sobreviver e fazer contato com familiares.

As duas amigas estão mais próximas e com menos conflitos permeando a relação. Até mesmo engravidam juntas: Lenú dá à luz Immacolata, filha de Nino, e Lina, à Tina, filha de Enzo. As meninas têm um papel importante na história das duas amigas. Imma é quem desencadeia, finalmente, a abertura de olhos de Lenú para Nino. E Tina, ao mesmo que tempo que torna Lina mais leve, traz de volta todo o peso da vida da mãe, fazendo Lina parecer, cada dia mais, com Melina, a viúva louca da infância das meninas.

Lenú é pressionada a voltar a escrever e, finalmente, publica um novo livro, tento os conflitos do bairro como pano de fundo. Mais uma vez, as pessoas que a circundam não vão entender sua história. Mesmo assim, ela se sente compelida a continuar escrevendo e publica outros volumes, dos quais sabemos pouco.

No terço final do livro, como não poderia deixar de ser, há uma reviravolta na história. Meu amigo Daniel descreveu a sensação como "ser atropelado por um caminhão". Sim, é isso mesmo. Não consegui voltar ao livro e fui dormir pra tentar digerir. No dia seguinte, enquanto dissertava, me peguei pensando no acontecido, contanto as horas para voltar ao livro. Passado o susto inicial, lá veio outro, não tão forte quanto o primeiro, mas bem impactante. Bem danadinha essa Elena Ferrante!

O fato é que passei os quatro livros tento sentimentos ambíguos com relação a todos os personagens (exceto Enzo, que sempre vi positivamente e acho que a narradora também), passando da admiração à raiva em um piscar de olhos, pra depois voltar a admirar ou, ao menos, a gostar um pouco. No fim, já estava achando que ninguém sairia impune dessa história. Daí, comentei com o meu amigo Daniel e ele disse que, ao final, dava vontade de abraçar todos eles. Até os que trouxeram mais raiva e sentimentos negativos.

E num é que foi exatamente assim???

Já quero ler todos os livros dela.


Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
Sobre História do novo sobrenome
Sobre História de quem foge e de quem fica

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terça-feira, 21 de março de 2017

Citações #196

De O sol é para todos:



- Você não poderia, mas eles puderam e condenaram. Quanto mais viver, mais coisas assim você vai ver. O tribunal é o único lugar onde todas as pessoas deveriam ser tratadas como iguais, não importa de qual cor do arco-íris elas sejam, mas as pessoas sempre acabam levando seus ressentimentos para o banco do júri. À medida que for crescendo, vai ver brancos enganando negros todos os dias, mas vou lhe dizer uma coisa e quero que nunca esqueça: sempre que um branco faz esse tipo de coisa com um negro, não importa quem ele seja, quanto dinheiro tenha ou quão distinta seja a família da qual ele vem, esse homem branco não vale nada.  

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segunda-feira, 20 de março de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #149

1 - Ainda dá tempo
Da Dreisse. Texto gostoso de ler, simples e profundo. Sobre ansiedades, gerações e estragos que fazemos com os outros e com nós mesmos.

2 - Bloco do eu sozinho
Do Ramon Cotta, sobre o Carnaval e sobras as opções para o carnaval. Sobre a parte boa do Carnaval deste ano, porque a parte ruim a gente já tá careca de saber: furtos, agressões, agressões a mulheres, estupros e tudo o que sempre acontece e parece que não vai parar. Mas no texto o Ramon fala da visibilidade que o Carnaval trouxe para certas pautas, o que é ótimo.

3 - Para ler antes de dizer que não é feminista
Da Rosiane. Um guia básico sobre o que é o feminismo e o motivo de precisarmos - e muito - dele.

4 - #Foulipo
Do Projeto Lupa. Projeto da minha ex-professora de mestrado que é bacanudo e faz aquela outra rede ficar divertida.

5 - Mulheres que: fazem jornalismo
Da N. R. Silva. Com indicações de projetos muito bacanas sobre o jornalismo praticado por mulheres. Não concordo com algumas coisas do início do texto, mas as indicações são muito bacanas. Vale a pena conhecer.

6 - A'Fonte' de Duchamp faz cem anos. Qual foi o impacto (e o legado) do mictório como obra de arte
Do Nexo. Bom para conhecer mais sobre a Fonte e o objetivo de Duchamp, até mesmo sobre o que a obra causou no mundo.

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domingo, 19 de março de 2017

Fofura



Daqui.

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sexta-feira, 17 de março de 2017

O fim que pode ser um fim mas que também é um começo

O tempo tava correndo...

  Olha que esses últimos meses de mestrado foram uma loucura. Diminuí meu tempo na agência para ficar o máximo possível por conta da análise dos meus objetos - um livro, uma temporada de série de tv e um jogo de videogame (nota mental: nunca mais analisar jogos).

Criei um protocolo de análise, a partir dos procedimentos metodológicos, e coloquei no Google Docs. Cada objeto mereceu uma label. O livro teve 692 linhas X 6 colunas. A série teve 572 linhas x 7 colunas. O jogo teve 1.016 linhas x 8 colunas. A timeline (sim, rolou uma timeline!) teve 222 linhas x 4 colunas. Ou seja: muitos e muitos dados. Dá até pra pensar em um tanto de outras coisas com isso tudo aí, além de um doutorado, até.

A bolsa de água quente teve participação essencial!

Terminei o levantamento de dados no dia 29 de dezembro de 2016, e daí pra frente todo o tempo foi dedicado à escrita da parte analítica. Exceto o dia em que o Chico, cachorro da Ana Paula, veio passar o dia aqui em casa enquanto ela arrumava umas questões pessoais.

Chico fazendo pré-revisão do texto

Tinha uma regra, que era finalizar o trabalho até as 20h, diariamente. Pra não surtar. A rotina foi bem pesada, em especial nos fins de semana: das 8h às 20h, parando só para necessidades especiais, comida e banheiro. Depois das 20h eu lia literatura (um viva pra Elena Ferrante) ou assistia Gilmore Girls (ainda em processo, vou escrever sobre o seriado quando finalmente terminar).

Teve muita leitura em meio à análise de dados

A parte analítica é bem pesada, porque além de ler os dados, é preciso costurar com toda a parte teórica e, ainda, com os procedimentos metodológicos. É aí que a coisa toda começa a fazer sentido.

"Meus" personagens
e minhas conclusões preliminares

 Daí, no meio do olho do furacão, perdi uma referência. Eu tinha um xerox do texto e não achei de jeito nenhum. E olha que eu tenho tudo organizadinho. Daí tive que correr pra comprar o livro na Estante Virtual. Gastei 200 golpinhos e sedex 10, mas rolou, chegou a tempo e todos ficamos felizes.

Aleluia, irmão, que o livro chegou a tempo!

Havia dias em que a minha mesa de trabalho estava assim:

Mil referências, o docs no computador, caderno ao lado. Quase pirei.

 O bom é que rolou, foi uma experiência maravilhosa, cheia de aprendizado, bem do jeito que eu gosto. Um dia antes do prazo final eu estava com o material prontinho para ser enviado à banda, tanto em .pdf quanto impresso, do jeito que eles pediram.

Foram 246 páginas de muito amor!

O trabalho em si pode estar até uma droga, mas ninguém pode dizer que ele não é um trabalho de peso. Ficou enorme!!! E eu fiquei expert em Game of Thrones e no universo de As crônicas de gelo e fogo!


E ainda falta livro na minha prateleira de GoT!

O que eu posso dizer é que foi incrível participar disso tudo. Com o trabalho pronto, estou bem mais tranquila pra enfrentar a banca do que estava para a de qualificação. Parênteses pra esse vídeo bacana sobre a defesa:




Já temos data de defesa e planos para um projeto de douturado. Ainda são planos, nada formalizado e escrito. Mas já é alguma coisa. Por isso é que estou considerando o fim do mestrado como um novo começo. Não tenho esperança de passar no doutorado logo. Aliás, não quero alimentar essa vontade. Quero só estar pronta pra tentar quantas vezes forem precisas.

Depois volto pra falar da banca e de outras coisas mais.

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quarta-feira, 15 de março de 2017

Livro: História de quem foge e de quem fica



Sim, vai ter spoiler, de novo!

Ainda não consegui me decidir se este volume é o que mais gosto ou o que menos gosto.

O que me encanta nele é o desenvolvimento da Lenú sem Lina por perto. Dela construindo a personalidade que quer ter, com muita leitura e engajamento, sendo mais independente e liberada. Também tem o Pietro Airota, que eu considero um personagem muito interessante, mas que o desprezo da Lenú por ele me deixou com muita raiva. Nino Sarratore é outro que me deixou fervilhando de raiva, e eu só fazia chamar a Lenú de burra o tempo todo, especialmente do meio para o final. Senti muita vontade de apertar o pescocinho da personagem.

Enfim, o volume começa com Elena às voltas com o lançamento do seu livro, uma história de amor e de liberdade de uma mocinha como ela. Ela escreveu despretensiosamente, para dar um presente a Pietro, que entregou o caderno a Adele, sua mãe. Amiga de editores, ela indica o livro para publicação e Elena, finalmente, realiza seu sonho de infância. O livro é bem recebido por público e crítica, mas a cena de sexo que ela descreve causa um fuzuê entre seus vizinhos de Nápoles. A autora é confrontada na rua como se tivesse escrito uma obra erótica e pervertida, que deveria ser proibida. O fato é que quase ninguém do subúrbio leu a história e a mãe de Elena fica dividida entre o orgulho pela filha e os fuxicos da vizinhança. Também não se conforma com a decisão de Elena em se casar e ir embora de Nápoles em definitivo. Seu novo lar será em Florença, em um bom apartamento e com boas perspectivas de conseguir se firmar como escritora.

Enquanto isso, Lina está às voltas com a sua nova vida, com Enzo Scanno e Rino. Os dois vão morar em um distrito industrial de Nápoles, Enzo trabalhando em uma fábrica e mantendo a casa, enquanto Lina tenta juntar os cacos e fazer a sua parte. Após um período, ela consegue um emprego na fábrica de embutidos de Bruno Soccavo, mas sua vida não melhora. As condições de trabalho são terríveis e terminam sendo uma desculpa para a aproximação de Pasquale Peluzzo e Nadia Galiani. Lina sofre tanto com a sua situação no trabalho como com o uso político que tentam fazer dela. Também quer ser uma pessoa melhor e corresponder o amor de Enzo, mas não consegue. Porém, ela se dedica a ele, em especial ajudando-o a estudar à noite, por correspondência. O talento de Enzo para a matemática é conhecido desde que eram crianças, mas ele não pôde continuar os estudos para ajudar os pais a vender verduras. Conseguiu estudar por conta própria e Lina se dedica a fazer com que ele conclua os cursos de formação em informática.

Durante sua nova vida, Elena se solta. Porém, logo fica grávida, algo que não queria. Para ser diferente de Lina, que não gostou de ficar grávida, ela se mostra feliz e pensa ser uma mãe dedicada.

Tenho a impressão de que Enzo é o único personagem que não passa pelo olhar ácido da narradora. Não me lembro de ter lido críticas a ele. Apenas respeito ao seu jeito reservado de ser e a sua devoção silenciosa a Lina. Não senti até mesmo que Lenú sentisse inveja ou ciúme por conta de Enzo. Posso estar enganada, mas é o que me parece. Antonio também é um personagem que merece menos farpas, mas ainda assim não é tão bem mostrado como Enzo.

Por outro lado, todos os personagens que cercam Lenú recebem duras críticas. Nenhum deles é positivado. Mesmo que momentaneamente ela nos deixe ver algo de bom em algum deles, logo em seguida vem o veneno. Ninguém se salva. Até mesmo a família de Pietro, que, no início era idolatrada por ela, começa a receber a saraivada de críticas habitual.

Outra impressão que tenho é que o objetivo da autora era mesmo deixar o leitor inquieto. Perceber as nuances de Lenú não basta: é preciso observar todas as decisões erradas que a narradora vai tomar, sempre com seu egoísmo pulando em nossa frente. Talvez venha disso a minha dificuldade em eleger este volume como o melhor. Porque Lenú me enraiveceu profundamente, de várias formas diferentes. Em especial no que diz respeito a Pietro Airota e Nino Sarratore. Foi muito difícil segurar a raiva e e a vontade de jogar o livro longe, bem longe.

A tetralogia segue com essa característica marcante de emendar uma história em outra, de forma que não é fácil largar. Quanto terminei esse volume, estava tão desesperada para continuar a ler que comprei o livro em inglês, para o Kindle. E foi ótimo. Além da leitura em inglês, que aumenta o vocabulário e a percepção das construções gramaticais, acho que não daria conta de esperar o lançamento do último volume em português. Dizem que sai agora em maio...

Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
Sobre História do novo sobrenome

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terça-feira, 14 de março de 2017

Citações #195

De O sol é para todos:


Enquanto Tom Robinson dava seu depoimento, me dei conta de que Mayella ewell devia ser a pessoa mais solitária do mundo. Mais até que Boo Radley, que não saía de casa havia vinte e cinco aos. Quando Atticus perguntou a Mayella se tinha amigos, ela pareceu não saber do que ele estava falando, depois achou que ele estava zombando dela. A situação dela era tão triste quanto a do que Jem chamava de mesticinhos: os brancos não queria nada com Mayella porque vivia no meio dos porcos e os negros não queriam saber dela porque era branca. [...] Ninguém dizia "é só o jeito deles" quando se tratava dos Ewell. O condado de Maycomb dava a eles cestas de Natal, uma pensão e as costas. 


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segunda-feira, 13 de março de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #148

1 - Why typography matters - Especially at the Oscars
De Benjamin Bannister. De como a tipografia bem aplicada poderia ter evitado a gafe do Oscar 2017. Muito bacana!

2 - Warren Beatty, o produtor e o desrespeito nosso de cada dia
Do Tullio Dias, do queridíssimo Cinema de Buteco. Sobre respeito aos idosos, a partir do caso do Oscar 2017. Boa, Tullio!

3 - A gente queimou as pochetes e agora vocês vêm com isso??
Da Nina Lemos. Um texto delicioso sobre as famigeradas pochetes, que deveriam permanecer no limbo, mas retornaram pra assombrar quem achava que as tinha vencido.

4 - Dez sambas para você encarar o ódio e a intolerância na internet
Do Sakamoto. Genial.

5 - Começou a pré-venda do livro "Meu amigo faz iiiii"
Da Déa, no Lagarta Vira Pupa. Certeza de que vem um livro lindo por aí. Já reservei o meu :-)

6 -  O Atari e o fosso da imaginação
Do Cris Dias. Era tão legal jogar Atari e preencher as lacunas... Deu saudade. E me bateu uma ideia de que é por isso que não curto muito os videogames atuais.

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domingo, 12 de março de 2017

quarta-feira, 8 de março de 2017

Livro: História do novo sobrenome


Sim, vai ter spoiler. Não tem como falar desse livro sem isso.

História do novo sobrenome começa deixando a gente louco. Lenú, a narradora, não começa a trama do ponto onde parou no anterior - a chegada de Marcello Solara ao casamento de Lina e Stefano usando os sapatos produzidos pela menina e dados de presente ao seu futuro marido. Dá um frio no estômago o que pode acontecer a partir dali, mas Lenú começa um outro assunto, também sobre Lina, para só na frente contar o que se desenrolou na festa a partir dali. Ela observa a reação irada de Lina, enquanto tenra driblar o olhar ferrenho da sua própria mãe, já que ficou longe dela durante a festa. Também tem que controlar Antonio, seu namorado, às voltas com o ciúme de Nino Sarratore, a quem Lenú idolatra.

O andamento da festa de casamento leva a situações opostas para Lina e Lenú. Enquanto Lina tem que haver com a transformação de Stefano, que não se conforma com o comportamento da esposa - algo que ele elogiara muito enquanto eram namorados - e se mostra bastante violento (essas passagens são arrepiantes), Lenú tem uma prova do carinho de Antonio por ela - algo que ela não consegue retribuir.

Aliás, Lenú continua sendo essa personagem ambígua, egoísta, invejosa e cheia de problemas. Ao mesmo tempo que se acha melhor que todo mundo, ela duvida ao tempo todo de sua capacidade. E, ainda, deixa todo e qualquer microacontecimento afetar sua vida. Tudo é motivo de sofrimento.

Ao mesmo tempo, a relação de Lenú com Nino Sarratore vai ficando cada vez mais obsessiva. Chamei muito ela de burra durante a leitura, algo que ficou ainda pior no livro três.

Enfim, o casamento de Lina e a continuidade dos estudos de Lenú leva a outro patamar a relação das duas. Lina está às voltas com a vontade de ser diferente e de permanecer igual, enquanto tenta fugir da dominação de Stefano e reagir à influência dos Solara. Michelle, em especial, vai dar bastante trabalho para a menina. Lenú sente-se deixada de lado, já que sua amiga tem vida de casada. Mas, nem por isso, deixa de viver às voltas de Lina, seja ao ir estudar todo dia na casa dela, aproveitando o silêncio do novo apartamento, seja manipulando Lina para que estejam juntas durante as férias na praia, indo para o mesmo local onde Nino Sarratore estará.

As voltas da vida, especialmente depois da viagem à praia, vão fazer Lina se defrontar com um problema familiar grave, enquanto Lenú vai para a Escola Normal de Pisa, onde consegue uma bolsa de estudos e se sente "adorável" (hahahaha) por ter saído de Nápoles e de perto de sua família. A independência conseguida faz com que construa uma personalidade que, cada vez mais, nega suas origens. Enquanto Lina quer se manter próxima ao bairro e aos seus, Lenú se esforça para fugir.

O fim do livro, mais uma vez, é justamente em um ponto chave. Daí, é só correr mesmo pra continuar a história.


Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
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terça-feira, 7 de março de 2017

Citações #194

De O sol é para todos:


Na noite passada, o Sr. Cunningham fazia parte de um grupo, mas continuava sendo uma pessoa. Todo grupo em toda cidadezinha do sul é formado por pessoas que a gente conhece. O que não diz muito a favor dessas pessoas, não é?


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segunda-feira, 6 de março de 2017

O que (eu acho que) tem de bom pra ler na net #147

1 - Semente de abóbora
Da Helô Righeto. Mais um texto sobre como amigos influenciam nossa vida, em geral com pequenos gestos, como a sugestão de colocar semente de abóbora na salada. Delícia de texto.

2 - O que significa ter um filho autista
Da Déa, no Lagarta Vira Pupa. Mais um texto lindo da Déa, em que ela quebra alguns paradigmas sobre o autismo.

3 - Bumbos bateram em Ouro Preto para celebrar os 150 anos do Zé Pereira
Da Globo. A matéria é linda e emocionante pra quem é de Ouro Preto ou vive aqui. E o Zé Pereira é um dos blocos mais legais da cidade.

4 - What we lose when we give awards to men like Casey Affleck
Da Elle. Tema polêmico, que merece um olhar mais incisivo. O Casey Affleck foi acusado de ter abusado colegas de trabalho em mais um escândalo desse tipo em Hollywood. O texto fala do perigo que é premiar pessoas que até possam ter uma atuação excepcional em seu trabalho, mas que têm comportamentos abusivos. Eu fico pensando se é possível (e quando é possível, também) separar a vida pessoal da vida de trabalho, mas acabo sempre voltando a pensar que é tudo a mesma coisa. Pra mim, falta estudar melhor essa questão. O que não falta é repugnância de pessoas como essas.

5 - I am your father
De O que assistir, da Priscila Armani. O objetivo, aqui é indicar o site e o podcast como um todo. A Priscila faz um trabalho muito bacana de indicações de bons filmes, algumas vezes em programas temáticos, outras com dicas do que ver na Netflix. O documentário que ela indica aqui é um daqueles que está na minha lista para ver depois que o mestrado passar (tá acabando!!!)

6 - Como eu uso o Evernote para organizar a pesquisa da tese
Da Verônica Soares. O Evernote é uma mão na roda pra organizar coisas. Usei muito pouco no mestrado, mas aproveitando as dicas da Verônica e as da Thaís Godinho sobre o GTD (que eu vivo namorando, mas nunca implemento), passo a colocar mais das pesquisas no Evernote.

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domingo, 5 de março de 2017

Bolha



Daqui.

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quarta-feira, 1 de março de 2017

Livro: A amiga genial


A tetralogia napolitana de Elena Ferrante começa com Elena Greco recebendo um telefonema de Rino, filho de sua amiga Rafaella Cerullo. Ele procura a mãe, que desapareceu. Acredita que ela poderia estar com Lenú, como Elena é chamada. Lina (apelido de infância de Rafaella - Lenú só a chama de Lila). As duas se conhecem desde os seis anos de idade, quando começaram a se aproximar, brincando, no pátio dos prédios onde moram.

Lenú já avisa desde as primeiras páginas que tem uma relação ambígua com Lina. Se a amiga desapareceu sem deixar vestígio, ela vai na direção contrária e começa a registrar toda lembrança que possui da vida de Lina. Assim, começa o livro com uma história que marca para sempre a vida das duas meninas: Lina joga a boneca de Lenú pela grade que permite a respiração do porão; Lenú faz o mesmo com a boneca de Lina. As duas meninas decidem desbravar o porão para resgatar as bonecas, mas não as encontram. Concluem, então, que Dom Achille, o ogro da vizinhança, roubou os brinquedos. Lina, corajosa, arrasta Lenú escada acima para confrontar o suposto ladrão.

As duas meninas crescem juntas, disputando espaço com os meninos do bairro, tanto na vizinhança quanto na escola. Vivem na periferia de Nápolis no pós-guerra. Disputam o tempo todo para serem a melhor da turma, aos olhos da professora e também do diretor, que promove competições entre alunos de séries diferentes. As duas são brilhantes, mas Lina demonstra ter uma inteligência fora do comum.

Lenú é uma personagem cheia de nuances. Seu olhar pela vizinhança, pescando aqui e ali a violência, a miséria, e a opressão feminina chegam a ser bem sutis nesse primeiro volume. Como uma criança que está mais preocupada em fazer bonito, tanto para os pais quanto para os colegas e professores, ela parece estar sempre focada em Lina: em se igualar a ela, sem ser melhor do que ela. A primeira sensação que vem à cabeça é inveja. Lenú é invejosa sim, e não faz muita questão de esconder isso. Mesmo que seja mais privilegiada que a amiga - seu pai trabalha na prefeitura, tem condições de dar a ela uma boa boneca, paga seus estudos no ensino médio e no Liceu -, ela sempre acha que Lina se dá melhor. Se, quando crianças, ela é mais bonita que a amiga e vive recebendo propostas de namoro, quando viram adolescentes, Lina se transforma na mulher mais bonita da vizinhança, com todos os olhares se voltando para ela.

E é a Lina combativa, forte, assertiva, independente e muito linda que vai colocar Lenú para andar. Mesmo que não estejam mais na mesma escola, que não estudem mais lado a lado, é Lina quem faz com que Elena se esforce por continuar sendo a melhor da classe. Lenú tem consciência disso, e se aproveita para buscar a energia de Lina quando precisa se sobressair. Lina, por sua vez, também busca algo de Lenú: sua aprovação, sua subserviência.

E a "amiga genial" do título? Pode ser tanto Lenú quanto Lina, dependendo da vontade do leitor de aceitar o que a narradora conta, nos momentos finais do volume. Pra mim, genial mesmo é a autora.

Ninguém nessa história é inocente. Os olhos da narradora são cruéis com todos os personagens. O pai é visto como um funcionário chegado em propinas; a mãe, violenta e destemperada. Os irmãos de Lenú são citados de passagem. Os pais de Lina também não fogem da violência (o pai, em especial). E Rino, o irmão dela, é um bobo que só melhora de vida por conta da irmã, mas não sabe dar valor a ela. A vizinhança também é cheia de nuances. Dom Achille e seus filhos, respeitados por serem os mais ricos, até que os Solara passam a ganhar muito dinheiro, possivelmente com a Camorra. Os filhos do carpinteiro, do verdureiro, da viúva louca estão todos por ali, compondo um cenário rico.

As duas meninas crescem, unidas e desunidas, provocando-se e salvando-se, atando e desatando os nós da amizade. É uma história bonita e, principalmente, mais real do que o que costumamos ver por aí. A escrita de Elena Ferrante é bem crua e não facilita para ninguém. Enquanto Lenú detona tudo e todos ao seu redor, a autora também faz questão de deixar claro que a narradora é tão humana quanto os outros. Inveja é apenas uma das características de Lenú - durante o terceiro livro, eu só fazia xingar a protagonista -, tão recheada de emoções e ambiguidades.

Enfim, Elena Ferrante foi uma descoberta deliciosa. Seus livros estão sendo lançados aos poucos no Brasil. Além da tetralogia, há outras duas histórias (Dias de abandono e A filha perdida) publicadas em português e a promessa de mais duas, além da quarta parte da tetralogia napolitana, a serem publicados este ano. Um deles, que é de entrevistas da autora, estou louca pra ler.

Em uma semana, vamos ao segundo livro da tetralogia.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...