sexta-feira, 23 de junho de 2017

Enfim, a defesa



28 de março chegou e lá estava eu, morrendo de medo. Eu tinha muita certeza da minha pesquisa, do que descobri e do que tinha escrito, mas estava com muito medo da banca. Ok que, em geral, quando a sua banca é marcada, é um sinal de que você tem capacidade para defender sua pesquisa. Tem gente que diz que a banca só protocolar. Não sei se é a sim. Levei a minha a sério, como se fosse a última etapa do mestrado.

Por outro lado, estava bem mais tranquila do que na banca de qualificação. Isso porque a qualificação é o momento crítico, em que a banca vai dizer onde você acerta, onde erra, o que deve corrigir, o que deve refazer. A minha banca de qualificação foi a mesma da defesa, o que significa que eu teria que ter levado a sério tudo o que foi dito, fazer todas as correções de rumo, etc.

Uns dias antes, a Bel chegou. É um privilégio danado ter uma amiga que vem lá de Ilhéus pra estar com você. Foi com a Bel que falei das minhas angústias sobre a banca. Foi ela (e Leo acompanhando) que serviram de "cobaias" pra minha apresentação, apontando onde eu deveria mudar, o que poderia aprofundar e como deveria alterar a forma de passar de um slide a outro. Bel foi comigo pra Mariana, me dando todo o apoio possível.

Na rodoviária de OP, antes de ir pra Mariana
Lá na sala, com a banca montada e a defesa começando pontualmente, optei por não olhar pra plateia, pra não me emocionar. Não vi os rostos queridos que estavam lá, me dando apoio. Amigos que estavam comigo no início do curso, no início da vida, que chegaram no meio do caminho, que vão continuar comigo pra sempre. Destaco, além da Bel, a Rosinha, essa queridona que a vida me deu de presente, e que veio de Lafaiete só pra estar do meu lado também. Fiquei super emocionada com a saga dela em vir pra Ouro Preto, de ônibus, pra estar lá, na defesa. E ainda voltar pra Lafa no mesmo dia, porque tinha que dar aulas no dia seguinte. Sério: meus amigos são tão especiais que não consigo imaginar o que fiz pra ter eles perto de mim.

Bel, Rosinha e eu, pós-defesa, indo pro bar comemorar


Além da Bel e da Rosinha, a Nancy, que foi minha babá quando eu ainda vivia em OP, e deixou de ir trabalhar naquela terça-feira à tarde. O Paulo, que deixou os compromissos na universidade para seguir comigo. As amigas queridas que fiz no mestrado: Dayana, Luana, Kamilla, Ana Luísa. E os amigos do mestrado que não puderam ir, mas que me encheram de carinho. Os amigos que não são do mestrado e que inundaram minhas redes de mensagens lindas, me fazendo chorar de alegria. O Fred, coordenador do mestrado, que assistiu à defesa. A banca, muito generosa comigo. Não tenho palavras pra agradecer.

Obviamente, comecei a apresentar os resultados da pesquisa bem nervosa. Gaguejei, falei rápido demais, a mão suou. Aos poucos, a segurança do que eu tinha descoberto veio e tudo fluiu. Usei minha meia hora sem precisar correr no final. Apresentei o que eu precisava. Mostrei as minhas bolinhas coloridas - na pesquisa, uma coisa que eu queria fazer e não consegui foi apresentar meus resultados visualmente; por isso, os três slides de bolinhas coloridas me deixaram felizes demais.

Um dos slides de bolinhas - o mais básico
Não vou mostrar o complexo por motivos de foi uma das minhas descobertas

Quando terminei e me senti para ouvir a banca, a apreensão voltou. O medo de levar umas chapuletadas era imenso. Porque acontece. Porque, por mais que a minha pesquisa estivesse boa - está muito boa e posso me orgulhar disso sim -, não sou a dona da verdade. A primeira pessoa a falar foi a professora visitante. Em sua primeira pergunta, eu me perdi. Achei que não teria capacidade de responder e quis chorar. Ela fez três perguntas juntas e, enquanto eu as anotava, a resposta à primeira, que tanto me assustou, veio naturalmente. Quando a banca terminou, a Ana Luísa veio falar comigo sobre a facilidade e a segurança com que eu a respondi. Não sei como isso se deu: de uma hora pra outra, a insegurança foi embora e estava tudo lá. A outra membro da banca também fez seus questionamentos, e eu já estava bem mais segura, sabendo, enquanto a arguição foi passando, que a banca tinha sido bem generosa e que eu teria poucas coisas a acertar para a versão final. Respeitei aliviada.

O último a falar foi o orientador, e eu fiquei extremamente agradecida pela parceria por esses dois anos. Aprendi demais com ele - e ainda aprendo, porque, segundo ele, a orientação é para sempre. Queria ter um pouco da inteligência absurda que ele tem, para poder seguir carreira nessa selva de pedra chamada mundo acadêmico.

A assinatura da ata. Ufa!

Depois da saída, de praxe, para que a banca deliberasse, foi uma delícia abraçar todo mundo que esteve naquela sala. Foi amor demais, de todos os lados. Por último, a aprovação, com uma surpresa: a banca indicou o trabalho para publicação. Até hoje - mais de dois meses depois - a ficha sobre isso não caiu. Já depositei a versão final no repositório da Ufop (em breve, estará disponível para download) e agora é partir pra tentar uma publicação e, ainda, o estabelecimento de um produto, como também indicado pela banca. Dedos cruzados!

Só gente querida! Faltou a Nancy, que voltou correndo pro trabalho

Bel e eu, pós-defesa, fingindo que bebemos cerveja

Foi lindo. Foi intenso. Foi tão bom que quero mais. Estou estudando para desenvolver um projeto de doutorado. Sei que vou dar continuidade. Não sei quando serei aprovada no doutorado. Sei que, não importa quando a aprovação vier, estarei lá, pra cursar mais quatro anos e seguir pra onde está o meu futuro.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...