quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Livro: A filha perdida


Meu primeiro Elena Ferrante após a Tetralogia Napolitana!

A filha perdida é um daqueles livros que você lê de supetão. Comprei na rodoviária e li na viagem entre BH e Ouro Preto, e voei nas 174 páginas das férias de Leda na praia. Ela é professora universitária e se vê sozinha pela primeira vez, podendo usufruir de férias como quisesse, já que suas duas filhas, Marta e Bianca, mudaram-se para o Canadá, para viver com o pai.

Em meio às férias de professora, cheia de leituras e estudos, ela resolve passar o dia na praia. Escolhe o lugar, a barraca, a espreguiçadeira. Está tranquila, usufruindo a calma longe das filhas e do trabalho. Mas aí aparece uma família napolitana, que desperta em Leda lembranças de um passado que ela gostaria de manter esquecidos. O grupo é grande e, entre os gritos e o jeito espalhafatoso, destaca-se uma moça jovem e sua filhinha. Leda acha a moça graciosa e se diverte vendo a relação de mãe e filha.

Porém, as lembranças das filhas e de suas falhas como mãe também pulam à sua frente e, novamente, incomodam. Finalmente, ela trava contato com os napolitanos. Nina é a moça, mãe de Elena, que sempre carrega uma bonequinha. Rosaria, que está grávida, é irmã do marido de Nina, que só vem nos fins de semana, e é casada com o senhor mais velho. Há mais crianças e adolescentes, que irritam Leda por serem espalhafatosos. Um dia, ao sair da praia, Leda é atingida nas costas por uma pinha seca, ficando uma marca feia no local. Ela tem certeza que foram os napolitanos.

Na sequência, Elena se perde na praia e Leda se mobiliza, junto com a família napolitana, para encontrar a garota. É ela quem encontra a menina, apavorada, chorando muito. Quando leva a criança para os pais, vê o êxtase da família napolitana ao ver que está tudo bem com Elena. Mas, novamente, um conflito se estabelece. Elena perdeu Mina, sua boneca. O choro da menina incomoda a todos. A praia é revirada e nada é encontrado.

O sumiço da boneca desencadeia uma série de acontecimentos que vão levar Leda a rever sua vida, a relação com o ex-marido, com as filhas, com os amantes, com o mundo. A tensão é constante e a escrita da autora é muito envolvente. É fácil entender Leda, da mesma forma que é fácil ficar horrorizada com suas atitudes, passadas e presentes.

Elena Ferrante é uma delícia de ler!

O que já li da autora:
Sobre a Tetralogia Napolitana
Sobre A amiga genial
Sobre História do novo sobrenome
Sobre História de quem foge e de quem fica

Sobre Story of the lost child

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...