quarta-feira, 28 de junho de 2017

Livro: Livre


Antes veio o filme... depois dele, uma vontade danada de ler o livro. Comprei. Leo leu antes de mim e gostou muito. Ele ficou um bom tempo na estante, enquanto só as leituras do mestrado estavam fluindo. Mas aí, quando saiu, foi bem o que eu esperava.

Livre, de Cheryl Strayed, é um relato da autora sobre sua travessia pela Pacifc Crast Trail (PCT), trilha que atravessa o lado oeste dos Estados Unidos de norte a sul, passando por terrenos e altitudes variadas. Cheryl está precisando se encontrar, após a morte da mãe, que acarretou a dissolução de sua família e de seu casamento. Também está às voltas com a heroína e quer, desesperadamente, ficar sozinha para descobrir como pode viver após tantas coisas terem acontecido. Quando ela decide fazer a PCT, não há mais esperança. Ela passa meses se preparando para pegar a trilha, trabalhando com o objetivo único de comprar os equipamentos, a comida e os suprimentos que a levarão a se manter na trilha.

Quando o livro começa, Cheryl está no ponto onde pega a trilha (ela não fez o percurso inteiro, como parece ter acontecido no filme), às voltas com tudo o que comprou e uma mochila gigantesca, que ela mal consegue carregar quando está pronta. O peso absurdo, a falta de conhecimentos básicos sobre trilhas, a falta de leitura sobre o uso correto dos equipamentos que comprou, fazem com que o percurso seja penoso. Uma nevasca - a maior dos últimos anos - também parece ser um obstáculo intransponível. Mas Cheryl deseja se encontrar, deseja deixar pra trás a vida de tristezas e excessos, de escolhas erradas e da opção pelo sofrimento.

A leitura é bem interessante, apesar de ser um tanto quanto arrastada. Acredito que a autoria conseguiria um efeito melhor com uma história mais concisa. Na reta final, fica bem chato, porque o leitor sabe que virá mais do mesmo: Cheryl enfrentando obstáculos, Cheryl sofrendo por falta de grana, Cheryl com muita fome, Cheryl fazendo amigos de trilha. Tudo o que já tinha lá no começo. Porém, a forma como ela entremeia as histórias do passado às da trilha fazem o livro fluir. Pena que são poucas essas partes.

Vale a pena a leitura, sim. Mesmo que dê preguiça em alguns momentos. E, claro, dá vontade de fazer uma trilha como a dela. Aproveito para indicar o blog da Amanda Lourenço, o Duas mil milhas. Ela está fazendo a Apalachian Trail, a trilha do leste estadunidense. É uma leitura bem boa pra entender esse mundo das grandes caminhadas.
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...