quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Livro: Sobre a escrita


Tinha esse livro há um tempão na estante. Desde que foi lançado em português. Mas deixei ele lá, sabe-se lá o motivo (deve ter sido o mestrado, esse sugador de energia das pessoas). O fato é que um dia desses, tirei da estante e li rapidão.

O livro é dividido em três partes. Na primeira, o autor conta sobre sua vida de uma forma muito divertida e bem humorada. Ele mostra como foi, desde cedo, capturado pela escrita. E traz uma série de coisas de sua vida que levaram a histórias, que depois viraram livros. Também conta o percurso penoso da busca por publicação. De como histórias foram deixadas de lado e tomaram outro rumo. Sobre o primeiro livro publicado, Carrie, a estranha, e como ele mudou sua vida. De como conhecei Tabby, sua esposa, e a vida dos três filhos, em meio aos muitos perrengues enfrentados. Fala também sobre o alcoolismo e tudo de ruim que trouxe para a sua vida pessoal e profissional.

Na segunda parte, chamada de Caixa de Ferramentas, King elenca uma série de qualidades que devem ser exercitadas por quem quer ser escritor. É engraçadíssima a sua defesa pelo não uso do advérbio. Não era algo com que eu me preocupava, mais depois do autor dizer que "a estrada para o inferno está pavimentada por advérbios", fiquei mais atenta, tanto nos meus textos quanto nos que leio. E preciso concordar com o Stephen: advérbio é muito feio!

Também fala sobre história, trama, texto, construção de personagens e mais um monte de coisas, como se fosse, realmente, uma caixa de ferramentas para autores, na terceira parte. É um guia pra ser lido, relido e consultado.

Não sou boa leitora do Stephen King. Só li O Iluminado, e não curti muito. Não é o tipo de livro que curto. Mas é preciso tirar o chapéu pro autor, porque ele publica muito e tem muita criatividade. Gostei muito deste Sobre a escrita, acho que é um bom guia para qualquer pessoa que quer escrever.
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 29 de agosto de 2017

Citações #218

De Man Repeller:


- Quais são suas competências?
Eu estava preparada para essa pergunta, porque meu pai tinha me avisado que eles a fariam.
- Word, Powerpoint, Excel... todo do Microsoft Office, na verdade.
Em 2007, essas competências levavam a um caminho chamado Contratado. Se eu tivesse divulgado minhas verdadeiras competências - Facebook e Net-a-Porter -, a reunião provavelmente teria acabado ali mesmo. Cinco anos mais tarde, talvez essas fossem as duas únicas competências importantes.  


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Livro: Pequenas grandes mentiras



Quando Ana Paula me passou o livro, não fiquei lá muito entusiasmada. Estava #lendovidaedestino e caminhando devagar com a trama. Mas uma hora dessas pensei que uma leitura levinha ia ser bacana pra desanviar. Pensa bem se não parece um livro levinho... 400 páginas de romance água com açúcar...

Só que não.

Li o livro em dois dias. E foi uma porrada na cara. A autora foi muito feliz em fazer com que uma das personagens principais fosse bem leve (e meio louca, meio gente como a gente), com problemas comuns do dia a dia: um emprego de meio horário, uma filha adolescente, dois filhos ainda crianças. A entrada da filha caçula no jardim de infância. O contato com as outras mães, a "política da escola". Madeline é real demais, em especial no seu relacionamento com a filha mais velha e o ex-marido, com as mágoas e dores que o fim da relação deixou.

No dia da orientação dos novos alunos do jardim de infância, enquanto tenta "salvar a vida" de um grupo de jovens, ela se machuca e conhece Jane, nova no bairro, que levava o filho Ziggy para a mesma turma de Chloe, a caçula de Madeline. Há também a deslumbrante e rica Celeste, mãe dos gêmeos Max e Josh. Quando vão buscar os filhos na escola, Amabella ("não é Annabella, é um nome francês"), filha de Renata, reclama que foi agredida por um menino e, na confusão, a culpa cai em Ziggy. Renata se estressa e quer um pedido de desculpas, enquanto Jane tem certeza de que seu filho não machucaria a coleguinha.

Esse é o pano de fundo para uma investigação de assassinato, que acontece dentro da escola. Logo no primeiro capítulo sabemos que alguém morreu, mas não sabemos como nem quem matou. Só sabemos que a morte aconteceu no dia do Festival de Perguntas e Respostas da Escola, em que os pais deveriam ir fantasiados de Elvis e as mães de Aldrey. Alguns capítulos contam com depoimentos de pais de alunos do jardim de infância sobre as outras mães e pais, sobre as crianças, a professora, a diretora e sobre todas as situações decorrentes do bullying que Ziggy é acusado de praticar.

Porém, mais além, vamos encontrar uma situação de muita, mas muita violência. E, também, de como a violência se espalha, silenciosa, capilar, destruindo vidas e criando monstros.

Foi uma história que me tocou muito, por conta do meu histórico de vítima de violência doméstica. Vi minha vida passada em várias situações do livro, agarrada ao volume esperando ver se haveria um fim digno para aquela história. Sim, o fim é digno. Tem um lado bem romanceado, mas há o principal, lá nos últimos capítulos, sobre as mentiras que as vítimas de violência contam para se encaixar na sociedade. Só por isso, o livro valeu pra mim. Mas não é só isso. É preciso discutir abertamente essa questão.

Verei a série, sim, assim que for possível.
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 22 de agosto de 2017

Citações #217

De Número Zero:


- Não é necessário inventar notícias - observei -, é só requentar.
- Como?
- As pessoas têm memória curta, Pensando por paradoxos: todos deveriam saber que Júlio César foi assassinado nos idos de março, mas essas ideias são confusas. Pega-se um livro inglês recente que faça uma revisão da história de César, depois basta um título de efeito, Sensacional descoberta dos historiadores de Cambridge. César foi mesmo assassinado nos idos de março, reconta-se tudo e tem-se um artigo delicioso.  

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Livro: Fahrenheit 451



Fahrenheit 451 é um daqueles livros que estava na minha pilha de leituras há anos. Vai saber o motivo de ter passado tanto tempo lá... Até coloquei ele na mala pra NY, mas ele permaneceu por lá. Quando desfiz a mala foi que pensei em adiantar a leitura. Foi rápido, li em um fim de semana.

A história é bem conhecida. Fahrenheit 451 é a temperatura do fogo para que o papel seja queimado. O autor cria uma distopia em que os livros são proibidos e os bombeiros existem não para combater o fogo - as casas são anti-chamas -, mas para criá-lo. A sirene do Corpo de Bombeiros soa sempre que alguém denuncia que há livros guardados em alguma casa. Assim, os profissionais do fogo vão até o local indicado para queimar todos esses objetos considerados inúteis e, mais que isso, perigosos. O personagem principal, Montag, é um bombeiro.

Há várias formas de entretenimento nessa distopia. Uma delas é a televisão com múltiplas telas, que é configurada para que os atores conversem com as pessoas. Assim, o conteúdo é direcionado para envolver a audiência. Mildred, esposa de Montag, é uma das donas de casa que fica completamente envolvida com essa e com outra forma de entretenimentos: fones de ouvido que tocam música incessantemente. Ela é capaz de ler os lábios do marido e conversar com ele sem retirar os fones. Ela dorme de fones. Talvez esse tipo de situação justifique o que acontece com Mildred logo no início do livro: ela toma muitos remédios para dormir e Montag a encontra quase morta.

O encontro de Montag com Clarice McClellan, a nova vizinha, muda a forma como o bombeiro vê a vida. A família de Clarice - e ela mesma - é considerada subversiva, e há uma grande vigilância sobre eles. Montag gosta da menina e do seu jeito meio petulante, meio sem filtro. A partir da presença e, posteriormente, da ausência de Clarice, Montag vai começar a questionar o mundo em que vive.

É curioso como o livro é uma declaração de amor aos livros, ao mesmo tempo em que foge um pouco das distopias da mesma época (como em Admirável mundo novo), ao ter um final com uma mensagem de esperança. É bonito o fim do livro, muito mesmo, mas me pareceu deslocado do que eu esperava da distopia. Mesmo assim, é um ótimo livro. Mais fácil de ler - talvez até por esse clima mais positivo - do que Admirável mundo novo.

Fahrenheit 451 virou filme, dirigido por François Truffaut em 1966. É um bom filme, a adaptação foi muito bem feita. Vi há muitos anos, mas estou querendo ver de novo.
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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 15 de agosto de 2017

Citações #216

De Número Zero:



A questão é que os jornais não são feitos para divulgar, mas para encobrir as notícias. Ocorre o fato X, você não pode deixar de falar dele, mas cria problemas para gente demais, então no mesmo número você põe manchetes de arrepiar o cabelo, mãe degola os quatro filhos, a nossa poupança talvez vire pó, descoberta uma carta de insultos de Garibaldi a Nino Bixio e assim por diante, a sua notícia se afoga no grande mar da informação.  

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Livro: Um amor incômodo



Olha a Elena Ferrante aí de novo...

Em Um amor incômodo, temos Delia às voltas com a morte da mãe, Amalia. Ela morreu, no dia do aniversário da filha, afogada no mar; foi encontrada vestindo apenas um sutiã novo. Esse detalhe chama a atenção de Delia: a mãe só vestia roupas velhas, reformadas e remendadas; até mesmo roupas íntimas. O que levou Amalia, que saiu de Nápoles a caminho de Roma para visitar a filha, a parar em uma praia e ficar dois dias por lá, depois entrar no mar apenas de sutiã e não mais voltar?

Delia está às voltas com a parte burocrática da morte: reconhecimento do corpo, velório e enterro, entrega do apartamento onde a mãe vivia. Ao mesmo tempo, tem que se haver com a própria mãe, com quem tinha uma relação complicada, em que estão presentes a vontade de ser Amalia e a vontade de repeli-la sempre.

Há uma história do passado pulsando: Amalia se comportava de forma diferente longe do pai de Delia. Houve um caso de infidelidade, anos depois veio a separação. O ex-marido continua a seguir Amalia, continua a aterrorizar a ex-mulher. O amante quase morreu, devido à violência quando caso veio à tona. Porém, surge novamente nos últimos dias de Amalia.

A Nápoles de Elena Ferrante é bastante repulsiva. Nela, pulsam a sujeira, a violência, o dialeto forte, as obscenidades. As dores de um passado sempre marcante. Talvez por ter lido a Tetralogia Napolitana antes dos demais livros, me parece que os dois que li depois são um ensaio para essa obra maior. Isso não diminui os livros, de forma alguma.

Neste Um amor incômodo, em especial, é possível ver um horror mais marcante. Tão forte, no desenvolvimento da ação, que, ao terminar, não sabia se tinha gostado ou não. Escrevo ainda sem ter certeza. Porém, esse incômodo é um dos fatores que me leva a gostar de um livro: a história permanecer retumbando na minha mente mesmo após lida. Isso é sinal de que o livro me tirou do lugar. Pra mim, como leitora, isso não tem preço. Então, aposto que o veredito final será positivo.

De toda forma, a narrativa da Elena Ferrante é muito envolvente. Ela sabe narrar, ela enreda a trama e o leitor de uma forma muito especial. Mesmo que a história seja um tanto repulsiva, você fica ali, grudado no livro, esperando para chegar ao final e entender o que um gatilho simples pode gerar. Nesse ponto, ela me lembra muito das crônicas de Laços de família, da Clarice Lispector.

Da Elena Ferrante, ainda não li Frantumaglia e Dias de abandono. O primeiro ainda será lançado em português.

O que já li da autora:
Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
Sobre História do novo sobrenome
Sobre História de quem foge e de quem fica

Sobre Story of the lost child
Sobre A filha perdida

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Citações #215

De Número Zero:


Percebam que hoje, para contra-atacar uma acusação não é necessário provar o contrário, basta deslegitimar o acusador. Portanto, aqui está o nome e o sobrenome do sujeito, e Paratino dá um pulo em Rimini, com um gravador e uma máquina fotográfica. Siga esse íntegro servidor do Estado, ninguém nunca é cem por cento íntegro, mesmo que não seja pedófilo, não tenha matado a avó, nem embolsado proprinas, terá feito alguma coisa estranha. Ou então, se me permitem a expressão, estranhifica-se aquilo que ele faz todos os dias. Palatino, use a imaginação. Entendido? 


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

De volta a NY - Parte 5

Pensa num refrigerante horrível...

Acordamos cedo no sábado. Na sexta, antes de acontecer a zica com meu pé, tínhamos ido à Times Square, aquele inferno de lugar, em busca de presentes pros sobrinhos, na loja da Disney. Estava infernal. Daí, quando voltamos pro hotel, tinha um sujeito distribuindo essas latinhas de Pepsi de canela. Uma pra mim, uma pro Leo. Ele bebeu na hora, eu deixei pra tomar na manhã de sábado, quando voltaríamos pra Times Square, num momento mais vazio da loja da Disney, pra procurar com calma o presente das crianças.

Meu pé continuava inchado e dolorido. Coloquei a pomada anti-inflamatória na bolsa e prometi pra mim que andaria devagar, com bastante cuidado. Até então, estava usando a minha wanna-be-Birkenstock, mas precisei voltar pro tênis, amarrado bem apertado pra dar um suporte melhor pro pé. Loja da Disney, lá fomos nós. Estava frio, bem mais do que nos outros dias.

Sacolinha

A lista de presentes envolvia um Minion pro Lucas, uma Pequena Sereia pra Lara, uma roupinha fofa pro Mateus e uma Moana pra Maria. Não achamos o Minion (será que é porque não é da Disney? - ficaria para outro momento). A roupinha do Mateus foi fácil. A Pequena Sereia da Lara também. A Moana da Maria não foi. A menor não cabia na mala compacta que tínhamos. Acabei escolhendo um grupo de Kakamoras pra ela, morrendo de medo dela odiar.

De lá, passamos no hotel pra deixar as compras e rumamos pra Brooklyn, querendo fazer o mesmo trajeto que tínhamos feito com o Pedro em 2013. Isso incluía uma loja de esportes, onde tínhamos comprado um Camelback pro pai do Leo. Agora estávamos em busca de uma bota de escalada pro Leo mesmo. Foi um pouco difícil achar a loja, porque descemos de metrô desta vez - antes, tínhamos ido à pé - e não sabíamos o nome dela nem a localização exata. Descemos de metrô por motivos de pé-zicado-da-Aline.

Pausa pra falar que no metrô a gente encontra pessoas lendo calhamaços, mesmo em pé. Preciso aprender esse malabarismo.

Olha o tamanho do livro! Ao menos as edições desse tipo são leves. 

Conseguimos achar a Patagon e Leo encontrou a bota que queria. Eu levei um casaco, que fez muito bem pra mim na descida até o Brooklyn, porque estava bem frio.

Nosso plano era almoçar na feirinha de comidas do Brooklyn e depois ir pra cervejaria. Mas a feira estava tão lotada, tudo tão muvucado, que não aguentamos cinco minutos por lá. Não tinha lugar pra sentar, e eu não estava dando conta de ficar muito tempo em pé. Fomos procurar um restaurante ou algo assim e achamos um dinner lindinho (o Brooklyn é uma região muito fofa! Dá até vontade de ficar hospedado por lá, da próxima vez).


Meu almoço absurdamente gostoso!

Saímos de lá e rumamos pra cervejaria Brooklyn, um dos lugares onde Leo mais queria voltar.

Se a ciência diz, a gente acredita!

Diz o mural da Brooklyn...

Chegamos e tinha uma fila considerável na porta. Eles trabalham com uma capacidade de carga que não sei qual. Mas só entra um número X de pessoas. Então, para entrarmos, várias pessoas tinham que sair. Ficamos lá, em pé, esperando. E dá pra imaginar a dor de ficar em pé, né? O pé direito doendo horrores, não dava para servir de apoio. O pé esquerdo era o apoio oficial e já estava pedindo pra sair zero-dois. Foram uns quarenta minutos de fila. Me lembrei muito do Jaime Lannister: as coisas que a gente não faz por amor... Leo, por amo à cerveja, topou pegar a fila, coisa que ele odeia fazer; eu, por amor a ele, estava ali, quase chorando de desespero.

Entramos, finalmente! Arrumei um cantinho perto do banheiro pra sentar, ao lado de um moço bem simpático, que estava sozinho. Leo foi comprar as fichas e pegar a segunda fila do dia, a da escolha dos chopps. Enquanto esperava, tirei o tênis e taquei pomada anti-inflamatória na bola imensa que eu insistia em chamar de pé. Estar sentada era um alívio imenso... podia descansar os dois pés e ser feliz.


Garoto propaganda (olha meu tênis aqui, no canto inferior direito!)

Ficamos um tempo lá, com Leo experimentando os chopps "ao pé da vaca", como ele gosta de dizer. Passamos la lojinha e fizemos a "nossa" feira, além de comprarmos presentes pra Debora e pro Marcelo. Depois, fomos embora, caminhando devagar (a.k.a. pé direito pedindo socorro) pra também fruir o bairro, tão encantador.

NY tem disso, muitas flores nas ruas

Me sentindo local, com o pé direito estragado

Voltamos, pegamos o metrô, voltamos pro hotel. À noite, voltamos pra Penn Station, pro Shake Shack e pro mesmo pedido do dia anterior. Porque adoramos repetir as coisas que gostamos.

Mas ao passarmos na Duane Reade, ao lado do Shake Shack, comprei um suporte pro tornozelo, pra poder seguir a vida a flanar pela cidade.

Suporte e pomada anti-inflamatória a postos. 




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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Livro: A filha perdida


Meu primeiro Elena Ferrante após a Tetralogia Napolitana!

A filha perdida é um daqueles livros que você lê de supetão. Comprei na rodoviária e li na viagem entre BH e Ouro Preto, e voei nas 174 páginas das férias de Leda na praia. Ela é professora universitária e se vê sozinha pela primeira vez, podendo usufruir de férias como quisesse, já que suas duas filhas, Marta e Bianca, mudaram-se para o Canadá, para viver com o pai.

Em meio às férias de professora, cheia de leituras e estudos, ela resolve passar o dia na praia. Escolhe o lugar, a barraca, a espreguiçadeira. Está tranquila, usufruindo a calma longe das filhas e do trabalho. Mas aí aparece uma família napolitana, que desperta em Leda lembranças de um passado que ela gostaria de manter esquecidos. O grupo é grande e, entre os gritos e o jeito espalhafatoso, destaca-se uma moça jovem e sua filhinha. Leda acha a moça graciosa e se diverte vendo a relação de mãe e filha.

Porém, as lembranças das filhas e de suas falhas como mãe também pulam à sua frente e, novamente, incomodam. Finalmente, ela trava contato com os napolitanos. Nina é a moça, mãe de Elena, que sempre carrega uma bonequinha. Rosaria, que está grávida, é irmã do marido de Nina, que só vem nos fins de semana, e é casada com o senhor mais velho. Há mais crianças e adolescentes, que irritam Leda por serem espalhafatosos. Um dia, ao sair da praia, Leda é atingida nas costas por uma pinha seca, ficando uma marca feia no local. Ela tem certeza que foram os napolitanos.

Na sequência, Elena se perde na praia e Leda se mobiliza, junto com a família napolitana, para encontrar a garota. É ela quem encontra a menina, apavorada, chorando muito. Quando leva a criança para os pais, vê o êxtase da família napolitana ao ver que está tudo bem com Elena. Mas, novamente, um conflito se estabelece. Elena perdeu Mina, sua boneca. O choro da menina incomoda a todos. A praia é revirada e nada é encontrado.

O sumiço da boneca desencadeia uma série de acontecimentos que vão levar Leda a rever sua vida, a relação com o ex-marido, com as filhas, com os amantes, com o mundo. A tensão é constante e a escrita da autora é muito envolvente. É fácil entender Leda, da mesma forma que é fácil ficar horrorizada com suas atitudes, passadas e presentes.

Elena Ferrante é uma delícia de ler!

O que já li da autora:
Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
Sobre História do novo sobrenome
Sobre História de quem foge e de quem fica

Sobre Story of the lost child

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...




terça-feira, 1 de agosto de 2017

Citações #214

De Número Zero:


- Certo. Os jornais ensinam como se deve pensar - atalhou Simei. 
- Mas os jornais seguem as tendências ou as criam?
- As duas coisas, senhorita Fresia. As pessoas no início não sabem que tendências têm, depois nós lhes dizemos e elas percebem que as tinham. É bom não fazermos filosofia demais e trabalharmos como profissionais.  


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...